ATLAS DA ENERGIA ELÉTRICA DO BRASIL
Organização
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica
Profissional Responsável
Maria Alice Dalledone Machado
Ano da Premiação
2002
O "Atlas da Energia Elétrica do Brasil" é um
trabalho inédito na América Latina, tão rico em detalhes que pode ser
considerado um raio-X do verdadeiro potencial energético do país. Embora
concluído em 2002, o trabalho já está se tornando a "bíblia" de
pesquisadores, universitários, organizações não-governamentais e também as
ligadas aos governos federal, estaduais e municipais, além de investidores
locais e estrangeiros, interessados em desenvolver projetos no setor.
Constatação positiva deste trabalho é que os potenciais
hidráulicos, da irradiação solar, da biomassa e da força dos ventos são
abundantes para garantir a auto-suficiência energética do Brasil,
minimizando-se, desta forma, o fato de as reservas de combustíveis fósseis
serem relativamente reduzidas. Mas há também pontos extremamente
favoráveis no quesito social.
Organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL),
com o apoio da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), o trabalho está
levando esperanças de uma vida muito melhor para a população rural, aos
que vivem nas grandes e pequenas cidades e, principalmente, às comunidades
isoladas. Isso em razão de o Atlas oferecer informações completas,
inclusive socioeconômicas, para que se desenvolvam políticas e ações
práticas de modo a criar ou ampliar a oferta de geração, transmissão,
distribuição e comercialização de energia elétrica.

É emocionante verificar que a implantação, por parte da
ANEEL e instituições parceiras, de simples projetos de geração de energia
em comunidades isoladas no Norte e no Sudeste do país, por exemplo,
resultou na melhoria das condições de higiene, de emprego e renda dessas
populações que, até então, viviam sem nenhum acesso à energia elétrica.
São projetos que têm por base a utilização da força dos ventos ou da luz
solar.
Para que esses exemplos se repitam Brasil afora, a Área
de Comunicação Social da Agência, que conta com profissionais atuantes em
Relações Públicas, em conjunto com outras áreas, tem promovido a
democratização do acesso às informações do Atlas, dispondo o trabalho em
diferentes formatos: impresso, em CD-Rom e na internet (www.aneel.gov.br).
Além disso, a ANEEL dispõe de vídeos sobre trabalhos de
geração de energia elétrica em várias comunidades, com base em informações
compiladas pela Agência e que estão presentes no Atlas. Além de dispor do
estudo em diferentes meios, a ANEEL também promove sua difusão em eventos
diversos, especialmente os que têm reunido representantes dos
públicos-alvos do Atlas (pesquisadores, universitários, organizações não
governamentais e também as ligadas aos governos federal, estaduais e
municipais, entre outros). Difundir os conhecimentos expressos no Atlas de
Energia Elétrica do Brasil tem sido uma das grandes preocupações da ANEEL.
Com o Atlas, a Agência espera cumprir sua principal
meta, que é a de garantir a toda população brasileira, sejam pessoas
físicas ou jurídicas, o direito democrático a usufruir os benefícios da
energia elétrica.
O texto aborda dois aspectos fundamentais para a
compreensão do trabalho global da ANEEL em produzir o Atlas, que são: o
relato de como foi composto o Atlas de Energia Elétrica do Brasil, com
base em informações colhidas junto aos técnicos que participaram de sua
elaboração, e o detalhamento da atuação da Área de Comunicação da Agência,
que teve o propósito de disseminá-lo. A abordagem técnica, referente à
elaboração do Atlas, se faz necessária por uma simples questão de justiça
e homenagem aos que dedicaram preciosas e tensas horas nessa tarefa que,
certamente, vai mudar para melhor as perspectivas de crescimento e
desenvolvimento do Brasil.
OBJETIVOS
Em 1999 começava a surgir o Atlas de Energia Elétrica
do Brasil, um marco da recente história da ANEEL, criada para regular e
fiscalizar a geração, transmissão, distribuição e comercialização de
energia elétrica, entre outras funções, sempre com foco no interesse
público. A partir da conclusão da 1a. edição do Atlas, em 2002, a ANEEL
passou a ter um grande desafio: comunicar aos públicos-alvos e a toda
sociedade os objetivos do complexo e inédito trabalho e suas conseqüências
positivas para o país.
A Área de Comunicação da ANEEL tinha por meta obter
como principal retorno da elaboração do Atlas a melhoria da imagem
institucional da Agência perante a sociedade, o que deveria ser
conquistado paulatinamente (veja mais no item Estratégias). Outro aspecto
importante a ser despertado na sociedade, a partir da produção do estudo,
era fixar a imagem da Agência como referência no setor em que atua. Para
entender o que isso significa, convém conferir os objetivos da ANEEL com a
iniciativa.
Objetivos do Atlas
Diante das reformas promovidas pelo governo federal, o
Atlas torna-se um suporte para garantir mais eficiência às novas
configurações do Setor Elétrico Brasileiro, uma necessidade a partir da
desregulamentação do setor, em que a União passou de detentora de
monopólio à indicadora de investimentos no setor.
O Atlas se presta, ainda, a melhorar a comunicação e
articulação entre os diversos agentes envolvidos no desenvolvimento de
tecnologias, nos empreendimentos e projetos de geração e transmissão e
distribuição de energia presentes nas cinco regiões que formam o país.
Outra contribuição ao país feita pela ANEEL, ao criar o Atlas, é a
possibilidade de contornar eventuais cenários marcados pelo crescimento da
demanda, escassez de oferta e restrições financeiras, socioeconômicas e
ambientais à expansão do Sistema Elétrico.
O Atlas de Energia Elétrica do Brasil mostra isso ao
dedicar amplo espaço a informações sobre fontes alternativas de geração de
energia. O Atlas aponta, por exemplo, as localidades onde o país pode
buscar sua futura auto-suficiência, por meio da exploração mais eficaz dos
potenciais hidráulicos, pela irradiação solar, pela utilização de biomassa
vegetal e, também, pela força dos ventos. Tudo isso em um contexto de
preservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.
Mais um papel objetivo do Atlas é facilitar a captação
de recursos ao desenvolvimento do setor energético brasileiro.
De posse das informações técnicas reunidas no Atlas,
potenciais investidores aqui mesmo do Brasil e seus correlatos
estrangeiros podem vislumbrar para quais áreas geográficas e quais tipos
de projetos seus investimentos serão direcionados. Os investidores exigem
o mínimo de risco para alocar grandes volumes financeiros. O Atlas cumpre
muito bem este objetivo ao permitir que esses investidores privados,
interessados em desenvolver projetos de geração e comercialização de
energia, conheçam, com a maior riqueza possível de detalhes, o mercado e,
desse modo, desenvolvam seu planejamento com mais agilidade.
O Atlas também tem o objetivo de promover o
desenvolvimento de comunidades em todo o Brasil. Uma característica
importante do trabalho, que deixa claro este objetivo, é que humaniza o
aparente absolutismo dos números com a incorporação de informações
socioeconômicas nacionais e regionais.
Assim, dados sobre determinada região do Amazonas, por
exemplo, são contextualizadas com a devida complexidade: total de
população, indicadores socioambientais, índice pluviométrico, incidência
de ventos, sol e outras informações. É um verdadeiro raio-X das mais
diversas regiões do país, capaz de subsidiar teses acadêmicas ou projetos
de novos investimentos.
ESTRATÉGIAS
É fato que, hoje, a Agência Nacional de Energia
Elétrica participa direta e indiretamente do dia-a-dia da sociedade.
Atualmente, não se concebe tratar do tema energia elétrica e seus
desdobramentos sem pensar imediatamente em consultar a ANEEL, tamanha
importância que a Agência conquistou em cinco anos de existência. Os
diversos públicos reconhecem essa importância, um facilitador para que a
Agência pudesse traçar suas estratégias, tanto para compor o conteúdo do
Atlas quanto para divulgá-lo aos públicos de interesse.
Estratégias de Comunicação
Consciente de que o Atlas é um trabalho de interesse
dirigido, a ANEEL dividiu sua estratégia de divulgação em etapas. Versões
impressas do Atlas circularam o país em eventos diversos, que contaram com
participação de representantes da Agência.
Houve distribuição de exemplares às principais
universidades do país, de modo a contribuir com a comunidade acadêmica.
Entidades empresariais, tanto brasileiras quanto estrangeiras, também
foram alvo dessa ação. Governos estaduais e prefeituras, representantes de
ONGs, inclusive de áreas ambientais e de apoio social, tiveram a
oportunidade de conhecer a abrangência do trabalho, no tocante à
preservação ambiental, e no que se refere ao desenvolvimento comunitário,
a partir da utilização benéfica da energia elétrica.
Registrar casos de sucesso, em que projetos
incentivados pela ANEEL e instituições parceiras – como as universidades –
resultaram em satisfação plena das comunidades envolvidas foi, também,
outra estratégia adotada pela Área de Comunicação da ANEEL. Ao reunir em
vídeo várias experiências bem sucedidas, a Agência pretendia avançar mais
rapidamente no esforço de convencer comunidades e autoridades públicas de
que determinados projetos de geração de energia trariam múltiplos
benefícios socioeconômicos. A prática revelou que a estratégia adotada era
a mais adequada.
Os exemplares impressos do Atlas serviram para atiçar o
interesse dos públicos-alvos. Tanto que a tiragem inicial esgotou. A
demanda superou as expectativas.
O custo da publicação (150 páginas com excelente
acabamento) somado às constantes atualizações de boa parte das informações
fez com que a ANEEL adotasse a estratégia de fornecer o estudo em meios
mais econômicos e ágeis. A solução foi reproduzi-lo em CD-ROM para
resolver eventuais problemas de distribuição (necessária em eventos,
reuniões etc.) e, também, dispor seu conteúdo sempre atualizado no "site"
da Agência.
Essas soluções, no entanto, não fizeram com que a
Agência descartasse a versão impressa. Tanto que está previsto para 2003 a
impressão da 2a. edição do Atlas de Energia Elétrica do Brasil. A próxima
etapa da divulgação do Atlas será feita por meio da Assessoria de Imprensa
da ANEEL, que deverá provocar matérias relacionadas a grande parte do
conhecimento e dos casos presentes no Atlas.
Por meio da Imprensa nacional e estrangeira, será
concretizada a divulgação em massa, o que, certamente, ampliará a base de
interessados em acompanhar de perto a evolução do trabalho da ANEEL.
Até mesmo a participação da ANEEL neste Prêmio Opinião
Pública 2002, concorrendo em duas categorias, faz parte das estratégias de
disseminação do Atlas. A Agência pretende inscrever o mesmo trabalho em
vários outros concursos e premiações, com objetivo de difundi-lo aos mais
diferentes públicos.
Por ser uma iniciativa recente, as estratégias para
divulgação do Atlas ainda estão sendo estruturadas. Argumenta-se na ANEEL
promover concursos entre universitários e pós-graduandos, que tenham no
Atlas sua principal fonte de consulta; premiar contribuições ao trabalho
em suas futuras edições.
A Estruturação Técnica do Atlas
O Atlas foi concebido para aprimorar a atuação da
Agência, de modo a atender às expectativas dos diferentes públicos que
estão relacionados ao setor energético. O primeiro passo foi consolidar as
informações disponíveis sobre o setor e reuni-las em único volume,
contendo conjunto coerente e completo de estampas, gráficos, quadros e
também agregar outras informações inéditas, de forma a garantir
consistência ao trabalho. Ao longo da execução, a equipe responsável
vislumbrou que poderia servir como um guia para potenciais investidores,
além de vir a despertar interesse entre membros da comunidade acadêmica,
dispostos a desenvolver projetos e teses sobre o setor energético.
A base para o desenvolvimento do trabalho foi utilizar
informações georreferenciadas, ou seja, que podem ser visualizadas,
analisadas e interpretadas geograficamente. Este método de sintonia fina,
de aplicação recente no levantamento de dados do campo energético, é o
caminho mais curto e preciso para se ter uma percepção completa do setor,
pois facilita, entre outros fatores, a percepção de necessidades,
oportunidades, desafios e problemas específicos que se refletem na
totalidade do sistema.
As coordenadas geográficas são ferramentas essenciais,
tanto para orientar possíveis investidores como para pontuar ações a serem
desenvolvidas pelo agente encarregado de manter o equilíbrio entre a
oferta e a demanda de energia. Isto significa definir um raio de ação, que
vai do empreendedor ao consumidor final.
A localização espacial abre caminho para estudos como
quanta energia é gerada nas regiões, o grau de utilização, qual é o
histórico da evolução da demanda e do crescimento da oferta. São situações
que, a partir do georreferenciamento, facilitam a análise e a
interpretação dos dados e possibilitam, de maneira mais eficaz,
comparações entre territórios, setores de atividade e sistemas de geração
e suprimento de energia elétrica. No caso da geração, a utilização de
informações georreferenciadas também ajuda a identificar e evitar
investimentos inadequados. Quando se trata de geração, além de
possibilitar ao investidor a localização exata do projeto, garante acesso
a todas as variantes que podem comprovar sua viabilidade.
Isto pode ser mais bem ilustrado usando-se como exemplo
o município de Altamira, que ocupa uma área de 161.445,9 quilômetros
quadrados no Pará, estado cujos limites territoriais abarcam 1.253.164
quilômetros quadrados no Norte do país. Dizer que um empreendimento está
no Oeste do município não significa nada para quem precisa de dados para
referendar uma decisão. Isto muda completamente a partir de informações
que têm como base coordenadas geográficas e suas variantes, que
delimitarão claramente o campo de ação, ajudando na identificação, análise
e solução de problemas relacionados ao suprimento e à demanda de
eletricidade.
Pelo fato de a Agência ter acesso direto a muitas
informações de projetos apoiados e desenvolvidos o Atlas de Energia
Elétrica do Brasil pode ser constantemente atualizado, o que é fácil de
ser conferido na versão presente no "site" da Agência.
A ANEEL também teve que estruturar uma linguagem para
reunir o conjunto de dados, de modo a permitir seu uso e interpretação por
órgãos públicos, entidades acadêmicas e organizações não-governamentais.
Execução
Colocar em execução as estratégias de comunicação
iniciais do Atlas exigiu dedicação especial, ainda mais que seria
necessário organizar um bem elaborado e seleto "mailing list" de públicos
de interesse.
A grande dificuldade enfrentada pela ANEEL (já
superada), por incrível que pareça, foi lidar com o sucesso do trabalho.
Houve casos em que pessoas interessadas em obter ao menos um exemplar
impresso do Atlas pressionavam insistentemente técnicos da Agência.
Situações inusitadas como essa foram contornadas com a versão em CD e com
a inclusão da íntegra no "site" da ANEEL.
Para tentar compreender esta "histeria", convém
ressaltar que o setor energético já havia sentido a necessidade de um
produto do gênero há muito tempo. Faltavam a concepção e a articulação
para fazer o trabalho, o que só se mostrou viável a partir da criação da
ANEEL. Se considerarmos simplesmente o que apenas uma grande companhia
economizará em custos com pesquisa, por ter gratuitamente um exemplar do
Atlas mostrando os dados de que precisa, e ao multiplicarmos esta situação
por todos os potenciais interessados no assunto, vemos que a real
importância do Atlas é imensurável. Veja, a seguir, mais detalhes sobre
como foi executado o Atlas.
Elaborando o Atlas
O ponto de partida para elaborar o Atlas de Energia
Elétrica do Brasil foi reunir materiais, principalmente mapas do segmento
de transmissão. Outra preocupação que norteou o princípio do trabalho
desenvolvido pela Superintendência de Estudos e Informações Hidrológicas
foi buscar auxílio de um especialista em cartografia e geoprocessamento.
Outro obstáculo que devia ser superado eram as informações conflitantes do
banco de dados da ANEEL, situação atribuída ao breve período de atuação da
agência e à própria assimetria criada por publicações isoladas, com
objetivos específicos.
Uma das decisões foi estruturar um núcleo para
geoprocessar as informações sobre o setor elétrico. Os trabalhos foram
desenvolvidos, utilizando-se como referência as microrregiões definidas
pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
formadas por municípios com características socioeconômicas, climáticas e
ambientais comuns. No caso da hidroeletricidade, foram utilizadas como
referências bacias (oito grandes) e sub-bacias (em média, dez por bacia).
Uma das primeiras constatações dos responsáveis pelo
projeto foi a necessidade de maior articulação interna, assim como com
outras instituições, de modo a conseguir o volume de informações
necessárias para formatar o trabalho. Foi constatado que havia muita
defasagem em alguns campos e outros problemas, envolvendo, principalmente,
a localização de pequenos e médios empreendimentos. A maioria dos
documentos analisados tinha como principal deficiência a falta de
coordenadas geográficas.
Outro desafio para a equipe encarregada de elaborar o
Atlas envolveu a metodologia referente aos novos potenciais de geração de
energia. No caso da energia eólica, por exemplo, estão relacionadas desde
informações meteorológicas até medições específicas.
Como no estágio atual o quadro é de abertura de
mercado, com várias pessoas jurídicas na geração (concessionárias,
permissionárias, produtores independentes, autoprodutores), o trabalho
desenvolvido pela ANEEL procurou reduzir o máximo possível as assimetrias
de informações. Tudo isso com a premissa de uma necessidade de
diversificação, pois estava claro para os responsáveis pelas pesquisas que
a hidroeletricidade continuará dominando o cenário de geração de energia
no Brasil, mas que também está sujeita a restrições ambientais,
financeiras e técnicas.
Uma das preocupações do trabalho foi obter informações
junto a empresas governamentais, entidades privadas e de economia mista,
pelo fato de muitos órgãos do governo estarem recorrendo ao trabalho de
empresas e/ou consultores independentes.
Além de trabalhos técnicos produzidos pela Agência,
serviram de referência conteúdos do Centro Nacional de Referência em
Biomassa (Cenbio/USP), Centro de Referência para a Energia Solar e Eólica
Sérgio de Salvo Brito (Cresesb/Cepel), Centro Brasileiro de Energia Eólica
(CBEE/ UFPE), Centrais Elétricas do Brasil S.A. (Eletrobrás), Ministério
de Minas e Energia (MME), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Núcleo
Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe/Unicamp), Coordenação
dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia - Coppe/UFRJ, Laboratório de
Energia Solar (Labsolar/UFSC), Centro de Referência em Pequenas Centrais
Hidrelétricas (Cerpch/Efei), Associação Brasileira de Distribuidores de
Energia Elétrica (Abradee), Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) e
Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e
Aquecimento (Abrava).
FORMA DE AVALIAÇÃO
Como o Atlas é uma iniciativa recente, os instrumentos
de avaliação ainda estão sendo ou estruturados ou em fase de aplicação.
Não há números consolidados que demonstrem o impacto nos diferentes
públicos que tiveram acesso ao trabalho. Mesmo assim, há dados que
conferem certeza à ANEEL de que o produto é um grande sucesso e que vem
cumprindo seus objetivos.
Um exemplo é a quantidade de acessos à área de "download"
do Atlas no "site" da Agência. O arquivo que contém a íntegra do trabalho
é, nada mais, nada menos, do que o 4o. lugar em "downloads", com quase 14
mil acessos, medidos em agosto de 2002.
Outro indicativo do sucesso do Atlas se dá no plano
interno dos trabalhos executados pela Ouvidoria da ANEEL. Ao sistematizar
e consolidar o banco de informações da Agência, a Ouvidoria passou a
atender às demandas com muito mais agilidade, o que vem contribuindo para
a melhoria de desempenho da Instituição junto ao público.
No momento, a ANEEL prepara-se para tabular formulários
de avaliação e sugestões, encaminhados aos que receberam a publicação
impressa. A ANEEL busca informações sobre demandas de novos dados, formas
de consulta, classificação para o trabalho realizado, clareza do texto,
das ilustrações e dos esquemas, abrangência das informações e,
principalmente, pede sugestões de melhorias, nas quais se incluem
sugestões de temas que não foram, ainda, abordados. O resultado desta
avaliação estará presente na 2ª edição do Atlas de Energia Elétrica do
Brasil.
Avaliação da Equipe Técnica
A formulação do Atlas exigiu trabalho de avaliação do
conteúdo por parte da equipe responsável. Duas categorias de informação
foram levadas em consideração durante esta análise. A primeira categoria
envolveu as fontes de tecnologia de geração, onde se situam os chamados
potenciais energéticos, a disponibilidade de recursos e o que pode ser
aproveitado do ponto de vista técnico, econômico, geográfico. Neste campo,
foram consideradas as tecnologias de aproveitamento, os custos, os
empreendimentos já existentes, a localização, o porte, as principais
características e também os impactos (negativos e positivos) que causam à
sociedade.
A segunda categoria abordada envolveu aspectos
institucionais e socioeconômicos, que permeiam o setor elétrico, nos quais
se incluem a organização institucional decorrente da criação da ANEEL e da
reestruturação da Eletrobrás, o papel dos diversos agentes, a configuração
do Sistema Elétrico Interligado, a geração, a transmissão e distribuição
de energia no Sistema.
Como um Sistema de Informações Geográficas (SIG) para o
setor elétrico exige uma ampla gama de formatos dos dados para ser
desenvolvido, os pontos de partida para a elaboração do Atlas de Energia
Elétrica do Brasil foram: organizar as informações existentes, em que
prevaleceram como critérios a atualização e o máximo possível de
detalhamento, e diagnosticar sua qualidade.
No quesito atualização, muitos foram os casos de
informações antigas e que não cobriam a totalidade do território
brasileiro. No primeiro caso se encaixa o Censo Demográfico, realizado a
cada dez anos pelo IBGE. Como os números do último levantamento ainda não
estão totalmente tabulados, utilizou-se o trabalho de 1990.
Mas a ANEEL sempre considerou que, para que seja de
fato um instrumento de auxílio e orientação ao processo decisório, o Atlas
de Energia Elétrica do Brasil é um trabalho que precisa ser periodicamente
atualizado.
Na avaliação dos dados socioeconômicos, o suporte para
imprimir uma melhor estabilização estatística e visualização dos
indicadores foi o agrupamento das referências localizadas de dados
demográficos e sociais por município. Na ausência de informações sobre
determinados municípios, a referência foi a unidade da federação.
Como o Brasil não é uma ilha isolada no mundo
energético, o Atlas teve a preocupação de incorporar dados de outros
países, com base no biênio 1998-1999. Preservou-se a finalidade de dar
visão panorâmica de aspectos globais como disponibilidade de recursos
energéticos utilizados em grande escala.
RESULTADOS ALCANÇADOS
Os resultados obtidos pela ANEEL a partir da execução
das estratégias de comunicação do Atlas refletiram positivamente na imagem
institucional da Agência, que vem conseguindo amplo sucesso ao promover a
democratização no acesso à energia elétrica. E isso também se reflete na
imagem tanto da Instituição quanto do próprio país no exterior, justamente
pela ANEEL ser responsável pelos leilões relacionados às concessões para
atuação no setor energético, dos quais muitos investidores estrangeiros
participam e que, agora, passam a contar com as preciosas informações do
Atlas.
Há, porém, um resultado muito mais importante do que
esses, retratados pelos depoimentos concedidos por representantes de
comunidades, das mais diversas, sobre como suas vidas melhoraram após a
implantação de projetos alternativos de geração de energia elétrica (a
partir de energia eólica, solar, óleos vegetais etc.), com incentivo da
ANEEL e instituições parceiras.
São relatos insuperáveis, quando comparados a números e
estatísticas. Amostras desses depoimentos, que incluem, também, falas de
engenheiros e outros técnicos, que participaram da implantação desses
projetos, estão gravados em vídeos, que hoje compõem o acervo da Agência.
Esses projetos de geração somente puderam ser executados graças aos dados
coletados e reunidos pela ANEEL e outras organizações e que figuram no
Atlas de Energia Elétrica do Brasil.
Biomassa
Temos o caso das distantes Comunidade do Roque e da
região de Carauari, ambas situadas no Amazonas. Sem possibilidade de
expandir linhas de transmissão em boa parte da região amazônica, a solução
encontrada para gerar energia nessas localidades foi o uso da biomassa
vegetal, no caso, a extração do óleo de andiroba, planta abundante naquela
área. A andiroba vinha sofrendo processo de extração completa, inclusive
da árvore, por parte dos moradores, que vendiam a carga às madeireiras. A
energia elétrica produzida a partir do óleo de andiroba se mostrou bem
mais barata e ecologicamente correta do que a utilização de geradores a
óleo diesel. Além de causar mais poluição com esse sistema, as barcas
consumiam mais diesel do que a quantidade que transportavam para essas
comunidades - uma fonte inesgotável de prejuízos, portanto.
A partir da implantação do projeto da andiroba, as
populações das duas localidades foram conscientizadas de que deveriam
promover uma extração mais racional da planta. Passaram, então, a colher
apenas o fruto e não mais cortar a árvore. Em vez de repassarem às
madeireiras com exclusividade, os moradores começaram a utilizá-la para
extrair o óleo (que seria utilizado nos geradores de energia elétrica),
como medicamento e até como sabão. Sem mencionar que o resíduo sólido do
processo de extração do óleo pôde ser utilizado como ração animal.
Com a utilização rotineira de energia elétrica advinda
da andiroba, os moradores puderam desenvolver atividades antes restritas
pela escuridão ou pela precariedade das lamparinas. Uma das mais
importantes: estudar. Além disso, o projeto tratou de promover melhorias
nos hábitos da população, especialmente, no que se refere à higiene
pessoal. Os moradores puderam bombear água do rio para consumí-la, somente
após o tratamento adequado. Essa nova prática reduziu sensivelmente a
incidência de doenças entre crianças e adultos.
No entanto, para chegar a esse quadro visivelmente
positivo, os responsáveis pela implantação do projeto observaram que as
etapas iniciais, de convencimento da população, deveriam atingir
principalmente as mulheres, que demonstravam mais percepção em relação aos
benefícios que as mudanças proporcionariam. Outro fator importante foi
envolver as crianças, que animam toda a comunidade para as novidades
propostas. Atualmente, a Comunidade do Roque produz mais de 120 litros de
óleo de andiroba por dia, suficiente para garantir o suprimento de energia
elétrica ininterrupta a seus moradores.
Outros projetos em andamento promovem a produção de
energia elétrica à base de óleos de dendê, murumuru e babaçu. Para se ter
uma idéia do potencial brasileiro de produção de óleos vegetais para gerar
energia elétrica, o país poderia produzir o equivalente a 6 milhões de
barris de petróleo por dia, de acordo com estimativas da Embrapa.
Energia Eólica
O Atlas de Energia Elétrica do Brasil também oferece
informações detalhadas sobre as melhores regiões para se investir na
geração de energia elétrica a partir da força dos ventos, a energia
eólica. A ANEEL incentiva projetos nesse segmento, apontado pela Agência
Internacional de Energia como responsável pela geração de 20% da energia
do planeta a partir de 2040. No Brasil, a região Nordeste oferece grande
potencial nesse sentido. No município de Aquiraz (CE) está localizada a
maior usina de geração de energia eólica da América Latina, que atende 100
mil pessoas. Os técnicos acreditam que naquela região é possível gerar em
energia elétrica o equivalente a uma Itaipu. Além de ser considerada uma
"energia limpa", que não polui e não provoca danos ao meio ambiente, a
energia eólica oferece outras vantagens: as turbinas que captam a energia
dos ventos são fabricadas no Brasil e, em apenas 6 meses, é possível
estruturar uma usina de grande porte. Um exelennte estímulo à geração de
empregos e renda.
O resultado de projetos incentivados pela ANEEL nessa
área pode ser conferido na turística ilha de Fernando de Noronha (PE),
onde apenas uma turbina já é responsável pela geração de 25% da energia
elétrica consumida pelos moradores e turistas, o que contribui para
reduzir o impacto ambiental dos geradores movidos a diesel.
Energia Solar
Na região do Alto Rio Solimões (AM), fronteira com
Colômbia e Peru, e na cidade litorânea de Cananéia (SP) uma mesma
situação: comunidades isoladas, sem energia elétrica, observaram um salto
na qualidade de vida impressionante após implantação de projetos da ANEEL
de geração de energia elétrica, a partir da instalação de placas com
células fotovoltaicas, que captam a energia solar.
Segundo técnicos que implantaram esses projetos, a
geração de energia solar é barata, limpa e o potencial a ser explorado é
gigantesco. Imaginando-se que o homem fosse capaz de captar apenas 30
minutos de toda a luz solar incidente sobre a Terra, teria reserva de
energia elétrica para mover o planeta por um ano. No Brasil, que conta com
incidência de sol em praticamente todos os dias do ano, é possível
fabricar as placas de captação de energia solar a custos inferiores aos
dos norte-americanos e alemães, por exemplo.
Essa facilidade de produção e de implantação a custo
baixo fez a alegria de moradores de Araras, em Roraima. Lá os técnicos
contratados pela ANEEL e por universidade parceira desenvolveram um
projeto híbrido, utilizando células fotovoltáicas e óleo diesel. A meta é,
no futuro, excluir os geradores a diesel.
RESULTADOS TÉCNICOS
A metodologia de recorrer a uma forma de fácil
compreensão para apresentar os dados consolidados das pesquisas realizadas
ajuda a visualizar, de forma clara, os resultados alcançados pelo
trabalho, que originaram o Atlas de Energia Elétrica do Brasil. Ao ordenar
o material em 11 capítulos, ilustrado com 74 figuras (mapas,
representações e fotografias) e 45 tabelas, a ANEEL deu ênfase à forma
didática para apresentar dados referentes à geração e exemplos de
aproveitamento das fontes de geração de energia (solar, hidráulica,
biomassa, eólica, petróleo, carvão, gás natural e nuclear), facilitando,
com base em números mundiais e nacionais, o cruzamento e a análise de
dados.
A primeira constatação é que o Brasil não precisará
depender apenas dos combustíveis fósseis para conseguir auto-suficiência
em energia.
O Atlas aponta que uma forma de geração energética que
tem grande espaço para crescer é a solar, pelo fato de a maior parte do
território brasileiro estar próximo à Linha do Equador. O exemplo do
município baiano de Capim Grosso, onde painéis solares são utilizados para
bombear água, é um exemplo do impacto social do desenvolvimento de
sistemas fotovoltaicos para produzir energia solar em comunidades ainda
não alcançadas pelo sistema nacional de distribuição, principalmente nas
regiões Norte e Nordeste.
No mesmo caminho está a biomassa. Dados do Balanço
Energético Nacional de 1999 apontavam que a participação da biomassa na
produção de energia no Brasil chegava a 3%, principalmente pelo uso do
bagaço de cana-de-açúcar (1,2%), com grande potencial de desenvolvimento
nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.
O impacto da cana-de-açúcar na geração pode ser medido
pelo número de termelétricas à biomassa em operação no país em janeiro de
2002, com capacidade instalada de 992 MW, ou 1,4% de toda a capacidade de
geração instalada no país. A maioria está instalada em São Paulo e apenas
sete utilizam outros resíduos para gerar energia, tais como madeira e
casca de arroz.
Neste contexto também se encaixa a geração eólica, cujo
potencial no Brasil é estimado em 60.000 MW. Aqui pode ser um exemplo da
importância da continuação dos estudos envolvendo fontes alternativas de
geração. Até poucos anos, o potencial estimado era de 20.000 MW. Os
melhores potenciais estão no litoral das regiões Norte e Nordeste. A
participação da energia eólica no parque gerador brasileiro é considerada
desprezível - em janeiro eram seis centrais de geração, com capacidade
para 18,8 MW (80% no Ceará). Mas há indicativos concretos de mudança neste
quadro, por existirem empreendimentos em outras regiões, como interior da
Bahia, do Rio de Janeiro e de Pernambuco.
Ao condensar estas informações, o Atlas de Energia
Elétrica do Brasil aponta caminhos para o país criar alternativas à
predominância da energia hidráulica na matriz nacional (42%) e na geração
de energia produzida (90%). Mas, neste campo, os reflexos da
reestruturação do sistema estão dando espaço ao crescimento de pequenas
centrais hidrelétricas, e, mais uma vez, a região Norte surge como grande
campo para o desenvolvimento de projetos.
O Atlas cobre as fontes de energia mais usuais. Não
alcança, ainda, as consideradas protótipos, como a geotérmica, oceânica
(aproveita ondas e marés), que devem se consolidar a médio e longo prazos,
percorrendo o mesmo caminho das atuais fontes alternativas.
A ANEEL está certa de que o Atlas de Energia Elétrica
do Brasil vai se consolidar como um parâmetro para decisões que garantam o
desenvolvimento de projetos, que facilitarão o desafio do Brasil de manter
sua auto-suficiência energética.