Relações Públicas Governamentais

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RELATÓRIO DE IMPACTO DE MEIO AMBIENTE

 

Organização

ELETRONORTE – Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A.

Profissional Responsável

Maurício Esteves Coelho

Ano da Premiação

1988

 

O relatório deste “case” refere-se à luta da Eletronorte para obter a aprovação da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Mato Grosso para a instalação da Usina Hidrelétrica Manso, às margens do Rio Manso, a 100 km de Cuiabá.

Na Universidade Federal de Mato Grosso teve início um movimento ecológico contra a construção da usina, liderado pelo grupo “Defenda a Vida”. O grupo contou, desde logo, com o apoio dos meios de comunicação. Desse modo, a Eletronorte, em dado momento, decidiu deflagrar uma campanha de esclarecimento e informação em defesa da Usina.

O objetivo era “aprovar em audiência pública o Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA), documento indispensável à concessão da Licença de Instalação da Usina Hidrelétrica Manso, a ser deferida pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso”.

ESTRATÉGIA/EXECUÇÃO

A estratégia traçada para o enfrentamento da questão se deu em dois campos: interno e externo.

A Luta Interna

O primeiro passo foi o de convencer a área técnica da Eletronorte da necessidade de alteração do nome do empreendimento. Ao invés de Usina Hidrelétrica Manso, Aproveitamento Múltiplo de Manso, tendo em vista a multiplicidade de uso da usina.

O segundo passo foi vencer a resistência da área de meio ambiente da Eletronorte a uma campanha de Relações Públicas, temendo que a mesma viesse a acirrar os ânimos dos ecologistas, e supondo-se que as negociações que estavam sendo mantidas com a Secretaria do Meio Ambiente eram, por si sós, suficientes para a aprovação do RIMA.

A fim de contornar essa situação, a área de Relações Públicas criou um prospecto denominado Aproveitamento Múltiplo de Manso e realizou uma pesquisa de rua.

A Luta Externa

A pesquisa mostrou que a população desconhecia o assunto, mas que ansiava por um melhor abastecimento de energia elétrica.

Para neutralizar a acusação de que Manso destruiria o Pantanal, foi montada a seguinte estratégia:

palestra na Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso;

esclarecimento junto ao empresariado, clubes de serviços, sindicatos, associações e demais segmentos da sociedade, procurando informar sobre a obra e desmistificando o assunto meio ambiente;

campanha buscando apoio junto às populações das cidades que seriam beneficiadas pela usina;

campanha publicitária;

material de apoio para distribuição no dia da audiência pública na Secretaria do Meio Ambiente.

Para executar tarefa tão complexa, foi contratada uma agência local, a MCA Propaganda. Uma série de ações foi deflagrada e obteve-se o apoio dos presidentes das Federações da Indústria, Agricultura e Comércio e de outras associações.

Para reforçar a posição da Eletronorte no Estado, foram promovidos encontros com o governador, com as secretarias do Meio Ambiente, de Serviços Públicos, de Turismo, de Agricultura e com a Companhia de Energia de Mato Grosso — CEMAT.

A fim de consolidar ainda mais a imagem da Eletronorte, promoveu-se uma viagem de metade da diretoria da empresa a Cuiabá, quando, durante uma semana, sucederam-se diversos atos de grande significação para o Estado. Dentre esses atos, destacaram-se: assinatura de Convênio com a Escola Técnica Federal de Mato Grosso para formação de mão-de-obra de nível médio especializada para os quadros da Eletronorte e inauguração do 2º Circuito em 230 kv em Rondonópolis, bem como do Centro de Controle Operacional da nossa Subestação de Rondonópolis.

Ao mesmo tempo, o setor de Relações Públicas da Eletronorte ocupou todo o espaço gratuito que foi possível conseguir, com press-releases, entrevistas com vários gerentes da empresa nos meios de comunicação.

Vinte dias antes da audiência pública, foi deflagrado um “rush” de comunicação, com outdoor, televisão, rádio e jornais, com freqüência diária.

PROVIDÊNCIAS PARA O DIA “D”

Houve uma reunião dramática no gabinete do governador, pois havia sido detectado que membros do próprio governo estavam dispostos a impedir a aprovação da usina. Essa reunião trouxe como conseqüência a nomeação de um novo Secretário e de um novo Chefe de Gabinete da Casa Civil.

Em face do “terreno lodacento” que a equipe de Relações Públicas percorria, foi criado um decálogo – “Proposta de Manso” – assinado pelo presidente da empresa. Essa peça foi publicada no dia que aconteceu a audiência, em página inteira, em todos os jornais de Cuiabá. Condensada para a televisão, foi exibida, também na véspera, 15 vezes em todas as estações de rádio e de televisão. Esse decálogo englobava todo o esforço da empresa e transferia para a sociedade a responsabilidade do empreendimento da usina.

RESULTADOS

No dia 19 de abril de 1988, o Governo do Estado de Mato Grosso fez publicar a licença de instalação da Obra de Aproveitamento Múltiplo de Manso.

A repercussão desse fato colaborou para que a Eletronorte pudesse vencer a etapa seguinte, que foi a assinatura do contrato de construção com o consócio vencedor da licitação em 18 de junho, em solenidade pública, com a presença de 400 pessoas.

Originalmente publicado no Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 12, dez. 1988, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná