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RESPONSABILIDADE
SOCIAL NAS EMPRESAS LONDRINENSES
Luiz
Carlos de Macedo, Marcelo Bertini Aversa,
Renato Moya Pereira e
Rogério
Galbetti
APRESENTAÇÃO
O
RESORP – Responsabilidade Social e Relações Públicas, grupo formado por
alunos graduandos em Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina
(UEL), é responsável pela pesquisa “Responsabilidade Social nas Empresas
Londrinenses”.
Esta
pesquisa, realizada durante o segundo semestre do ano 2000, foi desenvolvida com
o intuito de explorar o tema Responsabilidade Social numa realidade local, na
cidade de Londrina, analisando as opiniões de diversos agentes (públicos de
interesse) que influenciam a atuação social das organizações. O seu
ineditismo é evidenciado com a análise conjunta das fases qualitativa e
quantitativa do Plano de Pesquisa de Opinião Pública.
Para
isso, o trabalho foi dividido em dois momentos, o primeiro qualitativo, quando
foram realizadas entrevistas em profundidade com lideranças empresariais
(profissionais responsáveis por projetos e/ou áreas envolvidas com a
responsabilidade social empresarial), buscando conhecer suas visões e experiências
em relação ao assunto e, no segundo momento, quantitativo, no qual foram
pesquisados, por meio de questionários, 356 funcionários e 400 consumidores de
empresas londrinenses, visando descobrir as percepções que esses grupos têm
perante a realidade da Responsabilidade Social Empresarial.
A
metodologia adotada possibilitou adequação aos possíveis desvios, pois levou
em consideração diversas variáveis locais, pouco exploradas em pesquisas
regionais ou nacionais, como cultura local, acontecimentos latentes na cidade,
desenvolvimento e consumo sustentável, população segmentada, amostra estatística,
pré-requisitos necessários aos entrevistados,
além das técnicas qualitativas de investigação.
O
RESORP pretende dar continuidade a esta pesquisa, criando mecanismos que
identifiquem os impactos que as ações sociais desenvolvidas ou em fase de
implantação promoveram na qualidade de vida da população e no
desenvolvimento sustentável da cidade de Londrina; comprovem que o investimento
social da empresa se consolida como um diferencial estratégico e altamente
competitivo para o desenvolvimento de seus negócios; além de conhecer a evolução
das percepções e tendências de consumidores e funcionários de empresas
londrinenses.
RESPONSABILIDADE
SOCIAL E AS ORGANIZAÇÕES
Com
a queda das barreiras comerciais e a integração dos mercados, todas as
organizações viram-se voltadas a uma nova realidade, que significou a inserção
numa escala de competição nunca antes vista. “A rápida e radical mudança
no relacionamento entre empresa e sociedade está gerando um profundo impacto no
modo como as empresas fazem e mantêm seus lucros”.
O
novo modo das sociedades se organizarem decorre do aumento do fluxo de informações,
que configura uma verdadeira revolução cívica, na qual a comunicação tem
papel primordial. “Hoje, os cidadãos, cada vez mais informados e conscientes,
esperam que as empresas tenham não só direitos, mas também responsabilidades
para com as sociedades onde e com quem atuam”.
Esse
contexto apresenta como desafio para as empresas a conquista de níveis cada vez
maiores de competitividade e produtividade, introduzindo a preocupação
crescente com a legitimidade social de sua atuação, como pode ser observado na
seguinte afirmação: “as empresas começam a descobrir que ser socialmente
responsáveis pode se tornar uma vantagem competitiva no seio desta mesma
esclarecida e exigente sociedade”.
O
tema responsabilidade social está contagiando o cenário empresarial
brasileiro. Está em evidencia que um posicionamento socialmente responsável é
um diferencial competitivo que traz bons resultados. De fato, muitas empresas têm
levado a sério sua atuação social, até porque, nos últimos anos, essas relações
tornaram-se uma questão de estratégia financeira e de sobrevivência
empresarial. Como bem sintetizou Herbert de Souza, o Betinho, “as empresas, públicas
ou privadas, queiram ou não, são agentes sociais no processo de
desenvolvimento”,
ou seja, são responsáveis pelo bem-estar de seus colaboradores.
Os
critérios de avaliação do sucesso corporativo começam a incorporar o
respeito ao meio ambiente e a preocupação com a valorização do ser humano e
da sua cultura e, segundo João Sucupira, “a nova postura da empresa cidadã
baseada no resgate de princípios éticos e morais passou a ter natureza estratégica”.
Essa tendência fica comprovada nas palavras de Oded Grajew, presidente do
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, quando faz a seguinte
afirmação:
“O
conceito de responsabilidade social está se ampliando, passando da relação
socialmente compromissada da empresa com a comunidade, para abranger todas as
relações da empresa: com seus funcionários, clientes, fornecedores,
acionistas, concorrentes, meio ambiente e organizações públicas e estatais.
Passa a ser uma forma de gestão empresarial, aplicando princípios e valores a
todas as práticas e políticas da empresa.”
A
responsabilidade social está se traduzindo em lucro, ampliação do mercado, além
de dar um sentido ético às atividades. A sociedade cada vez mais consciente e
exigente coloca as organizações na situação de ter que responder às
necessidades, às aspirações e às solicitações de seus públicos, ou ter de
encarar todas as sanções possíveis de uma sociedade que conta, sobretudo, com
várias opções de escolha. Pois, como apontam Cappellin & Giuliani, “a
sociedade civil organizada é um viveiro de princípios regulares as práticas
econômicas, políticas e institucionais”.
Hoje,
mais do que nunca, o tipo de relação que determinada organização mantém com
a sociedade, deve ser transparente, sendo necessária a atividade de comunicação
para tornar público, divulgar e dar ênfase à responsabilidade social e às áreas
de atuação da organização, pois “se a sociedade da comunicação é aquela
que lhe fornece os meios de crescimento globalizado, é também a mesma que lhe
cobra uma postura mais comprometida com os feitos deste crescimento”.
Empresas
socialmente responsáveis estão mais preparadas para assegurar a
sustentabilidade no longo prazo dos negócios, simplesmente, por estarem
sincronizadas com as novas dinâmicas que afetam a sociedade e o mundo
empresarial.
A
idéia de que os consumidores vêem o governo como o maior responsável pela
realização de programas sociais, encontra-se completamente ultrapassada, uma
vez que o conceito macroambiental empresarial e, conseqüentemente, as práticas
de responsabilidade social, já fazem parte da gestão empresarial de muitas
empresas preocupadas com sua sobrevivência, principalmente, por estarem em
busca de um mercado altamente globalizado e extremamente competitivo.
Optar
apenas pela qualidade ou pelo preço do produto é um equívoco que pode até
trazer resultados, mas por pouco tempo. A decisão de compra de um consumidor
recebe um leque de variáveis muito mais complexas, que passam pelo preço do
produto até a atitude desta empresa perante a sociedade em que realiza suas
atividades. Há uma percepção cada vez maior de que a verdadeira fidelidade do
cliente precisa agora, mais do que nunca, ser conquistada pelas empresas.
O
reflexo da atuação da empresa na comunidade, no bem-estar da família e em
toda a extensão da vida dos funcionários, implica em conceitos como satisfação,
motivação, prazer e orgulho, que podem ser traduzidos em qualidade do produto
ou dos serviços, aumento nas vendas, nos lucros, enfim, na própria sobrevivência
empresarial.
É
crucial também, para as empresas, entender que a relação entre funcionários
e consumidores está cada vez mais estreita e que, ao centro desta relação,
situa-se a comunidade em que eles vivem.
Tudo
isso faz com que esta pesquisa parta da premissa de que a trilogia consumidores
/ funcionários / comunidade possa ser responsável pelo sucesso das empresas
londrinenses e que a prática da atuação social responsável, seja o pilar de
sustentação de toda atividade empresarial, independente da vontade, por exigência,
necessidade ou mesmo por questão de sobrevivência.
O
empresariado parece estar concluindo que não é possível ter sucesso numa
sociedade em que não são compartilhadas as mesmas perspectivas. Ao estabelecer
um objetivo maior do que a busca do lucro, a empresa socialmente responsável
também proporciona aos seus empregados, administradores, acionistas, clientes,
fornecedores, comunidade, e demais públicos, uma perspectiva mais ampla que,
bem divulgada, produz satisfação, traduzindo em valorização do conceito
institucional, além de um melhor posicionamento da marca perante os seus
consumidores. Para muitas empresas, esse é um desafio, que pode se transformar
em oportunidades.
Quanto
a essas inúmeras áreas de atuação, a diversidade existe devido ao nosso país
possuir enormes carências e um campo quase infinito, para que as pessoas bem
intencionadas possam desenvolver suas ações em benefício da comunidade.
Segundo Grajew, “beneficiando diversos grupos, gerando valores por suas
atitudes, o setor empresarial pode passar a ser um parceiro fundamental na
construção de uma sociedade mais próspera e socialmente justa”.
Com
certeza, a responsabilidade social não pode mais ser vista e discutida somente
como uma forma de se trabalhar filantropia ou ações comunitárias
interessadas. A prática da responsabilidade social deve ser encarada atualmente
como uma forma criativa e inovadora de gestão empresarial, ligada aos objetivos
estratégicos, inserida na estrutura organizacional das empresas e também
fazendo parte de seu orçamento anual.
As
organizações londrinenses que descobrirem a importância da prática social e
derem conta desta exigência mercadológica e global, estarão cada vez mais
preparadas para encarar o desenvolvimento sustentável, onde todos na sociedade
saem beneficiados. A exigência da empresa-cidadã já é um fato e,
independente da vontade de todos, está se tornando um diferencial estratégico
e, principalmente, uma exigência no processo de qualidade total das empresas.
RELATÓRIO
QUALITATIVO
Após
a realização das entrevistas em profundidade com as lideranças empresariais
de Londrina, este relatório vem apontar os resultados obtidos, neste primeiro
momento qualitativo da pesquisa, buscando relacionar os dados coletados com os
objetivos do trabalho para que se possa orientar a investigação em sua fase
quantitativa.
Na
pesquisa qualitativa, o tema foi analisado com o intuito de fundamentar as idéias
propostas pelos pesquisadores e coletar informações gerais sobre a prática da
responsabilidade social nas empresas, de uma maneira informal e comportando
elementos subjetivos, para uma maior compreensão da visão empresarial sobre o
assunto.
Foram
realizadas entrevistas, com lideranças empresariais (profissionais responsáveis
por projetos e/ou áreas das empresas ligadas à sua atuação social), de modo
que fosse formulada uma síntese, ou seja, uma opinião composta com os
principais pontos pertinentes sobre a responsabilidade social empresarial, que
dessem respaldo à continuidade desta pesquisa.
Os
resultados obtidos serão apresentados a seguir, de acordo com os itens
questionados aos entrevistados.
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Visão
das Lideranças Empresariais sobre a Responsabilidade Social
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Para
as empresas londrinenses, as práticas de responsabilidade social estão
relacionadas a idéias como:
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relação
de “responsabilidade com a comunidade”; |
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maior
“interação com todos os públicos de interesse da empresa”; |
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“ética
no modo atuação” das empresas; |
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“compromisso
moderno” das empresas privadas; |
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responsabilidade
de a empresa atuar e ajudar a “melhorar a qualidade de vida da comunidade”
na qual atua; |
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“estratégias
de negócios” da empresa; |
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“ajuda”
à população da cidade; |
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“apoio”
aos acontecimentos de cunho social; |
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“trabalho
social mais abrangente” com as comunidades, nas quais a empresa atua; |
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maneiras
de “estreitar o relacionamento com a comunidade”; |
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um
amplo “planejamento das ações sociais”; |
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a
própria “responsabilidade que a empresa deve ter no segmento de negócios”
em que atua; |
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uma
forma de “gestão empresarial”; |
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“desenvolver
programas sociais que o governo não é capaz de promover para a sociedade”. |
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Atuação
Social das Empresas
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As
formas de atuação social das empresas que realizam programas de
responsabilidade social em Londrina variam de acordo com o tipo da organização,
mas percebe-se que as principais atividades desenvolvidas nesse sentido dão
preferência a áreas como: educação, esporte, cultura, comunidade, saúde e
meio ambiente. |
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Públicos-Alvo
da Atuação Social das Empresas
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Segundo
as lideranças questionadas na pesquisa, é necessário o envolvimento de toda a
organização na prática da responsabilidade social, buscando gerar sinergias
com os públicos dos quais ela depende e que fortalecem seu desempenho global. |
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Boa
parte dos programas sociais investigados, nesta fase qualitativa dá ênfase às
relações das empresas com os seguintes públicos:
comunidade, consumidores, público interno (funcionários e familiares) e
escolas. |
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Motivos
dos Investimentos em Responsabilidade Social
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Solidariedade. |
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Estímulo
à “cidadania". |
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Maior
conscientização dos empresários sobre a “importância da atuação
social”. |
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Descoberta
de uma “nova visão”, por parte das empresas, para o desenvolvimento dos
negócios. |
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“Busca
de uma imagem positiva perante todos os públicos de interesse da organização”. |
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“Exigências
sociais” cada vez mais crescentes, de toda a população, que necessita de
apoio em várias áreas, nas quais o governo já não tem capacidade de agir. |
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Resultados
Esperados – Benefícios
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“Disseminação
da imagem da empresa”. |
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“Fidelização
da marca” junto aos clientes da empresa. |
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“Atração
de parceiros” para incrementar os investimentos e criar novos projetos. |
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“Mobilização
(motivação) dos funcionários a atuarem como voluntários”, pois algumas
empresas entendem que seus “funcionários são formadores de opinião na
comunidade” em que atuam, e isso reverte em benefícios muito grandes para o
conceito da empresa, na opinião das lideranças. |
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“Reconhecimento
do trabalho” pela comunidade. |
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“Busca
de consumidores em potencial em todos os segmentos da população”. |
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"Manutenção
do conceito da empresa” junto à comunidade. |
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“Aumento
nos lucros”. |
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“Participação
efetiva da comunidade” nas ações desempenhadas pelas empresas. |
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Resultados
Alcançados – Impacto Social das Ações Desenvolvidas
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“Ampla
participação comunitária” nas ações desenvolvidas. |
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“Reconhecimento
da mídia e da própria comunidade” pela importância do trabalho desenvolvido
pelas empresas, na busca de estimular a cidadania. |
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“Envolvimento
dos funcionários com a comunidade e não somente a criação da solidariedade
como simples forma de filantropia”. |
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“Engajamento
de diversas áreas da empresa nas atividades sociais” – segundo os
entrevistados, a interação e o entendimento entre os funcionários, de todas
as áreas da organização, levam a resultados muito positivos no
desenvolvimento de projetos sociais. |
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“Melhoria
na qualidade de vida da comunidade londrinense”. |
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“Aumento
de produtividade” e “da qualidade dos produtos e serviços da empresa”
devido à “mudança de comportamento do público interno”. |
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“Educação
da população sobre a utilização adequada dos recursos ambientais”. |
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“Melhoria
no relacionamento interno, no relacionamento familiar, na integração dos
funcionários e na própria comunidade”. |
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“Transformação
de conceitos, valores e princípios em práticas e políticas sociais”,
abrangendo todas as atividades e públicos de interesse da empresa. |
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A
pesquisa qualitativa buscou, num primeiro momento do Plano de Pesquisa, levantar
informações consistentes sobre a realidade da responsabilidade social no meio
empresarial londrinense, de modo que fosse possível aos pesquisadores dar
continuidade à investigação junto aos consumidores e funcionários, públicos
de interesse dessas organizações, amparados numa base sólida, que é a experiência
de trabalho nas empresas.
RELATÓRIO
QUANTITATIVO
A
atuação social da empresas é um tema em crescente exploração e debate em
diversas áreas ligadas à gestão das organizações. A forma como a empresa
deve investir seus recursos, relacionar-se com a comunidade, preservar o meio
ambiente, manter seus funcionários e, sobretudo colaborar com um
desenvolvimento sustentável está, cada vez mais, exposta a toda a sociedade,
sobretudo porque, “a tecnologia e os meios de comunicação propiciam essa
avalanche de informações a toda comunidade de públicos”.
O
tema responsabilidade social é estudado, aqui, de forma a apresentar uma
realidade local da atuação social das empresas, mostrando percepções, das
quais se pôde levantar paradigmas da nova mentalidade dos consumidores
associadas às novas estratégias empresariais.
Nesta
fase quantitativa foram entrevistados dois diferentes tipos de públicos, os
consumidores londrinenses e os funcionários das empresas pesquisadas na fase
qualitativa, cada qual, com o seu respectivo questionário.
De
um total de 756 questionários preenchidos, sendo 400 de consumidores e 356 de
funcionários, a pesquisa abrangeu 100% de toda amostra probabilística exigida
nesta fase do Plano de Pesquisa.
Os
resultados apresentados permitem identificar a fundo a opinião dos funcionários
sobre as práticas de responsabilidade social de suas empresas e a percepção
dos consumidores londrinenses perante a atuação social das organizações,
requisitos estes, que cada vez mais se tornam decisivos para a estratégia, gestão
e sobrevivência empresarial, como comprova este estudo.
Resultados
dos Funcionários
Definição
de Responsabilidade Social
De
todos os funcionários pesquisados, 60,78% conseguiram formular uma definição
sobre o que é responsabilidade social das empresas. Outros 39,22% não deram
nenhuma definição ou deixaram claro, no próprio questionário, a falta de
informação sobre o assunto.
Se
fosse feita uma síntese de todas as definições coletadas dos funcionários
sobre responsabilidade social, certamente, chegar-se-ia, numa afirmação
parecida com a seguinte: “responsabilidade social nas organizações é uma
forma de gestão empresarial, delimitada por parâmetros éticos de compromisso
e respeito com as pessoas e o ambiente, dentro e fora das organizações”.
Conhecimento
dos Funcionários
Na
busca de revelar o conhecimento que os funcionários têm sobre a
responsabilidade social de suas empresas, a pesquisa verificou que:
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a
grande maioria, 83,19%, dos funcionários pesquisados conhece algum tipo de atuação
social de suas empresas; |
 |
somente
16,53% disseram não conhecer o que a empresa desenvolve na área social. |
Esses
números comprovam a hipótese apresentada pelos pesquisadores e ajudam, ainda,
a demonstrar o grande interesse do público interno das empresas londrinenses
pela prática da responsabilidade social corporativa.
Além
disso, comparando as respostas das questões 2 e 11, constataremos que 60,78%
dos funcionários que conhecem a atuação social de suas empresas têm
interesse em receber os resultados desta pesquisa e, conseqüentemente, saber
mais sobre responsabilidade social.
Ao
cruzarmos as informações obtidas dentre os pesquisados que souberam dar alguma
definição sobre o que é responsabilidade social empresarial, na questão
anterior, percebemos que 91% deles conhecem a atuação social de suas empresas,
representando um grande número de funcionários preocupados com a atuação
social de sua empresa.
Atuação
Social da Empresa
Nesta
questão de múltipla escolha buscava-se conhecer o que, realmente, as empresas
estão fazendo para o social em Londrina, por meio de seus fiscais mais
atuantes, seus próprios recursos humanos. Segundo eles, duas das ferramentas
mais importantes para a prática bem-sucedida da responsabilidade social estão
sendo esquecidas pelas empresas: a promoção de parcerias, com 52,8% é a penúltima
estratégia usada pelas empresas e, no entanto, a cidade possui inúmeros grupos
de voluntários e ONGs que trabalham por diversos fins sociais.
A
falta de atenção destas entidades, como parceiras, desperdiça a troca de
contribuições para o desenvolvimento de práticas socialmente responsáveis.
Outra falha é a não utilização ou a não disponibilidade de espaços e
equipamentos para o desenvolvimento de projetos e atividades na comunidade. Isso
também representa desperdício de recursos físicos e materiais e de uma grande
oportunidade para a empresa, pois este foi o último item selecionado por 46,5%
das intenções de resposta.
Devemos
salientar, porém, que as empresas londrinenses estão mais preocupadas em
prestar serviços sociais à comunidade (68,69%), ganhando em preferência das
doações de recursos financeiros, 61,62%, que representam somente a prática
esporádica (eventual) de ações filantrópicas ou patrocínios. Podemos
concluir que a manutenção desses serviços está posicionada como uma forte
estratégia empresarial.
Outro
dado importante, e próximo dos primeiros, acontece quando 60,60% dos funcionários
afirmam que suas empresas desenvolvem programas sociais próprios, o que
representa, de certa forma, uma boa iniciativa empresarial no desenvolvimento
sustentável da sociedade londrinense.
GRÁFICO
1 – Opinião dos Funcionários Sobre o Tipo de Atuação Social
das Empresas

Causas
do Desconhecimento
Esta
questão, uma alternativa formulada apenas para os funcionários que não tinham
conhecimento de alguma atuação social da sua empresa (questão 2), mostrou que
a minoria 1,69% afirmou desconhecer por falta interesse, o que significa, que a
implantação de um programa de responsabilidade social, teria a aceitação da
maioria. Outros 76,27% não souberam responder, ficando implícitos, conceitos
como a falta de divulgação dos resultados ou falha de comunicação das estratégias
e programas internos.
Desenvolvimento
dos Empregados
Os
funcionários normalmente são os recursos mais importantes para sucesso de uma
empresa. O investimento na sua capacitação e no seu desenvolvimento
profissional representa inúmeras vantagens competitivas, mais do que isso, o
reconhecimento expressado na opinião dos funcionários é a prova de uma gestão
que prioriza os valores éticos e de respeito às equipes. 80% dos funcionários
estão satisfeitos com a atuação de suas empresas, neste sentido.
Incentivo
à Participação
O
comprometimento dos recursos humanos da empresa com determinado projeto social
pode se tornar um diferencial estratégico. O apoio e o reconhecimento dos
funcionários a uma causa reflete diretamente em seu sucesso.
O
incentivo ao voluntariado, torna-se assim, uma das maiores qualidades de uma
empresa que pretende operar de forma socialmente responsável.
Para
63,54% dos funcionários entrevistados, a sua empresa incentiva a participação
em projetos sociais.
Incentivo
ao Voluntariado
O
incentivo por parte da empresa (questão 6) e o despertar da necessidade de
colaborar com as ações sociais colocam 81,74% dos funcionários à disposição
imediata de suas empresas para a realização de diversos tipos de programas
sociais. Isso representa um batalhão de profissionais carentes de treinamento e
cheios de vontade para atuarem como voluntários.
O
mais surpreendente disso tudo é observado no cruzamento da questão 6 com a
questão 7, ou seja, a relação entre o incentivo da empresa e o estímulo
causado no funcionário, quanto ao voluntariado:
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dos
funcionários que responderam que a empresa incentiva a participação em
projetos sociais, 89% afirmam que gostariam de ser voluntários nesse tipo de
trabalho; |
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entre
os que disseram que a empresa não incentiva seus funcionários para essas
atividades, 64% seriam voluntários; |
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até
mesmo aqueles que não sabem se a empresa incentiva os funcionários a
participarem de projetos sociais, 78% estariam dispostos a ser voluntário na
atuação social. |
Tipo
de Trabalho Voluntário
Se
as oportunidades forem abertas por suas empresas, quase 60% de todos os funcionários
que estariam dispostos a ser voluntário, colocam-se à disposição para ajudar
em trabalhos comunitários, pois estariam pessoalmente envolvidos com a atuação
social da empresa. Outros 44,18% gostariam de participar junto com outras
entidades em projetos sociais.
Sendo
assim, por desenvolvimento interno ou parcerias, os colaboradores internos
estariam prontos para trabalhar, buscando melhorar ou modificar a sociedade em
que vivem, esperando apenas uma atitude positiva da empresa em relação ao
assunto.
Esses
dados nos mostram a importância do comprometimento da empresa com a causa na
motivação e estímulo ao voluntariado de seus funcionários.
GRÁFICO
2 – Tipos de Trabalho Voluntários que os Empregados Fariam

Áreas
de Investimento
A
maioria dos funcionários, 68%, acredita que suas empresas devam investir em
projetos sociais de cunho educacional; seguem a preferência pela área de saúde
(53%) e pela área de meio ambiente (47%). Percebe-se também a importância
dada aos projetos culturais.
GRÁFICO
3 – Opinião dos Funcionários Sobre as Áreas de Investimento

Trabalho
Socialmente Responsável
Novamente
percebemos, nesta questão, a ligação dos funcionários com as causas sociais
de sua empresa, bem como a influência e a repercussão destas mesmas causas na
sua produtividade e no comportamento.
Orgulho
e motivação precisam ser estimulados pela empresa para que contagiem os
funcionários cada vez mais, pois as práticas ilusórias não apresentam mais
resultados. Podemos afirmar que estes dois conceitos estarão presentes
praticamente em todos os funcionários pesquisados, 99,18%, a partir do momento
em que gestão socialmente responsável for adotada pela empresa.
GRÁFICO
4 – Opinião dos Funcionários Sobre Trabalhar em Empresas
Socialmente Responsáveis

Interesse
pela Pesquisa
A
maioria absoluta dos funcionários, 70%, mostrou-se interessada em receber
maiores informações sobre os resultados da pesquisa. Além do interesse e
aceitação pelo tema do comprometimento com o voluntariado, as causas sociais
apontadas pela empresa, os sentimentos favoráveis a uma gestão social da
empresa, a informação e o conhecimento dos assuntos pertinentes à
responsabilidade social, começarão a fazer parte do cotidiano da maioria dos
funcionários entrevistados.
Dentre
os interessados em receber informações sobre os resultados da pesquisa, 43,42%
já sabem definir responsabilidade social, o que pode ser traduzido como o início
da busca de maiores informações sobre o tema.
O
fato também de 60% dos interessados em receber os resultados conhecerem a atuação
social de sua empresa mostra que a grande maioria deles está de olho no
comportamento social e nas relações que a sua empresa mantém com seus
diversos públicos.
Resultados
dos Consumidores
Fatores
que Influenciam o Consumo
Consegue-se
aqui, a elevação do tema Responsabilidade Social dentro das práticas de gestão
empresarial. Os consumidores, mais do que nunca, continuam buscando produtos e
serviços com qualidade e preço compatível, mas já se esquecem de outros
componentes como propaganda na mídia e até mesmo a marca, na compra de
produtos e serviços, para pensar primeiro, na atuação social que aquela
empresa vem desenvolvendo.
Responsabilidade
Social aparece com 13%, ocupando o terceiro lugar, como fator de preferência na
decisão de compra dos consumidores.
Partindo-se
do princípio de que atualmente temos produtos e serviços que se equivalem em
preço e qualidade, salienta-se a relevância das práticas de Responsabilidade
Social como principais estratégias para a conquista de mercado e do
relacionamento público das organizações.
GRÁFICO
5 – Opinião dos Funcionários Sobre as Áreas de Investimento das Empresas

Definição
de Responsabilidade Social
Pouco
mais da metade dos consumidores, 51,5%, soube definir o tema, provando mais uma
vez a hipótese da atuação social da empresa fazer parte das exigências dos
seus consumidores. E, ainda, a maioria das respostas coletadas relacionava
conceitos importantes da definição de responsabilidade social, como ética,
desenvolvimento social, econômico, ambiental, ações sociais, atitudes,
compromisso, expectativas, benefícios e coletividade, dentre outros.
Influenciado
da Atuação Social da Empresa
Representando
uma grande parcela de consumidores londrinenses, 37% de consumidores afirmaram já
terem comprado produtos e serviços influenciados pela atuação social da
empresa, ou seja, já utilizam a Responsabilidade Social como critério para o
ato de sua compra.
Na
análise das não-respostas, podemos perceber ainda, que outros 27% dos
consumidores não souberam responder a questão, o que pode representar uma
falha de comunicação das empresas londrinenses que atuam socialmente com seus
públicos de interesse, pois, grande parte dessas organizações, quando
pesquisadas na fase qualitativa, realizam atividades de responsabilidade social
em Londrina ou região. Esse problema ocasiona a não fixação da marca pelo
consumidor e favorece o seu esquecimento ao responderem o questionário.
Realizando
um cruzamento dos dados percebemos que, dos consumidores que definiram
responsabilidade social, aumenta-se para 44,66% o percentual dos que se utilizam
deste conceito e afirmam já terem comprado produtos influenciados pela atuação
social da empresa, demonstrando a estreita relação entre a informação sobre
o tema e a decisão de compra das pessoas.
Consumo
e Responsabilidade Social
Embora
a intenção maior desta questão pareça mostrar, primeiramente, apenas a
quantidade de consumidores que deixou de consumir produtos devido à atuação
social não responsável de determinada empresa, a intenção maior é,
sobretudo, mostrar a movimentação de punição de 13,75% dos consumidores no
ato da compra. Isso significa que determinada empresa que queira começar a
operar em condições que desrespeitem ou prejudiquem a sociedade por algum
motivo, já disputam um mercado com apenas 87% de consumidores com grande
possibilidade de perder mais quase 35% de indecisos. Resultando assim, na
disputa por um reduzido mercado altamente competitivo e globalizado de 51% dos
consumidores locais.
Conhecimento
das Empresas
Apesar
de 51,5% dos consumidores pesquisados conhecerem o tema, apenas 28,5% afirmaram
conhecer empresas que praticam responsabilidade social de alguma forma. Isso
significa que a atuação social das empresas ainda é muito tímida e deficitária
perante as expectativas dos consumidores, que se mostram informados sobre o
assunto.
Tipo
de Atuação Social
Os
71% dos entrevistados que responderam afirmativamente à questão anterior,
souberam relacionar as áreas de atuação social das empresas citadas. As
formas mais comuns de atuação social das empresas, apresentadas a seguir estão
relacionadas às seguintes áreas: educação, esporte, comunidade e meio
ambiente.
Deve-se
salientar, entretanto, que os entrevistados não possuíam maiores informações
sobre os projetos ou práticas sociais destas empresas, além de grande parte
deles não possuírem conhecimento até mesmo, da própria área de atuação,
evidenciando uma falta de identidade das ações socialmente responsáveis das
empresas.
Áreas
de Investimento das Empresas Londrinenses
Assim
como para os funcionários, a educação é apontada pelos consumidores como a
principal área para as empresas investirem, com 87% da preferência.
Líder
absoluta, na maioria das pesquisas nacionais, em Londrina, a educação também
mostrou a sua força reivindicatória e apontou uma das necessidades da cidade.
Quase
empatados em segundo lugar, saúde (67,5%) e, principalmente, meio ambiente
(65,75%), destacam-se como fortes tendências para o investimento social
privado, o que também comprova o maior acesso da população às informações
como, por exemplo, em relação aos problemas com o futuro do meio ambiente, em
Londrina.
Influenciado
certamente pelo forte caráter cultural londrinense, outros 62,75% dos
pesquisados gostariam que as empresas investissem em cultura.
GRÁFICO
6 – Opinião dos Consumidores Sobre as Áreas de Investimento das Empresas

Interesse
pela Pesquisa
Talvez
um dado interessante e, ao mesmo tempo, preocupante para as empresas
londrinenses, é que 63,5% dos consumidores pesquisados se interessaram e
receberão informações sobre os resultados da pesquisa, pois deixaram para
isso, e-mails, endereços e telefones de suas residências para contatos
posteriores.
Tudo
isso nos leva a crer que, em breve, muitas das opiniões serão revistas e
teremos uma maior conscientização da população do que realmente é
responsabilidade social e quais as suas vantagens e conseqüências práticas na
sociedade.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A
Responsabilidade Social das empresas vem sendo discutida incessantemente no meio
empresarial e acadêmico e, esse fato, vem despertando na sociedade a importância
da atuação socialmente responsável pelas organizações em geral. Para isso
diversas pesquisas vêm sendo desenvolvidas, com o intuito de explorar o tema em
âmbito nacional e regional.
Apresentando
uma realidade local e realizando um estudo inédito do assunto, sob a ótica das
Relações Públicas, a Pesquisa de Opinião Pública “Responsabilidade Social
nas Empresas Londrinenses” foi desenvolvida com o intuito de explorar o tema
responsabilidade social, analisando as opiniões de diversos agentes – públicos
de interesse – que influenciam a atuação social das empresas.
Esta
pesquisa visa não só ajudar na inserção do profissional de Relações Públicas
na formação de estratégias e na orientação da gestão da responsabilidade
social nas organizações, mas também contribuir para a consolidação de
Londrina como um centro de excelência em responsabilidade social.
Analisando
os dados quantitativos obtidos com a pesquisa, pode-se entender, mais
facilmente, a forte relação entre as empresas e seus públicos-alvo, quando se
trata de responsabilidade social. Verifica-se, ainda, que o tema vai além de
simples aspectos mercadológicos ou atitudes de consumidores e envolve toda a
esfera da organização em busca de objetivos comuns.
Responsabilidade
social é uma forma de gestão empresarial que envolve a ética em todas as
atitudes. Significa fazer todas as atividades da empresa e promover todas as
relações – com seus funcionários, fornecedores, clientes, com o mercado, o
governo, com o meio ambiente, e com a comunidade – de uma forma socialmente
responsável, ou seja, que envolve todas as atitudes e relações das empresas e
das pessoas e grupos que estão ligados a ela.
Por
sua vez, a idéia de trabalhar com os funcionários, nesta pesquisa, veio da
importância que esse segmento – o público interno – representa no contexto
das organizações e, certamente, quando se trata de responsabilidade social
isso fica mais fácil de ser percebido.
Além
de serem a força criativa e mantenedora da organização, os funcionários
foram apontados pelas lideranças empresariais, na pesquisa qualitativa, como
formadores de opinião na comunidade em que vivem e atuam profissionalmente. Já
na análise quantitativa, os funcionários pesquisados demonstraram um imenso
interesse pela responsabilidade social e um estímulo muito forte aos incentivos
dados pela empresa no que diz respeito à participação e ao voluntariado em
projetos sociais.
Demonstraram
também, que o esforço das organizações em se tornarem socialmente responsáveis
gera orgulho, prazer e um estímulo enorme à motivação dos trabalhadores. Além
disso, os funcionários, por observarem com maior atenção a sociedade
londrinense, ainda apontaram as áreas prioritárias para o investimento social
privado.
As
expectativas dos consumidores frente às atitudes empresariais, apresentam-se
num estágio nunca antes visto. A exigência de uma empresa-cidadã e ética em
seus relacionamentos coloca o tema responsabilidade social como terceiro fator
para a decisão de compra. Os consumidores utilizam-se do poder de consumo, isto
é, da sua opção de livre escolha, para premiar ou punir empresas, baseados
exclusivamente na sua atuação social.
Assim,
as práticas de Responsabilidade Social não se tornaram apenas excelentes meios
de alcance do êxito empresarial e da diferenciação mercadológica, mas fazem
parte, sobretudo, de uma exigência dos consumidores, que serão responsáveis
pelo sucesso ou fracasso das organizações.
O
grau de informação e a conseqüente conscientização apresentada pelos novos
consumidores, sobretudo pelo conhecimento do assunto e da atuação social
organizacional, sugerem uma importante reavaliação das gestões empresariais,
que ainda não se utilizam estratégias socialmente responsáveis.
O
interesse demonstrado pelos consumidores, quanto ao tema e os resultados da
pesquisa apontam para a necessidade de realização de outras pesquisas após a
publicação desta, pois a opinião pública sempre mutante, mostra-se cada vez
mais em busca de informações e ações que contribuam para o desenvolvimento
sustentável da cidade.
Uma
síntese dos resultados mais relevantes da pesquisa pode ser a seguinte:
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responsabilidade
social aparece em terceiro lugar, como fator de preferência na decisão de
compra dos consumidores, ficando atrás somente de qualidade e preço,
respectivamente; |
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37%
dos consumidores afirmaram já terem adquirido produtos e serviços
influenciados pela atuação social das empresas; |
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13%
dos consumidores londrinenses deixam de consumir produtos de empresas que não
atuem de maneira socialmente responsável; |
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entre
os funcionários pesquisados, 81,79% estariam à disposição de suas empresas
para trabalhar como voluntários em programas sociais; |
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a
maioria dos funcionários pesquisados, 99,18% sentiu orgulho e se considerariam
mais motivados por trabalharem em empresas socialmente responsáveis; |
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aproximadamente
66% de todos os pesquisados demonstraram interesse em receber informações
sobre os resultados da pesquisa. |
Depois
de analisadas todas as informações obtidas com a pesquisa podem-se entender,
mais facilmente, a forte relação entre as empresas e seus públicos-alvo,
quando se trata de responsabilidade social.
Nesse
contexto, a grande tarefa do profissional de Relações Públicas, a partir
desse momento, será orientar a gestão das organizações gerando programas de
atuação social, amparados, não só nas ferramentas de comunicação, mas em
todas as relações que envolvem a empresa e os seus públicos de interesse (stakeholders),
buscando fundamentar suas estratégias de desenvolvimento num modelo sustentável
e compromissado com a responsabilidade social nos negócios.
Esse papel estratégico
do profissional da área fica evidenciado diante da afirmativa de Kunsch,
quando afirma que “vivemos hoje em uma conjuntura de verdadeira revolução da
sociedade, da comunicação e da mídia, nessa nação-mundo que vai se
formando. Novas posturas estão sendo exigidas de todos os envolvidos. Por isso,
ressaltamos que os agentes dessa área, os profissionais que liderarão uma
comunicação ‘integrada’ e ‘excelente’, assim como as organizações
que dela se valerão, devem pautar-se, mais do que nunca, pela estratégia, pela
ética e pela responsabilidade”.

NOTAS
E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Foram pesquisadas as
seguintes empresas: Baterias Reifor Ltda., Folha de Londrina S.A, Irmãos Balan
e Cia Ltda., Jornal de Londrina Ltda., NET Londrina, Pool de Combustíveis
Ipiranga, Rondopar Chumbo e Derivados Ltda., Supermercados Viscardi, Sercomtel
S.A. e Sanepar Londrina.
PAGLIANO, Adriana G. Antunes et al.
Marketing
social: o novo mandamento para as organizações. São Paulo: IBMEC, 1999.
p. 21
Ibid., p. 21.
Ibid., p. 21.
SOUZA, Herbert de Souza. Empresa pública e cidadã. Folha de São Paulo. São Paulo, 26 de mar. 1997.
SUCUPIRA, João. A responsabilidade
social. Boletim IBASE, 20 de maio de 2000.
GRAJEW, Oded. Pessoa física em paz com a
pessoa jurídica. Jornal Valor Econômico. 1º
de jun. 2000. p. B2.
CAPPELLIN, Paola, GIULIANI, Gian Mario. Compromisso
social no mundo dos negócios. Boletim IBASE, fev. 1999.
A GAZETA DO ESPÍRITO SANTO. Responsabilidade
Social Empresarial. Vitória,
27 de nov. 1999.
GRAJEW, loc. cit.
SOUZA, loc. cit.
Definição de responsabilidade social criada pela equipe de trabalho, que
realizou esta pesquisa.
KUNSCH, Margarida M. K. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na
comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997.
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