Alguns livros de Relações Públicas consideram como precursores de
Relações Públicas em terras norte-americanas, Sam Adams, Amos Kendall,
presidente Abraham Lincoln e Phineas T. Barnun. Este último, empresário,
charlatão e vigarista, poderia ser chamado de "Pai das Relações Não-Públicas", isto é, das mistificações em Relações Públicas.
As primeiras décadas do século XX marcaram o aparecimento dos poderosos
monopólios, a concentração de riquezas em poucas mãos e a conseqüente
hostilidade do povo norte-americano contra o mundo dos negócios. Essa
quase revolta popular era inspirada também pelas obras de escritores
radicais, como Lincoln Steffens, David Graham Phillips, Upton Sinclair,
Theodore Dreiser e Jack London. Não eram somente os trabalhadores que se
organizavam em incipientes sindicatos para enfrentar os poderosos, mas a
própria classe média que se manifestava, principalmente por meio da
imprensa, contra os abusos das empresas.
Por outro lado, os "muckrakers" (exploradores profissionais de
escândalos) conseguiam envenenar mais a situação, já que cuidavam de
relatar, com pormenores e exageros, a vida nababesca e imoral dos magnatas
do mundo dos negócios. Por essa época, atingiram seu apogeu os célebres "tycoons",
empresários que faziam graça de seus métodos despóticos no lidar com seus
operários. É desse tempo, igualmente, a famosa obra "História da Standard
Oil Company", de autoria de Ida Tarbell, que dizia revelar a criminalidade
oculta detrás da armadura de respeitabilidade e cristianismo.
O crescimento da onda de protestos obrigou o governo norte-americano a
tomar algumas medidas legais e propor ao Congresso leis contra os
monopólios e cartéis. Os homens de empresa sentiram, então, necessidade de
vir a público para tentar explicar suas atividades, por intermédio de
advogados e jornalistas. Foi quando John D. Rockefeller Jr. contratou os
serviços de Ivy Lee, um antigo jornalista nova-iorquino, com ordenado
mensal de mil dólares.
Ivy Ledbetter Lee que, como jornalista e mais tarde publicitário, vinha
se preocupando com a política discriminatória do mundo dos negócios,
propôs a Rockefeller a adoção de medidas radicais. Contudo, Lee somente
viu aceitas as suas sugestões, em razão da greve sangrenta da "Colorado
Fuel and Iran Co.". A primeira providencia de Ivy Lee foi dispensar os
agentes de segurança que acompanhavam a família Rockefeller. Em seguida,
abriu as portas da organização para a imprensa e admitiu o diálogo com
líderes da comunidade e do governo.
Muitas outras providências foram tomadas, todas procurando humanizar a
corporação aos olhos do povo. Coube assim a Lee a glória de ter sido o
primeiro a colocar em prática os princípios e as técnicas de Relações
Públicas. E é oportuno acrescentar: as Relações Públicas nasciam no âmbito
da alta administração, pois o "pai das Relações Públicas" era conselheiro
pessoal de John Rockefeller Jr.
Nesse primeiro capítulo da história de Relações Públicas, outros
pioneiros se destacaram no mundo empresarial, empregando igualmente
princípios de Relações Públicas, como: George Michaelis, James Ellsworth,
Pendlenton Dudley e George Creel. Este último, também jornalista, foi
convidado pelo presidente Wilson para organizar a "United Public
Information Office", que funcionou como um dos primeiros serviços de
Relações Públicas no âmbito governamental.
Os homens que trabalharam com George Creel (Carl Byoir, Edward Bernays,
Harvey O’Higgins, John Price Jones e outros) levaram sua experiência e
conhecimentos técnicos para as empresas privadas e "desta forma começou a
formar-se uma nova profissão, ainda que muitos, a princípio, não
parecessem reconhecê-la como tal" (CUTLIP, Scott; CENTER, Allen H.
Relaciones públicas. Madri, 1961. p. 64).
Edward Bernays publicava seu livro "Crystallizing Public Opinion"
(1923), que pode ser considerado como a primeira obra sobre Relações
Públicas. Pode-se dizer, igualmente, que Bernays foi o primeiro professor
de Relações Públicas, no meio universitário, quando lecionou naquele ano
Relações Públicas na Universidade de Nova Iorque.
Por volta de 1935, numerosas universidades e colégios norte-americanos
possuíam cursos de Relações Públicas. Contudo, a primeira escola de
Relações Públicas nos Estados Unidos da América e no mundo, foi a Escola
de Relações Públicas e Comunicação da Universidade de Boston (1947).
A depressão econômica em 1929 e o plano "New Deal" exigiram a presença
efetiva de técnicas de Relações Públicas, visando a esclarecer a real
situação que o país vinha atravessando no campo econômico-financeiro.
Bernays chega a escrever que, nesta época, estourou uma autêntica
revolução em Relações Públicas, por meio da idéia central que o interesse
público e o interesse privado deveriam coincidir exatamente. E
acrescentava o antigo colaborador de George Creel: "as atividades de
Relações Públicas orientar-se-ão nesse sentido" (BERNAYS, Edward L. Public
relations. Boston, 1945, p. 11).
O período rooseveltiano (1933 a 1945) assinala o início da época de
ouro das Relações Públicas nos Estados Unidos da América. Franklin Delano
Roosevelt revelou-se, além de um político sagaz, um legítimo homem de
Relações Públicas. Roosevelt venceu suas batalhas através dos veículos de
comunicação massiva, que utilizava com habilidade e honestidade.
Foi nesse período que surgiram os mais completos serviços de imprensa
nas principais repartições federais. Os jornalistas eram credenciados
juntos aos poderes públicos e uma vez por semana, o presidente Roosevelt
recebia os homens de imprensa na "Casa Branca". Foi também o tempo das
famosas "conversas ao pé do fogo", quando semanalmente Roosevelt prestava
contas ao povo norte-americano das atividades e projetos governamentais,
através de cadeias de emissoras de rádio.
As primeiras pesquisas de opinião pública, através de instituições
especializadas, também foram realizadas pelo governo norte-americano,
sempre preocupado com as reações do povo em face da revolução
político-econômica que se efetuava, por força do plano "New Deal".
A guerra mundial acarretava problemas bastante sérios e complexos que
requeriam informações amplas para todo o povo. Daí a criação de um novo
escritório de informações de guerra, sob a direção de Elmer Davis, que
repetiu, em escala muito maior, o êxito alcançado pelo "Comitê Creel", na
Primeira Guerra Mundial. Curioso observar que muitos relatores públicos,
no campo governamental, em particular nas Forças Armadas, ao retornarem às
suas empresas, traziam uma completa bagagem de conhecimentos práticos de
Relações Públicas, além de uma visão mais humanística no que se referia
aos negócios. A partir do término da Segunda Grande Guerra, as Relações
Públicas, nos Estados Unidos da América, haviam alcançado um estágio de
progresso e de aceitação que facilitava seu desenvolvimento em outros
países no mundo.