A COMUNICAÇÃO INTERNA CRIANDO VALOR PARA AS ORGANIZAÇÕES
Marlene Marchiori
Professora da Universidade Estadual de Londrina
Responsabilidade Social e Marketing são estratégias
obrigatórias para toda e qualquer empresa. É preciso reflexão para percebermos
como podemos alcançar este estágio de forma efetiva.
O caminho é a comunicação, a qual cria efetivamente valor
para a organização.
A função da comunicação tem sido amplamente discutida e
considerada pelos empresários, principalmente quando se observa que um dos
fatores cruciais das melhores empresas para se trabalhar no Brasil refere-se a
comunicação.
Diferentes segmentos têm se preocupado com a avaliação do
ambiente interno das organizações. Exemplo amplamente divulgado é a pesquisa da
Revista Exame – Melhores Empresas para se trabalhar – que aponta organizações
que têm os funcionários mais felizes, satisfeitos e, muito provavelmente, mais
produtivos do país. O que mais vale para estes funcionários é um sentimento de
orgulho pela empresa, credibilidade dos líderes, nível de informação sobre os
rumos do negócio e tratamento com justiça. Fatores que se observarmos parecem
simples de serem trabalhados. Mas o que podemos efetivamente realizar para esta
conquista? Tomo a liberdade de convidar você, leitor para uma reflexão.
É preciso ambientes internos produtivos, os quais
naturalmente respondam as demandas externas. Não estamos nos referindo aqui
unicamente a questão de qualidade em relação aos produtos, serviços e
tecnologia, mas a qualidade dos relacionamentos que uma empresa mantém com seus
diferentes públicos: funcionários e seus familiares, clientes, consumidores,
imprensa, governo, fornecedores, entre tantos outros grupos dependendo da
realidade de cada organização.
Um ambiente interno com qualidade é um processo no qual se
valoriza: confiança, competência, comprometimento e credibilidade.
Entendemos que neste ambiente é preciso a existência de
relacionamentos que promovam a satisfação de cada indivíduo. É necessário que a
empresa esteja em consonância com seus objetivos, e é fundamental "viver" a
organização em todos os seus processos.
Partimos da seguinte reflexão: o primeiro público a ser
trabalhado para efetivo posicionamento da empresa no mercado são seus
funcionários. São eles que fazem, que sorriem, que realizam os sonhos. Não há
mais como trabalharmos somente a estrutura técnica é preciso atuarmos na
instância humana, ou seja a estratégia de negócios não pode estar dissociada da
estratégia de pessoas. É preciso, voltamos a afirmar, construir relacionamentos.
O segredo para esta conquista: processos de comunicação efetivos – comunicação
aberta, intensa e transparente.
A organização é uma instituição social, constituída de
pessoas e definida pelos seus papéis e relacionamentos. Ambientes de trabalho
que preservem a satisfação do funcionário e respeito ao ser humano formam a base
de nossas considerações. Assim, quanto maior for o envolvimento do funcionário
com a organização maior será o seu comprometimento. Se ouvirmos o consumidor em
relação ao marketing é preciso aprender a ouvir o que o funcionário tem a dizer
em relação à empresa. É fundamental, na construção destes processos, o
envolvimento da alta administração.
O processo de conquista de confiança está diretamente ligado
a qualidade do processo de informação e comunicação. Não estamos nos referindo
aqui ao volume de informações, mas na análise do que efetivamente interessa ser
comunicado. A credibilidade de uma mensagem depende de quanto ela está em
consonância com a tendência cultural daquele que a recebe. É preciso identificar
quais são os padrões de relacionamento capazes de produzir a interpretação das
mensagens para que haja resposta.
Não há como um veículo de comunicação ser global – servir
para todos os públicos e interesses. É preciso segmentar a comunicação, para que
ela efetivamente traga alguma mudança. Se ela não causou nenhuma prática não
houve entendimento. De nada adianta enviarmos uma mensagem se não damos o
referido acompanhamento que ela merece. A comunicação, pode facilmente perder
sua credibilidade. E se isto acontecer internamente, como iremos fortalecer as
relações da empresa com os públicos externos?
Nós precisamos acreditar, precisamos entender que é de
fundamental importância a análise do público – por meio de pesquisas, auditoria,
levantamento da cultura organizacional, alto conhecimento do negócio, avaliação
dos pontos fracos, fortes, ameaças e oportunidades para que um planejamento
estratégico de comunicação efetivo possa ser proposto e praticado. Somente desta
forma nossas ações terão conseqüências. É preciso atitudes – não só palavras. É
preciso mudança de comportamento da empresa e não só dos públicos.
A base dos valores referenciados a pouco: confiança,
competência, comprometimento e credibilidade – está na qualidade do processo de
comunicação que será vivenciado por todos. Ao desenvolvermos nossas atividades
em uma empresa estamos continuamente transferindo conhecimentos, por meio do
aprendizado organizacional – isto acresce capacidade estratégica para uma
organização. Criar condições para que cada indivíduo procure desenvolver ao
máximo seu potencial é função básica de uma empresa hoje.
As pessoas devem ser o foco central de atenção. Precisamos
criar um ambiente interno no qual informação, conhecimento e competência fluam
livremente para que exista comprometimento pessoal e autodesenvolvimento. É
preciso concentrar o foco na criação de um conjunto de valores essenciais –
compartilhados na organização. A comunicação desta forma, cria a cultura
organizacional e fortalece a identidade de uma organização.

Artigo gentilmente enviado pela autora especialmente para a
publicação neste site.