RESGATE DE
EMPREENDIMENTO BENEFICIA A COLETIVIDADE
Organização
CAT
Centrais de Apoio aos Transportes
Profissional
Responsável
Antônio
De Salvo
Assessoria
Externa
ADS – Assessoria de Comunicações Ltda.
Ano
da Premiação
1999
Paulínia é um pequeno município do interior do Estado de São
Paulo, a 114 quilômetros da capital. Nele esta instalada a Replan, refinaria que processa
20% dos derivados de petróleo do Brasil. Nas proximidades, as distribuidoras como
Shell, Texaco, Esso, Ipiranga e BR mantêm bases de apoios aos caminhoneiros que
vêm buscar combustível.
A Replan era alcançada pelos caminhoneiros de maneira irregular e
desordenada. O estacionamento caótico desses veículos representava situação de
altíssimo risco para a comunidade local e para o meio ambiente, podendo causar acidentes
na rodovia, bloqueio de trânsito, poluição do subsolo e a contaminação dos lençóis
da água do município. Isto para não falar na possibilidade de uma tragédia de grandes
proporções.
Em 1994 foi promulgado a Lei Municipal Nº 1822/94, estabelecendo que
os veículos transportadores de derivados de petróleo, carregados ou vazios, poderiam
estacionar somente num Terminal de Cargas Perigosas a ser criado, nos pátios das
distribuidoras em operação de carga ou em estacionamentos das empresas transportadoras,
sempre obedecendo às condições de segurança estabelecidas na lei.
Foi realizada concorrência pública para implantação do Terminal
de Cargas Perigosas e o consórcio vencedor se transformou na empresa Centrais de Apoio
aos Transportes CAT, que tratou de projetá-lo, construí-lo e administrá-lo.
Entrou em operação em julho de 1997, com capacidade para abrigar 558 caminhões de
carga, atendendo às mais rígidas normas de segurança.
Passados seis meses de funcionamento, entretanto, os caminhoneiros
mantinham-se longe do terminal, e as autoridades municipais não faziam cumprir as leis.
Durante o mês de fevereiro de 1998, apenas 66 veículos nele estacionaram.
Em março de 1998 foi contratada a ADS Assessoria de
Comunicações, com a missão de salvar um empreendimento que parecia condenado.
ESTRATÉGIAS
Colhendo avaliações de especialistas no assunto e comparando o caso
de Paulínia com experiências de outras cidades e países, a equipe da ADS detectou os
principais erros cometidos:
O ideal, para maximizar o impacto, é que se multiplicassem as
ações nas várias frentes, simultaneamente, gerando um efeito de
bola-de-neve capaz de vencer todas as resistências.
EXECUÇÃO
Logo em abril de 1998, a ADS passou à ofensiva. No front
interno, foi acelerada a mudança do nome de Paulicentro para Terminal de Cargas
Perigosas. E fez-se ver aos funcionários a importância de dar um atendimento cordial e
amistoso aos clientes, criando um ambiente agradável e aconchegante.
O restaurante também passou a operar dentro de um novo conceito:
deixou-se de cobrar o valor justo da refeição servida, mas sim um preço promocional.
A realização da Copa do Mundo de Futebol, em junho de 1998,
ofereceu uma boa oportunidade para que se mostrasse a nova face do terminal aos
caminhoneiros. Por meio de folhetos, eles foram convidados a torcer pelo Brasil com todo o
conforto e estacionamento gratuito durante duas horas de jogo.
A ADS escolheu um jornalista da região para atuar como social
advisor. Com sua credibilidade e sólido embasamento técnico, ele convenceu a
imprensa de que o terminal tinha as únicas instalações capazes de receber adequadamente
veículos de cargas perigosas em Paulínia, obtendo good will dos jornalistas.
Com isto, passaram a receber mais destaque no noticiário as
denúncias que a ADS vinha há algum tempo levantando, de que o lençol freático de
Paulínia poderia estar sendo conspurcado. A suspeita de estarem bebendo água contaminada
causou muita apreensão entre os moradores de Paulínia.
Foi, ainda, desenvolvido um trabalho de conscientização junto ao
sindicato dos transportadores de cargas, enfatizando a responsabilidade social dos
motoristas e seu compromisso de não prejudicarem as comunidades que os recebem.
A ADS avaliara ser fundamental o fechamento de acordo com uma grande
distribuidora, que servisse de exemplo para as demais. Após oito meses de negociações,
acertou-se com a Shell. Proposta aceita, as demais distribuidoras, uma a uma, foram
aderindo nos mesmos termos. O terminal passou a ter motoristas em quantidade suficiente
para criar um ambiente festivo e aconchegante.
Uma cartilha de conscientização foi produzida pela ADS, explicando,
na forma de história em quadrinhos, os malefícios que a postura incorreta de alguns
motoristas estava causando.
Também foram procurados pela ADS os formadores de opinião daquela
comunidade, como o padre, o promotor, líderes associativos. Eles emprestaram seu
prestigio e capacidade de mobilização à causa. Acidentes na SP-332 foram relatados para
mostrar à comunidade a real dimensão do problema. Ocorrências que até então passavam
quase despercebidas, a partir desse trabalho, foram destacadas pela imprensa e notadas
pelos cidadãos, que as receberam com justa indignação.
E, após insistentes contatos com as autoridades municipais,
conseguiu-se que passassem a ser multados os caminhoneiros que estacionavam irregularmente
nas proximidades da estrada.
Também se atuou junto às autoridades estaduais e a repercussão de
alguns acidentes de trânsito na SP-332 acabou sendo decisiva para que o Secretário
Estadual dos Transportes encerrasse a questão: convocou todos os interessados para uma
reunião em Paulínia e lhes deu um prazo para que as leis de trânsito e ambientais
passassem a ser rigorosamente cumpridas. A guerra estava ganha.
FORMA
DE AVALIAÇÃO
O objetivo da campanha foi estimular a utilização do Terminal de
Cargas Perigosas e o fim do estacionamento irregular. Assim, seu sucesso pode ser aferido
a partir do aumento do número de caminhões-tanque lá estacionados.
RESULTADOS
Os resultados da campanha se evidenciam na quantidade de caminhões
estacionados mês a mês no terminal. De 155 em março de 1998, o número mais que dobrou
no mês seguinte (358), subiu para quatro dígitos em setembro de 1998 (1.525) e nessa
casa se manteve até que a Secretária de Transportes do Estado desse o
xeque-mate no assunto, em fevereiro de 1999, quando saltou para 5.445. Em
março de 1999, chegou-se ao número de 7.349 caminhões, significando um aumento de
4.640% em 13 meses!
O Terminal de Cargas Perigosas que já vinha em fase agônica,
demitindo pessoal recuperou-se plenamente e está consolidado. É consenso entre as
autoridades, as entidades de classe e a comunidade de Paulínia que, sem a campanha, o
terminal teria fechado e a região perdido empregos preciosos numa fase difícil da
economia brasileira.
E foi uma oportunidade para associar os interesse de uma empresa aos
benefícios para a coletividade, pois a campanha, indiscutivelmente, trouxe mais
segurança e melhor qualidade de vida para os habitantes de Paulínia; salvou as vidas que
acabariam sendo perdidas em acidentes de vários tipos; e deu aos caminhoneiros melhores
condições para o exercício de sua profissão.

Transcrição
adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná