A INTERNET COMO INSTRUMENTO DE RELAÇÕES
PÚBLICAS: POSSIBILIDADES E LIMITAÇÕES
José Benedito Pinho
Professor da
Universidade Federal de Viçosa
1. Introdução
Neste trabalho, relações
públicas é entendida como uma atividade de administração
estratégica dos contatos e do relacionamento entre uma organização
e os diferentes públicos que a constituem ou com ela se relacionam e
interagem (cf. Holtz, 1999:xv). As ações e as práticas
de relações públicas buscam, entre outros propósitos,
construir reputação, criar uma imagem positiva, informar e persuadir
pessoas.
Portanto, em sua essência, as atividades
de relações públicas oferecem informação
para ajudar os componentes dos seus diversos públicos a tomarem decisões.
Na medida em que as estatísticas mostram que 81% dos usuários
usam a Internet para pesquisar novos produtos, que 84% dos internautas sentem
que a Internet os ajuda a tomar melhores decisões e que 63% das pessoas
navegam com um propósito específico, a conclusão é
óbvia: as relações públicas precisam estar na rede
mundial disponibilizando a informação que vai auxiliar muitas
e muitas pessoas na tomada de decisão (cf. Sherwin & Avila, 1999:6).
A Internet está se tornando
imprescindível nos planos de relações públicas de
grande parcela das maiores corporações, cujos sites foram desenhados
como centros de informação para consumidores atuais e potenciais.
Em vez de vendas, muitas empresas estabelecem objetivos de comunicação
e realizam on-line uma verdadeira estratégia de administração
dos seus contatos e do relacionamento com os diferentes públicos que
as constituem ou que com elas se relacionam e interagem.
O objetivo deste paper é
propiciar uma compreensão mais clara da natureza da Internet, para garantir
ao profissional de relações públicas o aproveitamento das
vantagens que permitam beneficiar organizações, instituições
e empresas na comunicação e no estabelecimento do relacionamento
entre a organização e os diversos públicos que a constituem
ou que com ela interagem, bem como destacar os aspectos críticos que
diferenciam a rede mundial dos meios de comunicação tradicionais
- rádio, cinema, TV, jornal e revista. Entretanto, meio de comunicação
e tecnologia ainda em desenvolvimento, a Internet também apresenta limitações,
aqui apontadas para facilitar uma adequada compreensão dos limites a
serem observados no planejamento das ações de relações
públicas no âmbito da rede mundial.
2. Vantagens da Internet para as Relações
Públicas
Os benefícios que a Internet pode
trazer para os programas e estratégias de relações públicas
decorrem, principalmente, de características e aspectos próprios.
Entre eles, a sua condição de mídia de massa e de ferramenta
para a comunicação com a imprensa, a sua capacidade de localização
do público alvo, a presença em tempo integral, a eliminação
das barreiras geográficas e as facilidades que permite para a busca da
informação e para a administração da comunicação
em situações de crise.
Mídia de massa
"Os líderes empresariais
precisam parar de ver a Internet como uma rede de computadores interligados.
A internet é uma rede de milhões de pessoas interligadas".
A advertência do escritor e consultor norte-americano David Siegel (2000:133-134)
é muito oportuna por revelar o potencial da rede mundial como nova mídia
de massa e promissor instrumento de relações públicas.
A presença da organização na Internet, principalmente por
meio do seu site na Web, deve ser explorada para oferecer conteúdos que
tanto sejam de interesse dos seus públicos como contribuam decisivamente
para atingir objetivos determinados de relações públicas.
Além de uma audiência
altamente qualificada, um site na Web tem a vantagem do alcance mundial. Nele,
as notícias podem ser lidas diretamente pelos públicos alvos,
sem depender exclusivamente da decisão dos editores para publicação
dos press releases em outras mídias de massa. O relatório anual
da companhia pode ser disponibilizado para acionistas e comunidade financeira,
da mesma maneira que os visitantes em geral podem fazer um tour virtual pelas
dependências da fábrica. As relações com os consumidores
e clientes podem ser fortalecidas por meio do oferecimento de serviços
adicionais ou de informações atualizadas sobre produtos.
Comunicação com
jornalistas
Uma notícia positiva sobre
a empresa publicada em um jornal ou telejornal é uma das melhores maneiras
para desenvolver a imagem corporativa, pela credibilidade que a informação
tem devido ao endosso da mídia. Manter um bom relacionamento com a mídia
é verdadeiramente crucial para qualquer plano de relações
públicas. Afinal, este setor é o "de maior visibilidade da
opinião pública, pois irradia sobre todos os demais - e neles
inculca - suas atitudes e percepções, expressas ou apenas sugeridas,
a respeito da empresa" (Nogueira, 1999:33).
No planejamento de um site para a
empresa é importante garantir que ele se constitua em uma valiosa fonte
de informação para os repórteres. O espaço para
a imprensa deve apresentar notícias atualizadas sobre a companhia e suas
atividades, além das indicações de especialistas da organização
que possam responder aos jornalistas a respeito de uma variedade de questões.
Outra ferramenta bastante útil é o correio eletrônico. Notas,
comunicados e press-releases podem ser enviados por meio de listas de e-mails
de repórteres.
Localizando o público-alvo
A localização de públicos
alvos na Internet é bastante facilitada pela segmentação
da audiência. Mensagens de correio eletrônico podem ser mandados
públicos com interesses comuns e específicos. Já as listas
de discussão e os newsgroups estão divididos e organizados por
assuntos e tópicos específicos. Por sua vez, os sites da Web contêm
um vasto conjunto de informações sobre um dado assunto, bem como
os seus hipertextos ligam a outros sites de interesse direto ou aproximado.
Na verdade, a quantidade de informação
na Internet é tão grande que a tendência verificada na comunidade
da rede mundial é de por si mesma se organizar hierarquicamente em categorias
distintas. Felizmente isto facilita aos profissionais de relações
públicas identificar e dirigir suas mensagens a audiências potenciais
(cf. Sherwin & Avila, 1999:38).
Marcando presença em tempo
integral
A publicação de informações
na Internet permite que as atividades de relações públicas
estejam presentes e disponíveis 24 horas por dia. Por meio dos computadores,
os públicos interessados podem conhecer mais e melhor uma organização,
a qualquer hora. Em todo o mundo, os diferentes horários de fechamento
das edições dos jornais não impedem que os jornalistas
conectados com a rede mundial acessem os sites das empresas na busca de informações
e dados que completem suas matérias e reportagens.
Facilitando a busca de informação
Como ferramenta para prover
e recuperar a informação, a Internet tem a capacidade de permitir
que a informação seja pesquisável dentro de uma organização
ou em todo o mundo. Jornalistas que procuram fontes de informação
podem entrar com palavras-chave em mecanismos de busca, o que transforma a Internet
em uma verdadeira biblioteca mundial de referências. Mesmo o site da empresa
deve oferecer o recurso de busca no seu conteúdo, o que facilita em muito
a pesquisa dos repórteres ou ainda garante que o internauta tenha fácil
e rápido acesso a uma informação do seu interesse, a respeito
da organização e de suas atividades.
Eliminando barreiras geográficas
Muitas barreiras de comunicação
enfrentadas hoje têm sido quebradas pela Internet. Uma delas é
a geográfica: empresas de diversos ramos começam a permitir que
seus empregados trabalhem em casa, conectados ao escritório por meio
de computadores equipados com um modem. A rápida disseminação
da Internet no mundo dos negócios também possibilita que alguns
empreendedores tenham escritório em suas próprias casas e, a partir
delas, estabeleçam conexões em todo o mundo.
Os jornalistas também podem realizar
suas entrevistas, através do e-mail, com pessoas que estejam em qualquer
parte do mundo. As perguntas e as questões circulam pela rede mundial
em uma ou mais sessões, sem que muitas vezes entrevistado e entrevistador
se conheçam pessoalmente.
Administrando a comunicação
em crises
Apesar de todos os cuidados, as crises
têm sido sempre críticas nas organizações. Grandes
corporações e mesmo pequenas empresas e organizações
sem fins lucrativos podem se encontrar rápida e inesperadamente em uma
situação de terem que se explicar e se defender perante os seus
públicos e a mídia. Na atual sociedade da informação,
as crises recebem a imediata e às vezes devastadora cobertura dos meios
de comunicação. Em curto espaço de tempo, o problema é
matéria de capa dos jornais e revistas em todo o mundo, além de
ser pautado com destaque pelos telejornais das grandes redes de TV.
Nas situações de crise,
a comunicação é vital para a organização
responder aos ataques da mídia e corrigir informações equivocadas,
bem como informar de maneira clara - e com informações atualizadas
- os diversos públicos afetados ou envolvidos na questão. A World
Wide Web e os newsgroups podem se tornar importantes lugares que as pessoas
procuram para obter informações recentes sobre a crise que se
abateu sobre a companhia. O serviço de atendimento ao consumidor também
deve ser orientado em como responder aos e-mails recebidos de consumidores e
clientes preocupados ou furiosos. Seja na Internet ou na mídia tradicional,
o profissional de relações públicas deve garantir que a
organização fale com uma única voz, uma única mensagem.
2.1. Internet e a Mídia Tradicional
Ferramenta de comunicação
bastante distinta dos meios de comunicação tradicionais – televisão,
rádio, cinema, jornal e revista –, a Internet tem aspectos críticos
que devem ser corretamente considerados para o uso adequado da rede mundial
como efetivo instrumento de comunicação de relações
públicas.
Não-linearidade
As diferenças entre o material
que é impresso em papel e aquele que é visualizado na tela do
monitor de um computador são grandes, afetando profundamente o modo como
as pessoas absorvem e reagem às mensagens que se tenta transmitir. O
papel é linear: um memorando, por exemplo, é lido a partir do
canto superior esquerdo, palavra por palavra. Mesmo se o memorando tiver diversas
páginas, o leitor começa pela primeira, pois não faz sentido
qualquer outra ordem de leitura.
Já a informação
alojada na Internet é não-linear. Nela, o hipertexto permite que
o usuário se movimente através das estruturas de informação
do site sem uma seqüência pré-determinada, mas sim saltando
entre os vários tipos de dados que necessita. A principal característica
do hipertexto é a sua maneira natural de processar informação,
funcionando de uma maneira parecida com a mente humana, que trabalha por associações
de idéias e não recebendo a informação linearmente.
Um estudo conduzido em 1997 pela Sun Microsystems revelou que 79% das pessoas
que visitam os sites da Web correm os olhos por toda a tela e fixam-se em um
ou outro lugar, em vez de ler a página inteira, palavra por palavra (cf.
Holtz, 1999:64). Dessa maneira o internauta que navega em páginas de
hipertexto vai acumulando conhecimento, segundo o seu interesse e até
se satisfazer.
A não-linearidade da informação
na Internet exige que o material escrito mostrado na tela do monitor suscite
no leitor a confiança de que ele encontrará no site a informação
procurada. O redator do texto precisa antecipar o motivo pelo qual o usuário
está visitando aquele site e certificar-se de que o que ele vê
tem um contexto estabelecido, uma navegação apropriada e, por
último, irá satisfazer plenamente as suas necessidades de informação.
Fisiologia
A tela do computador afeta a visão
humana de maneira diferente do suporte papel. Uma das reações
mais óbvias ao se ler a luz do monitor é que os nossos olhos piscam
menos do que as 16 vezes por minuto com a vista relaxada, o que pode levar a
uma maior incidência de fadiga visual (ardência, visão embaçada
ou embaralhada) e de dores de cabeça. Também ao ler um papel,
o leitor naturalmente afasta ou aproxima o documento dos seus olhos para permitir
uma distância correta de leitura. Não é o caso da tela do
monitor, que está fixado a uma mesa e força os olhos a se ajustarem
ao tamanho do tipo de letra do texto que está sendo visualizado.
Por
isso, quando as pessoas lêem on-line, elas lêem mais vagarosamente.
O mesmo estudo da Sun Microsystems apontou que o internauta lê 25% mais
devagar na tela do monitor e, assim, a recomendação é que
o texto preparado para a Internet seja cerca de 50% mais curto do que aquele
escrito para papel.
Instantaneidade
Nos grandes acontecimentos – como os
desastres da natureza e as tragédias causadas pelos homens –, nenhum
meio de comunicação rivaliza com a cobertura feita pela TV, que
divulga os fatos ao vivo para a audiência. Entretanto, na maioria das
vezes, é preciso esperar pelas notícias no telejornal da manhã
ou da noite, ocasiões em que as pessoas estão no meio de um tráfego
congestionado, tentando chegar em seu trabalho ou na sua casa. O jornal é
ainda mais lento: os fatos precisam ser cobertos pelo repórter, a notícia
é redigida e editada, as máquinas precisam rodar o jornal e, finalmente,
ele precisa ser distribuído para as bancas e entregue nas residências
e escritórios.
A Internet, com uma velocidade conseguida
apenas pelo fax e pelo telefone, transmite as mensagens e arquivos quase instantaneamente,
seja respondendo à pauta enviada por um jornalista via e-mail ou publicando
uma notícia na World Wide Web para imediato conhecimento dos mais diversos
públicos da empresa. Muito rápida e abrangente, a rede mundial
permite transferir a mensagem, com som, cor e movimento, para qualquer parte
do mundo.
Dirigibilidade
Os veículos de mídia impressa
e de mídia eletrônica sofrem severas restrições de
espaço e de tempo. Além disso, um editor determina o que é
ou não notícia, o que vai ser ou não publicado. Na Internet,
outra grande vantagem é que a informação pode ser instantaneamente
dirigida para a audiência sem nenhum filtro.
Embora o telejornal matutino possa ter
uma audiência bastante superior, a Internet propicia uma ampla gama de
possibilidades para direcionar as mensagens a alvos específicos. Uma
dada informação pode ser enviada diretamente para os consumidores
ou prospects de determinada empresa, código de CEP, regiões geográficas
e nações, bem como hora do dia, plataforma de computador e browser.
Qualificação
Primeiramente restrita aos aficionados
da informática, a Internet atrai agora um publico mais amplo no Brasil.
Em agosto de 1998 atingiu um total de 3.392 mil usuários, um crescimento
de 40 vezes em três anos. No final do ano 2000, a Internet brasileira
alcançava mais de 8 milhões de internautas, por volta de 4% da
população total, concentrados nas nove principais regiões
metropolitanas do país.
Os números são modestos
se comparados com a TV, o principal veículo de comunicação
em termos de audiência e de cobertura nacional. Mas a Internet apresenta
um público jovem e qualificado, com alto nível de escolaridade,
elevado poder aquisitivo e um perfil ocupacional em que predominam as posições
de empresário, executivo e autônomo. Por estas características,
a audiência da Internet deve merecer a atenção do profissional
de relações públicas também como importante formadora
de opinião.
Custos de produção e veiculação
Os custos de produção e
de inserção de comerciais na televisão são bastante
elevados. Um simples comercial de trinta segundos, veiculado em um programa
no horário nobre, chega a custar R$ 50 mil, enquanto uma campanha publicitária
pode custar milhões de reais. Da mesma maneira, os custos da mídia
impressa são bastante significativos, tanto para a produção
das peças como para a sua inserção em jornais e revistas.
Relativamente, a Internet é pouco dispendiosa. Depois dos investimentos
iniciais em hardware e software, o uso da rede nos esforços de relações
públicas tem um custo pequeno. Publicar uma informação
na World Wide Web ou enviar uma mensagem de correio eletrônico geram despesas
irrisórias mesmo comparadas com as tarifas telefônicas de longa
distância.
Interatividade
Caso o telespectador não goste
de comerciais, ele provavelmente irá desligar o som ou mesmo sair da
sala para fazer alguma coisa enquanto espera terminar o intervalo comercial.
Se o programa de TV não estiver agradando, o telespectador pode pegar
o controle remoto e mudar de canal em canal até que acha alguma coisa
mais interessante para assistir. Este é o máximo de interatividade
que a televisão proporciona, pois a mídia tradicional é,
notoriamente, um veículo de mão única. Também a
leitura é um processo passivo. A única interação
do leitor com o objeto está no ato físico de segurar o livro e
virar suas páginas.
Entretanto, Holtz (1999:62) alerta para
o fato de que, frente a uma tela do computador, o internauta tem latente a expectativa
de interatividade. Assim, o conteúdo on-line que não ofereça
um padrão mínimo de interação tem pouco valor para
o usuário e inibe a compreensão da mensagem. Felizmente, a Internet
permite diversas formas de interatividade nas suas aplicações.
Os grupos de discussão, por exemplo, já têm embutido em
seu propósito a interação entre os participantes de um
grupo com interesse focado em um assunto específico de interesse. Mesmo
o correio eletrônico pode ser interativo quando encoraja respostas e gera
discussões entre uma lista de pessoas que estejam recebendo a mensagem.
A interatividade da rede mundial é
muito valiosa para aqueles que queiram dirigir mensagens específicas
para os públicos de importância da empresa. Um ponto muito positivo,
pois os esforços de relações públicas são
efetivos somente se eles forem bem recebidos. Na Internet, a organização
não está falando para uma pessoa, mas sim conversando com
ela.
Pessoalidade
A pessoalidade da comunicação
na Internet guarda uma relação direta com a interatividade proporcionada
pela rede mundial. Para Sherwin & Avila (1999:33), o que faz a Internet
interativa também faz a comunicação ser muito pessoal.
Em primeiro lugar, você está no escritório ou na casa de uma pessoa que
está fisicamente mais próxima do computador do que da tela de TV e,
provavelmente, ainda estará sozinha. Em segundo lugar, aquela pessoa procura
uma informação que você oferece. Em terceiro lugar, ele ou ela podem
escrever diretamente para uma pessoa em sua empresa e receber uma resposta
pessoal (isto é, caso você esteja fazendo relações públicas na Internet da
maneira correta!). Agora, tente fazer isto com a televisão.
Acessibilidade
Um site Web, por exemplo, está
disponível ao acesso dos usuários 24 horas por dia, 7 dias por
semana, 365 dias por ano.
Receptor ativo
Muitas pessoas assistem a seus programas
favoritos de TV para se entreterem ou serem informadas. A publicidade aproveita
esta disposição favorável do telespectador para veicular
comerciais de produtos, serviços e marcas, queira ou não a audiência.
Apenas os anunciantes com elevadas verbas publicitárias podem então
atingir uma grande quantidade dos seus consumidores e prospects.
Na Internet as coisas são diferentes,
pois cada organização tem igual oportunidade de atingir a mesma
audiência. A rede não segue os padrões da TV, cuja mensagem
é levada e alardeada na sala de um telespectador passivo. Ao contrário:
com milhões de sites da Web disponíveis na rede mundial, a audiência
tem que buscar a informação de maneira mais ativa. Daí
se dizer que a Web é uma mídia pull, que deve puxar o interesse
e atenção do internauta, enquanto a TV e o rádio são
mídias push, nas quais a mensagem é empurrada diretamente
para o telespectador ou ouvinte, sem que ele a tenha solicitado.
3. Limitações da Internet
para as Relações Públicas
Tecnologia e meio de comunicação
ainda em desenvolvimento, como afirmamos antes, a Internet apresenta limitações
e restrições que devem ser conhecidas para evitar que as estratégias
de relações públicas enfrentem reveses no momento da implementação
de ações e programas criados para a rede mundial. As fraquezas
e deficiências da rede mundial podem ser resumidas em oito pontos, todos
eles implicando em conseqüências para o uso da Internet como ferramenta
de relações públicas.
As estratégias de relações
públicas não devem ser exclusivas da Internet
A Internet deve ser mais um dos componentes
das estratégias de relações públicas e não
apenas a ferramenta única e exclusiva. Embora extremamente atrativa para
promover as organizações com uma imagem de modernidade e tecnologia,
o emprego da rede mundial como meio de comunicação não
deve ser feito em detrimento dos veículos de comunicação
tradicionais, pois cada um deles tem o seu campo de ação definido
e limitado. Muito recente, pouco testada e em constante desenvolvimento, a Internet
ressente-se da falta de um conhecimento mais sistematizado e aprofundado de
como as diferentes audiências comportam-se na exposição
e no consumo deste novo veículo de comunicação.
A Internet não substitui o papel,
o telefone ou uma visita
Apesar da importância e da
praticidade das novas ferramentas da Internet, como o e-mail, elas não
substituem totalmente o press-release em papel, o telefonema para uma conversa
com o repórter ou uma visita pessoal. Todas as formas de abordagem mais
pessoais aumentam consideravelmente as chances da pessoa e de suas mensagens
serem lembradas (ou não serem esquecidas).
Tabela 1: Intervalo entre a descoberta
de um novo meio de comunicação e sua difusão

A Internet não pode alcançar
todos os públicos
As taxas de crescimento da Internet
aumentam de maneira contínua e quase exponencial, sendo até hoje
o meio de comunicação com o menor período de aceitação
entre a descoberta e a sua difusão mais maciça (veja Tabela 1).
Mas permanece o fato de que muitas pessoas ainda não estão conectadas
com a rede mundial. Como vimos, a ONU estimava, no começo do ano 2000,
um total de 276 milhões de usuários, quase 5% da população
mundial, concentrados na América do Norte, na Europa Ocidental e no Japão.
No Brasil, convém recordar, a Internet dá acesso a pouco mais
de 8 milhões de pessoas, por volta de 4% da população total,
com o maior número de usuários concentrados nas nove principais
regiões metropolitanas do país.
A Internet pode ser complicada para muitas
pessoas
A Internet tem um conjunto próprio
de ferramentas e muitas delas requerem um pouco de prática, especialmente
para quem nunca teve uma experiência com os computadores. Outra questão
complexa provém do fato dela ser também uma comunidade com regras
e normas estabelecidas ao longo dos últimos 25 anos. Assim, suas regras
de etiqueta, criadas com o objetivo de facilitar o fluxo da comunicação,
podem constituir uma barreira adicional a ser enfrentada pelos novos usuários.
A Internet requer esforços
continuados
A tarefa de manter a presença
da empresa na Internet requer esforços constantes, como responder com
regularidade aos e-mails dos jornalistas, atualizar a informação
no site Web ou monitorar e contribuir para grupos de notícia relevantes.
Sherwin & Avila (1999:50) fazem uma analogia muito apropriada: os sites
de muitas organizações que são abandonados na Web sem atualização
e outros cuidados parecem verdadeiras cidades fantasmas do ciberespaço.
A Internet tem problemas de segurança
Os protocolos de comunicação
da Internet foram criados com a concepção que a comunicação
entre os computadores seria sempre amigável e cooperativa. A segurança
não foi uma prioridade para o desenvolvimento destes protocolos, mas
os tempos recentes têm mostrado os graves riscos de segurança que
os sites de órgãos governamentais e de empresas enfrentam na rede
mundial.
A criptografia é uma maneira de
manter confidenciais e invioláveis as mensagens e informações
que circulam na rede mundial. Um código é utilizado para cifrar
a mensagem, no processo conhecido como encriptação, e torná-la
incompreensível para qualquer pessoa que a intercepte. Mas, recebida
pelo destinatário correto, o mesmo sistema decodifica o texto no processo
de decriptação e ele pode então ser lido na sua condição
original.
Todas as vozes na Internet têm
a mesma força
Por princípio, todos são
iguais na Internet, pois no ciberespaço podem ser ouvidas tanto as vozes
da pequena empresa como as das grandes corporações. O lado negativo
desta natureza igualitária é que as vozes negativas têm
tanta autoridade e presença como qualquer outra. Mesmo que formule críticas
e reclamações infundadas, qualquer pessoa recebe na Internet a
mesma visibilidade das fontes autorizadas e de credibilidade. A natureza
não moderada da Internet também torna fácil a propagação
de boatos e rumores infundados. As empresas devem ficar de sobreaviso e apresentarem
sempre pronta resposta em relação a acusações difamatórias
plantadas nos grupos de notícias ou distribuídas por e-mail.
A Internet é um recurso
limitado
Apesar da previsão de que a Internet
seria a futura superestrada da informação, a atual capacidade
de transmissão e recepção de dados da rede é pequena,
causando lentidão no tráfego e grandes congestionamentos. As ações
de relações públicas são afetadas porque a largura
de banda limita o tipo de informação que pode ser efetivamente
distribuída pela rede mundial, tornando uma péssima escolha o
emprego de imagens mais elaboradas e de filmes multimídia, que demoram
horas para serem baixados pelos usuários.
4. Considerações Finais
A Internet, como vimos, possui uma
base restrita de usuários no Brasil, mas apresenta-se já como
uma promissora ferramenta para a prática das relações públicas
e exige um pensamento estratégico para a efetiva e adequada utilização
da rede mundial nos esforços de comunicação e no estabelecimento
do relacionamento com os diversos públicos de organizações,
instituições e empresas.
Assim, o profissional de relações
públicas deve assimilar a verdadeira natureza da Internet para explorar
e desenvolver as vantagens trazidas pelas novas aplicações e ferramentas
que permitem beneficiar organizações, instituições
e empresas. Entre as características positivas da rede mundial merecem
destaque a sua condição de mídia de massa e de ferramenta
para a comunicação com a imprensa, a sua capacidade de localização
do público-alvo e de eliminação das barreiras geográficas,
bem como as facilidades que permite para a busca da informação
e para a administração da comunicação em situações
de crise.
Como ferramenta de comunicação,
a Internet diferencia-se das demais mídias por características
que devem ser consideradas no uso da rede mundial como instrumento efetivo de
relações públicas, a exemplo da informação
não-linear, que pode ser instantaneamente dirigida para a audiência
sem nenhum filtro. Muito rápida e abrangente, a Internet leva a mensagem,
com som, cor e movimento, para qualquer parte do mundo. Embora o número
de usuários seja pequeno, na sua maioria é um público jovem
e qualificado, com alto nível de escolaridade, elevado poder aquisitivo
e um perfil ocupacional em que predominam as posições de empresário,
executivo e autônomo. Relativamente pouco dispendiosa se comparada com
as mídias tradicionais, a Internet ainda torna a comunicação
muito pessoal e proporciona diversos níveis de interatividade com a audiência,
que busca a informação de maneira mais ativa e interessada.
Por outro lado, as estratégias
de relações públicas não devem ser exclusivas da
Internet, pois muitas pessoas ainda não estão conectadas com a
rede mundial. As formas mais pessoais de abordagem – como o telefonema para
uma conversa com o repórter ou uma visita pessoal – não devem
ser abandonadas em razão da praticidade dos novos recursos e ferramentas
da Internet. Mesmo a sua natureza igualitária tem o lado negativo, pois
ao fazer críticas e reclamações infundadas, qualquer pessoa
recebe na rede mundial a mesma visibilidade das fontes autorizadas e de credibilidade.
Finalmente, no aspecto técnico, a Internet é um recurso limitado
pela pequena capacidade de transmissão e de recepção de
dados da rede, que causam lentidão no tráfego e grandes congestionamentos.

Referências Bibliográficas
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Originalmente publicado pela INTERCOM.