A ESTRANHA HISTÓRIA DO CARRO QUE NÃO
GOSTAVA DE SORVETE DE BAUNILHA
Waldyr
Gutierrez Fortes
Professor
da Universidade Estadual de Londrina
Recebi, recentemente, um e-mail, sem identificação de autoria do texto,
relatando uma história muito curiosa, que merece algumas reflexões por parte daqueles
que se preocupam com o bom atendimento aos consumidores dos produtos e dos serviços
prestados pelas organizações. Dizia o seguinte:
Não importa quão "louco"
você possa achar que alguns de nossos clientes possam ser, eles podem estar certos.
"Uma queixa foi recebida pela Divisão
Pontiac da General Motors. Veja o que relatava:
Esta é a segunda vez que eu escrevo a
vocês e não os culpo por não me responderem, porque eu posso parecer louco, mas o fato
é que nós temos a tradição, em nossa família, de ter sorvete como sobremesa todas as
noites após jantar. Mas o tipo de sorvete varia. Então, todas as noites, após termos
jantado, a família vota em um sabor de sorvete e eu me dirijo até a loja para
comprá-lo.
Recentemente comprei um novo Pontiac e
desde então minhas idas à loja têm sido um problema.
Vejam vocês: toda vez que eu compro
sorvete de baunilha, quando eu volto da loja para minha casa, o carro não funciona. Se eu
levo qualquer outro tipo de sorvete, o carro funciona bem.
Eu quero que vocês saibam que estou
sendo sério em relação a esta questão, não importa quão tola ela pareça: o que
acontece com o Pontiac que o faz não funcionar quando eu compro sorvete de baunilha, e
funciona toda vez que compro outro sabor?
O presidente da Pontiac ficou sem compreender a carta, mas enviou um
engenheiro para checar o assunto. Esse ficou surpreso por ter sido recebido por um homem
bem-sucedido e educado, de bons relacionamentos.
O técnico, então, acertou encontrar o
homem logo após o jantar. Os dois entraram no carro e se dirigiram até a loja de
sorvetes. Naquela noite foi escolhido o sorvete de baunilha, com a certeza de que depois
que retornassem ao carro, ele não iria funcionar, o que efetivamente aconteceu.
O engenheiro retornou por mais três
noites. Na primeira noite, o homem escolheu o sabor chocolate. O carro funcionou. Na
segunda noite, escolheu morango. O carro funcionou. Na terceira noite, pegou o de
baunilha. O carro falhou.
Sendo um homem lógico, o engenheiro
recusou-se a acreditar que o carro daquele homem era alérgico a baunilha. Assim,
combinaram continuar as visitas até que conseguisse resolver o problema.
Começou a fazer anotações: anotou
todos os tipos de dados, hora do dia, tipo de combustível usado, hora de dirigir etc.
Em pouco tempo, ele tinha uma pista: o
homem levava menos tempo para comprar o sorvete de baunilha do que qualquer outro sabor.
Por quê?
A resposta estava na disposição da
loja. O sorvete de baunilha, sendo o sabor mais popular, estava numa caixa separada na
frente da loja para ser pego rapidamente. Todos os outros sabores eram mantidos nos fundos
a loja, num outro balcão, o que acarretava uma demora considerável para pegá-los.
Agora a pergunta para o engenheiro era:
por que o carro não queria funcionar quando se levava menos tempo?
Uma vez identificado o problema
não o sorvete de baunilha o engenheiro veio rapidamente com a resposta: saída do
vapor.
Acontecia sempre, todas as noites, mas
o tempo extra para pegar os outros sabores deixava o motor esfriar o suficiente para
funcionar. Quando o homem pegava o sorvete de baunilha, o motor ainda estava quente para o
vapor ter se dissipado.
Moral da historia: até os problemas
que parecem mais banais às vezes são válidos; então, nunca devemos pré-julgar, ou
dispensar um problema em potencial relatado a nós por um cliente.
Constata-se, com a conclusão desta
história, que o atendimento total ao consumidor completa-se pelo entendimento de que a
responsabilidade da empresa não termina após a assinatura do contrato de venda.
Novos componentes são adicionados ao
composto de relacionamento para auxiliar a companhia nos seus esforços de conquista de
mercado, indo além das atividades de pós-venda (garantias, suprimentos e serviços de
reclamações ou orientação), que são agregadas aos produtos e serviços
comercializados. Dentre várias atividade, destacam-se as seguintes:
Entende-se, com estes cuidados, o valor de
transformar os consumidores em públicos da organização, adotando medidas inovadoras
motivadas pelas menores reclamações, ao identificar o problema, importando ouvir o
consumidor quando ele escreve cartas, telefona e pede para falar com alguém da empresa.
Assegura-se, deste modo, que a decisão de compra realizada não seja a única ligação
deste grupo e a companhia que se dispõe a enfrentar com eficácia os seus ambientes e
mercados.
O relacionamento com os consumidores tem como
orientação principal a possibilidade de encantá-los com atitudes, de certo modo, até
inesperadas. O novo consumidor está alertado, também, para as conseqüências de alguns
de seus hábitos cotidianos. Passa a exigir, por isso, melhor atendimento e produtos e
serviços que não tragam prejuízos ao meio ambiente.
A empresa, por sua vez, vislumbra excelentes
oportunidades de negócios ao observar os desejos e necessidades dos consumidores e ao
respeitar as questões ambientais, fazendo valer a máxima do benefício mútuo: quando é
relevante para alguns e não prejudica ninguém, as possibilidades de negócios e
comerciais são socialmente aceitáveis.
Além disso, os sistemas de coordenação de
atividades exigirão competentes processos de relacionamento articulados com os ambientes
de tarefas. A empresa moderna, estrategicamente administrada, volta-se para o ambiente
externo quando compreende a relevância do estabelecimento de uma aproximação sólida
com os diferentes públicos. Essa companhia percebe alguns benefícios desta postura
atualizada:
A colaboração das duas áreas
Marketing e Relações Públicas em termos de Transmarketing deverá ter, portanto,
como base os diferentes objetivos de cada um dos sistemas da organização, considerando
as características dos destinos dos dois diferentes tipos de mensagens, dirigidas à
massa de consumidores, no caso do Marketing, ou para os públicos, incluindo os
consumidores, quando as funções consideradas são as de Relações Públicas.

[1] VAVRA,
Terry G. Marketing de
relacionamento: aftermarketing. São
Paulo: Atlas, 1993. p. 33, 44.
[2] WHITELEY, Richard. Tapete
vermelho para os clientes. Exame, São Paulo, v. 24, n. 18, p.
96-98, set. 1992. Entrevista concedida a
Sandra Carvalho.
