PROJETO CIDADÃO DO BEMGE
Organização
BEMGE
Banco do Estado de Minas Gerais
Profissional
Responsável
Demóstenes Romano Filho
Ano
da Premiação
1990
O respeito pelo cidadão é o centro do Projeto Cidadão, do Banco do
Estado de Minas Gerais (Bemge), idealizado pelo profissional Demóstenes Romano Filho,
superintendente de Marketing e Comunicação Social. O projeto utiliza como premissa
básica o direito de informação do cidadão e do cliente e teve seu início marcado pela
edição do Plano Verão, em janeiro de 1989. Na ocasião, o Bemge começou a praticar uma
linha de comunicação e Relações Públicas que privilegiava a informação correta e
transparente, fundamentada na utilidade pública.
OBJETIVOS
Dois objetivos marcam essa fase do Projeto Cidadão. O primeiro era
conquistar credibilidade, confiança e respeito dos clientes e dos públicos com os quais
o Bemge interage. O segundo, iniciar um trabalho de posicionamento da empresa em um
ambiente instável. Isso porque na época já se começavam a vislumbrar mudanças sociais
que cobrariam maior participação das empresas na vida das comunidades e do país.
Com a vigência do Plano Verão, o Bemge editou uma cartilha
respondendo às principais dúvidas das pessoas sobre as novas medidas, ao mesmo tempo em
que montou uma Central de Informações e Investimentos em uma das suas principais
agências de Belo Horizonte e organizou um sistema de informações para os gerentes
e pessoal de atendimento das agências.
Esse trabalho teve como suporte uma campanha publicitária que
informava ao público sobre o serviço que o banco estava prestando nessa área.
Mesmo depois de assimilado o impacto do Plano Verão, o Bemge manteve
a política de adotar em sua linha de comunicação uma linguagem acessível ao
consumidor. Em março de 1990, com o turbilhão do Plano Collor I, que deixou as pessoas
ainda mais perplexas e confusas que nos programas de estabilização anteriores, a
experiência passada possibilitou ao Bemge reeditar seu serviço de utilidade pública.
Com um desafio maior pela frente, o Bemge editou uma série de peças
para dar suporte ao trabalho de informar rapidamente e bem aos seus públicos. A Central
de Informações aos Consumidores foi novamente montada; ao mesmo tempo foi criada outra
central de informações para atender aos gerentes das agências por telefone, que, como
em todos os bancos, com a ampla desinformação que acompanhou o anúncio do plano
sofreram até ameaças de prisão; foram produzidas, ainda, cartilhas e peças
informativas.
Nesse processo, o Bemge veiculou também peças publicitárias sem
caráter promocional, como filmes, spots, faixas e volantes, entre outras, com
mensagens voltadas a atender às necessidades imediatas de informação das pessoas, nos
primeiros dias pós-Plano. Entre elas, havia peças orientando as pessoas no momento de
reabertura dos bancos após o longo feriado bancário. Além disso, o Bemge montou um
plantão de tempo integral, com membros da diretoria e do alto escalão do banco, para
estudar as novas medidas e informar os gerentes.
Todo esse trabalho permitiu ao Bemge a tranqüilidade de abrir suas
agências à primeira hora do fim do feriado bancário, assumindo um compromisso com seus
clientes, sintetizado na frase Faça Valer Seus Direitos.
PROJETO AMBICIOSO
Em setembro de
1990, o Projeto Cidadão estava definitivamente implantado, antecipando, na época,
o que viria mais tarde a ser regulamentado com a entrada em vigor do Código de Defesa do
Consumidor.
O atendimento do
projeto pelos clientes e lideranças empresariais; a série de convites para participar de
palestras explicando o funcionamento do case; e principalmente o novo
relacionamento estabelecido entre o cliente Bemge e o banco têm servido para demonstrar a
importância e o alcance do Projeto Cidadão.
Um projeto de
Relações Públicas capaz de mostrar a possibilidade de um relacionamento maduro e de
respeito com os usuários dos serviços bancários.

Originalmente publicado no Catálogo
Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 11, p. 13, ago.
1991, editado pelo CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná