RELAÇÕES PÚBLICAS E EXCELÊNCIA EM COMUNICAÇÃO
Margarida
Maria Krohling Kunsch
Professora
da Universidade de São Paulo
Esta reflexão parte de uma breve análise sobre modernidade
no contexto da era do globalismo para posteriormente situar as Relações
Públicas, cuja área tem que assumir novas posturas nas organizações
contemporâneas. Neste sentido será preciso repensar alguns pontos,
especialmente os que dizem respeito às modernas Relações Públicas versus as
Relações Públicas tradicionais. E, a partir de um referencial dos quatro
modelos de James Grunig, considerado o maior teórico do mundo das Relações
Públicas, vamos analisar a prática que se tem nessa área. A intenção é
também apresentar algumas idéias sobre como as Relações Públicas podem
atuar na busca da excelência da Comunicação Empresarial.
Ao falar da modernidade, é bom lembrar que é bastante
generosa e rica a literatura existente sobre as ciências humanas, sociais,
políticas, econômicas e sobre a própria ciência da Comunicação. Os
cientistas dessas áreas abordam o tema à luz de seus estudos especializados e
de suas convicções. Nosso exame aqui se pauta muito mais no sistema social
global, concentrando-se nas microssociedades – as organizações e, por
extensão, a área das Relações Públicas como mediadora entre essas
organizações e seus públicos, que formam a opinião pública.
Etimologicamente, modernidade vem do latim
hadiernus,
que significa "dos nossos dias, recente, atual". Segundo Cristóvam
Buarque (1994:14), ela significa "atualidade, o que é de hoje. Representa
uma ânsia e uma inevitabilidade. A opção não estaria em ser ou não ser
moderno, mas em o que é ser moderno (qual o retrato do futuro desejado pela
sociedade) e o como ser moderno (quais as intenções, prioridades, medidas e
instrumentos a serem usados nas construções desse futuro)".
Sob esse ângulo podemos também analisar outro aspecto: a
oposição entre a tradição e a modernidade. Ou melhor: a modernidade pode, de
certa forma, dar atualidade à tradição mesclando o velho com o novo e fazendo
surgir o que o pesquisador mexicano Néstor Garcia Canclini (1989) chamou de
"culturas híbridas". Já de acordo com Mello e Souza (1994: 31 e 33),
a modernidade caracteriza o surgimento histórico de uma nova cultura, em
decorrência do industrialismo de massas: "A nova cultura é cética,
portanto tolerante para com o sincretismo religioso eventualmente existente,
industrial-urbana, aberta em sua estratificação social e difícil de
ritualizar-se devido à velocidade das transformações, que não permitem
cristalizações de costumes e de crenças".
No centro de tudo isso, podemos enxergar uma sociedade
complexa e dialética, impregnada por essa "nova cultura", centrada
nas tecnologias da informação, o que provoca mudanças no nível macro
(sistema social global), no nível micro (as organizações) e no ser humano,
individualmente.
Ao caracterizar a sociedade globalizada de hoje, na época da
eletrônica e da telemática dinamizada pela revolução tecnológica da
informação, Octávio Ianni afirma, em seu livro A era do globalismo
(1996:31), que essa sociedade se mostra visível e incógnita, presente e
presumível, indiscutível e fugaz, real e imaginária. Ela está articulada por
emissões, ondas, mensagens, signos, símbolos, redes e alianças que tecem os
lugares e as atividades, os campos e as cidades, as diferenças e as
identidades, as nações e as nacionalidades. Esses são os meios pelos quais se
desterritorializam mercados, tecnologias, capitais, mercadorias, idéias,
decisões, práticas, expectativas e ilusões.
"Nômade" é a palavra-chave que define o modo de
vida, o estilo cultural e o consumo do Terceiro Milênio. O nomadismo será a
forma suprema da ordem mercantil. Seja no avião, trem, navio ou a domicílio, o
indivíduo se alimentará movimentando-se, a fim de não perder tempo. Essa
"nova cultura" provoca perplexidade e incertezas. No dizer de Anthony
Giddens (1991:175), outro grande autor que analisa as conseqüências da
modernidade, "a modernidade efetivamente envolve a institucionalização da
dúvida".
Os fatos que concorrem para isso estão aí, na política e
nos comportamentos. Se observarmos a mídia de cada dia, na política
internacional e na economia mundial, o que se percebe são exatamente essas
tensões, essas rupturas, esses terremotos. Essa é a modernidade e a dialética
que sintetizam a sociedade de hoje – uma sociedade complexa, resultante das
ações recíprocas dos homens, lugar do heterogêneo e do diverso. A
diversidade é algo que está inserido na sociedade. Os homens fazem a
história, mas não como eles querem; estão sempre presos aos processos de
herança, do passado e do presente da sociedade em que vivem. A sociedade
moderna reflete esse conjunto de ações humanas que ao mesmo tempo age e reage,
a favor ou contra. Esta é a dialética da modernidade.
Pergunto: e as organizações nesse contexto? E, por
extensão, as Relações Públicas? Qual deve ser o papel dessa área na
condução da comunicação organizacional em relação aos públicos e à
opinião pública que fazem parte da sociedade moderna?
Em primeiro lugar, vejo que há necessidade de repensar não
só as práticas, mas também os conceitos de Relações Públicas no âmbito
das organizações. É preciso sair da fragmentação para uma visão integrada
da comunicação. Se traçarmos um paralelo com a visão tradicional das
Relações Públicas, perceberemos que, sobretudo na década de 1970, na época
da ditadura, o trabalho de Relações Públicas no Brasil era muito fragmentado
e periférico. Resumia-se nas relações com a imprensa e nas relações com o
governo, como se apenas isso bastasse. Cuidava-se de detalhes: como divulgar,
fazer imagem e, principalmente, como organizar cerimonial e eventos. Lembro de
um profissional conhecido que, na época, trabalhava em uma grande empresa. Ele
dizia que freqüentemente embarcava em um avião e ia a Brasília para entregar
pessoalmente algum ofício a um ministro. Hoje não há mais motivos para que
isso ocorra: o mundo mudou e, com ele, mudaram as empresas e os gestores.
Vejo que o papel das Relações Públicas não pode mais
ficar restrito a um único setor. Por isso, quero examinar alguns pontos da
função estratégica das Relações Públicas nas organizações. Se
analisarmos a atuação de algum profissional de destaque na área, veremos que
na verdade ele é um profissional que trabalha em conjunto com muitos outros e
em sinergia também com os dirigentes. Trata-se, então, de participar da
gestão estratégica das organizações, assessorando a direção no cumprimento
da sua missão e dos seus valores. A área de Relações Públicas, dentro de
uma concepção moderna, tem um papel importante na "administração da
percepção" e na leitura do ambiente social. Nessa perspectiva deve
contribuir para a análise dos planos de negócios da organização,
identificando problemas e oportunidades no campo de comunicação.
Na busca de uma visão moderna do conceito e da prática,
menciono os quatro modelos de Relações Públicas propostos por Grunig e Hunt.
Cito também os estudos de "Excelência em Relações Públicas e no
Gerenciamento da Comunicação", da International Association of
Business Communicators (IABC), que promoveu uma grande pesquisa que lhe
custou 400 mil dólares. A finalidade dessa pesquisa foi redefinir a área das
Relações Públicas em busca dessa "comunicação excelente", a
comunicação simétrica. Foi um trabalho de professores de universidades
norte-americanas e européias, liderados por James Grunig, junto a mais de 4.500
funcionários de 300 organizações dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.
Os dados desse levantamento mostram o quanto é importante
uma produção acadêmica desse porte, teoricamente fundamentada, e que trata
Relações Públicas e Marketing a partir da conceituação dos próprios
modelos. O resultado dessa pesquisa foi uma publicação de 600 páginas (GRUNIG:
1992), já considerada como uma espécie de Bíblia do setor, que mostra –
quando aplicada à realidade brasileira – o quanto ainda temos que avançar.
Ocorre que, muitas vezes, ficamos presos a preconceitos e equívocos, e não nos
preocupamos em destinar investimentos para buscar informações mais
consistentes sobre nossos campos de atividades ou uma análise séria e
fundamentada que nos revele o que realmente as empresas estão fazendo.
O primeiro modelo proposto por Grunig e Hunt é considerado o
mais antigo e predominante. É o que poderíamos chamar de "agência
/assessoria de imprensa", ou publicidade "divulgação
jornalística" – a publicity no modo norte-americano de ver as
coisas. Visa publicar notícias sobre a organização e despertar a atenção da
mídia. É uma comunicação de mão única, sem troca de informações, que se
utiliza de técnicas propagandísticas. Exemplifica o primeiro estágio
histórico de Relações Públicas: divulgar a organização e seus produtos ou
serviços.
O segundo modelo, que se caracteriza como modelo
jornalístico, dissemina informações objetivas por meio da mídia em geral e
meios específicos. Pode ser chamado "difusão de informações" ou
"informações ao público".
O terceiro modelo é o "assimétrico de duas mãos"
e inclui o uso da pesquisa e outros métodos de comunicação. Utiliza esses
instrumentos para criar mensagens persuasivas e manipular os públicos. A
expectativa de mudanças beneficia a organização e não os públicos. É uma
visão mais egoísta, pois visa tão somente os interesses da organização,
não se importando com os interesses dos públicos. O feedback é usado para
determinar quais atitudes do público são favoráveis à organização e como
podem ser modificadas.
O quarto modelo é o "simétrico de duas mãos" e
representa a visão mais moderna de Relações Públicas. Ele busca um
equilíbrio entre os interesses da organização e os de seus respectivos
públicos. Baseia-se em pesquisas e utiliza a comunicação para administrar
conflitos. Melhora o entendimento com os públicos estratégicos e, portanto,
dá mais ênfase aos públicos prioritários do que à mídia. Há um
engajamento nas transações entre a organização (fonte) e os públicos
(receptores).
Evidentemente praticar a comunicação simétrica não é uma
tarefa fácil no dia-a-dia de uma organização. É processo contínuo de
negociação, de administração de conflitos e de abertura de diálogo. Mas a
área de Relações Públicas não vai fazer milagres. Se não houver também um
pouco de disposição da própria organização, ela nada conseguirá. Se o
profissional, gestor ou gerente de comunicação, quiser fazer um trabalho
sério, terá necessariamente de mexer também com o conjunto da organização.
Daí a importância holística de uma atividade como essa, regida por políticas
definidas e coerentes com a missão e valores organizacionais.
Trata-se, portanto, de compreender as Relações Públicas no
contexto da modernidade da comunicação organizacional e como ferramenta de
busca da excelência na sua comunicação. Para Richard Lindborg "a
comunicação excelente é a comunicação que é administrada estrategicamente,
que alcança seus objetivos e equilibra as necessidades da organização com a
dos principais públicos mediante uma comunicação simétrica de duas
mãos". Quais os atributos da comunicação excelente? O primeiro ponto é
o valor que o executivo principal e os membros da alta administração da
organização atribuem à comunicação. É muito sabido que se o principal
executivo não dá grande valor à comunicação, dificilmente alguém
conseguirá produzir uma comunicação excelente. É indispensável o
comprometimento da alta gestão com essa causa.
Um segundo ponto importante é o papel e o comportamento do
responsável pela comunicação. Ele toma as decisões e não pode mais
funcionar meramente como um técnico. Tem de participar da gestão e do
planejamento estratégico, resolver problemas que digam respeito à
comunicação e aos relacionamentos, coordenar pesquisas, interagir com o
marketing, com a propaganda e as demais áreas estratégicas de resultado de uma
companhia. Outro aspecto muito importante é a cultura corporativa da
organização, em oposição à cultura autoritária: quanto mais sintonizada
com seu ambiente e com seu tempo, mais ela favorecerá uma comunicação
excelente.
Quais seriam as características de uma cultura corporativa
aberta à comunicação? Em primeiro lugar, a descentralização. Nela, o poder
e a tomada das decisões são compartilhados e há uma evidente valorização da
cooperação e da igualdade, que favorece as boas idéias e a inovação. É o
caso daquelas "organizações simétricas" as quais me referi.
A esse
propósito, Omar Aktouf (1996:135), um professor e pesquisador argelino radicado
no Canadá, diz o seguinte:
"Para chegar a uma situação de compartilhamento no
plano dos valores, dos símbolos e das crenças, isto é, a uma situação em
que reine uma ‘cultura’ de comunhão de objetivos, de convergência, de
solidariedade e de cumplicidade ativa, é preciso bem mais do que hábeis
cerimônias, belos discursos e repetições rituais de credos e valores
laboriosamente escolhidos pelos altos dirigentes. E, como nos ensinam as
disciplinas especializadas no estudo da cultura, de início e inevitavelmente,
são necessárias condições concretas de comunhão, de clareza e de
solidariedade-cumplicidade na vida cotidiana do trabalho. Só os dirigentes
podem instaurar esse processo ou tomar decisões favoráveis à sua
instauração. As atitudes, comportamentos, crenças, símbolos e outros
elementos correspondentes da ‘cultura’ só virão depois, brotando,
constituindo-se e consolidando-se em torno de fatos e de atos materiais ‘comunitários’
cotidianamente vividos."
Essa idéia da mudança de comportamento, de o dirigente sair
do seu pedestal e facilitar a aproximação, evidentemente não se tornará
realidade por milagre ou como resultado apenas dos produtos tradicionais da
comunicação interna.
Certa vez, estive em um seminário com um dirigente
empresarial que tinha acabado de montar um planejamento estratégico e
verificado que, na sua companhia, o problema crucial era a falta de
comunicação. Segundo seu diagnóstico, a comunicação não fluía. Então ele
me disse: "Nós já fizemos tudo: jornal, mural, tudo. O que mais será
preciso para conseguirmos comunicar adequadamente o que queremos?". Ora,
ninguém tem a receita pronta, mas penso que essa dúvida merece uma reflexão:
a comunicação tem de fazer parte de todo um conjunto de medidas, de uma
política e de uma mudança de atitudes, de um comportamento concreto. Tudo o
que o dirigente diz, ele deve estar praticando – e isto é básico.
Nesse ponto, o trabalho coordenado por Aktouf cresce em
relevância, pois relata a experiência de empresas de vários países,
reproduzindo depoimentos tanto da alta administração dessas companhias como de
seus empregados. São testemunhos muito interessantes, que mostram certo
despojamento, sem grande valorização da posição e do título; mas, muito
mais, refletem uma convivência humana bastante fraterna. Nesse aspecto, há
também nos dias de hoje a tendência a valorizar o humor, a criar condições
mais amenas no ambiente de trabalho.
Tem-se percebido, nos contatos diretos com os profissionais
de comunicação do mercado, que essa é uma área normalmente muito tensa nas
empresas, principalmente entre o pessoal que trabalha com a gerência de
relações com a imprensa. Muitas vezes, o ambiente ali é de pressão, de
terror – o que, a meu ver, pode estar prejudicando a produtividade dessas
pessoas. O lado institucional da área da comunicação tem de ser pensado nesse
aspecto: até que ponto aquele ambiente de trabalho está carregado de tensões,
e em que medida ele pode se transformar em um ambiente tranqüilo? É um pouco
de exercício de utopia pensar assim, mas acho que temos de perseguir essa
idéia. O esforço para diminuir as tensões é um processo que devemos
considerar quando falamos de um trabalho produtivo e eficaz de comunicação
interna, por exemplo.
Também vale lembrar o que Grunig, a partir de estudos de
outros autores, considera ser as "organizações saudáveis" e as
"organizações doentes". Existem cinco grandes diferenças que as
caracterizam:
É evidente que a comunicação excelente precisa começar
internamente, por meio de um processo transparente que seja capaz de revelar as
características desses dois tipos de organização. Em busca da comunicação
excelente, é importante a existência de uma comunicação ética nas
organizações. É um papel idealista, dentro da visão em que examinamos os
modelos das Relações Públicas. É a comunicação mais justa. Os melhores
programas de comunicação baseiam-se no papel idealista das Relações
Públicas. Isso será ainda mais importante visto que hoje convivemos com a
administração dos conflitos, com as mudanças e com o lado perverso da
globalização e da exclusão social.
A menção à questão ética faz-nos lembrar tudo o que já
sabemos e proclamamos sobre nossa responsabilidade social. Qual é o problema
básico do Brasil, senão a educação? No momento em que o nosso povo for mais
instruído, a cidadania estará ainda mais fortalecida e as pessoas deverão
escolher melhor seus governantes. Se o Brasil quiser entrar no século 21 para
valer, se quiser alcançar o desenvolvimento que todos desejamos, terá de
investir muito em tecnologia e em ciência, mas, sobretudo, na educação
básica. Os operários repetidores de movimentos iguais estão com seus dias
contados.
Daí a necessidade de o país dar mais valor à
responsabilidade social, como também à ética nas Relações Públicas e nos
negócios. Essa é uma questão crucial nessa virada do século. É exatamente
pela essência das Relações Públicas que podemos perceber de que forma – no
gerenciamento da comunicação e do relacionamento entre as organizações e
seus públicos – a ética tem um papel importantíssimo.
Hoje, sabemos, os públicos são muito mais exigentes e
estão muito mais atentos. A sociedade está mais articulada e o cidadão mais
reivindicativo. E a área das Relações Públicas tem o papel de fazer a
leitura dessa sociedade tão complexa que aqui procuramos apresentar em
pinceladas rápidas. Relações Públicas devem ter como bússola a dimensão
futura, espelhada na crítica em relação ao presente e no estudo do que se
deve desejar de melhor para o futuro da atuação profissional, buscando o
equilíbrio entre a modernidade técnica e a modernidade ética. O objetivo, ao
fim e ao cabo, é ajudar a construir uma sociedade melhor e mais justa. Em
função disso, é da maior importância a existência da empresa-cidadã. E
nós, profissionais da área da Comunicação, temos uma responsabilidade grande
e uma tarefa importante a desempenhar. Cada um de nós tem de se perguntar:
"O que eu posso fazer?".
Temos, em contrapartida, uma tendência forte a achar que o
Estado é responsável por tudo. Mas o que é que eu, cidadã (ou você,
cidadão), posso fazer para melhorar nossa sociedade? Esta inquietação faz a
maior diferença.
Hoje é muito mais complexo fazer um trabalho de Relações
Públicas. Não existe mais aquele ambiente tranqüilo e calmo, propenso a uma
atitude passiva de enfrentamento dos problemas, e em que tudo se resolvia por
meio de uma decisão de fazer uma publicação ou planejar uma ação
tradicional de relações com a imprensa. O fato é que o caminho da
transformação de nossa atividade passa pelas instituições. As técnicas
estão à disposição de qualquer um; o que falta, realmente, é o seu uso
adequado. As técnicas não devem ser o nosso objetivo principal: o ponto
central de um trabalho consistente de Relações Públicas está na negação da
ação fragmentada e na parceria com as demais áreas estratégicas da
organização. Isso indica que será preciso usar muitas armas para fazer com
que a comunicação seja excelente. E, como já dissemos, a comunicação
excelente não será milagrosa. Deverá, sim, ter como base as organizações
simétricas e saudáveis.
Dificilmente nós, comunicadores, sozinhos, conseguiremos
alguma coisa. A mudança se dará por intermédio da sociedade civil e de seus
movimentos sociais articulados. A universidade está muito acomodada quanto ao
assunto, assim como a própria área da Comunicação. Cabe a nós, da
universidade e das entidades, fazer o que estamos fazendo: trazer a questão
para o debate democrático. O caminho é buscar formas para isso. A postura do
profissional de comunicação pressupõe princípios éticos básicos, além da
busca da eficácia dentro de uma visão equilibrada, e não meramente baseada
somente na relação custo-benefício.
Penso que temos de iniciar um trabalho de base, que
certamente será bastante difícil e dependerá muito das oportunidades e da
agressividade com que enfrentamos a questão. No fundo, a área de Relações
Públicas tem de ser mais agressiva no contexto da já mencionada "nova
cultura". Precisa sair da passividade e ser revolucionária. Está com seus
dias contados o profissional que concorda com tudo que diz seu gerente, diretor
ou superintendente, ou que não tem opinião e atitudes próprias.
Lembro de uma mesa-redonda da qual fiz parte, anos atrás,
onde um empresário contava que tinha dois profissionais de Relações Públicas
em sua organização. Um, quase sempre discordava de suas idéias e questionava
os argumentos do chefe. Resultado: acabou saindo da empresa e abriu uma
consultoria própria. O segundo profissional era do tipo passivo, que concordava
com tudo e estava ali para "fazer carreira" na organização. Em nosso
encontro, aquele empresário dizia que, com o tempo, percebeu que tinha razão o
seu profissional de Relações Públicas que reagia, questionava e participava
mais. Exemplos assim não são raros em nosso meio, o que significa que ainda
temos muito o que melhorar. E, mais uma vez, indica que nossa postura
profissional deve mesclar o comportamento ético com a eterna busca da qualidade
com vistas à comunicação excelente.

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Originalmente publicado pela ABERJE.