Relações com a Comunidade*

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CAMPANHA DE ESCLARECIMENTO REALIZADA NA ÁREA DA USINA HIDRELÉTRICA FOZ DO AREIA

 

Organização

COPEL – Companhia Paranaense de Energia Elétrica

Profissional Responsável

Rubens Roberto Habitzreuter

Ano da Premiação

1980

 

Muitas são as firmas que, autodenominadas de utilidades pública, caem no descrédito do público em geral ao terem de realizar desapropriações não bem fundamentadas, não suficientemente explicadas, não realizadas com compreensão da comunidade que será atingida.

Poucas vezes, neste sentido, uma empresa foi tão feliz como a Companhia Paranaense de Energia Elétrica – COPEL: partindo de uma situação de completo antagonismo com a comunidade, a companhia conseguiu fazer desta comunidade um aliado, graças ao habilidoso programa de relações públicas levado a efeito.

A empresa, concessionária de serviço público de energia elétrica no Estado do Paraná, obteve em 1974 a concessão para construir a Usina Hidrelétrica Foz do Areia, no Rio Iguaçu, a 230 km de Curitiba.

Iniciadas as obras no ano seguinte, declarou de utilidade pública as áreas ribeirinhas de cinco cidades da região, impedindo transações imobiliárias que incentivassem especulações imobiliária, e definindo quais destas áreas seriam inundadas e, obrigatoriamente, para isso, desapropriadas.

AS AÇÕES

Além da realização de palestras em entidades de classe, de jornalistas e centros de ensino situados nas áreas a serem desapropriadas, a assessoria de Relações Públicas da empresa definiu um complexo programa de sensibilização da comunidade. Objetivava-se com esta sensibilização mostrar à população a importância da construção da Usina Hidrelétrica e, simultaneamente, demonstrar a ela que a empresa não pretendia agir, em momento algum, de forma arbitrária.

Para isso, procedeu-se inicialmente ao levantamento e definição do perfil socioeconômico, cultural e de costumes das populações atingidas pela campanha para que as peças produzidas não o fossem em desacordo com o público objetivado.

Esse levantamento mostrou, então, que o grau de instrução era, em geral, baixíssimo, ressalvando alguns bolsões de imigrantes, a idade média das populações era elevada. Embora existissem alguns estabelecimentos comerciais e olarias, a maioria se ocupava de agricultura de subsistência e a quase totalidade do público objetivado ouvia rádio e assistia televisão, com muito poucos lendo os jornais ou revistas, mesmo os da região.

Assim, optou-se pela divulgação de spots e jingles nas principais rádios locais, fixação de cartazes em estabelecimentos comerciais e logradouros públicos e igrejas, inserção de uns poucos anúncios de jornal e folhetos ilustrativos distribuídos pelo pessoal de linha de frente. Simultaneamente, mantiveram-se os contatos com líderes de opinião das comunidades, para que estes pudessem prestar esclarecimentos à população.

Curioso é salientar que os spots foram gravados por radialistas e artista de referência conhecida junto a este tipo de público, como Zé Bétio, Edgard de Souza e Teixeirinha, tomando-se o mesmo cuidado com os jingles: uma dupla caipira gravou um "improviso", salientando a importância da usina para todo o Paraná e justa remuneração que todos os desapropriados iriam receber, e Teixeirinha e Mary Therezinha gravaram uma quadrilha com a mesma temática.

Também foi enfatizado em toda a campanha, o cuidado que todos deveriam ter em pedir a credencial de qualquer indivíduo que se dissesse da COPEL. Em momentos como estes, muitos são os que tentam obter benefícios para si mesmos valendo-se de expedientes escusos – e a empresa não poderia deixar passar em branco esta oportunidade, pois um só caso que acontecesse poderia abalar toda a sua credibilidade junto a populações visadas.

RESULTADOS

Os resultados finais obtidos foram muito além do esperado. Basta dizer que, dentre 1.500 ações amigáveis, somente três desapropriações motivaram ações judiciais. E a fixação de imagem da COPEL junto às comunidades atingidas foi considerada excelente.

Muitos formam os que, desconhecendo inicialmente a importância de uma Usina Hidrelétrica, passaram a divulgá-la e até a defendê-la.

Originalmente publicado no Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 3, p. 22, 1981, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná