PARA
DEFENDER MELHOR A CATEGORIA, A ASSOCIAÇÃO PRECISAVA SER MELHOR CONHECIDA
Organização
AEDESP
Associação dos Empregados Domésticos de São Paulo
Profissional
Responsável
Ângela
Feio Silva
Ano
da Premiação
1980
Como conseguir, sem nenhuma verba, implantar uma campanha de
Relações Públicas para promover uma associação de classe junto à opinião pública e
ao governo?
Este desafio foi aceito pela Inform e, aos poucos, a tenacidade dos
que se envolveram com o problema superou as dificuldades existentes.
Este, de todos os casos laureados com o Prêmio Opinião Pública de
1980, é com certeza o que mais completamente atesta a importância do uso de Relações
Públicas pela comunidade, em seu próprio benefício.
A ORGANIZAÇÃO
A Associação dos Empregados Domésticos de São Paulo AEDSP
foi fundada em 1962. Desde aquela época veio desenvolvendo trabalhos em defesa da
categoria que representava, atuando em razão de estender à categoria os benefícios da
Consolidação das Leis do Trabalho e oferecendo cursos de especialização a seus
associados.
Em 1976, entretanto, um grande impulso foi dado às suas atividades:
a Inter-American Foundation, agência independente do governo federal norte-americano,
colocou recursos à disposição da entidade para que esta se desenvolvesse de forma mais
coordenada.
Foi então que a associação sentiu necessidade de maior suporte em
suas atividades de comunicação, pois agora suas condições de oferecer benefícios a um
número maior ainda de associados realmente tinham sido melhoradas. E, em conseqüência,
a AEDSP entrou em contato com a Inform, que aceitou a conta mediante pagamento simbólico
e, depois, sem nenhuma remuneração.
OBJETIVOS
A Inform, empresa especializada em consultoria de Relações
Públicas, sugeriu dois objetivos a serem cumpridos em curto prazo.
CATEGORIA DESUNIDA E NÃO INTEGRADA
Todas estas medidas objetivaram transformar a imagem da entidade de
forma a aglutinar em torno dela o maior número possível de empregados domésticos de
São Paulo. Tratando-se de categoria profissional extremamente desunida e despida de
consciência de categoria, nada mais natural que os poucos associados apresentassem
escassa participação nas atividades da AEDSP e que a associação tivesse pouco espaço
junto aos órgãos de opinião pública. Somava-se a isto a falta de traquejo da diretoria
em lidar com veículos de imprensa e autoridades, o que prejudicava mais ainda a
projeção da AEDSP.
A coordenação das atividades esteve a cargo de Ângela Feio Silva e
a supervisão geral foi entregue a Vera Giangrande, diretora da Inform. A CBB&A
Castelo Branco & Associados Propaganda planejou, criou e executou todas as peças de
propaganda da campanha, sem cobrar nada da associação e as pesquisas estiveram a cargo
de alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing e da Fundação Armando Álvares
Penteado.
AÇÕES
Além das atividades de comunicação interna levadas a efeito, como
a instalação de um jornal mural e a confecção de placas internas de sinalização,
buscou-se maior aproximação com os associados.
Uma análise do cadastro de associados mostrou que dos 1541 inscritos
mais de 60% haviam se filiados nos primeiros três meses de existência da AEDSP e apenas
20 associados freqüentavam assiduamente a entidade. Partindo destas informações,
buscou-se localizar e aproximar as associadas afastadas e criar normas que evitassem a
perda de contato com as associadas que deixassem de freqüentar a associação.
Simultaneamente foi iniciado um movimento de aproximação com outras
entidades profissionais e associações de domésticas, muitas delas ligadas a paróquias;
a tentativa de aproximação foi vagarosa mas insistente, pois deveria mostrar que não se
objetivava a absorção ou a fusão de entidades e, sim, o intercâmbio entre grupos.
Até o final de abril de 1978, ano e meio após o início dos
trabalhos, 13 grupos de domésticas já haviam sido contratados, sendo que oito deles já
haviam concordado em participar de reuniões na AEDSP e em recebê-la em suas sedes para
outras reuniões.
DIVULGAÇÃO EM MASSA
Para a divulgação em massa de existência da associação e de suas
realizações, buscou-se intensificar a freqüência de comunicados à imprensa. E, embora
os jornais e as revistas não tenham sido destacados o interesse voltou-se mais para a
televisão e, principalmente, para o rádio; assim, constatou-se que, quando a entidade
era mencionada em programa populares, a afluência de domésticas à AEDSP aumentava
sensivelmente.
Sentiu-se nítida alteração no comportamento da imprensa no
decorrer dos trabalhos; no início de 1977 a imprensa já demonstrava bastante interesse
na associação, especialmente por parte das emissoras de rádio. Durante o ano de 1977,
somaram 20 as participações da AEDSP na imprensa, sendo oito pelo rádio, três em
revistas, seis em jornais e três pela televisão.
Uma abordagem interessante foi a levada a cabo pela revista Negócios
em Exame, da Editora Abril, que enfocou o poder de decisão de compra das empregadas
domésticas e o interesse da AEDSP em conseguir patrocinadores para sua campanha de
publicidade.
Já em 1978 a participação da entidade na imprensa foi de maior
vulto; nos primeiros quatro meses do ano houve cinco abordagens pelo rádio, cinco em
jornais, uma em revista e uma na televisão. E, o que é mais importante, três das
abordagens em rádio foram participações das associação em programa e sempre com pelo
menos dez minutos de duração cada.
Como demonstrativo do conceito que a AEDSP atingiu, basta lembrar que
a entidade foi convidada a participar de um programa de televisão, gravado no Rio de
Janeiro e transmitido por importante rede nacional de televisão, ocasião em que veio a
ocupar o lugar da Associação de Domésticas do Rio de Janeiro, entidade originalmente
convidada a participar.
RESULTADOS
Foi um longo trabalho, o de posicionar junto à opinião pública e
aos próprios associados a importância da AEDSP; os resultados obtidos, entretanto,
permitiram constatar com certeza a importância de um plano de Relações Públicas bem
estruturado e plenamente cumprido.
Mesmo num caso como este, em que a escassez de recursos predominava e
a necessidade de melhor divulgação era imperiosa.

Originalmente publicado no Catálogo
Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 3, p. 16-17,
1981, editado pelo CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná