RELAÇÕES PÚBLICAS: ENQUETE MOSTRA COMO PROFISSIONAIS ENCARAM O
PLANEJAMENTO EM SUAS EMPRESAS
Adão Eunes
Albuquerque
APRESENTAÇÃO
É com satisfação que o autor do livro Planejamento das Relações
Públicas, editado em 1981, lança ao público as entrevistas inéditas realizadas em
1979, com profissionais de Relações Públicas do Rio Grande do Sul. A enquete reúne
comunicadores militantes em organizações públicas e privadas, bem como professores em
entidades educacionais expressivas.
Este opúsculo contém 216 (duzentos e dezesseis) depoimentos em resposta a
24 (vinte e quatro) perguntas sobre planejamento institucional. Revela grande diversidade
de conceituações, acabando por colocar o leitor diante de vasto material para reflexão,
subsidiando-o para o trabalho na empresa ou em classe com os alunos, mediante a produção
e resumo de conclusões próprias.
Congratulamo-nos com os entrevistados pela compreensão, espírito aberto e
pelo pronto atendimento; e agradecemos a professora Emi Maria Santini Saft, pela revisão
dos originais.
AS ENTREVISTAS
ALBUQUERQUE: Como encara o planejamento em Relações Públicas?
Segundo Jerônimo
Carlos Santos Braga, o planejamento "permite a realização de um trabalho
controlado, possibilitando uma ação administrativa mais eficiente".
Para Eurico
Saldanha de Lemos, "é a única forma viável de serem compatibilizados todos os
fatores que incidem na execução da política de Relações Públicas e que também
preponderam na execução, implicando abrangência dos projetos, estratégias,
composição dos públicos, definição de prazos etc..."
Sônia
Maria de Oliveira Kraemer acha que "se planejamento é importante até na vida
particular e pessoal de cada um, muito mais numa atividade profissional, porque faz parte
de um todo de atitudes que vão compor a filosofia operacional de determinada
empresa".
Já Maria
Luiza Faller garante: "As respostas na área de Relações Públicas geralmente
chegam a médio ou longo prazo; daí a necessidade de um plano básico, a ser
cumprido".
Roberto Porto
Simões é de opinião que "todas as intervenções devem e podem ser realizadas
se houver um diagnóstico da situação e a seguir uma projeção das atividades a
corrigir ou reforçar a situação".
Para Hugo
Reinaldo Filippini, o planejamento "dá mais segurança e eficácia ao trabalho
de Relações Públicas". A professora Martha Geralda Alves DAzevedo acha-o
"imprescindível; sem planejamento não é possível fazer nada".
Eugênia da
Silva Wendhausen considera que, "por ser Relações Públicas, atividade que tem
objetivo explícito e funções básicas, presta-se a tanto".
O mesmo ocorre com Martha
Diaz Pozueco que o considera "importante para que a realização de algum evento
obtenha êxito. Há necessidade de uma preparação prévia das atividades e das
providências a serem desenvolvidas, determinando tudo como seqüência lógica, para
assim atingir os objetivos".
ALBUQUERQUE: Na sua instituição, quem fixa as políticas de Relações
Públicas?
Jerônimo, respondendo como profissional da Brigada Militar, afirma que
"a política de Relações Pública é ditada, pelo Comandante Geral, após ouvir o
Departamento de Relações Públicas".
Na Símbolo Propaganda, segundo Saldanha, "quem fixa a política de
Relações Públicas é o diretor-presidente. Cabe-me assessorá-lo, como consultor,
perfeitamente harmonizado com os interesses e peculiaridades dos diversos públicos
ligados à agência".
Sônia, falando como consultora externa, assim se expressou: "Como somos
uma agência prestadora de serviços de Relações Públicas, a equipe toda está voltada
não só para os trabalhos planejados para nossos clientes, como também para o trabalho
de Relações Públicas para nossa empresa e, em particular, para cada um dos seus
componentes. Exposto isso, conclui-se que, em conjunto, determinamos a nossa
política".
Na Martins & Andrade Propaganda, segundo Maria Luiza, "a direção
fixa as políticas de comunicação, juntamente com o Departamento de Relações
Públicas". Já Simões garante que não fixa as políticas de Relações Públicas,
apenas assessora.
Na Companhia União de Seguros Gerais, quem fixa as políticas institucionais
"é o Departamento de Relações Públicas em consonância com os objetivos da
diretoria e empresa", afirma Filippini.
Martha DAzevedo esclarece: "Faço Relações Públicas para a
UFRGS, mas não oficialmente; portanto, fixo as políticas em conjunto com o reitor".
Na SCS Consultoria de Relações Públicas, "eu mesma", assegura a Eugênia,
"para os clientes, em acordo com a diretoria".
No Hospital de Clinicas, quem fixa as políticas de comunicação social é
"a administração central do hospital, de comum acordo com o Serviço de Relações
Públicas", conforme Martha Pozueco.
ALBUQUERQUE: Você tem algum método formal de planejamento?
"Sim", diz Jerônimo "o método de planejamento é idêntico
as demais atividades, acrescido das adequações necessárias. Estudo de situação,
política, plano, programa, relatório, diretriz, norma, regulamento".
Saldanha afirma: "Não utilizo nenhum método formal para planejar;
entretanto, nunca fujo à regra básica de estabelecer o objetivo e depois arrolar o
caminho ou caminhos a serem percorridos para a consecução da meta, bem como descrever os
recursos a serem empregados, prever algumas alternativas e propor etapas de
execução".
Sônia não tem nenhum método formal de planejamento. Ela acredita que
"em cada plano, para cada cliente, a fórmula muda. As básicas estão nos livros e
na teoria dada pela Universidade. A criatividade de cada profissional é que vai
personalizar o planejamento deste ou daquele cliente". O mesmo ocorre com Maria Luiza
e com Simões. Este último, no entanto, afirma que adota "os métodos correntes na
comunidade científica".
Filippini compartilha da mesma opinião de Sônia, porém salienta que
"já existiu em uma diretoria passada um método formal; na presente, não".
Martha DAzevedo foi incisiva: "Isto é toda uma disciplina; como professora,
ministro esse conteúdo um semestre inteiro".
Eugênia destaca que "usa sempre o planejamento por objetivos". E
Martha Pozueco não tem, igualmente, segundo a própria, um método formal de
planejamento. "As atividades são executadas à medida que as necessidades surgem, e
quando sugeridas à administração do hospital".
ALBUQUERQUE: E quando você diz: dedico-me ao planejamento, que
tipo de trabalho realmente executa?
"Levantamento das ações anteriores, causa e efeito, projeções,
testes e projetos finais", responde Jerônimo.
Saldanha modestamente afirma: "Em toda a minha vida profissional de
Relações Públicas, não tive ainda o privilégio de dizer que dedico-me ao
planejamento. Não consegui, ainda, dedicar-me apenas ao planejamento.
Freqüentemente, quase sempre, sou obrigado a partir também para a execução dos
projetos. Se não executo sozinho, sempre acompanho como supervisor".
Quanto a Sônia, quando se dedica ao planejamento, faz "determinação
de atitudes, composição de prazos para execução de cada uma e critérios de
avaliação dos resultados que podem ser positivos ou negativos".
Para Maria Luiza, isto representa fazer "todo o trabalho que é
necessário para a execução de um plano de Relações Públicas fazer um
diagnóstico de toda a situação. Traçar os objetos, metas, tarefas e verificar se todas
as atribuições estão sendo realizadas satisfatoriamente".
Simões "estabelece objetivos, e tudo é controlado por cronograma e
previsões de custos e delegação de responsabilidades".
Diz o Filippini: "Não existindo planejamento, executo o fio de trabalho
de acordo com as necessidades da empresa". Martha DAzevedo foi lacônica,
dizendo apenas que planeja.
Já Eugênia procura esclarecer: "Estabeleço objetivos gerais e
específicos metas e a forma de operacionalização e avaliação". Martha Pozueco
confessa que não se dedica ao planejamento.
ALBUQUERQUE: Algum membro da cúpula administrativa participa, de alguma
forma, do planejamento?
Jerônimo diz que, na Brigada, sim. "A administração geral recebe
projetos, discute e dá a aprovação final".
Saldanha esclarece que "a participação da cúpula administrativa da
Símbolo, no planejamento, é consubstanciada na palavra final que o diretor-presidente
dá com relação ao trabalho. Ele aprova ou não. Autoriza ou não o emprego de verba.
Algumas vezes o planejamento é aprovado parcialmente, o que obriga a uma reformulação
de estratégia".
Para Sônia, a participação é evidente, "pois somente a direção
maior da empresa pode concordar ou não com esta ou aquela atitude que está no
planejamento. Acho certíssimo isso, pois um diretor financeiro, para executar
determinados pagamentos ou fazer determinadas compras que definem uma nova política
financeira da empresa, leva esse problema a uma reunião de diretoria, para aprovação ou
não; portanto, um diretor de Relações Públicas assim também deve agir".
Na agência da Maria Luiza, a participação da administração é
"indireta, quando da fixação de verbas". Segundo parecer de Simões, "o
planejamento deve ser debatido e aprovado pela pessoa da organização que possui o poder
decisório sobre a execução do mesmo".
Na União de Seguros Gerais, participava a Assessoria de Marketing, conforme
destaca Filippini. Martha DAzevedo diz que "apenas a cúpula administrativa
participa, de alguma forma, do planejamento".
Toda a equipe da SCS participa, segundo Eugênia; "para alguns clientes,
usamos inclusive reuniões de brainstorming".
Martha Pozueco reconhece que não: "Por enquanto, ainda não fiz nenhum
planejamento; apenas elaborei os objetivos e as atividades que competem ao Serviço de
Relações Públicas do hospital".
ALBUQUERQUE: Que processos vêm sendo adotados para examinar as metas
alcançadas e o progresso das relações com o público?
"Técnicas de avaliação, usadas antes da ativação de planos para
adequá-los aos públicos; durante a ação, para conhecer as respostas face aos
estímulos, e, após, para conhecer as metas alcançadas", são os processos adotados
por Jerônimo.
Saldanha utiliza diversos métodos para formular o objetivo ou objetivos de
um plano e avaliar os resultados, posteriormente. Dependendo do projeto, é utilizado um
simples estudo prévio de situação, ou, então, pesquisa, coletânea de entrevistas,
enquetes ou group discussion.
Sônia diz que são vários os processos. "Depende de cada ramo de
atividade de cada empresa e do planejamento que foi adotado para aumentar as relações
dessa empresa com os públicos que lhe interessam."
Para Maria Luiza, isso se realiza por meio da taxação de notícias ou de
pesquisas. Simões ressalta a Auditoria de Relações Públicas. Filippini, a
"pesquisa de opinião pública, mala direta e outros modos de verificação".
Segundo Martha DAzevedo, "cada caso é um caso; só se avalia de
acordo com as características do estudo feito". Eugênia lembra, além da pesquisa,
"sondagens de opinião e de atitudes, pesquisas de leiturabilidade, caixa de
sugestões, taxação e outros".
Martha Pozueco preferiu não responder.
ALBUQUERQUE: Em sua instituição, você faz planos gerais e/ou específicos?
Jerônimo confirma essa prática, o mesmo ocorrendo com Saldanha que presta
maiores esclarecimentos: "A Símbolo Propaganda elabora e trabalha com um plano geral
(que é feito no início do ano) e com planos de projetos específicos que, no somatório,
vêm a ser o planejamento geral detalhado. Além disso, como empresa prestadora de
serviços, a Símbolo adota o mesmo sistema de trabalho com relação a diversos clientes
seus".
Sônia afirma que adota o mesmo procedimento; "a filosofia de Relações
Públicas é o Plano Mater Geral; cada evento desse plano geral passa a ser um plano
específico para aquele evento". Maria Luiza age da mesma forma; porém Simões
ressalta que apenas "sugere".
Filippini concorda, de certa forma, quando diz fazer planos gerais de
Relações Públicas e específicas de Propaganda.
A professora Martha DAzevedo, talvez pelas características de seu
trabalho na UFRGS, foi um pouco evasiva: "Sempre há um plano geral e depois as
prioridades, de acordo com as necessidades".
Concordando com a indagação, Eugênia confirma que faz os dois tipos de
planos de relações Públicas na SCS, para seus clientes.
Demonstrando a relação existente com a implantação dos serviços no
Hospital de Clínicas, Martha Pozueco diz que, "de certa maneira, sim, se é que se
pode dizer; fiz um plano geral dos objetivos e atividades do setor".
ALBUQUERQUE: Qual seria a duração ideal para um plano geral ou para o
específico?
"O plano geral pode ser, no máximo, trienal, quanto ao tempo"
frisa Jerônimo "e pode abranger toda a instituição. O plano
específico tem sua duração ligada diretamente ao evento ou interesse a ser alcançado;
pode durar uma semana, ou, quando muito, um ano."
Para Saldanha, "é difícil responder qual a duração ideal de um plano
de Relações Públicas. As coisas em Relações Públicas têm que ser vistas a médio ou
longo prazo. Entretanto, se se tratar de um projeto especifico relacionado com um evento
simples, como uma inauguração, uma convenção de executivos, uma entrevista coletiva,
os resultados devem ser almejados no curto prazo, imediatamente, o que não afasta, em
absoluto, a necessidade de toda a ação executiva ser previamente planejada".
Sônia considera isso muito relativo. "Depende muito do ramo de
atividade da empresa. O importante é que o planejamento seja maleável, pois muitas
variáveis de mercado podem fazer com que alteremos muitas coisas num plano. Somente a
filosofia definida é intocável, mas como manteremos esta filosofia? Cabe-nos
sustentá-la mediante adaptações oriundas da evolução dos acontecimentos".
Para um plano geral, "um ano", segundo Maria Luiza, "sendo
constantemente reavaliados seus objetos e considerados os novos fatos que ocorrem durante
o período. Para um plano específico, é muito variável. Diria que, no caso de um evento
congresso, simpósio dependendo da importância, o prazo de dois a três
meses ao período que antecede o evento e um mês, posteriormente".
Na opinião de Simões, isto também é relativo; "o plano especifico
geralmente leva o nome de programa e é normalmente de curtíssima duração a sua
execução". Conforme Filippini, "não poderá ter uma duração mínima de seis
meses; o ideal seria de um a dois anos".
Na interpretação da Martha DAzevedo, "antes de seis meses de
estudos é impossível fazer-se um plano. Depende do tipo de instituição o tempo de
execução de um plano. Em geral, se faz em um ano; agora pode ser em seis meses. O
específico pode variar de dias a meses, dependendo se for uma inauguração,
efeméride".
Eugênia compartilha, de um modo geral, com os demais: "Um plano geral
de Relações Públicas deve ser, no mínimo, anual. Os planos específicos e/ou projetas
devem ter a duração que o problema exija".
No raciocínio da Martha Pozueco, "é conveniente que a duração de um
plano geral ou específico coincida em tempo e na instalação do período, com o
correspondente à situação econômica da empresa. Um ano de duração em identidade com
o determinado pelo calendário da empresa é o mais adequado e o que permite
desenvolver-se com mais eficiência e segurança".
ALBUQUERQUE: Sua opinião a respeito da apresentação formal de planos à
cúpula administrativa.
"Deve ser apresentado de forma clara, sucinta, com o máximo de
ilustrações e exemplos; evitar termos excessivamente técnicos", frisa Jerônimo.
Na interpretação de Saldanha "é absolutamente necessária a
apresentação formal; é indispensável que o profissional de Relações Públicas
submeta seus planos à cúpula diretiva. No meu modo de entender, o profissional de
Relações Públicas é um executivo que não tem, nem deve ter, poder de decisão final.
O que ele deve ter, isso sim, é alguma capacidade de poder assessorar, influenciar,
orientar o detentor do poder de decisão, nos assuntos relacionados com a problemática do
relacionamento intergrupal".
Para Sônia, a idéia é "ótima, porque, se a cúpula administrativa
não engole o plano feito, não se terá apoio para desenvolver aquele plano
dentro da empresa".
Segundo Maria Luiza, "é necessário, porque todo planejamento envolve
custos, cuja verba nos é liberada pelo setor administrativo. Além disso, a
participação, o envolvimento do setor administrativo facilita o trabalho do planejador
uma vez que o setor administrativo sentir-se-á participante".
Conforme Simões, "deve ser realizado em reunião, apresentado,
debatido, corrigido e aprovado. As técnicas de apresentação encontram-se na
bibliografia específica".
Salienta Filippini que a apresentação formal de planos à direção
"nem sempre é bem aceita". Já Martha DAzevedo defende a apresentação
como sendo "condição sine qua non". Eugênia acha bom, "desde que
bem preparada".
Conclui Martha Pozueco opinando que "os planos devem ser apresentados
por escrito à cúpula administrativa, para a aprovação, e, se possível, pessoalmente,
para maiores detalhes e justificativas".
ALBUQUERQUE: A seu ver, quais as fontes de informação mais adequadas para
ser iniciado um planejamento?
Para Jerônimo, são "os trabalhos anteriores o público a ser atingido;
os líderes". Saldanha não crê que exista fonte de informação mais adequada que
outra: "Todo material que possa servir como feed-back para um planejamento é
adequado. Quanto maior for o volume de informação, mais objetivo e válido é o
planejamento. Depende apenas da capacidade do profissional de saber processar, deglutir,
digerir as informações escolhidas".
Sônia salienta que "existem mil. Depende da cultura, da vivência, da
curiosidade e da criatividade de cada profissional. pois a pesquisa só pode ser montada
em função de coisas que se queira saber definir. Estas coisas dependem de cada um. A
pesquisa é uma das fontes".
Maria Luiza qualifica os "públicos-alvo dos clientes" da agência
como fonte primária de informações. Simões aponta a Auditoria de Relações Públicas.
Segundo Filippini, seriam os "objetivos; públicos a atingir, local, data etc."
Na concepção de Martha DAzevedo, "toda a estrutura da empresa,
toda a organização empresarial deve ser conhecida". Conforme Eugênia,
"pesquisas de opinião/atitudes e similares".
Martha Pozueco ressalta que "a partir de pesquisas de opinião teremos
condições de iniciar e desenvolver um planejamento global dentro da empresa. Poderemos
também nos dirigir a um determinado público", diz ela.
ALBUQUERQUE: É possível um aluno ou profissional sem experiência preparar
planos eficientes?
"Como em qualquer profissão, a eficiência obtém-se durante o estudo
escolar; a eficácia, durante a experiência adquirida. O aluno pode fazer um plano
eficiente, mas terá problemas com a eficácia do mesmo. Parece dúbio, mas é
verdade", reflete Jerônimo.
Para Saldanha, é possível. "Entretanto, infelizmente, a prática tem
demonstrado que são poucos os alunos ou profissionais iniciantes capazes de elaborar um
planejamento razoável."
Sônia acha que sim. "O capricho profissional de cada um depende dele
mesmo. E planos existem, de todos os tamanhos". Maria Luiza entende, também, que
sim, mas faz uma ressalva: "desde que bem assessorado".
Já Simões acha isto possível, "contudo, estatisticamente, difícil de
acontecer; falta-lhe a visão global". Filippini, pensa que "não". Martha
DAzevedo entende como sendo "muito difícil. Só se for gênio".
Eugênia não acredita: "pois acho que experiência junto com a
formação teórica são muito importantes, para a formação do quadro de referência que
oportunizará diagnóstico e prognóstico".
Para Martha Pozueco "é impossível" um aluno ou profissional
inexperiente preparar planos eficientes.
ALBUQUERQUE: Quais são, a seu ver, os tipos de acontecimentos em Relações
Públicas que merecem planos formais?
Jerônimo: "Entendo tipos como eventos; portanto, todos os
eventos da instituição merecem um tratamento de Relações Públicas".
"No meu modo de ver", diz Saldanha, "todos os eventos em que
um profissional de Relações Públicas é chamado a atuar são passíveis de merecer um
planejamento formal".
Sônia é taxativa: "todos". Maria Luiza afirma que "merece
planos formais todo planejamento que envolve vários setores e que deverá desenvolver-se
em diversas etapas". Como Sônia, Simões grifa: "todos".
Martha DAzevedo garante que "o plano formal se faz normalmente
para a empresa. Para os eventos, faz-se conforme forem acontecendo ou quando a gente
cria".
Para Eugênia, "todos os acontecimentos previstos podem ter plano
formal". Na opinião de Martha Pozueco, são os seguintes: "visitas públicas,
inaugurações de interesse público, seminários, aniversários da empresa, eleições de
diretoria".
ALBUQUERQUE: Com base em suas experiências, quais são as fases do
planejamento?
"Levantamento de condições, projeto, execução, avaliação",
diz Jerônimo.
Para Saldanha, "as fases do planejamento em Relações Públicas não
diferem, basicamente, das de um planejamento em qualquer outra área de atividade humana.
Inicialmente, temos que ter presente o máximo de informações possíveis (coletadas por
intermédio de diversos métodos) para ensejar um estudo da situação. A segunda fase é
aquela etapa em que, depois de identificado o problema ou problemas, estabelecemos o
objetivo e os meios (estratégias). A terceira fase é a execução das idéias propostas.
A última fase é a avaliação e correção. Todas são vitalmente importantes".
Maria Luiza entende que "a fase inicial é a da colheita do maior
número de dados sobre o planejamento que queremos executar; a fase de elaboração do
plano, onde vamos manipular os dados que possuímos; a de execução propriamente dita e,
finalmente, a de avaliação".
Conforme Filippini: "preparação, execução e verificação".
Martha DAzevedo entende que "isto é muito amplo e difícil de responder assim.
E todo um estudo, uma pesquisa, um diagnóstico e depois se faz um planejamento".
Eugênia resume tudo em "pesquisa, produção, execução e avaliação".
A formulação de Martha Pozueco é a seguinte: "identificar os seus
públicos (estabelecer objetivos), experiências anteriores; selecionar públicos,
instrumentos a serem utilizados (métodos de comunicações), custo, aprovação,
adaptação e acompanhamento, ação, avaliação".
ALBUQUERQUE: Basicamente que elementos ou componentes deve conter um plano?
Jerônimo assinala que "o plano deve conter os elementos informativos do
que vai ser feito, como, quando e quem serão os responsáveis, bem como conter as medidas
administrativas de apoio".
Saldanha acredita que "um planejamento será incompleto se não
contiver, pelo menos, três elementos básicos: a) objetivo; b) estratégia; c) budget
ou previsão de custos".
Sônia volta a dizer: "Varia muito de cliente para cliente, ou, seguindo
o que vinha dizendo, de empresa para empresa, do ramo de atividade de cada empresa".
Para Maria Luiza, "todos os elementos considerados essenciais,
abstendo-se de entrar em minúcias cujo interesse é somente de quem executará a
tarefa".
Os componentes, para Simões, são: "objetivos, estratégias, metas,
tarefas, responsabilidades, cronograma e custos". Para Filippini, "objetivos,
metas e planos".
De acordo com Martha DAzevedo, "há todo um estudo a ser feito.
Para cada evento existe um tipo de esquematização, de apresentação".
No entendimento da Eugênia, "objetivos geral e específicos, metas,
fundamentação, área de abrangência, públicos a que se destina, metodologia ou
operacionalização, instrumento de correção e avaliação".
Conforme Martha Pozueco, são os seguintes: "objetivos, justificativas
área de abrangência (públicos a que vamos nos dirigir ou setores), métodos (meios),
data, recursos (financeiros, materiais, técnicos e humanos), desenvolvimento e
acompanhamento".
ALBUQUERQUE: Quais são as qualidades pessoais necessárias ao planejador, na
sua opinião?
"Em tese, todas as virtudes humanas são válidas para um
planejador" ressalta Saldanha "entretanto, creio que ele sentirá
maior facilidade se tiver um espírito disciplinado para a observação científica dos
fatos sociais, além de bom senso e habilidade criadora".
No enfoque de Sônia, "o principal é a criatividade; depois,
adaptação da criatividade, as normas básicas e de bom senso. Também é importante como
expressar esta criatividade".
Para Maria Luiza, "fundamentalmente, experiência e sensibilidade".
Na concepção de Simões, "perspicácia e alto conhecimento da etiologia dos
problemas". E, segundo Filippini, "bom conhecimento da área que vai
planejar".
Martha DAzevedo diz que deve "ter um nível cultural muito alto
porque terá que fazer avaliações. Isto não pode ser feito por qualquer um".
Eugênia coloca "discernimento, flexibilidade, ampla visão,
sensibilidade e capacidade de rápida adaptação", como qualidades indispensáveis
ao bom planejador.
Martha Pozueco entende que o planejador "deve ter responsabilidade para
tudo correr bem, dentro do previsto. Do sucesso de nosso empreendimento vai depender a
imagem da empresa. Além disso, deve ter habilidade administrativa, habilidade de
transferir conhecimentos, liderança, honestidade intelectual, caráter aberto, tato,
tenacidade, objetividade, criatividade, organização, discernimento etc..."
ALBUQUERQUE: Fale sobre os conhecimentos ou experiências necessárias ao
planejador.
Jerônimo destaca a "capacidade gerencial pelo conhecimento cada vez
maior das técnicas de administração de empresa".
Como profissional experimentado, Saldanha não tem dúvidas de que "um
planejador de Relações Públicas sentirá bastante facilidade na sua função, se tiver
uma convivência, o mais íntima possível, com a psicologia. É interessante, também,
que o planejador tenha o máximo de aproximação com aquela gama de conhecimentos
(sociologia, filosofia, política e outras) que lhe ensejam realizar uma análise dos
problemas do seu cliente, a mais real e objetiva, bem como a propor soluções para os
mesmos com alta dose de criatividade".
O planejador precisa ter, no entendimento de Sônia, "conhecimento
teórico, cultura, vivência pessoal, criatividade".
Na opinião de Maria Luiza, "conhecer profundamente o objeto do plano e
suas implicações em todas as áreas, tendo, preferencialmente, experiência anterior no
assunto". Simões foi mais amplo: "o específico e quanto mais melhor; não
existe um gabarito". Para Martha DAzevedo, "tem que ter experiência em
planejamento. Isto se adquire só com o tempo".
Eugênia qualifica o "conhecimento de técnicas de planejamento em
geral, da administração, de Relações Públicas, de Política, de Marketing, de
Sociologia, e todas as que puderem englobar, e vivência, se possível, de tipos
diversificados de organização".
Martha Pozueco: "O planejador deve saber onde procurar os elementos
necessários para a execução de suas atividades; portanto, deve ter um grande
relacionamento".
ALBUQUERQUE: A quem caberia a coordenação executória das atividades
planejadas e por quê?
Jerônimo: "Na ação geral ao chefe do departamento, a quem cabe o
controle; em planos específicos, a técnicos responsáveis, pois pode ser ativado mais de
um plano simultaneamente".
Em outras palavras, Saldanha concorda: "Cabe ao profissional de
Relações Públicas, pois permite, desde logo, a interposição de correção de alguma
atitude em qualquer fase do planejamento e execução, com maior facilidade". Sônia
resume: "Sempre a um profissional de Relações Públicas".
Para Maria Luiza, "ao planejador, já que possivelmente existam pequenos
detalhes que estão na cabeça". O entrevistador considera esta informação
importante. Bem lembrada. Às vezes, há omissões porque o autor do trabalho já tem a
idéia amadurecida.
Conforme Simões a resposta à questão é "totalmente relativa; depende
da organização. Contudo, o plano de Relações Públicas deve ser elaborado pelo
profissional de Relações Públicas da empresa, porque a execução é mais eficaz e,
caso necessário, durante a execução, poderá modificar parte ou todo o
planejamento".
Martha DAzevedo pensa diferente: "Vai depender do tipo de
organização, porque quem planeja pode não fazer mais nada. A execução vai depender de
quem a direção quer que execute".
Eugênia coloca a responsabilidade ao chefe de Relações Públicas.
"Por ser o técnico no assunto, é quem deve ter a visão geral de como conduzirá as
políticas de relacionamento da instituição".
Taxativa, Marta Pozueco conclui: "A coordenação executória do
planejamento cabe essencialmente ao profissional de Relações Públicas, porque é um
trabalho complexo e de grande responsabilidade".
ALBUQUERQUE: Os executores de um plano poderiam ou podem ser leigos em
Relações Públicas?
"Nunca", na opinião do Jerônimo. Saldanha discorda:
"Levando-se em conta que a atividade de Relações Públicas depende, com
exclusividade, de um esforço conjunto de todas as pessoas independentemente de
cargos ou funções relacionadas com o processo produtivo e vivencial da empresa
e/ou órgão, quero crer que os executores de um plano de Relações Públicas podem ser
leigos na profissão. O que importa é que o plano e sua supervisão, quando na etapa de
aplicação, sejam assistidos por um profissional de Relações Públicas".
Sônia concorda com Jerônimo: "Admitir que um leigo executasse planos
de Relações Públicas seria o mesmo que aceitar que um leigo em finanças pudesse ser um
excelente diretor financeiro".
Maria Luiza acha que "sim, desde que bem assessorado". Para
Simões, "não". Segundo Filippini, "dependendo do tipo de planejamento,
necessariamente homens de comunicação".
Com opinião semelhante a do Saldanha, Martha DAzevedo acha que
"podem, desde que haja um controle".
Conforme Eugênia, "de médico e de louco cada um tem um pouco. De
Relações Públicas, então, nem se fala: todo mundo entende". Logo, na sua
opinião, "deve ser resguardado o exercício profissional, cabendo a execução das
tarefas de Relações Públicas a profissionais devidamente preparados e no exercício
legal da profissão".
No ponto de vista de Martha Pozueco, "os executores de um plano de
Relações Públicas devem ser estagiários de Relações Públicas ou ligados à área de
comunicação", o que não deixa de ser original.
ALBUQUERQUE: Haveria uma limitação de objetivos ou de públicos a serem
atingidos por um plano?
Jerônimo afirma que "sim, os planos podem ser dirigidos somente a
determinados públicos".
E, conforme Saldanha, "na prática, um profissional de Relações
Públicas se defronta com muitas limitações". Crê, entretanto, "que a mais
comum é a de ordem financeira". Muitas vezes tem sido obrigado a reestruturar um
planejamento porque o cliente não aprovou a verba exigida para sua execução. A
limitação da verba, freqüentemente, traz como corolário à limitação da eficácia do
plano. É por isso que afirma que "um planejador tem de exercer muita criatividade no
seu trabalho".
Já Sônia acha que a palavra "limitação" na pergunta está mal
empregada. "O que deve existir é uma delineação, determinação de públicos e
objetivos e, isto sim, até no planejamento pessoal e particular de cada um existe".
Maria Luiza entende que "seria melhor que houvesse um limite", nos
objetivos ou públicos a serem atingidos. Simões demonstrou certa reticência, quando
disse que "pode, dependendo da conjuntura". E Filippini, mais ainda, quando
responde: "nem sempre".
Martha DAzevedo acha que "vai depender da cúpula administrativa.
Muitas vezes se faz somente para um público. Outras vezes, poderá ter vários públicos
ou objetivos. Vai depender da cúpula".
Salienta Eugênia que "sim, a própria dimensão do problema define os
públicos e os objetivos".
Para Martha Pozueco "não há limites. Poderíamos fazer um plano geral
contendo todos os conteúdos, pautas e operações de acordo com política, missões e
objetivos fixados peta direção da empresa. Já os planos específicos respondem à
orientação do plano geral, mas seus objetivos são limitados em metas e tempos".
ALBUQUERQUE: Num planejamento devemos observar primeiro a verba ou o
problema?
"Primeiro o problema: projetar a situação ideal", diz Jerônimo.
"A partir dai, face à aprovação da direção da empresa, fazem-se as adaptações
para cumprir o orçamento".
Saldanha conclui que "o objetivo, os meios, estratégias para
consecução e a verba estão intimamente relacionados. Creio, entretanto, que a verba
disponível é, na prática, o marco balizador para feitura de um planejamento".
Segundo Sônia, "não existem prioridades. Devemos saber a verba e o
problema e fazer um planejamento para resolver aquele problema dentro daquela dotação
(pois um vestido de chita pode ser tão bonita, bem feito e criativo como um vestido de
seda natural japonesa)". Volta a frisar que "tudo depende da criatividade de
cada profissional, pois é bom que se saliente que a criatividade não quer dizer coisas
mirabolantes e, sim, novas, inéditas, mas, como já disse, sensatas. A criatividade
empregada neste plano, dentro desta verba (que pode ser curta), vai gerar, a longo prazo,
mais verba e, por conseguinte, a coisa vira uma bola de neve: mais verba, mais plano, mais
plano, mais criatividade. Se angustiarmos a empresa com um problema financeiro, pode
acontecer de não se executar nem a metade de um plano traçado, pois os resultados de um
plano de Relações Públicas são a longo prazo".
Maria Luiza considera "primeiro o problema, adequando a solução à
verba". Simões observa primeiro o problema. "Criam-se os instrumentos de acordo
com a verba", diz.
No enfoque de Filippini, "devemos sempre primeiro observar o problema,
depois a verba, embora a maioria das empresas aja de forma contraria". De forma
oposta, Martha DAzevedo salienta que "sem verba não se soluciona problema
nenhum".
Eugênia concorda com ela, "para ser realista, tomar conhecimento da
verba e buscar produzir o máximo dentro de seus limites".
Seguindo a diretriz de Martha Pozueco, "em princípio devemos observar a
verba de que dispomos para realizar o planejamento global, e depois os meios disponíveis
(recursos)".
ALBUQUERQUE: O que pensa de programações extensas de eventos num mesmo
plano?
"As ações de Relações Públicas, para serem eficientes, não devem
ser extensas demais, pois correm o risco de se tornarem prolixas, confundindo o público e
prejudicando o entendimento das mensagens", alerta Jerônimo.
Saldanha: "Não entendi a pergunta. Não consegui captar o que o
entrevistador quer significar com programações extensas de eventos num mesmo
plano". Sônia: "Tudo depende de bom senso, cada empresa etc., etc..."
Maria Luiza: "Se muito extensos, o ideal seria transformar o evento em plano
específico". Simões: "É relativo. Depende das necessidades".
Filippini: "A empresa deve ter uma excelente estrutura de Relações
Públicas, para poder conseguir executar programações extensas de evento num mesmo
plano".
Martha DAzevedo: "Pode ser um plano muito completo e pode ser um
plano muito parcial; se for muito amplo, depois se executa como quer". Eugênia:
"A dosagem, o princípio da não saturação dos públicos é saudável e
profícuo".
Martha Pozueco: "Não sou favorável a programações extensas num mesmo
plano. Deve-se, a meu ver, fazer planos de acordo com as necessidades".
ALBUQUERQUE: Setores envolvidos em programas, mas leigos, devem opinar antes,
durante ou depois da execução de um plano?
"Sempre" salienta Jerônimo "pois a atividade de
Relações Públicas é feita em benefício da instituição, que é composta de vários
setores de Relações Públicas. Não é feita para si própria e, sim, para estes
setores. Suas opiniões são imprescindíveis na adequação e adaptação dos programas
de Relações Públicas".
Para Saldanha, "a opinião dos setores leigos é importante, mesmo que
não estejam envolvidos nos projetos de Relações Públicas. Faz parte do sistema de
coleta de informações e dados que vão integrar o feed-back a ser processado pelo
planejador".
Sônia frisa: "Sempre considero bom ouvir opiniões e estas em qualquer
fase". O ideal, para Maria Luiza, "seria fazer uma apresentação geral, quando
seriam levadas em conta as opiniões dos diversos setores, ficando, entretanto, ao
planejador, o direito de levar ou não em conta as observações".
Conforme Simões, devem opinar "antes, durante e depois". Filippini
pensa que devem, "sempre que possível, em todas as fases".
Martha DAzevedo: "Depende muito do plano; se for específico para
um setor, este deverá opinar; se for geral, apenas a administração opinará".
Eugênia entende que, "tendo em vista a necessidade de integração para
a consecução dos objetivos e o principio básico de que flexibilidade de qualquer plano,
é interessante estar atento às observações dos demais setores, com discernimento e boa
vontade".
Com parecer semelhante, Martha Pozueco acha que os setores envolvidos em
programas "devem opinar antes da execução do plano. Penso que o planejador deve
acolher a opinião de todos os setores envolvidos".
ALBUQUERQUE: Quando devemos utilizar a propaganda num plano de Relações
Públicas?
"A propaganda, nunca" chama a atenção Jerônimo
"os elementos de propaganda, como redação, criação, lay-out, mídia etc.,
sim, na montagem das programações visuais".
Para Saldanha, "a propaganda deve ser utilizada, sempre que o público a
atingir não puder ser alcançado com outros meios mais eficazes. O instrumento mais
eficaz em Relações Públicas é o contato direto. Entretanto, muitas vezes, é difícil,
senão impossível, basear um planejamento de Relações Públicas, para execução, em
apenas contatos diretos, pessoais. Surgirá então a necessidade de lançar mão dos
instrumentos utilizados pela propaganda/publicidade".
Sônia salienta: "A propaganda institucional é Relações Públicas.
Fora isso, a política publicitária de uma empresa não pode colidir com a política de
Relações Públicas e, sim, caminhar no mesmo sentido, uma apoiando a outra".
Maria Luiza diz que a propaganda deve ser utilizada "sempre que
necessário". O mesmo acontece com Simões, "quando a situação exigir".
No entanto, Filippini entende que deve ser utilizada quando da "venda de produtos
específicos". Martha DAzevedo: "Quando for necessário e houver
verbas".
Eugênia foi mais categórica e analítica: "Sempre que o problema
indicar a necessidade de propaganda institucional. No entanto, não basta e até é
prejudicial. A propaganda institucional, quando não resolve o problema, apenas o
encobre".
Com um enfoque mercadológico, Martha Pozueco faz o seu registro: "A
propaganda, num plano de Relações Públicas, é importante, quando estivermos fazendo o
lançamento de um produto novo, ou quando queremos mostrar as qualidades dos produtos de
nossa empresa para uma melhor comercialização. É a forma direta de penetração no
mercado que se desejar conquistar".
ALBUQUERQUE: A seu ver, qual é o melhor método para avaliar a eficiência
de planos, programas e eventos? E quanto aos períodos de avaliação?
Jerônimo: "Quanto aos períodos, respondi em questão anterior (oitava
questão), e quanto ao método, creio que a junção das técnicas de avaliação
comparada com os objetivos traçados, isto é, com a hipótese estabelecida no projeto,
permite estabelecer o conhecimento de resultados".
Saldanha, igualmente, com toda sua capacidade, conclui: "É uma das
coisas mais complexas, difíceis e nebulosas a mensuração dos resultados em Relações
Públicas. Não creio que exista um método eficaz de avaliação em Relações Públicas.
Com seu senso de realidade, bom senso, capacidade de análise e lucidez para processar
todas as informações que permanentemente está recolhendo, o profissional deve
acompanhar o desenvolvimento de cada projeto e, ao mesmo tempo, ir coletando, ir somando
todos os informes, sintomas, notícias, comentários etc..., que possam ajudá-lo a compor
um quadro sobre o andamento do plano. Assim procedendo, estará diminuindo a margem de
surpresas a que está sujeito no desempenho diário de sua profissão".
Segundo Sônia, isto "vai depender de cada empresa, de cada plano".
E, de acordo com Maria Luiza, pode ocorrer "por meio de pesquisas junto aos
públicos. Quanto aos períodos de avaliação, podem muitas vezes começar já nas
primeiras etapas de execução do plano quando começamos a obter respostas".
Para Simões, por intermédio de "Auditoria de Relações Públicas. Os
períodos serão de acordo com os objetivos estabelecidos". Filippini considera que
já respondeu na oitava questão, que fala da duração ideal para um plano geral e
especifico.
Martha DAzevedo entende "difícil" afirmar qual é o melhor
método de avaliação, "porque um plano muito bom pode não ser aplicado".
Vejamos, então, o que diz Eugênia: "Pesquisas e mais pesquisas. Cabe
ao profissional estabelecer, de acordo com a duração do planejamento, as necessidades do
cliente e os recursos humanos e financeiros disponíveis".
E, agora, com Martha Pozueco, encerramos esta sondagem, à qual tentamos, e
apenas tentamos, dar um toque de debate para facilitar a compreensão de nossos leitores:
"A eficiência de planos, programas e eventos pode ser avaliada pelo rapto de espaço
que se conseguiu na imprensa escrita, falada, televisada e até mesmo projetada, bem como
quanto se nosso trabalho foi um trabalho de equipe eficiente".
OS ENTREVISTADOS
Jerônimo
Carlos Santos Braga
Ex-chefe de setor na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da
República, chefe da Assessoria de Relações Públicas do Governo do Estado do Rio Grande
do Sul. Suas respostas foram a partir de experiências, ainda na Brigada Militar, na qual
foi chefe da divisão de Relações Públicas por muitos anos. É professor
universitário.
Eurico
Saldanha de Lemos
Ex-diretor de Relações Públicas da MPM Propaganda, vice-diretor da
Faculdade de Comunicação Social da PUC FAMECOS e consultor autônomo em
diversas instituições. Respondeu ao questionário como assessor da Símbolo Propaganda,
na área de Relações Públicas. É professor universitário.
Sônia Maria de Oliveira Kraemer
Atuou como Relações Públicas em diversas agências de propaganda. Foi
diretora da DLK Comunicação e professora universitária. É profissional autônoma de
Relações Públicas para diversas empresas e instituições.
Maria
Luiza Faller
Foi assessora na Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul e atua há alguns
anos como responsável pelo setor de Relações Públicas da Martins & Andrade
Propaganda.
Roberto
Porto Simões
Consultor autônomo de várias empresas, dentre as quais a Renner. Professor
da Faculdade de Comunicação Social da PUC e do Curso de Relações Públicas da
Federação dos Estabelecimentos de Ensino Superior de Novo Hamburgo FEEVALE.
Realizou inúmeras conferências locais e nacionais.
Hugo
Reinaldo Filippini
Assessor de Relações Públicas da Companhia União de Seguros Gerais há
alguns anos.
Martha Geralda Alves D'Azevedo
Autora do livro Relações Públicas Teoria e Processo.
Consultora autônoma e professora da UFRGS e UNISINOS (Técnicas de Planejamento).
Respondeu à entrevista como chefe da Assessoria de Imprensa da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul. Atuou como Relações Públicas do extinto Banco da Província.
Eugênia
da Silva Wendhausen
Diretora da SCS Consultoria de Relações Públicas. Professora da FEEVALE e
PUC, na área de Relações Públicas, é funcionária da Secretaria de Coordenação e
Planejamento do Estado.
Martha
Diaz Pozueco
Profissional de Relações Públicas do Hospital de Clinicas de Porto Alegre.
Atuou na Agência PROMOX Propaganda.

Publicação original: ALBUQUERQUE, Adão Eunes. Relações públicas: enquete
mostra como profissionais encaram o planejamento em suas empresas. Porto Alegre:
1982.