Empresas e Cases 1

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IMPORTÂNCIA DAS EMPRESAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO CONTEXTO ATUAL

 

Valentim Lorenzetti

 

Relações Públicas, como atividade empresarial, começou há pouco mais de 30 anos no Brasil.

No dia 10 de outubro de 1952, em São Paulo, Inácio Penteado da Silva Teles e Romildo Fernandes fundavam a Cia. Nacional de Relações Públicas e Propaganda, para prestação de serviços especializados de Relações Públicas, formação de opinião pública e propaganda. Pode-se dizer que esta foi a primeira empresa de prestação de serviço de Comunicação Social do Brasil.

Contudo, a atividade não teve um crescimento rápido como a sua parceira na área de Comunicação: a Publicidade. Esse crescimento lento das empresas de Relações Públicas deve-se, na realidade, ao "boom" industrial que, nos anos 50, começou a acontecer no Brasil. Criaram-se novos empregos na área urbana e, em conseqüência, novo consumidores de bom poder aquisitivo. Pensava-se muito mais em produzir de acordo com as necessidades do mercado, do que em trabalhar a imagem da empresa. E na ânsia de mais vender, a publicidade cresceu.

Contudo, a própria publicidade – as agências de publicidade – ainda na década de 50, começou a identificar, em seus clientes, a necessidade de desenvolver também algumas atividades de Relações Públicas. Assim, foram surgindo, dentro das maiores agências de publicidade do país, os departamentos de Relações Públicas que, na realidade, foram celeiro dos grandes profissionais que hoje ainda militam em Relações Públicas.

Os profissionais com experiência em Departamentos de Relações Públicas de agências e de grandes clientes – multinacionais, tanto as agências quanto os clientes – foram, a partir de 1960, montando suas próprias empresas de Relações Públicas. Os grandes clientes perceberam a necessidade de, paralelamente ao esforço de vendas de produto e bens de consumo, começar a cuidar da sua imagem corporativa, de comunicação institucional, utilizando as técnicas de Relações Públicas.

Foram surgindo empresas de Relações Públicas – mais conhecidas como "assessorias de RP" – que começaram um trabalho de conscientização dos empresários para uso adequado dos serviços de Relações Públicas. Foram as empresas de Relações Públicas que, na realidade, ensinaram a muitos empresários que Relações Públicas não é esperar cliente no aeroporto ou servir cafezinho para o visitante da fábrica...

As empresas de Relações Públicas – tendo à frente os experientes profissionais oriundos de grandes agências de publicidade e de clientes – começaram a propor planos e programas de Relações Públicas. Ensinaram que Relações Públicas não é quebra-galho, não é bombeiro; que é trabalho de médio e longo prazo.

Demonstraram que as atividades de Relações Públicas ajudam a criar uma imagem positiva, influindo, para tanto, nas decisões da alta administração de empresas e no governo. As empresas de Relações Públicas, por outro lado, formaram profissionais que hoje ocupam altos cargos em empresas públicas e privadas. Profissionais que têm consciência da importância de um programa de Relações Públicas bem definido, principalmente neste dias difíceis para toda a comunidade político-empresarial.

Acho importante aqui definir melhor o que é uma empresa de Relações Públicas.

É uma empresa de prestação de serviços e, como tal, sujeita à legislação que rege esse tipo de atividade. Geralmente é uma empresa de capital por quotas de responsabilidade limitada, embora existam algumas sociedades anônimas. É remunerada mediante honorários ou "fees", que cobrem o tempo de pessoal dedicado ao planejamento e/ou execução de programas de Relações Públicas. Podem, também, apenas prestar consultoria a clientes, igualmente remuneradas por honorários previamente acertados. Os honorários são reajustados periodicamente, também conforme acordo preestabelecido.

A empresa de Relações Públicas bem estruturada – e hoje existem excelentes empresas principalmente no eixo Rio-São Paulo – empregam profissionais de Relações Públicas, jornalistas, programadores visuais etc., além de se utilizarem dos serviços prestados por psicólogos, cientistas sociais, empresas de pesquisa de opinião pública. A atividade empresarial de Relações Públicas é hoje, no Brasil, uma atividade profissionalmente administrada, em franco desenvolvimento.

Para cooperar na consolidação dessa atividade, um grupo de empresários do setor fundou, em janeiro deste ano, a Associação Brasileira de Empresas de Relações Públicas – ABERP. Segundo seus Estatutos, cabe à ABERP:

Congregar empresas de Relações Públicas na defesa de seus direitos, interesses e prerrogativas;

Promover a valorização da atividade empresarial das firmas de Relações Públicas e seu papel no contexto da Comunicação Social;

Defender os interesses da categoria empresarial nas concorrências e contratações de serviços especializados de Relações Públicas, pelas entidades públicas ou privadas, zelando pela observância da Lei 5377/67 e o Decreto 63283/68, que regulamentam a atividade de Relações Públicas;

Estabelecer normas-padrão de prestação de serviços de Relações Públicas.

Cabe, assim, à ABERP abrir um canal maior de relacionamento das empresas de Relações Públicas com o seu público, que são basicamente, as empresas públicas e da iniciativa privada. Está a entidade, por exemplo, promovendo uma série de contatos com autoridades governamentais para que as empresas de Relações Públicas possam também participar de atividades de Comunicação Social de todos os níveis de governo, ao lado da Publicidade e do Jornalismo.

Estamos procurando demonstrar que a atividade de Relações Públicas não conflita em hipótese alguma com as outras áreas da Comunicação Social. Defendemos o que hoje se convencionou chamar de "comunicação integrada", pela qual cada especialista trata de uma área, em benefício do todo da Comunicação. Procuramos demonstrar que a comunicação com determinados segmentos de público – via mala direta ou qualquer outra das múltiplas formas utilizadas por Relações Públicas – é muitas vezes mais eficiente que a comunicação de massa. E que esta – a comunicação de massa, via publicidade jornalismo – é, em muitos casos, muito mais necessária do que vem sendo utilizada hoje.

Em São Paulo, a ABERP, por intermédio de seu presidente, participa do Conselho de Propaganda do Governo do Estado, que é integrado pelos presidentes de todas as entidades de classe ligadas à comunicação, como a FENAPRO, ABAP, APP, CNP, ADVB, Clube de Criação, Grupo de Mídia, CONAR, ABA. Esse Conselho, convocado pela Secretaria de Informação e Comunicação, começando agora a fazer suas primeiras reuniões de trabalho.

A ABERP, portanto, é um exemplo do amadurecimento da atividade empresarial de Relações Públicas no Brasil.

As empresas de Relações Públicas filiadas à ABERP de um modo geral, desenvolvem as seguintes atividades:

auditoria social para avaliar o grau de relacionamento do cliente com seus diferentes públicos e os fatores que inibem um melhor desempenho em termos de Marketing Institucional;

recomendação de pesquisa de opinião pública, assessoria na definição de questionários, análise e interpretação de resultados e recomendação de procedimentos;

definição de objetivos institucionais e criação de Planos de Relações Públicas para realização do Marketing Institucional do cliente. Execução de tarefas especializadas nesses planos;

recomendação e orientação de programas comunitários;

criação de canais de comunicação com os diferentes públicos, com o objetivo de informar e/ou esclarecer. Esses canais podem ser diretos, como reuniões, seminários, serviços de atendimento a usuários/consumidores/contribuintes, mala direta, circuito fechado de TV, ou indiretos, via veículos massivos de comunicação, como TV, jornais, revistas ou rádios;

relacionamento com a imprensa, para estabelecer um adequado canal de comunicação com os clientes, para interpretar suas opiniões, para esclarecer assuntos controversos, ou para levar assuntos de fatos de interesse jornalístico gerados pelos clientes;

planejamento e organização de eventos, como comemorações, inaugurações, reuniões, seminários, congressos, etc, e sua divulgação pelos meios apropriados;

definição de forma, conteúdo e mailing list de veículos de comunicação impressos ou eletrônicos, que devem ser utilizados pelo cliente para realizar seu Marketing Institucional: boletins, jornais, revistas, folhetos, relatórios, filmes, audiovisuais, etc. Produção física desses veículos, quando a empresa de Relações Públicas dispõe de recursos próprios, ou supervisão do trabalho de terceiros;

planejamento e realização de campanhas de mobilização de opinião pública, para engajamento em assuntos de interesse comunitário ou político.

Vamos agora, falar um pouco para uma organização que pretenda contratar empresa de Relações Públicas, ou montar seu próprio departamento de Relações Públicas.

Como profissionais e empresários que somos, recomendamos que as grandes organizações invistam na área de Comunicação Social, montando seus próprios departamentos de Relações Públicas, comandados por profissionais de gabarito. Contudo, a experiência tem demonstrado que determinados programas, que exigem atividades fora da organização, devem ser entregues a empresas de Relações Públicas – as chamadas assessorias externas – que têm maior flexibilidade e uma soma maior de relacionamento devido à sua característica de prestadora de serviços para uma gama variada de clientes.

Uma empresa de Relações Públicas é a soma das experiências de seus próprios profissionais, mais as experiências vivenciadas por dezenas de clientes por ela atendidos. Quem contrata uma empresa de Relações Públicas, na realidade, está contratando um grande birô de serviços globais na área de consultoria, planejamento e execução.

As empresas de Relações Públicas podem ser contratadas de formas diversas:

para planejar apenas determinado evento;

para planejá-lo e executá-lo;

para desenvolver determinado programa por tempo limitado;

para prestar assessoria permanente à corporação, mediante contrato cujos honorários são renováveis periodicamente;

para prestar consultoria acerca de procedimento administrativo ou político.

A empresa de Relações Públicas, quando consultada por empresa privada ou governamental para prestação de serviços, após tomar contato com o problema exposto, apresenta proposta, com os respectivos custos do programa a ser desenvolvido, passa-se para o planejamento e a execução, se for o caso. Para os governos em todos os níveis uma empresa de Relações Públicas pode ser contratada mediante licitação específica, cujos itens essenciais a ABERP propõe-se a fornecer, a fim de se evitar sejam cadastradas empresas que de Relações Públicas tenham apenas a fachada.

Já se disse que estamos em plena era da comunicação que ninguém contesta. Entretanto, o que pouca gente dá-se conta é que a comunicação exige o desenvolvimento das técnicas de relacionamento. A massificação da comunicação pode levar ao isolamento – um indivíduo ao lado do outro lendo, vendo ou ouvindo um terceiro que está distante. Chegamos, assim, ao paradoxo de estarmos isolados um do outro, embora estejamos lado a lado. Estaremos cada vez mais bem informados acerca do mundo distante de nosso vizinho.

Esta postura, no âmbito de uma empresa, pode levá-la a perder sua própria imagem corporativa. Uma empresa que se preocupe apenas em vender seus próprios a clientes impessoais e a não dialogar com os seus diversos públicos, está fadada ao isolamento e à deterioração gradual. Comunicar apenas é via de mão única, que começa a ficar congestionada de desilusões; é preciso estabelecer canais de relacionamento, de mão dupla. A empresa como instituição, também precisa falar e ouvir.

Estamos mais do que nunca precisando de programas de Relações Públicas, programas de mão dupla, para que o cidadão seja respeitado e não apenas considerado como um simples consumidor sem rosto e sem nome. As empresas de Relações Públicas do Brasil, hoje equiparadas às melhores do mundo, estão habilitadas a cooperar com o mundo político-empresarial neste urgente e inadiável programa de retomada do diálogo e do entendimento.

Empresas de Relações Públicas são centros de prestação de serviço que têm muito a oferecer para estabelecimento de canais adequados de relacionamento numa sociedade como o mundo hoje, no qual indivíduos e coletividade vão se fechando sobre si mesmo tangidos pela insegurança gerada pela incerteza do amanhã.

Originalmente publicado no Conrerp Informa, órgão informativo do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas – SP/PR, em agosto de 1983.