Campanhas de Opinião Pública

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A BATALHA DOS PESADOS

 

Organização

Volvo do Brasil

Profissional Responsável

João Pedro Correa

Ano da Premiação

1982

 

APRESENTAÇÃO

O título "A Batalha dos Pesados" serve para definir o trabalho de Relações Públicas da Volvo do Brasil objetivando introduzir e ampliar nacionalmente o conceito do caminhão pesado.

Na verdade, a vinda da Volvo ao Brasil está diretamente ligada ao perfil da frota de veículos de carga e de passageiros – inadequada quanto às características dos ônibus e dos caminhões utilizados no mercado.

Quando decidiu implantar no país uma fábrica de veículos pesados, a Volvo observou que o mercado de transportes de carga era baseado em caminhões médios e leves, o que encarece em muitos os custos de transportes num país como o Brasil com suas dimensões continentais. Era imperioso que o país possuísse uma frota de caminhões pesados bem maior que os inexpressivos menos de 10% que tinha na ocasião. Afinal de contas, países como os Estados Unidos possuíam 85% e a Suécia 65%; enfim, as nações desenvolvidas possuem sempre mais que 50% de caminhões pesados em sua frota.

No setor de transporte de massa, tratava-se de uma frota envelhecida e sobretudo tecnologicamente ultrapassada, não correspondendo mais à nova realidade brasileira. Afinal, o desenvolvimento do país, a conjuntura econômica mundial e nacional, a crise do petróleo com seus reflexos nos hábitos da nossa sociedade, estavam a exigir um novo padrão de transporte de massa.

A proposta da Volvo era mudar o perfil da frota, aumentando a participação dos caminhões pesados, o que traria benefícios incalculáveis à economia do país, economizando bilhões de dólares à utilização racional dos veículos e salvando milhares de vidas humanas em razão da diminuição do número de acidentes fatais nas estradas.

Para enfatizar a necessidade e a importância do caminhão pesado no mercado brasileiro, a Volvo desenvolveu um plano nacional de Relações Públicas, mostrando todas as implicações que uma participação maior de veículos com maior capacidade de carga poderiam provocar.

Tratava-se de um trabalho difícil, de médio prazo e que teria de ser definido a partir de uma série de constatações importantes.

Por exemplo: nunca chegou a se registrar no Brasil uma preocupação maior por causa da composição da frota brasileira de veículos de carga e da pequena participação dos pesados; a imprensa especializada não tinha força suficiente para impor o tema como de prioridade nacional; a grande imprensa comentava o assunto esporadicamente, mas sem maior profundidade ou continuidade; as montadoras de caminhões pesados instaladas no país aparentemente estavam satisfeitas com suas vendas e não viam razão para abrir o debate em torno do assunto.

Assim, cabia à Volvo levantar o assunto, aprofundar a discussão em todos os setores, elevando-o ao nível de uma prioridade nacional. A Volvo é reconhecida como a primeira indústria automobilística a discutir abertamente a questão no país. E o fez usando todos os meios disponíveis.

Uma intensa atividade de Relações Públicas junto à imprensa, com press-releases, entrevistas coletivas de diretores e técnicos, conferências em seminários, cursos e eventos afins, visitas à fábrica com grupos de jornalistas, empresários, técnicos, acabou provocando resultados altamente positivos.

O tema "caminhão pesado" ganhou destaque nos órgãos especializados e na chamada "grande imprensa". Dos 25 metros de colunas mensais de jornais e revistas que a Volvo tem mantido em média desde a estruturação do trabalho, uma porcentagem muito grande – talvez 70% – faz abordagens ao assunto.

Na esfera oficial, todos os órgãos de governo foram contatados e tiveram oportunidades de debater exaustivamente os conceitos da Volvo sobre pesados. Como resultados destes encontros e, evidentemente de outros estudos já em desenvolvimento àquela época, houve uma série de recomendações governamentais que viriam em benefício do uso do caminhão pesado. Entre as medidas pode-se citar uma Recomendação do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Governo Federal, decisões ministeriais em favor dos pesados como menor taxa do IPI para caminhões pesados. Atualmente, as próprias entidades de classe, dentre elas a Associação Nacional de Transportes de Carga – ANTP – estão desenvolvendo gestões para facilitar a aquisição do caminhão pesado.

Todos estes esforços vêm ao encontro da atividade da Volvo de abrir espaço para os pesados no mercado nacional. É bom lembrar que na fase em que procurou sedimentar a argumentação em torno dos pesados, a empresa nunca apelou para os aspectos comerciais dos seus veículos, ficando simplesmente no conceito do "pesado".

Se para a Volvo do Brasil foi importante ter desenvolvido um trabalho de inegáveis benefícios ao país – já que, como previsto, a concorrência também melhorou seus produtos – para o setor de Relações Públicas da empresa foi gratificante sentir o resultado do seu trabalho junto às diversas comunidades.

Ganhou a Volvo por ter acordado o país para a vulnerabilidade do seu mercado de transportes, ganhou o mercado por começar a dar mostras de recuperação – embora lenta, mais aí por razões outras – e ganhou a atividade de Relações Públicas por ter provado na prática sua validade como instrumento de comunicação com os diversos públicos.

OBJETIVO

O trabalho desenvolvido pela Volvo do Brasil objetivava despertar o país para a urgente necessidade de adaptar seus sistemas de transportes de carga e de passageiros à nova realidade mundial.

Na verdade, foi justamente o descompasso entre o que havia a oferecer no mercado e o que precisava ser feito em matéria de transporte no Brasil, que originou o projeto de instalação de uma fábrica da Volvo na cidade de Curitiba, para produzir ônibus e caminhões.

Para que se possa melhor entender "A Batalha dos Pesados" – o trabalho de Relações Públicas da Volvo do Brasil, objetivando a ampla divulgação da importância do veículo pesado e as vantagens de sua maior participação no mercado brasileiro – seria oportuno relembrar, rapidamente, um pouco da história da empresa.

UM POUCO DE HISTÓRIA

No começo dos anos 30, em Gotemburgo, na Suécia, logo após ter iniciado a produção de veículos automotores, a Volvo começou a exportá-los para o Brasil. Sua receptividade, aqui, foi ótima, mantendo uma posição muito boa no mercado durante as décadas seguintes.

Quando a indústria automobilística nacional começou a crescer, contando com decisivo apoio oficial, o governo decidiu pôr fim às importações de veículos, o que determinou a retirada da Volvo do mercado brasileiro, para tristeza de seus clientes, deixando saudade junto aos usuários dos seus produtos.

Com efeito, ainda nos dias de hoje, passados mais de 25 anos, observam-se antigos caminhões Volvo rodando por todo o país, em plena operação – motivo de orgulho de seus proprietários que não sabem dizer em quanto seus veículos já ultrapassam a marca de 1 milhão de quilômetros rodados. Constatava-se, assim, que a Volvo, com seu sólido prestígio no mercado, possuía um verdadeiro patrimônio no Brasil e que há mais de um quarto de século não podia explorá-lo.

Em 1972 o Governo Federal decidiu criar a BEFIEX – um organismo que se incumbiria de estimular as explorações através da concessão de benefícios fiscais. Era uma oportunidade como essa que a Volvo esperava para poder viabilizar um projeto de grande alcance no país. Assim, começou a se esboçar, na Suécia o projeto Volvo do Brasil.

MERCADO E RELAÇÕES PÚBLICAS

O Brasil possui um dos maiores mercados de caminhões do mundo e, assim, era natural que a Volvo também se interessasse por ele. O que ela pretendia, no entanto, não era simplesmente "entrar" no mercado. A intenção era fazer de sua entrada um bom negócio para os dois lados, oferecendo na contrapartida produtos ao mercado que pudessem representar o encaminhamento de soluções para melhorar os sistemas de transportes do país.

Após detalhada análise do sistema brasileiro de transporte, a Volvo constatou lacunas enormes que bem poderiam ser exploradas por uma nova marca no mercado. A mais flagrante delas mostrava um país de dimensões continentais, rodoviaristas por excelência, poucas ferrovias, com cerca de 70% de todo o transporte de mercadorias sendo feito por estradas e – esse o ponto essencial – baseado na utilização de caminhões inadequados quanto ao seu porte ideal.

Aí estava, pois, um grande filão a ser explorado: caminhões pesados. Justamente uma faixa em que a Volvo possuía uma posição singular em todo o mundo, sobretudo na Europa, um mercado de grande competição.

Com o projeto em pleno desenvolvimento, o governo sugeriu à Volvo para produzir também ônibus em sua fábrica brasileira, levando em conta que o transporte de massa no país estava muito aquém do desejado, utilizando-se de uma frota envelhecida, tecnologicamente atrasada e necessitando urgente modernização.

Aceitando, a Volvo propôs-se, então, a trazer ao Brasil seus modernos ônibus, considerados muito seguros, de grande capacidade, de maior conforto e de alta confiabilidade, como parte das soluções que o transporte público precisava.

Em cima destes dados básicos, deveria se desenvolver o trabalho de Relações Públicas da empresa, objetivando levantar o debate em torno da importância do veículo pesado no mercado brasileiro, destacando suas inúmeras vantagens para o país.

Tratava-se, sem dúvida, de plano de certa forma ambicioso e ao mesmo tempo difícil pelas razões que veremos no capítulo "estratégica", mas que por isso mesmo se constituía num desafio estimulante que qualquer profissional gostaria de enfrentar.

A atividade de Relações Públicas fazia parte de um plano muito mais amplo, definido pela Volvo e dentro do qual a reação da imprensa era de vital importância. A empresa utilizaria todos os seus canais para que a idéia do pesado passasse a ser considerada como de importância nacional. O trabalho de Relações Públicas, neste contexto, era, então, decisivo.

ESTRATÉGIAS

Dentro do seu planejamento global de atividades, a Volvo estabeleceu sua estratégia de atuação, no campo de Relações Públicas, levando em consideração algumas constatações que julgava muito importante. Por exemplo:

O Brasil nunca havia se preocupado de maneira clara com o problema e as conseqüências da falta de caminhões pesados em sua frota. Discutia-se, e assim mesmo sem continuidade, alguns temas ligados ao transporte, como a preferência pelas rodovias, a não modernização e ampliação das ferrovias, o transporte de cabotagem, o fluvial e assim por diante. Contudo, a composição da frota de veículos de carga e a racionalização do transporte nunca chegaram a se constituir numa discussão mais profunda e abrangente, nacionalmente.

O governo sempre esteve mais preocupado com a extensão das suas rodovias, para atingir novas fronteiras de desenvolvimento, do que propriamente com a sua utilização pelos veículos de carga. Na realidade, somente há pouco tempo é que se começou a ser discutida a regulamentação do transporte rodoviário de cargas (TRC).

A imprensa brasileira especializada em transportes, não era numericamente grande e tampouco suficientemente forte para impor a colocação do tema "racionalização do sistema de transporte" entre as prioridades nacionais. A única publicação brasileira, com características apropriadas para abordar o assunto, a revista Transporte Moderno, de São Paulo – já batia nessa tecla há tempo. Outros órgãos, como o jornal Veículo, revistas O Carreteiro, Boléia (esta criada recentemente), BR (vinculada à Associação Nacional de Transportes de Cargas – NTC), se ocupavam de outros aspectos ligados à atividade transportadora.

A chamada grande imprensa brasileira, representada pelos principais jornais e revistas de informação, comentava esporadicamente o assunto em suas colunas de economia e transporte, sem jamais fazer dele um tema para acompanhamento profundo e contínuo.

As montadoras de caminhões pesados instaladas no país, aparentemente estavam satisfeitas com suas participações no mercado e, em conseqüência, não viam necessidade de abrir este tipo de debate.

Para a Volvo, pois, era essencial levantar a questão, romper o silêncio e levar o assunto em forma de debate até onde fosse possível. Mesmo considerando que a produção de seus caminhões começaria somente dentro de dois anos (1980), era preciso começar cedo a preparar o caminho.

Um dos primeiros profissionais contratados pela Volvo do Brasil foi o de Relações Públicas, isto em julho de 1978, quando apenas terminavam os trabalhos de terraplanagem e estava prestes a começar a construção da fábrica, na Cidade Industrial de Curitiba. Afinal, para Relações Públicas estava reservada uma tarefa bastante árdua: difundir ao máximo a mensagem da Volvo, procurando sensibilizar governo, imprensa e empresários quanto às vantagens do caminhão pesado e da modernização da frota brasileira de transporte, tanto de cara quanto de passageiros.

Estabeleceu-se que o trabalho de Relações Públicas na área de imprensa deveria ser bastante intenso sobretudo no campo, isto é, buscando o contato pessoal com os jornalistas em todos os pontos do país, procurando mostrar-lhes o alcance da proposta da Volvo no mercado brasileiro.

Anúncios institucionais deveriam ser veiculados na imprensa, especialmente nos órgãos especializados, enfatizando as vantagens que o aumento de caminhões pesados poderia trazer à economia brasileira.

Um intenso programa de viagens pelas capitais e principais cidades brasileiras foi estabelecido, sendo os executivos da Volvo sempre acompanhados do profissional de relações públicas que organizava encontros com jornalistas e com outros setores ligados ao transporte. Assim, ao mesmo tempo em que se dava maior divulgação à mensagem da Volvo sobre pesados, aproveitava-se para atrair candidatos a concessionários nas respectivas regiões.

Paralelamente esboçava-se um outro programa de visitas de grande importância à área oficial e entidade de classe. Embora o projeto tivesse sido aprovado pelo Governo Federal, era preciso discuti-lo nos escalões inferiores, dirimindo dúvidas, esclarecendo ponto por ponto, eliminando barreiras, rompendo bloqueios, enfim, provando que as vantagens que se atribuía aos caminhões pesados eram factíveis.

A estratégia preconizava ampla divulgação a uma parte do projeto de implantação da Volvo do Brasil, justamente aquele que continha uma detalhada análise do mercado brasileiro, mostrando todo o seus potencial e sua distorção.

Neste sentido, a Volvo procuraria inicialmente sensibilizar a imprensa especializada com o conteúdo do estudo, partindo daí para uma discussão bem mais profunda, abrangendo toda a imprensa e de transportes em visitas à sua fábrica em Curitiba durante as quais se debateria o assunto exaustivamente.

Além disso, a empresa procuraria participar ativamente de todos os eventos importantes no País e que tivessem relação com o transporte brasileiro, seja de carga ou de passageiros. Assim, aconteceu com os encontros da Associação Nacional de Transportes Público (ANTP) ou nas reuniões do Conet Intersindical da NTC – Associação Nacional de Transportes de Carga –, quando os associados debatem, sobretudo, as tarifas de carga. Sempre que possível, a empresa procuraria fazer conferências, com seus executivos e técnicos levantando o debate em torno dos pesados.

O Superintendente da Volvo, Sr. Tage Karlsson, dizia que só ter um bom produto não basta – é necessário sair a campo para vendê-lo. O mesmo princípio se aplicava ao campo das idéias. A Volvo tinha um conceito importante a transmitir ao Brasil e era necessário todo esforço no sentido de divulgá-lo ao máximo.

Enfim, "A Batalha dos Pesados" tinha sido declarada e era essencial que cada responsável, no seu front, fizesse o que estivesse ao seu alcance.

No que diz respeito à opinião pública, a responsabilidade era ainda maior porque a imprensa funciona como uma espécie de caixa de ressonância do que acontece junto à comunidade e os bons temas que fossem levantados nesta área teriam, com certeza, boa cobertura e contínuo acompanhamento.

Esse era um dos pontos essenciais do trabalho porque, graças à sustentação do assunto junto aos meios de comunicação de massa, seria possível conseguir progresso em outros países.

EXECUÇÃO

Ter uma boa idéia não é tudo. É preciso passá-la adiante para que produza seus efeitos. No caso da Volvo, o desafio dos pesados ganhava uma dimensão toda especial porque se tratava de uma empresa transnacional que se instalava no País e fora do eixo Rio–São Paulo.

A Volvo do Brasil, contudo, não é uma multinacional como qualquer outra. Seu projeto possui sensíveis diferenças e isso pesou bastante na hora do trabalho junto à opinião pública brasileira.

Antes de tudo, na hora de se instalar no país, a Volvo procurou se associar a grupos brasileiros. Assim, 60% das suas ações ordinárias, com direito a voto, ficaram em mãos de grupos paranaenses e isto a tornava, à luz da legislação vigente no país, uma empresa brasileira. A Volvo do Brasil simplesmente não consta entre as subsidiárias da AB Volvo, da Suécia, para surpresa de muitos.

Sem qualquer dúvida, essa integração é um dos aspectos importantes do projeto brasileiro da Volvo e isso foi devidamente explorado junto aos meios de comunicação. Na realidade, esta joint-venture é um bom exemplo do que uma associação de capital estrangeiro com sólidos grupos locais, pode fazer pelo desenvolvimento do país.

Além das diferenças como essa, a Volvo possuía um outro trunfo, importantíssimo, que era uma contribuição positiva à economia do país. Em outras palavras, sua preocupação não estava simplesmente em vender um produto, mas criar bases para fixar no Brasil um novo conceito em transportes.

O trabalho de Relações Públicas deveria ter, pois, um alcance muito grande. Através dos meios de comunicação, era preciso abrir o debate em torno dos pesados, mas isto deveria ser feito de forma gradual, começando das informações mais banais até profundas discussões técnicas em encontros e seminários. Numa tarefa desta envergadura, todo o potencial humano da empresa, na verdade não muito grande na ocasião, estava empenhado.

Na área de relações com a imprensa adotou-se uma linha de full disclosure, o que a beneficiou em muito. Assim, se de um lado os jornalistas tinham interesse em conhecer melhor o projeto da Volvo, de outro, a empresa estava empenhadíssima em discutir o mercado de pesados e suas implicações na economia brasileira.

No começo do trabalho, fins de 1978 e 1979, era preciso ser bem didático nos press releases e nos contatos pessoais com os jornalistas. Com algumas exceções, era necessário esclarecer o que significava o termo "caminhão pesado" e porque ele era importante para a economia do país e para a segurança nas estradas.

Mostrava-se que o caminhão pesado levava duas vezes mais carga que um médio e que isso trazia uma série de vantagens: o consumo de combustível de um caminhão pesado era pouco superior ao de um médio, levando o dobro da carga. Precisava-se de apenas um caminhão e não dois, o que significava apenas um motorista, uma entrada apenas em oficinas; utilizando um veículo de maior capacidade, seria possível diminuir consideravelmente o número de caminhões rodando pelas estradas brasileiras, o que provocaria uma redução substancial do número de acidentes fatais para sensibilizar qualquer não-iniciado na matéria e conseguir sua aderência à causa.

Em relação à imprensa especializada, a Volvo descia a outro nível de detalhes, analisando a frota brasileira de caminhões, distorcida, com uma participação muito grande de veículos médios, o que era inadequado no caso do país com suas dimensões continentais.

Num período relativamente curto, o tema "caminhão pesado" ganhou destaque na imprensa de todo o Brasil, graças ao empenho com que a empresa se lançou nessa tarefa.

Um programa de visita de executivos da Volvo às diversas capitais brasileiras sempre incluía um encontro com a imprensa, organizado pelo profissional de Relações Públicas, no qual o tema "caminhão pesado" inevitavelmente surgia para ser questionado.

Como não poderia deixar de ser, a empresa concentrou boa parte de sua atenção à grande imprensa, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, cidades onde se encontram sediadas as maiores publicações. Com base na divulgação de seus conceitos nesses órgãos, ficava mais fácil atingir outros Estados brasileiros.

Este trabalho de campo nos Estados também foi bem sucedido com a imprensa mostrando um interesse muito grande em relação ao projeto Volvo.

Um dos resultados mais gratificantes que a Volvo registrou, foi a divulgação de parte do seu projeto de longo prazo, que analisava o mercado brasileiro de ônibus e caminhões. Contendo um número apreciável de informações sobre os segmentos de transporte de massa e de carga, o trabalho da Volvo conduzia à conclusão de que efetivamente o país necessitava urgentes e profundas modificações em seus conceitos de transporte.

Nele se mostrava um perfil bastante claro do transporte de mercadorias no Brasil, do transporte público e o quadro energético. Depois de passar em vista o desenvolvimento dos mercados de caminhões e ônibus, o trabalho resume as oportunidades de negócios, mostra seus riscos e conclui pela estratégia a ser adotada.

Em seu estudo, a Volvo mostrava que a vocação brasileira era pelas rodovias e esta tendência deverá durar por muito tempo. Preconizava o crescimento dos demais meios de transportes, mas concluía que o rodoviário teria preferência.

A lógica do raciocínio, amparada pelos dados estatísticos, provocava nos jornalistas uma conclusão clara: o projeto Volvo era um "ovo de Colombo", fadado ao mais amplo sucesso, malgrado a crise econômica que dominava o país e a própria crise internacional cujos ventos sombrios sopravam da mesma forma, contra.

Paralelamente ao trabalho junto aos meios de comunicação, a Volvo defendia seus conceitos noutros setores não menos decisivos: na área de governo. Embora o seu projeto tenha sido aprovado pessoalmente pelo então Presidente Ernesto Geisel, era necessário o estabelecimento de contatos com todos os escalões oficiais ligados ao transporte para acertar outros detalhes.

Nestes organismos discutiam-se todos os aspectos de transporte, desde a necessidade de aumento de caminhões pesados na frota brasileira até viabilidade do uso de caminhão com dois ou mais semi-reboques, atualmente chamados de "treminhão".

Todos os ministros da área econômica mantiveram inúmeros encontros com os representantes da Volvo, discutindo transporte. Na condição de Presidente da Comissão Nacional de Energia, o Vice-Presidente da República, Dr. Aureliano Chaves de Mendonça, também discutiu aspectos relacionados aos caminhões pesados com diretores da Volvo.

A troca de informações tem sido contínua desde o começo das atividades da empresa no país com vários órgãos federais como CDI, BEFIEX, Comissão Nacional de Energia, CACEX, setores do Ministério dos Transportes, do Ministério da Fazenda, da Secretaria de Planejamento da Presidência da República e assim por diante.

Foi um trabalho paciente, longo, difícil e que, na realidade, ainda continua, pois se é verdade que muito já se conseguiu em termos de modificação de tendência, muito está por se definir dentro do processo de aperfeiçoamento da legislação brasileira sobre o segmento de transportes.

Na área das entidades de classe também foram concentrados esforços por parte dos representantes da Volvo. Órgãos como a Associação Nacional de Transporte Público, a Associação Nacional de Transportes de Carga, Sindicatos, órgãos oficiais da administração municipal ou estadual tinham interesse em conhecer melhor as idéias da Volvo para discuti-las internamente.

A Volvo sempre procurou estar presente nos encontros promovidos por entidades como essas, seja como assistente, seja como conferencista, por intermédio de seus técnicos, debatendo os trabalhos em discussão.

Em diversas ocasiões, a Volvo reuniu platéias diferentes para discutir seu projeto e o mercado de transportes do Brasil. Numa oportunidade, foi quase uma centena de empresários de transportes, presentes à uma reunião do Conet Intersindical em Curitiba; noutra, foram os diplomados da Escola Superior de Guerra, depois os alunos e professores da ESG; houve mesmo uma reunião, que marcará época, com mais de 60 carreteiros de todo o país que vieram à fábrica da Volvo em Curitiba para discutir o que fazer para poder comprar um caminhão pesado.

A essência da mensagem era a necessidade do país melhorar seus sistemas de transportes de massa e de carga. Não se abordava comercialmente as vantagens do caminhão ou do ônibus Volvo.

A tese dos pesados ganhava assim novos e importantes aliados e isso já dava uma certa sensação de vitória.

Mesmo a localização da fábrica da Volvo na Cidade Industrial de Curitiba não chegou a representar desvantagem do ponto de vista da cobertura da imprensa. É claro que os esforços tinham de ser redobrado por parte da Volvo, para compensar o fato de estar fora do eixo Rio–São Paulo.

No que diz respeito à grande imprensa, praticamente todos os principais jornais do Rio e de São Paulo possuem sucursais ou correspondentes em Curitiba, da mesma forma que as revistas. Quanto aos especializados em transportes, uma vez aberto o canal de comunicação entre fábrica e redação, não houve jamais problemas de continuidade.

Hoje, qualquer tema de caráter nacional, geralmente conta com o ponto de vista da empresa, o que lhe garante o devido peso no contexto nacional. A facilidade para o trabalho da imprensa fez da Volvo do Brasil uma empresa de imagem bastante simpática, nacionalmente.

O conceito do caminhão pesado, difundido pela Volvo é, hoje, um fato nacional. É claro que a empresa sabia que não seria nada fácil modificar uma tendência tão dominante num país como o nosso. O que se pode garantir, contudo, é que atualmente já existe uma inclinação pelo uso dos pesados e este era o objetivo maior.

É possível que em 1990, o Brasil ainda não possuirá 40% de sua frota constituída por caminhões pesados como seria desejável, mas com certeza terá um percentual muito maior do que viria a ter, se as coisas corressem no ritmo em que estavam.

Assim, a Volvo sente-se sensibilizada pela acolhida de sua mensagem, o que representa uma significativa contribuição ao mercado brasileiro. Quanto ao trabalho de Relações Públicas, este pode se sentir gratificado por haver desenvolvido com pleno sucesso, mais uma importante missão.

RESULTADOS

Um trabalho de longo alcance como este, torna difícil a mensuração de seus resultados. Na realidade, desde julho de 1978, quando passou a contar com a assessoria de um profissional de Relações Públicas, a Volvo foi conquistando paulatinamente mais espaço nos jornais e revistas. A partir de 1979 o volume de material veiculado na imprensa sobre a empresa chegava, em média, a 20 metros coluna.

Com o início de produção, indicação de concessionários, e comercialização mais agressiva nos vários estados da federação, este volume aumentou, chegando a render, só no mês de inauguração da fábrica, dezembro de 1980, a 160 metros de coluna. A média, atualmente é da ordem de 25 metros.

Todas as edições mensais dos recortes de jornais e revistas arquivadas no Departamento de Comunicações da Volvo do Brasil estão à disposição para verificação. Nelas se constatara que cerca de 70% do material publicado durante o ano de 1979 se refere aos estudos da Volvo sobre o mercado de pesados.

O material publicado em jornais e revistas do Brasil sobre o assunto dos pesados indica que a mensagem da Volvo alcançou todos os cantos do país. A cobertura de rádio e televisão sobre o assunto que também foi bastante expressiva. Nas entrevistas coletivas e visitas de executivos da Volvo às diversas capitais, procurava-se sempre contatos com as televisões que, em muitas oportunidades, transmitiram entrevistas falando da Volvo e seus conceitos de transporte.

Transcrição adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná