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"A GRANDE ESCOLA"

 

A AAB – Assessoria Administrativa Ltda., fundada em 1960 por José Carlos Ferreira, José Rolim Valença, Carlos Roberto F. Chueiri (hoje, na DPZ), e Mário Fioretti (hoje na Mercedes Benz), é a maior agência de Relações Públicas no Brasil e da América Latina. No mundo, inclui-se entre as 30 maiores em termos de faturamento: em 1975 deverá chegar ao milhão de dólares o que, numa transposição para o sistema de remuneração de uma agência de publicidade, corresponderia a um faturamento de aproximadamente 50 milhões de cruzeiros.

Rolim Valença, um de seus dois sócios diretores, abre-se num sorriso quando caracterizamos sua empresa como "grande escola" no setor. Na realidade, lá se iniciaram ou por lá passaram quase todos os profissionais que se encontram hoje em posições destacadas no setor, ora dirigido suas próprias empresas, como Antonio De Salvo (ADS), Carlos Mestieri e Vera Giangrande (Inform), ou à testa de departamento de Relações Públicas em importantes organizações, como Ana Luiza de Oliveira (BASF), Fausto Pinto Magalhães (Philip Morris), Rolf Hulle (Cimento Itaú) Luiz Ernesto Machado Kawall e tantos outros.

Com dois escritórios, em São Paulo e no Rio (em São Paulo a sede própria, dois andares na Av. Cidade Jardim, 377, com 760 metros quadrados de área utilizada), a AAB concentra suas atividades principalmente em São Paulo, Rio e Brasília, embora estenda com freqüência sua atuação até Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

PORTFÓLIO

Por meio de uma série de acordos operacionais, sempre com empresas de consultoria de comunicações públicas, está habilitada a prestar serviços em mais 32 países. Alias, a AAB tem a seu crédito vários e excelentes trabalhos realizados na área internacional, no estrangeiro, como a Brasil Export 73, o 1º Seminário Internacional sobre Investimentos no Brasil (Salzburgo).

Em seu acervo de clientes, conta com nomes expressivos, como a Johnson & Johnson, a Cyanamid, a Cia. Mineira de Alumínio (Alcominas), a Salgema, a Merck Sharp & Dohme, as Casas Pernambucanas, a Embratur, a ABINEE, a Associação Brasileira dos Revendedores Autorizados Volkswagem, o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento e muitos outros. Nenhum deles, entretanto, representa mais de 8% do faturamento total da empresa.

Para atendê-los, a AAB internamente se estruturou em vários departamentos ligados às áreas de relações governamentais, relações com acionistas, com a imprensa, relações internacionais, relações educacionais, eventos especiais (convenções, simpósios, congressos etc.), publicações periódicas e não periódicas.

LOBBY E PRESS-RELEASE

Rolim Valença assinala que a empresa não faz serviços de lobby:

– "Só o faremos quando existir no Brasil uma legislação específica, semelhante ao Lobbyng Act americano que disciplina e fiscaliza de modo muito rigoroso tais atividades".

E faz questão de dizer, também, que a comunicação com a imprensa não chega a representar 10% de seu faturamento.

– "Nosso negócio não é ‘cavar’ de graça, através de press-releases, uma propaganda disfarçada. Historicamente, há a tendência de se associar Relações Públicas imediatamente com releases. E não é só aqui. Sem dúvida é um conceito totalmente superado. Na nossa experiência por meio de congressos, seminários, organizações internacionais e entidades diversas, constatamos que a grande massa presente de profissionais de Relações Públicas é ainda formada basicamente por homens de relações com a imprensa. Poucas são as empresas no mundo que consideram Relações Públicas dentro de um conceito total, integrado, de comunicação, em termos de atividade gerencial em alto nível.

– "A nosso ver, Relações Públicas é uma função fundamentalmente de gerência: o responsável pelo setor deve ser obrigatoriamente o número um da empresa. Sem dúvida alguma, o press-release tem uma grande força. Evidentemente, seria muito difícil interessar a imprensa pelo assunto que devemos divulgar, se não tivermos realmente notícias a lhe dar. O comportamento ainda utilizado por alguns, de ‘empurrar’ releases absurdos, compromete o anunciante, o veículo e principalmente a empresa de Relações Públicas que age assim. Mas a seleção natural é irreversível e quem não tem o talento de fornecer notícias reais e interessantes à imprensa, em breve deixará de ‘empurrar’ muita coisa. Inclusive sua empresa. Esse comportamento antiprofissional por parte de algumas empresas, entretanto, não é privativa de Relações Públicas. Em qualquer atividade, em qualquer parte do mundo, existem os maus profissionais que indiretamente prejudicam a imagem de toda a classe a que pertencem".

CAPACITAÇÃO E REGISTRO PROFISSIONAL

A AAB utiliza hoje 46 profissionais em tempo integral, sendo 28 diretamente ligados à criação de planos integrados de comunicações e Relações Públicas, isto é, programas que requeiram comunicação com os diversos públicos. – "O núcleo é de executivos do mais alto gabarito", assinala Rolim, "multilíngües e com treinamento no exterior. Gente, inclusive, com prestígio lá fora. Veja, no Brasil, há apenas 11 sócios da International Public Relations Association – IPRA, pois quatro estão na AAB".

Rolim acha que as escolas – já há várias atualmente – têm concorrido para a formação de melhores profissionais. "Você sabe, há escolas que forma gente capaz de saber coisas e há outras que formam pessoas que são também capazes de fazer coisas. De qualquer forma, torna-se sempre necessário um bom período de treinamento".

Rolim acha que a regulamentação da atividade, por meio da ABRP e dos Conselhos Regionais, contribuiu bastante para elevar o nível do profissional de Relações Públicas:

– "É inegável o trabalho que a associação vem fazendo com vistas a moralização da profissão. Mas eu me confesso um pouco cético em relação ao principal objetivo da ABRP: fazer com que somente os profissionais com registro profissional exerçam atividades de Relações Públicas. O que acontece – e aqui eu estou isolando qualquer questão moral – é que a própria complexidade do setor impede sua transcrição para um texto de lei, permitindo a ótimos profissionais, que não tenham o registro, o exercício da função de ‘Consultor de Comunicação’, ‘Coordenador de Projetos de Imagens’, ou qualquer outra designação, quando na verdade ele vai fazer mesmo é um trabalho de Relações Públicas. A meu ver, a lei se preocupou com o nome do cargo, quando deveria se preocupar com as características do mesmo. Mesmo porque, um registro profissional não vai ser nunca um atestado de honestidade. A consciência profissional de cada um é que determina seu comportamento".

REMUNERAÇÃO

As empresas de Relações Públicas costumam cobrar seus serviços sob formas diversas. Umas cobram honorários mensais, outras trabalham sob contratos a preços fixos, outras utilizam sistema misto. A AAB tem um sistema um tanto sofisticado de honorários. Os serviços prestados aos clientes são remunerados através de um honorário fixo (um fee), mais custo de tempo do pessoal envolvido na execução dos projetos, dentro de cinco faixas (diretores, executivos setoriais, especialistas, assistentes e outros) e, finalmente, mais as despesas com terceiros (custos gráficos e de produção, viagens, estadas etc.)

Rolim explica exatamente o que seja o fee: – "Ele cobriria, por assim dizer, a parte filosófica de nosso trabalho, expostas nas reuniões periódicas com os clientes: as sugestões, a demarcação das linhas de ação, todas as preliminares, enfim, de um projeto antes que se inicie a sua execução. Uma vez aprovado o projeto, começam os estágios de planejamento específico e de execução, fase que já passam a ser cobradas na base de tempo de trabalho do pessoal envolvido."

A uma pergunta, Rolim observa que o sistema é geralmente bem aceito. Claro que requer absoluto controle, honestidade e plena confiança do cliente.

– "De resto, isto é fundamental em nosso negócio. Trabalhamos com carta-acordo ou com contrato, mas o que prevalece sempre, com valor de 100%, é o gentlemen agreement. E temos nos dado muito bem assim. Muitas vezes somos contratados para elaborar planos extensos de comunicações e Relações Públicas que nos demandam 3 a 4 meses de trabalho. Uma vez aprovados, o cliente não nos entrega sua execução: prefere realizá-lo por si próprio ou confiar a execução à sua agência de propaganda".

EMPRESAS INTEGRADAS

Rolim acha que o próprio desenvolvimento das atividades de Relações Públicas no Brasil vai fazer com que, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, as empresas se especializem em determinadas áreas:

– "A tendência vai ser exatamente esta. Ainda que não seja o nosso caso, pois já nascemos como uma empresa integrada, com todas as áreas de Relações Públicas, as novas agências fatalmente surgirão operando em campos específicos. Existirá, também, um mercado economicamente viável para os fornecedores de agências de Relações Públicas. Deverão surgir empresas de distribuição de material de imprensa (atentem bem: apenas distribuição de um texto preparado por uma agência externa), empresa de controle de mailing-list com acompanhamento permanente do turn-over, enfim, verdadeiros fornecedores das agências de Relações Públicas".

Originalmente publicado na revista Propaganda, São Paulo, n. 233, p. 32-33, dez. 1975.