COMUNICAÇÃO E CULTURA ORGANIZACIONAL: UM NOVO ENFOQUE PARA AS
RELAÇÕES PÚBLICAS
Projetos Experimentais em Relações Públicas
Estudo de Caso
SESC Londrina
Discentes
Maria Cláudia Lara da Costa, Fernanda Tírico Felizatti,
Tatiana Harumi Navarro Modesto
Orientadora
Profª. Drª. Marlene Regina Marchiori
Instituição de Ensino
Universidade Estadual de Londrina
Conclusão
Junho de 2002
APRESENTAÇÃO
O homem necessita de seu semelhante na conjugação de esforços
para o alcance de resultados. Uma organização existe para satisfazer condições
exigidas por uma sociedade. Neste contexto, surgem grupos que se relacionam
produzindo uma Cultura Organizacional por meio da comunicação. Cultura é um
conjunto de valores e pressupostos básicos expressos em elementos simbólicos que
têm capacidade de ordenar, atribuir significações e construir a identidade
organizacional.
O estudo da Cultura Organizacional tem por objetivo o
(auto)conhecimento da organização. Uma das estratégias de transmissão e
fortalecimento dos aspectos simbólicos da dinâmica organizacional é o processo
de socialização. Nele, os valores culturais são expressos em símbolos,
histórias, mitos e rituais organizacionais. O conhecimento da cultura e dos
processos de comunicação torna-se fundamental para articular e administrar
mudanças. O comportamento comunicativo define a cultura sendo fundamental para a
constituição da organização. Relações Públicas mostra-se atuante quando, por
meio do gerenciamento dos relacionamentos, difunde a Cultura Organizacional.
A implantação de mudanças tem o desafio de identificar,
compreender os padrões culturais de comunicação e de relações sociais. A
comunicação é uma ponte para mudanças e pode ser considerada o elemento
essencial de todo o processo simbólico. Relações Públicas é o combustível para
fazer funcionar o processo de fortalecimento da identidade da empresa. Dentro do
contexto de comunicação, deve-se refletir sobre o universo simbólico da cultura
que pode ser administrado para que os resultados alcançados com o fortalecimento
da identidade organizacional sejam efetivos.
INTRODUÇÃO
Atualmente surgem com rapidez estratégias e modelos
gerenciais prometendo revolucionar a gestão das empresas, adaptando-as às novas
demandas decorrentes da globalização e do mundo moderno. Muitos desses modelos
pressupõem mudanças significativas nas organizações, rompimentos com valores e
pressupostos culturais dos indivíduos, gerando, em conseqüência, uma reação
natural de autodefesa e rejeição. A chance que a adoção de tais modelos tem é de
fracassar ou, no mínimo, de obter tímidos resultados por não terem se
respaldado, observado ou considerado a Cultura Organizacional.
As empresas têm descoberto que novas estratégias e práticas
gerenciais fazem sentido do ponto de vista financeiro ou mercadológico, mas nem
sempre condizem com a cultura vigente dentro de uma empresa. O sucesso das
organizações não depende apenas de mudanças estruturais, mas fundamentalmente
envolve modificações de atitudes e percepções dos indivíduos. Somente atento a
esses fatores é que um processo de mudança pode tornar-se efetivo e
satisfatório.
As empresas não querem nem ficar desatualizadas em relação às
novas tendências nem aderir a elas de forma desordenada. Muitas vezes as
mudanças são impostas e as organizações não têm saída, a não ser se adaptarem. A
Cultura Organizacional dita o que na organização realmente se encaixa ou o faz
parcialmente. Se isso for considerado – e respeitado – será possível manter a
sociedade viável e, ainda, coerente com seus princípios.
Wey afirma que os processos de socialização, movimentos e
mudanças sociais no interior das empresas fazem a comunicação pender para
conceitos da sociologia e da administração. Nesse contexto, prevê-se a
legitimidade dos relacionamentos humanos do dia-a-dia das organizações – sendo
agrupamentos sociais – e a produção de uma grande quantidade de fluxos
comunicacionais.
Tais fluxos de comunicação, que acabam por informar e formar
indivíduos, difundem mitos, estereótipos, valores, crenças e produtos simbólicos
que levam à percepção padronizada dos membros de um grupo, gerando e perpetuando
o que se chama de Cultura Organizacional. Para efeito de conceito teórico
entende-se aqui que a Cultura Organizacional "é composta por um conjunto de
valores e pressupostos básicos expressos em elementos simbólicos, que em sua
capacidade de ordenar, atribuir significações e construir a identidade
organizacional, funcionam como elemento de comunicação e consenso" Fleury (1986,
p. 31).
Assim, surge a necessidade de conduzir a interação social e
seus produtos culturais dentro das empresas por meio de atividades planejadas de
forma que relacionamentos sociais saudáveis sejam mantidos e as necessidades
organizacionais – atuais e futuras – sejam atendidas.
Compartilhando tal pensamento, este trabalho tem por objetivo
apresentar conceitos básicos que caracterizem as empresas – na qualidade de
organizações sociais – como verdadeiros redutos da criação e desenvolvimento de
relacionamentos, nos quais a prática das Relações Públicas direciona-se para o
gerenciamento da comunicação e de todos os processos – comunicacionais e
simbólicos – da Cultura Organizacional, em busca do fortalecimento dessa mesma
cultura e, conseqüentemente, da Identidade Organizacional, que é a "fonte de
significado e experiência de um povo, com base em atributos culturais
relacionados que prevalecem sobre outras fontes. Não se deve confundi-la com
papéis, pois estes determinam funções, enquanto a Identidade organiza
significados" (Neves, 2000).
Direcionado ao público interno, este trabalho visa destacar a
importância de se verificar a maneira como os indivíduos entram nas
organizações, como os valores fundamentais são passados a eles - podendo ser
citada a missão da empresa como exemplo – levando em consideração que a
compreensão e a prática por parte dos funcionários acaba por refletir nos demais
públicos o entendimento e o fortalecimento da Identidade dessa organização.
Entende-se que a Cultura Organizacional dá sustentabilidade
às ações das empresas. Tal ponto de vista foi constatado no SESC Londrina,
instituição na qual foram aplicados métodos de análise e posteriores projetos de
comunicação, principalmente no que se refere ao gerenciamento de mudanças, a fim
de fortalecer sua identidade. Desta forma, a cultura apresenta-se como um
catalisador (ou bloqueador) de ações que podem ser administradas (ou não), no
contexto vivenciado por uma organização.
Isso sugere que na implantação dos novos e emergentes modelos
de gerenciamento a Cultura pode estimular, modificar ou adaptar estratégias para
que funcionem dentro do contexto específico de uma organização.
Diante desta realidade, Relações Públicas exerce uma
influência decisiva, na medida em que, administrando processos de comunicação e
o relacionamento com o público interno, estabelece condições para que as partes
envolvidas no processo evolutivo das empresas, compreendam-se mutuamente e
caminhem em unidade, fortalecendo-as internamente.
Independente do referencial teórico adotado, a compreensão da
Cultura Organizacional passa pelo conhecimento dos processos de socialização dos
indivíduos. Diante disso, foi realizado um estudo sobre como os valores e
comportamentos são transmitidos por meio dessas estratégias de socialização.
Nessa análise, é importante verificar como os valores culturais são expressos
nos símbolos, nas histórias, nos mitos e nos rituais organizacionais.
Por esta razão, torna-se necessário o estudo do universo
simbólico e dos significados, de sua influência no processo de comunicação e a
análise das Relações Públicas neste contexto. A construção simbólica acaba por
fortalecer a Identidade Organizacional.
Surge, então, a necessidade de gerenciar mudanças que levem à
adequação dos relacionamentos e da cultura das empresas para administá-las de
forma que represente ganhos mútuos – tanto para a organização quanto aos seus
públicos.
Nessa linha de pensamento, o estudo da Cultura Organizacional
tem por objetivo identificar qual o grau de receptividade da mudança, a melhor
forma de operá-la ou, até mesmo, se ela é necessária. Neste aspecto, as ações de
Relações Públicas mostram-se como o elemento principal que faz funcionar o
processo de comunicação com o conseqüente fortalecimento da Identidade
Organizacional.
De acordo com a fundamentação teórica, são desenvolvidos
projetos que sustentam, respaldam e contribuem para que os objetivos propostos
sejam alcançados unindo, dentro de uma perspectiva estratégica das Relações
Públicas, a administração dos processos de mudança e formação da Identidade
Organizacional, por meio da cultura e da comunicação.
EXPERIÊNCIA NO SESC LONDRINA
O Serviço Social do Comércio – SESC, nasceu do esforço da
iniciativa privada interessada em promover o bem-estar social e a melhoria da
qualidade de vida dos comerciários, funcionários das empresas que atuam na área
de comércio, serviços e de seus familiares. Como instituição prestadora de
serviços, desenvolve atividades nas áreas de lazer, cultura, educação, saúde,
alimentação e esporte em grandes centros urbanos e em comunidades mais distantes
de forma a colaborar com o desenvolvimento sócio-cultural do país.
As unidades de serviço do SESC foram adaptadas às
necessidades e particularidades de cada região. Cada uma das 27 unidades de
serviço instaladas no Estado do Paraná trabalha de acordo com a missão de
"contribuir para o bem-estar social e a melhoria da qualidade de vida dos
comerciários e de suas famílias, priorizando a educação para o acesso aos bens
de cultura e ao processo civilizatório".
Proposta Inicial
O trabalho de Relações Públicas que seria desenvolvido no
SESC Londrina tomou um direcionamento diferente da idéia inicial quando a
Regional de Curitiba enviou os novos crachás à Unidade. No verso deles,
encontrava-se escrita a missão da organização e estes foram entregues aos
funcionários, mas nada foi dito à respeito da missão. Então, percebeu-se a
necessidade e a importância de trabalhar a Cultura Organizacional com Relações
Públicas, em especial com a missão e os valores do SESC Londrina e o trabalho
teve um novo redirecionamento.
Dentro dessa proposta de trabalho com a Cultura
Organizacional, foi buscado o fortalecimento da identidade da empresa, visando o
envolvimento do funcionário de modo que ele entenda a missão, perceba os valores
do SESC e possa praticá-los no seu cotidiano.
Dessa forma, os conceitos apresentados na etapa teórica deste
trabalho fundamentam e sistematizam idéias e tarefas em forma de propostas,
fornecendo parâmetros para uma visão clara de atribuições e estratégias na
condução dos projetos institucionais de comunicação.
Providências Imediatas
Foi aplicado um questionário simples, com a intenção de
diagnosticar as opiniões e linguagens utilizadas, para o desenvolvimento dos
projetos. Os questionários foram deixados em local de circulação dos
funcionários, ao lado de uma urna, com os materiais disponíveis para seu
preenchimento.
De acordo com essa pesquisa, algumas conclusões foram tiradas
para dar início ao processo efetivo de mudanças dentro da organização.
Pesquisa Sobre a Missão do SESC Londrina
Mediante a distribuição dos crachás ocorrida em 1º de
setembro de 2001, que continham no verso a Missão do SESC Londrina, foi
levantada uma importante questão: estariam os funcionários cientes da
importância daquela frase e de suas contribuições para que ela se tornasse real?
Daí foi desenvolvida uma pesquisa interna, que visava obter respostas para tais
questões.
Os questionários foram colocados à disposição dos
funcionários em frente ao cartão ponto e todos os setores foram visitados para
incentivar a participação. Porém, do total de 108 funcionários, apenas 26
responderam o questionário, ou seja, 24,1%. Faz-se necessário observar que na
ocasião da pesquisa, 10 funcionários encontravam-se em férias, licença e/ou
afastamento por orientação médica. Considerando esse resultado representativo,
foi elaborado um projeto visando o esclarecimento da missão.
A seguir, são relatadas as questões feitas na pesquisa, com
análises gerais.
1 Escreva a missão do SESC com suas palavras.
Essa questão teve o objetivo de identificar como os
funcionários percebiam a missão da organização e de que maneira ela é passada
aos demais públicos. Interessante observar que ao traduzirem seu entendimento do
conceito, muitos usaram palavras da missão original ou até mesmo a copiaram na
íntegra.
De acordo com as respostas obtidas, pôde-se concluir que os
funcionários vêem a missão do SESC como sendo a de trabalhar com qualidade para
o bem-estar, a qualidade de vida e o desenvolvimento de toda a comunidade.
2 Você entendeu a missão?
Dos funcionários que responderam os questionários, todos
diziam ter entendimento do que é a missão da empresa. Em alguns questionários, a
pergunta gerou apenas uma resposta "sim". Outros se estenderam, dizendo o que
significa a palavra missão para eles.
3 Na sua opinião, para que serve a missão?
Muitos funcionários do SESC Londrina acreditam que a missão é
praticamente uma ordem e deve ser cumprida e obedecida. Essa é uma visão muito
negativa em relação ao conceito, outros funcionários acreditam que a missão é um
objetivo a ser alcançado.
Pode-se concluir que, além do funcionário estar confuso a
respeito do significado da missão, não consegue expressá-la e acaba por estar em
desacordo com a própria organização.
Tal situação é um ponto de partida para um efetivo programa
de Relações Públicas, que difunda e esclareça a missão do SESC. Esse trabalho é
fundamental, pois a missão é o propósito pelo qual a organização existe e se
sustenta, e deve ser conhecida por todos que nela trabalham.
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Objetivo Geral
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Gerar coesão interna e o conseqüente fortalecimento da
Identidade Organizacional do SESC Londrina.
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Objetivos Específicos
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Reafirmar e difundir a missão do SESC junto aos funcionários.
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Identificar, junto aos funcionários, os valores do SESC.
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Estimular a comunicação participativa dentro da organização.
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Estabelecer, desenvolver e manter o relacionamento entre os
funcionários.
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Estratégias
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Envolvimento da administração e funcionários em busca da
prática efetiva da missão do SESC.
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Desenvolvimento de projetos de integração e participação
entre funcionários-empresa.
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Organização de reuniões setorizadas e eventos institucionais.
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Projeto "Partilhando Nossa Missão"
Diante dos resultados obtidos na pesquisa Missão do SESC -
funcionário o que você pensa?, pôde ser observada a necessidade de se mobilizar
toda a empresa para a difusão de seus valores e objetivos para que, desta forma,
seja compartilhada a mesma visão entre os que nela atuam, gerando coesão interna
e o fortalecimento da Identidade Organizacional.
Para isso, foi proposto à diretoria da empresa o Projeto
"Partilhando Nossa Missão"; um trabalho com todos os setores dos SESC que busca
esclarecer pontos da missão não absorvidos pelos funcionários, proporcionando
diálogo, participação e envolvimento do funcionário com o SESC.
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Objetivo Geral
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Expor e esclarecer a missão da empresa, ouvindo as
necessidades dos funcionários para que esses possam praticá-la plenamente.
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Objetivos Específicos
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Esclarecer o conceito de missão e, especificamente, a do
SESC.
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Ouvir dos funcionários o que falta para que possam
praticá-la.
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Estratégias
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Envolvimento de integrantes de setores diferentes.
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Participação da diretoria nas discussões.
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Preparação para as Reuniões
Os convites para as reuniões foram remetidos nominalmente a
cada funcionário, contendo o cronograma de todas as reuniões a serem realizadas.
Todos foram assinados pelo diretor da unidade, de modo a dar credibilidade ao
projeto e, pelo caráter formal, garantir a participação efetiva de todos.
A entrega foi feita aos técnicos responsáveis por cada setor
para que os mesmos distribuíssem aos seus subordinados. Na semana dos módulos,
cada técnico entrou em contato com seus subordinados reforçando a necessidade de
participação. Paralelamente, foram fixados cartazes em todos os locais de
trânsito do público interno e, na véspera dos encontros, foram distribuídos
lembretes.
As reuniões com os grupos de funcionários foram realizadas
nos dias 17 e 18 de outubro, sendo quatro módulos ao dia, em horários distintos
de forma que atendesse aos diversos turnos de trabalho. Cada grupo foi formado
por funcionários de setores diferentes, para que fosse promovida integração e
uma discussão mais ampla, evitando que apenas um lado da questão seja observado,
tendo como parâmetro subculturas específicas.
Os grupos foram recepcionados pela diretoria e organizadores
do projeto, ouviram um breve esclarecimento do objetivo do encontro, tiveram
contato com os propósitos do SESC por meio do vídeo institucional, materiais
impressos, e pela declaração do diretor de seu entendimento do que é a missão da
organização. No segundo momento, o diretor deixou o local para que os
organizadores conduzissem a discussão sobre o entendimento da missão da empresa,
dando liberdade para que os funcionários relatassem as suas dificuldades para o
cumprimento desta.
Encerrada a discussão, foi feita uma avaliação do evento
junto aos participantes, seguido da distribuição de material institucional,
fechamento da reunião e um pequeno coffee-break.
No dia seguinte foram distribuídos pelos corredores cartazes
de agradecimento aos funcionários e também cartas com alguns
trabalhos/atividades que seriam desenvolvidas ao longo dos próximos meses.
Relato das Discussões nas Reuniões
Com as discussões a respeito do exercício da missão, muitos
comentários surgiram a respeito das dificuldades encontradas para chegar ao
objetivo da empresa, tanto na instituição como um todo, quanto nos setores em
que cada um trabalha.
Foi citado pelos funcionários quanto à cobrança dos serviços
que a empresa oferece e que, algumas vezes, existem os mesmos serviços por
valores inferiores ou até gratuitos, fazendo com que os comerciários e seus
familiares optem por fazê-los em outra instituição.
Algumas considerações positivas foram feitas para destacar
que, mesmo cobrando pelos serviços que oferece, a empresa busca a qualidade de
vida da comunidade.
Os funcionários avaliaram que o SESC cumpre com os objetivos
propostos na missão. Mas, um ponto levantado é que ele não atende apenas aos
comerciários e seus familiares, como também a toda a comunidade. Porém, para que
essa missão possa ser praticada plenamente, alguns fatores foram apontados pelos
funcionários como de extrema importância. São eles: maior integração, mais
comunicação entre os setores, mais informações sobre o que ocorre na empresa,
treinamento e cursos de aperfeiçoamento, entre outros. Muitos desses pontos
poderão ser solucionados após a realização dos próximos projetos de Relações
Públicas propostos neste trabalho, uma vez que buscam a mudança de comportamento
dos indivíduos, com aumento da integração, participação e motivação dos mesmos.
Controle e Avaliação dos Resultados
A avaliação das reuniões foi feita de uma maneira simples,
porém eficaz e adequada ao público em questão. Todo o programa de comunicação,
deve ser continuamente avaliado e controlado, desde seu planejamento até sua
execução, para que não se perca o foco das atividades em nenhum momento do
processo.
Justifica-se tal precaução para que a empresa certifique-se
de que todos os objetivos propostos estão sendo cumpridos, verificando desvios
em tempo de corrigi-los ou melhorá-los. Nesse projeto, o meio utilizado foram as
fichas de avaliação.
Análise das Fichas de Avaliação
Depois de terminadas as reuniões, os funcionários responderam
a um pequeno questionário de avaliação com duas perguntas. A primeira, pedia a
opinião do funcionário quanto à reunião, classificando-a em boa, regular ou
ruim. Apenas seis respostas consideraram a reunião regular; as demais, boa.
Logo após essa pergunta, que serviu para medir a satisfação
dos funcionários quanto à reunião, havia um espaço em branco para quaisquer
comentários. Esses foram os mais diversos, desde reforçando sua satisfação em
relação à reunião, até sugestões e críticas em torno de alguns aspectos da
empresa.
Das respostas em que os funcionários destacaram sua
satisfação com a atividade, pode-se perceber nas citações que a reunião gerou
motivação, os funcionários sentiram-se valorizados e foi uma boa oportunidade
para discutirem pontos importantes da empresa e expressarem suas opiniões.
Sugestões também foram feitas, principalmente no que diz respeito a freqüência
das reuniões.
Quando perguntados na avaliação "qual é a sua missão dentro
do SESC?" foram obtidas as mais diferentes repostas e considerações. Alguns
funcionários responderam a pergunta de acordo com as atividades que desempenham
no seu setor e outros de acordo com o que consideram que seja a finalidade do
SESC. Nenhum funcionário deixou de responder a questão e apenas duas pessoas
responderam apenas que sua missão é importante.
Alguns funcionários entendem que sua missão é a missão da
empresa, ou seja, promover o bem-estar da comunidade e, é importante destacar,
que alguns funcionários ressaltaram o bem-estar dos colegas de trabalho. Outros
consideram que sua missão é desempenhar da melhor forma o seu trabalho para que
a empresa consiga atingir o objetivo traçado pela missão.
Considerações
O que se pôde perceber na execução desse projeto foi que, a
partir de uma falha, criou-se um elo de trabalho não só para o resgate da
missão, mas também de modo a desencadear ações que a concretizem. O projeto
cumpriu seu objetivo de esclarecimento da missão – bastante confuso, conforme
demonstrado anteriormente nas pesquisas aplicadas –, de situar o funcionário
diante da mesma, dando ênfase em seu entendimento e como ele mesmo se encaixa em
seus parâmetros.
É importante ressaltar que não foram levantados somente
problemas, mas soluções e sugestões de resolução. Como foi relatado, as maiores
reclamações referiam-se à falta de informação e integração. As reuniões
iniciaram esse processo de autoconhecimento, nas quais caminhos foram abertos
para sanar os anseios do corpo de trabalho da empresa. Isso ocorreu de forma
natural, indo além dos objetivos de esclarecimento da missão.
Essa integração que gerou o diálogo modificará atitudes e
comportamentos dos indivíduos - uma vez que os funcionários sentiram suas
opiniões valorizadas e tiveram oportunidade de discutir a importância do
trabalho de cada um no alcance da missão. Conseqüentemente, influenciou-se a
cultura e, de acordo com a proposta desse trabalho, o fortalecimento da
Identidade Organizacional.
Projeto "Ética na Prática"
Consiste na criação de um Código de Ética junto aos
funcionários, por meio de reuniões periódicas com uma comissão composta por um
representante de cada setor, previamente eleito pelos funcionários que compõem o
mesmo.
Ao desenvolver um trabalho desta natureza em parceria com os
funcionários do SESC, visou-se estabelecer formalmente os valores e princípios
já existentes na cultura da organização, acrescentando o ponto de vista desta
parcela do público interno.
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Objetivo Geral
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Identificar, de forma participativa, normas e valores, que
norteiem o comportamento e a integração dentro do SESC.
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Objetivos Específicos
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Estimular a participação dos funcionários;
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Identificar os valores do SESC Londrina.
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Estratégias
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Envolvimento de todos os funcionários da empresa;
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Desenvolvimento de reuniões para discussão.
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Preparação para as Reuniões
Cada setor elegeu um representante em razão da dificuldade de
se mobilizar simultaneamente todo o quadro de funcionários. Desta forma, houve
uma pessoa responsável em levar as informações discutidas aos companheiros de
trabalho. A intenção foi também de identificar as lideranças informais por meio
de votação livre e secreta.
Na primeira reunião, foi dado um parecer acerca do projeto,
explicando o que é o Código de Ética de SESC, e o porquê de se desenvolver um
trabalho desta natureza. As instruções para as demais reuniões foram passadas e
tinham um formato específico.
Abordando os valores da empresa, e somando aos princípios dos
funcionários, devem ser respondidas as seguintes questões:
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Quem somos?
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Quais nossas intenções?
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Quais as nossas responsabilidades...
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... em relação ao funcionário?
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... em relação ao comércio (que é o investidor)?
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... em relação ao cliente (usuário e comerciário)?
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... em relação à sociedade (comunidade londrinense)?
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Dinâmica das Reuniões
Os representantes anotaram alguns princípios discutidos na
reunião, para levar ao seu setor e discutir com os demais colegas. Isso resultou
em idéias, frases e sugestões (ou dúvidas) anotadas para a próxima reunião,
sendo que cada representante deveria também trazer alguém diferente do seu setor
nos próximos encontros.
Somente no segundo encontro foram formulados os primeiros
princípios, que deveriam ser levados aos demais funcionários logo após sua
criação.
Desta forma, foram desenvolvidas cinco reuniões em quatro
semanas, por onde passaram uma boa parcela de funcionários, que asseguraram a
difusão dos assuntos trabalhados.
Controle e Avaliação
A avaliação foi realizada observando a participação e a
presença dos funcionários nas reuniões, assim como o material trazido das
discussões que cada representante teve em seu setor com os demais colegas.
Análise das Discussões
Foram realizadas quatro reuniões, sendo uma por semana, para
discutir quais seriam os valores do SESC Londrina que iriam compor o Código de
Ética. Em cada reunião realizada, os funcionários desenvolveram uma parte do
código de acordo com os tópicos propostos.
Quem somos?
De acordo com a opinião de todos, foi desenvolvido o primeiro
parágrafo do Código de Ética, que diz respeito a quem são os funcionários dentro
da empresa:
Nós somos um grupo de indivíduos que busca crescimento e
reconhecimento pessoal e profissional, contribuindo com o desenvolvimento da
comunidade nas áreas social, cultural, educacional, saúde e lazer.
Quais nossas intenções?
Quais as nossas responsabilidades em relação ao funcionário?
Portanto, a segunda parte do Código de Ética elaborada pelos
funcionários, que diz respeito às suas intenções, retrata a necessidade e o
desejo de fazer com que esses valores voltem a fazer parte do cotidiano da
empresa:
Buscamos um ambiente de trabalho saudável, alegre, criativo,
que gere oportunidade e comprometimento da equipe de forma realista, simples e
sensata.
Para isso é necessário dedicação, valorização e aproximação
dos funcionários, visando participação, igualdade de direitos e seu crescimento.
Entendemos que a empresa deve oferecer aos funcionários:
proteção, estabilidade, benefícios, capacitação e oportunidades de crescimento.
Quais as nossas responsabilidades em relação ao
comércio/cliente?
Os itens "comércio" e "cliente" estavam separados na pauta da
reunião para serem discutidos separadamente mas, por sugestão dos funcionários,
foram incluídos em uma mesma parte do Código de Ética porque, segundo eles, os
comerciários são clientes do SESC e os serviços da empresa, como é dito da
missão, são para toda a coletividade. Segundo os funcionários, o SESC:
Queremos fazer parte da vida das pessoas oferecendo qualidade
e variedade de serviços com acesso à informação, cultura e lazer a preços
acessíveis, atendendo às necessidades de nossos clientes.
Quais as nossas responsabilidades em relação à sociedade?
Então, finalizaram o Código de Ética da seguinte maneira:
Em relação à comunidade londrinense, devemos ser uma empresa
que promova o bem-estar social, a qualidade de vida comunitária e respeito pelos
serem humanos por meio de trabalhos voluntários, estimulando e preservando a
cidadania.
Devemos ainda, resgatar nas pessoas o comprometimento para um
mundo melhor e aplicar forças criativas no exercício do bem, principalmente
dentro de nosso círculo social.
Conforme as reuniões eram realizadas, foram enviadas cartas
aos representantes dos setores lembrando-os de discutir as questões lançadas nas
reuniões anteriores, assim como também foram enviadas cartas aos demais
funcionários indagando-os se estão participando do código e distribuídos
cartazes nos corredores nos dias das reuniões, visando lembrá-lo da importância
da sua participação.
Uma segunda fase do Código de Ética, após o término dessa
última reunião, foi a revisão de todos os outros parágrafos feitos nas semanas
anteriores para o caso dos funcionários terem alguma contribuição a mais para
ser feita ou alteração de alguma parte do Código de Ética.
Nesse projeto foi possível perceber a mudança de
comportamento dos funcionários, uma vez que se obteve grande participação nas
reuniões, ao contrário do primeiro projeto, em que foi registrada uma
participação bem menor. Também foi interessante notar que as "regras" propostas
em seu início foram cumpridas por todos os participantes. Em cada reunião o
representante levou um outro funcionário do seu setor, para que todos pudessem
participar do desenvolvimento do Código de Ética, além de trazer colaborações de
seus colegas a respeito dos assuntos que seriam tratados na reunião do dia.
Esse projeto também permitiu o aumento na integração dos
funcionários, já que trocavam muitas idéias e opiniões a respeito dos valores da
empresa para que o Código de Ética pudesse ser desenvolvido.
Foi interessante notar que, no decorrer das reuniões, muitos
funcionários associavam pontos da missão aos seus valores, o que se pode
concluir mais uma vez que o primeiro projeto realizado, de esclarecimento da
missão, atingiu o objetivo proposto.
Por fim, foi feito um cartaz de agradecimento aos
funcionários por sua participação neste segundo projeto.
Projeto "A Festa é Sua!"
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Objetivo Geral
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Apresentar formalmente aos funcionários e diretoria da
empresa o Código de Ética feito pelos próprios funcionários.
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Objetivos Específicos
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Integrar os funcionários por meio da realização do evento.
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Atender às expectativas dos funcionários em relação ao
trabalho.
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Mostrar de forma concreta aos funcionários quais os valores
do SESC Londrina.
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Justificar a diretoria todos os esforços despendidos ao longo
do trabalho.
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Estratégia
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Integração dos funcionários de todos os setores.
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Dinâmica do Evento
Os convidados permaneceram sentados enquanto o mestre de
cerimônias apresentou a dinâmica do evento, bem como seu propósito e objetivo.
Passou, então, a palavra ao diretor da empresa, que fez um breve discurso sobre
a importância da criação do Código e como ele se sentia em relação a tal
iniciativa.
Um funcionário entregou o Código de Ética ao diretor e esse
fez a entrega dos demais exemplares do código para os representantes de cada um
dos setores. O evento foi finalizado com um coffee break de
confraternização e com a distribuição dos certificados de participação na
criação do Código de Ética SESC.
Foram confeccionados cartazes e móbiles para divulgação do
evento. Além disso, os funcionários tomaram conhecimento do evento por meio dos
representantes de setor e por convites artesanais, endereçados pessoalmente a
cada um, assinados pelo diretor e remetido às suas residências. Além disso,
lembretes foram feitos nos dias anteriores e estratégias de remanejamento de
pessoal foram adotadas para que o maior número possível de pessoas participasse
do evento.
Controle e Avaliação dos Resultados
O método de avaliação utilizado foi a observação e também uma
urna para os funcionários depositassem as fichas de avaliação, enviadas
posteriormente, contendo contribuições, sugestões ou críticas a respeito do
evento. O objetivo foi ter o maior número possível de participantes e
comentários feitos por livre vontade.
Considerações
Apesar do evento ter sido realizado em horário de trabalho de
muitos funcionários do SESC, isso não dificultou a participação dos mesmos, uma
vez que a diretoria permitiu – e estimulou – que eles deixassem os seus setores
no horário do evento. Pôde-se notar que a participação dos funcionários nos
projetos aumentou de forma gradativa, significando uma mudança de comportamento,
de cultura da organização, que também pôde ser observada no cotidiano da empresa
em outros momentos, além dos que faziam parte do programa.
Foram deixadas folhas em branco ao lado de uma caixa de
sugestões/comentários para quem quisesse dar alguma contribuição, fazer críticas
ou dizer algo a respeito do evento.
Com a análise das declarações, percebeu-se que o funcionário
se sente valorizado e motivado a participar mais das atividades da empresa, uma
vez que eles vêem sua produção concretizada e exposta para diretoria, colegas da
empresa e para todos os clientes que entram no SESC. Além disso, uma das queixas
mais freqüentes por parte dos funcionários, que era a falta de integração dentro
da empresa, foi amenizada.
O evento foi, assim como os dois projetos anteriores, mais
uma forma de estimular essa integração, unindo e interagindo indivíduos de
diferentes setores. Essa interação provoca uma mudança de atitudes, um aumento
na comunicação dos funcionários e, conseqüentemente, o fortalecimento da
Identidade Organizacional.
Resultados da Experiência Prática
Nenhuma organização funciona perfeitamente. Embora a todo o
momento sejam propostos novos modelos de otimização de trabalhos, recursos e
aproveitamento humano; dificilmente se conseguirá alcançar um ponto máximo em
que tudo trabalhe de acordo com a maneira desejada. Isso ocorre pelo fato de as
aspirações e os anseios de cada indivíduo serem diferentes. Até o limite dessa
individualidade é uma linha subjetiva, ou seja, depende de cada um.
Na empresa estudada existia uma deficiência de comunicação.
Não é um fato isolado, visto que grande parte das organizações é carente nessa
área. Especificamente no caso do SESC Londrina, o fato de a missão ter chegado
pronta para o funcionário – não sendo produto de sua reflexão – e ter gerado uma
compreensão incerta da mesma, evidenciou-se a partir das primeiras reuniões, nas
quais os próprios funcionários admitiram e mostraram a necessidade de difundir
os valores e princípios básicos da empresa, identificada em primeira análise.
O que mais pesou foi o fato de, muitas vezes, o próprio
empregado não saber o que estava acontecendo na empresa e ressentir-se disso. A
partir do reconhecimento interno de que existia realmente uma carência de
comunicação neste sentido, foram abertas as portas para o efetivo trabalho de
Relações Públicas.
Para o cumprimento deste desafio, partiu-se do princípio que
somente a administração da Cultura Organizacional forneceria bases concretas
para o início de um processo de difusão de valores e mudanças comportamentais,
levando em conta a informalidade decorrente dos relacionamentos no local de
trabalho.
O trabalho de Relações Públicas foi marcante porque buscou a
integração com a preocupação de que ela acontecesse natural e permanentemente,
criando canais que possibilitassem relacionamentos honestos e que trouxessem
retornos concretos à organização. Buscou-se nas ferramentas de Relações
Públicas, meios adequados e eficientes de se trabalhar a Cultura Organizacional,
tornando-se esta uma aliada e estruturadora do processo de mudança e
aperfeiçoamento do ambiente interno.
Com a mudança comportamental dos funcionários, o diálogo foi
propiciado e efetivamente interferiu de forma positiva na cultura da empresa. O
que era antes um local fechado, onde cada um se calava com suas idéias, queixas
e ressentimentos, transformou-se num ambiente de sinceridade, gerador de idéias
e possibilitador de relacionamentos.
Houve ainda ocasiões em que o estímulo à participação
repercutiu em ações puramente empresariais, não relacionadas aos projetos
propostos. Pode-se citar o caso das eleições para presidência da Associação de
Funcionários, desenvolvida paralelamente ao segundo projeto. Em comparação aos
últimos anos, esta, ocorrida em novembro de 2001, foi a eleição de maior
participação, quando o número de votantes passou de 23% para 60% dos
funcionários registrados. Esta vitória, segundo os próprios organizadores das
eleições – funcionários do supletivo, SAC e Buffet SESC – deve-se ao novo
"costume" de estimular a participação de todos que, na sua opinião, criou-se com
o trabalho de Relações Públicas desenvolvido.
Outros aspectos valiosos são a constatação de que grande
número de funcionários que não se conheciam passaram a relacionar-se; houve um
número expressivo de troca de idéias entre setores diferentes para a realização
de trabalhos conjuntos; surgiu uma espontaneidade e sinceridade em externar
descontentamentos e dificuldades de trabalho e na organização da festa anual de
confraternização dos filhos de funcionários, buscou-se a opinião de todos quanto
ao melhor dia e horário para sua realização. Até mesmo sorrisos e cumprimentos
nos corredores tornaram-se mais freqüentes.
Por tudo isso, tem-se a convicção de que estes projetos
reavivaram o relacionamento com o público interno e difundiram a Cultura
Organizacional, fortalecendo a Identidade do SESC Londrina.
Como agente de mudanças, pode-se dizer que a contribuição das
Relações Públicas se deu em um nível que as pessoas, apesar de gostarem do
ambiente de trabalho, já estavam cansadas da rotina, da frieza e incompreensão
dos outros setores, e de projetos inacabados na empresa.
Claro que as transformações não ocorreram da noite para o
dia. Dia após dia, cada reunião, cada carta, cada conversa estabeleceu abertura
para a comunicação interna, de forma atrelada à difusão da Cultura
Organizacional. Com o esclarecimento e exposição dos objetivos e valores da
organização, fez-se com que os indivíduos mudassem suas atitudes visando atingir
seus objetivos em favor da instituição. Foi gerada uma cultura da unidade, da
sinceridade, da busca pelo melhor e, assim, a conseqüente Identidade da
Organização foi fortalecida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Aliando a parte teórica à prática proposta no desenvolvimento
do trabalho, chegou-se às conclusões que justificam tanto a teoria adotada
quanto a sua confirmação na prática.
Analisando a organização, comprova-se que toda empresa, de
acordo com a teoria apresentada, possui uma Cultura Organizacional própria e
sedimentada. Nesse caso, o processo de socialização também serve ao propósito de
perpetuação, transmissão e propagação, tanto de seus valores normativos quanto
dos demais que são introjetados nos indivíduos de maneira particular e este
processo está de acordo com a cultura vigente na organização. Os processos de
mudança são possíveis desde que considerada a realidade cultural e de
comunicação de uma empresa.
Comprovou-se que a comunicação possui características
próprias e peculiares condizentes com a forma de comportamento dos grupos nas
organizações. Assim sendo, o que se pode dizer a respeito é que essa
particularidade, esta forma de ser, é a expressão da cultura. Neste contexto,
exerce papel fundamental na medida em que oportuniza, por meio do diálogo, a
construção de relacionamentos, os quais acabam por expressar o conjunto de
valores de uma organização. Portanto, a comunicação produz a Cultura
Organizacional.
Dentro do contexto do universo da produção de símbolos e seus
respectivos significados é que se pode compreender a real dimensão da
organização. Isso porque nesse universo estão entendidos subaspectos da cultura.
Assim, o gerenciamento e a preparação para as possíveis mudanças de paradigmas
acabam por não encontrar ou minimizar as resistências naturais decorrentes do
fato. Então, o ponto a que se chega é que a comunicação entendida como processo
e a cultura como fator essencial em uma organização devem ser geridos pelas
Relações Públicas no entendimento amplo do ambiente organizacional.
Se identidade é fonte de experiência e significado,
entende-se como primordial um trabalho que considere esta realidade. E, neste
ponto, fica aqui demonstrada uma contribuição para um posicionamento mais
estratégico das Relações Públicas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Fleury, M. T. L. O poder simbólico nas relações de
trabalho: um estudo sobre as relações de trabalho em uma empresa estatal.
1986. Tese de livre docência - USP/FEA, São Paulo.
NEVES, Roberto de Castro. Comunicação empresarial
integrada: como gerenciar imagem, questões públicas, comunicação simbólica,
crises empresarias. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
Wey, Hebe. O processo de relações públicas. 3. ed. São
Paulo: Summus, 1986.
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