PROGRAMA VOLVO DE
SEGURANÇA NO TRÂNSITO
Organização
Volvo
do Brasil
Profissional
Responsável
João
Pedro Corrêa
Ano
da Premiação
1988
Para comemorar
os 10 anos de sua constituição como fabricante de ônibus e caminhões pesados, a Volvo
instituiu, em 15 de julho de 1987, o Programa de Segurança nas Estradas. O projeto
substituiu todas as comemorações, festas internas e externas, institucionais e
promocionais, constituindo-se, exclusivamente, numa ação de interesse comunitário sem
qualquer interesse mercadológico.
OBJETIVOS
As alarmantes,
apesar de duvidosas, estatísticas sobre o número de acidentes e vítimas induziram a
empresa a destinar uma parcela de seus recursos e esforços para desenvolver um trabalho
sistemático e abrangente para minimizar os efeitos de um mal que se coloca entre as
principais causa mortis dos brasileiros e provoca prejuízos materiais superiores a
dois bilhões de dólares anuais.
O objetivo do
programa é despertar a comunidade para o problema e sensibilizar o poder público, a
iniciativa privada, instituições, imprensa e a sociedade para a busca de soluções.
As análises e
estudos disponíveis permitiram estabelecer as premissas básicas para enfrentar a
questão:
ESTRATÉGIA E EXECUÇÃO
Conhecida a
situação e definidos os conceitos básicos, a Volvo pôde elaborar um conjunto de
ações capazes de influir sobre o meio, levando os diversos segmentos vinculados ao
assunto a dedicar sua atenção ao tema. Para isso, foi preciso adotar uma estratégia,
definindo os públicos, o produto, o preço e a forma de abordar o problema. Decidiu-se,
por exemplo, conceituá-lo e dimensioná-lo, embora os números disponíveis não fossem
confiáveis.
A Volvo ficou,
como dados do programa, 50 mil vítimas fatais por ano e 350 mil feridos em um milhão de
acidentes. Esses números passaram a ser repetidos em todas as oportunidades.
Para atingir
todos os públicos necessários, a Volvo dividiu o programa em três pontos básicos:
Um comitê
executivo, presidido pelo próprio presidente da empresa se encarrega de administrar a
executar o programa que envolve reuniões da Câmara Técnica, simpósios regionais e um
nacional e o Prêmio Volvo.
RESULTADOS
Esse conjunto de
ações, que exigiu, obviamente, um bem montado esquema de trabalho para assegurar a
sincronização de todos os esforços, conseguiu resultados expressivos.
Vale destacar a
ampliação dos espaços sobre segurança no trânsito na imprensa em geral, tanto em
reportagens como em artigos assinados.
Houve, por outro
lado, uma multiplicação de estudos e sugestões, como na implantação de medidas
concretas.
Merece destaque
um fato que mostra a influência da campanha. O governo brasileiro instituiu 1989 como o
Ano da Segurança no Trânsito. Consta na exposição de motivos do decreto
que a idéia surgiu numa das reuniões da Câmara Técnica.
O diretor do
DNER, Ítalo Mazzoni, assegura que a ampliação da frota de veículos pela fiscalização
nas rodovias deve-se, em boa parte, ao programa desenvolvido em Telêmaco Borba, cidade
paranaense de 65 mil habitantes, onde toda a comunidade participou de uma campanha local
para diminuir o número de acidentes.
O I Prêmio
Volvo foi promovido em anúncios em jornais em todo o país. Essa campanha na imprensa
muito contribuiu para maior fixação do Programa de Segurança nas Estradas junto à
opinião pública.
Concorreram ao
Prêmio Volvo 256 trabalhos, vindos de todos os Estados brasileiros. E vale destacar que
muitos deles continham a ressalva de que não participavam em busca de uma
recompensa pessoal, mas com o intuito principal de colaborar para melhorar as condições
de segurança no trânsito.
Isto mostra que
o programa obteve credibilidade e conseguiu sensibilizar a população. A imagem da
empresa, por outro lado, e o planejamento e a seriedade das ações, por outro,
contribuíram para o alto nível de persuasão alcançado pelo programa. Em termos de
comunicação social, o programa tem sido um sucesso. Mas a Volvo só vai comemorar os
resultados se, de fato, contribuir para diminuir o número de acidentes e de vítimas no
trânsito brasileiro, o que exigirá um esforço constante e permanente por
parte de toda a sociedade.

Originalmente publicado no Catálogo
Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 10, p. 15, dez.
1988, editado pelo CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná