Idéias e Tendências 1

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O QUE É MAIS IMPORTANTE, PROPAGANDA OU RELAÇÕES PÚBLICAS?

 

Roberto Grad

Presidente da Hill and Knowlton Brasil

 

Este mês, o conhecido guru de Marketing Al Ries, inventor do termo "posicionamento" e autor de vários livros, dentre os quais "Marketing de Guerra", estará lançando o livro "The Fall of Advertising & The Rise of PR" (em português, "A Queda da Propaganda e o Crescimento de Relações Públicas"), no qual menciona que as Relações Públicas têm se tornado a mais poderosa arma de marketing.

De acordo com o autor, Relações Públicas cria novas marcas no mercado, enquanto a propaganda é uma espécie de mecanismo de defesa para marcas já estabelecidas. Sem falar no fato de que lançar produtos por meio de Relações Públicas reduz substancialmente os custos de marketing.

Diz ainda o autor: se você está lançando um produto totalmente inovador como "Viagra" ou "Botox" no mercado ou o filme "O Homem-Aranha", um programa de Relações Públicas é absolutamente imbatível. Mas se você está introduzindo mais uma cerveja no mercado ou um novo sabonete, você precisa mesmo é de uma boa campanha de propaganda.

O único problema é que a atividade de Relações Públicas é uma incompreendida.

E é pelo pouco conhecimento do assunto que a atividade de Relações Públicas no Brasil é ainda incipiente, embora seu potencial seja imenso. Só para dar uma idéia, o mercado mundial de Relações Públicas foi da ordem de US$ 4,31 bilhões em 2001, de acordo com o Council of Public Relations Firms. No Brasil, não chegou aos US$ 50 milhões, o que corresponde à receita de uma grande agência de Relações Públicas só no seu escritório de Nova York. O principal motivo é que pouca gente sabe o que Relações Públicas pode fazer pela sua empresa:

planejamento estratégico da comunicação corporativa (imagem da empresa);

comunicação dirigida aos diversos públicos com que a empresa se relaciona: acionistas, funcionários, parceiros comerciais, associações de classe, comunidade, formadores de opinião, consumidores, governo, público em geral;

relações com a imprensa;

administração de crises.

Em outras palavras, Relações Públicas é toda a administração da reputação, da imagem da empresa junto aos seus diversos públicos. Alguma empresa pode prescindir de relacionar-se bem com os seus funcionários? Seus parceiros comerciais? Com a comunidade? Com a imprensa? Relações Públicas, portanto, cuida do maior patrimônio de uma empresa, a sua reputação.

De acordo com Paul Homes, editor da revista Inside PR, "Enquanto a propaganda é uma importante ferramenta de comunicação, Relações Públicas é muito mais que isso, é uma caixa de ferramentas, um processo, talvez até mesmo uma maneira de pensar". Dificilmente uma agência de propaganda vai recomendar uma solução que não envolva a compra de espaço, através do qual a empresa vai expressar seu ponto de vista. Relações Públicas, ao contrário, é definida pela habilidade de passar mensagens através de uma ampla gama de veículos em espaços cedidos. Além do que, na propaganda é você quem está falando bem de si mesmo, enquanto por intermédio de um bom trabalho de Relações Públicas você consegue que outros falem bem de você.

Aí está também uma de suas maiores vantagens: a credibilidade. Recente pesquisa feita nos Estados Unidos mostra que 76% dos principais executivos de empresas reconhecem que Relações Públicas tem se tornado mais importante para eles do que era há cinco anos e 82% a consideram uma função da alta cúpula da companhia. "As empresas, independentemente do seu porte, precisam ter imagem positiva junto às suas comunidades, ou certamente falharão."

A pesquisa publicada na revista Inside PR vai além: "Estamos indo em direção a um mercado de relacionamento e Relações Públicas é a melhor maneira de influenciar os seus públicos". É por tudo isso que o mercado de Relações Públicas está crescendo a respeitáveis taxas, com especial destaque para as áreas de saúde, tecnologia, finanças e relações governamentais.

Mas a verdade é que a comunicação tem vários instrumentos que dependem das necessidades específicas de cada caso, dos públicos que se quer atingir, do prazo, da concorrência, do mercado, dos recursos disponíveis e de muitas outras variáveis. Portanto, nenhuma das disciplinas da comunicação – propaganda, promoções, marketing direto, eventos, relações públicas e outras tais – é a solução única ou a mais importante. Mais importante é praticar o que os principais players do mercado estão fazendo: comunicação integrada.

Originalmente publicado em Meio & Mensagem, São Paulo, n. 1024, p. 38, set. 2002.