Responsabilidade Social

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A Empresa Cidadã Se Comunica Melhor

 

Rivaldo Chinem

Jornalista

 

Quem não prestou atenção ao selinho "Empresa Cidadã", ou "Empresa Amiga da Criança" ? Isso que dizer muita coisa? Que dizer sim. Mostra no papel um compromisso firmado para o bem-estar da sociedade.

O consumidor de hoje não pode mais ser visto fazendo-se um paralelo entre quem vive hoje e que viveu, digamos, há algumas décadas. Isso porque por mais que se fale na globalização, nossas crianças perceberam este tempo muito antes de notarmos que a era virtual estava invadindo nosso campo profissional (elas, mais espertas, jogam esses games virtuais há tempos – primeiro foi o Attari, depois o Phantom System, o Super Nintendo, o PlayStation e depois o Nintendo 64. E os minigames com suas infernais soluções? Quem é pai de filhos das mais variadas idades sabe do que estou falando). Se as crianças vivem esse novo tempo na velocidade compatível é mais do que lógico percebermos que estamos efetivamente vivendo o maravilhoso mundo novo.

Preços competitivos há muito deixaram de ser atrativo para o mercado. Qualidade? Faz-me rir. Marca forte? Certificado de qualidade? Nada disso é novidade e, ao mesmo tempo, tudo isso passa a ser um conjunto de atrativos de que se esperaria de uma empresa. No mínimo. O consumidor de hoje faz questão de dar preferência para a empresa que respeite seus funcionários, que não polua o ambiente, que diminua a injustiça social e que trate de seus produtos e serviços com todo o respeito. Caso contrário ele não respeitará o que está a seu alcance.

Funcionários, clientes, o que gira em torno deles todos – a comunidade, digamos assim –, são vistos como uma espécie de sócios do negócio que lhes está sendo proposto, prontos para compartilhar resultados. Não há mais vez para uma empresa relaxada, mal cuidada, imunda, que trata seus funcionários como se eles tivessem no pelourinho. A idéia é simples e pode ser resumida assim: se a empresa fracassou é porque seu dono não se empenhou o suficiente para que isto não acontecesse. Se vencer é porque foi eficiente.

Vamos trabalhar com a segunda hipótese, a dos vencedores. De uma coisa todos estarão de acordo: se não há mais lugar para os desleixados, também não há mais espaço, o mínimo que seja, para os também irresponsáveis.

Faz parte da agenda das empresas que precisam sobreviver e crescer ainda mais no futuro a palavra responsabilidade social. Não basta ser bonzinho, fazer caridade, procurar ser honesto – hoje o que se quer das empresas é seu compromisso efetivo com a sociedade, para que haja um crescimento duradouro e definitivo, não inchaços e gorduras rançosas.

A responsabilidade social de uma empresa faz com que ela se comunique melhor com a sociedade por uma simples razão: a partir do momento em que a empresa está convencida de seu papel social e se volta para a melhoria contínua desta mesma sociedade, o que ela está fazendo nada mais é do que se fortalecer mais e mais, aumentando seu conceito junto a esta sociedade que vive em torno dela.

Em outras palavras, o povo já não dizia que uma mão lava a outra? Pois é. Se neste ano todos nós melhorarmos enquanto povo, também vamos querer melhorar enquanto consumidores, cidadãos têm o que mostrar, já não ficam mais no vazio, na retórica, na mera intenção. E passam a se comunicar melhor.

Originalmente publicado em: http://www.megabrasil.com.br/megaportal/biblioteca_rivaldochinem.htm.