Relações com o Público Interno

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PROGRAMA ECO: ENCONTRO DE COMUNICAÇÃO E ORIENTAÇÃO

 

Organização

Caterpillar Brasil S.A.

Profissional Responsável

Fábio França

Ano da Premiação

1985

 

Estabelecer um canal de comunicação, por meio de reuniões entre diretoria e funcionários, é o objetivo do Encontro de Comunicação e Orientação, conhecido na Caterpillar Brasil S.A. como ECO. Este é o evento que rompe com a distância em geral existente entre a alta administração e os empregados, entre a comunicação hierarquizada e a comunicação informal. É a ocasião em que diretores e empregados se orgulham de estar junto, unidos numa troca de informações que é proveitosa para ambos.

A realização de programas como esse é tradicional na organização Caterpillar, acontecendo uma vez por ano em todas as suas fábricas do mundo, com o nome de All Employee Meeting. Mas as características do programa nas fábricas americanas são diversas das necessidades brasileiras. Para ser realizado aqui, o programa teve que ser adaptado às exigências locais.

Assim, um planejamento específico passou a ser desenvolvido, a partir de 1980, ano do início desses encontros, para que o mesmo atingisse plenamente seus objetivos, que são:

realizar uma comunicação efetiva com todos os empregados, em todos os níveis;

despertar neles o entusiasmo pela companhia e a responsabilidade que têm na execução de suas funções específicas;

difundir em todos maior confiança na empresa e o seu trabalho;

provocar atitudes favoráveis que levem à maior eficiência, melhor produtividade e à manutenção permanente da qualidade do produto;

criar condições que favoreçam o inter-relacionamento humano e tragam satisfação pessoal no trabalho.

O NOME

Uma das primeiras preocupações da Divisão de Relações Públicas foi encontrar um nome representativo e adequado a seus objetivos. Depois de passar por várias fases, chegou-se a Encontro Empresa–Empregado. Com base nos "E" iniciais, poder-se-ia criar a marca do encontro, por exemplo " E E E". Mas lembrando se tratar de um encontro para comunicação, os ensaios de nome produziram Encontro de Orientação e Comunicação, gerador da sigla "ECO".

Encontrou-se, assim, um termo adequado, típico de comunicação. Suas vantagens eram evidentes: um nome de fácil assimilação, altamente identificado com o programa, excelente para a divulgação e denotativo de todo o processo de comunicação, já que representava o retorno, o feed-back necessário ou o "ECO" final, a resposta positiva dos empregados à informação recebida e transformada em ação.

Encontrado o nome, havia a necessidade de se criar um símbolo aglutinador da atenção de todos para o programa. Após vários estudos e debates, e contando com a participação da PROBRÁS — Propaganda Brasileira, chegou-se à criação de um boneco-símbolo do evento. Ele representaria, de forma estilizada, um operário de macacão, em cores aproximadas ao amarelo, para facilitar a identificação com o logotipia da companhia.

Sua adoção gerou impacto e agradou em cheio. Sua aceitação foi total, recebendo logo diversos apelidos por parte dos empregados, o que provou sua rápida assimilação pelo público que, inclusive, o queria como brinde e brinquedo para os filhos. Tal fato levou à confecção de várias peças sorteadas em reuniões do "ECO". A partir daí, o boneco passou a ser utilizado em todas as peças promocionais e nas publicações da empresa.

Aprovada a realização do programa no Brasil, ficou estabelecido que deveria ser criado um Comitê Coordenador, que se responsabilizaria pelas tarefas de execução e coordenação, adaptando-o as condições da companhia do Brasil. Esta tarefa ficou a cargo da Divisão de Relações Públicas, a quem coube estruturar todo o programa e planejá-lo a nível de detalhes.

A companhia procura sempre tratar o empregado como pessoa responsável por seus atos e como parte de uma organização que depende dela e da qual ela depende. Para conseguir este objetivo, a cada ano se faz um levantamento de opinião dos empregados sobre suas expectativas com relação ao ECO. Essas pesquisas são feitas por intermédio de questionários, entrevistas e sugestões. O resultado é tabulado e separado em dois grupos:

temas de interesse geral, que irão à discussão com o Comitê Coordenador e diretoria para se chegar ao tema central do programa do ano;

temas de interesse pessoal. As respostas destes temas são dadas individualmente ou por boletim especial criado para esta finalidade, o Jornal do Eco.

A partir daí procura-se o tema central de cada ano. Em 1980, no "I ECO", os temas foram: Fábricas e Produtos; Qualidade e Eficiência; Segurança; Comercialização de Produtos. Em 1981, o escolhido foi A Companhia como Organização Multinacional e seus Princípios de Ação. Já o terceiro "ECO" se fixou na crise mundial e seus reflexos nas atividades da companhia, abordando principalmente as mudanças internas que propiciaram melhoria de produtividade.

A Caterpillar havia estabelecido objetivos concretos em torno de redução de custos e Melhoria de Qualidade. Por isso, este foi o principal assunto do "4º ECO". Já no 5º Encontro, realizado em 1984, optou-se por duas palestras e um grande painel de perguntas e respostas, numa tentativa de aumentar o nível de comunicação entre dirigentes e empregados. Para responder às perguntas foram convidados diretores e gerentes, que se revezaram nas diversas reuniões do programa.

ESTRUTURA

Pode-se dividir o "ECO" em quatro partes principais: abertura, palestras, mensagem do Diretor-Presidente e temas motivacionais.

Todos esses elementos foram contidos dentro de um contexto único que visa motivar, informar e servir de fonte geradora de atitudes positivas em relação à empresa. Cada programa tem sua característica própria no que se refere a suas sessões.

A proposta é realizar uma reunião agradável, de fácil compreensão e com volume adequado de informações. A duração de cada sessão é de 50 minutos, podendo chegar a sessenta e desaconselhando-se um prolongamento maior. Cada palestra dura entre 5 e 10 minutos, tentando manter um nível variado de informações. Os oradores são escolhidos preferencialmente entre os diretores, já que o "ECO" é encontro da alta administração com os empregados.

Os brindes, quando utilizados, têm três funções: chamar a atenção para o programa; representar uma recompensa à presença espontânea do empregado; e funcionar como recall das mensagens recebidas.

LOCAIS

Um dos maiores problemas enfrentados pelo ECO foi a escolha do local de sua realização, já que a empresa não dispões de auditório. Depois de várias tentativas, optou-se por realizá-los internamente, nos refeitórios gerais. Para tanto, foi elaborado um programa de limpeza e arrumação, além do treinamento de uma equipe de manutenção para a transformação rápida dos refeitórios em salas de reunião. Novo desafio: equipá-los com serviço de som, recursos para audiovisuais, filmes e videotapes. Além disso, o importante era programar as reuniões de tal maneira que não viessem a impedir as refeições.

Tudo foi sempre devidamente planejado, e os resultados obtidos compensaram plenamente os esforços, superando as expectativas.

Entendendo que nem todos possuem uma técnica de comunicação, a Divisão de Relações Públicas chegou aos mínimos detalhes, na elaboração dos textos de apoio, tais como ensinar sobre o correto uso do microfone, a posição no pódio e técnicas de redação.

RESULTADOS

Por tudo isso, o "ECO", na forma descrita, tem se mostrado um eficiente sistema de comunicação entre a administração e os empregados da Caterpillar Brasil S.A. A experiência acumulada em cinco anos mostra uma evolução constante da comunicação interna, valorizando o trabalho de Relações Públicas.

Originalmente publicado no Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 7, p. 20-21, nov. 1985, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

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