EDUCAÇÃO PARA O TRABALHO
Organização
Volkswagen do Brasil Ltda.
Profissional Responsável
Horst Richter
Ano da Premiação
2002
OBJETIVOS
O programa "Educação Para o Trabalho" foi lançado pela
fábrica da Volkswagen do Brasil em Taubaté em março de 2001 – com o
suporte do Comitê de Trabalhadores da VW Taubaté "Contra a Fome e Pela
Vida" e da Fundação Volkswagen – visando reduzir a exclusão social na
região do Vale do Paraíba (interior de São Paulo) por meio da educação de
jovens de baixa renda para o mercado de trabalho.
A opção de investir em educação foi tomada após a
constatação de que o trabalho sistemático de combate à fome e à miséria
realizado na região desde novembro de 1993, por meio da doação constante
de 320 cestas básicas de alimentação para famílias de baixa renda, não
estava gerando o resultado desejado. As famílias continuavam dependentes
das doações e a demanda de cestas básicas nunca parou de crescer.
"A doação de alimentos é importante e, muitas vezes,
vital para resolver o problema emergencial. Porém, deve-se agir também no
longo prazo e desenvolver programas sociais que levem a soluções
permanentes e a uma transformação da realidade", afirmou a assistente
social da Volkswagen e integrante do Comitê de Trabalhadores, Maria Tereza
Andrade Nogueira.
Sem interromper a distribuição de alimentos, decidiu-se
enfrentar uma das raízes da pobreza: a falta de capacitação para o
trabalho, que perpetua a miséria através das gerações. Foi tomada a
decisão de "ensinar a pescar", mas sem deixar de "dar o peixe".
ESTRATÉGIAS
Iniciada em março do ano passado, a nova estratégia de
combate à pobreza começou com a seleção de jovens para o programa
"Educação para o Trabalho". Parte dos integrantes do curso é composta por
adolescentes egressos de famílias que recebem cestas básicas para
sobreviver. Outra parte é formada por jovens com desajustes sociais e
familiares, em regime de liberdade assistida, que são indicados pela
Promotoria da Infância e da Juventude de Taubaté.
Foram constituídas duas turmas somando 50 jovens, que
participaram do curso "Educação para o Trabalho", especialmente organizado
pelo SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio, com seis meses
de duração (330 horas). O programa do curso inclui aulas de formação
técnica-profissional, como informática, contabilidade e atendimento ao
consumidor, além de módulos de formação básica do cidadão, como saúde,
sexualidade, higiene pessoal e alimentação.
O objetivo inicial é resgatar os princípios básicos
humanitários e a formação pessoal do jovem, para depois então prepará-lo
para o mercado de trabalho com especializações técnicas. A meta é promover
a formação de um cidadão consciente, integro e responsável, com verdadeiro
potencial de empregabilidade. E, ao mesmo tempo, capacitá-lo para superar
as dificuldades geradas por uma origem familiar desagregadora e pela
inércia provocada pela dependência da caridade.
A coordenadora do programa Educação para o Trabalho do
SENAC, Cristiane Aparecida Martins Alves, afirmou que o curso foi
especialmente formatado para jovens de baixa renda e com problemas
familiares. Segundo ela, o programa pretende "resgatar valores,
reconstruir o relacionamento familiar e preservar a auto-estima", além de
ensinar técnicas profissionalizantes. "O jovem tem um acréscimo de apreço
por si mesmo, que o ajuda não apenas a buscar o emprego formal, mas também
a gerar sua própria renda", explicou.
EXECUÇÃO
O projeto começou com a aproximação entre os parceiros
participantes, que realizaram uma série de discussões e estudos para
definir objetivos e estratégias. Estes parceiros são: as áreas de relações
públicas e recursos humanos da Volkswagen do Brasil, o Comitê de
Trabalhadores da Volkswagen Taubaté "Contra a Fome e Pela Vida", a
Fundação Volkswagen (coordenação de apoio), o SENAC – Taubaté e a
Promotoria da Infância e da Juventude de Taubaté (apoio e execução).
Estabelecidas metas e ações, o passo posterior foi a
formação dos grupos de alunos das duas turmas. A tarefa foi realizada coma
ajuda de oito entidades assistenciais e da Promotoria. As entidades
indicaram jovens da comunidade cujas famílias recebiam ou recebem cestas
básicas. A Promotoria indicou jovens em liberdade assistida que, segundo
avaliação social e psicológica de especialistas, tinham mais chance de
recuperação para a vida em sociedade.
Montadas as duas turmas – somando 50 jovens de origens
diferentes – foram iniciadas as aulas no SENAC. A programação foi
acompanhada e monitorada por representantes da Volkswagen do Brasil, do
Comitê de Trabalhadores, da Fundação Volkswagen e da Promotoria até a
conclusão dos cursos, nos meses de setembro e novembro de 2001.
FORMAS DA AVALIAÇÃO
As formas de avaliação propostas inicialmente eram as
seguintes: o número percentual de jovens que havia chegado até o fim do
curso – resistindo à evasão – e o número de jovens que havia efetivamente
conseguido emprego ao término do programa. Com o tempo, notou-se que estes
indicadores eram incompletos e não davam a devida medida da realidade, em
razão do perfil do público envolvido: renda mínima, reduzido apoio
familiar e baixa auto-estima.
Para um público como este, a evasão nem sempre está
associada a desinteresse ou baixa qualidade de ensino. A evasão ocorre,
muitas vezes, por interferência do meio externo. Houve jovens que mudaram
de cidade com a família e outros que simplesmente assumiram compromisso de
trabalho em tempo integral e não tiveram meios de prosseguir os estudos.
Optou-se então por manter os dois indicadores de
avaliação – guardadas as devidas ressalvas – e também acrescentar outros
dois indicadores: comportamento dos jovens infratores durante e após o
curso e o número de jovens aceitos para estágio profissional nas empresas.
No primeiro caso, o objetivo era checar se houve de
fato alguma mudança de comportamento, caráter e postura com o resgate de
valores e da auto-estima. No outro caso, a finalidade era verificar se os
jovens tinham se tornando aptos ao trabalho, independentemente de haver ou
não vaga no final do curso.
RESULTADOS ALCANÇADOS
Vale ressaltar que mudança de comportamento envolveu
até mesmo aqueles que, por razões diversas, abandonaram o curso antes da
conclusão.
O Promotor da Infância e da Juventude de Taubaté,
Antônio Carlos Ozório Nunes, disse que o curso é uma iniciativa vitoriosa.
Segundo ele, "o programa resgatou a auto-estima do adolescente, mostrando
que sociedade acredita nele e que existe cura para os problemas socais e
familiares".
Exemplo disso é L.R.P., de 17 anos, casado e pai de uma
filha de dois anos. Ele estava em liberdade assistida por ter participado
de assalto à mão armada. Depois do curso, foi contratado para cuidar dos
estoques da loja de calçados Escolástico do Taubaté Shopping. Foi
considerado por colegas e pelo gerente como ótimo profissional. Ao
completar 18 anos, sai da empresa para prestar serviço militar
obrigatório.
O resultado foi avaliado como "extremamente positivo"
também pelos participantes do programa (coordenadores, parceiros e
apoiadores), levando-os a decidir por sua continuidade em 2002.
Este ano, foram formadas duas turmas de "Educação para
o Trabalho", que juntos somam 50 alunos, com o mesmo perfil das
anteriores. A única diferença é que – para o exercício de 2002 – o curso
foi revisto, ampliado e aprimorado, visando fortalecer seu caráter
profissionalizante e oferecer duas opções de formação: assistente de
gestão empresarial e programador de computador.
Paralelamente foi criada uma nova turma para o curso
profissionalizante "Educando para a Cidadania, com Ênfase em Telemarketing",
com duração de três meses, para 25 jovens da comunidade do bairro Santa
Tereza, nos arredores da fábrica da Volkswagen em Taubaté.
O programa soma 125 jovens beneficiados, cuja cidadania
e auto-estima foram resgatadas e que estão preparados para ingressar no
mercado de trabalho. Parte destes jovens é egressa de famílias que antes
dependiam da caridade para sobreviver e outra parte é composta por jovens
com desajustes sociais e pessoais que, caso não recebessem o apoio da
sociedade, caminhariam para a marginalidade.
O programa pretende continuar colaborando (e ampliando
sua penetração) com novas turmas de jovens ávidos por obter a primeira
oportunidade real de suas vidas. A iniciativa que começou apenas como
"caridade" agora também contribui para a transformação da comunidade
local.

Transcrição
adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná