Teorias e Conceitos

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RELAÇÕES PÚBLICAS – UMA ATIVIDADE

 

Roberto Porto Simões

Professor da FAMECOS -– PUC/RS

 

A existência de um fenômeno, físico ou social, quando percebida, implica seu estudo em benefício do homem. É o homem fazendo cultura e ciência, buscando compreender os fenômenos da natureza, para, prevê-los e controlá-los. No início é apenas um ou outro curioso a se envolver com o assunto. Geralmente, esses elementos são considerados insanos ou, pelo menos, diferentes. O início é difícil, mas o futuro presta as devidas homenagens aos pioneiros. Assim foi com muitas ou melhor, com todas as atividades existentes no mundo. A maioria, bem sedimentada, outras na busca da sua institucionalização, que normalmente é obtida com a comprovação de sua utilidade para a conservação do homem.

Entre essa última encontra-se a atividade de Relações Públicas, hoje profissão legalizada no Brasil e que teve seu início nos Estados Unidos, atingindo a Europa e chegando até nós por volta de 1914. Dessa época até hoje obteve sua legalização e entrou para a Universidade, além de possuir, devidamente habilitados em nosso país, um número aproximado de 3.000 profissionais, várias empresas de consultoria, tendo dentre elas, a maior, um faturamento em 1976 de um milhão de dólares. São Paulo e Rio de Janeiro contribuem com a maior fatia.

Como toda profissão nova debate-se com inúmeros problemas, que somente o tempo poderá superar, pois a comprovação de sua utilidade não é feita do dia para noite. Esta comprovação tem como obstáculos: a falta de tradição, os inúmeros enfoques, a existência de pessoas e empresas que se intitulam "experts" e realizam atividades totalmente perniciosas à empresa e à sociedade. Enfim, é uma gama enorme de fatos contrários ao desenvolvimento profissional. Contudo, ela aí está em nosso contexto apesar de mal interpretada e portanto mal compreendida.

Uma leitura da definição conceitual de Relações Públicas da Associação Brasileira de Relações Públicas – ABRP – nos ajudará a entender um pouco esta atividade. Senão vejamos.

Diz a ABRP: "Relações Públicas é a atividade e o esforço deliberado, planejado e contínuo para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma instituição pública ou privada e os grupos de pessoas a que esteja, direta ou indiretamente, ligada".

Assemelha-se muito à definição da Associação Inglesa de Relações Públicas, da qual, na realidade, foi extraído o conteúdo básico e adaptado à nossa cultura. A análise do conteúdo da definição nos leva de imediato a algumas inferências, que julgamos útil ressaltar, ou seja:

Para haver Relações Públicas deve existir atividade contínua e planejada. Em absoluto, alguns eventos, contatos ou campanhas institucionais esporádicos são sinônimos de Relações Públicas e muito menos significam a mesma. São apenas parte de um todo.

O objetivo da atividade é a compreensão mútua e não vendas. As vendas são os resultados do bom relacionamento da instituição com as pessoas. Mas, não somente as vendas, existem tantas outras trocas a serem realizadas entre uma organização e seu meio ambiente, além do produto ou serviço.

O objeto de trabalho é a instituição e os grupos que se ligam a mesma. E inferimos nós, que a instituição somente pode ser outro grupo, pois não aceitamos a possibilidade de estabelecer a compreensão mútua entre um objeto e um grupo de pessoas. Para nós essa ação somente é possível entre pessoas.

Em síntese, queremos dizer, que Relações Públicas é uma atividade das organizações, que por sua vez são constituídas de pessoas. Jamais se faz Relações Públicas de produtos ou serviços. A estes cabe a promoção de vendas e outras atividades que não estão em foco.

Finalizando, ao realizarmos uma atividade contínua e planejada na busca da compreensão mútua entre a empresa pública ou privada é necessário se obter a boa imagem, facilitando, também, o processo de transação, isto é, de marketing.

Originalmente publicado no número 7 do jornal O Público, órgão informativo da Associação Brasileira de Relações Públicas – Seção Estadual de São Paulo, em março de 1980, página 4.