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O PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO SISTEMA EDUCACIONAL E O RELACIONAMENTO COM OS PÚBICOS


 

Projetos Experimentais em Relações Públicas

Estudo de Caso

Colégio Objetivo – Anaec

Discente

Marcela Papa

Orientadora

Profª Mariângela Benine Ramos Silva

Instituição de Ensino

Universidade Estadual de Londrina – UEL

Conclusão

Dezembro de 2000


 

O mundo vem passando por transformações ocasionadas por diversos fatores, dentre eles, e talvez o mais importante, está a globalização. Vive-se numa realidade em que a especialização e a qualificação são primordiais para o sucesso profissional. A concepção de sucesso incide, na maioria das vezes, apenas na carreira profissional do indivíduo, este se esquecendo do fator humano na sua vida e na de seus semelhantes.

As transformações do mundo são refletidas nas alterações dos modelos, chamados cientificamente, paradigmas. Tais mudanças têm sido verificadas em diversas áreas, mais exatamente em todas as áreas. Neste contexto tudo muda: família, amigos, religião, educação, entre outras diversas áreas que influem no cotidiano do ser humano.

Há a necessidade da comunicação auxiliar o processo de mudança que ocorre em todos estes setores e há a necessidade, também, da educar os indivíduos para norteá-los nesta nova realidade.

As Relações Públicas inseridas no sistema educacional foi uma boa forma de iniciar o processo por uma educação mais eficiente e que atenda às necessidades dos novos padrões. Há a necessidade de educar, ou melhor, reeducar as pessoas pois elas não conseguem mais viver seguindo os paradigmas tradicionais, e ainda não têm a devida educação para seguir estes novos rumos a que estão sendo levadas.

O presente trabalho foi realizado no Colégio Objetivo – Associação Novandradinense de Educação e Cultura – Anaec – da cidade de Nova Andradina, Estado de Mato Grosso do Sul, devido ao fato de que foram detectadas algumas falhas em seu sistema de comunicação que refletiam nos relacionamentos entre a escola, os professores e os pais de alunos e, conseqüentemente, no relacionamento do próprio aluno.

Foi percebida uma exigência exacerbada de alguns pais de alunos para que a escola desempenhasse um papel que não era o seu: o papel de providenciar a educação familiar do aluno.

Esta exigência vem sendo notada em vários colégios no Brasil inteiro, devido ao fato de que os pais do aluno não despendem mais de tempo para permanecer em sua casa e dar ao filho a educação que lhe é devida. Os pais estão muito ocupados com suas carreiras profissionais, preocupados, também, em proporcionar melhorias à vida de seus filhos, mas somente melhorias materiais. O mérito destes pais não deve ser tirado, afinal eles têm vontade de ver seus filhos em boa situação e, na maioria das vezes, não têm noção de que o distanciamento de sua presença pode vir a ocasionar a seu filho.

Para solucionar esta questão, surge a escola que deve desempenhar um novo papel. Não o papel de educar o aluno, dar a educação que seus pais deveriam dar. A escola assume o papel, na "Educação a Seis Mãos" criada por Tiba (1998), de criar um bom relacionamento com os pais dos alunos e conscientizá-los da importância da união entre a escola, o pai e a mãe para a educação de seus filhos.

A importância deste tipo de união é percebida no momento em que estes três elementos cobram do aluno/filho o mesmo padrão de conduta, ou seja, eles devem ser bem tratados na escola, mas também receber punições e gratificações conforme seu comportamento, isto tudo com o respaldo dos pais, e as crianças sabem que seus pais aprovam esta posição e, ainda, têm a mesma posição dentro do ambiente familiar.

Os pais precisam ficar cientes da necessidade de proporcionar a autêntica educação familiar ao filho. Há certas coisas que podem ser substituídas, outras não podem ser em hipótese nenhuma: a educação familiar, que deve ser dada pelos pais – e somente eles podem dar –, bem como a educação escolar, que pode ser oferecida e proporcionada somente pela escola.

Baseando-se nestas novas idéias, foi realizado o trabalho no Colégio Objetivo – Anaec, com o intuito de atrair os pais de alunos e professores, estabelecer um bom e sólido relacionamento com estes e, conseqüentemente, aplicar estes novos padrões.

RELAÇÕES PÚBLICAS E EDUCAÇÃO

As Relações Públicas, desempenhadas por um profissional da área, são aplicadas segundo um processo formal e por suas funções. É baseado nesta afirmação que se considera o profissional de Relações Públicas o mais qualificado agente de transformação social porque pesquisa, assessora, elabora um programa flexível e executa-o de forma planejada. A transformação social se dá na execução dos projetos de Relações públicas.

A princípio pode ser questionada a relação entre as Relações Públicas e a Educação, mas este questionamento não procede. Na verdade, ele tem seu fim no momento em que se percebe a importância da educação na vida do ser humano para a construção da sua identidade, ética e cidadania.

Flagra-se a correlação entre estas duas áreas no momento em que se verifica que a Educação é um meio de transformação social porque o acesso à educação transforma a vida do indivíduo, faz com que ele se torne ciente de seus direitos, obrigações, deveres e de seu próprio ambiente. Torna-o um cidadão que respeita seu eco-sistema. E o profissional de Relações Públicas é o agente que tem capacidade e qualificação necessárias para realizar esta transformação, ou seja, ele pode aplicar os princípios da educação da maneira mais correta e eficiente possível.

O trabalho realizado no Colégio Objetivo utilizou-se de veículos de comunicação dirigida oral (Andrade, 1996), porque foram realizadas reuniões para obter a aproximação necessária à formação e, posterior consolidação, do relacionamento entre o Colégio Objetivo e seus públicos de interesse.

PROGRAMAS E PROJETOS APLICADOS

Para solucionar as falhas existentes no Colégio Objetivo foram elaborados três programas destinados à formação de um bom relacionamento ente a escola e seus públicos de interesse, os quais são: os professores que lecionam entre a 5ª série no Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio e os pais de alunos matriculados nestas mesmas séries.

O Programa "Pais na Escola" foi desenvolvido para proporcionar um espaço destinado aos pais de alunos. É importante para a escola manter um bom relacionamento com os pais de seus alunos para que a "Educação a Seis Mãos", de Içami Tiba, seja efetivada. A escola precisa saber as opiniões, críticas e sugestões que este público venha a oferecer, pois a escola não pode decidir de forma isolada acerca de suas atribuições. Há assuntos em que os pais de alunos devem influir e suas opiniões devem pesar para a tomada de decisões da escola.

Dentro deste programa há o projeto "Pai Participante", que consistiu na realização mensal de painéis sobre temas atuais do cotidiano dos alunos. A finalidade deste projeto é iniciar a "Educação a Seis Mãos", pela educação dos próprios pais. Há um distanciamento muito grande entre estes dois públicos: os alunos e seus pais. Muitas vezes os filhos querem conversar sobre algum assunto ou apresentam sinais de problemas e seus pais não podem ajudar.

A realização do projeto "Pai Participante" deu-se da seguinte forma: foram preparados painéis com um tema diferente a cada mês. O efeito deste evento foi uma aproximação muito grande entre a escola e o público a quem foi dirigido: os pais de alunos.

A melhora deu-se devido ao fato da escola ter aberto um espaço para que este público pudesse aprender sobre temas que certamente ajudam a lidar melhor com seus filhos, a expressar opiniões ou críticas a respeito da postura da escola. Os pais de alunos sentiram-se valorizados porque a escola mudou sua postura com relação à tomada de decisões, dando mais atenção às opiniões deste público.

Foi também aplicado um programa cujo público-alvo foram os professores. O intuito deste programa foi aproximar e conhecer melhor os professores que lecionam na escola e proporcionar a eles um canal em que pudessem conversar, trocar experiências profissionais, opinar sobre determinados assuntos, ou seja, influir mais e ter maior espaço dentro do colégio.

Neste programa foi desenvolvido e aplicado um projeto chamado "Professores na Escola": foram promovidas reuniões para as quais todos os professores foram convidados e estiveram presentes.

Com as reuniões do projeto chegou-se a conclusão que deveria ser cobrado um padrão de comportamento dos alunos da escola. Antes, cada professor tinha uma postura diferente sobre determinados assuntos – alguns puniam enquanto outros relevavam. O efeito desta falta de um padrão de cobrança de normas de conduta foi que os alunos, mesmo que inconscientemente, começaram a manipular os professores, assediando sempre o professor mais "liberal" como meio de conseguir algo.

Este comportamento errado causa uma forma perigosa de relacionamento. Se na escola cada professor mantém uma postura diferente, a criança tende a aplicar o mesmo modelo comportamental em sua própria casa, ocasionando desentendimento entre os membros da família, quando houver opiniões divergentes entre o pai e a mãe.

O intuito deste projeto foi implantar o princípio do "Avental dos Professores", pelo qual o "Manual do Aluno" foi inteiramente revisado. Tópicos foram discutidos várias vezes e, por fim, chegou-se ao consenso, por meio de uma votação, na qual o padrão é aceito ou não. No caso de ser rejeitado, debatem-se novas sugestões e a maioria decide.

O mais importante deste princípio é a adesão geral de todos os docentes. Mesmo que um professor discorde do padrão de conduta escolhido e, por conseqüência, adotado para o "Manual do Aluno", ele terá que observá-lo, para que haja unanimidade e união dos professores com relação aos modelos comportamentais exigidos na escola.

Este projeto foi muito bem aceito pelos professores e teve como resultado a reformulação "Manual do Aluno" para o ano de 2001. O aluno aprenderá a ter limites impostos por seus professores e com a aplicação da "Educação a Seis Mãos", terá todo o respaldo de seus pais, o que ocasionará uma mudança em termos de disciplina.

Foi elaborado um outro programa, denominado "Pais e Filhos", que, como o próprio nome sugere, visa aproximar pais, filhos e escola.

Há o projeto "Gincana Educativa", realizado em um final de semana, com os times de competição formados por pais e filhos. As provas privilegiam a cooperação para alcançar a vitória. Com este projeto pretende-se aproximar pais e filhos e transmitir este sentimento de amizade e cooperação para dentro de seus lares.

O segundo projeto deste programa chama-se "Almoce com a Gente", pelo qual será realizado um almoço preparado exclusivamente por professores, direção e coordenação da escola, alunos e seus respectivos pais.

Estabeleceu-se que a renda arrecadada deste almoço seja revertida para melhorar a infra-estrutura da biblioteca da escola. A escola sempre realiza promoções que revertem as suas arrecadações para fundos de caridade. Desta vez, porém, será diferente e a renda reverterá em favor dos próprios alunos. Conscientes de que proporcionaram melhorias para a escola, os alunos aprenderão a valorizá-la ainda mais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O entendimento entre pessoas se dá pela comunicação eficaz porque mesmo quando há comunicação, mas com ruídos, não há o entendimento pretendido. É por isso que a aplicação das atividades de Relações Públicas é tão necessária num mundo em que a transformação é uma constante e a tendência ao desentendimento é muito grande. Como tudo está instável e em transição, é imperativo que a gestão da comunicação siga o devido processo e se dê de maneira eficaz, utilizando-se da comunicação dirigida.

O trabalho realizado no Colégio Objetivo foi uma grande surpresa para seus proprietários e, também, para os públicos relacionados a este que até então desconheciam as atividades de Relações Públicas. A satisfação com relação aos projetos foi medida e pôde-se perceber a grande receptividade com a qual os públicos acolheram esta nova postura regida pelas Relações Públicas, pois se sentiram extremamente valorizados.

Ressalta-se a necessidade da execução permanente de projetos de Relações Públicas, devido ao fato de que de nada adianta aplicar um projeto e este não ter continuidade. O veículo deve ser correto, a mensagem adequada e a periodicidade com que a comunicação acontece deve ser constante. Somente desta forma as atividades de Relações Públicas terão seus efeitos máximos, aplicados e obtidos em benefício de da Instituição e de todos os públicos a ela ligados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Candido Teobaldo de Souza. Curso de relações públicas: relações com diferentes públicos. 5. ed. São Paulo: Summus, 1996

TIBA, Içami. Ensinar aprendendo. São Paulo: Gente, 1999.