CASE REYATAZ ─
EXEMPLO DE PARCERIA NA LUTA CONTRA A AIDS
Organização
Bristol ─ Myers Squibb
Profissional Responsável
Walter Nori
Assessoria Externa
WN&P
Ano da Premiação
2006
1 ANÁLISE DO CONTEXTO DA ORGANIZAÇÃO
Se princípios, como ética e transparência, devem estar presentes nas
políticas de relacionamento das empresas com os seus públicos, a exigência
torna-se ainda maior quando o cliente é o governo, que tem necessidades
específicas em uma área extremamente sensível – a saúde pública – e em um
programa que é exemplo para outros países – o Programa Nacional de HIV/Aids.
A atuação do setor farmacêutico sofre grande pressão por parte da
sociedade. É uma indústria que investe dezenas de bilhões de dólares em
pesquisa todos os anos, produzindo medicamentos cada vez mais modernos,
com benefícios crescentes para os pacientes. A contrapartida é o alto
custo desses produtos, que não podem ser adquiridas por uma grande parcela
da população. Diante desse quadro, não raro a imagem do laboratório fica
comprometida.
Para resolver esse impasse entre a garantia de retorno ao investimento
realizado em pesquisa e a necessidade de acesso da população ao avanço
obtido, a Bristol-Myers Squibb resolveu inovar e adotar uma nova postura
de comunicação e relacionamento com seu cliente, o governo, cujo case foi
monitorado pela WN&P Comunicação, agência de Comunicação.
2 DESCRIÇÃO DO CASE
Diante de sua estratégia de focar investimentos em 10 áreas
terapêuticas de alta complexidade, a Bristol-Myers Squibb (BMS) passou a
ter no governo federal um cliente importante, para garantir o acesso da
população às alternativas mais modernas e inovadoras para o combate de
doenças crônicas. Em 2003, ao voltar a produzir medicamentos para o
tratamento do HIV/Aids, o
custo do produto, proporcional à tecnologia aplicada e eficácia, era um
obstáculo importante.
A BMS decidiu antecipar-se. Os fatos narrados no case detalham as ações
desenvolvidas entre o período 2003/2006, quando a companhia começou a
negociar o Reyataz® (atazanavir) com o governo federal, para possibilitar
sua inclusão no coquetel anti-retroviral distribuído gratuitamente pelo
Ministério da Saúde. Mostram uma série de iniciativas que passaram a
representar um marco na história do relacionamento entre laboratórios e
Governo.
A primeira mudança foi a forma de diálogo adotada, que passou a ser
muito mais aberto. A companhia mostrou até onde era possível chegar para
fornecer o Reyataz® ao Programa Nacional de HIV/Aids
e antecipou o desconto que daria ao longo dos anos de uma só vez, chegando
a 76,4%, um percentual agressivo e que permitiu ao governo adquirir o
produto a um custo competitivo. Também tirou a companhia de uma linha de
confronto desnecessária e desgastante, que gerou bons resultados na
relação entre empresa e cliente.
Foi assim que, em novembro de 2003, o Ministério da Saúde e a
Bristol-Myers Squibb anunciaram ao mercado o sucesso da negociação que
permitiu ao governo federal inserir no coquetel anti-Aids a droga mais moderna existente no mercado naquele
momento, beneficiando os pacientes atendidos.
3 PLANEJAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS
Briefing
A Bristol-Myers Squibb (BMS) elaborou um plano de ação que a
diferenciasse do setor farmacêutico, em especial entre as empresas que
fornecem os seus medicamentos para o Programa Nacional de HIV/Aids. A companhia enfrentou os obstáculos para construir uma
relação de longo prazo, em benefício de seus negócios, mas também da
sociedade como um todo.
Objetivos
Nessa nova relação que pretendia construir com o governo federal, havia
dois objetivos claros: voltar a fornecer medicamentos inovadores ao
Programa Nacional de HIV/Aids,
beneficiando milhares de pacientes; e criar um novo relacionamento, de
qualidade e de longo prazo com o governo.
Estratégias de Relações Públicas
Para criar um ambiente diferenciado e de parceria onde historicamente
havia o conflito, a companhia adotou uma estratégia também diferenciada,
contemplando:
■ geração de um fato inicial de impacto, que
demonstrasse a disposição da de negociar de forma aberta com o governo,
caracterizado pelo desconto ao qual as partes chegaram após as
negociações;
■ contato pessoal e permanente com todos os
escalões do governo, incluindo técnicos e especialmente o ministro da
Saúde e o presidente da República;
■ ampla divulgação dos resultados obtidos,
como forma de informar e ganhar o apoio da sociedade em relação à atuação
diferenciada da companhia;
■ extensão das ações para outros públicos,
como forma de reforçar o “senso de compaixão” da companhia e o bom
relacionamento com o governo.
Ações
■ Negociação com a matriz: para convencer os
executivos sobre a grandeza e os aspectos positivos de voltar a participar
do Programa Nacional de HIV/Aids;
■ Ampla divulgação do acordo: liderada pela
área de comunicação do Ministério da Saúde, com o apoio da Diretoria de
Assuntos Corporativos e Relações Governamentais da BMS;
■ Fretamento de carregamento especial: para
resolver o problema de abastecimento do medicamento Reyataz®, em fevereiro
de 2005. A BMS manteve uma postura aberta com a imprensa, através da
assessoria de imprensa, a WN&P Comunicação, para esclarecer o fato, e
fretou um carregamento especial do produto diretamente da matriz;
■ Parceria com a Sociedade Brasileira de
Infectologia: com a criação de uma série de iniciativas, como o Prêmio de
Incentivo à Prevenção e ao Tratamento do HIV/Aids,
a criação do site Pró-Adesão (www.proadesao.com.br) e do Manual de Boas
Práticas de Adesão HIV/Aids.
Metodologias de Avaliação
O retorno da estratégia e das ações desenvolvidas pode ser medido por:
■ mudança no tratamento dispensado à
companhia por parte dos órgãos oficiais com os quais trata freqüentemente;
■ notas e reportagens publicadas pela
imprensa, contribuindo para o conhecimento das ações por parte da
sociedade e para o reforço dos compromissos assumidos pela BMS junto ao
poder público;
■ a manutenção do fornecimento de Reayataz®
para o Ministério da Saúde e os conseqüentes resultados positivos nas
vendas da companhia para o Programa do governo, apesar dos descontos
agressivos concedidos.
Resultados
■ Reconhecimento por parte do governo federal
das ações promovidas pela Bristol-Myers Squibb (Exemplo: o convite feito
pelo presidente da República ao presidente da companhia, Mário Grieco,
para acompanhá-lo a uma viagem oficial à Índia e à África do Sul);
■ O acordo da BMS com o governo federal
serviu de parâmetro para que outras negociações semelhantes fossem
realizadas em seguida; Mensagens do presidente da República parabenizando
a companhia pelas duas edições do Prêmio de Incentivo à Prevenção e ao
Tratamento do HIV/Aids;
■ Publicação de 28 notas e reportagens por
parte de veículos de comunicação de todo o Brasil entre novembro de 2003 e
fevereiro de 2004, sobre o acordo entre a BMS e o governo federal. O
Prêmio em parceria com a SBI e o tema adesão ao tratamento, por sua vez,
foi abordado pela imprensa em 26 oportunidades entre as edições de 2005 e
2006;
■ As vendas da companhia para o Programa
Nacional de DST/Aids crescem
a cada ano, sem que a companhia se envolva em discussões públicas sobre
quebra de patente de seus medicamentos.