Prefácio da 6ª e 7ª Eds.

Voltar

 

 

 

Prefácio da 4ª Ed.
Prefácio da 5ª Ed.
Prefácio da 6ª e 7ª Eds.
Legislação Federal
Legislação da ABRP
Código de Ética
Datas de Fundação
Cursos de Graduação
Pós-Graduação
Associações
CONFERP e CONRERPs
Sindicatos

 

RESUMO DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO “CONTRIBUIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RELAÇÕES PÚBLICAS PARA A PROFISSÃO DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO BRASIL”

Esta dissertação se propõe a expor a contribuição da Associação Brasileira de Relações Públicas no Brasil.

Partimos do pressuposto básico de que uma profissão só se torna INSTITUCIONALIZADA quando lhe é reconhecida uma função social específica, capaz de assegurar a unidade e a continuidade do grupo.

O processo de institucionalização depende de componentes estruturais e culturais, bem como dos aspectos demográficos, ecológicos, do grau de desenvolvimento econômico, das entidades de classe, dos cursos existentes, da literatura específica, das pessoas atuando no campo de atividade e dos serviços prestados à comunidade.

Entende-se por profissionalização um processo de transformação de uma ATIVIDADE em PROFISSÃO, pela atribuição de certos direitos, deveres e funções a todos os que a exercem.

A profissionalização equivale a uma institucionalização. As atividades vão se profissionalizando na medida que determinada sociedade se diferencia e a divisão de trabalho se acentua. Essa tendência se manifesta tanto no campo sociológico quanto no jurídico.

A PROFISSÃO DE RELAÇÕES PÚBLICAS sofreu os fenômenos da transição, imaturidade e incerteza, quando autênticos pioneiros desbravaram o caminho de uma floresta virgem. Hoje, ainda sentimos a presença dos que se preocupam em oferecer um conjunto de princípios que sirvam de base a um sistema científico que culmine com o natural aparecimento da “Ciência de Relações Públicas”, correta e efetiva.

As Relações Públicas, no momento, preocupam-se com a administração da controvérsia pública como um fenômeno da atualidade administrativa.

Nesse contexto, o profissional de Relações Públicas tem como objetivo estabelecer atitudes e opiniões resultantes de debates sobre temas controversos de interesse coletivo. Ele é um administrador de controvérsias públicas que apresenta e define as controvérsias, fornece informações a respeito delas, levanta tendências e cria condições para a discussão pública. Trata-se de um aspecto novo no campo das Relações Públicas, porém precisa ser encarado com responsabilidade por aqueles que acreditam em sua profissão e desejam vislumbrá-la no Século XXI como uma teoria consolidada e adaptada à sociedade contemporânea.

A idéia central em que reside a nossa investigação é de que a atividade de Relações Públicas atingiu os requisitos mínimos para transforma-se em profissão.

Esperamos colaborar com profissionais e estudantes de Relações Públicas, no sentido de contribuir com a conscientização da necessidade de conhecer o desenvolvimento de Relações Públicas no cenário brasileiro, após trinta e um anos, hoje quarenta três anos de fundação da Associação Brasileira de Relações Públicas.

Assim, apresentamos um levantamento de dados a partir dos primórdios da fundação e dos objetivos da Associação Brasileira de Relações Públicas até os nossos dias. Paralelamente, é realizado um estudo para o desenvolvimento da profissão de Relações Públicas no Brasil e na América Latina como tarefa fomentadora da institucionalização da profissão.

Considerando o objeto a ser estudado, a metodologia aplicada foi a elaboração de um levantamento bibliográfico e hemerográfico para o conhecimento de idéias e dados informativos existentes sobre a profissão de Relações Públicas, como também uma observação sobre os aspectos relevantes para sua institucionalização.

Procuramos então fundamentar o desenvolvimento deste trabalho com um estudo exploratório, optando pelo método histórico num enfoque sobre a mudança, o desenvolvimento do indivíduo, grupos, práticas, instituições e idéias. As técnicas usadas constituíram-se em coleta de dados históricos e documentais de fontes primárias e secundárias em arquivo públicos e particulares. Também foram solicitadas entrevistas e depoimentos dos sócios fundadores, líderes, ex-diretores e diretores da Câmara Superior Permanente, Diretório Nacional e respectivas seções estaduais da Associação Brasileira de Relações Públicas, diretores das entidades da classe, bem como dos Conselhos Federal e Regionais de profissionais de Relações Públicas.

 

A dissertação divide-se em cinco capítulos. No primeiro, teremos considerações sobre os aspectos históricos de Relações Públicas e sua posição relevante na tomada de consciência dos precursores que, em face da conjuntura social-econômica, reconheceram o valor de uma atividade voltada para o bem comum.

Os fatos históricos que antecederam a profissão de Relações Públicas no mundo, na América Latina e no Brasil foram abordados por alguns estudiosos, porém a desinformação e, principalmente, a ausência do espírito de pesquisa, não propiciaram condições para que o caminho à institucionalização fosse aberto e definitivo. A dinâmica dos fatos sociais e econômicos têm mostrado que a iniciativa privada descobriu sua importância e se desenvolveu de maneira mais acelerada.

Em algumas partes do globo terrestre, os órgãos governamentais sentiram que a opinião pública reclamava um serviço que atendesse aos anseios dos governados. Ambas as áreas solicitavam o apoio público, isto é, aprovação pública. Evidentemente, tanto nas instituições privadas como nas públicas, Relações Públicas tornou-se uma necessidade incontestável. Alguns consideram que Relações Públicas é uma das mais novas profissões, porém ela hoje se apresenta, num complexo de atribuições que são indispensáveis ao êxito das organizações públicas ou privadas. Empresários e governantes sentem a necessidade de vir a público para conhecer e avaliar as atitudes, as opiniões e as aspirações dos públicos com relação às instituições.

Assim, Relações Públicas realizam uma atividade não apenas de informar amplamente, mas também de criar ou formar públicos conscientes de seus propósitos em benefício da comunidade. É muito importante ressaltar o conceito de público que difere daquele que, a todo o momento, é usado.

Desnecessário seria observar que os profissionais de Relações Públicas na América Latina e no Brasil se preocupam com suas atribuições na busca da efetiva profissionalização das Relações Públicas na América Latina e no Brasil. Nesse sentido, o Brasil obtém em 1967 a regulamentação do exercício profissional – Lei nº 5.377, de 11 de dezembro de 1967–, treze anos após, o Panamá conquistou sua regulamentação – Lei n° 37, de 27 de outubro de 1980. Os demais países latino-americanos, no campo das Relações Públicas, estão regidos pelos seus respectivos códigos de ética profissional aprovado por suas associações que ativamente trabalham pela regulamentação e que por diversas razões de ordem institucional e/ou política de cada país, ainda não se concretizou.

O marco histórico das Relações Públicas na América Latina ocorreu em 1960, quando na cidade do México foi realizada a l Conferência Interamericana de Relações Públicas que originou a fundação da Federação Interamericana de Associações de Relações Públicas – FIARP, hoje Confederação Interamericana de Relações Públicas – CONFIARP. Isto ocorreu por iniciativa do relacionista Federico Sanchez Fogarty e de um grupo de profissionais dotados de idealismo capaz de projetar a grande obra continental. Em 1961 foi realizada a II Conferência Interamericana em Caracas (Venezuela), quando então foi subscrita a ata constitutiva. As associações que participaram da l e II Conferência Interamericana são consideradas Membros-Fundadores da FIARP: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba (em exílio), Estados Unidos, México, Panamá, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela.

As atividades de Relações Públicas na América Latina foram inicialmente desenvolvidas de maneira empírica. Posteriormente, com o advento do ensino superior na área específica, elas foram exercidas por profissionais com formação acadêmica.

A grande contribuição para se atingir o posicionamento da profissão de Relações Públicas na América Latina foi respaldada pelo trabalho consciente e efetivo das associações da FIARP e por meio de estudiosos que conseguiram um lugar de destaque na sociedade latino-americana. A CONFIARP, dentre outras atividades, promove de dois em dois anos, com a colaboração das suas associações, a Conferência Interamericana que abarcam problemas relacionados com a profissão, dentro do enfoque científico, técnico e didático. Suas análises e discussões visam chegar a conclusões e recomendações que venham a ser adotadas em nível continental.

Até a presente data foram realizadas dezoito Conferências Interamericanas. No Brasil foram realizadas três: IV, em 1963, no Rio de Janeiro; XIV, em 1979, em São Paulo; XIX, em 1990, em Florianópolis.

Comemora-se em toda América Latina o “Dia Interamericano de Relações Públicas” em 26 de setembro, data da fundação da FIARP.

O grande destaque na área institucional de Relações Públicas na América Latina recai sobre o Brasil. É necessário reconhecer que em nosso país a instituição das Relações Públicas remonta ao ano de 1914, no âmbito empresarial, com a criação do Departamento de Relações Públicas na antiga Light.

Na área governamental, o serviço de informação agrícola, no Ministério da Agricultura, marca o aparecimento de um serviço de Relações Públicas em Órgão oficial, pelo Decreto-Lei nº 2094 de 28/03/1940.

Aparece o Brasil, com seu pioneirismo evidente, com a conquista de 1967 pela regulamentação profissional de Relações Públicas, até então, fato incomum na história.

Em 1962 surgiu a primeira obra “Para Entender Relações Públicas” de Teobaldo de Andrade, que aborda minuciosamente, dentre outros assuntos, os aspectos históricos de Relações Públicas em todo o mundo. Na ocasião, a imprensa paulista assim se manifestava sobre a primeira edição: “Teobaldo de Andrade é o pioneiro indígena em relações públicas. Teobaldo nacionalizou o assunto com base em sua experiência brasileira, que é das mais sérias” (Diário da Noite 12/07/62).

E ainda, o periódico especializado Public Relations New, editado em Nova York, inseriu, recentemente, apreciação sobre o referido livro: “Crê-se ser o primeiro livro de Relações Públicas na América do Sul o que acaba de ser publicado no Brasil”.

Desde 1967 foi também o Brasil, o primeiro a instalar o curso superior de Relações Públicas, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade São Paulo, com a duração de quatro anos.

No campo do ensino e da pesquisa, no que se refere a cursos em nível de graduação e pós-graduação, a bibliografia existente de autores nacionais e obras traduzidas – livros, revistas, folhetos, artigos –, a titulação acadêmica, os congressos, seminários e outros, mostram que o Brasil está à frente dos demais países latino-americanos. Desta maneira, nosso país tem propiciado aos países irmãos, um enriquecimento de conhecimentos e de intercâmbio de experiências, no sentido de ampliar a acervo técnico e cultural indispensável a uma profissão.

O marco inicial das Relações Públicas no Brasil localiza-se em São Paulo, em 30 de janeiro de 1914, com a nomeação de Educação Pinheiro Lobo para chefiar o recém-criado Departamento de Relações Públicas da empresa canadense THE SÃO PAULO TRAMWAY LIGHT AND POWER CO. LIMITED, concessionária da iluminação pública e do transporte coletivo na capital paulista. Na ocasião a direção da Light, sentido a necessidade de um setor especializado para cuidar do seu relacionamento com os órgãos da imprensa e com os poderes concedentes, no sentido de desenvolver um trabalho de Relações Públicas com a imprensa objetivou o esclarecimento da opinião pública.

Eduardo Pinheiro Lobo, pioneiro das Relações Públicas no Brasil, era alagoano de Penedo, nascido em 2 de dezembro de 1876, a ABRP-Nacional e Seção Estadual de Alagoas promoveram o IV Congresso Brasileiro de Relações Públicas em Maceió e Penedo em homenagem ao pioneiro por ocasião do centenário de seu nascimento.

A Lei nº 7.197, de 14 de 1984, instituiu o “Dia Nacional das Relações Públicas”, quando foi declarado Patrono das Relações Públicas Eduardo Pinheiro Lobo.

Em reunião do então Conselho Nacional da ABRP, em 12 de dezembro de 1975, em São Paulo, foi instituída a “Medalha Eduardo Pinheiro Lobo” destinada a premiar as pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que tenham relevantes serviços prestados à classe dos Profissionais de Relações Públicas. Até a presente data, os galardoados com a Medalha foram os senhores Jarbas Passarinho, Divaldo Suruagy, Natalino Pereira de Souza, Domingos de Araújo da Cunha Gonçalves e Cândido Teobaldo de Souza Andrade.

No Brasil, poucos autores se dedicaram aos antecedentes históricos, com exceção de Teobaldo de Andrade, Martha Alves de Azevedo, José Grandjean dos Santos Pinto, Hugo Barbien, Nelson Speers, José Xavier de Oliveira e dos estudiosos Celso Feliciano de Oliveira e Maria StelIa Thomazi.

Na história das Relações Públicas em nosso país, destaca-se a contribuição do grupo liderado pelo professor Mário Wagner Vieira da Cunha, do Instituto de Administração da Universidade de São Paulo, quando foram realizadas, em 1949, várias conferências sobre Relações Públicas e suas correlações com a propaganda e as ciências sociais.

Também em 1949, na cidade do Rio de Janeiro o DASP promoveu o chamado “Curso de Relações com o Público”, tendo como professores lbany da Cunha Ribeiro e Diógenes Bittencourt Monteiro.

Em 1953, a Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, na cidade do Rio de Janeiro, realizou o 1º Curso de Relações Públicas sob a regência do professor Carlson e, posteriormente, foram ministrados outros, por Harwood Childs, da Universidade de Princeton, e se tratava de uma das maiores autoridades, especialmente no que se refere à opinião pública.

Na administração pública federal, a primeira manifestação do aparecimento de um serviço informativo oficial surge em 9 de dezembro de 1911 (Decreto nº 9.195) com a criação do Serviço de Informação de Divulgação no Ministério da Agricultura. Em 1934 foi instituído o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural no Ministério da Justiça e Negócios do Interior. Dois anos antes, 1932, foi aprovado o regulamento para a execução dos serviços de radiocomunicação no território brasileiro, quando era criado o programa radiofônico

“A Voz do Brasil”, que só funcionou quando da criação daquele Departamento. O aparecimento de um serviço de Relações Públicas em órgão governamental foi de 28/04/1940, pelo Decreto-Lei nº 2.094, quando foi organizado o Serviço de Informação Agrícola, no Ministério da Agricultura.

Em São Paulo, o primeiro Serviço de Relações Públicas, com esse título, deu-se em 1954, no Departamento de Águas e Esgotos, com a denominação de Seção de Relações Públicas. Em 1955, pelo Decreto nº 25.112 de novembro foram criados os Setores de Relações Públicas nas Secretarias de Estado e Órgãos diretamente subordinados ao Governador; em decorrência desse decreto, o antigo DEA promoveu um Seminário de Relações Públicas para os ocupantes dos cargos de redator do Serviço Público (julho de 1956), que contou com a participação dos professores: Neville Shepherd, May Nunes de Souza, Juarez Brandão Lopes, Benedito Silva, Florindo Villa Alvarez e outros.

No segundo semestre de 1959 era instituída a disciplina de Relações Públicas Governamentais no Curso de Administração Geral no então DEA. Em 1960 foi instalado o primeiro curso regular de Relações Públicas, “Curso Especial de Relações Públicas” e em 1964 o curso foi transformado em Curso de Formação em Grau Médio, com três níveis.

Igualmente, esse Curso foi estruturado e ministrado no IDORT. Nas duas instituições o responsável pelos Cursos era o professor Dr. Cândido Teobaldo de Souza Andrade.

No Estado do Rio de Janeiro, o primeiro Serviço de Relações Públicas, na área governamental, foi criado pela Prefeitura de Niterói, graças ao trabalho de Noé Matos Cunha, em 1957.

No dia 4 de março de 1954, reuniu-se o chamado, na época “Grupo de Relações Públicas”, integrado por profissionais de Relações Públicas paulista, com o objetivo de discutir a criação de uma associação de Relações Públicas. Essa reunião, que se realizou na sede do Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT –, contou com a participação dos pioneiros de Relações Públicas: Hugo Barbieri, Saulo Guimarães, Nelson Speers, Wladimír Borba, Jonas Znyjdek, Raul F. Dias de Toledo, Anibal Bonfim, J. B. Martins Ramos e Henrique Beck Júnior.

Após várias reuniões que contou com a presença de outros profissionais, no dia 21 de julho de 1954, no auditório do IDORT, foi discutido e aprovado o estatuto da Associação Brasileira de Relações Públicas – ABRP; em São Paulo, com a participação de 27 profissionais de elevado nível profissional.

O primeiro estatuto da ABRP foi registrado no cartório Adalberto Netto, no dia 18 de agosto de 1954, sob o nº 3.991, na cidade de São Paulo.

Graças aos pioneiros da ABRP, profissionais que deram exemplos de luta, de serviços e respeito, hoje, o Brasil coloca-se na vanguarda entre os países da América Latina. Trata-se de uma profissão reconhecida legalmente, com o ensino e a pesquisa em franco progresso, literatura ponderável, considerada a segunda no mundo em quantidade de obras publicadas, além de algumas traduções para a língua portuguesa e código de ética.

O trabalho foi árduo, por meio de reuniões, estudos, caminhadas e diálogos com o legislativo e executivo, conquistando assim dois grandes marcos: profissão regulamentada e curso superior.

Em 1967 as Relações Públicas no Brasil atingiram o seu ponto culminante. Nosso país foi a primeira nação a regulamentar a profissão de Relação Públicas pela Lei nº 5.377, de 11/12/67 que disciplinou o exercício profissional e, na mesma época a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, instituiu o primeiro curso superior de Relações Públicas, com duração de quatro anos.

Em 1968, o Decreto nº 63.283 de 26/09/68 regulamenta a Lei de nº 5.377 que disciplina o exercício profissional de Relações Públicas e, em 1969, o Decreto-Lei nº 860, de 11/09/1969, dispõe sobre a constituição do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Relações Públicas, que foi regulamentado pelo Decreto nº 68.582 de 04/05/1971.

O importante foi o conjunto de esforços de liderança de profissionais que redundou no que se alcançou até hoje, ou seja, a consolidação da estrutura institucional da profissão e da ABRP.

Nesse sentido, acredita-se que apareceram apenas duas lideranças que contribuíram, decisivamente, para a institucionalização da profissão de Relações Públicas. A primeira foi Ney Peixoto do Valle que surgiu na década de 60 e a segunda, Cândido Teobaldo de Souza Andrade, na década de 70, sem esquecer os batalhadores da profissão de Relações Públicas. Em São Paulo: Hugo Barbien, Ubirajara Martins e May Nunes de Souza Rubião; no Rio de Janeiro: Benedito Silva, Evaldo Simas Pereira, Florindo Villa; Alvarez, Roberto Doring, Natalino Pereira de Souza, Vilma Vidal e Dante de Lima Vianna e em Brasília: Domingos Araújo Cunha Gonçalves e Téo Pereira da Silva.

A ABRP está filiada à FIARP, hoje CONFIARP, como fundadora e participa ativamente com as 16 associações-membros, por meio de seus conselheiros diretivos e permanentes.

A presidência da FIARP esteve sediada, por duas vezes, na ABRP-Nacional e a ela foi outorgada “El Chasqui” de ouro pelo desenvolvimento da associação, pela atuação de alguns profissionais e pelas conquistas para o campo profissional. Também foi outorgada “El Chasqui” de prata a três brasileiros que prestaram relevantes atividades em prol de classe: Na década de 60 a Ney Peixoto do Valle, na década de 70 a Teobaldo de Souza Andrade e na década de 80 a Milton Cavalcanti.

No segundo capítulo abordamos os conceitos, funções e atividades de Relações Públicas, dando ênfase importância das definições conceituai e operacional, além do relevante trabalho de pesquisa realizado pela Federação Interamericana de Associações de Relações Públicas, no sentido de estabelecer as funções básicas e específicas de Relações Públicas. Deixamos de apresentar um resumo deste enfoque por considerar desnecessário.

 

Para o terceiro capítulo, apresentamos um estudo preliminar das finalidades da Associação Brasileira de Relações Públicas, segundo as disposições estatuárias e os primórdios da regulamentação profissional, além de destacarmos o estágio atual da Associação e a necessária integração entre as entidades da classe para aquisição da consciência profissional.

Os estatutos da Associação Brasileira de Relações Públicas sofreram as alterações necessárias conforme as modificações estruturais, objetivos e finalidade da Associação Brasileira de Relações Públicas, 1956, 1960, 1963, 1970, 1972, 1978. O Estatuto atual foi aprovado em Assembléia Geral de Sócios realizada no Rio de Janeiro, durante a realização do XIII Congresso Brasileiro de Relações Públicas, em 13 de outubro de 1994, publicado neste Guia Brasileiro.

As atividades em funcionamento dos órgãos administrativos da ABRP-Nacional são regulados pelo Regimento Interno aprovado em reunião extraordinária da Câmara Superior Permanente, em 13/06/81, no Rio de Janeiro. Cabe às Seções Estatuais baixar seus respectivos Regimentos Internos, cujos dispositivos devem estar de acordo com estes Estatutos e com o Regimento Interno da ABRP-Nacional e só entrarão em vigor depois de homologados pelo Diretório Nacional.

A ABRP – Diretório Nacional tem os seguintes órgãos assessores:

1. Comissão de Ensino de Relações Públicas – CERP;

2. Medalha do Mérito “Eduardo Pinheiro Lobo”;

3. Troféu do Mérito ”Natalino Pereira de Souza”;

4. Centro de Pesquisas e Documentação de Relações Públicas – CEPEDREP;

5. Comissão de Altos Estudos de Relações Públicas – CAERP.

Todos esses regulamentos foram publicados neste Guia Brasileiro.

A ABRP é constituída pela ABRP-Nacional, pelas Seções Estaduais e subseções.

A ABRP-Nacional terá por sede a capital do estado em que residir o presidente do Diretório Nacional.

A jurisdição das Seções Estaduais é capital da Unidade da Federação. O foro legal da ABRP-Nacional está na cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo. A ABRP conta com as seguintes categorias de sócios: titulares efetivos, titulares, aspirantes, contribuintes, coletivos, honorários e beneméritos. A associação conta com aproximadamente 6.000 sócios, distribuídos pelas catorze Seções Estaduais. É a segunda associação de classe do mundo.

A ABRP conta com catorze Seções Estaduais: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito federal, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará, Alagoas, Paraná, Pará, Bahia, Sergipe, Amazonas e Maranhão (ver respectiva área de jurisdição e data de fundação, neste Guia Brasileiro).

Com a criação da ABRP em São Paulo, houve grande repercussão no Rio de Janeiro. Palestras, conferências e entrevistas se sucederam. Na ocasião, o professor Benedito Silva, da Fundação Getúlio Vargas é indicado para representara ABRP no Rio de Janeiro. Também da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, Florindo Vila Alvarez, professor de Relações Públicas da Fundação e Assessor do Departamento de Administração do Serviço Público – DASP, é admitido como sócio e encarregado de congregar os profissionais em Relações Públicas para criar a ABRP no Rio de Janeiro e foi o propositor da formação das Seções Regionais, hoje, Seções Estaduais.

No início de 1956, começaram os debates propiciados a criação das seções e a necessária alteração dos Estatutos. Em 5 de abril de 1956 foi realizada a Assembléia Geral Ordinária e constatou-se a existência de 106 sócios, sendo 66 titulares, dos quais 35 eram do Rio de Janeiro.

Em 10 de abril de 1956 é criada a Seção Regional Rio de Janeiro. Cursos intensivos, publicações em revistas e outros meios são acionados para a divulgação das primeiras notícias sobre as Relações Públicas no Brasil. Seminários, conferências e congressos são freqüentados por brasileiros. Novas modificações estatutárias se fazem necessárias, por exemplo, surge o Conselho Superior, no qual um representante de cada Seção Regional participa das reuniões em nível nacional.

Brasileiros filiados à Associação se destacam no campo profissional e associativo e iniciam sua participação ativa em Congressos Nacionais. Em 1963, na cidade do Rio de Janeiro, sob a promoção da ABRP-SERJ é realizada a IV Conferência Interamericana de Relações Públicas, com a participação de elevado número de profissionais e de diversos países Latino-Americanos. Presidiu o evento Ney Peixoto do Valle, que era o presidente do Conselho Nacional da ABRP e na mesma ocasião traz para o Brasil a presidência da FIARP.

Em 1965, Osvaldo Silva é reeleito Presidente da ABRP-SESP e é convidado peio Reitor da Universidade Estadual de São Paulo USP, para participar da comissão encarregada de estudar a criação da Escola de Comunicações Culturais, hoje Escola de Comunicações e Artes – ECA. Os profissionais de Relações Públicas filiados à ABRP das Seções Regionais já existentes sentiam a necessidade da regulamentação do exercício profissional de Relações Públicas.

Pode-se constatar que, de um modo geral, todas as seções estaduais nasceram ou foram transformações de associações locais. Tanto a criação das associações locais como a mudança para a seção estadual da ABRP foi trabalho de pioneiros que tiveram a oportunidade de colaborar de um modo mais efetivo em benefício da entidade de classe, como também, para a institucionalização da profissão de Relações Públicas.

Percebe-se que a ABRP dá prosseguimento ao desenvolvimento de suas finalidades de maneira acelerada e adquire maturidade e consciência profissional, cobrindo com suas catorze Seções Estaduais, o território brasileiro.

A seção do Distrito Federal tem suas origens no Centro de Relações Públicas. Em 31 de agosto de 1965 foi reconhecida a referida seção, tendo como primeiro presidente Domingos Araújo da Cunha Gonçalves, cuja atuação foi decisiva no sentido de acelerar a regulamentação formal da atividade de Relações Públicas. Na época, estavam reconhecidas as Seções Regionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Pernambuco. É preciso salientar que o Conselho Nacional e as demais seções estaduais, na ocasião, regionais, intensificaram suas lutas pela evolução institucional.

É também importante destacar que a Seção Distrito Federal colaborou um pouco além de suas finalidades estatutárias, uma vez que sua proximidade com o Poder Executivo e o Legislativo propiciou condições para ajudar, de modo mais direto e efetivo na regulamentação profissional.

Em 1965 inicia-se um trabalho de Ney Peixoto da Valle – Presidente do Conselho Nacional da ABRP e de Domingos Araújo da Cunha Gonçalves – Presidente da Seção Distrito Federal e de outros colaboradores, no sentido de alcançarem a regulamentação.

O Projeto de Lei da futura regulamentação profissional é publicado no Diário Oficial da União em 27/10/65, sob o nº 3.275/65, de autoria do Deputado Federal Herbert Levy. Entretanto, os Deputados Federais Evaldo Almeida Pinto e Helcio Manghesani apresentaram um substitutivo.

Em 1966, dava-se a notícia de que o projeto seria encaminhado para a Comissão de Legislação Social da Câmara dos Deputados. Um ano e meio após, o Projeto de Lei nº 288/66 estava na Comissão de Legislação Social do Senado Federal e esperava-se levá-lo à sanção presidencial, de modo que isto ocorresse, antes do IV Congresso Mundial de Relações Públicas que iria acontecer em outubro de 1967, no Rio de Janeiro, tendo como ternário “Relações Públicas em um mundo de transformação”. Neste Congresso compareceram representantes de 27 países.

Em setembro de 1967 o Projeto-Lei nº 288/66 foi aprovado pela Comissão de Justiça do Senado e encaminhado à Comissão de Educação e Cultura. O presidente da Comissão, Senador Menezes Pimentel, solicitou o parecer do Ministério da Educação e Cultura o que ocorreu com relativa rapidez, graças à atuação do professor Edson Franco, então Secretário Geral do Ministério e membro do Conselho Federal de Educação, que o referendou.

Em 11 de dezembro de 1967 a Lei nº 5.377 é publicada e o Brasil conquistou seu marco histórico.

A regulamentação ocorreu após a realização do IV Congresso Mundial de Relações Públicas, o primeiro de caráter internacional no Brasil e, conseqüentemente, foi mais uma contribuição para impulsionar a legislação que regulamentou a profissão de Relações Públicas.

Os dirigentes da ABRP trabalharam exaustivamente e aceleradamente. Surge então, mais um resultado, 26/09/68 com a publicação do Decreto nº 63.283 que regulamentou a Lei nº 5.377/67, o que mereceu a colaboração de assessores do Ministério do Trabalho.

Em outubro de 1969, Domingos Araújo da Cunha Gonçalves, antes de deixar o cargo de secretário particular do Ministério do Trabalho, Jarbas Passarinho, trabalhou para a regulamentação da Lei nº 5.3771 67, como também pela necessária criação dos Conselhos Federais e Regionais de Relações Públicas. Os Conselhos foram criados em 11/09/69 pelo Decreto-Lei nº 860 e sua regulamentação aconteceu em 04/05/71 pelo Decreto nº 68.582/71.

Os demais países da América Latina sentem-se atraídos pelo Brasil. Além do ensino superior, trata-se do único país com a profissão regulamentada.

A Sociedade Colombiana de Relações Públicas, presidia por Humberto Lopes, indica a ABRP para receber “El Chasqui de Ouro” pelos inúmeros feitos pioneiros da entidade no campo de Relações Públicas.

Em 1972, o Brasil, por meio do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas conquista a aprovação do Código de Ética, com disposições reguladoras do comportamento a ser obedecido pelos que exercem a profissão, inclusive enfatizando o respeito aos princípios da “Declaração Universal dos Direitos do Homem” e não permitindo a subordinação da verdade aos interesses ilegítimos.

A ABRP, em 1973, pela segunda vez, traz a Presidência da FIARP ao Brasil, sendo seu presidente, professor Teobaldo de Andrade. Parece-nos que após todos esses feitos, a ABRP pode ser vista como uma entidade de caráter público e não aglomerado de pessoas com interesses particulares.

Ademais, a regulamentação e a oficialização da profissão de Relações Públicas no Brasil caracterizou-se pela luta incessante da ABRP, no sentido de restringir as práticas contrárias e zelar pela ética profissional, tendo em vista elevar o nível desta atividade para alcançar sua profissionalização.

É evidente que a luta deve continuar desde que o universo desenvolve-se de maneira mais acelerada. Necessário se faz reconhecer que o momento em que estamos vivendo não só é importante pelas transformações que focalizam a nova sociedade brasileira, como também pela atuação que deve ter o profissional de Relações Públicas frente a essas modificações.

Para que haja a participação positiva é imprescindível que ocorra a integração de interesses legítimos e comuns.

A integração só acontecerá quando houver consciência profissional e o reconhecimento da importância de todas as entidades representativas dos profissionais e das empresas de Relações Públicas. Nesse sentido é preciso assegurar o exercício profissional para si e para os demais componentes de sua categoria.

 

No quarto capítulo desta dissertação apresentamos a legislação brasileira, a profissiografia e código de ética. Com referência à legislação, é apresentada integralmente no presente Guia Brasileiro, bem como, o Código de Ética do Profissional de Relações Públicas.

Quanto à profissiografia de Relações Públicas, isto é, o estudo do Profissional e da Profissão de Relações Públicas, apenas observamos neste resumo, que o desenvolvimento e a expansão da profissão de Relações Públicas tem sido significativo durante os últimos trinta e cinco anos. Do empirismo dos anos 1914, seguiu-se uma formação profissional universitária, que conferiu à atividade uma reconhecida capacidade técnica e um consolidado prestígio, ambos adquirido na efetiva atuação de profissionais a serviço das instituições públicas ou privadas.

É oportuno lembrar os requisitos mínimos para a atividade de Relações Públicas transformar-se em profissão foram plenamente satisfeitos. Além do reconhecimento legal e da sociedade, o ensino e a pesquisa, e a existência de associações de classe, a literatura específica.

Hoje a profissão de Relações Públicas adquiriu maturidade, tem finalidade, objetivo, técnicas e princípios. É uma profissão disciplinada por uma lei especial que delimitou o seu campo de ação para o seu exercício. No entanto, não se pode descuidar da formação de profissionais, que devam exercer a profissão de Relações Públicas. Na verdade é necessário considerar que as profissões se transformam com a sociedade. Elas respondem às solicitações da organização social.

Especificamente, a profissão de Relações Públicas, analisada num definido espaço social, leva-nos a certos questionamentos fundamentais. Questionamentos estes que equivalem a buscar perspectiva filosófica, histórica, política, econômica e social. Entretanto, a área profissional não se desvincula de um todo e só terá sentido em seu âmbito geral.

Para o desenvolvimento das atividades (exercício efetivo de cargo ou função), pressupõem-se profissionais formados de acordo com a legislação vigente. Os homens, numa sociedade dinâmica, desenvolvem seu potencial de criação e transformação no que desejam ser e se realizam à medida que se tornam profissionais. Os profissionais se apresentam à sociedade para prestar serviços que atendam ao interesse dos públicos e ao interesse social.

Para a preparação de um profissional de Relações Públicas é necessário formação e treinamento. Todos os seres humanos precisam desenvolver a inteligência e a aptidão. Pelo processo educativo as pessoas adquirem conhecimento do mundo e uma certa habilitação para o dia-a-dia.

É mister esforço e competência dos seres humanos para que sejam formados e treinados a fim de desejarem êxito das empresas por meio de sua atuação. O interesse público, meta de todas as instituições públicas ou privadas, somente será alcançada por meio de valores profissionais com a adequada transformação e treinamento.

Nos dias atuais, embora as principais funções estejam fixadas em lei, há dificuldade para implantação efetiva de Relações Públicas em nosso país, uma vez que, não houve uma fixação de limites sobre o que possa ser entendido como atividade específica ou típica de Relações Públicas.

A Associação Brasileira de Relações Públicas e os demais órgãos da classe de profissionais de Relações Públicas têm trabalhado no sentido de estabelecer limites, selecionar as mais importantes funções básicas e específicas para concretizá-las dentro da profissão. Também as entidades procuram estabelecer normas e princípios éticos a fim de evitar as deturpações.

Pesquisas realizadas no Brasil e na América Latina referente ao exercício profissional das Relações Públicas demonstram que a posição do profissional ainda não está consolidada, embora com o significativo status profissional adquirido, com o reconhecimento de função administrativa ligada à alta administração. Também é reconhecida a necessidade de que a opinião do diretor ou do consultor de Relações Públicas deve pesar em todas as decisões referentes à política e diretrizes da organização onde atua. Em alguns países da Europa, nos Estados Unidos da América do Norte e na América Latina existem Assessorias de Relações Públicas que cuidam de problemas que dizem respeito às políticas de Relações Públicas. O encarregado da assessoria não pertence ao quadro da instituição, porém é um indivíduo ou uma equipe altamente qualificada que atua como consultor externo de Relações Públicas.

 

No quinto e ultimo capítulo, enfatizamos a institucionalização da profissão de Relações Públicas no Brasil, graças ao cumprimento dos requisitos mínimos para que uma profissão se torne institucionalizada, destacando o trabalho árduo dos dirigentes da Associação Brasileira de Relações Públicas na contribuição para a institucionalização da profissão de Relações Públicas e na consecução de suas finalidades estatutárias.

Quanto ao ensino e pesquisa de Relações Públicas no Brasil podemos afirmar que entre muitos objetivos, o Conselho Nacional da ABRP, hoje Diretório Nacional, coordenou e acompanhou o projeto de lei, sua tramitação no Legislativo e na Presidência da República, a fim de conseguir um documento legal que oferecesse à profissão condições de realizar uma efetiva seleção àqueles que desejassem pleitear o registro profissional. Essa seleção está explícita nas letras “A” do artigo 12, uma vez que, as letras “B” e “C” preocupam-se com o registro profissional daqueles que já exerciam as funções de Relações Públicas. Assim a letra “A” do referido artigo diz: “A designação do Profissional de Relações Públicas passa a ser privativa dos bacharéis formados nos respectivos cursos de nível superior”.

A partir desse momento, foram criados os cursos em nível superior, com fiscalização do Ministério de Educação e Cultura.

O primeiro curso universitário no Brasil surgiu em São Paulo, em 16 de junho de 1966, que instituiu a Escola de Comunicações Culturais da Universidade de São Paulo. Inicialmente, eram oferecidos os seguintes cursos: Jornalismo, Rádio e Televisão, Arte Dramática, Cinema, Biblioteconomia, Documentação e Relações Públicas. Em 1969, por deliberação do Conselho Estadual de Educação, passou a denominar-se Escola de Comunicações e Arte-ECA. Hoje, a ECA ofereceu outras opções aos interessados: Música, Artes Plásticas, Propaganda e Publicidade e Editoração. Nessa época começaram a proliferar os cursos de Relações Públicas no Brasil. Aparecem como pioneiros: Fundação Armando Álvares Penteado em São Paulo, Organização Mogiana de Educação e Cultura, hoje, Universidade de Moji das Cruzes e a Escola Superior de Relações Públicas, em Recife-PE.

A ECA-USP funcionou por dois anos com currículo próprio e, em 1969, passou a obedecer o Parecer nº 890, de 18/12/68, do Conselho Federal de Educação – CFE. Ainda em 1968, o CPE apresentou o primeiro currículo mínimo para os cursos de comunicação social com habilitação polivalente e habilitações específicas, quando também foram fixados os mínimos de conteúdos e duração a serem observados na organização do curso de Comunicação (Resolução nº 511 de 10/10/69).

É válido observar que o Parecer nº 890/68 destacava-se a importância das disciplinas de Administração para a formação do profissional de Relações Públicas, entretanto, o "Parecer Celso Kelly", que resultou na criação dos cursos de Comunicação Social, vinculou o curso de Relações Públicas à área de comunicação. Várias controvérsias foram levantadas e tornaram-se objeto de teses, conferências e outras reuniões dialogais para a discussão do assunto. É oportuno ressaltar que até 1968 os profissionais de Relações Públicas se registravam nos Conselhos Regionais dos Técnicos de Administração nos precisos termos da Lei nº 4.769 de 9/09/1965.

Em 1978 o CFE aprovou a Resolução nº 3/1978 que foi homologada pelo MEC em março do mesmo ano, fixando o currículo mínimo para o curso. A referida resolução foi alterada, ficando sua implantação para o ano letivo de 1980. Integram o currículo mínimo matérias de fundamentação humanísticas e as de fundamentação específicas, as quais eram comuns às várias habilitações, além das disciplinas de natureza profissional, de cada habilitação (Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas e/ou outras). A habilitação Relações Públicas continuou em Comunicação Social mantendo disciplinas da área de administração.

Em virtude de críticas recebidas sobre padrão de conhecimento demonstrado pelos alunos da área, surgiu a necessidade de algumas modificações. Foi criada uma comissão especial para estudo do currículo do curso de Comunicação social, que funcionou até 1982 e era integrado por profissionais das diferentes áreas, diretores, professores e alunos das escolas existentes no Brasil. A Comissão apresentou um estudo do currículo do curso e demais recomendações, resultado do consenso de seus integrantes. O documento traduz a opinião das categorias apresentadas.

O currículo do curso de comunicação ficou constituído por um tronco comum, por uma parte de matérias ou disciplinas diversificadas em função das habilitações e por projetos experimentais.

Hoje, no Brasil, existem 42 Faculdades com Curso de Relações Públicas e 33 Faculdades que possuem a disciplina Relações Públicas (ver neste Guia).

Nos últimos Congressos, Encontros e outros eventos, constatam-se recomendações no sentido de serem criados Cursos de Pós-graduação Lato Senso (Especialização e Aperfeiçoamento de Relações Públicas) em escolas ou universidades que possuam curso de graduação para diplomados, docentes e profissionais de Relações Públicas, é necessário um Programa Institucional de Capacitação de Docentes de Relações Públicas mediante cursos de pós-graduação Stricto Senso (Mestrado e Doutorado), não só para a formação de professores especializados em Relações Públicas ou áreas afins, mas também para facilitar o desenvolvimento dos estudos sistemáticos de pesquisas e de produção intelectual no campo de Relações Públicas (ver na Bibliografia brasileira).

Entidades da classe como CONFIARP, a Associação Internacional de Relações Públicas – IPRA, mediante a atuação de suas Comissões para o Ensino e Aprendizado de Relações Públicas têm se preocupado com o ensino de Relações Públicas em todo o mundo. Encontro de professores e congressos universitários têm apresentado temas específico sobre o ensino, pesquisa, produção intelectual e reciclagem profissional no sentido de propiciar uma abertura crítica por parte dos docentes profissionais e entidades de classe.

No Brasil, estão em pleno funcionamento os seguintes cursos de Pós-Graduação Stricto Senso (Mestrado e Doutorado): Em São Paulo na Escola de Comunicação e Artes – USP e em São Bernardo do Campo, no Instituto Metodista de Ensino Superior – IMES (Mestrado). Hoje, o Brasil possui uma tese de Livre-Docência, oito teses de Doutorado e vinte e três dissertações de Mestrado, todas em Relações Públicas. (Ver neste guia).

Com referência à bibliografia de Relações Públicas no Brasil podemos considerar que a publicação de livros, opúsculos, artigos, revistas, jornais especializados sobre uma atividade constitui um dos requisitos indispensáveis à institucionalização de uma profissão. As primeiras publicações específicas de Relações Públicas editadas no Brasil aparecem na década de 40, em sua maioria revistas, artigos e opúsculos.

Pode ser considerado o marco inicial da bibliografia, na revista do Serviço Público de 1942, o artigo intitulado “Relações de Administração com o Público”. Em 1951, o professor Mário Wagner Vieira da Cunha, do Instituto de Administração da USP edita um opúsculo “Administração de Negócios e os Serviços de Relações Públicas”. No Rio de Janeiro, em 1954, a Escola Brasileira de Administração Pública inicia a publicação de uma série de cadernos sobre Administração Pública. O primeiro foi “Relações Públicas, Divulgação e Propaganda” de Benedito Silva. Na década da 60, a América Latina inicia um vôo mais alto principalmente com a preocupação, principalmente com a preocupação de se discutir o que era Relações Públicas. No Brasil, em São Paulo surgiu o primeiro livro de Relações Públicas “Para Entender Relações Públicas” de Teobaldo de Andrade, em 1962. Na mesma época no Rio de Janeiro era editada a “Revista Brasileira de Relações Públicas” que publicava artigo de ótimo nível.

Na década de 70 a bibliografia volta-se para a prática de Relações Públicas, uma vez que as publicações anteriores preocuparam-se com a conceituação de Relações Públicas. Ao decorrer desta década aumentaram consideravelmente várias obras brasileiras. Ainda nesta dinâmica década citamos o trabalho dos editores da revista “RP em Revista” dos incansáveis Sara Ramalho e Yvonildo de Souza, iniciado em 1971 que após nove anos de atividade editorial na área de Relações Públicas, é obrigado a cerrar suas portas em dezembro de 1979.

Nos últimos quinze anos, foram lançados no Brasil livros para a formação universitária, além de alguns específicos ao campo empresarial. Dando continuidade ao seu pioneirismo no campo de Relações Públicas, o professor Teobaldo de Andrade nos últimos anos, preparou uma pesquisa bibliográfica sobre Relações Públicas no mundo.

Organizou uma completa bibliografia dos Estados Unidos da América do Norte, outra internacional e uma Latino Americana de Relações Públicas e Opinião Pública. A obra “Bibliografia Latino-Americana de Relações Públicas e Opinião Pública” constituiu a primeira publicação editada pelo CIESURP, lançada em Curitiba-PR em 30/08/1985, quando a realização do 5º Foro Regional Interamericano de Relações Públicas. Trata-se de uma bibliografia de obras de autores latino-americanos e estrangeiros, cujas edições tenham sido publicadas em países da América do Sul.

Com relação aos livros publicados, o Brasil se destaca em primeiro lugar entre os países da América Latina e é a segunda maior do mundo. As entidades ou órgãos da classe preenchem um dos aspectos indispensáveis à concretização de uma profissão, elevando seu exercício ético e estimulando ao progresso científico e tecnológico.

No momento há aproximadamente 58 associações nacionais espalhadas pelos cinco continentes. Neste resumo, apenas nos é possível citar as entidades de classe que vem desenvolvendo em efetivo trabalho em prol do campo profissional de Relações Publicas no Brasil:

Confederação Interamericana de Relações Públicas – CONFIARP e seus órgãos vinculados:

1. Comissão Interamericana para o ensino de Relações Públicas-CIPERP;

2. Centro Interamericano de Pesquisa e Documentação sobre Relações Públicas-CINIDREP e

3. Centro Interamericano de Estudos Superiores de Relações Públicas e Opinião Pública – CIESURP; Internacional Public Relation Association – IPRA Capítulo Brasileiro; Sindicato dos Profissionais Liberais de Relações Públicas (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Alagoas); Associação Brasileira de Empresas de Relações Públicas – ABERP.

Disciplina, lealdade e consciência profissional tem sido a pauta dos profissionais de Relações Públicas que acreditaram na profissão durante os trinta anos (hoje 39) de existência da ABRP por acreditar na profissão sentiram a necessidade de ampliar o quadro das entidades de classe, considerando outros objetivos e finalidades.

Em quase todos os capítulos desta dissertação foram feitas referências às atividades culturais, seus objetivos e conseqüência em seu benefício da consolidação efetiva da profissão de Relações Públicas.

As atividades culturais promovidas no Brasil pela ABRP-Nacional e por suas catorze Seções Estaduais foram pautadas nos requisitos básicos para a profissionalização.

As associações nacionais promovem reuniões dialogais que propiciam um contado direto entre profissionais, professores e estudiosos da atividade, no sentido de estabelecer debates de temas de interesse da profissão, permitindo conclusões e recomendações que possam ser adotadas em nível nacional e continental.

Até a presente data, no Brasil, foram realizados vários seminários, semanas e fórum organizados pelas catorze Seções Estaduais da ABRP.

Também foi preocupação da ABRP, tão logo criada uma Seção Estadual, promover um ciclo da palestra ou um curso de Relações Públicas. Outras vezes, antes da instalação da referida Seção Estadual, profissionais atuantes das empresas públicas ou privadas, programavam diferentes atividades no sentido de angariar o apoio público. Assim, o poder público e as grandes organizações privadas passavam a assumir maiores responsabilidades na comunidade.

A realidade é que a ABRP-Nacional e as respectivas Seções Estaduais, ao longo destes últimos anos têm organizado várias atividades culturais a fim de discutir problemas de Relações Públicas e, em especial, a formação dos futuros profissionais, em todo o seu aspecto global, evidentemente que sem descuidar do estabelecimento de parâmetros necessários para um amplo conhecimento da realidade brasileira no ensino e na pesquisa de Relações Públicas e da absorção pelo mercado de trabalho, lembrando as facilidades e dificuldades encontradas.

Foram realizados no Brasil oito Congressos Brasileiros de Relações Públicas, todos promovidos pela ABRP-Nacional e pelas respectivas Seções Estaduais:

I Petrópolis – Rio de Janeiro –1972;

II São Paulo – São Paulo – 1974;

III Fortaleza – Ceará – 1975;

IV Maceió e Penedo – 1976;

V Curitiba – Paraná – 1978;

VI Recife – Pernambuco – 1980;

VII Brasília – Distrito Federal – 1982;

VIII Belo Horizonte – Minas Gerais –1984.

Congresso Nacional Universitário de Relações Públicas:

I Recife – Pernambuco – 1973;

II Caxias do Sul – Rio Grande do Sul – 1975;

III Mogi das Cruzes – São Paulo – 1977;

IV São Luis – Maranhão – 1979;

V São Bernardo do Campo – São Paulo – 1982;

VI Porto Alegre – Rio Grande do Sul – 1985.

É importante observar que foram realizados simultaneamente aos Congressos Nacionais Universitários, os Ciclos de Estudos Superiores de Relações Públicas.

Para comemorar os dez anos da realização do l Congresso Interamericano Universitário de Relações Públicas, sob a promoção da FIARP e da ABRP-Nacional e patrocinado pela Seção Estadual de Pernambuco, em Recife, em 1983, entre os dias 11 e 15 de novembro. Na ocasião, foi prestada uma homenagem ao Senhor Joaquim Ribeiro Júnior, Presidente do Diretório Nacional da ABRP, recebendo o “Troféu Integração”, instituído pela ABRP-Seção Estadual de Pernambuco.

Encontros Nacionais de Professores de Relações Públicas:

I Águas de São Pedro – São Paulo –1973;

II Rio de Janeiro – Rio de Janeiro –1975;

III Gramado – Rio Grande do Sul – 1977.

IV São Luís – Maranhão –1979;

V Novo Hamburgo – Rio Grande do Sul –1981.

Em 1974, a ABRP-Conselho Nacional e Seção Estadual Guanabara promoveram o l Encontro Interamericano de Professores de Relações Públicas com o apoio da FIARP, na cidade do Rio de Janeiro.

A ABRP-Nacional sediou o IV Congresso Mundial das Relações Públicas, patrocinando pela antiga Seção Estadual da Guanabara, em outubro de 1967.

Compareceram representantes de 27 países. Essa realização contribuiu para o advento da regulamentação da profissão no Brasil, o que ocorreu em dezembro do mesmo ano. Entre os participantes ilustres destacamos as presenças de Frederico Sanches Fogarty, fundador da FIARP, e Ivy Lee Jr., filho de Ivy Lee, conhecido com “Pai das Relações Públicas nos Estados Unidos”. O Brasil foi palco de duas grandes e importantes conferências Interamericanas de Relações Públicas com o apoio da FIARP e do Diretório Nacional da ABRP, além da Seção Estadual promotora:

IV Rio de Janeiro – Rio de Janeiro –1963;

XIV São Paulo – São Paulo –1979.

É importante ressaltar que as atividades culturais promovidas pela ABRP, durante os seus anos de existência, recebem o apoio de associações afins, universidades, órgãos públicos e empresas privadas. As universidades, por meio dos alunos dos Cursos de Relações Públicas, orientados pelos respectivos professores, constitui-se em Comissão de Trabalho, operando junto à Comissão Organizadora que, geralmente, é integrada por diretores da Associação promotora dos eventos procura elaborar um ternário e uma estrutura organizacional à altura das necessidades da sociedade democrática que, cada vez mais, é esclarecida e exigente.

Como último item do quinto capítulo abordamos o exercício profissional e o mercado de trabalho. O exercício profissional de Relações Públicas propiciou uma longa caminhada sobre suas origens, as primeiras iniciativas, princípios e teorias que tentavam disciplinar a atividade e o método de ação que procuravam alcançar os resultados de hoje.

É preciso observar que estamos avançando, superando incertezas e ao mesmo tempo visualizando as exigências ou expectativas de um novo tempo. Vários ternários de Congresso, Conferências, Semanas de Estudos e outros eventos tiveram, sempre, a preocupação com temas da atualidade para ser analisados e debatidos.

O progresso produzido e as preocupações com os novos tempos, em termos de recursos humanos próprios de cada atividade, contribuíram para o desaparecimento de autodidatas, dos pretensos gênios e do empirismo que dominou por muito tempo. Hoje, cedemos o lugar aos graduados universitários, à tecnologia, aos recursos eletrônicos, aos métodos de ação e principalmente ao trabalho científico que está calcado no ensino e pesquisa, atendendo aos reclamos da sociedade dinâmica.

É preciso dar prosseguimento à atualização e reciclagem dos aspectos referentes ao exercício profissional.

Quanto ao problema da tão propalada situação do Mercado de Trabalho, o assunto tem sido abordado exaustivamente nos diversos eventos organizados pela ABRP. Os eventos têm contado com a participação de professores, profissionais, empresários, estudantes e demais nomes representativos da área de Relações Públicas, além de especialistas das organizações sociais do âmbito da iniciativa pública e particular. Neste sentido, todos salientam sobre a necessidade de assumir a profissão e lutar para conquistar e abrir o mercado de trabalho, como também estudar e preparar-se profissionalmente, conhecendo a legislação disciplinadora da atividade.

Os órgãos da classe têm se preocupado com vários aspectos; entretanto, ainda é preciso exigir uma perfeita delimitação do mercado de trabalho, evitando ingerência de outras áreas afins. Também é oportuno lembrar que a formação do profissional de Relações Públicas apresenta, algumas vezes, um desestímulo ocasionado por aqueles que se consideram agredidos pelo desenvolvimento da profissão de Relações Públicas no Brasil. Na realidade necessitamos de atitudes construtivas e críticas para consolidá-la, definitivamente.

 

As conclusões deste trabalho foram as seguintes:

1. A Associação Brasileira de Relações Públicas foi a entidade associativa que contribuiu para a institucionalização da Profissão de Relações Públicas no Brasil.

2. A atividade de Relações Públicas no Brasil alcançou os requisitos mínimos para transformar-se em profissão.

3. Hoje, a profissão de Relações Públicas tem o reconhecimento legal e da sociedade, uma vez que é uma atividade de interesse público com legislação específica.

4. O desenvolvimento da pesquisa e do ensino em Relações Públicas comprova o ensino superior.

5. A existência das entidades de classe, a Associação Brasileira de Relações Públicas e suas catorze Seções Estaduais, o Conselho Federal e seus sete Conselhos Regionais de Profissionais de Relações Públicas, os Sindicatos de Profissionais, é uma realidade incontestável para a institucionalização da profissão.

6. A bibliografia brasileira de Relações Públicas está classificada como a segunda maior do mundo.

7. A Associação Brasileira de Relações Públicas promoveu um grande número de reuniões dialogais que contribuíram para a institucionalização e o aperfeiçoamento profissional.

8. Os profissionais de Relações Públicas estão na posição de defesa de seus princípios e na fiscalização plena e permanente do exercício profissional, bem como se submetem ao Código de Ética dos Profissionais de Relações Públicas.

9. Graças ao resgate de memória existente, ora iniciado, sobre a institucionalização de Relações Públicas, acredita-se que trabalhos de tal natureza poderão servir de subsídios a uma nova interpretação do papel da Associação Brasileira de Relações Públicas na sociedade contemporânea.

10. Hoje, mais do que nunca, as entidades da classe e em especial a Associação Brasileira de Relações Públicas têm que contribuir efetivamente, para que se abra caminho à futura CIÊNCIA DE RELAÇÕES PÚBLICAS.

(Este trabalho é resumo da dissertação de mestrado apresentada por Maria StelIaThomazi em 16 de maio de 1986, no Centro de Pós-Graduação do Instituto de Metodista de Ensino Superior – São Bernardo do Campo – SP, quando obteve o título de Mestre em Ciência da Comunicação – Relações Públicas).