Eventos e Comemorações

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PROJETO OSCARITO

 

Organização

Fundação Banco do Brasil

Profissional Responsável

Laura Horn

Assessoria Externa

ADS – Assessoria de Comunicações Ltda.

Ano da Premiação

1989

 

INTRODUÇÃO

O "Projeto Oscarito" foi criado, planejado e executado pela agência de Relações Públicas ADS Assessoria de Comunicações Ltda., para o cliente Fundação Banco do Brasil, visando promover institucionalmente o cartão Ourocard, para mostrar sua originalidade frente a imitações e divulgar sua campanha publicitária. O Ourocard é o primeiro cartão de crédito de múltiplo uso do país.

OSCARITO E A ALMA VERDE-AMARELA

Um homem que trazia no sangue 400 anos de tradição artística foi a personagem principal do cinema brasileiro durante 36 anos. Exatamente os 36 melhores anos, vividos em 46 filmes que projetam a personalidade do povo que o acolheu com um ano de vida. De "A Voz do Carnaval" a "Jovens pra Frente", aparece a marca do brasileiro, esse tipo único no mundo, incorporado à magia da arte de representar de Oscar Lorenzo Jacinto de La Imaculada Conception Teresa Dias, de apelido Oscarito e alma verde-amarela. Tudo começou em Málaga, Espanha, a 16 de agosto de 1906.

Protagonizar essa aventura de mostrar o que de melhor aconteceu na tela exigia o dom da originalidade. E esse talento ele esparramou também pelos picadeiros, palcos, estúdios de rádio, discos e entrou em cada sala brasileira pela televisão. Perseguiu essa façanha de representar a impagável saga brasileira talvez pela incrível coincidência da caminhada de seus pais ao Brasil. Tivesse nascido três dias antes, seria português; três dias depois, em genuíno africano de Tanger.

De todos que conviveram com ele a arte de encenar a vida, o Grande negro Otelo pode não ter sido só um acaso. Sem dúvida, ver Oscarito hoje e sempre será experimentar a fantástica sensação de que ele é um pouquinho do que nós, brasileiros, somos e gostaríamos de ser. Sua obra ganhou eternidade e, se tudo começou em 1906, é certo que ainda não terminou.

Oscarito nasceu na véspera de uma estréia do Grande Circo do Teatro Coliseu dos Recreios, de Lisboa, em Málaga. Três anos depois, era ele quem estreava, em plena Praça da Bandeira, Rio de Janeiro, no Circo Spinelli, vivendo um índio bem brasileiro, na representação do "Guarany", de José de Alencar. Sobre esta gana de ser brasileiro, ele dizia: "Sou brasileiro puro. Na batata. Comecei a falar aqui, a primeira vez em que disse ‘mamãe’ e ‘gosto’ foi aqui. Quebrei muita vidraça a pedrada, joguei muita bola de meia, levei muita bofetada e dei muito ponta-pé. Sou ou não sou o autêntico malandro carioca?"

A consagração veio ainda no picadeiro, em 1932, na peça "Calma Gegê", uma sátira ao presidente Getúlio Vargas, no Circo Democrata, escrita por barbeiro de nome Alfredo Breda. Para alugar o Teatro Carlos Gomes à companhia de Jardel Jércolis, os donos exigiram Oscarito na pela "Morangos com Creme". Sucesso. Antes de partir para uma temporada em Portugal, casou-se com Margot Louro, em 1934, atriz como ele, muito jovem. Uma união que teve o apoio do ator Brandão Filho para vencer a resistência da família dela, também do circo, como a dele.

Entre o primeiro e o segundo sucesso teatral, a primeira experiência cinematográfica no Baile das Atrizes do filme "A Voz do Carnaval", de Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro, no ano de 1933.

A pedra fundamental do cinema profissional e de qualidade no Brasil estava lançada. Depois de Oscarito, tudo mudou nesta arte. A festa estava para começar com "Noites Cariocas", em 1935. No ano seguinte, "Alô, Alô, Carnaval!" e um monumento de Portugal – onde Oscarito quase nascera – começava a cantar e encantar: Carmem Miranda. Ela exigia que Oscarito cuidasse de sua maquiagem: "O pessoal de teatro entende muito mais dessa arte...".

A dupla com Grande Otelo foi formada em 1937, na companhia teatral de Jardel Jércolis, e eles estrearam em São Paulo, no palco. Mas quando se uniram na tela, explodiu um fenômeno de conquista da alma popular brasileira jamais visto. Em preto e branco, eles conseguiram desmentir todos os dicionários da língua portuguesa, do "Aurélio" ao infalível "Lello Universal", nenhum escapou. Os dicionaristas assimilam no verbete "chanchada", que se trata de "uma peça ou filme sem valor". Puro engano.

A crítica, os intelectuais de plantão, condenava a chanchada, mas a voz do povo, seguindo a voz de Deus, trocava os que impunham uma cultura cinematográfica estranha por um ator que falava sua língua e era igual a ele.

Foram 31 anos de domínio absoluto da arte de Oscarito, arte generosa essa, que deu ao Brasil centenas de atores, diretores, roteiristas, cantores e produtores. Com ele, toda essa gente pôde aparecer num lugar ao sol. Banhada pelos raios desse gênio. Era a aura da originalidade levando alegria da primeira à última poltrona.

Seu principal diretor, Carlos Manga, diz que enquanto os festivais de cinema e seus júris intelectuais premiavam filmes para salas vazias, Oscarito premiava o povo com sua arte em salas superlotadas. "Em Londres, ele seria Chaplin", compara Manga. É verdade. O próprio Oscarito, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, confirma as numerosas propostas para trabalhar na Europa ou em Hollywood. Sempre recusou, porque se sentia bem no Brasil, "bem aceito" pela população.

Enquanto ele representou, o cinema brasileiro (e o artista brasileiro) era o preferidos dos brasileiros. Uma questão de originalidade, fidelidade e qualidade. Deus levou essas marcas genuínas para ele no dia 4 de agosto de 1970. E depois de Oscarito, a chanchada virou pornochanchada. O povo não se contentou com essa cópia e abandonou o cinema brasileiro. Aliás, essa história de não se contentar com a cópia, para não ser enganado, é uma lição que Oscarito ensinou e vai começar agora.

O PRODUTO

Em abril de 1988, aparecia um produto novo no mercado, para facilitar a vida do cidadão: o Ourocard, primeiro cartão de múltiplo uso do país. A iniciativa da Fundação Banco do Brasil fez do simples "cartão de crédito" um instrumento conhecido em todo o Brasil. Essa idéia original, não demorou, foi imitada pela concorrência, que decidiu lançar o cartão Sollo, na esteira do sucesso do Ourocard, que encontrara uma brecha para superar as restrições que os cartões de crédito comuns vinham enfrentando junto aos estabelecimentos por causa da inflação.

A introdução do Ourocard, filiado à rede internacional Visa, chamou a atenção do consumidor, exatamente porque ele não se trata de mais um cartão de crédito na praça, como todos os outros. Ele traz a marca da originalidade do múltiplo uso.

O que é isso? O Ourocard é dirigido com exclusividade às pessoas físicas e não serva apenas às operações de cartão de crédito conhecidas. O Ourocard é, também, cartão eletrônico e cartão de garantia do Cheque-Ouro do Banco do Brasil. Essa peculiaridade ajudou a dobrar o número de usuários de cartão de crédito no país em menos de 15 meses. E nesse período, o sucesso da idéia original da Fundação Banco do Brasil colocou o Ourocard em terceiro lugar no mercado. Já são 700 mil usuários com uma aceitação em 150 mil estabelecimentos comerciais ligados à Rede Visa.

Ele é aceito em todo o Brasil, principalmente entre hotéis, restaurantes, joalherias, grandes magazines, agências de viagem, farmácias e no comércio em geral, inclusive estabelecimentos de prestação de serviços. Ao mesmo tempo, o Banco do Brasil promove nova estratégia de ampliação dos benefícios do Ourocard. Em breve, ele terá 1,4 milhão de clientes. E seus portadores, que hoje dispõem de quatro mil pontos de atendimento do Banco do Brasil, terão também acesso aos quiosques do Banco 24 Horas.

O PROBLEMA

Evidentemente, esse "achado" da Fundação Banco do Brasil, que administra o Ourocard, incomodaria o mercado de cartões de crédito. E o valor de sua iniciativa seria, logo, aproveitado por concorrentes. Ou seja, a "demanda" descoberta pelos criadores do Ourocard seria alvo também de outras empresas de cartão de crédito, valendo-se da idéia, do momento econômico e da aceitação do consumidor.

Estava criado o "problema" para garantir na liderança do mercado o Ourocard, uma idéia original no mercado financeiro que enfrentava a concorrência de uma cópia. A saída foi lançar uma campanha publicitária, valorizando, perante o público, as vantagens dos produtos originais. Mas não basta uma campanha, às vezes, para combater e solucionar um "problema". É necessário algo de qualidade que comprometa a sociedade com ela.

A ADS Assessoria de Comunicações Ltda. encarregou-se de divulgar a campanha publicitária, baseada na figura de Oscarito, o "Nosso Oscar de Ouro", e de desenvolver o próprio "Projeto Oscarito". Ou seja, coube à ADS "pegar" os brasileiros pela emoção, resgatando, com o mesmo espírito da Fundação Banco do Brasil, a memória do maior artista do cinema nacional.

Utilizando técnicas e atividades de Relações Públicas, ela mostrou, ao enfrentar o "problema", que além de ser um cartão de múltiplo uso, o Ourocard também está preocupado com a revalorização da memória brasileira. Essa operação é respaldada numa instituição com a solidez e a respeitabilidade do Banco do Brasil, através da Fundação Banco do Brasil.

A fundação é uma entidade sem fins lucrativos criada em 1985 para promover, estimular, apoiar e patrocinar ações individuais e coletivas que colaboram para o desenvolvimento do país. Concentra suas atividades nas áreas de ciência e tecnologia, incluindo a defesa da ecologia, educação, cultura, saúde, assistência social, recreação, esporte e desenvolvimento de pequenas comunidades. Só em 1988, a Fundação Banco do Brasil financiou 331 projetos em todo o país.

Aproveitando a força desse conceito, a ADS desenvolveu para o Ourocard o "Projeto Oscarito", promoção singular no setor, destinada a mostrar ao público o valor do original. Conseguiu.

"Nosso Oscar de Ouro"

Só não foi um sonho a noite de 14 de agosto no lendário Golden Room do Copacabana Palace, porque tudo aquilo foi realidade um dia. A ADS conseguiu realizar naquele verdadeiro palco do Brasil a façanha de reviver um capítulo particularmente iluminado da arte brasileira. Quem viveu aquela emoção chorou. De verdade: Oscarito estava lá.

Os luminosos a néon dos cines Odeon, Rex, Metro, Pathé, lembra? A fervilhante Cinelândia carioca invadiu o Copa para mostrar como Oscarito representava a alegria de viver do brasileiro do seu tempo. E vieram com ele seus amigos, parceiros, diretores, roteiristas, coadjuvantes, todos que fizeram com ele, e por causa dele, a arte do melhor cinema. Até sua Margot Louro, a filha Mirian Tereza e o neto Carlos Alberto apareceram. Oscarito voltou por inspiração da ADS que, em apenas um mês, preparou um evento inesquecível para apresentar a magia da originalidade.

Cenas de Filmes de Oscarito - Fotos "Agência Estado"Um "Chaplin" surgiu no telão para anunciar que "antigamente havia cartão para isso e para aquilo...". O vestido branco de uma falsa Marylin Moroe, esvoaçante com aquele, desvendou as pernas do mito, mas a modelo reconheceu: "Eu também pareço, mas não sou a Marylin". E a terceira pela publicitária resumiu a verdade na boca de um ator: "Possa fazer a maior chanchada, mas não sou Oscarito".

Aí o comediante Agildo Ribeiro comandou a caminhada de todos rumo à época de "Ouro (card?)" do Brasil e de seu cinema. Mário Berard, presidente do Banco do Brasil e da Fundação Banco do Brasil, justificou aquela aventura: "É o Banco do Brasil devolvendo parte do recebe da própria sociedade". Agildo faz uma provocação ao prefeito carioca Marcelo Alencar iguais às que somente Oscarito ousaria com o ditador Getúlio Vargas: "Prefeito, tua vida é um buraco, hein?".

A música de Eduardo Conde ("Aí Vem o Barão"), Bené Nunes ("Feitiço da Vila") e Dóris Monteiro ("Dó, Ré, Mi") levou todos ao passado, anunciado a quem não teve a ventura de viver aqueles anos, por Agildo, como "artistas criticados, mas que tinham o povo ao lado deles, destruindo preconceitos como ‘não vi, não gostei’".

Quando a "Favorita da Marinha" Emilinha Borba pediu "Tomara que Chova" e previu "Com Jeito Vai", Agildo Ribeiro reforçou a marca da originalidade promovida pela ADS naquela noite: "Ninguém ensinou Mané Garrincha a driblar, nem Oscarito a fazer rir". O diretor Carlos Manga emendou: "O Banco do Brasil lembrou-se de quem fazia lotar os cinemas; e os festivais lembram de quem os esvaziam".

Ia começar o renascimento das cenas inesquecíveis dos filmes de Oscarito. Primeiro, os vilões, a força do "mal", nas figuras inesquecíveis de José Lewgoy, Renato Restier, Wilson Grey, Wilson Viana, Jece Valadão. As forças do "bem", os galãs Anselmo Duarte, John Herbert, Cill Farney, Francisco Carlos, "El Broto" das chanchadas. Ele imaginou que ali estavam todos que construíram o pedestal do cinema brasileiro. Ainda envolvido pela personagem do "Conselheiro Bidet Lambert" de "Que Rei Sou Eu?", John Herbert proclamou: "Povo de Ávilan, como primeiro-ministro, decreto a Fundação Banco do Brasil como de Utilidade Pública para o cinema nacional".

E entraram as "estrelas" na tela de Oscarito: Eliana Macedo, Odete Lara, Adelaide Chiozo, Ilka Soares, Edith Morel e Fada Santoro. Ela externou o que todos já sentiam na platéia do Golden Room: "Oscarito continua aqui". Agildo reconheceu: "E como somos pálidos perto dele!". Carlos Loffer, neto "dele", também tentou imitá-lo com a "Marcha do Gago", aquela em que era "Mo... mole pra falar e um Pintacuda pra beijar".

No telão e no palco novos companheiros se revezavam: Eva Todor, protagonista de uma cena antológica como se Oscarito fosse sua imagem refletida num espelho; Ivon Cury, Renata Fronzi, Zé Trindade. Zezé Machado sentia Oscarito ali: "Ele é a figura da graça, da beleza, da bondade".

O grande parceiro de Oscarito, o Grande Otelo, amparado por Agildo Ribeiro, pela primeira vez apareceu triste ao lado de Oscarito: "É chato receber esse troféu sozinho". A alegria de Oscarito voltou rapidamente ao Golden Room do Copa com Beth Carvalho, que reviveu o samba "Cinelândia", original de uma "Festa de Arromba", que a "Jovem Guarda", depois, imitou.

O inesquecível prefixo da Atlântida chamou todos para o telão, enquanto Beth cantava o cinema, "Copião é a própria vida, meu Deus, que tempo bom! Ninguém falava inglês". Após a projeção de várias cenas dos filmes de Oscarito, fecharam-se as cortinas, mas Oscarito, para quem vive, sonha e é brasileiro, continua no fundo do coração de cada um.

Foram duas horas de um show que só Oscarito faria melhor. No final, o presidente da Fundação Banco do Brasil cumprimentou a ADS por ter preparado e realizado esse evento em apenas um mês. Do coquetel de recepção ao encerramento, tudo era clima dos filmes de Oscarito. O cantor Ivon Cury reconheceu que parecia sua noite de estréia em agosto de 1947, ali no Golden Room do Copa. Todos estavam tão à vontade e felizes que pareciam passageiros de uma nave do tempo numa incrível viagem em busca da originalidade. Cópias ficam para trás.

Cada artista homenageado recebeu uma placa dourada, tendo no fundo o próprio Cartão Ourocard, para guardar de lembrança de uma noite em que cada um viajou em busca de suas origens. Na verdade, esse cartão é um troféu aos amigos de Oscarito, o "Nosso Oscar de Ouro". Foi o prêmio aos que trabalharam com ele. Além da placa alusiva ao Ourocard, foi entregue um diploma da Fundação Banco do Brasil.

Os 700 mil associados do Ourocard foram lembrados neste evento e cada um recebeu, por intermédio de mala-direta, um envelope com um "folder" ilustrado com o resumo da vida de Oscarito no circo, no teatro, na televisão, no rádio e no cinema.

Como "passagem" para a nave do tempo daquela noite, os convidados receberam um convite especial da Fundação Banco do Brasil e ingressaram na "aventura" depois de assinarem o "Livro de Ouro" de presenças. Junto, um pôster rememorando cartazes de seis filmes de Oscarito: "Colégio de Brotos", "Matar ou Correr", "Barnabé, Tu És Meu!", "Papai Fanfarrão", "Alô, Alô Carnaval" e "Treze Cadeiras".

O programa de viagem acompanhou a introdução de todos no clima da chanchada, com frases de artistas célebres sobre o grande ator. Completou esse conjunto de informações aos participantes da festa a apresentação do "Projeto Oscarito", idealizado pela ADS, cuja primeira parte foi exatamente esse evento no Gonden Room do Copacabana Palace.

PROJETO OSCARITO

Além da realização do show no Golden Room do Copacabana Palace com artistas e colaboradores que participaram da vida artística de Oscarito, o Projeto Oscarito compreende outras realizações.

"Semana Oscarito": exibição no SBT de uma semana de filmes de Oscarito.

Relançamento do livro "Retrospectiva de Oscarito".

Criação, pela Fundação Banco do Brasil, do troféu "Oscarito" aos melhores do cinema brasileiro em suas especialidades.

Recuperação dos 46 filmes de Oscarito e dos cartazes desses filmes, pois apenas cinco permanecem intactos, o que irá contribuir para preservar a memória da filmografia brasileira.

Essas soluções encontradas pela ADS, reunidas no "Projeto Oscarito" como forma de consolidar a originalidade do Ourocard como cartão de múltiplo uso, abrem um espaço paralelo inédito para todos aqueles que pretendem estudar a importância do cinema nacional em seu período mais rico. Justamente a era de ouro, que vai de 1933 ("A Voz do Carnaval") a 1968 ("Jovens pra Frente"), incluindo "Tristezas Não Pagam Dívidas", de 1944, ano que marca o ingresso de Oscarito na Companhia Cinematográfica Atlântida e a formação da dupla com Grande Otelo. Afinal, esse período marcou o tempo em que os artistas nacionais eram procurados, vistos e aplaudidos com espontaneidade pelo público. Eles eram originais.

RESULTADOS

Oscarito voltou. Esse é o principal resultado da promoção desencadeada pela ADS Assessoria de Comunicações. Entre 9 de agosto e 7 de setembro, o Projeto Oscarito foi notícia no Brasil. A estratégia criou um clima de expectativa nos próprios meios de comunicação que, cinco dias antes do evento no Golden Room, falavam do acontecimento sem saber exatamente o que iria ocorrer naquela noite mágica.

O press-kit distribuído aos jornais, emissoras de rádio e de televisão e às revistas e agências noticiosas provocou a atenção de editores. Um deles, de um grande jornal carioca, dono também de uma assessoria de comunicação, afirmou que adotaria a mesma idéia para promover os seus clientes. Na verdade, o press-kit é um documento sobre o cinema brasileiro em sua melhor época. Seguramente foi para os arquivos de consulta de todos os órgãos que o receberam. Na peça está um dossiê ilustrado a respeito da vida artística de Oscarito e de dezenas de artistas, diretores, roteiristas e produtores que trabalharam com ele. É imprescindível.

Publicações de todo o Brasil falaram do projeto antes mesmo dele acontecer. A importância e a mensagem de originalidade de Oscarito, aliadas aos propósitos da campanha publicitária de Ourocard, do Banco do Brasil, foram veiculados do Rio Grande do Sul ao Amazonas e multiplicadas em pequenos locais, também, do interior do Brasil.

Jornalistas com menos de 35 anos, desinteressados pelo atual cinema brasileiro, renderam-se à força do evento. Afinal, ouviram falar de Oscarito, viram-no em cópias de velhos filmes da Atlântica vez ou outra. Mas a memória popular não esquece seus modelos originais e autênticos. Esses jornalistas perceberam, no ato, que o que tinham em mãos para trabalhar sempre foi notícia importante. Leitura e audiência obrigatória do público de seus veículos.

Em todas as notícias publicadas, por causa da promoção da ADS, o nome do Ourocard e a iniciativa do cliente da assessoria, a Fundação Banco do Brasil, estavam presentes. Curiosamente, todos os dias, a informação nos jornais e revistas aparecia ora no noticiário econômico, por causa do Banco do Brasil, ora no noticiário cultural, por causa do Oscarito. Mas as duas imagens, a originalidade do ator e a novidade do Ourocard, apareciam para leitores isolados das duas seções.

O evento, também, teve sua data perfeita para acontecer, não apenas na coincidência do mês do nascimento e morte (será que ele morreu, mesmo?) de Oscarito. No Caderno de Economia, o sisudo "O Estado de S. Paulo" deu grande espaço para noticiar que o "Ourocard vai usar imagem de Oscarito", mas lembrou aos leitores, em outra notícia conjugada, que as investigações de irregularidades no Banco do Brasil continuariam.

A notícia foi publicada a 15 de agosto, exatamente no dia seguinte ao evento do Copacabana Palace. A divulgação da campanha do Ourocard serviu, também, para melhorar junto ao público a imagem do Banco do Brasil num momento delicado. E, paralelamente, aconteceu num período de questionamento dos cartões de crédito diante do processo inflacionário. Na verdade, o múltiplo uso e sua originalidade no mercado funcionaram como alavancas para a projeção do novo produto.

Na noite do show ao "Nosso Oscar de Ouro", o resultado do clima de expectativa criado pela ADS não poderia ser outro. Estavam presentes seis emissoras de televisão do Rio de Janeiro e nada menos que 34 jornalistas de todo o Brasil. A festa do inimitável Oscarito foi, sem dúvida, o acontecimento que recebeu maior espaço nas emissoras de televisão naquele dia. Em rede nacional, o jornal "Hoje", da TV Globo, dedicou dois minutos e meio à promoção da ADS.

Nos jornais e revistas, os títulos das reportagens sobre o acontecimento traziam, invariavelmente, o nome de Oscarito e do Banco do Brasil ou da fundação. Para o cliente, o principal resultado dessa promoção é a certeza de que, agora, está pronto para ampliar, e muito, o número de seus clientes do Ourocard em todo o país. Graças aos dois fenômenos que trazem a marca da originalidade.

Os resultados do Projeto Oscarito não pararam aí. A Fundação Banco do Brasil entusiasmou-se com os efeitos da promoção da campanha do Ourocard e anunciou que decidiu criar o prêmio "Oscarito", anual, dedicado aos melhores do cinema nacional em suas especialidades. A conseqüência cultural desse projeto, dentre outras, consolida na cinematografia brasileira um troféu que levará, no diminutivo, como carinhosamente os brasileiros chamam os seus ídolos, o nome do verdadeiro Oscar do nosso cinema.

O trabalho da ADS Assessoria de Comunicação, como agência de Relações Públicas, restituiu ao público a chance de, agora em diante, ter um canal de acesso amplo à historiografia do cinema nacional graças à recuperação da obra de Oscarito, abrangendo as realizações entre 1933 e 1968.

Com o Projeto Oscarito também se quebrou um tabu no relacionamento entre empresas estatais do governo federal e agências de Relações Públicas vinculadas à iniciativa particular. Ao entregar à ADS o encargo de criar, planejar e executar o projeto, o Banco do Brasil e a Fundação Banco do Brasil protagonizaram uma das raras ocasiões para promoverem sua imagem institucional.

Transcrição adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná