A RETIRADA DE VIOXX DO
MERCADO
Organização
Merck Sharp & Dohme
Profissional Responsável
Patrícia de Barros Costa
Ano da Premiação
2004/2005
Em todo o
mundo, Merck & Co. emprega cerca de 65 mil funcionários e opera 31
fábricas e 17 centros de distribuição, com faturamento global de US$ 22,5
bilhões (2003). Além de um histórico de mais de 100 anos de pesquisa e
inovação, sua trajetória também envolve a produção em larga escala da
penicilina e a síntese da vitamina B6 e da cortisona, eventos que marcaram
a entrada da companhia no mercado internacional e impulsionaram uma
história de desenvolvimento contínuo e acelerado. Isto foi possível por
contar com cerca de 8 mil cientistas nos laboratórios de pesquisa ao longo
de sua existência, entre os quais sete ganhadores de Prêmios Nobel.
Merck
Sharp & Dohme (MSD) é o nome que identifica as operações da companhia no
Brasil, que tiveram início em 1952. A primeira fábrica brasileira foi
inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitscheck e pelo governador
do Estado de São Paulo Jânio Quadros, em 1958, em Sousas, subdistrito de
Campinas, São Paulo.
Atualmente, Merck Sharp & Dohme emprega 932 funcionários divididos entre o
escritório central em São Paulo, a fábrica em Sousas, além de
representantes em todo país. Sua estrutura possui uma unidade
administrativa, a unidade fabril, que produz 13 medicamentos e embala
outros 27, e o departamento médico, que supervisiona estudos e projetos de
pesquisa científica em diversas áreas da medicina.
Com
faturamento global de US$ 22,5 bilhões (2003), a MSD é a 11ª empresa no
ranking brasileiro de companhias farmacêuticas que atuam no mercado ético
(medicamentos por prescrição) e ocupa a 3ª posição no ranking mundial. A
empresa atua nos segmentos de doenças cardiovasculares, afecções músculo
esqueléticas, asma, vacinas (varicela, sarampo, caxumba e rubéola,
hepatites A e B, Pneumococco, Haemophyllus tipo B), glaucoma, câncer e
infecções hospitalares.
No dia 30
de setembro de 2004, a Merck & Co tomou uma decisão mundial: retirar
voluntariamente o antiinflamatório VIOXX – líder em vendas no Brasil. A
decisão se deu em razão dos resultados de um estudo clínico denominado APPROVe (Adenomatous Polyp Prevention on VIOXX – Prevenção de Pólipos
Adenomatosos com VIOXX), que foi projetado para avaliar a eficácia de
VIOXX 25 mg na prevenção da recorrência de pólipos colorretais em
pacientes com histórico de adenomas colorretais. Tal estudo constatou um
risco relativamente maior de eventos cardiovasculares confirmados, tais
como ataques cardíacos e derrames, a partir de 18 meses após o início do
tratamento com VIOXX.
O objetivo
número um da empresa era claro (e sempre foi): colocar o paciente em
primeiro lugar. E, foi seguindo esta orientação, que a crise foi
gerenciada. O primeiro passo foi comunicar a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) sobre nossa decisão e sobre as medidas que
seriam tomadas (reembolso aos pacientes, comunicar as farmácias, médicos,
sociedades etc), bem como os órgãos de proteção ao consumidor (PROCON/
DPDC), de forma a seguir corretamente todas as determinações legais e de
mercado vigentes.
Na
seqüência e paralelamente, foram mapeados todos os públicos que tinham que
ser comunicados, bem como
a maneira mais rápida e adequada de atingir cada audiência. Vale destacar
que uma crise destas proporções só é gerenciada com o suporte e
envolvimento de toda a empresa. E foi o que conseguimos. Os funcionários
foram comunicados de imediato pelo Diretor Presidente da empresa, José
Tadeu Alves, por meio de uma reunião e conference call com os funcionários
que não estão situados no escritório central. Para comunicar a comunidade
médica, toda a força de vendas foi mobilizada para contatar os médicos de
seu cadastro – tanto via telefone, quanto pessoalmente. Uma coletiva de
imprensa foi organizada na manhã do dia 30 de setembro e comunicados pagos
foram inseridos nas principais emissoras de TV e jornais do país. E assim
por diante, conforme detalhado no case.
Além da
mobilização de toda a empresa, para comunicar imediatamente e levar a
mensagem da MSD (não as mensagens geradas por terceiros) da maneira
adequada foi essencial “traduzir” para uma linguagem acessível todas as
informações do estudo, bem como utilizar audiências que poderiam
multiplicar a informação para outras audiências, tais como associações da
indústria, câmaras de comércio, médicos, imprensa, órgãos de defesa do
consumidor, entre outros.
A
transparência em esclarecer todos os fatos também contribuiu para que não
fosse criado pânico desnecessário nos pacientes e na comunidade médica.
Seguir adiante com esta postura em um momento de crise como o que passamos
trouxe ao mercado confiança – e este é o alicerce principal para que uma
empresa sobreviva à uma situação de tamanho impacto em seus negócios.
Vale
lembrar também que um Comitê de Crise e porta-vozes previamente treinados
também são trunfos imprescindíveis para lidar com uma crise. Até por que,
com maior ou menor intensidade, toda empresa sofrerá uma crise em algum
momento – e, por sorte, nós estávamos preparados para a nossa.
Por se
tratar de uma situação totalmente inédita na indústria farmacêutica, a
retirada de VIOXX do mercado trouxe um impacto na empresa e no segmento
como um todo. Acreditamos que este impacto (no negócio e na imagem) ainda
está sendo sentido e deverá ter uma duração de médio e longo prazo, que
ainda não temos como mensurar.
Contudo,
no curto prazo, de todos os resultados listados no case encaminhado, os
dados que têm maior importância para todo o trabalho de contenção da crise
gerada pela retirada de VIOXX são os que demonstram que a empresa superou
seu crescimento em vendas (15% em relação a 2003) e que conquistou a
liderança em receituário com o antiinflamatório Arcoxia, produto da mesma
classe de VIOXX.
Por fim,
por estar consciente sobre a importância de sua imagem e do papel das
Relações Públicas neste processo, a Merck Sharp & Dohme sabe que o
trabalho não pára por aqui, é um trabalho diário e contínuo – desde a
conduta do representante de vendas junto aos médicos, a postura da
companhia em políticas de acesso de medicamentos à população, inovação na
busca de produtos que salvem vidas, atuação como empresa cidadã, dentre
outros.

Transcrição do site do
CONRERP 2ª Região São Paulo/Paraná