INTRODUÇÃO
O
setor de engarrafadoras de gás liquefeito de petróleo (GLP), raramente, se
posicionava junto à imprensa quanto aos problemas de vazamentos, greves,
acidentes e outros. Esta postura vinha gerando, principalmente, uma ignorância
da imprensa e de seus leitores a respeito dos acontecimentos – muitas vezes,
ocasionando "correrias" desnecessárias em busca de gás, falta de
conhecimento sobre cuidados necessários, economia do produto, usos adequados,
armazenamento etc.
Este
silêncio deve-se, basicamente, à pouca flexibilidade do setor. Ou seja, apesar
de as empresas distribuidoras e engarrafadoras serem do setor privado, o produto
por elas comercializado é entregue por um único fornecedor – a Petrobras.
Decisões relativas à racionalização de vendas e política de preços são
realizadas pelo governo, por intermédio do Departamento Nacional de
Combustíveis – DNC.
Associado
a estes fatos, juntou-se o número crescente de "pirangueiros",
vendedores clandestinos que imitavam a marca e os caminhões das engarrafadoras
autorizadas, utilizando os próprios botijões destas empresas, e vendendo
produtos pelos quais não se responsabilizavam (quanto a peso, segurança,
assistência técnica etc.). Este produto desqualificado entrava na casa dos
consumidores.
Por
ser líder do mercado, a Ultragaz tinha um maior número de clandestinos
imitando-a e, como conseqüência, um maior número de botijões com a sua
marca, comercializado por pirangueiros, apresentava problemas.
Há
dois anos, a empresa passava por um processo de reestruturação, com o objetivo
de mudar sua cultura e a tornar mais voltada para o mercado. Este plano foi
gerado, principalmente, em razão da desregulamentação do setor, que o fez
ficar mais competitivo.
Era
preciso mostrar ao mercado que a Ultragaz estava vivendo um novo tempo, estava
mudando para atendê-lo cada vez melhor e, principalmente, que a empresa se
responsabilizava por tudo o que fazia. Portanto, assinava seu nome claramente.
Esta proposta, no entanto, também deixaria a empresa muito mais exposta às
críticas.
Inicialmente,
a LVBA foi contratada pela Ultragaz para editar um jornal para zeladores, e
realizar um trabalho de assessoria de imprensa, retratando as mudanças que
estavam ocorrendo na empresa – música dos entregadores de gás, novas cores,
serviços e estrutura (veja
algumas das matérias publicadas).
Logo
no início do trabalho, a LVBA constatou a necessidade de ir além da
divulgação destas mudanças. Já que a empresa tinha definido uma mudança
interna, agindo com mais transparência, era preciso mudar a imagem que seus
públicos tinham da empresa, esclarecendo melhor os assuntos sobre o gás
engarrafado.
A
LVBA decidiu realizar um trabalho de aproximação com os jornalistas,
orientando a empresa quanto à necessidade de atender às solicitações da
imprensa. Passamos a responder carta dos leitores queixosos, atendemos e
orientamos os jornalistas quanto às mudanças de preços, estoques durante as
greves (tanto da Petrobras como do Sindicato), e iniciamos um programa de visita
aos Terminais de Engarrafamento.
Simultaneamente,
começamos o treinamento dos porta-vozes em cada cidade, onde a empresa possui
Terminal de Engarrafamento ou Unidade Distribuidora.
Todo
este trabalho foi precipitado em virtude de vários acontecimentos inesperados
no ano de 1991, iniciado com a Guerra do Golfo Pérsico em janeiro. Neste ano,
além do trabalho que realizamos dentro do planejado, gerenciamos as várias
crises pelas quais a Ultragaz passou, dentre elas:
-
Guerra
do Golfo Pérsico, com corte de importação de GLP, reduzindo, por
determinação do DNC, os botijões de 13 para 10 quilos, o que ocasionou
"correrias" para compra e estocagem de botijões (aumentando as
possibilidades de acidentes domésticos);
-
greve
dos petroleiros;
-
greve
de funcionários do setor;
-
incêndio
do Terminal da Mooca (São Paulo/SP);
-
operações
de apreensão de distribuidores clandestinos em São Paulo.
OBJETIVOS
PRINCIPAIS
O
objetivo principal de todo o trabalho passou a ser, portanto, orientar e
esclarecer os consumidores quanto ao uso, cuidados, segurança e economia do
gás. Inclui-se aí, como público principal do nosso trabalho, o jornalista, que
seria multiplicador das informações que, até então, também desconhecia.
Como
segundo objetivo, a apresentação da Ultragaz como uma empresa ágil e
transparente, mesmo nos momentos de crise. O consumidor e a imprensa deveriam
saber que sempre podem contar com os serviços da companhia.
ESTRATÉGIAS
Aproximar
a empresa da imprensa, atendendo, informando e esclarecendo os jornalistas de
forma ágil, e com dados corretos, atendendo-os sempre que solicitado.
EXECUÇÃO
Para
cada uma das situações de crise adotamos um plano emergencial específico de
operação, que, somado à experiência anterior, facilitava e tornava o
trabalho cada vez mais ágil. Chegamos a ponto de, na crise do "incêndio
da Mooca", em duas horas e meia, realizamos uma coletiva de imprensa,
extremamente bem organizada e com todas as informações necessárias.
GUERRA
DO GOLFO PÉRSICO
Em
janeiro de 1991, o Brasil importava do Golfo Pérsico a maior quantidade de Gás
Liquefeito de Petróleo utilizava no país. No entanto, o anúncio da guerra
pegou a empresa desprevenida quanto a um provável corte na importação.
Anunciado
o corte e antes mesmo de a imprensa noticiar a redução dos quilos nos
botijões para economizar gás, a LVBA se reuniu com a diretoria da Ultragaz, e
levantou todas as conseqüências que a guerra poderia trazer com relação ao
GLP. Após este exercício, nos cercamos de todas as informações necessárias
para tranqüilizar os consumidores.
Neste
momento, estávamos passando por um processo de desregulamentação do setor e a
Ultragaz investia todos os esforços no sentido de aprimorar a sua imagem,
prestando um melhor serviço e, conseqüentemente, aumentando suas vendas. A
forma mais adequada de efetivar isto, era por meio do serviço de entrega
domiciliar.
No
momento em que foi noticiada a redução de 13 para 10 quilos no botijão, a
imprensa gerou uma corrida dos consumidores em busca de estocagem de botijões,
e o primeiro serviço que a Ultragaz teve que cortar foi o de entrega
domiciliar, passando a vender exclusivamente no balcão apenas um botijão por
pessoa. Era realmente uma grande crise e um grande choque para a empresa, que
viu todos os seus planos serem modificados em apenas dois dias.
Mas,
o mais importante para a empresa era, nesta sua nova fase, garantir os
atendimento a todos e a segurança, evitando, principalmente, que o consumidor
estocasse botijões de forma inadequada.
Redigimos
textos orientando diretamente os jornalistas, quanto a estoque da Ultragaz,
número de botijões que estavam sendo engarrafados diariamente e sistema de
vendas. Outro texto foi redigido para os consumidores: como armazenar, como
instalar, como economizar, como garantir a segurança dos familiares. Este
último texto passou a fazer parte integrante de todos os press-kits que
entregamos à imprensa até os dias de hoje.
Adotando
uma atitude pró-ativa em relação à imprensa, todos os dias pela manhã,
contatávamos a Ultragaz para obtermos informações sobre estoques, quantidade
engarrafada, e como estavam sendo realizadas as vendas (entregas ou balcão).
Estes
dados eram passados diariamente para a imprensa. Primeiro, para rádios e TVs e
jornais, no início da tarde. Quando os jornalistas nos ligavam, era apenas para
completar informações. É importante salientar que nenhuma outra engarrafadora
de gás estava atendendo à imprensa, segundo informações dos próprios
jornalistas.
O
planejamento definiu quem seria, na Ultragaz, o elo com a LVBA. Isso facilitou a
obtenção de informações e a continuidade do fluxo de esclarecimentos aos
jornalistas por esta fonte. Estabelecemos, ainda, o prazo para redação dos
textos e horário para envio de materiais à imprensa.
Durante
toda a Guerra do Golfo Pérsico (um mês e meio) e até a normalização da
entrega do gás, nenhum jornalista deixou de ser atendido.
Para
informar o público interno, de nível gerencial e superior, utilizamo-nos de um
boletim já existente para criticar e destacar a importância da agilidade
perante situações. Sob o título "Guerra à Vista", o Visão
Mercadológica circulou três dias após o início da guerra.
É
importante lembrar que a Ultragaz está presente em quase todos os Estados do
Brasil, sendo necessário coordenar as informações que estavam sendo passadas
em todos os locais. Muitos gerentes ainda não tinham sido treinados como
porta-vozes e precisávamos orientá-los, rapidamente, quanto a esta nova
situação.
Além
do atendimento aos jornalistas, passamos a ser, também, orientadores de todos
os gerentes da empresa, quanto ao atendimento à imprensa. A empresa ainda não
tinha fax, nem telex, instalados na maioria das cidades. Ligavam diariamente
para nos comunicar solicitação de entrevistas e nós orientávamos quanto às
informações (veja
as repercussões na imprensa).
GREVES
Para
as duas greves, de petroleiros e de empregados do setor, os procedimentos foram
muito similares aos da Guerra do Golfo. O mais importante, como constatamos, era
tranqüilizar e alertar os consumidores para não estocarem os botijões.
Sempre
é bom salientar que, em nenhum momento, estávamos escondendo do consumidor a
verdadeira situação. O gás dura em média 25 dias em uma residência-padrão.
A corrida gera falta de gás nos terminais, mas, no entanto, transfere o estoque
para as residências, tornando-as verdadeiras bombas, por não terem condições
de armazenamento ideais, para tanta quantidade.
Pela
experiência que a diretoria da Ultragaz passou com a guerra, já nestas greves,
estava habituada aos "exercícios de lógica dos acontecimentos e suas
conseqüências" (veja
algumas reportagens).