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CASA NOVA PARA O GAPA/RS
Organização
GAPA/RS Grupo de Apoio à Prevenção da
AIDS do Rio Grande do Sul
Profissional Responsável
Patrícia Lusia Carneiro da Silva
Ano da Premiação
1996
Uma das questões mais prementes no universo das entidades sem fins
lucrativos, independentemente de suas função social, tem sido a criação e execução
de mecanismos para auto-sustentação financeira de seus projetos e custos institucionais.
Em virtude de sua condição de país em desenvolvimento, o Brasil sempre
teve na área social auxílio significativo da cooperação internacional para
manutenção e desenvolvimento de projetos governamentais e não-governamentais em áreas
prioritárias, como saúde, educação, habitação. Em resumo, questões de qualidade de
vida da população.
O PROBLEMA
A partir da década de 90 esses financiamentos têm sido progressivamente
diminuídos por diversas razões, dentre as quais a destinação de verbas para a
reconstrução do Leste Europeu. As medidas de contenção da epidemia de HIV/AIDS nos
países do Terceiro Mundo e em desenvolvimento, nos anos 80, receberam atenção da
comunidade internacional, que injetou uma parcela significativa de recursos para a
criação de organismos locais de prevenção e assistência às populações atingidas.
No Brasil, existem 387 organizações não-governamentais que desenvolvem
importantes trabalhos em contato direto com as comunidades, especialmente as de baixa
renda. No entanto, um fato novo se apresenta, em razão da escassez de recursos e da falta
de apoio local. A maioria das entidades vem enfrentando sérias dificuldades na
continuidade de seus projetos. Quando não, a desestruturação de suas infra-estruturas
institucionais. Outras têm procurado criar estratégias ancoradas nas abordagens de
marketing social, adequando-se a esse novo panorama de busca de recursos e da criação de
condições a partir de suas localidades.
Um dos maiores agravantes em relação à busca de parecerias e da
auto-sustentação se refere ao estigma da epidemia, que se diferencia de outras questões
que têm maior facilidade de apoio público, como a da infância e da juventude ou mesmos
outros temas na área da saúde pública. A epidemia de AIDS está relacionada a uma serie
de tabus que geram um panorama negativo frente à opinião pública em geral. Apoiar a
luta contra AIDS, até bem pouco tempo, não se encaixava nas políticas de imagem de
grandes empresas ou personalidades mais conservadoras que detêm o poder econômico no
país.
Para criar uma reversão de imagens neste quadro, se fez necessário um
esforço planificado de Relações Públicas, um plano que captasse novos parceiros
possibilitando fontes locais para auto-sustentação. A abordagem escolhida foi a
aproximação da questão AIDS, de personalidades com credibilidade na comunidade gaúcha,
visando, desta forma, obter uma imagem fashion e moderna como sinônimos na luta
contra a epidemia.
O GAPA/RS
O Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS GAPA/RS é uma organização
não-governamental, sem fins lucrativos, que atua no Estado, sendo reconhecida como
entidade de utilidade pública e como importante prestadora de serviços de apoio
relacionados à AIDS, baseados em trabalho voluntário.
Criado em 3 de abril de 1989, o GAPA/RS tem por objetivo básico lutar por
melhores condições de vida e assistência às pessoas com HIV/AIDS. Por opção
política, prioriza os segmentos economicamente marginalizados, grupos despojados de
projeção social ou proeminência política.
Atualmente, vem desenvolvendo práticas preventivas da infecção pelo HIV e
de outras doenças sexualmente transmissíveis, por meio de campanhas educativas e
massivas, que contam com parcerias de veículos de comunicação e agências de
publicidade.
O primeiro momento de planejamento da comunicação do GAPA/RS data de 1992.
Por intermédio de uma parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
representada pela Faculdade de Comunicação, iniciou-se a implementação do atual
Núcleo de Comunicação.
Em termos de comunicação externa, no ano de 1995 desenvolvemos, mediante
parcerias, uma nova linha de campanhas preventivas, dentre as quais se destacam:
 | Campanha gráfica "AIDS: Cenas da vida": produzida pela
MPM:Linthas, compô-se de uma série de oito cartazes de prevenção e estímulo à
solidariedade, foi premiada em Cannes e escolhida pelo Ministério da Saúde para
representar o Brasil na XI Conferência Internacional de AIDS, em Vancouver,
Canadá.
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 | Campanha "Bichos": em rádio e tevê, produzida pela DCS
Comunicações, cujo spot "O Pinto" ganhou o prêmio de Melhor Comercial
do mês da RBS Rádio e está concorrendo ao Troféu RBS Rádios de Criatividade.
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Neste ano contabilizamos 80.000 pessoas diretamente atingidas em eventos
promovidos pelo GAPA/RS, para sensibilização sobre a questão. Por outro lado, são
oferecidos diversos serviços e apoio às pessoas portadoras de HIV/AIDS, totalizando um
atendimento na sede de 500 pessoas por mês, e um alcance indireto de 2.000/mês
(incluindo pessoas soronegativas que buscam informações ou prevenção).
Para manter todos esses serviços o GAPA/RS conta com financiamento parcial,
para projetos específicos, de entidades internacionais, o que nos estimula a buscar
estratégias para sustentação, manutenção e ampliação dos serviços oferecidos a
comunidade.
OBJETIVO GERAL
Reverter a imagem estigmatizada da epidemia de HIV/AIDS, a partir dos
conceitos moda e modernidade, visando ampliar o número de
colaboradores e de doadores, física e juridicamente, para a auto-sustentação financeira
do GAPA/RS.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 | Criar um nível de aceitação pública da causa "AIDS" que
possibilite, a longo prazo, a formação de uma Associação de Amigos do GAPA/RS.
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 | Estabelecer parcerias com empresas para doação de serviços especializados,
com o intuído de realizar campanhas periódicas em caráter preventivo para a comunidade
gaúcha.
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 | Ampliar a decodificação da função social do GAPA/RS junto à população
gaúcha em geral.
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 | Aumentar a aceitação da marca GAPA/RS, incentivando a adesão filantrópica
para a contribuição financeira.
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METAS
Definido os objetivos, estabelecemos metas frente ao atual contexto.
Projetando uma duração de 12 meses, pretendemos:
 | arrecadar, em 12 meses, R$200.000,00 para a reforma completa da sede do
GAPA/RS e a criação de um fundo de projetos;
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 | organizar, em seis meses um mailling-list de 2.000 nomes vip's da
cidade de Porto Alegre, para doações mensais e para repasse de informações sobre a
entidade;
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 | divulgar, de três em três meses, balanços parciais de arrecadação;
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 | inaugurar, no final de 12 meses, a nova sede do GAPA/RS, estimulando uma
política de "portas abertas".
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ESTRATÉGIAS
 | Vinculação da marca GAPA/RS a imagem de personalidades de diferentes
segmentos sociais formadores de opinião no Rio Grande do Sul.
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 | Campanha de doação financeira massiva composta de três instrumentos de
arrecadação (camisetas, doação telefônica e doação bancária).
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CONCEPÇÃO OPERACIONAL
A execução dessas estratégias demandou uma série de esforços desde
janeiro de 1996. Em fórum aberto a todos os integrantes da entidade, a direção do
GAPA/RS expôs a situação financeira decorrente do término de projetos financiados.
O Núcleo de Comunicação, então, propôs um projeto institucional de
doações, a ser executado a curto prazo (12 meses) de forma emergencial. Traçados os
objetivos e as estratégias, estabelecemos parceria inicial com a agência de publicidade
DCS planejando, primeiramente, a linha da campanha publicitária. Essa linha teria que ter
uma materialidade para a motivação das doações. Optou-se pelo mote publicitário em
torno da sede da entidade que está bastante avariada.
Esse processo de planejamento foi intenso, sofrendo várias modificações em
sua idéia original pela prática de discussão ampliada das linhas de comunicação do
GAPA/RS em fóruns que o voluntariado pôde opinar, servindo como um group discussion,
dada a diversidade dos integrantes da entidade.
Durante esse processo de discussão, descartou-se qualquer forma de apelo
emocionando, em relação AIDS, utilizado amiúde em campanhas dessa natureza, em virtude
dos estigmas da epidemia. Optou-se por uma linha bem humorada, que não tocasse em
qualquer forma de preconceito ou vitimização.
A campanha de prevenção, executada anteriormente, teve o mesmo tom bem
humorado, suscitando um alto índice de aceitação pública. Em pesquisa realizada pelo
Núcleo de Comunicação do GAPA/RS, no período de marco a abril de 1996, 80% dos
entrevistados aprovaram o tom humorístico da campanha, que se destacava dos apelos
lúgubres que freqüentemente são abordados nas campanhas de prevenção.
Justifica-se essa postura porque, apesar da AIDS ser encarada como uma
questão trágica, ela está envolvida com um aspecto prazeroso, a sexualidade. O vínculo
que deveria ser feito, portanto, era com a vida, a saúde e não com a morte. A partir
desses dados, elaboraram-se quatro spot's de rádio de 60 e de 30, seis
anúncios gráficos para jornal, quatro vídeos para televisão, arte para outdoors,
moving size, um cartaz para agências bancárias e volante para distribuição em
locais públicos.
Paralelamente à parte publicitária, executou-se uma série de contatos com
personalidades de destaque da sociedade gaúcha para apoio à campanha e vinculação de
suas imagens ao GAPA/RS.
Através de uma apoiadora informal da entidade, Sra. Tânia Carvalho,
jornalista cultural de destaque no Estado, partimos para um processo de envolvimento e
esclarecimento sobre o GAPA/RS em pequenas reuniões VIP's . Esses grupos colocaram à
nossa disposição suas listagens de endereços e de contatos pessoais, servindo para
localizar pessoas até o momento não vinculadas à causa.
Estabeleceu-se, também, uma pareceria, pela repercussão da campanha
anterior, com o empresário Silvio Sibemberg, proprietário de uma das maiores redes de
lojas de moda jovem no Estado do Rio Grande do Sul, que sempre teve uma linha de
comunicação ousada ligada a temas jovens. Com essa parceria, foram criadas duas
camisetas que foram comercializadas por sua rede.
A execução de material publicitário vinculou a imagem de 10 personalidades
à reforma da casa, transformando-os em Top Models do GAPA/RS. Ainda nesta parte
operacional, foram acertadas a disponibilidade de uma linha telefônica, por intermédio
da Companhia Riograndense de Telecomunicações, e o apoio da operação bancária pelo
Banco do Estado do Rio Grande do Sul.
EXECUÇÃO
Acertada a operacionalização, tratou-se de executar o lançamento da
campanha envolvendo as personalidades contatadas, transformadas em Top Models do
GAPA/RS. Nesse evento social, de caráter VIP, se apresentariam todas as peças da
campanha tornando-as um fato de interesse da mídia. O evento foi planejado para ser um
fato cultural na cidade de Porto Alegre. Procurou-se a casa noturna de maior destaque, a Micro
Cervejaria Dado Bier, ponto obrigatório dos fashionistas da cidade e,
para apoiar a campanha, o seu proprietário foi incluído, em parceria, como "Top
Model do GAPA/RS".
Lançada a campanha no dia 9 de setembro de 1996, no dia seguinte todas as
lojas Gang já vendiam as camisetas com displays dessas personalidades em todo o
Estado, num total de 12 lojas. A campanha publicitária esta no ar com apoio da Rede Brasil Sul de
Comunicações (RBS Rádios e TV's) e nos principais jornais da cidade de Porto
Alegre com veiculação regional.
A estratégia de lançamento vem se repetindo nas
principais cidades do interior (Caxias, Pelotas, Passo Fundo), com a vinculação de
personalidades locais. Como a campanha está em andamento, ainda estão previstas as seguintes
ações:
 | estande do GAPA/RS na 42ª Feira do Livro de Porto Alegre, com
venda de camisetas, divulgação da entidade e plantão de informações;
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 | Ação Entre Amigos, com objetos doados (jóia e quadro do
artista plástico Fernando Baril) para os VIP's da cidade de Porto Alegre, com
divulgação em coquetel no Ristorante II Gattopardo (ponto sofisticado da cidade),
com apoio da empresária Eleonora Rizzo, no dia 2 de dezembro;
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 | show público ao ar livre em parceria do Instituto Cultural Norte-Americano,
na praça da Encol, com a cantora Laura Fincohiaro, em comemoração ao Dia Mundial de
Luta Contra AIDS, no dia 1º de dezembro, com divulgação do balanço parcial
da campanha em termos de arrecadação tem-se a previsão da presença de 2.000
pessoas;
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 | Operação Verão nas praias gaúchas, com venda de camisetas e
distribuição de preservativos;
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 | pesquisa de opinião a ser realizada para mensuração de impacto inicial da
campanha na primeira quinzena de dezembro 1996 no interior e na capital do Rio Grande do
Sul.
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TRÊS
FORMAS DE AVALIAÇÃO
 | Avaliação de Processo resultados operacionais, que se medem pelos
seguintes itens:
 | desenvolvimento e execução das peças publicitárias conforme planejamento
e cronograma;
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 | impacto do lançamento em mensuração de centimetragem de mídia não paga;
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 | número de presenças no evento de lançamento;
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 | número de parceiros envolvido no desenvolvimento da campanha.
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 | Avaliação de Êxito resultados parciais das estratégias do projeto,
que se medem pelos seguintes itens:
 | número de vendas de camisetas;
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 | número de telefonemas e doações bancárias;
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 | número de colaboradores VIP's do GAPA/RS após a campanha;
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 | índice, obtido por pesquisa de opinião pública, de aceitação da marca
GAPA/RS.
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 | Avaliação de Impacto os resultados finais do projeto em dimensões
de opinião pública, que se medem pelos seguintes itens:
 | índice da opinião púbica de aceitação de vínculo filantrópico na luta
contra a AIDS, apurado pela pesquisa de opinião;
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 | índice de impacto da campanha e do conhecimento da função social da
entidade, apurado pela pesquisa de opinião;
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 | reforma total da sede do GAPA/RS.
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RESULTADOS ALCANÇADOS
Ainda que parciais, os resultados alcançados indicam que os objetivos e
metas estão sendo cumpridos.
No balanço de um mês de campanha foram vendidas 2.000 camisetas, recebidos
1.000 telefonemas e 500 doações bancárias de diversos valores. O lançamento da
campanha vinculando personalidades como Top Model do GAPA/RS causou grande repercussão de
mídia. Estabeleceram-se parcerias com importantes setores empresariais em termos de
mídia e de doação de serviços.
A central de atendimento telefônico do GAPA/RS registrou um aumento de 50%
no pedido de informações sobre a entidade (1.000 ligações/mês).
Nos meses de setembro e outubro verificou-se a inscrição de 50 pessoas para
voluntariado sistemático nos serviços da entidade.
O fato mais importante é que em regiões de grande resistência (como no
interior do Estado, onde há um vínculo importante entre AIDS e homossexualidade) a
presença de um representante identificado com o setor tradicionalista, engajado na
campanha, vem ajudando a diminuir as resistências. Observa-se que há um nivelamento nas
vendas de camisetas, doações bancárias e ligações telefônicas entre o interior
proporcionalmente com a capital.
O valor arrecadado no primeiro mês de campanha foi de R$15.000,00,
projetando-se um aumento desse valor em 20% para o período de outubro a dezembro, em
razão da temporada primavera-verão. Dos modelos de camisetas, a de maior saída tem sido
a que vincula o comprador como Top Model do GAPA/RS. Esse indicador aponta para a
consecução da fixação da marca GAPA/RS.

Originalmente
publicado no CONRERP em Ação, São Paulo, v. 5, n. 7, p. 2, dez. 1996, editado
pelo CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná
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