INTRODUÇÃO
No dia 9 de dezembro de 1986 a Método assinava o contrato para a
execução das obras de reforma e restauro, que visavam devolver à cidade de
São Paulo o seu mais significativo espaço histórico cultural: o Teatro
Municipal.
Mais de 30 de utilização intensa, após a grande reforma de 1952, havia
resultado num desgaste tal, que riscos de curtos-circuitos e desabamentos
obrigaram à interdição do prédio em 1985.
O palco que se iluminara pela primeira vez em 1911, ao som dos acordes
de "O Guarani", mergulhava na penumbra, rememorando ecos de aplausos,
impregnado da vibração mágica irradiada por mitos como Nijinsky, Ana
Pavlowa, Isadora Duncan, Toscanini, Maria Callas e pela emoção de gerações
que tiveram o privilégio de testemunhar o talento de tantos expoentes de
todos os gêneros dramático-musicais que ali se apresentaram.
A Método se defrontava pela primeira vez com uma tarefa bem mais ampla
do que a de executar bem uma obra de porte. Tinha diante de si a
oportunidade e a responsabilidade de contribuir para o resgate de uma
parcela da memória nacional, e de reinserir no cotidiano da cidade, mais
do que um símbolo, um espaço vivo de cultura.
Objetivos
Na execução da obra, a preocupação maior era buscar soluções que
permitissem compatibilizar a preservação e recuperação das características
estéticas do teatro construído no início do século XX e a modernização do
aspecto funcional, incluindo os mais avançados recursos cenotécnicos,
indispensáveis ao desempenho de um teatro desse porte, nos dias de hoje.
O estado de deterioração física em que se encontrava o teatro e a
ausência de documentação original impunham a necessidade de um exaustivo
trabalho de prospecção que permitisse recuperar esse patrimônio em sua
integridade física, histórica e estética.
Além disso, e paralelamente, era preciso também recuperar, por um
trabalho de conscientização do público em geral, o significado do teatro
como testemunha de décadas de história, como representante de cânones
estéticos e como espaço cultural na vida da comunidade.
Essa tarefa foi assumida pela Assessoria de Comunicação Social da
Corporação Método, que definiu as estratégias a serem adotadas,
desenvolveu programas e coordenou todo o trabalho de divulgação.
Estratégias
Sob a coordenação da Assessoria de Comunicação Social da Corporação
Método, foram desenvolvidos vários programas, durante a fase de execução
da obras, visando a mais ampla divulgação de informações a respeito do
trabalho desenvolvido, sempre a partir da perspectiva de seu significado
para a comunidade.
A Harmonia Clássica Dá o Tom
Os funcionários da Método, direta ou indiretamente envolvidos na obra,
foram o primeiro segmento de público a ser sensibilizado, quanto à
importância do trabalho que iam realizar.
Além de informações constantes sobre cada etapa, sobre os cuidados
necessários e sobre o valor de cada funcionário para o conjunto da obra,
procurou-se criar um "clima" compatível com o significado maior da obra,
fazendo com que o trabalho no interior do teatro fosse acompanhado por
música ambiente, selecionando-se exclusivamente obras de autores clássicos
como Bach, Vivaldi, Mozart e Beethoven, dentre outros autores.
Imagens: Arte e Documento
Paralelamente à execução das obras foi desenvolvido todo um trabalho de
documentação, baseado em imagens fotográficas e gravações em vídeo, que
além de fornecer subsídios para futuras análises e intervenções,
recuperava e registrava a trajetória histórica de um dos principais
teatros brasileiros.
Obra Aberta
Um programa de visitas possibilitou que vários segmentos de público –
autoridades, artistas, empresários, jornalistas, funcionários da
Corporação Método e estudantes de 2° grau e de faculdade de Arquitetura e
Belas Artes – acompanhassem de perto o trabalho realizado, tendo como
guias engenheiros capacitados a fornecer informações detalhadas sobre o
que estava sendo visto em cada setor visitado.
Dentre os depoimentos dos visitantes, destacou-se o testemunho
emocionado da atriz Bibi Ferreira que, como incansável batalhadora em prol
da cultura e melhor do que ninguém, pôde avaliar esse trabalho.
A Imprensa Tem Acesso às "Partituras"
Além do envio constante de "releases" às principais redações, expondo o
andamento das obras, dificuldades e soluções encontradas, foram realizadas
coletivas de imprensa mensais, que contaram, inclusive, algumas vezes, com
a presença do Secretário da Cultura e do Prefeito.
"Conserto" e "Concerto"
Foi veiculada uma campanha sobre a reforma e restauração do teatro,
elaborada pela agência W/GGK São Paulo Publicidade Ltda, composta por
filme 30", spot 30" e anúncio para revistas, em quatro cores, página
dupla, que, explorando a relação entre os parônimos "conserto" e
"concerto", enfatizava o significado mais amplo da obra, como recuperação
de um espaço cultural.
A Estrela Volta a Brilhar
O lustre central da platéia, que alia a imponência de sua tonelada e
meia de peso à sutileza da luz refratada por sete mil peças de cristal,
sempre foi a "estrela" da casa, atraindo imediatamente a atenção de todos.
Para os funcionários da Método e de todas empresas que participaram das
obras do Municipal, a cerimônia de seu içamento foi a metáfora concreta da
emoção de todo o trabalho realizado, uma espécie de "avant-première" de
todo o brilho-magia irresistível da arte, que em breve seria devolvido à
cidade, graças ao trabalho consciencioso de cada um, do servente ao
coordenador da obra.
Imagens dessa cerimônia, gravada em vídeo, foram incluídas no filme
"Teatro Municipal", veiculado como parte da campanha sobre a reforma e
restauração do Teatro elaborada pela W/GGk.
Recuperação de Instrumentos
No dia 7 de julho de 1988, em solenidade presidida pelo Secretário
Municipal da Cultura, Renato Ferrari, as empresas Método Engenharia,
Elevadores Sur, Rohr Estruturas Tubulares, Heating & Cooling Tecnologia
Térmica, Pem Planejamento Engenharia e Manutenção e Salvador A Bolanho &
Cia., que participaram das obras do teatro, doaram à Orquestra Sinfônica
Municipal a quantia necessária à reposição ou reparação dos instrumentos
musicais danificados no acidente ocorrido dia 4 de março, durante a
inauguração do Teatro Municipal da cidade de Americana.
O Pano Sobe
Além de patrocinar, juntamente com a Elevadores Sür a reinauguração do
teatro, a Método assumiu, através de sua Assessoria de Comunicação Social,
a coordenação do evento, uma vez que o cerimonial da Prefeitura de São
Paulo não dispunha de pessoal suficiente para tal. Até mesmo a
distribuição de convite na área federal ficou a seu cargo.
Cartazes distribuídos pelos principais pontos da cidade anunciaram a
data da reinauguração, que foi ainda amplamente divulgada por todos os
meios de comunicação.
Um esquema especial de trânsito, nos dois primeiros dias, permitiu o
atendimento ao intenso tráfego local e às necessidades de estacionamento.
O evento inaugural, realizado no dia 16 de julho de 1988, às 20h30, foi
reservado a convidados oficiais, contando com a presença do presidente da
República, José Sarney, do governador do Estado, Orestes Quércia, do
prefeito, Jânio Quadros, e de diversas autoridades federais, estaduais e
municipais, tendo sido transmitido, ao vivo, pela TV Cultura de São Paulo.
O programa abrangeu a execução do Hino Nacional Brasileiro, do Trumpete
Voluntary, de Purcell, com 32 trumpetistas, do Concreto Nº. 1 para Piano e
Orquestra, de Tchaikowsky, e do 4° Movimento da 9ª Sinfonia de Beethoven,
pela Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência do maestro Eleazar de
Carvalho, com os solistas Arthur Moreira Lima (piano), Celine Imbert
(soprano), Lenice Prioli (meio soprando), Marcos Thadeu (tenor) e Zuínglio
Faustini (baixo barítono).
Após o concerto os convidados visitaram a Exposição Retrospectiva da
Obra de Reforma e Restauro e participaram de coquetel oferecido pela
Método.
A apresentação do segundo dia foi reservada aos convidados da
Secretaria da Cultura, da Método Engenharia e Elevadores Sür.
No terceiro dia, o espetáculo foi destinado a convidados da Método e ao
público em geral, mediante aquisição de ingressos.
A quarta apresentação constou de um programa especial, exclusivamente
destinado aos operários que trabalharam na obra e funcionários da
Corporação Método, incluindo a Abertura de "Egmont", de Beethoven; a
Abertura de "Romeu e Julieta", de Tchaikowsky; o coro dos hebreus "Va
pensiero", da ópera "Nabuco" e o coro dos ferreiros da ópera "O Trovador",
de Verdi; o Intermezzo da ópera " Cavallaria Rusticana", de Mascagni; e a
Abertura da Ópera "Guilherme Tell", de Rossini.
A apresentação esteve a cargo da Orquestra Sinfônica Municipal, sob
regência do maestro Ricardo Averbach e do Coral Lírico, sob regência de
Marcelo Mechetti, e contou com a presença do Secretário Municipal de
Cultura, Renato Ferrari e de D. Eloá Quadros, representando o prefeito, em
agradecimento ao trabalho realizado pelos operários.
Subsolo: Alicerces e História
Dentre os vários espaços não utilizados descobertos na fase de estudos
e trabalhos de prospecção, destacou-se uma área de 1.500 m2 no subsolo,
onde se erguem os pilares de sustentação, com base de blocos de granito, e
belíssimos arcos de alvenaria, estruturando abóbadas também de alvenaria,
que suportam o piso da área frontal do edifício.
Esse espaço, utilizado para introdução de um sistema de circulação de
ar para o teatro nos anos cinqüenta, foi sendo transformado em área de
depósito de materiais inservíveis.
Optou-se, então, por seu aproveitamento como salão de exposições, com
acesso independente do funcionamento do teatro.
Revalorizado por uma intervenção que procurou aproveitar ao máximo a
arquitetura original, com seu sistema de grandes volumes em que se
alternam cheios e vazios, e evidenciar o choque de texturas e o contraste
de materiais, o subsolo do teatro foi o cenário ideal para a Exposição
Retrospectiva da Obra de Reforma e Restauro, elaborada pelo Departamento
de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo e patrocinada pela
Método.
A exposição permaneceu aberta ao público desde a reinauguração até
novembro de 1988.
Durante todo esse período, o acesso externo ao salão de exposições,
localizado na fachada leste, junto à Praça Ramos Azevedo, permaneceu
aberto fora do horário de funcionamento normal do teatro – quando só
permanecia aberto o acesso interno –, garantindo que mesmo o público de
menor poder aquisitivo pudesse conhecer mais de perto o Teatro Municipal,
na maioria das vezes restrito ao público que pode pagar ingresso.
Resultados
Embora ainda não totalmente concluídas, as obras de reforma e restauro
do Teatro Municipal, executadas pela Método Engenharia, mereceram o
reconhecimento unânime dos seus usuários, tanto por parte do público
quanto por parte de artistas de renome internacional que nele se
apresentaram após a reinauguração.
O teatro pulsa novamente no ritmo da grande metrópole que é São Paulo,
encantando seus freqüentadores com a sonoridade de uma Santa Cecília, sob
regência de Lorin Maazel, acendendo polêmicas com apresentações de
vanguarda, como durante o Carlton Dance Festival, ou imergindo nas brumas
mitológicas do inconsciente coletivo, com a Sagração da Primavera de
Martha Graham.
Além do fortalecimento de sua imagem como construtora, a divulgação do
trabalho desenvolvido pela Método tem estimulado outras iniciativas de
restauração de teatros brasileiros, como os de Fortaleza – onde a Método
acaba de concluir a primeira fase de intervenção –, Ribeirão Preto,
Joinville e Recife.
Para a Método esse trabalho significou uma experiência sem precedentes,
não só devido à complexidade dos aspectos envolvidos – das filigranas
técnicos à inserção no contexto sócio-cultural do país, mas pela
satisfação de efetivamente contribuir, ainda que com uma parcela mínima,
para a melhoria da qualidade de vida da cidade.
O depoimento emocionado dos operários, que, pela primeira vez em suas
vidas, tiveram a oportunidade de assistir a um concerto, usufruindo o
resultado final de seu trabalho, cujo significado a maioria ignorava
completamente, representa, sem dúvida, o aspecto mais gratificante e
simboliza a dimensão maior da tarefa realizada.