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ESTRATÉGIAS DE RELACIONAMENTO COM O PÚBLICO INTERNO: O CASO DA ECONORTE


 

Projetos Experimentais em Relações Públicas

Estudo de Caso

Concessionária de Rodovias Norte S.A. – Econorte

Discentes

Inaiara Milagres Carneiro Sá e Cris Betina Schlemer

Orientador

Prof. Dr. Waldyr Gutierrez Fortes

Instituição de Ensino

Universidade Estadual de Londrina

Conclusão

Junho de 2002


 

DESCRIÇÃO DA EMPRESA

No ano de 1997, o governo do Estado do Paraná abriu concorrência para que seis lotes de rodovias fossem concessionados às empresas que oferecessem o melhor trecho de oferta, obtendo o direito de exploração das rodovias por meio de pedágio, assumindo obrigações como as de manutenção, conservação e realização de obras.

Reunidos, esses seis lotes são chamados de Anel de Integração do Estado do Paraná, nome adotado devido ao desenho formado pelos 2.035 km de rodovias estaduais e federais concedidas à iniciativa privada. Essas empresas não são concorrentes entre si, cada uma delas é responsável por um determinado trecho e recolhe o pedágio dos usuários da então rodovia concessionada.

O sistema de concessão possui características diferentes de uma privatização, já que não se trata de venda nem doação de bens públicos, mas, sim, de uma autorização para administrá-lo – no caso do Anel de Integração o bem público em questão são as rodovias – por um tempo determinado (24 anos). As estradas continuam sendo do poder público e serão devolvidas ao final do contrato, juntamente com todos os bens adquiridos como viaturas, estrutura administrativa, computadores, móveis e equipamentos.

Responsável pelo Lote 1, a empresa expressa na sua Política de Qualidade, seu objetivo geral: “A Política de Qualidade da Econorte se traduz pelo trabalho em equipe, com profissionalismo e comprometimento com as metas da empresa, garantindo através da busca constante da excelência nos serviços prestados, o conforto e satisfação do usuário”.

A empresa se preocupa em apresentar uma imagem positiva de seus serviços aos usuários, visto que sua finalidade gera conflitos de opiniões desde sua efetivação, apesar de prestar o importante serviço de salvar vidas e garantir a manutenção das rodovias à sociedade.

O Lote 1 é constituído por 275 km que somam as rodovias BR 369, PR 445, PR 323 e PR 090. A empresa tem distribuídas nesta extensão as três praças de pedágio: a P1 localizada em Cambará, a P2 em Jataizinho e a P3 em Sertanópolis; sete Bases Operacionais e um SAU – Serviço de Atendimento ao Usuário.

Durante quatro anos de concessão, a empresa passou por momentos difíceis: há dois anos o governo reduziu a tarifa de pedágio em 50%, obrigando a empresa a adotar uma política de redução de investimentos e reprogramação das obras determinadas no contrato e o quadro funcional diminuiu de 280 para 110.

Hoje, graças a empréstimos e atualização das tarifas, a empresa se recupera da crise e mantém as obras contratuais dentro dos prazos reprogramados.

O RELACIONAMENTO ENTRE USUÁRIOS E FUNCIONÁRIOS

Uma das grandes preocupações da Econorte é a satisfação dos usuários. Todos os trabalhos são realizados visando a este público: a carta-resposta – pesquisa de satisfação feita diretamente com o motorista que recebeu atendimento na rodovia, Serviço de Atendimento ao Usuário – SAU´s, locais que disponibilizam informações, banheiros, fraldário, conveniência, base do resgate e telefone, estruturação do serviço de 0800 e um programa de informações, realizado pelo departamento de comunicação, que utiliza os mais variados veículos para que notícias sobre a concessionária chegue ao usuário.

Contudo, atingir excelência na prestação de serviços e garantir a segurança, o conforto e a satisfação do usuário – maior objetivo da organização – depende diretamente do desempenho dos funcionários: são eles que lidam com os motoristas diariamente, e a qualidade do atendimento – na rodovia ou na praça de pedágio – é reflexo da satisfação também do empregado.

Juntamente com a comunidade, acionistas e imprensa, os funcionários e usuários formam os principais públicos da Econorte. Outro importante público é formado pelo governo, o “poder concedente”, que possui influência direta nas decisões da empresa.

Para as Relações Públicas, os públicos são os pontos de maior relevância. Serão sempre a base e o alicerce de seu trabalho. A sua determinação e identificação constituem a primeira fase do processo que esse profissional deve seguir.

Segundo Andrade,[1] público é, por definição, “pessoas ou grupo organizado de pessoas à base de considerações racionais, sem dependência de contato físico, encarando uma controvérsia, com idéias divididas e com oportunidade para discuti-las”.

Pode-se considerar como público de uma empresa, um grupo de pessoas que, por meio da informação, consciência crítica e espaço para debater, será capaz de caminhar junto a organização, sob o mesmo objetivo, ajudando-a a resolver seus maiores desafios.

Andrade propõe, ainda, uma classificação aplicada a estes grupos organizados de pessoas que segmenta os diversos públicos de uma instituição da seguinte maneira:

Público Interno: trata-se do público próximo à organização, constituí-se basicamente por seus funcionários, que afetam diretamente o bom andamento da empresa, bem como seus familiares que afetam diretamente os funcionários.

Público Misto: é formado por um grupo de pessoas que ora devem ser tratados como público interno, ora como público externo. Exemplo: fornecedores, sócios e investidores.

Público Externo: são as pessoas que, mesmo afastadas da empresa, possuem expectativas em relação a ela, é o caso dos consumidores e da comunidade a qual a empresa está inserida, entre outros.

Muitas empresas cometem o erro de privilegiar demasiadamente seu público externo, por exemplo, com ações e projetos de responsabilidade social, no sentido de formar um conceito positivo da organização. Mas a eficiência se obtém se o processo for invertido: deve-se investir primeiramente no bem-estar social de seus empregados para, em seguida, fortalecer sua atuação junto à comunidade. Caso contrário, este fato pode produzir um grande descontentamento entre seus empregados, confirmando um grave quadro de conflitos, ansiedades e desmotivações.[2]

Para tanto, a atenção deste trabalho será voltado ao público interno – funcionários e seus familiares – por ser um público bastante carente de comunicação e porque a empresa necessita estreitar relacionamentos, proporcionando clareza de informações, melhoria do ambiente interno e colaboração. Deve-se propiciar a esse público um completo conhecimento da empresa, sua missão, suas políticas, sua verdadeira razão de ser e existir, refletindo esses resultados em melhor entendimento.

É preciso saber de alguns fatores que influenciam no desempenho do empregado, que devem ser observados pela empresa e que proporcionam as condições que eles necessitam para desenvolver um bom trabalho: os físicos, orgânicos e de motivação.

Na Econorte, existe a preocupação em suprir suas necessidades físicas, como: fisiológicas e de segurança, embora pouco valor seja dado para as outras necessidades como as de pertencer, de estima e de auto-realização, descritas por Maslow,[3] dispostas em uma pirâmide, sendo a primeira a sua base seguindo sucessivamente até o topo.

Os fatores orgânicos são representados por boas condições de trabalho: transporte seguro, local arejado e iluminado, alimentação e salários justo, fatores seguidos a risca pela empresa: todos os funcionários que trabalham nas praças de pedágio são transportados por veículos devidamente licenciados para o serviço, todas as cabines de pedágio e salas (sede) contam com ar-condicionado, recebem tickets alimentação e salários compatíveis com os cargos.

Estes fatores são identificados no processo de Relações Públicas na sua terceira fase – levantamento das condições internas – em que o profissional averigua “as normas e métodos de trabalhos usados pela organização, estudando-se também a estrutura, relações entre os empregados, instalações, material, localização, enfim, tudo que possa permitir a identificação da área ou das áreas desajustadas”.[4]

A empresa prega o trabalho em equipe, e tem ainda como “valores-chave" a ordem, o controle, a liberdade, o dinheiro e as relações humanas, sendo que o mais importante é a vontade. Juntamente com a união, companheirismo, o "vestir a camisa da empresa" representam os fatores de motivação e, não vão ser seguidos pelos funcionários se não lhe forem estimulados.

Esta afirmativa pode ser percebida na Econorte onde há falta de motivação, espírito de equipe e problemas de relacionamento pessoal, principalmente entre chefias e chefiados. Estes fatos demonstram a carência de um trabalho mais profundo com o público interno, incluindo uma pesquisa interna a fim de captar os anseios e as opiniões dos componentes da Econorte, para realização de um trabalho eficaz.

A motivação pode ser definida como: “um processo que governa as escolhas entre diferentes possibilidades de comportamento do indivíduo”,[5] e resulta em dois tipos de comportamento dos funcionários frente à empresa: o favorável e o desfavorável.

A concessão de rodovias não é assunto visto com bons olhos pela opinião pública e acaba, por conseqüência, influenciando os funcionários da empresa, o que acarreta um comportamento desfavorável, e que por muitas vezes, pode ser sentida pelos próprios usuários.

Para buscar o comportamento favorável, é preciso observar três categorias de motivação de empregados: crescimento / desenvolvimento / realização (o que acaba se tornando um desafio para o ser humano) reconhecimento e poder.[6]

As categorias devem ser observadas pela organização e proporcionadas aos funcionários, orientados por um profissional de Relações Públicas, pois "as Relações Públicas, como codificadoras das mensagens organizacionais, buscam desenvolver nos indivíduos a aceitação das normas, valores e objetivos organizacionais, criando comprometimento com a organização",[7] sempre trabalhando de maneira integrada ao departamento de Recursos Humanos da empresa.

O POSICIONAMENTO DA ORGANIZAÇÃO EM RELAÇÃO AO PÚBLICO INTERNO

A organização frente a seus funcionários possui um comportamento de preocupação e respeito, fato demonstrado na realização de alguns projetos com foco voltado a este público como, por exemplo, a colocação de caixas de sugestões em todas as praças e na sede, instituída pela equipe deste trabalho, o que possibilitou o acesso de reclamações, sugestões e elogios dos funcionários, anteriormente dificultada pela distância entre praças e sede e pela hierarquia de cargos.

Outra atividade realizada pelo departamento de comunicação são as festas de confraternização de final de ano, que objetivam integrar os empregados da empresa e familiares. Todos esses são trabalhos rotineiros de Relações Públicas, importantes, porém não suficientes.

Os servidores, que se revezam em três turnos não fixos – durante cinco dias o funcionário trabalha no primeiro turno, tira dois de folga, e volta para o segundo turno e assim por diante – possuem uma programação de ambientação à empresa, assim que ingressam, que consiste na recepção do funcionário, apresentação da Econorte, entrega do manual do funcionário e um treinamento básico realizado pelo responsável daquele setor.

Dentre outros benefícios que o funcionário da Econorte possui, está a política salarial, que atende à legislação e que uma vez por ano, divide parte dos lucros com os empregados, além de descontos em empresas conveniadas, plano de saúde, ticket alimentação e a existência de um sindicato organizado pelos próprios funcionários.

Logo, os problemas com este público localizam-se em dois pontos cruciais – que podem ser resolvidos com a execução deste trabalho – “falta de estrutura interna de comunicação e de informação com feedback”.

Primeiramente, porque essas vantagens não vêm sendo administradas por um profissional de Recursos Humanos, “especializado em proporcionar autonomia, autocontrole, autodesenvolvimento e participação dos funcionários, nas organizações”,[8] além de proporcionar estruturação interna, elementos essenciais a qualquer organização.

E, em segundo lugar, porque o funcionário está carente de informações sobre sua própria empresa, fato que pode ser constatado pelo desconhecimento dos mesmos em relação aos benefícios que a empresa trouxe e traz às comunidades da região, causando desconforto dos mesmos em relação à organização.

Aqui se verifica uma das áreas desajustadas da empresa, em que o profissional de Relações Públicas, na quinta fase do processo de RR.PP. – amplo programa de informações – age como intermediador entre empresa e público interno repassando “um volume razoável de informações [...] pleiteando o interesse da organização com o respeito ao empregado”.[9]

Falta promover o relacionamento entre os próprios funcionários, o que proporciona um ambiente de trabalho favorável, pois satisfaz a necessidade de “participação” que todo funcionário tem para com a sua empresa, o que resulta, conseqüentemente, em maior produção e melhor atendimento ao usuário e logo em conceito favorável à Econorte.

Antes de pensar em qualquer ação que possa preencher as falhas de relacionamento interno é preciso conhecer a cultura da organização, que consiste em um código, uma linguagem capaz de determinar o perfil completo de uma empresa, bem como das pessoas que a compõe.[10]

No caso da Econorte, desvendar sua cultura é um fator de grande importância para o trabalho de comunicação interna, pois por meio dela será possível detectar a expectativa e as ansiedades de cada uma das subculturas formadas e que possuem diferenças facilmente observadas.

Ao analisar a empresa, detectaram-se algumas diferenças que influenciam diretamente na cultura organizacional: o local de trabalho, já que cada praça de pedágio localiza-se em uma cidade, com história, costumes, hábitos e modos de vida próprios.

Pôde-se perceber, por exemplo, nas praças um clima de competição entre os arrecadadores e a formação de grupos, chamados "panelinhas", o que já não ocorre na sede da empresa.

Não se pode deixar de mencionar, ainda, a alta rotatividade de funcionários com cargo de arrecadadores, fator que já faz parte da cultura da empresa.

ORGANIZAÇÃO, FUNCIONÁRIOS E USUÁRIOS

O mundo mudou, veio a globalização. Novas formas de negociação são realizadas pelas organizações para se manterem no mercado, as empresas estão adotando uma nova postura frente a sociedade e seus públicos, e estão sendo cobradas por eles, mais e mais.

Encontra-se um novo perfil de consumidores, aqueles que não se deixam enganar, que buscam seus direitos, que cobram posições e atitudes de seus governantes e das empresas.

Segundo Gil, “toda organização tem a responsabilidade de promover a ascensão intelectual e material, tanto de seus profissionais, quanto da comunidade da qual é elemento integrante”.[11]

É este o panorama que se encontra hoje e que proporcionou o crescimento de investimentos das empresas brasileiras em responsabilidade social, iniciativa impulsionada por uma situação econômica fraca, por uma população cada vez mais pobre e carente, que encontra nas organizações uma saída para problemas que, deveras, deveriam ser resolvidos pelo governo.

Acabou sendo uma oportunidade para as organizações, serem socialmente responsáveis. Muitas decisões de compra por consumidores, para determinados produtos, se dão pela sua contribuição social.

A responsabilidade social pode ser definida, segundo Mello Neto,[12] como:

Decisão de participar mais diretamente das ações comunitárias na região em que está presente e minorar possíveis danos ambientais decorrentes do tipo de atividade que exerce, [...] investir no bem-estar dos seus funcionários e dependentes e num ambiente de trabalho saudável, além de promover comunicações transparentes, dar retorno aos acionistas, assegurar sinergia com seus parceiros e garantir a satisfação dos seus clientes e/ou consumidores.

Os fatores que fazem com que decisões sejam tomadas, citados acima, podem ser chamados de “vetores” da responsabilidade social de uma organização, direcionando as ações sociais.

Quando uma empresa opta em ser socialmente responsável, ela pode “participar de projetos de cidadania com capital financeiro e/ou humano”.[13]

O pedágio abre várias possibilidades de projetos sociais e os realiza, não somente para criar uma imagem positiva frente aos seus públicos, mas também por ser uma empresa muito cobrada pela comunidade (imprensa, líderes de opinião, governo).

A Econorte desenvolve projetos como o "Criança Amiga do Trânsito" – direcionado para crianças de 3ª e 4ª séries primárias – e o "Trevo" – que é apresentado para diferentes empresas – consistem em palestradas de educação no trânsito.

Além destes, a empresa já realiza projetos de campanha do agasalho, oferecendo as praças de pedágio como postos de arrecadação, em parceria com o Provopar e outros de informação como: "Dia do Caminhoneiro", "Dia das Mães", “Blitzes Educativa", "Dia das Crianças", "Projeto Feriado", que consistem na distribuição de panfletos com mensagens de acordo com o motivo.

O capital humano ainda pode ser muito explorado, por meio de projetos que engajem os funcionários às ações comunitárias. Uma pesquisa realizada por alunos do curso de Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas da UEL, atestou que 81,79% dos funcionários estariam à disposição de suas empresas para trabalhar como voluntários em programas sociais, e, 99,18% dos funcionários sentiriam orgulho e mais motivados a trabalhar em empresas socialmente responsáveis.[14]

A responsabilidade social interna tem como objetivos principais motivar os funcionários para um “desempenho ótimo, criar ambiente agradável de trabalho e contribuir para seu bem-estar. Com isso, a empresa ganha a sua dedicação, empenho e lealdade”.[15]

ANÁLISE DA EMPRESA PARA PLANEJAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS

É preciso ter noção do panorama interno e externo da organização, dados que ofereçam a “base sólida para o domínio estratégico do ambiente da empresa”,[16] prevenindo contra passos em falso e maximizando resultados, durante o planejamento de Relações Públicas.

Internamente, toda a empresa possui pontos fortes, que devem ser aproveitados, pontos fracos que devem ser trabalhados, e alguns pontos em desenvolvimento, que precisam ser observados.

Pontos Fortes

Missão e funções internas de cada funcionário na empresa bem definidas e bem divulgadas.

Padronização das atividades graças ao programa de qualidade ISSO.

Programa salarial e de benefícios satisfatórios.

Treinamento ao novo funcionário por um funcionário antigo que o ambienta à empresa.

Bom funcionamento da comunicação formal.

Resposta às reclamações, sugestões e reivindicações obtidas por meio dos veículos internos de comunicação.

Existência de um sindicato organizado pelos funcionários da Econorte que os defende e representa.

Pontos Fracos

Hierarquia.

Alta rotatividade de funcionários.

Ausência de plano de carreira (promoção).

A falta do profissional de Recursos Humanos, ocasionando pouca estruturação interna específica para o relacionamento com o público interno.

Falta de motivação e espírito de equipe.

Problemas de relacionamento pessoal.

A carga negativa que uma empresa de pedágio já possui e que, mesmo indiretamente, é transmitida e assimilado pelos empregados.

Ausência de pesquisas internas a fim de captar os anseios e as opiniões dos componentes da Econorte.

Pontos em Desenvolvimento

Possível contratação de um profissional de Recursos Humanos.

Maior preocupação da Diretoria com o público interno.

Aprovação de projetos que tem como objetivo promover motivação e cooperação interna.

A identificação dos pontos descritos, como fortes, fracos ou em desenvolvimento, foi que tornou possível delinear o objetivo principal deste trabalho: estreitar o relacionamento, por meio da comunicação dirigida.

Ainda para delinear a verdadeira função das Relações Públicas e as atividades a serem propostas e cumpridas por este trabalho, foi preciso identificar as principais oportunidades e ameaças que envolvem a Econorte.

Deste modo, as oportunidades observadas são: a empresa não possui concorrentes diretos; presta um serviço importantíssimo; conta com um atendimento pré- hospitalar excelente e que vêm salvando muitas vidas; investe em comunicação e projetos com grupos específicos de interesse como caminhoneiros e etc.; dispõe de tecnologia de ponta e um ótimo atendimento ao usuário; é certificada com a ISO 9002.

As ameaças encontradas e que devem ser levadas em consideração para que o planejamento de comunicação obtenha sucesso são: a má imagem construída em torno da própria cobrança do pedágio e a não diferenciação da Econorte com outras concessionárias do Anel de Integração.

FORMAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DO PÚBLICO INTERNO

Para garantida que as ações de Relações Públicas sejam eficientes é preciso, em teoria – elemento sempre capaz de nortear qualquer prática – que o profissional siga as fases do chamado Processo de Relações Públicas.

Este processo foi estabelecido por Andrade[17] e consiste nas seguintes fases a serem seguidas nesta ordem:

  1. Determinação dos grupos de interesse da empresa e sua identificação como público.

  2. Apreciação e reconhecimento do comportamento dos públicos.

  3. Identificação das condições internas.

  4. Revisão e ajustamento da política administrativa.

  5. Amplo Programa de Informações.

  6. Controle e Avaliação dos Resultados.

Assim, é possível compreender a importância de que se anteceda, à apresentação dos projetos, das ações concretas de execução do Plano de Relações Públicas, um levantamento completo das condições, do histórico, dos recursos humanos e dos métodos operacionais da empresa a ser trabalhada.

RELATÓRIO DOS PROJETOS REALIZADOS

Jornal Mural (JM), Comunicação Interna e Caixa de Sugestões

Criou-se uma nova identidade visual para a empresa, em que foram reformulados e padronizados todos os murais da Econorte, bem como as caixas de sugestões; também foi criada uma papelaria específica para a comunicação interna: o "Informativo Interno". Assim conseguimos atingir o objetivo principal deste projeto fazendo com que todos os funcionários pudessem identificar com facilidade os assuntos e informações pertinentes aos funcionários de uma maneira geral, aumentando o número de sugestões nas caixas e a credibilidade dos veículos.

Para tanto, foram criadas normas de utilização para que os quadros de aviso sigam o novo padrão adotado.

Projeto “Campanha do Agasalho”

Como previsto, a campanha interna de arrecadação de agasalhos foi cumpriu os prazos previstos em cronograma, e teve seu término com o recolhimento das doações na sede e em todas as praças.

Para estimular as doações, foi oferecido como prêmio, para os funcionários que participassem da campanha, uma diária no Aguativa Resort, hotel que está localizado dentro do trecho de concessão da Econorte.

O vencedor foi definido por sorteio realizado entre os funcionários do P3 – Sertaneja, praça que juntamente com a sede, efetuou doações.

Todas as doações foram repassadas ao parceiro no projeto, o PROVOPAR – Londrina, visto que a primeira idéia era repassar as arrecadações às entidades carentes das cidades de onde vieram, ou seja, a cidade pertencente à cada praça de pedágio: Cambará, Jataizinho e Sertaneja.

Projeto “Amigo Secreto”

Este projeto, embora tradicional na empresa, pela primeira vez reuniu 50 funcionários em uma confraternização com troca de presentes.

Participaram além da área administrativa, empregados do Departamento de Operações, como o CCO e Inspeção de Tráfego, equipe que trabalha no sistema rotativo e que, por isso, mantém um relacionamento superficial com os outros funcionários da sede.

O objetivo de dinamizar o relacionamento entre as pessoas da sede da organização foi atingido. O evento foi divulgado com duas semanas de antecedência no JM da sede, e contou com uma caixa em que poderiam ser depositados recados ao “amigo secreto”, para esta atividade os funcionários tiveram o tempo de duas semanas.

Projeto “Festa de Confraternização”

Neste evento de confraternização a principal conquista foi reunir os funcionários de todas as partes da empresa (sede e praças) bem como suas famílias.

Lembrando que a sede e as praças de pedágio são separadas por muitos quilômetros de distância, esta é uma das poucas oportunidades dos funcionários que atuam em diferentes locais, se conhecerem, interagirem.

Para tanto, foi colocado à disposição dos funcionários das praças um veículo para transportá-los, das cidades de Cambará, Jataizinho e Sertaneja para o local da confraternização.

A chegada do Papai Noel neste ano foi especial. O funcionário Gervásio Liberatti, equipe de Inspeção de Tráfego, vestiu a fantasia do “bom velhinho” e surpreendeu a todos os funcionários, inclusive a própria família. O que também chamou a atenção, foi a sua chegada no carro da Inspeção com giroflex e sirene ligados, juntamente com a Mamãe Noel.

Projeto “Informação”

Este projeto teve como principal objetivo informar o funcionário sobre as atividades da empresa, dividindo informações sobre cada departamento e suas funções, ação que é dificultada pela divisão existente na organização: são quatro extensões: a sede, P1, P2 e P3.

Outro fator de importância neste projeto é que muitos funcionários da Econorte não tinham conhecimento dos benefícios trazidos por ela, para toda a região de sua comunidade.

Assim, durante três semanas, funcionários arrecadadores do P1, P2 e P3, foram reunidos na sala de treinamento da sede em que gerentes das áreas passaram aos funcionários informações do funcionamento da empresa e os benefícios trazidos por ela a cada região que compõem o Lote 1.

Após a conversa, os funcionários visitaram as instalações da sede da empresa, que comporta os departamentos: administrativo, de comunicação, de recursos humanos, de engenharia, jurídico, de operações e CCO.

No primeiro dia contamos com a presença de 18 funcionários, no segundo 20 e no terceiro 17 (entre P1, P2 e P3), somando um total de 55 arrecadadores, sendo que a empresa trabalha com 58.

Projeto “Calendário 2002”

Um concurso de desenho entre os filhos dos funcionários, com o tema "A Criança, a Natureza e a Estrada", estimulou a participação dos funcionários e seus familiares no dia-a-dia da organização.

Cada criança, filho de funcionário, recebeu uma lauda, onde poderia usar de toda a sua criatividade em um desenho que ilustrasse o tema, dentro do regulamento proposto pela equipe organizadora.

A princípio, os 13 melhores desenhos seriam impressos no Calendário 2002 da Econorte, sendo o primeiro colocado, a capa, e os demais, representantes de cada mês do ano.

Porém, devido ao número de desenhos recebidos, foi feita uma segunda proposta: incluir no calendário todos os desenhos, não deixando nenhuma criança de fora. A proposta foi aceita e, assim, foram publicados um total de 23 desenhos.

Percebeu-se que a campanha trouxe ótimos resultados, tanto pelo número de desenhos recebidos, quanto pela expectativa gerada para o resultado do concurso.

O prêmio, uma bicicleta, foi entregue na Festa de Confraternização da Econorte, juntamente com os kits (dois calendários, boné, chaveiro, adesivos e livro educativo) para as outras crianças que participaram do projeto.

Os calendários foram distribuídos aos funcionários, fornecedores, acionistas, imprensa, Concessionárias de Rodovias e outros.

PROJETOS IDEALIZADOS

Projeto “Dê Vida, Doe Sangue”

Consiste em uma campanha de doação de sangue dos funcionários da sede e das praças de pedágio da Econorte.

O sangue colhido será destinado aos principais hospitais que recebem pessoas acidentadas todos os dias, sejam nas ruas das cidades, em suas casa ou até nas rodovias concessionadas pela Econorte.

A campanha será realizada em parceria com o IHEL – Instituto de Hematologia de Londrina, que cederá um ônibus especial, devidamente equipado e inspecionado pela Vigilância Sanitária, com profissionais especializados que farão a coleta.

Anteriormente à doação, o médico responsável pelo instituto dará uma palestra a todos os funcionários (que podem optar ou não pela doação), a fim de esclarecer suas dúvidas e livrarem-se dos preconceitos que envolvem a doação de sangue.

Projeto “Interativo”

O Projeto Interativo consiste na reserva de um espaço a ser usado na hora de folga dos arrecadadores e dos demais funcionários da praça de pedágio.

Sua estrutura contará com sofá, computador com Internet, jornais do dia e estará localizado no SAU – P2 Jataizainho, servindo como um incentivo à cultura, leitura e busca de notícias, fatos e assuntos atuais, além de tirar o funcionário da sua realidade de trabalho que é barulhenta e poluída.

A cada mês serão selecionados sites da Internet que serão colocados na pasta de “favoritos” do computador, incentivando o conhecimento e leitura.

Será aberta uma conta de e-mail, que funcionará como um canal direto entre o funcionário e a organização, pela qual sugestões, críticas e elogios poderão ser efetivados e, se for opção do funcionário, sem precisar se identificar.

Projeto “Campanha do Brinquedo”

Este projeto deve ter início com a divulgação da campanha a todos os funcionários, com a entrega dos brinquedos arrecadados às creches das cidades onde as praças e a sede estão inseridas.

A “Campanha do Brinquedo” consiste em envolver os funcionários no recolhimento de brinquedos, a serem doados. A data escolhida é oportuna graças à semana da criança.

Seguindo o modelo da campanha do agasalho, o funcionário que maior número de brinquedos arrecadar receberá um prêmio, ainda não definido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a proposta inicial deste trabalho – aplicar estratégias que integrem organização e funcionários, lembrando que a sua boa aplicação refletiria no atendimento ao usuário – os objetivos foram alcançados.

O Projeto Jornal Mural somado com a caixa de sugestões e a elaboração de uma papelaria que identificasse as informações para os funcionários foram de grande importância, pois possibilitaram a via de mão dupla na organização.

Foi dada a oportunidade aos funcionários das praças de conhecerem outra extensão da empresa – a sede – dificuldade causada pela distância entre elas. Simultaneamente foram esclarecidos cargos e funções, diferentes das exercidas nas praças de pedágio, que são tão importantes para o funcionamento da empresa quanto a sua cobrança, que é a fonte de renda da empresa. Estas informações possibilitaram ao arrecadador melhor conhecimento da organização, o que refletirá diretamente no atendimento ao usuário.

Para proporcionar maior integração entre eles, foram realizados dois projetos: “Amigo Secreto” e “Festa de Confraternização”.

O projeto “Calendário” aproximou a empresa aos familiares dos funcionários por meio de um concurso de desenho, gerando resultados positivos à organização tanto aos olhos do público interno como também do externo.

A “Campanha do Agasalho” e os projetos idealizados pela equipe de trabalho como o “Dê Vida, Doe Sangue” e a “Campanha do Brinquedo” visaram desenvolver a responsabilidade social da empresa dependendo, para seu sucesso, da efetiva participação dos funcionários, aumentando assim, o comprometimento deles com a organização.

Enfim, podemos observar que todas as propostas apresentadas e executadas vieram ao encontro dos objetivos buscados por este plano de trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Para entender relações públicas. São Paulo: Loyola, 1993 p. 13-14.

[2] MELLO NETO, F. P., FROES, C. Responsabilidade social e cidadania empresarial. São Paulo: Qualitymark, 1999. p. 84-85.

[3] CORADI, Carlos Daniel. O comportamento humano em administração de empresas. São Paulo: Pioneira, 1985. p. 115-121.

[4] ANDRADE, op. cit. p. 90.

[5] CORADI, op. cit.

[6] OLIVEIRA, Milton de. Energia emocional: base para gerência eficaz. São Paulo: Makron Books, 1997. p. 82.

[7] CASALI, Adriana Machado. SAIZ, Paula Geron. Disponível em: <http://www..fafich.ufmg.br>. Acesso em: set. 2001.

[8] CHIAVENATO, Idalberto. Como transformar RH (de um centro de despesa) em um centro de lucro. São Paulo, SP: Makron Books, 1996. p.24-25.

[9] FORTES, Waldyr Gutierrez. Relações públicas: processo, funções, tecnologia e estratégias. Londrina: UEL, 1998. p. 167.

[10] BEYER, Janice. TRICE, Harrison. In: FLEURY, Maria Tereza Leme. FISCHER, Rosa Maria. Cultura e poder nas organizações. São Paulo: Atlas, 1996. p. 19.

[11] GIL, Antonio de Loureiro. Gestão da qualidade empresarial. São Paulo: Atlas, 1993. p. 62.

[12] MELLO NETO, FROES, op. cit., p. 78.

[13] ESTEVES, Sérgio A P. O dragão e a borboleta: sustentabilidade e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Axis Mundi: AMCE, 2000. p. 114.

[14] JORNAL DE LONDRINA, Folha Economia, 24 dez. 2000. p. 7 A.

[15] MELLO NETO, FROES, op. cit., p. 83.

[16] FORTES, Waldyr Gutierrez, Pesquisa Institucional: diagnóstico estratégico para relações públicas. São Paulo: Loyola, 1990. p.160.

[17] ANDRADE, op. cit., p.89-101.