INSTALAÇÃO DE
TELEFONES PÚBLICOS PARA DEFICIENTES FÍSICOS
Organização
TELESP Telecomunicações de São Paulo S.A.
Profissional Responsável
Eugênio Carlos de Oliveira
Ano da Premiação
1982
OBJETIVO
Contribuir para o "Ano Internacional da Pessoa Deficiente",
estabelecido pela ONU em 1981, foi o objetivo da TELESP ao fazer com que a empresa
participasse, com seus serviços, para valorização da pessoa deficiente na comunidade.
ESTRATÉGIA
Considerando as dificuldades inerentes aos deficientes físicos,
principalmente quanto à sua capacidade de atuar com recursos próprios e na tentativa de
proporcionar-lhes maiores condições de integração na sociedade, a TELESP resolveu
desenvolver o telefone público para deficientes em seus próprios laboratórios.
Quis a TELESP, antes de produzi-lo, ouvir a opinião de médicos
especializados e dos próprios deficientes, pois de nada adiantaria a instalação de
aparelhos especiais que não correspondesse às suas necessidades. Para tanto, formou-se
uma equipe constituída de engenheiros e profissionais de Relações Públicas que, por
meio de estudos e pesquisas, desenvolveu um protótipo, posteriormente levado para testes
a diversos centros de reabilitação de deficientes. Dois meses depois, chegou-se a um
modelo definitivo que, do inicial, estava bastante modificado.
Primeiramente, tivemos que substituir o disco por tecla, pois nos testes
observamos que muitos dos deficientes não conseguiam discar. A altura do orelhão também
foi diminuída para possibilitar que o deficiente físico, sentado em uma cadeira de
rodas, conseguisse utilizar-se do telefone. O aparelho foi avançado alguns centímetros
do fundo da carcaça o "orelhão" para facilitar o encaixe da
ficha telefônica no receptor e retirada do punho do local de apoio. Paralelamente,
funcionários do setor de Relações Públicas, interagindo com setores técnicos, saíram
a campo para analisar e indicar locais para instalações dos orelhões internos e
externos.
O primeiro orelhão interno para deficientes foi instalado nas dependências
da Associação de Assistência à Criança Defeituosa AACD, e passou a funcionar
após uma pequena solenidade que contou com a presença do residente daquela associação,
do vice-presidente da TELESP e dos deficientes físicos.
O lançamento do primeiro aparelho de uso externo foi feito durante as
comemorações de aniversário da TELESP e do Museu do Telefone, em abril, considerando-se
a importância daquele evento para a empresa. O local escolhido foi o próprio Museu do
Telefone, com enfoque especial para a figura da criança deficiente, naquele dia
representada por alunos do Centro de Reabilitação Lar Escola São Francisco.
Para a solenidade de inauguração, precisávamos contar com a presença de
alguém que fosse ligado à campanha do deficiente e ao mesmo tempo, possuísse uma forte
atração sobre crianças.
Chegamos a conclusão de que a pessoa mais indicada seria o cantor Roberto
Carlos, que além de reunir tudo aquilo de que precisávamos, por uma feliz coincidência,
era o Presidente de Honra da Campanha do Ano Internacional da Pessoa Deficiente.
Imediatamente, mantivemos contato com sua assessoria, que demonstrou muito
interesse em nos ajudar, marcando para alguns dias depois uma entrevista do cantor cm os
representantes de nossa equipe.
Durante a entrevista, Roberto Carlos confirmou sua presença no dia do
lançamento do orelhão e elogiou a iniciativa da TELESP, colocando-se à disposição da
empresa para o que fosse necessário.
PROVIDÊNCIAS
EXECUÇÃO
Na véspera do lançamento oficial do telefone público para deficientes,
Roberto Carlos informou-nos que não poderia estar presente em virtude de um compromisso
inadiável que surgira no Rio de Janeiro, mas fazia questão de receber a ligação
telefônica e nos forneceu o número de seu telefone naquela cidade.
À chegada dos ônibus, as criança foram recepcionadas pelo pessoal de
Relações Públicas, que as ajudou a descer, montou as cadeiras de rodas e levou-as até
o museu, empurrando-as por sobre a rampa.
No Museu, as crianças foram recepcionadas e encaminhadas à sala de
audiovisual, onde foi projetado um programa infantil, sobre a evolução das
comunicações. Após assistirem ao audiovisual, programamos brincadeiras com o Robô
existente no museu com perguntas e respostas sobre atualidades.
Passamos depois à visitação ao Museu, sempre acompanhados dos monitores,
mostrando a evolução das comunicações, ou seja, do aparelho pé de ferro ao videofone,
pelo qual as crianças se divertiram vendo-se numa tela de televisão.
Ao término da visita distribuímos crachás, jornais infantis, saquinhos de
bala e refrigerantes, e dirigimo-nos ao deck, local onde estava instalado o
orelhão para deficientes.
Durante a visita foi realizado um sorteio entre as crianças presentes para a
escolha daquela que falaria com Roberto Carlos.
Na hora marcada completamos a ligação para que Adenilson Donizetti, a
criança sorteada, falasse com o cantor.
Convém ressaltar que injetamos o som da ligação nas caixas de som,
permitindo assim que todas as pessoas presentes escutassem a conversa de ambas as partes.
Roberto Carlos ao atender, conversou demoradamente com Donizetti falando
sobre a Campanha do Ano Internacional da Pessoa Deficiente, e prometeu visitar o Lar
Escola São Francisco.
RESULTADOS ALCANÇADOS
Hoje, a TELESP ainda continua instalando orelhões para deficientes em todo o
Estado de São Paulo.
Estão sendo instalados nos postos de serviços da TELESP, ruas, hospitais,
rodoviárias, aeroporto e próximo a Centros de Reabilitação e Associações de
Deficientes. Na capital possuímos 57 aparelhos instalados, e no interior, 51.
Os "orelhões" passam a fazer parte do visual da cidade chegando a
ganhar o apelido carinhoso de "orelhinha".
De acordo com a orientação da direção da empresa, que apoiou de forma
extraordinária os programas desenvolvidos, bem como este presente nos eventos, a TELESP
deverá continuar instalando "orelhões" onde houver necessidade.
De tudo isso, o que mais valeu a pena nesta campanha desenvolvida pela TELESP
foi a gratificação de termos podido colaborar com o Ano Internacional da Pessoa
Deficiente de forma concreta, permitindo que um meio de comunicação dos mais importantes
passasse a ser normalmente utilizado pelos deficientes físicos.
Importante, também, foi não ter havido em momento algum da campanha
conotações demagógicas, muito comuns, mesmo involuntariamente, quando se desenvolvem
programas deste tipo. Por parte da imprensa escrita e falada, a atitude da TELESP mereceu
ampla divulgação e apoio, com reflexos positivos para a consolidação da imagem da
empresa.

Transcrição
adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná