TRANSMARKETING
E O RESPEITO AO CONSUMIDOR
Waldyr
Gutierrez Fortes
Professor
da Universidade Estadual de Londrina
Os jornais e as revistas semanais, ultimamente, têm trazido uma
série de reportagens a respeito de empresas que acompanham ou desconsideram os
fundamentos do Transmarketing. Algumas se voltam para os seus consumidores e públicos de
interesse e outras, porém, chegam a desprezá-los.
Na primeira categoria estão as companhias que, apesar da
experiência no mercado, não perceberam que os consumidores são diferentes e que, nem
sempre, um produto pode ser vendido da mesma maneira e com as mesmas características em
todo o Brasil. Exemplo disto, é o cuidado dos fabricantes de bens de consumo que, de
acordo com esses periódicos, finalmente ajustaram os seus artigos ao gosto e aos costumes
do Nordeste.
Este acontecimento deve ser examinado sob duas perspectivas.
Primeiro, foi preciso esperar que a referida região apresentasse índices de crescimento
superiores à média nacional, por vários anos, para que os homens de empresa do Sul do
país tomassem ciência de sua força a rejeição desses mercados configura um
descuido mercadológico, pois sempre existiram amplas faixas populacionais com poder de
consumo, mas não tinham como suprir suas demandas pela inexistência de produtos
adaptados às suas necessidades.
O segundo ângulo de análise corresponde ao fato de as
organizações estarem freqüentemente voltas para dentro. Desprezam
oportunidades e desafios, contentam-se com a rotina, prendem-se a estereótipos e
estigmatizam determinadas regiões como inviáveis para empreendimentos arrojados.
Agora, após esse período de letargia, oferecem xampus,
desodorantes, perfumes e hidratantes adequados aos hábitos e às condições de
temperatura e que amenizam os efeitos nocivos do calor e do sol, conforme
noticiado. Comercializam gêneros alimentícios que utilizam matérias-primas e com
aspecto, aroma e sabor semelhantes aos originalmente vendidos pelas empresas locais, com
receitas alteradas e com embalagens apropriadas às peculiaridades dos lares nordestinos.
São itens que, de tão óbvios, levam a uma dúvida: por que demorou tanto tempo para que
fossem postos em prática? Desconhecimento? Incompetência?
Esse panorama estabelece as bases de Transmarketing: o delineamento
da potencialidade dos mercados e os compromissos de bom relacionamento que as empresas
têm obrigação de observar. As companhias precisam ter uma visão completa do ramo no
qual atuam e aplicar o Marketing verdadeiro, aquele que busca chances para manter e
conquistar consumidores, mediante a satisfação de suas necessidades e desejos, e não
simplesmente tentando empurrar um produto ou serviço preexistente e
inadequado. E mais, precisam ver os consumidores e os demais públicos como cidadãos, com
características individuais que devem ser acolhidas, e estabelecer, por meio das
Relações Públicas, entendimentos sólidos, para que as pessoas enxerguem a
organização que está por trás do produto comprado.
OUTRA HISTÓRIA
Outro momentoso acontecimento amplamente discutido pela imprensa por
vários dias no Brasil inteiro, e enquadrado como de Transmarketing, foi o episódio
da modificação do processo de DDD do país. O que ocorreu? As empresas prestadoras do
serviço preocuparam-se, essencialmente, em somente fixar o seu número na mente dos
usuários, sem uma informação conveniente sobre o mecanismo que estava embutido em toda
a mudança, e sobre o correto manejo do sistema a partir do dia 3 de julho. Chegou-se ao
absurdo de haver o estímulo aos telefonemas pela possibilidade de concorrer a prêmios
valiosos, quando, na realidade, deveria ter sido feita uma campanha de
demarketing, que desestimularia as ligações enquanto o sistema estivesse
sendo implantado e testado.
Afora a simpatia dos personagens criados ou utilizados para divulgar
os ditos números, faltou, evidentemente, a informação consistente, apta, instrutiva e
orientadora à população, o mínimo que se poderia esperar de organismos que estão,
alguns deles, iniciando suas atividades no país. Essa atitude irrefletida veio a
diminuir, perante a opinião pública, a relevância do que já havia sido obtido pelas
empresas privatizadas, com a instalação de aproximadamente 4 milhões de telefones fixos
num prazo de doze meses, resultado superiores a qualquer comparação que se faça com
dados das companhias públicas que anteriormente operavam no Brasil. São cenários
inconcebíveis, nos quais são adotadas providências indevidamente chamadas de
ações de Marketing. Além disso, há a desatenção quase total com os que
deveriam ser os principais beneficiados com a nova sistemática: os consumidores, ou seja,
aqueles que virão a garantir a sobrevivência dessas empresas.
É, portanto, urgente um trabalho que congregue as capacidades de
Marketing e de Relações Públicas no âmbito do Transmarketing, para que os detalhes
envolvidos em questões como essas sejam contemplados, no sentido de bem atender os
compradores e aos demais públicos que têm interesse nas organizações. Da satisfação
dos usuários e do conceito positivo dos públicos é que as empresas conseguirão
assegurar a sua permanência no mercado de bens de consumo. Sem isto, serão rapidamente
extintas, como entidades que não cumprem o seu papel econômico e de responsabilidade
social.
