COMUNICAÇÃO
EFICAZ SUPERA DESAFIO
Organização
Fazendas
Reunidas Boi Gordo
Profissional
Responsável
Antônio
De Salvo
Assessoria
Externa
ADS – Assessoria de Comunicações Ltda.
Ano
da Premiação
1998
Nesta nova era da incerteza, empresas e até países podem sucumbir
sob o peso de suspeitas infundadas. Ter algum ponto de contato com o último que tombou
pode provocar a fúria da manada, gerando uma reação incontrolável.
Esta foi a
grande ameaça enfrentada pela Fazendas Reunidas Boi Gordo no primeiro semestre de 1998,
quando teve de absorver o impacto da inadimplência de sua maior concorrente, justamente
no momento em que se efetuava a regulamentação do setor de parcerias em pecuária de
corte.
Conseguiria
uma empresa idônea, em meio ao estardalhaço da mídia, fixar na mente dos seus clientes
a diferença que havia entre ela e aquela outra companhia? Ou seria levada de roldão pelo
pânico injustificado, capaz de provocar uma corrida aos guichês, resgates extemporâneos
em cascata e um fatal desequilíbrio financeiro?
A luta seria
travada pela Boi Gordo no corpo-a-corpo com a imprensa e os clientes. E, na linha de
frente, estava a ADS Assessoria de Comunicações, que desde julho de 1994 lhe dava
atendimento em Relações Públicas. Os objetivos eram os únicos cabíveis na
administração de crises: acima de tudo, assegurar a preservação da Boi Gordo e do seu
mercado; e, ao longo do processo, minimizar os prejuízos.
ESTRATÉGIAS
A
grande visibilidade da Boi Gordo em 1996, com o sucesso do merchandising na
telenovela O Rei do Gado e ações complementares de Relações Públicas, inspirou
o surgimento de um concorrente com planos grandiosos, mas sem o necessário conhecimento
da produção rural. Em pouco tempo, ficou evidente para a Boi Gordo que aquela companhia
marchava para a insolvência.
A
estratégia traçada pela ADS foi, nessa fase, posicionar sua cliente como a empresa que
exigia transparência e fiscalização do mercado, visando garantir a segurança dos
investidores. Assim, o presidente da Boi Gordo, Paulo Roberto de Andrade, solicitou ao
governo federal, em fevereiro de 1997, a regulamentação do sistema de parcerias.
Em janeiro de
1998, a Comissão de Valores Mobiliários recebeu tal atribuição, passando também a
fiscalizar o mercado o que, avaliou-se, acabaria expondo a situação precária da
concorrente.
Antecipando-se
aos acontecimentos, a ADS definiu com o presidente da Boi Gordo as primeiras medidas para
enfrentar a crise e providenciou as peças a serem utilizadas no day after: cartas
aos parceiros e a autoridades, press-release, informe publicitário. Além disto,
ficou definido que Paulo Roberto de Andrade centralizaria as informações e seria o
único porta-voz da companhia; e marcou-se um media trainning para ele.
Quando,
em fevereiro de 1998, a situação da segunda maior empresa do setor começou a
deteriorar-se e as queixas de parceiros por ela desatendidos inundaram o noticiário, este
se tornou cada vez mais adverso para o mercado como um todo.
A avaliação
da ADS foi a de que a Boi Gordo tinha credibilidade suficiente para enfrentar a crise de
peito aberto. A estratégia básica neste período, portanto, foi a de manter absoluta
transparência, tomando a iniciativa de contatar clientes, prospects, autoridades e
imprensa para transmitir-lhes informações corretas e desfazer suas dúvidas; mandando
cartas de esclarecimento a todos que fizessem afirmações errôneas ou divulgassem
informações distorcidas; e concedendo todas as entrevistas solicitadas.
EXECUÇÃO
Comunicados de imprensa, cartas, contatos telefônicos, almoços,
entrevistas: a Assessoria de Imprensa permaneceu durante algumas semanas em mobilização
permanente, prestando esclarecimentos a repórteres, editores, colunistas, articulistas,
comunicadores da mídia eletrônica e, inclusive, a um deputado. Como tinha a verdade ao
seu lado, o desafio era fazê-la chegar a todos os envolvidos no processo.
Eram
freqüentes as alusões ou insinuações de que as empresas do setor operariam no sistema
de pirâmide; extrapolava-se o caso isolado da insolvente, apontando-o como o provável
futuro das demais. Em cada um destes casos, fez-se um contato direto para mostrar o erro
cometido e tentar obter uma retificação. Nem todos concordaram em admitir a falha
publicamente, mas nenhum reincidiu nas afirmações infundadas.
A ADS montou,
ainda, pastas de referências com material publicado na imprensa nos últimos anos que
ajudasse a entender aquela situação, colocando-as à disposição dos jornalistas;
assessorou visitas de repórteres incumbidos de verificar in loco se o gado existia
mesmo; e orientou a Boi Gordo a contratar auditoria da empresa e do plantel (realizada
pela Trevisan e Associados) e a incluir em sua home page a relação completa de
fazendas, com número de registro no Incra, área e quantidade de reses.
Almoços
foram marcados para Paulo Roberto de Andrade explicar a situação, olho no
olho com os jornalistas. Sua firmeza e serenidade, nas entrevistas e também nas
conversas off the line, foram fundamentais durante aqueles meses críticos de
março, abril e maio. Tendo passado pelo media trainning da ADS, sabia de antemão
que tipo de questionamento poderia sofrer. Assim, manteve-se inabalável diante das
perguntas mais descabidas. Impressionava o interlocutor com a convicção que irradiava
o que é fundamental para quem faz da sinceridade seu trunfo.
E, como o maior perigo que rondava a Boi Gordo era uma possível
revoada dos seus parceiros, ênfase especial foi dada à comunicação com os
investidores. Cartas de Paulo Roberto de Andrade, redigidas pela ADS, mantiveram-nos
informados de cada desdobramento da situação e até anteciparam alguns fatos.Finalmente,
seguindo a orientação da ADS, a Boi Gordo preparou com muito cuidado seus efetivos para
a tempestade que se desenhava no horizonte.
Os
profissionais da Central de Atendimento ao Parceiro receberam, por exemplo, novas
instruções, para atuar de forma mais personalizada nesta fase. E, por sugestão da ADS,
Paulo Roberto de Andrade e sua diretoria passaram a fazer reuniões semanais com gerentes
e representantes comerciais, informando-os de tudo que ocorria e renovando sua confiança
no futuro do empreendimento. Assim, os profissionais de vendas se mantiveram motivados e
eficientes na atuação corpo-a-corpo com os investidores.
FORMA DE
AVALIAÇÃO
O principal
objetivo foi, obviamente, atingido: a preservação da Boi Gordo. E os levantamentos
estatísticos de expansão em número de parceiros e em número de cabeças
informação que a empresa fornece sistematicamente ao mercado permitem aquilatar
exatamente o que se passou no primeiro semestre de 1998.
RESULTADOS
O trabalho desenvolvido junto aos parceiros se revelou duplamente
vitorioso: não só evitou uma possível debandada, como levou a uma intensificação das
reaplicações.
Os prospects,
previsivelmente, foram prejudicados. Mesmo assim, a Boi Gordo registrou crescimento no
período de janeiro a junho de 1998: os parceiros aumentaram 11% (de 13.000 para 14.237) e
o plantel, 9% (de 110 mil para 120 mil cabeças). E, atestando que as intempéries não
impedem a empresa de cumprir seus compromissos, deu novo salto no total de arrobas
resgatadas por seus parceiros: 1,87 milhões em apenas seis meses!
Um atestado
de que os esforços de administração da crise cumpriram seu objetivo foi a eleição de
Paulo Roberto de Andrade como Líder Empresarial Setorial do segmento de Carne e
Pecuária, por votação direta dos assinantes do jornal Gazeta Mercantil,
realizada exatamente no segundo trimestre de 1998.
Imprensa e
mercado reconheceram que suas suspeitas eram infundadas, o que gerou good will para
com a Boi Gordo. Assim, o Grupo decidiu intensificar sua expansão. Além de deslanchar
sua atuação no Brasil, ampliando significativamente a rede de representações, vai
oferecer suas parcerias no exterior, com a instalação de escritórios internacionais.
O terceiro
trimestre foi tão favorável que as previsões são de fechar 1998 com resultados
superiores ao do ano passado.
Tudo
indica que, depois de superar uma crise de proporções avassaladoras em seu mercado, a
Boi Gordo está iniciando um segundo boom, capaz de ultrapassar o de 1996.

Transcrição
adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná