Pesquisa e RR.PP. 1

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OS DESAFIOS DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS NA GESTÃO DA PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

 

Célia Maria Retz Godoy dos Santos

 

INTRODUÇÃO

Nossa proposta pode ser lida a partir de duas matrizes. Uma é o estudo que busca contribuir esboçando e lançando idéias sobre a atuação do profissional de Relações Públicas na gestão das políticas organizacionais, via compreensão da participação política[*] dos indivíduos. E outra propõe uma reflexão imprescindível sobre a participação política e os fatores que a influenciam. Assim, o trabalho procurou relacionar algumas variáveis consideradas à priori como dependentes – personalidade do indivíduo, crença na eficácia da ação participativa e credibilidade no sistema – estabelecendo as correlações entre elas.

Do ponto de vista teórico, tentamos analisar a participação política nos processos de ação social, nas suas diversas formas e concepções e nas mediações encontradas. Entre elas, o dirigismo autoritário das lideranças e organizações, a participação imposta, estimulada ou gerenciada, os interesses individuais, partidários e políticos, a apatia e o conformismo dos indivíduos.

Através de três investigações empíricas – pesquisas de opinião denominadas neste estudo de: Primeira pesquisa "Qualitativa"; segunda pesquisa "Greve, Participação e Credibilidade"; e terceira pesquisa "Participação Política" – buscamos captar as especificidades de cada experiência na compreensão da participação política, especialmente nas tomadas de decisão e no exercício partilhado de poder, fatores estes, que são instrumentos de relações públicas.

O PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS E A REPRESENTAÇÃO NA ESFERA POLÍTICA

Atualmente, as organizações passaram a ser orientadas para uma melhor compreensão do comportamento humano, sob temas como: liderança, motivação, qualidade de vida, excelência nas comunicações, enfim, procurando tornar as pessoas mais satisfeitas e especialmente mais produtivas.

As relações públicas, vivendo um momento crucial na redefinição de suas atividades e finalidades, procuraram se estabelecer dentro de uma visão mais moderna, evidenciando a busca de equilíbrio entre os interesses dos públicos e das organizações.

Desta maneira, entre as diferentes atividades – administração da política organizacional, compreensão, previsão e controle dos fenômenos sociais – e finalidades – legitimar decisões organizacionais, facilitar relacionamentos com os diversos públicos – as relações públicas, conforme Simões (1995) deveriam lidar essencialmente com as relações de poder entre as organizações e seus públicos.

Assim, relações públicas como ciência abarca o conhecimento cientifico que explica, prevê e controla o exercício de poder no sistema organização – públicos. Mais especificamente, deveria estar inserida na micropolítica das organizações.

Colocando em discussão as relações públicas como uma atividade ética que pode contribuir para a elevação da consciência social como um todo, não apenas em prol do privado e dos detentores do capital, optou-se por analisar a participação política nesta arena de conflitos e jogos de interesses antagônicos.

Hoje em dia, os centros de poder estão voltados para as atitudes do público. E para compreendermos uma determinada atitude precisamos conhecer o sistema de crenças no qual ela está inserida. Se os sistemas de crenças têm como base ou se apóiam nas experiências de vida do sujeito e nas informações que ele adquire, se as crenças são construídas a partir do cotidiano de cada um, elas desempenham um papel importante no comportamento político, pois é no conjunto de crenças e valores que o indivíduo baseia sua participação política.

Podemos dizer que para manifestar-se politicamente, o sujeito precisa acreditar que sua participação tem, ou pode ter, algum tipo de influência sobre determinado processo.

Neste clima, a atividade de relações públicas pode ser considerada imprescindível na participação política e na responsabilidade social que as corporações, cada vez mais, tem necessitado, já que, política refere-se às relações de poder no interior de uma sociedade (Bobbio, 1993), mantida por crenças e objetivos comuns (Teoria sistêmica de Merton, 1957), ou pela existência de conflitos nos sistemas(Teoria dialética de Bottomore, 1979).

Em face deste relato, notando que os indivíduos desenvolvem vários tipos de ações frente aos diferentes tipos de participação, seja como grupos de pressão, eleitores, ou moradores de bairros, optou-se por estudar as formas de agir, ou a participação política correlacionando-a com algumas variáveis. As variáveis pautadas no estudo foram:

A Personalidade do Indivíduo

Nesta perspectiva a análise pretendeu relacionar a participação política – convencional que pressupõe pequeno envolvimento pessoal como votar, buscar informações, apoiar, subscrever abaixo-assinados ou exposta que consiste em engajamento e maior envolvimento pessoal, como trabalhar ativamente em um partido político, em movimentos, concorrer a cargos políticos e participar de protestos – com o conceito de lócus de controle.

Segundo este conceito oriundo da Teoria da Aprendizagem Social (Rotter, 1965), a expectativa do sujeito é determinante de sua ação, ou inação diante das questões proposta. Em outras palavras, quando as pessoas acreditam que o que lhes acontece é resultado de seu próprio comportamento, agem conforme o lócus de controle interno. Quando acreditam que é resultado de fatores alheios a seu esforço ou dão mais importância à oportunidade oferecida pela situação, agem segundo o lócus de controle externo.

Daí, pode-se intuir com base nesta teoria, que as pessoas que se percebem como internamente controladas são mais ativas politicamente.

Crença na Eficácia da Ação

Este aspecto relaciona-se à eficácia da ação do sujeito, ou seja, quando ele acredita que sua participação trará algum resultado. Analisou-se assim, se a crença no resultado da ação, de participar, está relacionada com a performance da participação política do indivíduo. É a expectativa de sucesso ou não na resolução dos problemas que levará a participação ou não participação do indivíduo.

Credibilidade do Indivíduo no Sistema

Este fator agrega as variáveis que correspondem à credibilidade no sistema e a disponibilidade do indivíduo para participar. A análise pretendida é se a credibilidade na organização implicará, ou não, na participação política, seja comunitária, eleitoral, nas organizações ou nos partidos políticos.

AS PESQUISAS: CONVERGÊNCIA ENTRE A ESFERA POLÍTICA E O MERCADO

As pesquisas empreendidas neste projeto são apenas um suporte, em termos de material empírico, para proceder ao estudo sobre participação, avaliando fatores, crenças, atitudes e aspectos conjunturais que agem como preditores no comportamento político do indivíduo. Procurou-se levantar dados que transcendem os circuitos tradicionais da participação política em torno de partidos e eleições avaliando a participação cidadã que contempla Estado, mercado e cidadãos.

A problemática foi avaliar as variáveis e as relações nas diversas formas de participação política em vários públicos ou grupos da sociedade. Em nosso estudo, as abordagens foram junto a líderes de opinião, professores universitários e eleitores da cidade de Bauru, com diferentes competências e orientações metodológicas.

Embora as investigações não tenham ainda sido completadas, resumiu-se alguns pontos selecionando os elementos que consideramos mais pertinentes à reflexão. Assim, em conjunto com os alunos de Relações Públicas da Unesp de Bauru, desenvolveu-se três pesquisas de opinião.

Primeira Pesquisa: Qualitativa

Realizada na cidade de Bauru em maio de 2000, através de entrevistas individuais em profundidade juntos aos formadores de opinião "verticais" (intelectuais, jornalistas professores, empresários, líderes de classes e lideranças religiosas) e "horizontais" (personalidade de liderança,.nível de informação acima da média, para o meio em que vivem, estão presentes em todos os segmentos e classes) para a montagem de um panorama de referência sobre a participação destes líderes na conjuntura política.

Procurou-se verificar o nível de conhecimento destes segmentos sobre os potenciais candidatos as eleições municipais; conceitos e valores de algumas palavras (pré-determinadas) para identificar as preocupações com o pleito, as tendências e o clima de opinião ou disposição destes formadores de opinião para defender seus candidatos neste período que antecede as eleições.

Esta modalidade de pesquisa teve um caráter exploratório, embora lidasse com aspectos subjetivos proporcionando qualidade e profundidade nas informações. Além dos objetivos acadêmicos, que devem ser cumpridos a médio e longo prazo, pois os dados ficarão disponíveis e poderão gerar outros tipos de estudos, pretendeu-se subsidiar o projeto apresentando um quadro da realidade social, antes da aplicação da terceira pesquisa de opinião, denominada de Participação política.

Foram realizadas 58 entrevistas durante o 1º Encontro de Formação de Lideranças Populares, organizado pela Secretaria da Administração Regional de Bauru – SEAR – no dia 21 de maio de 2000, com os líderes comunitários e 36 entrevistas com líderes verticais no dia 22 de maio de 2000.

As entrevistas foram desenvolvidas segundo um roteiro pré-estabelecido que contou com quatro blocos de avaliações: caracterização do entrevistado quanto às atividades comunitárias que desenvolve, tempo de atuação e tipos de participação; avaliação das palavras para se estabelecer conceitos e posições dos entrevistados; conhecimento sobre os possíveis candidatos e análise do envolvimento e da disposição dos mesmos em participar ou se envolver em campanhas eleitorais.

Outrossim, no estudo de fatores que determinam o comportamento político são várias as teorias que valorizam, entre outros: personalidade, autoconceito de competência, credibilidade no sistema, "locus" de controle, relacionado-os com a participação.

Nesta perspectiva, é importante avaliar o comportamento da amostra (líderes de opinião) quanto à participação convencional (Krampen, 1991) com pequeno envolvimento pessoal e a participação exposta.

Vários estudos, (Torres, 1992; Camino e Da Costa,1995) têm apontado para participação em grupos da sociedade civil como um fator decisivo para desenvolver disposições positivas em relação à participação política.

Como é possível observar no Quadro 1, a participação predominante dos líderes horizontais é em associações comunitárias (89,6%), percentual devido ao processo de seleção da amostra, e religiosas (48,2%). Na liderança vertical, predominam as associações religiosas (41,6%) e assistenciais (33,3%). O elevado percentual de participação se explica dada às características dos entrevistados, desde que têm comportamentos diferenciados da população por serem líderes. Foram realizadas 61% das entrevistas com líderes horizontais e 39% com os verticais, sendo 57,8% do gênero masculino e 42,2% do feminino.

Os dados parecem apontar que a participação do cidadão em entidades e organizações civis, independente de ser política ou não, servem como meio de ampliar sua visão da vida coletiva, sua crítica e compreensão dos problemas.

Neste contexto, quando avaliamos as palavras ou expressões (vereadores, políticos, eleições, governo democrático, liderar, desejo da população, desenvolvimento, qualidade de vida, participação, função de prefeito e outras) foi possível perceber, através da leitura dos conceitos, que a política é pensada de forma personalizada, ou seja, como uma disputa entre candidatos melhores e piores, que, se eleitos, poderão conduzir a cidade para um rumo bom ou mau. Os vereadores e políticos não são vistos como agentes representantes de idéias e interesses, mas como pessoas que defendem interesses pessoais e clientelistas. A descrença nos políticos é evidente.

As entrevistas realizadas com as lideranças comunitárias, ou horizontais, evidenciaram uma prontidão política voltada para a expansão da cidadania e da participação popular. A falta de conhecimento sobre o elenco de candidatos que vai participar nas próximas eleições ainda é notória. Por outro lado, o envolvimento das elites verticais com a política é prejudicado pela diversidade de preocupações e atividades do dia a dia (contas, trabalho, filhos, lazer) sobrando muito pouco tempo para se dedicar a esta atividade, sobre a qual se tem muito pouco controle, diferentemente das associações civis, entidades filantrópicas, clube de serviços e outros que trazem maior visibilidade de resultados, nas quais eles participam.

Com relação ao interesse e afinidade do entrevistado, para com as eleições, apesar de terem sido consultadas somente pessoas consideradas lideres de opinião, verificou-se uma baixa familiaridade com o processo político, refletida, basicamente, no percentual de 71% dos entrevistados que não citaram mais de três dos prováveis candidatos.

Escassamente informados, dispõem de pouco conhecimento sobre o jogo político, os entrevistados apenas sinalizam positiva ou negativamente a determinados candidatos. Julgam, na maioria das vezes, o desempenho destes, não em função das idéias políticas, mas a partir de critérios de seu gosto (morais, empatias, valores).

No que concerne à participação político-eleitoral, fez-se uma análise dos diversos itens referentes à participação política para estabelecer o envolvimento dos entrevistados com os vários tipos de ação de uma campanha. A intenção foi levantar a disposição dos entrevistados procurando relacioná-la com a crença na utilidade política.

A participação efetiva acontece quando as pessoas crêem que sua ação trará um resultado, ou seja, só participam se acreditam na instituição e na possibilidade desta ação realizar ou mudar algo.

É possível observar, o conjunto de itens (Quadro 2) e cada um deles separados para estabelecer o tipo de participação possível e exeqüível neste grupo.

Apesar dos baixos índices apresentados em alguns itens como: contribuir com dinheiro e trabalhar em campanhas eleitorais, estes não parecem estar ligados a uma atitude negativa dos sujeitos em relação à participação política em si, uma vez que um certo número dos entrevistados atribuiu importância a estes atos em específico. Também é importante verificar, o alto índice de pessoas que declararam indicar seu candidato para amigos e familiares (96,8%) e participar de um comício (78,7%).

Os dados desta pesquisa têm uma importância central, oferecendo informações para o reconhecimento das atitudes, comportamentos e impressões através das entrevistas com os líderes de opinião. Em especial, os líderes horizontais apontam propostas que envolvem toda uma práxis da cidadania solidária, participação, trabalho voluntário, cooperativismo, uso social do tempo de lazer, parcerias com a sociedade civil, mecanismos para se organizar e estimular a sociedade, ou seja, alternativas que vislumbram novas modalidades de relações entre o poder público e a sociedade. Eles solicitam maior envolvimento dos governantes em suas comunidades.

Algo percebido como bem mais profundo que as questões conjunturais, foi a corrupção, a falta de credibilidade dos políticos, a má administração, assessores mal preparados, irregularidades no uso da máquina pública e ilegalidade política. A conjuntura política, conforme os dados, está sedimentada no ciclo de opinião fundamentada num desejo de transparência e honestidade política que inclui informar o que está sendo realizado dando espaço para a participação popular.

Segunda Pesquisa: Greve Participação e Credibilidade

Esta pesquisa está sendo desenvolvida, nos meses de junho e julho de 2000, junto aos professores da Unesp de Bauru. Na escolha da amostra, dividiu-se o universo em dois estratos – os professores que participaram ativamente na greve e os que tiveram uma participação convencional, só de adesão. As variáveis analisadas foram; participação em outras entidades, personalidade, crença na possibilidade de um resultado a partir de sua participação, credibilidade no sistema da organização, atitude política, tipo de participação ou atuação do entrevistado durante o período da greve.

Terceira Pesquisa: Participação Política

A pesquisa se propôs a investigar a influência de algumas variáveis na participação política como: personalidade, lócus de controle, crença na previsão de resultados, credibilidade nos políticos, no governo, simpatia e preferência partidária, candidato que acredita que irá ganhar, interesse nas eleições, intenção de voto e outras.

Realizada junto aos eleitores de Bauru, utilizou-se da divisão setorial da cidade segundo o critério adotado pela Secretaria do Planejamento de Bauru – SEPLAN – que tem como parâmetros a atribuição de valores para a cobrança do Imposto Territorial. É importante ressaltar que através desta divisão setorial, as administrações públicas atuam de maneira mais ou menos homogênea, quanto às.associações de bairros, plano diretor e postos de atendimento, isto é, estas são as áreas administrativas da Prefeitura, e pelo seu tratamento diferenciado apresentam peculiaridades específicas que podem ser analisadas em conjunto com os resultados.

Todos os procedimentos, tanto de seleção, coordenação e treinamento de campo, assim como, acompanhamento, instruções, planejamento e controle amostral, conferência dos dados, elaboração do instrumento de coleta, execução, interpretação dos dados e análises dos resultados foram realizados pelos alunos do quinto termo de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social da UNESP de Bauru sob a coordenação da professora responsável pela disciplina Teoria e Pesquisa de Opinião Pública.

Com o intuito de facilitar o trabalho, os setores foram subdivididos conforme sua extensão e após o levantamento dos mapas das áreas, a cidade está foi dividida em cinco setores, sendo que a população alvo compreendeu todas as pessoas eleitoras e residentes na cidade de Bauru. As amostras foram divididas proporcionalmente em cada região e cada grupo de cinco alunos ficou responsável por uma área. Assim, foi realizada a verificação de campo em todas as áreas para determinar a densidade de residências por região e estabelecer o plano amostral conforme metodologia probabilística por área. Também se efetuou um levantamento exploratório através de observação e entrevistas de júris. Os cálculos amostrais tiveram como base a confiabilidade de 95,5 %, e o erro estimado de ± 5%.

Uma das condições liminares para o exercício da profissão de Relações Públicas, é sem dúvida, conhecer e respeitar as opiniões de cada um, e em princípio, se conscientizar das responsabilidades sociais é conhecer a opinião do público com o qual está em contato. Assim, o projeto de pesquisa propiciou a estes alunos oportunidades para se vivenciar na prática as teorias das disciplinas "Teoria e Pesquisas de Opinião Pública I e II", não com exemplos fictícios, mas com situações reais, onde além da aplicação dos conhecimentos adquiridos enfrentaram situações de críticas e conflitos exigindo uma grande capacidade de discernimento e iniciativa, durante o desenvolvimento e execução do trabalho.

CONSIDERAÇÕES

O advento da sociedade industrial avançada trouxe mudanças intergeracionais proporcionando um aumento de intervenções dos cidadãos na política.

As organizações que mobilizavam a participação política de massa, no século 19 e 20, eram baseadas na participação hierárquica, liderada ou manipulada pela elite cujo cidadão médio tinha baixo nível de competência política. Atualmente, começa a surgir um novo modo de participação política que expressa as preferências individuais, que emerge da mobilização cognitiva, orientada por questões substantivas e baseadas mais em grupos ad hoc do que em organizações burocráticas estabelecidas.

O progresso da mobilização cognitiva pode ser apontado devido à explosiva expansão da educação, às experiências de trabalho em estruturas decisórias menos hierárquicas, à sociedade da informação que ajuda as pessoas desenvolverem capacidades e inclinações a participar.

Powell (1992), em uma análise sobre as democracias contemporâneas, observou que o desenvolvimento econômico tem um pequeno impacto sobre a participação eleitoral, mas está fortemente associado à participação do cidadão, pois a medida que a mobilização cognitiva se desenvolve, o povo mais educado e especializado necessita de autonomia e julgamento individual, tornando-se menos permeável ao controle hierárquico centralizado.

Nossa análise aponta para as lideranças verticais. As pessoas se apóiam cada vez menos em estruturas organizacionais permanentes tais como sindicatos, partidos políticos ou as máquinas políticas urbanas.

Assim, o desenvolvimento sócio-econômico pode encorajar a formação de organizações políticas, envolvimento em campanhas, convencimentos de outros, mas não necessariamente uma maior participação eleitoral, ou uma participação junto ao governo.

O resultado do estudo ainda é parcial, na medida em que não se efetivaram as pesquisas de opinião, neste caso, assim como todas as mudanças significativas da percepção da realidade, esta nova releitura do valor da participação política do indivíduo, como estratégia para o desenvolvimento humano e ampliação da eqüidade social, pode ser considerada uma via afim às propostas e modelos organizacionais, que incentivam, oferecem, sugerem ou impõem, nesta década, a oportunidade de participação, mesmo que ilegítima.

A intenção deste estudo, ao pôr em foco esta nova legitimidade da participação política, identificar seu valor e função social através das pesquisas, foi iniciar uma discussão atualizada sobre aos modelos e estratégias de gerências participativas, participação comunitárias, excelência e qualidade na gestão organizacional.

NOTA

[*] Entendendo política como originária da polis, que significa tudo o que se refere à cidade e, conseqüentemente, o que é urbano, civil, público e até mesmo sociável e social, ou como forma de atividade humana que está estreitamente ligada ao poder (Hobbes). Ou ainda, analogamente, como conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados (Russel). Apesar da expressão “participação política” se prestar a diversas interpretações, formas e níveis de participação, esta estará sendo utilizada em um sentido reservado, para todas as situações em que o indivíduo contribui direta ou indiretamente para uma decisão política. Esta contribuição direta se expressa em contextos políticos mais restritos, enquanto a contribuição indireta aparece tanto na escolha do pessoal dirigente (ato de votar), como nas esferas religiosa, econômica, cultural e outras, já que se pode participar ou tomar parte de alguma coisa de modos bem diferentes (Bobbio, 1998).

BIBLIOGRAFIA

BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília, Universidade de Brasília, v. 2, 1998.

CAMILO, L.; TORRES, A R.; Da COSTA, J. B.  Voto, identificación partidária, identidad social y construcción de la ciudadania. In: Adamo, O. D., Peaudoux, V.G. e Monteiro, M. (Org.). Psicologia de la acción política. Buenos Aires: Piados, 1995.

POWELL, G. Bingham. Contemporary democracies: participation, stability and violence. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.

KRAMPEN. G. Political participation in a action-theory model of personality; theory and empiricalevidence. In: Political Psychology, 12(1):1-25, 1991.

ROTTER, J. Generalized expectancies for internal versus external control of reforcement. In: Psychological monographs, 80 (Whole n.699), 1965 Colaboradores: Alunos de Relações Públicas.

Comunicação apresentada ao GT de Relações Públicas, da INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, no XXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado de 2 a 6 de setembro de 2000 na Universidade do Amazonas, Manaus – AM