Teorias e Conceitos

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RELAÇÕES PÚBLICAS, ANTES DE TUDO, UM PROCESSO

 

Roberto Porto Simões

Professor da FAMECOS -– PUC/RS

 

O termo Relações Públicas é polissêmico, isto é, possui vários significados: um processo, um profissional, uma profissão, uma função, uma técnica e, talvez, como querem alguns, uma ciência. Verifica-se isso ao se observar o modo de falar de todos aqueles que tratam do assunto, pois, quando desejam referir-se ao processo de relacionamento da organização com os seus vários públicos, dizem "as Relações Públicas". Para designar o profissional que assessora ao poder decisório da empresa, quanto ao andamento do processo, dizem "o Relações Públicas". A profissão também se chama "Relações Públicas". Enfim, é um termo para designar muitos objetos, dificultando sobremodo a comunicação daqueles envolvidos no assunto, tanto os antigos como os iniciantes.

Pior ainda é que, além da polissemia, há o problema dos vários conceitos exigentes para cada um dos significados. Em outras palavras, cada autor, profissional e entidade de classe conceituada de maneira diferente a atividade de Relações Públicas, o profissional e os outros significados. É uma Babel. Assim sendo, não é tarefa fácil explanar algo a respeito, mesmo porque, nós também temos o nosso ponto de vista. Contudo, em benefício de toda uma classe profissional, da sua atividade e da sociedade na qual estão inseridas, arriscamos comentar em alguns artigos a polêmica Relações Públicas.

Iniciaremos pelo significado PROCESSO, ou seja, Relações Públicas é, antes de tudo, um processo intrínseco entre a organização, pública ou privada, e os grupos aos quais está direta ou indiretamente ligada por questões de interesses. Esses grupos em nosso caso recebem a designação de públicos. Este processo é um fenômeno que sempre existiu, apenas que somente neste século foi percebida sua importância. Caracteriza-se por ser multidimensional, dinâmico e histórico, das várias formas de interação das organizações em um sistema social, segundo estruturas políticas, econômicas, sociais, éticas, psicológicas e culturais.

A organização somente existirá a partir do momento em que o processo for iniciado. Tendem imaginar algo que exista e que não esteja em um processo de relacionamento. Quando isto acontece não temos idéia de sua existência, portanto é quase que não existir. Assim, o processo é condição sine qua non de existência para qualquer grupo – a organização é um grupo. E, além disto, será por intermédio do processo de inter-relação que se chegará ao processo de transação, aspecto último de todos os organismos existentes na face da terra.

Foi a percepção de problemas no processo por alguns empresários ou líderes visionários que fez surgir alguém, mais tarde um profissional, ocupado e especialista com a dinâmica do processo, diagnosticando e dando pareceres sobre o andamento do mesmo para os diretores e gerentes de empresas ou outras organizações. Isso aconteceu ou foi semelhante com toda e qualquer outra profissão.

Este processo, isto é, o processo de Relações Públicas é um fenômeno e como tal está sujeito a princípios que, se respeitados ou seguidos, farão com que a organização atinja seus objetivos eternamente, evitando a entropia. Porém, caso haja desrespeito aos mesmos, a organização sofrerá suas conseqüências.

Dito de outro modo, quem faz as Relações Públicas das empresas são elas próprias por meio de tudo que fizerem ou deixarem de fazer, segundo os princípios psicológicos, sociológicos, históricos, políticos, econômicos, éticos e culturais aos quais toda sociedade está submetida. O comportamento de acordo com os princípios significa boas Relações Públicas e, como resultado, boa imagem. Comportamento contrário aos princípios significa más Relações Públicas e, portanto, imagem ruim.

Em síntese, queremos dizer, quem faz suas Relações Públicas é a própria organização por meio de tudo que possa ser identificado como sendo seu. A imagem de uma empresa está intrínseca ao processo. Isso é a essência das Relações Públicas. O "press release", o jornal da empresa, a propaganda institucional, as doações são acessórios que somente farão efeito se o processo estiver de acordo com os princípios básicos a que está sujeito.

Finalizando, o conceito de uma empresa é obtido essencialmente pela maneira como ela se posiciona e atua em suas transações com a sociedade na qual está inserida e, secundariamente, pelas atividades de informar, clarificar, relacionar e motivar, mesmo porque, segundo Etzioni: "as diferenças de interesses econômicos e de posições de poder não se desfazem pela comunicação".

Originalmente publicado no número 2 do jornal O Público, órgão informativo da Associação Brasileira de Relações Públicas – Seção Estadual de São Paulo, em agosto de 1979, página 4.