Relações Públicas para Públicos Específicos

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CAMPANHA DE AJUDA AO HOSPITAL DO CÂNCER

 

Organização

Café do Ponto

Profissional Responsável

Cláudio Licciardi

Assessoria Externa

PRSC – Assessoria de Comunicações

Ano de Premiação

1982

 

INTRODUÇÃO

No final de 1981, em reunião de diretoria, a Café do Ponto decidia quais os caminhos que tomaria em 1982. Entre as diversas alternativas, uma tomava corpo: realizar uma campanha com fins filantrópicos. Porém uma grande preocupação surgia: que interpretação, que imagem a comunidade passaria a ter da empresa?

Discutida a idéia, em conjunto com a PRSC Assessoria de Comunicação, buscou-se um planejamento que a viabilizasse, e que permitisse uma imagem verdadeira, isto é, que uma empresa não tem apenas obrigação de gerar lucros, mas também de participar ativamente da vida de sua comunidade.

A Café do Ponto decidiu por um trabalho em favor do Hospital do Câncer, com um objetivo ainda maior que o filantrópico, a queda de um tabu: falar sobre câncer.

A Campanha de Ajuda ao Hospital do Câncer consistiria no recorte de um selo existente nas embalagens do Café do Ponto, que possibilitaria um crédito de Cr$ 10,00 por quilo de café.

OBJETIVOS DA CAMPANHA

Sensibilizar o consumidor do Café do Ponto para participação na campanha "Ajude o Hospital do Câncer".

Conscientizar os canais de distribuição sobre a sua atuação no esquema, através da fixação do material promocional, colocação de urnas e orientação do consumidor.

Motivar o público interno para o esforço conjunto, no sentido de ampliar cada vez mais a divulgação da campanha.

Preservar a imagem institucional da empresa evitando distorções de objetivos, e até eventuais críticas por desinformação.

Manter a imprensa permanentemente informada sobre os objetivos do programa e seu andamento.

Acompanhar os trabalhos da agência de propaganda, que envolviam filmes, cartazes, volantes, faixas de ruas etc.

Apoiar a Rede Feminina de Combate ao Câncer em sua atuação em todo o Estado de São Paulo, reforçando ainda mais a expectativa de sucesso.

Obter apoio de entidades de classe, clubes de serviço, entidades governamentais e empresa para a campanha.

ESTRATÉGIA

A campanha foi iniciada em 14 de janeiro de 1982, com uma coletiva de imprensa no Hospital do Câncer. Na ocasião, a senhora Carmem Prudente, presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Dr. José Bordolla, da Fundação Antônio Prudente – Hospital do Câncer e o Sr. Alexandre do Nascimento Gonçalves, presidente do Café do Ponto, responderam a perguntas dos repórteres dos jornais, revistas, rádio e televisão.

Simultaneamente todos os jornais do interior recebiam informações detalhadas sobre o "modus operandi", inclusive material promocional.

Uma semana antes, porém, em reunião com o departamento de vendas do Café do Ponto, toda a campanha foi apresentada e explicada. Também os canais de distribuição – supermercados, armazéns, bares – foram informados por carta. Seu texto continha esclarecimentos e formas de apoio, possibilitando, assim, a cerca de 15 mil pontos-de-venda uma atuação mais forte.

COMEÇO COMPLICADO

O começo foi difícil, pois com a veiculação do filme de 60 segundos na TV, as faixas, cartazes e urnas colocadas, a resposta foi imediata.

A PRSC Assessoria, coordenadora da campanha, agilizou informações através da instalação de uma Central Informativa. Todos os tipos de dúvidas e questões eram formulados, desde onde enviar donativos até soluções para casos de internações ou doenças.

A campanha desenvolvia-se com sucesso e sua duração, prevista inicialmente para quatro meses, foi estendida para seis meses, incluindo-se um outro produto da Café do Ponto, o Coador do Ponto.

Durante este período de trabalho foram organizadas visitas às áreas governamentais – governador do Estado e prefeito do município, secretarias da Cultura e da Agricultura, Câmara de Vereadores e Assembléia Legislativa, informando e solicitando colaboração.

Também entidades de classe, como Federação das Indústrias, Associação Comercial, Associação dos Bancos, Associações das Cadernetas de Poupança, foram sensibilizadas para participar, inclusive na fixação de cartazes ou faixas.

Os Clubes de Serviço, Rotary e Lions, foram integrados no movimento, na capital e principalmente no interior.

Diversas reuniões com as senhoras pertencentes à Rede Feminina de Combate ao Câncer foram feitas, inclusive com pesquisas e sugestões.

Em nenhum momento desviou-se dos objetivos traçados. O importante foi o entrosamento conseguido dos diversos públicos: consumidor, pontos-de-venda, funcionários, governo, entidades de classe, clubes de serviços, público em geral e imprensa.

Os pontos-de-venda, elo fundamental entre a Café do Ponto e o consumidor, foram motivados periodicamente com cartas, circulares e contatos pessoais, e registraram as mais diversas formas de presença do consumidor. Até dinheiro foi colocado nas urnas, e junto mensagens que demonstravam a impossibilidade do consumo do Café do Ponto por razões diversas, mas o desejo de colaborar.

Também perguntas sobre o câncer foram formuladas e as respostas foram fornecidas pelo Hospital do Câncer ou pelo Tele-Can.

RESULTADOS

Toda a expectativa inicial de sucesso, calcada na estratégia explicada, foi demonstrada pelo Café do Ponto com uma doação antecipada, dezembro de 1981, de Cr$ 20 milhões. Os números finais ainda não foram obtidos, pois o volume de selos enviados superou todo o otimismo.

Um exemplo vivo deste retorno foi a amplitude territorial da campanha. A comercialização do Café do Ponto restringe-se ao Estado de São Paulo, contudo a penetração foi mais além das fronteiras estaduais. Consumidores de Minas Gerais, Goiás, Paraná e outros Estados enviaram seus selos. Outro fato marcante foi a remessa vinda da Itália, que demonstrou todo um engajamento.

Todavia, alguns aspectos devem ser ressaltados. O assunto câncer é hoje tratado com mais abertura, a informação sobre prevenções com a doença é hoje mais procurada e a conscientização da importância do Hospital do Câncer é hoje ainda mais evidente.

Os objetivos primeiros, traçados no programa de Relações Públicas foram atingidos e a imagem e o conceito da Café do Ponto S.A. foram preservados.

Transcrição adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná