COMUNICAÇÃO INTERNA: OS DESAFIOS DA INTEGRAÇÃO
Gaudêncio Torquato
Professor
da Universidade de São Paulo
A COMUNICAÇÃO INTERNA
Um dos mais graves problemas da administração empresarial
é tomar a parte pelo todo. Situações isoladas, projetos específicos em
determinado setor, ângulos especializados são, freqüentemente, usados para
exemplificar questões genéricas, de interesse amplo. Um dos casos mais comuns
ocorre em relação à comunicação interna nas empresas. Nesse aspecto, os
jornais internos assumem, constantemente, na interpretação de muita gente –
incluindo até profissionais de comunicação –, a posição de sinônimo de
comunicação interna.
Nada mais errado. Os jornais internos, boletins e mesmo
revistas constituem expressiva e importante parcela da comunicação interna,
mas absolutamente podem ser confundidos com todo o processo de comunicação,
nem mesmo podem representar a fatia maior e mais significativa.
Há outras formas, meios, projetos e recursos. O que ocorreu,
nos últimos anos, foi um forte crescimento da comunicação impressa, por conta
da profissionalização e amadurecimento do setor e expansão do número de
profissionais do jornalismo empresarial, em detrimento de outras posições da
comunicação interna. Vamos às explicações. A comunicação interna nas
empresas flui em duas grandes redes. Uma formal, outra informal. Ambas processam
formas variadas, situações próprias, projetos específicos. As comunicações
orais, por exemplo, são tão importantes quanto as comunicações impressas,
mas não recebem tratamento compatível e os profissionais, com raras
exceções, não estão lidando com essa forma.
Para se ter idéia da importância das comunicações orais,
basta lembrar que elas estão no cerne dos problemas de relacionamento
intersetores ou na raiz das soluções de integração horizontal/vertical.
Muitas questões pendentes poderiam ser resolvidas por meio de uma receita que
inclui, necessariamente, baterias de contatos, reuniões de integração,
avaliação, análise, controle e feedback. Como se percebe, as comunicações
orais merecem atenção.
Ocorre que as comunicações orais, tanto como as impressas,
exigem finalidade, canais próprios, linguagem adequada, periodicidade e
oportunidade de uso e veiculação, número de interlocutores, tempo de
duração de contato, espaço físico apropriado para abrigar harmoniosamente, o
evento e bom senso em sua realização. Se a chamada comunicação dialógica é
a ideal para efetiva integração das partes, os programas de comunicação oral
se encaixam, irreversivelmente, no planejamento das políticas de comunicação
das empresas. Será que esses aspectos são lembrados na hora do planejamento?
Do ponto de vista de rede, os profissionais estão mais
preocupados com a chamada rede formal, oficial, constituída pelos canais
descendentes, de cima para baixo. A rede informal, ou por falta de conhecimento
em torno de seu potencial, ou porque não se apresenta de maneira tão visível
quanto a outra, fica sempre relegada a segundo plano. Aqui, ocorre o mesmo erro
de percepção. A rede informal é um amálgama de interesses, expectativas,
frustrações, alegrias, espontaneidade, desconcentração da comunidade. Por
ela, vazam os sentimentos mais genuínos do público interno. É preciso muito
cuidado e compreensão para com a rede informal.
O estudo dessa rede passa por uma detalhada prospecção
sobre sua natureza e extensão, que localizará pontos de tensão, líderes
informais, grupos de influência, áreas de atrito, velocidade e agilidade da
informação. Não se trata de combater a rede informal, ameaçar pessoas ou
segmentos, mas, ao contrário, o estudo da rede informal possibilita o trabalho
de argumentação e convencimento, no sentido de situar todos os grupos no
espírito de corpo da organização. Em algum momento, a rede informal
trabalhará no sentido positivo.
Em ambas as redes, existem diversas e eficientes maneiras
para se costurar os fios da comunicação interna. Há os projetos de vídeo,
que chamam a atenção, pela possibilidade criativa de se usar recursos modernos
e equipes internas na preparação e produção dos programas, das reportagens,
lembretes, notas, fatos pitorescos da vida comunitária, tudo narrado em
linguagem de televisão, para uma audiência que se mostra, cada vez mais,
interessada.
Há os importantes quadros de avisos, murais, espaços
abertos, por onde passam comunicações operacionais, informações normativas,
avisos departamentais, informações utilitárias, com pequenos anúncios
classificados de compra, venda e troca. Ou até espaços para manifestações
livres, espontâneas, uma espécie de mural-sem-censura, de natureza cultural,
artística, de integração social. Pode-se trabalhar no planejamento,
replanejamento, reorientação do programa da comunicação ascendente, com
preocupação de buscar idéias novas, simples, funcionais. Tais projetos até
servem para fortalecer programas mais amplos de administração participativa.
Em algumas empresas, desenvolve-se o programa Espaço Social, dentro do qual
movem-se grupos diversos, qua analisam, debatem e planejam. O acervo de
sugestões integra o plano anual de metas de cada setor.
A comunicação interna, portanto, deve ser entendida como um
feixe de propostas bem encadeadas, abrangentes, coisa significativamente maior
que um simples programa de comunicação impressa. Para que se desenvolva em
toda sua plenitude, as empresas estão a exigir profissionais de comunicação
sistêmicos, abertos, treinados, com visões integradas e em permanente estado
de alerta para as ameaças e oportunidades ditadas pelo meio ambiente.
OS JORNAIS EMPRESARIAIS
Os jornais constituem expressiva parcela do sistema de
comunicação interna de uma empresa. Eles exercem importante papel para os
objetivos e metas de integração comunitária, segurança no trabalho,
aperfeiçoamento de clima, preservação de cultura, transparência normativa,
desenvolvimento e treinamento de pessoal, controle de qualidade, lazer e
associativismo, desburocratização, introdução de mudanças e aumento de
produtividade.
Já se passaram os tempos em que se discutia a validade dos
jornais internos. Apenas uns poucos renitentes ainda persistem na velha tecla de
considerá-los ineficazes. Possivelmente, os jornais que eles conhecem ainda
têm cara de mofo. A maioria dos jornais internos, produzidos de maneira
profissional, cumpre satisfatoriamente sua missão. Reconhecida, aliás, pelos
leitores e patrocinadores.
Há uma questão, porém, que continua acendendo os debates e
dividindo as opiniões. Trata-se da proporção dos conteúdos e das formas de
linguagem dos jornais de empresa. Há quem defenda o princípio de que os
jornais de empresa devem se assentar sobre uma base de conteúdo
preponderantemente empresarial, enfatizando ocorrências e fatos de interesse da
empresa. Há quem sustente que um jornal, para ser bem-feito, deve priorizar
mensagens que tenham origem na comunidade. Para mediar os interesses, surge um
terceiro grupo de pessoas que ficam na coluna do meio, garantindo que a receita
ideal é a velha fórmula norte-americana do 50%-50%.
Esta discussão é bizantina e inócua. Não leva a grandes
resultados ou a resultados sérios, porque deixa de contabilizar as realidades
de cada universo, as peculiaridades de cada comunidade, os modelos diferentes de
gestão, os tipos de produtos, as culturas específicas. Não se pode falar em
proporções estatísticas quando o objeto é um produto da área
humano-psicossocial, que é diferente de empresa para empresa. Portanto, os
modelos de jornais devem considerar as realidades ambientais.
Outra falha de percepção é imaginar que as coisas que
interessam à empresa não interessam ao empregado e vice-versa. Estou cada vez
mais convencido que os empregados de uma organização necessitam saber, cada
vez mais, a respeito de dados e posições estratégicas, metas, programas.
Quanto mais ele conhece a organização, mais se integra e se adapta ao estilo
administrativo. A recíproca é verdadeira. Muitos empregados ficam
marginalizados, porque não conhecem a empresa.
As informações sobre as necessidades comunitárias,
anseios, expectativas, comportamentos constituem, igualmente, fatia importante
das pautas. Porém, essa espécie de informações não pode ser quantificada.
As circunstâncias determinarão as ênfases. A questão não é aritmética,
como alguns editores de jornais parecem insistir. Outro ponto de divergência
gira em torno da linguagem. Aberta, coloquial, descritiva, narrativa, seca,
objetiva, movimentada, adjetivada, substantivada: esses são os termos
normalmente usados nas discussões sobre jornais de empresa. Alguns temem usar
formas variadas, porque poderiam marcar as publicações como um "aleijão
lingüístico", outros ficam sem saber como agradar, ao mesmo tempo, um
diretor, altamente especializado, e um peão, com seu vocabulário modesto e
simples.
Pois bem. Qualquer bom jornalista aconselharia: a linguagem
do jornal é intermediária. Nem lá nem cá. Isto é, nem a linguagem
exageradamente técnica nem a marcadamente coloquial. Muitos sabem que há tipos
de matérias – os perfis humanos – que comportam linguagens mais amena e
descontraída. Há matérias departamentais que necessitam de uma forma mais
descritiva, explicativa. E há informações rápidas que exigem o tom objetivo,
direto. A regra do grande jornal é o melhor parâmetro.
Muitos jornais internos exageram nos pronomes pessoais,
elogios fartos, parabéns em conclusões de matérias, denotando tratamento
amadorístico. O coloquialismo que se pretende imprimir à linguagem dos jornais
internos não pode ser confundido com abordagens ufanistas, intimistas e
provincianas. O fato de ser um jornal menor, do ponto de vista de formato,
número de páginas e se dirigir a uma comunidade, não exclui a técnica
profissional.
Os jornais internos possuem ainda a função de contribuir
para a elevação dos padrões culturais da comunidade. Nesse sentido, é
oportuno enriquecer a proposta editorial com mensagens que tragam para o
trabalhador uma compreensão dos contextos, dos problemas e circunstâncias que
os cercam. Não podem os jornais internos criar modelos de comunidades ilhadas,
isoladas de um mundo em permanente mutação.
A SAÚDE DO AMBIENTE INTERNO
Um dos principais desafios dos administradores tem sido o de
diagnosticar, com razoável grau de acerto, as causas das insatisfações,
angústias, frustrações, tensões e ansiedades que brotam, com freqüência e
intensidade, no ambiente interno das organizações. O tratamento que se tem
dado ao chamado clima organizacional, aqui entendido como o caldo cultural
resultante dos comportamentos humanos, dos modelos de gestão e políticas
empresariais, é, ainda, no Brasil, bastante precário. Pode-se inferir que boa
parcela dos programas adotados pelas empresas é ineficaz, porque não há
adequados diagnósticos internos.
O arco de problemas enfeixados pelo clima organizacional é
freqüentemente administrado por visões particularistas e sentimentos pessoais,
dentro de abordagens intuitivas, pouco técnicas e profissionais. Observa-se
frágil disposição em sistematizar os tipos de problemas, agrupá-los em
categorias diferenciadas, medir sua importância para o equilíbrio interno e
implantar medidas adequadas.
Inadequações nos programas de benefícios (médicos,
odontológicos, hospitalares, sociais), frustrações do corpo funcional ante a
política de promoção, pouca clareza e transparência normativa, imensas
dificuldades nas comunicações inter-setoriais e departamentais, exagerada
massa de papéis obstruindo os canais internos, inexistência de articulação
no fluxo vertical de comando, tensões criadas pela agilidade da rede de boatos,
constituem, entre outras, distorções que devem ser avaliadas e tratadas em
escalas próprias. Conhecer onde começa e onde acaba cada questão é
fundamental, para que se tome a melhor decisão e a solução mais eficaz.
A tentativa, portanto, de estabelecer uma completa lista de
situações compreende o primeiro passo de um programa na área de clima
organizacional. Dividir as situações por categorias é o passo seguinte, a fim
de que o assunto possa ser entendido em sua dimensão técnica, humana, grupal e
normativa. Medir a intensidade das divergências, identificar sua freqüência
junto aos diversos segmentos de empregados e estabelecer cruzamentos entre os
problemas levantados é outra etapa, só cumprida com competência quando se
realiza uma investigação em profundidade.
As pesquisas internas, porém, são geralmente mal recebidas
ou fogem ao rigor técnico que delas deve-se exigir. A grande dificuldade se
relaciona à cobertura de amostras significativas dos públicos internos, que
abrangem desde os altos níveis de diretoria e vão até o nível dos peões.
Descobrir as maneiras de "captar" os sentimentos enrustidos no tempero
de cultura da empresa é tarefa prioritária dos administradores da área
humano-pisco-social.
Muitos executivos, por seu lado, temem conhecer a realidade
mais profunda das culturas organizacionais. Imaginam que, escamoteando a
verdade, com medidas paliativas e rotineiras, conseguem "levar com a
barriga" a torrente de conflitos internos. Para se fixarem no cargo, evitam
mexer no âmago das questões, imaginando que o leque de críticas poderia ser
entendido como reação negativa aos programas por eles dirigidos. Dessa forma,
falham como profissionais, pois, ao invés de administrar tensões, procuram
abafar as demandas e anseios da comunidade.
O conhecimento da cultura das organizações deve integrar a
descrição de atividades de profissionais de recursos humanos, comunicação e
suas especialidades. E os dirigentes precisam prestigiar políticas que
contemplem o conhecimento do ambiente interno, porque tais medidas integram,
verdadeiramente, o repertório prevencionista, escopo de qualquer empresa que
trabalha com conceitos de planejamento estratégico.
A POLÍTICA DO LAZER
Qual deve ser a contribuição das empresas na organização
das atividades associativas dos empregados? Que tipo de relacionamento precisa
existir entre empresas e associações desportivas classistas, entidades
responsáveis pelo fomento nos setores de lazer e cultura dos empregados? As
empresas devem promover eventos diferentes e paralelos aos organizados pelas
associações dos empregados?
Essas questões têm sido objeto de muita polêmica e
desgaste entre profissionais de Recursos Humanos e Comunicação, os mais
envolvidos no trato dos programas de lazer e associativismo da comunidade. Por
trás das dúvidas, o clássico problema: a ajuda direta aos empregados em suas
propostas de lazer não disfarçaria uma política paternalista? Os empregados
não veriam na atitude colaboracionista da empresa uma forma camuflada de
intervencionismo em sua associação?
O tema comporta alguns pontos de análise. Em primeiro lugar,
há que se ressaltar a importância de um amplo e bem organizado plano de
atividades sociais para o estabelecimento de um clima saudável e integrativo. O
lazer, principalmente na forma de eventos que reúnem grupos, seções, setores,
cumpre a função de cadeia interativa, pela qual sedimentam-se a amizade, a
solidariedade grupal, a união, o companheirismo e o congraçamento.
Empresas que possuem espaços próprios para o associativismo
– clubes, quadras esportivas, salões, áreas verdes – estão um passo
adiante de outras que não dispõem de estrutura. O problema é que algumas
daquelas áreas ficam distantes do local de trabalho ou da região que sedia os
trabalhadores, motivo de desinteresse por parte dos potenciais freqüentadores.
Apesar do transporte gratuito oferecido, constata-se esvaziamento de muitas
sedes clubísticas, nos fins de semana, quando o normal, no contexto dos
conglomerados urbanos, seria a corrida do lazer.
Mas com uma infra-estrutura montada, será possível fomentar
a participação. Muitas empresas não esperam a programação das entidades de
empregados, tomam a dianteira no planejamento dos eventos. E aí surgem os
problemas. As festas são olhadas com suspeição e, sem apoio efetivo da
comunidade, deságuam em grandes fracassos. É evidente que o engajamento e a
participação maciça ocorrem quando os próprios empregados são motivados e
envolvidos no planejamento. Como, porém, motivar?
O caminho mais lógico para o engajamento seria por
intermédio das entidades e de seus líderes, que precisam armar um eficiente
esquema de comunicação e uma programação de boa qualidade, se querem manter
credibilidade e autoridade moral sobre os liderados. Isso é muito difícil. Os
dirigentes, ou estão muito atarefados em suas atividades rotineiras, ou
perderam o entusiasmo, integrando a chapa da diretoria apenas para constar.
Assim, acomodam-se e abandonam suas responsabilidades.
Nesses casos, as empresas devem tomar a iniciativa. Não se
pode deixar inerte e sem uso uma infra-estrutura de lazer. A iniciativa das
empresas pode ser, também, de maneira indireta, por meio do incentivo às
diretorias das entidades. Quando tal situação se demonstrar inviável, não
há remédio melhor que uma ação pró-ativa de restabelecimento da
programação.
O importante, em todos esses aspectos, é procurar preservar
a atividade associativa, mesmo que, num primeiro instante, possa ser olhada com
desconfiança. Dependendo da qualidade e com o tempo, os eventos começam a
atrair os empregados. A política do vai-e-vem, agora, é aconselhável. Isto
é, novamente engajados na programação, os empregados devem ser envolvidos na
implementação das ações, afastando-se a empresa para a posição de
retaguarda, oferecendo a ajuda indispensável, em forma de contribuições
pecuniárias e infra-estrutura de apoio.
Grupos de teatro, corais ou grupos musicais constituem uma
forma de expressão cultural muito difícil de se implantar, numa organização.
A estratégia da empresa, em relação a esses grupos, deve ultrapassar a
simples ajuda financeira, para abranger cuidados, do tipo localização e
identificação de líderes informais, que possam efetivamente se engajar nas
promoções. A força aglutinadora do líder informal é básica, num primeiro
momento, para o sucesso do empreendimento.
Quando os grupos estiverem funcionando a contento e o sucesso
brotar com as primeiras apresentações, o entusiasmo se alastra e toma conta
dos participantes, fazendo com que cada grupo encontre seus caminhos, andando
por sua própria conta. Mas o empurrão inicial é fundamental. Interessa, acima
de tudo, fazer brotar a semente da efervescência participativa. E a semente
não brota, se não receber água e condições ideais para cultivo. O
relacionamento das empresas com associações classistas dos empregados não se
pode guiar por atitudes medrosas ou receio de paternalismo. Afinal de contas, a
função social das empresas acolhe práticas de assistência cultural e de
lazer, o que não pode ser confundido com paternalismo. A atitude franca,
aberta, de diálogo permanente, sem censuras, é aconselhável a posturas de
esconde-esconde e medo. Estamos vivendo uma época de comunicação aberta e os
espaços devem ser preenchidos com sinceridade mútua e jogo aberto de idéias.
Quando existe confiança nas partes, o relacionamento
torna-se cordial, apesar de posições sustentadas com destemor. Não temo,
portanto, um contato direto com as entidades representativas dos interesses dos
empregados. Aliás, isso não é apenas aconselhável, mas uma própria
exigência dos novos tempos.
RITO, SÍMBOLO E FESTA
Certa feita, assessores de Napoleão, o poderoso general
francês que estendeu seus domínios sobre quase toda Europa, ao perscrutarem
sobre a importância de uma simbólica e esquecida Medalha da Legião de Honra,
por ele recuperada como galardão, receberam uma significativa resposta:
"Vocês conquistam homens com quinquilharias e pequenas coisas, não com
palavras".
A réplica napoleônica é uma mistura de cinismo e visão
realística da natureza humana. Os ritos e símbolos exercem extraordinário
poder sobre os homens. Não é à toa que o exercício do poder, desde os tempos
mais remotos, tem-se cercado de uma cultura de ritos, símbolos e festas. Diz-se
até que o símbolo estaria fixado ancestralmente no subconsciente dos homens,
agindo por si mesmo, à maneira de reflexos inatos ou automatismos, sem que haja
necessidade de formar reflexos condicionados para torná-los atuantes.
A lembrança ocorre a propósito da cultura empresarial,
também ela dependente de uma carga litúrgica que impregna os participantes com
valores simbólicos de forte efeito integrativo. Medalhas de honra, festas
sociais, agradecimentos de dirigentes, comemorações cívicas, inaugurações,
discursos solenes, cenários enfeitados constituem, deste modo, aspectos
diferenciados e rotineiros de uma prática que confere ao poder formal efeitos
mágicos e sagrados.
Não estou, em absoluto, pregando a exacerbação das
liturgias do poder, por reconhecer que os excessos e extravagâncias conduzem os
dirigentes e governantes a uma política demagógica de efeitos danosos aos
sistemas e agrupamentos sociais. Entenda-se a explicação como tentativa de
refletir sobre a missão exercida pelos rituais, principalmente no que diz
respeito aos objetivos de integração e participação comunitária.
Não posso, porém, deixar de defender a adoção de uma
postura litúrgica condizente, que se pode, de maneira geral, definir como a
prática de alguns ritos e cerimônias, disciplinados pela natureza do trabalho,
resultados obtidos pelos trabalhadores, necessidade de emulação interpessoal e
grupal e "esquentamento" do clima interno. Os jogos práticos
esportivos, os lazeres diferenciados, os prêmios de estímulo, os
reconhecimentos, as láureas de mérito recompõem, de alguma forma, carências
ditadas pela base psicológica do trabalhador e atribuem ao ambiente um clima de
humanização, tão necessário para contrabalançar a estrutura rígida,
disciplinada pela férrea burocracia e rigorosos padrões de autoridade. O
modelo fortemente burocratizado de Max Weber para as organizações necessita,
certamente, de um sistema de recompensas, que além dos salários, encontra nos
rituais importante referência.
O desafio que se impõe a uma empresa está na dosagem exata
de valores e elementos para equilibrar a dualidade do eixo racional-psicológico
do ambiente de trabalho. Quando esse equilíbrio fica ameaçado por excesso de
peso, num dos sistemas (autoritarismo exacerbado ou liberalismo exagerado),
rompe-se o fluxo harmonioso que deve tecer as relações entre empresa e
empregado.
Outra dificuldade está na descoberta dos tipos de
cerimônias adequadas para "esquentar" a cultura. Elas não podem
maltratar os anseios, expectativas ou contrariar as rotinas da empresa. Essa é
a razão pela qual cada organização deve auscultar, sentir, perquirir e, a
partir daí, selecionar e planejar os costumes. Há alguns acontecimentos que
já integram o calendário empresarial, como cinqüentenário, os 25 anos de
empresa do empregado, a aposentadoria, festas de fim de ano, consecução final
de planos, datas festivas das cidades.
As práticas litúrgicas, por sua vez, carecem de cuidados.
As rotinas demonstram que há uma infinidade de posturas e comportamentos que
determinam maior eficácia nos encontros: maneiras de um presidente sentar-se,
modo de se dirigir aos participantes, número ideal para obtenção de
resultados de um evento, seqüência temporal das ações, ambientação
física.
Até os pequenos atos, de maneira quase imperceptível,
contêm certo ritual, e sua eficácia, às vezes, é conferida por suas
dimensões litúrgicas. A importância da liturgia numa organização é, enfim,
avaliada pela aura psicológica que desenvolve internamente. Sem o calor da
cerimônia, os eventos perdem sua graça, ritmo, magia e encantamento, ficando
seus efeitos muito esmaecidos.
Cuidados, porém, são necessários. Recordo, a propósito, a
imagem do político nordestino que, desejando imprimir tom de grandiosidade a
seu discurso, apelou para o ritual demagógico e circense de enfiar a mão numa
gaiola para tirar um passarinho. No afã de concluir, de maneira apoteótica,
seu discurso sobre a liberdade do homem, arrebatado em seu paroxismo, comprimia
freneticamente o pássaro com a mão direita, enquanto, delirante, deitava as
palavras finais: "E, para simbolizar o espírito de liberdade do homem, vou
soltar este passarinho". Abriu a mão, o pássaro estava morto. O rito
exagerado asfixia os atores sociais.
A FEBRE DAS REUNIÕES
Uma das principais ferramentas da gestão empresarial precisa
de socorro. Se não receber tratamento de choque, continuará a definhar,
ameaçando tornar-se uma coisa sem sentido, ineficaz. Trata-se da reunião, um
evento rotineiro que tem perdido imensa parcela de suas funções,
principalmente em razão de metástase, responsável por sua rápida e
desorganizada proliferação pela empresa.
A reunião é um dos principais canais de comunicação nas
organizações. Necessárias como instrumento técnico para fundamentar
princípios de coordenação, as reuniões propiciam a mobilização de idéias,
experiências, trocas de ponto de vista e originam diretrizes norteadoras de
atividades, tarefas e serviços em equipe. Seu desgaste, porém, é visível, a
ponto de, constantemente, estar servindo de chacota. Em muitas empresas,
reunião é sinônimo de embromação, enrolação, digressão sem futuro,
acomodação, perda de tempo e até catarse grupal.
O desprestígio ocorre por diversas razões. Primeiro, porque
abusa-se de sua necessidade. Para qualquer questão, convenciona-se fazer uma
reunião. Ademais, as reuniões padecem do vício da acomodação,
transformando-se em encontros sem objetivo, improvisados. Em muitas
oportunidades, os participantes desconhecem as pautas indicativas dos trabalhos
e discussões, a mecânica de participação e o tempo de duração. Em outros
casos, a reunião é apenas válvula de escape de uma situação que não
encontra respostas objetivas ou soluções de consenso. Faz-se a reunião para
tentar equacionar os pontos de vista.
A ausência de um planejamento resulta em milhares de
horas/ano perdidas ou apenas parcialmente aproveitadas. De tão acostumadas a
reuniões ineficazes, os participantes desenvolvem uma insensibilidade, que os
torna anestesiados, a ponto de não poderem distinguir mais entre resultados
concretos e simples palavrório. E o estado geral de dormência tem o efeito de
unir os interesses dos participantes, numa espécie de "conspiração"
a favor do "festival de reuniões", que passa a assumir funções
quase lúdicas ("trocar algumas idéias, bater um papinho, dar uma
descansada na cabeça, contar ou ouvir algumas piadas, saber as últimas").
Identifica-se nas reuniões uma das maiores confusões em
torno de dois conceitos fundamentais ao processo de gestão. Trata-se da
conceituação de eficiência e eficácia. Os participantes de um grupo podem
ser extremamente eficientes em seu desempenho individual, mas pouco eficazes
quanto aos resultados gerais do encontro. Ou seja, cada pessoa, isoladamente,
pode desenvolver habilmente sua argumentação, emitir com competência e
segurança conceitos e opiniões, responder, com desenvoltura, às
interlocuções dos colegas, atingindo, assim, desempenho admirável.
Todos podem, em maior ou menor grau, atingir razoável
eficiência. Mas a reunião pode ser um fracasso quanto a resultados, isto é,
pode ser pouco eficaz. É como no futebol. Os jogadores podem ser,
individualmente, eficientes e dar um show de bola, mas o que vale, mesmo, é
ganhar o jogo, é bola no gol. Reunião sem gols, sem resultados, é ineficaz. A
imagem futebolística talvez ajude os participantes dos grupos de trabalho a
aperfeiçoarem sua performance. Mas a compreensão a respeito da natureza da
reunião é, igualmente, importante. Nesse sentido, é imprescindível aclarar
os objetivos, partindo-se do princípio de que eles são bem diferenciados, de
acordo com a tipologia das reuniões. Vejamos alguns tipos:
Reuniões de integração
Seu intuito é de melhorar
as relações entre participantes, ajustando os posicionamentos inter-pessoais,
de forma a propiciar maior fluidez às decisões, implementação de operações
e aumentar os níveis de solidariedade grupal.
Reuniões de avaliação e controle
Servem para aferir
resultados, controlar sistemas e processos e apontar novos caminhos e
correções. Esse tipo constitui importante mecanismo de comunicação
ascendente, vital para o processo decisório, na medida em que permite à alta
gestão e ao corpo gerencial um panorama global das atividades e metas.
Reuniões de distribuição de tarefas
Trata-se de
reuniões objetivas, com claras informações sobre serviços, processos e
tarefas a serem desenvolvidas pelos participantes. Evitam duplicações de
atividades e oferecem condições para a coordenação eficaz.
Reuniões de brainstorming
São encontros que
objetivam extrair dos membros do grupo o maior número de sugestões, idéias e
pontos de vista a respeito de temas específicos e localizados. A técnica da
conhecida "tempestade de idéias" consiste em se fazer com que cada
participante fale abertamente o que pensa, sem censura e interrupção, para,
numa segunda etapa, após o pensamento de todos, apurar-se um conjunto
significativo de pontos temáticos. É muito eficiente, quando bem planejada.
Reuniões para instruções normativas e estratégicas
Pouco usuais, são indicadas para níveis mais altos e têm como finalidade
básica a apresentação e discussão em torno de aspectos estratégicos,
políticos e táticos. Mais usadas em tempos de conturbação e crise, quando se
procura adequar o modelo de gestão às circunstâncias temporais do
macro-ambiente.
Reuniões de sondagens e pesquisa
Encontros mais
descontraídos, abertos, que funcionam como uma dinâmica de grupo, onde o
interesse maior é o de sondar determinados segmentos internos a respeito de
questões variadas, como situações de clima organizacional, políticas de
benefícios, lazer, alimentação, transportes. O bom planejamento não pode
deixar de lado as pautas e a agenda, a definição do número de participantes,
o local, a mecânica de desenvolvimento, o tempo de exposição e de debates,
entre outros aspectos. Dar um basta no festival de reuniões ou replanejá-las,
eis o conselho. Assim, pode-se melhorar sua eficiência e injetar "sangue
novo" a um doente, que está, visivelmente, anêmico e, pior, sem muita
credibilidade.
O EFEITO CASCATA DOS PAPÉIS
Os abusos burocráticos das empresas são responsáveis,
entre outras mazelas, por um fenômeno que podemos chamar de terrível efeito
cascata, pelo qual se explica a tendência geométrica de multiplicação dos
papéis. Ao aterrissarem nas mesas dos destinatários, os papéis acendem
impulsos e estimulam o nascimento de novos comunicados, memorandos, avisos,
ordens internas, normas, solicitações, pedidos de esclarecimento, formando um
imenso caudal de comunicações normativas.
O paradoxo reside no fato de que quanto maior for o volume de
papeis, tanto maior dificuldade para compreensão de situações e menor
eficácia no processo de comunicação. Explica-se essa hipótese pela
constatação de que uma infinidade de papéis exigirá maior esforço dos
usuários, mais tempo para leitura e, logicamente, dificuldades para os
processos de apreensão, captação e retenção de informações. Em
conseqüência, inunda-se a rede formal de comunicações com uma massa de
informes, freqüentemente mal redigidos e com péssima apresentação visual,
que estancam sobre as escrivaninhas, entupindo os canais.
Costumo associar a quantidade de papéis de uma organização
ao jogo de poder que se estabelece entre setores, á natureza autoritária ou
participativa que caracteriza o modelo de gestão, ao tipo de presidente e ao
perfil global de seus quadros humanos. Quando as empresas chegam ao limite de
massificação nos canais de comunicação descendente – de cima para baixo
– sufocando quase completamente os canais ascendentes – de baixo para cima
– algo está errado e precisa ser urgentemente corrigido.
Ocorre que as preocupações de muitos executivos no sentido
de calçar suas áreas com formas múltiplas e variadas de normas, ás vezes,
até conflitantes, a vontade de enviar memorandos em seqüência, a dispersão e
profusão que caracterizam o sistema normativo acabam por entupir o fluxo de
comunicação descendente, gerando algaravia e pouca capacidade de assimilação
das mensagens.
Quando se sabe que os canais ascendentes têm extrema
importância para o processo decisório, fica patente a fragilidade das empresas
que não procuram incentivar os canais de controle. Entre estes, lembro os
relatórios de atividades, as avaliações, as pesquisas, as demonstrações de
resultados, as reuniões com níveis operacionais, os círculos de controle de
qualidade, as caixas de sugestões e os bancos de idéias, as conversas diretas
com as chefias.
Não tenho dúvidas sobre a necessidade de muitas empresas
realizarem extraordinário esforço para limpar seus papéis, apresentarem
normas e procedimentos claros e, se possível, curtos, objetivos, e partirem
para decisões corajosas, do tipo abertura de diálogos e contato direto com
todas as categorias, reuniões de controle, aperfeiçoamento dos mecanismos de
participação comunitária no processo decisório e agilidade nas decisões.
Muitos dirigentes temem em abrir os canais de comunicação
com os empregados, por acharem que a medida viria, de alguma forma, fragmentar o
espírito de hierarquia. Trata-se de uma visão ultrapassada. As gestões
modernas, nos Estados Unidos, na Europa, para não falar no modelo participativo
japonês, estão aí para comprovar a eficácia dos processos que levam em conta
a efetiva participação da comunidade nos sistemas normativos de decisão.
Algumas empresas do nosso parque industrial começam a trabalhar seriamente na
desburocratização de seus modelos e, pelo que se sabe, com resultados
animadores.
A meta de desburocratização não consiste apenas no corte
drástico de papéis, como se pode pensar, num primeiro momento. Uma empresa
pode ter poucos papéis e permanecer muito burocratizada. Um programa de
desburocratização implica, sobretudo, em mudanças de mentalidade, em procura
de novos sistemas e métodos que, por sua simplicidade, originalidade e
criatividade, podem ajudar uma empresa a atingir mais rapidamente, e com maior
eficácia, os objetivos programados. A reciclagem geral da cultura interna é,
portanto, o primeiro caminho.
A imitação de experiências de desburocratização pode
igualmente não dar certo, na medida em que cada empresa precisa adotar
critérios próprios, que combinem adequadamente com seu perfil de negócios.
Não há uma data para encerramento do processo de inovação. A procura de
alternativas de modernização e desburocratização constitui um processo
permanente e não se esgota com os primeiros achados criativos. Qualquer tempo
é bom para começar e os alicerces de um programa deverão abarcar as
possibilidades técnicas e todos os canais que protejam a cultura da
organização sobre a comunidade.
É preciso atentar, ainda, para o fato de que não se
extingue um papel desnecessário, usando-se outro papel decretando sua morte. Os
papéis simplesmente desaparecem sem deixar aviso. Por último, um aviso aos
mais burocratas: se querem começar vida nova, releiam os papéis que
cotidianamente assinam e tentem, devagar, jogar algumas palavras na cesta,
enxugando as mensagens.
OS CUIDADOS NO PROGRAMA DE INOVAÇÕES
Atenção, pessoal, inovação tem limite! O aviso vem a
propósito das inúmeras inovações, criações tresloucadas, renovações e
mudanças realizadas, freqüentemente, no ambiente de trabalho. Essa situação
acontece obedecendo mais ou menos ao seguinte roteiro: uma pessoa ou um grupo
tem uma idéia, discute-a com companheiros de trabalho, recebe um incentivo e
aprovação, toma coragem e encaminha a sugestão para frente. São mudanças
nos fluxos de trabalho, reorganização de cronogramas, supressão de tarefas,
adição de serviços, abrangência de pessoas envolvidas em um programa,
roteiro para corrida dos papéis etc.
A febre de renovação (aliás, bastante saudável) que toma
conta de muitas empresas não pode desequilibrar o sistema organizacional, a
ponto de gerar conflitos e situações insustentáveis. Ocorre que muita gente,
desejosa de adquirir status e aparecer no cenário interno, fica com as antenas
permanentemente ligadas à cata de definições que possam melhorar o clima e
aumentar a produtividade. As empresas abertas promovem esse tipo de cultura. O
objetivo é louvável. O perigo está nos exageros que se cometem. As mudanças
organizacionais não podem sair da cabeça de uma pessoa. Devem ser planejadas
por equipes profissionais.
Para que o processo de inovação e mudanças flua, de
maneira natural e concernente com a cultura organizacional, será necessário
analisar um conjunto de elementos e posições, a saber:
Preparação sócio-psicológica da comunidade
interna
O processo de mudança não sofrerá grandes ruídos, quando a comunidade
estiver psicologicamente preparada para enfrentar as alterações. Esse preparo
é tarefa a ser cumprida com bastante antecedência, por meio de um detalhado e
bem checado programa de comunicação.
Natureza da mudança e inovação
As transformações
assumem uma gradação qualitativa, havendo aquelas de alta prioridade e
importância, pela magnitude, e outras, simples, que não afetam profundamente a
vida comunitária. O grau de transformação ditará o cronograma para a
implementação da mudança. Não se aconselha queimar etapas.
Preparação dos agentes da mudança
Em todo o
processo de mudanças, deve existir uma equipe bem preparada para cuidar de
todas as fases, detalhes e operações. O sucesso de um programa freqüentemente
depende da qualificação e treinamento da equipe. Um grupo pequeno é mais
desejável que um amontoado de pessoas.
Definições conceituais, técnicas e operacionais
As
mudanças, para alcançar a mente dos participantes, precisam estar
convenientemente apresentadas, em termos de conceitos, significações,
importância, resultados que se pretende atingir. Quando se trata de
reorientação de natureza técnica ou operacional, o desafio é bem maior, pela
complexidade de linguagem. A transparência precisa marcar todas as etapas do
programa.
Cronograma de ações
A credibilidade é fundamental
para que os ruídos sejam atenuados. Consegue-se credibilidade, quando, ao lado
da transparência, oferece-se cronograma adequado. O cumprimento das datas
certamente amplia a dose de confiança das pessoas.
Simplificação e racionalidade
Aconselha-se cercar o
programa com um toque de simplicidade e racionalidade. Em algumas propostas, o
exagerado detalhamento chega a complicar, e todos os agentes responsáveis pela
implementação acabam por se atropelar, confundindo-se com a carga informativa
do planejamento.
Controle freqüente dos climas
O acompanhamento dos
climas internos, principalmente junto aos setores que serão mais diretamente
afetados, fornecerá inputs para redirecionamento e aperfeiçoamento da
programação.
Priorização das mudanças
Há situações em que se
exige uma priorização de mudanças, pela impossibilidade de se implantar o
conjunto. Mas nem por isso as situações que podem ser consideradas de menor
importância devem ser relegadas e abandonadas. Há casos em que pequenos
detalhes, esquecidos, jogam por terra todo um esforço.
A improvisação no campo da mudança organizacional é um
verdadeiro suicídio. É por isso que os grupos participativos, com suas idéias
geniais (algumas são baboseiras), precisam tomar cuidado. Não adianta criar o
programa, sem pensar em como implementá-lo. A fase de implantação recebe,
infelizmente, pouca atenção.
CONVIVER COM AS GREVES
O grau de convivência com os movimentos grevistas e os
paredões que eclodirão no compasso da dinâmica social e da maior liberdade
sindical, previstas para os anos que precedem o início do terceiro milênio,
será o principal termômetro para medição da eficácia das políticas
empresariais no campo das relações trabalhistas. As áreas mais sensíveis às
pressões trabalhistas certamente poderão contar com a simpatia de imensos
contingentes sociais, formando, assim, climas favoráveis para o melhor
desenvolvimento dos negócios.
É evidente que a ruptura de processos autoritários,
responsáveis por intervenções em sindicatos e políticas altamente
restritivas no campo das negociações coletivas, conduzirá o País a um novo
modelo de relacionamento entre o empresariado e os trabalhadores.
Caminhar-se-á, inequivocamente, para uma prática de relações francas,
ásperas, às vezes, porém, inspiradas por maior confiança nos acordos e
melhor disposição para ajustes. A sociedade será o juiz maior dos possíveis
conflitos e o Governo necessitará de grande habilidade para não se desgastar
perante os dois pólos das questões.
O aumento real de salário, o direito de greve, a redução
da jornada de trabalho, a garantia de emprego, acordos coletivos condizentes com
as realidades das categorias, implantação de comissões de fábricas
constituem, entre outros, os eixos das discussões e a plataforma já
estabelecida pelos movimentos trabalhistas.
O quadro que se apresenta para o empresariado, além das
reivindicações objetivas dos programas trabalhistas, é enriquecido pela
pressão da classe média, pela força catalizadora dos grandes meios de
comunicação, pelo empenho dos grupos de pressão que se multiplicam
intensamente, pela agressividade de partidos que realizarão campanhas públicas
para seu reconhecimento e por focos de tensão e eletricidade que despontam na
periferia dos grandes programas de relações trabalhistas.
Cordialidade, franqueza, determinação para se negociar
propostas adequadas e de acordo com padrões das categorias econômicas, aceitar
a greve como um fenômeno normal e incorporado à dinâmica empresarial do
sistema capitalista, procurar compreender o trabalhador à luz de seus direitos
e necessidades e não considerá-lo inimigo que precisa ser combatido,
constituem premissas de um programa sadio de relacionamento.
O importante, no espectro de situações a serem enfrentadas,
é procurar administrar os conflitos dentro de uma prática democrática, que
objetive salvaguardar os interesses dos cidadãos, respeitando-se os valores do
sistema empresarial. Essa visão poderá oferecer ao País um novo modelo de
negociações coletivas, diferente das práticas antigas, onde imperavam a
desconfiança, as intervenções autoritárias e o desrespeito.
Ao lado das conversações, procurar-se-á aperfeiçoar a
legislação no campo das relações de trabalho, incorporando-se conquistas e
posições das classes trabalhadoras das modernas economias capitalistas.
Inclinações nesse sentido não apenas permitirão que os trabalhadores
posicionem-se melhor em suas campanhas, mas darão mais credibilidade ao sistema
empresarial, tornando o empresariado mais respeitável e confiável.
Torna-se claro que o bom desfecho para os conflitos estará
dependendo da condução da ordem econômica do País e de sua capacidade em
administrar os apertos provocados pela dívida externa. Nesse sentido, haverá
necessidade de um tipo de negociação que leve em conta as questões maiores da
Nação, sob pena das reivindicações trabalhistas se transformarem em fator de
desestabilização, o que seria perigoso para a normalidade democrática.
Altas responsabilidades estão, assim, destinadas aos
empresários e aos trabalhadores nos novos tempos que se iniciam. Da habilidade
de ambos na condução do processo das negociações e das medidas justas que se
derem aos pontos de vista das partes dependerá o equilíbrio do sistema
político-econômico do País.
A RETENÇÃO DE INFORMAÇÕES
Num jogo de futebol, os jogadores do meio de campo exercem
decisiva missão para o sucesso do time. Recebendo a bola dos companheiros de
retaguarda, armam as jogadas, controlam as posições do ataque e, com alguma
habilidade, vão construindo as táticas e passes que permitem à linha da
frente arrematar os finais com a eficácia do gol. Na empresa, os jogadores do
meio de campo executam função semelhante. De sua eficiente conduta, dependem
as jogadas que permitem aos grupos dianteiros executar com sucesso as tarefas.
Refiro-me à atuação das chefias intermediárias, consideradas em todas as
organizações peças-chave da árdua batalha da produtividade.
Análises de relatórios de pesquisas de clima organizacional
têm, invariavelmente, apontado para o desempenho das chefias intermediárias
como um dos grandes gargalos da administração. A questão, expressa de forma
bem simples e genérica, consiste, fundamentalmente, na retenção de
informações, pelos níveis médios. Recebendo informações e dados dos
superiores e dos escalões mais altos, os chefes de nível médio deveriam
repassá-las para os subordinados, dando vazão e fluidez ao processo
operacional e decisório. Tal comportamento nem sempre ocorre de maneira
desejável, fazendo emergir problemas com algum teor de gravidade.
Esbarrando no meio de campo, sem possibilidades de correr
até o fim da linha, a bola parada dificulta o andamento do jogo, impedindo a
participação do conjunto e dificultando, enormemente, a vitória do time. É
isso o que acontece. Os contingentes localizados nos degraus inicias da empresa
– supervisores, por exemplo – estão sempre a se queixar de que não contam
com suficientes informações e orientação para dar ordens claras e corretas
aos peões, o grupo que trabalha "com a mão na massa". Os resultados
florescem em forma de sistemas e processos confusos, decisões vagarosas,
duplicação de tarefas, estocadas recíprocas entre áreas e setores, ausência
de transparência normativa, perdas de energia e diminuição da produtividade.
Essa constatação tem permitido aos analistas se debruçarem
exaustivamente sobre as causas detonadoras do fenômeno da retenção de
informações. A pergunta central é esta: por que as chefias intermediárias
costumam segurar a bola, criando obstáculos e evitando passá-la para adiante?
Entre as respostas, algumas merecem análise mais cuidadosa.
Reter informações faz parte do disputado jogo do poder.
Quem possui muitas informações, via de regra, consegue ocupar razoável
espaço organizacional. Dependendo da qualidade do fluxo informativo e do tipo
de fonte, o espaço é maior e inexpugnável, impedindo eventuais fustigações
e, até mesmo, a investida curiosa de companheiros do mesmo setor.
O fenômeno de guardar informações explica-se, dessa forma,
como tática na escalada do poder organizacional. Há algumas informações não
operacionais – como medidas estratégicas, políticas e diretrizes gerais –
que conferem status a quem as detém. Os possuidores daquelas informações
sentem-se, psicologicamente, envaidecidos e prestigiados. O repasse só ocorre
quando a medida serve para fortalecer seu poder ou quando percebem que a
informação transmitida contribuirá, taticamente, para exibir aos outros a
intimidade que mantêm com os escalões decisórios. Isso dá prestígio.
Sucede que, freqüentemente, o fluxo de informações
descendente – dos níveis mais altos para a base – assume uma feição
operacional, para uso imediato, devendo, por essa razão, ser repassado. Como o
uso do cachimbo faz a boca torta, o costume de preservar mensagens finda por
colocar na mesma cachola informações estratégicas, normativas, técnicas,
operacionais. Entopem-se, assim, os canais da administração, paralisando a
dinâmica produtiva ou atrapalhando sua normalidade.
Além desta causa, identifica-se outra, também relacionada
ao poder. Trata-se da competição grupal, entre áreas e setores. A
competição entre departamentos acaba por "prender" o processo
informativo, privando muitos segmentos de informações básicas para a
eficácia de tarefas rotineiras. Há, ainda, razões de natureza diferenciada,
como a distância física entre outras áreas afins, que dificulta o percurso da
informação, o estilo centralizador do chefe (que não pode estar ligado à
questão do poder) ou mesmo desleixo e esquecimento.
O enfrentamento desse problema pode ser feito por meio de um
conjunto de ações, que passam, inicialmente, pela correta identificação das
origens (locais e fontes), cursos de treinamento, reuniões integrativas até
redefinição de políticas e normas técnicas, organizando-se, de modo
transparente, o fluxo informativo. Casos mais drásticos recebem tratamento de
choque à base de movimentação horizontal, com o deslocamento e trocas de
chefias.
Como no futebol, a bola tem de correr. Com uma única
diferença. No futebol, o time que está ganhando, costuma, perto do final,
fazer cera. O goleiro prende a bola, o meio de campo faz firulas, o jogo fica
meio parado. Na empresa, "prender" o jogo é bastante arriscado. O
dono da bola não costuma tirar a bola do campo, não. Costuma tirar os
jogadores, quando o time faz cera.
O PODER DO BOATO
Nos últimos tempos, os analgésicos não têm conseguido
aliviar um tipo de dor de cabeça que vem assolando amplos contingentes do
universo empresarial. Trata-se de um distúrbio que deixa muitas pessoas
insones, tontas, algumas vezes superexcitadas, confusas e freqüentemente,
irritadas. Principalmente os chefes e executivos das áreas de Recursos Humanos
e Comunicação. E a causa de tanta aflição é um fenômeno muito popular,
tão antigo quanto o homem, porém, temido por seu terrível efeito devastador.
Estou falando do boato, esse mecanismo capaz de arregimentar
massas e multidões e de provocar imensos conflitos nas relações entre o
capital e o trabalho.
Rádio-peão, rumor, informação inverídica,
disse-me-disse, rádio-mexerico, ou, simplesmente, fofoca, o boato, em qualquer
uma de suas modalidades e designações, integra a imensa rede da comunicação
informal das organizações e se constitui num contraponto psicológico à
chamada rede formal, composta pelo discurso normativo e oficial das empresas. O
boato vem, de alguma forma, compensar as falhas existentes na comunicação
formal, integrar diversos segmentos internos num lado psicológico de
identificação de posições e valores, equilibrando, assim, as tensões e
angústias.
Como válvula de escape às expectativas geradas pelas
organizações, o boato se assemelha ao vapor da panela de pressão, que escapa
para deixar os condimentos e materiais processados num ponto de cozimento. É
evidente que, em alguns momentos, essa pressão, de tão forte, chega a ameaçar
o espaço social por onde se espraia, necessitando alguma forma de controle e
comedido equilíbrio. Para tanto, é importante entender, de início, seu
processo e desenvolvimento.
O boato varia na razão direta da importância e ambigüidade
de um determinado assunto. Por aqui, percebe-se que temas como salários,
demissões, mudanças, promoções, transferências, implantação de novos
sistemas e questões de insalubridade, entre outros, constituem o prato
predileto da rede informal, principalmente em momentos de tensão, crise e
dúvidas, como os que temos atravessado.
Entendendo que as manifestações informais e espontâneas do
homem fazem parte daquilo que a psicologia chama de mecanismos inatos de
conservação da espécie – impulsos combativo e nutritivo, relacionados à
necessidade de enfrentar situações adversas e de defesa orgânica – será,
possível estabelecer maneiras para acabar com o boato. em primeiro lugar, é
preciso aceitá-lo como algo natural, não necessariamente direcionado para
posições negativas.
Seu enfrentamento passa, portanto, pela compreensão de que,
bem administrado, o boato pode ser uma rede de comunicação eficaz para a
passagem de mensagens que interessem às empresas. Sabendo que ele existe e é
extremamente ágil, pode-se usá-lo para deflagrar um programa de comunicação
de reforço, isto é, em apoio às comunicações oficiais. Para isso, é
interessante observar como o boato nasce e corre.
Chama-se rede sociológica de grupinhos e estrutura que faz
irradiar o boato. Uma pessoa encontra-se com três colegas e dá sua versão
sobre algo que ouviu. Nessa versão, ocorrem alguns fenômenos. A pessoa reduz o
tema a situações bem simples, nivelando as informações, tirando aspectos
complexos e limpando ângulos técnicos.
De acordo com seus interesses e expectativas, adiciona à
informação original uma outra informação e interpretação. Quando lhe
convém, ao invés de acrescentar informações, a pessoa suprime dados e
parcelas do conteúdo, passando adiante apenas a versão mais conveniente para o
preenchimento das expectativas individuais e grupais. Das três pessoas que
ouviram aquela versão, uma ou duas encontram-se com outros grupinhos e
repete-se a situação, multiplicando-se indefinidamente o boato que, em espaço
de poucas horas, como um rastilho de pólvora, atinge quase todo o espaço da
comunidade.
A identificação dos líderes informais nas empresas é uma
medida estratégica para um programa de enfrentamento ao boato. Pesquisas sobre
comportamento demonstram que pessoas em alguns ambientes tendem a dar mais
ouvidos e credibilidade aos líderes informais que às comunicações que
recebem por meio de veículos impressos ou eletrônicos, descoberta que deu
origem à chamada teoria do fluxo em duas etapas na comunicação.
Por essa teoria, a comunicação chega, num primeiro momento,
ao líder de opinião e este, com sua versão e interpretação, passará a
mensagem para os outros, numa segunda etapa. Está demonstrado que as pessoas
confiarão muito mais na versão e interpretação do líder, que, por
envolvimento psicológico com o grupo, pelo contato rotineiro e amizade, exerce
muita confiança junto a seus admiradores, assegurando, assim, alta
credibilidade a suas opiniões.
Mas não se deve esquecer que o boato é, freqüentemente,
produto de um sistema de comunicação mal ajustado, incoerente, pouco
transparente, confuso. Nesse caso, as providências de saneamento e planejamento
devem levar em consideração os tipos de canais de comunicação existentes na
empresa, a linguagem, os conteúdos, a freqüência com que a comunicação
chega à comunidade, os reforços para apoio e compreensão das mensagens, a
origem das informações, entre outros aspectos.
Se a mensagem a ser transmitida for muito importante e se for
necessário reduzir a zero o índice de ruídos e distorções, alguns testes
podem ser feitos. Por exemplo: a reunião, numa sala, de um grupo de 12 pessoas,
de níveis e posições diferentes. Em outras duas salas, deverão estar
acomodados dois grupos de doze pessoas.
Para o primeiro grupo, faz-se uma exposição do assunto que
se pretende divulgar. Pode-se utilizar, nessa explanação, apenas o recurso
oral. A seguir, solicita-se que cada pessoa do primeiro grupo se encarregue de
passar a mensagem para uma outra do segundo grupo, numa comunicação
interpessoal. O terceiro momento será utilizado para o segundo grupo, da mesma
forma, transportar a mensagem original para o terceiro grupo na outra sala.
Ao final do processo, pede-se que as pessoas do terceiro
grupo escrevam a mensagem recebida. Verifica-se o nível de distorções,
observam-se ênfases e pontos destacados e, a partir dessa análise, refaz-se o
programa, com ajuda de outras formas de comunicações, além de exposição
oral (desenhos, flip-charts, transparências, repetições etc.). O programa
será reordenado e certamente, numa segunda experiência, os resultados serão
melhores.
Os ajustes de comunicação diminuirão os boatos. E a
utilização da rede de comunicação informal dará mais agilidade às
mensagens principalmente quando se conhece a extensão dos grupos e se
identificam as zonas de alta sensibilidade na empresa. O boato, bem
administrado, não faz mal. Faz mal querer combatê-lo, sem compreensão de sua
natureza. Como se fosse possível matar uma característica inata dos grupos.
O PODER DOS FEUDOS
As pesquisas sobre clima organizacional têm apontado para os
efeitos destruidores provocados por um dos mais interessantes e complexos
fenômenos da administração moderna: os feudos, "panelinhas" e
redutos que se criam nas empresas, ao arrepio da estrutura formal, criados para
sustentação do poder de grupos. Meios socialmente arquitetados para amortecer
os efeitos da ansiedade, mecanismos de defesa de interesses contrariados pela
estrutura ou, simplesmente, formas ostensivas de exibição de status, os feudos
abalam profundamente o sistema hierárquico e causam danos, muitas vezes
irreparáveis, aos objetivos da produtividade.
Essas maneiras de agrupamentos não-formais geralmente
aparecem e se desenvolvem em empresas que não procuram balancear seu modelo de
gestão, acostumando-se com métodos ortodoxos e deixando florescer e se
enraizar uma mentalidade pouco propícia a mudanças. Ou em organizações que
apresentam alguns quadros muito antigos que, por contarem muitos anos de casa,
se consideram com direito adquirido de se fecharem em posições
compartimentalizadas.
Os feudos constituem um território isolado no espaço
organizacional e um formidável espaço de poder. À medida das antigas
possessões, possuem uma espécie de mandatário, o dono do castelo, que tanto
pode ser o líder hierárquico do grupo como o empregado mais antigo, escalado
pela tradição para assumir os destinos e os rumos dos comandados. Mais que um
compartimento estanque, os feudos assumem a feição de um movimento, com regime
próprio, sistema original de defesa de valores grupais, vínculos de amizade e
solidariedade.
Apesar de se submeterem às normas e procedimentos gerais da
empresa, os membros sediados num reduto se regulam muito mais por um sentimento
separatista, que os torna psicologicamente unidos em torno das causas comuns.
Entre elas, uma taxa de rebeldia contra os estatutos empresariais, a sensação
de não estarem sendo contemplados de maneira justa pela organização e a
inclinação para se acharem qualitativamente superiores a outros.
As frustrações num "castelo feudal" atingem,
freqüentemente, índices alarmantes, fato facilmente explicável quando está
em jogo a questão da rejeição. Daí para o caos, o caminho é muito curto. Um
grupo frustrado, pelo processo de metástase, procura extravasar seus
sentimentos, irradiando insatisfações por todos os lados e banhando o espaço
da comunidade interna com uma onda de negativismo e contrariedade. Devastada por
esse "vírus", a comunidade tende a reagir, fazendo ressurgir novo
processo de multiplicação de ondas negativas que, como círculos
concêntricos, se espalham ameaçadoramente ocupando espaços vazios. De
repente, percebe-se que toda a empresa está tomada pelo negativismo.
Ao ocorrer uma situação como essa, a empresa deve deflagrar
um feixe de providências saneadoras. Detectando-se setores mais problemáticos,
será possível estabelecer-se um programa que vise, fundamentalmente, a alterar
algumas posições, transferindo-se pessoas, obedecendo-se a um plano de job
rotation, que considere as necessidades apontadas pelo sistema de
avaliação de desempenho e potencial. Não há coisa pior para uma empresa que
respirar um clima poluído e desgastado. Daí a importância da movimentação
de pessoal horizontal e vertical, necessária para dosar os ambientes,
equilibrar os grupos, injetar sangue novo em funções e atividades.
As mudanças de lugar precisam se apoiar, por sua vez, num
conseqüente e avançado programa de comunicação. Será o esforço de
comunicação, em último caso, a matriz responsável pela tranqüilidade com
que se processarão as mudanças internas, na medida em que, pela explicação e
convencimento, ajustará os interesses, aliviando as tensões e acalmando os
espíritos.
Ao programa de comunicação, sucedem-se tentativas de
aperfeiçoamento em outros programas, como os planos de benefícios e
assistência, promoção funcional e desenvolvimento profissional. Como se
percebe, a mudança de posição, por si mesma, não chega a consubstanciar a
solução para o problema gerado pelos feudos e panelinhas. Em alguns casos, a
versão direta com líderes informais, lotados nos grupos fechados, melhora a
situação, principalmente quando as questões são apresentadas de maneira
objetiva e recebem um tratamento também objetivo por parte da empresa. O
importante, na análise mais profunda dessa questão, é perceber que a função
interativa da comunidade interna deixa de existir quando ameaçada por
sentimentos de frustração dos feudos. Imbuídos de sentimentos negativistas,
tomados pelo espírito de contrariedade, os membros daqueles grupamentos passam
a não produzir, assumem uma atitude imobilista e, de maneira quase
inconsciente, impregnam os ambientes de uma incomensurável sensação de ócio
e vazio.
Como um dos mais desafiantes problemas da administração
moderna, os feudos empresariais estão a carecer de uma análise mais acurada e
científica dos administradores, que, por complacência e mesmo desconhecimento,
deixam as coisas acontecerem. Quando tomam atitudes, indicam remédios
paliativos que curam o mal, por momentos, mas não extirpam a raiz. Uma boa
política de prevenção contra os feudos reside no acompanhamento constante e
permanente dos climas internos, verificando-se as expectativas, ansiedades e
tensões. No início do problema, a solução fica mais fácil de ser tomada.
Depois, tudo será mais difícil. Principalmente, quando a empresa, em sua
totalidade, vira um amontoado de pequenos e grandes compartimentos.
O PODER DO LÍDER INFORMAL
Não há mais por que duvidar: o líder informal exerce um
extraordinário poder nas organizações. Poder de influenciar, de barganhar, de
ameaçar, de argumentar, de mobilizar, de comunicar, poder para fazer sua
opinião prevalecer sobre a dos outros. Dos conceitos que estão por trás dos
verbos do período anterior, extrai-se a importância do estudo e acompanhamento
do líder informal numa organização. Quem é, afinal, esse líder informal?
Como o nome indica, o líder informal não é o tipo
investido de um cargo e nem exerce liderança normativa e legal. Ele não possui
cargos importantes, é uma pessoa comum, com extraordinário brilho pessoal,
fruto de traços de inteligência, de comportamento ético, de domínio técnico
a respeito de temas específicos e de ótimo relacionamento interpessoal. O
líder informal se impõe com naturalidade e conquista o respeito e admiração
dos companheiros pelo simples fato de ser uma pessoa completamente natural e
autêntica. Autenticidade. Eis aqui uma palavra-chave para exprimir a essência
do líder informal. Colocá-lo dentro da prisão dos rótulos e conceitos
fechados é um exercício de temeridade e muito risco. Pois o líder informal
foge a qualquer rótulo.
Esse tipo de líder não se encaixa, por exemplo, na famosa
classificação de Max Weber e sua tipologia de liderança pura: o tipo
tradicional, cujos traços fundamentais apontam para a herança patriarcal e
patrimonial e que denotam um líder histórico e conservador. Nem é também o
líder carismático, aquele que possui traços místicos e quase sobrenaturais,
tipo que cultua o personalismo, o egocentrismo e arbitrariedade. Muito menos o
líder informal pode ser comparado com o líder legal, aquele que aufere o
poder, pela carga burocrática do exercício do cargo e que se impõe, de
maneira fria, racional e essencialmente técnica.
Pode o líder informal, com bastante evidência em alguns
casos reunir traços carismáticos, um feixe de situações e qualidades que lhe
conferem imenso poder de atração. Em torno dele, as pessoas reúnem-se, quase
sem perceberem. Sua energia irradia-se por todo o grupo. Ele ouve, lê,
prospecta, analisa e, em último caso, dá a palavra final sobre determinada
questão. Há uma maior probabilidade de consenso que de divergência em torno
da palavra final do líder informal.
Sua natureza não se alimenta de fatores exclusivamente
biológicos, genéticos. O líder informal, como pessoa flexível, incorpora os
ideais da coletividade, cristalizando sentimentos, canalizando aspirações e
interesses grupais. Sua vertente sociológica é, portanto, bastante acentuada,
ao contrário do que muita gente pode imaginar. Na verdade, ele aprende muito
com os grupos.
A capacidade transformativa do líder informal garante-lhe
permanência temporal no espaço das organizações. Interpretando com razoável
correção e senso de oportunidade as prioridades temáticas do meio ambiente,
analisando, de maneira competente, as dimensões dos problemas econômicos,
políticos, empresariais, trabalhistas ou questões rotineiras do grupo, o
líder informal faz convergir, em torno de si, os principais campos de força do
ambiente onde trabalha. Centralizando os pontos de referência social, ele
torna-se o maestro dos tons e contratons da comunidade.
Suas qualidades de comunicação são apreciáveis. Pois
além de expressões adequadas no relacionamento grupal, possui reconhecida
capacidade para ouvir e silenciar, bons conhecimentos a respeito dos códigos da
empresa, fácil locomoção pelos setores, simplicidade no agir e modéstia na
apresentação. Quando veste a camisa da empresa, é muito provável que haja
todo um time a seu redor com a mesma camisa. Quando não compra a idéia, a
situação fica perigosa. É preciso, nesse instante, ouvi-lo, auscultá-lo,
porque o líder informal não é, mesmo que tenha uma opinião conflitante com a
da organização, um inimigo.
Dentro do processo global de comunicação, o líder informal
é considerado peça-chave. A comunicação que corre até o último nível é,
quase fatalmente, a mensagem interpretada pelo líder informal. Daí o meu
conselho. Se você, profissional de RH, teme aproximar-se dos líderes informais
de sua empresa, pelo tradicional medo de enfrentar uma liderança que muitos
consideram ameaçadora, não hesite. Marque uma conversa, pois o líder informal
é também uma pessoa educada. (Há exceções, é claro.) A liderança informal
não pode ficar ao relento, à margem do processo administrativo. Não se trata
de querer transformá-lo em líder formal. Trata-se, sobretudo, da necessidade
de ouvi-lo e respeitá-lo.
A AVALIAÇÃO DA COMUNICAÇÃO
Os resultados de um amplo programa de comunicação
empresarial podem ser medidos de diversas maneiras. É claro que o empresariado
raciocina, em primeiro lugar, em termos de relação custo/benefício. Dir-se-ia
até que a atração dos administradores pela relação custo/benefício tem
ofuscado sua real dimensão e não temeríamos em arriscar a dizer que as contas
efetuadas para se estabelecer os resultados da equação padecem de um grave
vício. Não um vício de intenção, mas um vício de omissão.
Explica-se: os analistas e contabilistas das organizações
apuram, para efeito de demonstração, os resultados entre inputs e outputs,
isto é, matéria-prima, seu processamento e manipulação, e as vendas,
subtraindo-se das receitas as despesas, para alcançarem os resultados em
lucros. Portanto, a equação clássica lida fundamentalmente com resultados
financeiros. Ocorre que a administração financeira não conseguiu, ainda,
passar para seus componentes financeiros, passíveis de contabilização,
variáveis extremamente subjetivas como clima organizacional, empatia,
integração de objetivos, espírito de corpo, identidade corporativa ou o
suporte de tudo isto, o poder expressivo das organizações. Em suma, a questão
de comunicação nas organizações é tratada como despesa, não como
investimento.
O vício de omissão, é evidente, parece justificado pela
ignorância, calcada nos enfoques e estudos tradicionais dos cursos de
Administração, Economia e Engenharia, principalmente. Felizmente, observamos a
preocupação de setores e escolas avançadas em incorporarem a componente
comunicação como variável importante e tecnicamente viável para medição de
resultados positivos nas empresas. Referimo-nos às possibilidades de se medir o
efeito do poder expressivo das organizações utilitárias, não apenas sob a
ótica das vendas pela publicidade na televisão, mas pelas avaliações
quantitativas que se podem estabelecer dos comportamentos dos empregados.
Basta lembrar, a propósito, as baterias de testes
direcionadas a apurar comportamentos, depois de campanhas de comunicação
internas para melhorar a produtividade; as campanhas que visam a medir o grau de
memorização das empresas junto a determinados segmentos da opinião pública e
que avaliam o grau de conhecimento, compreensão, aceitação e valores que
determinado grupo empresarial consegue obter. Portanto, pode-se objetivamente
medir resultados de comunicação.
O bom conceito de uma organização flui diretamente sobre a
posição das vendas. Há, evidentemente, muitos casos em que se pode
quantificar efeitos do programa de comunicação. Resta, apenas, fazer chegar
esses métodos ao poder decisório das organizações, para seu convencimento e
aceitação. O nosso claro posicionamento é a favor da colocação dos gastos
com comunicação no campo dos investimentos e não no das despesas. Poder-se-ia
apontar, também, a extrema importância da comunicação para assegurar a
eficácia das políticas de recursos humanos na organização, a começar pelas
atividades de seleção de pessoal até o treinamento e o desenvolvimento
organizacional.
Os programas de Recursos Humanos utilizam o ferramental de
comunicação de maneira muito ortodoxa, restringindo-se a alguns conselhos
sobre modos de comportamento de habilidades comunicativas, jamais se preocupando
com o estudo das redes, dos laços, dos fluxos e dos níveis da comunicação.
Identificamos, aqui, os mesmos problemas. A omissão por ignorância. Os
especialistas de Recursos Humanos, na maior parte dos casos, têm uma visão
distorcida, quase paroquial, dos resultados que a comunicação organizacional
pode atingir.
Apontamos, também, a importância da comunicação para o
planejamento estratégico das organizações. Entendemos que o sistema de
comunicação dá vigor e consistência às grandes estratégias de
planejamento, necessárias para a sobrevivência, expansão e diversificação
empresariais. O planejamento em comunicação deve, pois, se atrelar ao
planejamento estratégico. Outros resultados podem ser conseguidos na cultura
interna. Pela comunicação, os corpos diretivos passam a ter uma identidade
pública, um perfil técnico, um conceito profissional no mercado, situações
que vêm contribuir para a viabilização do conceito e identidade da
organização.
A VERDADE NA POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO
Pode-se falar das coisas erradas de uma empresa nas
publicações internas? Pode-se fazer crítica a métodos, processos e formas de
atuação de setores ou pessoas? É evidente que não, responde a quase
totalidade das pessoas responsáveis pelos programas de comunicação. A
empresa, argumentam elas, patrocina uma linguagem de integração,
solidariedade, unidade. Ela não vai permitir que aspectos negativos obscureçam
o esforço que os comunicadores fazem para tornar o ambiente empresarial um
"céu de felicidade e paz".
Pois há quem discorde dessa posição e sou um deles. Sei
que é temerário para uma publicação interna exercer a crítica. E
reconhecemos muito bem a cultura empresarial brasileira, arraigadamente banhada
por preconceitos e posições que jamais poderiam aceitar o discurso crítico.
As pessoas temem perder seu lugar, quando aspectos negativos do trabalho são
mostrados. Outras querem mostrar os patrões que as coisas andam maravilhosas e
a empresa é uma ilha cercada de paz por todos os lados. Estamos diante da velha
cultura fisiológica brasileira, alimentada por puxa-sacos e muita gente
despreparada.
Vou tentar argumentar em favor do discurso crítico. Começo
lembrando que a crítica é necessária para o equilíbrio ambiental. Se todas
as pessoas de um setor tivessem a mesma opinião, se tudo fosse exatamente
igual, possivelmente as coisas não seriam bem dosadas. Pois do confronto de
posições nasce a luz. Do diálogo aberto e nem sempre cordial podem surgir
idéias criativas. Da espontaneidade criativa das pessoas brotam soluções.
Quando o medo dirige a conversa, o artificialismo aparece como ingrediente.
Aceita a crítica como elemento integrante da procura da eficácia, podemos
partir para o segundo plano de análise. Trata-se do plano das mudanças
sociopolíticas. O mundo está mudando. As transformações tecnológicas ditam
novos comportamentos. Os valores profissionais e espirituais acompanham as
tendências contemporâneas. A sociedade humana está abandonada, seus velhos
clichês, a cultura paternalista, assistencialista, cede lugar a uma cultura
racional, lógica. Todos os aspectos projetam-se sobre os cenários ambientais
das organizações.
Em conseqüência, a mentira não tem condições de ser
perpetuada. O grande jogo nas relações de trabalho requer que a trapaça seja,
de uma vez por todas, abolida. As cartas devem ser mostradas. A eficácia de um
sistema de trabalho é o resultado de elaborações corretas e adequadas de
soluções e respostas que não comportam desvios. Os desvios organizacionais
consistem nas freqüentes tentativas de dourar a pílula, amaciar o ego, de
acalentar as mentes, agradar os olhos e suavizar os ouvidos.
Basta de mentira. Basta de enganação. Nas relações entre
o capital e o trabalho existem, é claro, conflitos. Mas os conflitos podem ser
resolvidos pelo diálogo. Trabalhadores e patrões devem entender que estão no
mesmo barco. Todos dependem dos resultados da empresa. Resultados frágeis
proporcionam salários frágeis, desemprego, ameaças, insegurança. Empresas
fortes e saudáveis asseguram tranqüilidade e melhores salários. A verdade,
nos novos tempos, é premissa para o equilíbrio.
Os japoneses encontraram seu tom. Os trabalhadores japoneses
engajam-se ardorosamente em suas atividades. Pensam na empresa como se ela fosse
sua. esforçam-se, desdobram-se. Sabem eles que do progresso de sua empresa
dependerá seu futuro e o futuro de seus filhos. Não abominam o sistema
capitalista e lá o velho conflito de classes não tem mais vez. É claro que
não se importam culturas. Mas ninguém há de duvidar da imensa capacidade de
construção de resultados quando todos se reúnem em torno das mesmas metas.
Para chegar a esse ponto a verdade é indispensável.
Sou favorável, portanto, a uma abertura de portas. Que seja
uma janelinha. Mas não podemos ficar eternamente nos enganando fazendo o jogo
do empurra-empurra, do toma-la-da-cá. As empresas necessitam da crítica para
encontrar caminhos claros. A locução deve ser aberta. Quando se tem boa
intenção, não se deve temer a crítica. Essa é arazão pela qual as
publicações internas poderiam retratar de maneira mais fiel o que ocorre no
ambiente interno.
A IDENTIDADE HOMOGÊNEA
A identidade das empresas é, freqüentemente, enfraquecida
pela dualidade entre os sistemas interno e externo de comunicação. Ocorre que,
quase sempre, não há correspondência entre os sistemas. A linguagem da
comunicação interna não combina com as propostas estabelecidas para o sistema
externo. As conseqüências são graves. Se não há correspondência entre a
cultura de uma organização e a identidade que ela quer projetar no mercado,
cria-se uma dissonância, que terá, como resultado, uma ruptura na imagem.
Vamos tentar explicar.
Geralmente, a angulação que as áreas de comunicação
querem dar à empresa assume conotações diferentes. No plano interno, os
ângulos são apoiados em valores de humanidade, leveza, integração,
participação. Procura-se mostrar um tecido sistêmico, uno e indivisível. As
pessoas aparecem nas publicações internas dando entrevistas, falando de seus
setores, planos, interesses e relatos de sua vida na empresa. As políticas de
benefícios, os cursos de treinamento, as práticas cotidianas são exibidos
dentro da moldura humanizada de uma organização que tem como meta final o
homem.
No plano externo, geralmente se procura dourar a pílula com
tons de seriedade, segurança, fortaleza, inovação tecnológica, porte
empresarial, grandeza estatística, expansão e tradição. Fotografa-se uma
realidade profundamente formal e normativa. Exibe-se a empresa com cores
carregadas de tons neutros. A descontração da cultura é, geralmente,
escondida. Chega-se a ponto de muitos empregados sentirem-se em empresas
diferentes: uma, que eles conhecem, porque lá trabalham e convivem; outra, a
que vêem e percebem por meio dos apelos externos na mídia e pelas mensagens
propagandísticas.
Essa dissonância ocorre por diversos motivos. Primeiro,
porque os profissionais de comunicação que trabalham na área de comunicação
interna não são os mesmos que trabalham na área externa. Com visões
diferenciadas, é normal que as coberturas de imagem, planos e ângulos também
o sejam. Segundo, porque, há, historicamente, um erro de conceito. Trata-se da
distorção de imaginar que a empresa deve abrigar duas imagens: uma interna e
outra externa. Equivaleria ao erro de imaginar que a cozinha de uma casa não
tem nada a ver com a sala de estar. Ora, ambas as áreas pertencem ao mesmo
sistema. O mínimo de coerência arquitetônica deve haver entre elas.
Essa falha deve ser imediatamente combatida. Entramos numa
fase de completa claridade e transparência. Os empregados estão, cada vez
mais, assumindo sua cidadania. E, como cidadãos, passam a exigir situações
coerentes e práticas harmônicas. Se a empresa está em greve, por exemplo, ela
não aceita que, para efeito externo, pinte-se um quadro de tranqüilidade,
harmonia, bem-estar e muita paz. Quando isso ocorre, estimula-se o descrédito.
E não é raro que pessoas que, antigamente, confiavam na empresa, deixem de
fazê-lo.
Os sistemas de comunicação, portanto, devem interligar-se.
A interdependência precisa ocorrer no terreno das linguagens, valores,
conceitos, processos, pessoas. Isto é, a empresa precisa encontrar uma
linguagem média, intermediando as posições interna e externa, a fim de
trabalhar com ela em todos os planos. As publicações externas, as campanhas,
os projetos de identidade externa não podem abandonar aspectos da cultura
interna. É muito louvável inserir em propostas externas a linguagem ou
aspectos de cultura interna. Essa particularidade pode conferir diferencial à
imagem de uma empresa.
Comunicadores internos e externos devem se unir. A hora não
é de racha, mas de atuação comum. Não podemos perder tempo com briguinhas
por mais espaço ou por melhor status. Se a imagem de uma empresa, interna ou
externamente, corresponder à sua verdadeira identidade, todos estarão de
parabéns. O importante é a percepção de que há lugar para todos que
trabalham no sistema de comunicação. E hoje, mais que ontem, a exigência
básica é a da qualidade de trabalho.

Originalmente publicado no site Mega Brasil Comunicação.