Quanto ao ensino e pesquisa de Relações Públicas no Brasil, podemos
afirmar que dentre muitos objetivos, o Conselho Nacional da ABRP, hoje
Diretório Nacional, coordenou e acompanhou o projeto de lei, sua
tramitação no Legislativo e na Presidência da República, a fim de
conseguir um documento legal que oferecesse à profissão condições de
realizar uma efetiva seleção àqueles que desejassem pleitear o registro
profissional.
Essa seleção está explícita nas letras "A" do artigo 1º, que diz: "A
designação do Profissional de Relações Públicas passa a ser privada dos
bacharéis formados nos respectivos cursos de nível superior".
Brasileiros filiados à Associação se destacam no campo profissional e
associativo e iniciam sua participação ativa em questões públicas ligadas
à área. Em 1965, Osvaldo Silva, reeleito Presidente da ABRP-SESP, é
convidado pelo Reitor da Universidade Estadual de São Paulo – USP – para
participar da comissão encarregada de estudar a criação da Escola de
Comunicações Culturais, hoje Escola de Comunicações e Artes (ECA). Os
profissionais de Relações Públicas, filiados à ABRP das Seções Regionais
já existentes, sentiam a necessidade da regulamentação do exercício
profissional de Relações Públicas.
Deste modo, o primeiro curso universitário no Brasil surgiu em São
Paulo, em 16 de junho de 1966, que instituiu a Escola de Comunicações e
Culturais da Universidade de São Paulo. Inicialmente, eram oferecidos os
seguintes cursos: Jornalismo, Rádio e Televisão, Arte Dramática, Cinema,
Biblioteconomia Documentação e Relações Públicas. Em 1969, por deliberação
do Conselho Estadual de Educação, passou a denominar-se Escola de
Comunicações e Arte (ECA).
Nessa época começaram a proliferar os cursos de Relações Públicas no
Brasil. Aparecem como pioneiros: Fundação Armando Álvares Penteado, em São
Paulo, Organização Mogiana de Educação e Cultura, hoje, Universidade de
Moji das Cruzes e a Escola Superior de Relações Públicas, em Recife-PE.
A ECA-USP funcionou por dois anos com currículo próprio e em 1969
passou a obedecer ao parecer no. 890, de 18/12/68, do Conselho Federal de
Educação (CFE). Ainda em 1968, o CFE apresentou o primeiro currículo
mínimo para os cursos de Comunicação Social com habilitação polivalente e
habilitações específicas, quando também foram fixados os mínimos de
conteúdos e duração a serem observados na organização do curso de
Comunicação (Resolução nº 11 de 10 de outubro de 1969).
É válido observar que o Parecer nº 890/68 destacava a importância das
disciplinas de Administração para a formação do profissional de Relações
Públicas. Entretanto, o "Parecer Celso Kelly", que resultou na criação dos
Cursos de Comunicação Social, vinculou o curso de Relações Públicas à área
de comunicação. Várias controvérsias foram levantadas e tornaram-se objeto
de teses, conferências e outras reuniões dialogais para a discussão do
assunto. É oportuno ressaltar que até 1968 os profissionais de Relações
Públicas se registravam nos Conselhos Regionais dos Técnicos de
Administração nos precisos termos da lei nº 4.769 de 9 de setembro de
1965.
Em vários congressos, encontros e outros eventos das décadas de 1970 e
1980, constatam-se várias recomendações no sentido de serem criados cursos
de pós-graduação "Lato senso" (Especialização e Aperfeiçoamento de
Relações Públicas) e "stricto sensu" (Mestrado e Doutorado), em
escolas ou universidades que possuíam o curso de graduação, para
diplomados, docentes e profissionais de Relações Públicas.
Entidades de classe como CONFIARP, a Associação Internacional de
Relações Públicas – IPRA, mediante a atuação de suas Comissões para o
Ensino e Aprendizado de Relações Públicas têm se preocupado com o ensino
de Relações Públicas em todo o mundo. Encontro de professores e Congressos
Universitários têm apresentado temas específicos sobre o ensino, pesquisa,
produção intelectual e reciclagem profissional no sentido de propiciar uma
abertura crítica por parte dos docentes profissionais e entidades de
classe.