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UM DOS MAIS FORTES INSTRUMENTOS DE ADMINISTRAÇÃO ANDA ESQUECIDO

 

Antônio De Salvo

Profissional de Relações Públicas

 

O conceito de uma empresa é um de seus mais preciosos patrimônios. É mais valioso que o próprio lucro. Partindo dessa premissa, pode-se avaliar a importância das técnicas de Relações Públicas na existência de qualquer empresa ou entidade e do quanto um bom relacionamento pode influir favoravelmente no desenvolvimento e na projeção pública.

Nos regimes democráticos, a iniciativa privada tem um papel fundamental no progresso da nação, porque ela é a geradora de tudo, da pesquisa à produção, do capital à mão-de-obra. Tem direitos e deveres inalienáveis, que a tornam uma parte altamente ativa do complexo social que se relaciona cotidianamente com o governo, a imprensa, as entidades de classe, os fornecedores, trabalhadores, consumidores e, em última análise, com toda a comunidade. É necessário, portanto, que as empresas tenham um bom conceito e uma boa imagem.

Em todos os países desenvolvidos, as técnicas de Relações Públicas têm sido e continuam a ser adotadas como uma das mais importantes funções dentro das empresas na prevenção de problemas, na antecipação de soluções, na motivação constante da força de trabalho, no estabelecimento de diálogo e relacionamento com todos os públicos direta e indiretamente ligados à empresa.

A necessidade desse diálogo e relacionamento é, hoje, condição indispensável para que qualquer empresa – independentemente de seu tamanho ou setor de atuação – tenha um bom conceito público e, principalmente, condições de desenvolver-se.

Empresas não se criam apenas para um determinado período de vida. Quem assim pensa não está desempenhando a função empresarial. Está realizando um trabalho especulativo, temporário, prejudicial a si mesmo e a toda a sociedade. As pessoas nascem, devem crescer e perpetuar-se.

Para tanto, é indispensável – como para as pessoas – que tenham um conceito público inatacável e que se solidifique a cada ano que passa. Qualquer problema que acontece numa organização – grosseiramente comparando – é como um mal que aparece no ser humano.

Trata-se, e se preciso for, faz-se uma intervenção. O mal é curado. Mas fica a cicatriz acompanhando a pessoa pelo resto da vida. E algumas delas nem com cirurgia plástica desaparecem.

Com as empresas é a mesma coisa. Um acidente ou um problema pode ser "curado" pelo profissional de Relações Públicas. Mas deixa uma cicatriz. E essa cicatriz dificilmente a empresa consegue eliminar.

Quantas e quantas vezes já vimos isso acontecer. Quantas boas notícias lemos sobre empresas, mas tendo entre parênteses "...a empresa que provocou...".

Por isso, é melhor prevenir do que remediar. Não adianta esconder-se da imprensa depois de um acidente. Não adianta procurar o sindicato depois de a greve estourar. Não adianta pedir desculpas aos acionistas depois de ter tido prejuízo. Não adianta gastar milhões para tentar recuperar a imagem de um produto ruim. Relações Públicas pensa em tudo isso. Porque é uma atividade preventiva e orientadora.

PRESENTE E FUTURO

Infelizmente, no Brasil ainda há muitos empresários que acreditam que basta investir em propaganda, em campanhas beneficentes, em programas de incentivos para seus funcionários, para resolver os problemas de imagem ou nunca os ter.

O que é necessário esclarecer é que comunicação deve ser de ida e volta. Que o importante é estabelecer o diálogo, e não o monólogo. A propaganda é vital e indispensável para a promoção e venda de um produto ou serviço. As campanhas beneficentes são uma forma de ajudar a equilibrar o balanço social. Os programas de incentivo aos funcionários devolvem à força de trabalho um pouco do muito que ela dá à organização. Por isso, a necessidade do diálogo, da transparência e do relacionamento com todos os públicos.

A empresa transparente nada tema temer. O famoso low-profile, que durante anos muitas empresas adotaram no Brasil, já não funciona. A sociedade quer estar informada. Conhece quem dela participa e dela vive. Esse é o trabalho que as assessorias de Relações Públicas oferecem ao empresariado. Mostrar um conceito que pode ter uma fonte geradora: a realidade da empresa, por dentro e por fora. Conceito é verdade, e em Relações Públicas não se mente, porque é um trabalho fundamentado no diálogo, visando ao entendimento.

"Uma boa cidadã", assim deve ser a empresa nos países onde a livre iniciativa comanda o desenvolvimento. Mas é uma cidadania que só pode ser conquistada se a realidade administrativa for boa, se a empresa merecer respeito e acato e se a qualidade for a tônica principal de todos os seus produtos ou serviços. É o público consumidor, hoje, quem transfere esse conceito diretamente aos produtos e serviços das empresas.

No Brasil, já não se compra mais por impulso, compra-se pelo bom nome do fabricante, pela confiabilidade do produto. E só seriedade empresarial gera essa qualidade final, e qualidade custa – não só dinheiro, mas acima de tudo trabalho de base, como uma boa assessoria de Relações Públicas sabe e pode fazer. Isso é trabalho para profissionais competentes. E no Brasil temos muitos.

Hoje, as empresas de Relações Públicas brasileiras estão em igualdade de competência com as similares dos países mais avançados. Nossos profissionais são comparáveis aos melhores do mundo. O que falta é uma maior consciência empresarial da necessidade de abrir portas para a comunicação de forma definitiva e ampla.

Originalmente publicado no Catálogo Brasileiro de Profissionais de Relações Públicas, São Paulo, v. 11, p. 34, ago. 1991, editado pelo CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná