Pesquisa e RR.PP. 1

Anterior Voltar Próxima

 

QUALIDADE NA BIBLIOTECA: UMA METODOLOGIA DE ANÁLISE

 

Mary Stela Müller

Waldyr Gutierrez Fortes

Liceia Cianca Fortes

Professores da Universidade Estadual de Londrina

 

INTRODUÇÃO

Na sociedade moderna, informação e qualidade, adequadamente utilizadas, constituem vantagens competitivas. Esta sociedade se caracteriza pela informação nas mãos de muitos, pela aprendizagem coletiva e global, pela instabilidade, dinamismo, flexibilidade e pelas transformações.

Nesse contexto, onde a mudança é a palavra-chave para se buscar uma evolução continuada, as organizações vêm sendo forçadas a adotar uma nova filosofia de pensar, agir, gerir e trabalhar.

A adaptação a esta realidade será, cada vez mais, uma questão de sobrevivência, pois vencerá quem tiver competência para participar do mercado global.

O mundo está se unindo e os tempos atuais exigem flexibilidade, agilidade, inovações, mobilização de todos, frente a uma situação competitiva. As mudanças estão se dando rapidamente e é preciso aprender a prosperar nelas, sendo competitivas em qualidade, produtividade, atendimento, preços e vantagens no mercado.

As organizações excelentes desta época serão aquelas que acreditam em mudanças e melhorias contínuas e permanentes, orientadas para o cliente e para as inovações, para o atendimento superior, com pessoas qualificadas, educadas e treinadas, e valorizando a participação de funcionários nas decisões e na distribuição dos ganhos.

Para ter competência de ponta é preciso buscar informações e recursos para solucionar os problemas; é preciso ter visão holística, compartilhar os propósitos, crenças e valores, liberando assim a criatividade, mobilizando as pessoas em torno dos objetivos e metas comuns.

Qualidade é satisfação de clientes, funcionários, acionistas e da sociedade em geral. Para se buscar a qualidade por toda a organização é necessário o envolvimento de todos os níveis funcionais, visando à mudança na forma de pensar, de agir e de sentir.

A qualidade ativa por toda a empresa é um processo de aprendizagem que busca a melhoria contínua. A aprendizagem é um processo de adquirir informações, conceitos e desenvolver maneiras de torná-los significativos para as pessoas no trabalho e em sua vida. É essa soma de informação mais significado pessoal (conhecimento, capacidade e desejo ou vontade) que cria a mudança de comportamento, o ambiente, a nova cultura, por conseqüência uma organização de qualidade, educada para a busca permanente da excelência.

Para analisar a aplicação destes pontos destacados inicialmente, são apresentadas partes dos resultados de uma pesquisa realizada nas quatro bibliotecas das universidades estaduais paranaenses [1]. Na coleta de dados nas bibliotecas em estudo foi aplicada uma Pesquisa Institucional [2], objetivando a análise do perfil administrativo e organizacional das unidades de informação.

O objetivo da Pesquisa Institucional é levantar, metódica e periodicamente, as condições internas da organização, principalmente por intermédio de dados qualitativos obtidos em questionários especialmente preparados para isto, identificando as deficiências, as lacunas e os desequilíbrios existentes. Pelo estabelecimento de uma base de dados, permite à unidade de informação comparar seus próprios desempenhos, por períodos determinados de tempo, a fim de verificar eventuais afastamentos dos objetivos estabelecidos. Permite, ainda, comparar as performances de seus vários subsistemas, tentando localizar com precisão os pontos problemáticos na estratégia global.

Com os dados coletados é possível melhorar o nível das propostas presentes no planejamento geral da unidade, estabelecendo um clima propício à implantação de mudanças, muito necessárias neste momento em que são apresentados desafios amplos até não experimentados pelas bibliotecas em geral.

A participação de seus recursos humanos é considerada como fator determinante para que o planejamento possa ter sucesso. Numa unidade de informação, os prestadores dos serviços aos usuários talvez sejam tanto ou mais importantes do que o acervo (tradicional ou informatizado). Não são mais vistos como complemento ou apoio às rotinas normalmente praticadas; devem fazer parte de um processo constante de modificação e atualização nas relações entre a unidade de informação e os seus diversos públicos. Para isto, antes de tudo, precisam desfrutar de muitas informações, ter domínio amplo de suas possibilidades e da contribuição do seu trabalho para os resultados finais da organização.

Tudo isto para a definição de um conceito positivo da instituição, capital disponível e indispensável para que a biblioteca atinja os seus objetivos mais largos, dentre eles o império da qualidade dos produtos oferecidos e os serviços prestados.

Todas as atividades básicas de uma biblioteca — aquisição, processamento, circulação e referência — objetivam estabelecer interfaces entre cultura organizacional e comunicação voltadas para a geração de informações que permitam a condução de conhecimentos aos usuários. Este processo tem por base um gerenciamento sistêmico, no qual as partes e o todo se confundem.

A interface entre os fatores internos e uma política de qualidade concorre com os aspectos atuais de competitividade, produtividade, motivação, criatividade e outros tantos necessários para que possa haver o perfeito atendimento das necessidades e desejos dos consumidores dos produtos e serviços de uma unidade de informação.

Ilustram-se estes conceitos com os resultados obtidos por meio da Pesquisa Institucional aplicada a uma das universidades estaduais do Paraná, analisando-se recortes daqueles conteúdos que tratam diretamente o relacionamento biblioteca/recursos humanos/acervo/usuário como uma questão de qualidade, conforme respostas de cinco ocupantes dos principais cargos diretivos da Biblioteca Central de uma dessas universidades.

Considerando-se que os dados/informações ora apresentados referem-se a uma única instituição, adotou-se neste texto a simbologia BCX para a identificação do objeto e entrevistado (1), (2), (3), (4), (5) para os sujeitos da pesquisa de modo a resguardar a garantia de anonimato dada aos entrevistados.

DESCRIÇÃO GERAL DA UNIDADE DE INFORMAÇÃO

As informações coletadas inicialmente pela Pesquisa Institucional (maio de 1996) referem-se aos dados gerais, neste caso, da unidade de informação. A BCX fica localizada no campus da universidade, sendo considerada, pela direção, como uma biblioteca de médio porte.

Fora os recursos da Universidade, a BCX conta com recursos provenientes da CAPES, CNPq, IBICT e, de forma assistemática, com recursos (poucos) advindos do próprio Estado. Por não possuir um percentual fixo no orçamento geral da universidade, os projetos da biblioteca têm sua aprovação dependentes da vontade da administração superior.

ESTRUTURA DA ORGANIZAÇÃO

A evolução da sociedade contribui para que os aspectos de sua modernidade tenham reflexos internos nas organizações em geral, adaptando as exigências sociais e culturais na estruturação de suas organizações e estabelecendo os sistemas mais sofisticados voltados ao verdadeiro foco de suas atribuições: o pleno atendimento dos consumidores de seus produtos e dos usuários de seus serviços.

O tipo de estrutura é centralizado, não obstante há proposição, em curso, para a descentralização em setoriais.

O organograma detalha, na opinião de sua diretora, a organização de cada um dos setores da biblioteca. A diretora acredita que existem setores da Biblioteca que estão sobrecarregados, e que seria necessária uma modificação no organograma atual, opinião compartilhada pela responsável da subunidade, por considerar que sua seção deveria ter mais bibliotecários e ser mais bem dividida.

Para delegar autoridade, os responsáveis de setores utilizam correspondência interna, reuniões e também colhem opiniões dos funcionários. De modo geral, há consenso quanto ao aspecto de delegação de autoridade: ela exerce e se processa por meio das chefias de divisão, conquanto haja discrepância quanto aos setores que mais delegam autoridade aos funcionários.

Os movimentos reivindicatórios dos funcionários chegam facilmente até a direção da biblioteca e eles têm participação efetiva nas grandes decisões que possa afetá-los por meio do Conselho Técnico. Realizam constantemente reuniões por setor, a fim de que os funcionários tenham a sua participação e os seus interesses defendidos.

CONDIÇÕES ATUAIS E MISSÃO ORGANIZACIONAL

O delineamento da missão de qualquer organização está ancorado no trinômio mercado/cliente/produto. Determina qual é o "negócio" da instituição, por que ela existe, ou ainda em que tipos de atividades a organização deverá concentrar-se no futuro. A definição da missão organizacional é importante porque é neste ponto que se procura descrever as habilidades essenciais da unidade de informação.

Na concepção dos seus administradores, as condições da BCX, revelam dificuldades concernentes a recursos humanos e financeiros. Essas concepções estão presentes em todos os níveis: de dirigentes a atendentes, ou seja, os que têm contato direto com o usuário. Essas dificuldades se refletem no acervo desatualizado e deficiente, principalmente para a graduação; na falta de treinamento de pessoal, na capacitação profissional, no número de bibliotecários — a biblioteca dispõe somente de oito profissionais — e nos próprios serviços que são ou poderiam ser oferecidos. Contudo, a direção acredita ter uma boa equipe, apesar do pequeno número de funcionários.

Os administradores não elegem nenhuma atividade da biblioteca como "a principal", todas são consideradas importantes, pois são interdependentes; no entanto, os serviços de consultas, empréstimos e referência são considerados como atividades que mais caracterizam a instituição.

Foi criticado o acomodamento de alguns dirigentes com a situação da biblioteca, em razão de desconhecimento do verdadeiro serviço que essa pode oferecer; o entrevistado (2) considera como atividade principal de bibliotecas o fornecimento de informação atualizada e rápida, entendimento este que mais se aproxima do que poderia ser considerado como a base para a determinação da missão da BCX.

Em relação aos problemas atuais, cujo fracasso em resolvê-los poderia comprometer o futuro da biblioteca, os administradores apresentaram posições divergentes. Para o entrevistado (5), os principais são: falta de informatização, a necessidade de mudança da cultura bibliotecária para acompanhar a evolução, acomodação dos bibliotecários em tarefas técnicas, ausência de traquejo político para negociar.

O entrevistado (1), aponta como problemas principais também a falta de informatização, especialmente na aquisição e os pedidos de descentralização da BCX em bibliotecas setoriais. Para o entrevistado (2) os problemas são: o pequeno número de vagas existente para bibliotecários, falta de política de capacitação, falta de informatização, atraso tecnológico e falta de força política. O entrevistado (3) apontou como principal problema a falta de recursos financeiros para atualizar o acervo.

Visando à solução de tais problemas, a BCX, conforme respostas dos entrevistados, tem os seguintes planos: convênios mediante projetos externos para a obtenção de recursos, o desenvolvimento de campanhas, bem como a definição de critérios para regulamentar a criação e a aprovação de bibliotecas setoriais. No tocante à informatização, pretendem analisar as facilidades que a Bibliodata/Calco pode oferecer, segundo manifestação da diretora.

Com esses planos, a BCX tenta obter condições para ampliar a qualidade e a quantidade dos serviços, conforme manifesto unânime dos respondentes. Aqui, um dilema se apresenta: concentrar ou descentralizar o acervo. A resposta parece não ter uma solução que contemple as diversas tendências, porque diluir significa "perda de poder" e concentrar permite o controle estreito de pessoas e funções.

Perguntados sobre a atitude do organismo com relação à introdução de novas tecnologias ou equipamentos tecnicamente superiores aos usados hoje, a maioria dos entrevistados mostrou-se receptivo a idéia, conforme demonstram as respostas: mudaria o mais cedo para a nova tecnologia e procuraria adaptar os equipamentos existentes (4); mudaria o mais cedo possível se tivesse condições (3); mudaria o mais cedo possível para nova tecnologia se fosse compatível aos objetivos da BCX e procuraria adaptar os equipamentos existentes (1); adaptaria os equipamentos existentes, e conversaria com profissionais especializados para ter certeza da decisão a ser tomada acerca da nova tecnologia (2).

Novamente apresenta-se uma questão sobre o uso de novos equipamentos mais no sentido de informatizar as funções existentes, e não como uma possibilidade de novos produtos e serviços, o que permitiria a descentralização. A simples informatização da biblioteca seria apenas a simplificação das mesmas funções cumpridas rotineiramente, correndo-se o risco de acelerar as deficiências que o sistema porventura apresentar.

Com base nas respostas já formuladas, os administradores destacaram pontos positivos da BCX em relação a outras bibliotecas: bom conceito junto ao órgão de fomento (1) e (4); quadro de funcionários qualificados (1); oferecimento da base de dados BITNET (2); dedicação dos bibliotecários (4); intercâmbio de informações com profissionais de outras instituições (2) e (3); eleição de diretor pelos próprios funcionários (1). O entrevistado (3), como parte da resposta, sugeriu que fossem feitas reuniões com maior freqüência entre os funcionários de bibliotecas estaduais, para discutir problemas comuns.

Como pontos negativos foram apontados os seguintes: fraca atuação política (2); resistência a mudança e comodismo, por parte de alguns bibliotecários (4); freqüência de atendimento de alunos do primeiro e do segundo graus, sem que haja espaço ou material bibliográfico específico (2); falta de recursos próprios (1); ausência de políticas para capacitação do pessoal (2); ausência de um organograma que subordine a BCX à reitoria e não somente à pró-reitoria (1); ser centralizada (2).

Consoante esse contexto e considerando dentro de uma visão e postura prospectivas, as prováveis necessidades de inovações nas atividades da BCX, foi solicitado aos dirigentes que, dentro de um rol apresentado, indicassem em ordem decrescente, quais seriam os fatores inibidores deste tipo de iniciativa.

De conformidade com os entrevistados, os principais fatores apontados foram: níveis de salário (4,5 pontos), falta de incentivo creditício (4,5 pontos), necessidade de profissionalização (4,2 pontos), dificuldades de intercâmbio de materiais (3,5 pontos), custo do capital a ser utilizado (3,2 pontos), legislação trabalhista (3,0 pontos), e falta de recursos externos (2,0 pontos).

O entrevistado (2) acredita, ainda, que a falta de credibilidade em experiências já realizadas, a falta de cooperação entre profissionais e a presença de resistências às mudanças, também constituem sérios obstáculos à iniciativa de inovação.

Outrossim, a maioria dos dirigentes considera que a atual conjuntura política e econômica do país não é favorável a qualquer tentativa de expansão da biblioteca, pois faltam recursos e a BCX não representa prioridade, particularmente em relação ao Estado.

Contrariamente, no entanto, para a diretora da unidade essa conjuntura é vista como favorável à expansão da biblioteca, visto que a estabilidade da moeda facilitou para a aquisição, que passou a trabalhar com orçamentos programados. Contudo, criticou a ausência de uma política definida para as bibliotecas universitárias paranaenses.

Efetivamente, constitui uma grave falha por parte dos organismos constituídos a baixa prioridade dada ao aprimoramento das bibliotecas universitárias. A questão que se apresenta é o tipo de aprendizagem pretendida por essas universidades, embora, por distorções do sistema, acabem freqüentando as escolas públicas aqueles que têm maiores possibilidades de adquirir o seu material bibliográfico, ficando reservada a biblioteca aos menos favorecidos, reconhecidamente com menor poder de influenciar resultados.

Consideraram ainda a existência de espaço físico para expansões, e, a exceção do entrevistado (3), os demais dirigentes afirmaram que a BCX tem condições de abrigá-las.

Recolocaram, não obstante, a questão da quantidade/qualidade, com destaque para a obsolescência do acervo, situando-o como o principal fator de estrangulamento da biblioteca em relação a outras instituições congêneres.

Indagados sobre o desenvolvimento de pesquisas, principalmente junto aos usuários finais ou clientes, para verificar as tendências e alterações do "mercado consumidor" em face dos produtos e serviços oferecidos pela biblioteca, os dirigentes, por meio de diferentes respostas, "firmaram" a inexistência da prática da pesquisa com este fim, como demonstram algumas colocações: "...as listas bibliográficas e as caixas de sugestões são suficientes para conhecer suas necessidades", "...já foram utilizados alguns formulários com críticas e sugestões dos usuários, porém não era nada formal".

Quanto aos concorrentes, acreditam de modo geral, que não existe na região nenhuma organização bibliotecária que possa ser considerada como tal. Não obstante, com relação a projetos, a USP, a UNICAMP e a UNESP são consideradas concorrentes pelos entrevistados (1) e (4).

Consideraram, porém, que a inexistência de outras bibliotecas na cidade para atender diferentes necessidades de informação da comunidade local traz problemas à BCX, em face da grande freqüência de alunos não universitários.

Para finalizar a parte do delineamento das condições atuais e missão da organização, perguntou-se aos entrevistados se os dirigentes da BCX sabem a diferença entre atendimento e marketing.

As respostas apresentadas foram: os chefes sabem distinguir isto bem, pois o marketing é mais amplo que o atendimento, que só acontece no momento (3); os chefes de divisões da BCX sabem a diferença entre atendimento e marketing, pois todos têm pelo menos um curso de especialização, onde aprenderam isto (1); os principais diretores e chefes da biblioteca sabem a diferença entre atendimento e marketing, pois sempre conversam e participam de reuniões e cursos (2); a diferença entre marketing e atendimento é que o marketing é um instrumento do planejamento estratégico (4).

Fica evidenciado a inexistência de uma missão institucional claramente definida e que permeie toda a unidade de informação. Evidentemente, o pequeno número de profissionais bibliotecários compromete o alcance dessa missão, pois não chegam a criar um corpo próprio de conhecimentos teóricos capaz de influenciar as demais pessoas das equipes. Isto se for considerado que todos os profissionais da área tenham desenvolvido uma visão mais ampla sobre as responsabilidades da BCX.

Pelas respostas apresentadas, algumas delas díspares, é possível afirmar que não há conceitos comuns que se espraiem por toda a biblioteca, desenvolvendo-se como ponto de contato entre as diversas chefias somente a questão da falta de recursos, como elemento de justificativa para a ausência de iniciativa e de novos empreendimentos.

HISTÓRIA DA UNIDADE DE INFORMAÇÃO

A análise histórica de uma organização constitui um recurso estratégico geralmente inexplorado. A história institucional pode ser adotada como um instrumento de diagnóstico para superar eventuais problemas do presente que encontram sua origem nos primórdios da unidade ou servir como analogia para facilitar o desempenho atual.

As condições que determinaram a implantação da biblioteca continuam presentes e, segundo o respondente (4), existem registros confiáveis em documentos que se referem às épocas mais importantes da BCX , os quais já foram utilizados em exposições no intuito de se manter viva a memória da biblioteca e, ainda, para divulgação institucional.

Conforme entende o entrevistado (4), a história da biblioteca serve de base ao planejamento futuro, para que os erros não sejam repetidos. Mas, a despeito da veracidade dessa afirmação, apenas esse entrevistado mostrou conhecer a história da biblioteca em questão. Os demais, mesmo ocupando cargos diretivos e estarem na organização há mais de cinco anos, declararam não conhecer os principais dados históricos da BCX ou preferiram não se manifestar, afirmando existir pessoas mais antigas e mais bem preparadas para isto.

Contudo, entende a direção que os atuais chefes de divisão têm muita experiência, o que facilita a prevenção de novos erros, independentemente de conhecimentos históricos. Isto é, evidentemente, uma visão estreita da relevância do conhecimento histórico da instituição, entendido, muitas vezes, como uma seqüência de datas que nada significam.

DIREÇÃO GERAL

Os princípios da unidade de comando e centralização na tomada de decisões, que norteiam a direção geral das organizações mais tradicionais, têm sido substituídos por delegação de autoridade e responsabilidade, em razão da pena de descompasso em relação a outras organizações e como exigência do crescimento da estrutura da unidade de informação. Cabe, portanto, analisar qual é o tipo de direção mais viável, em virtude da cultura organizacional, combinando-a com uma estrutura leve e organizada da maneira mais participativa possível.

Auto-analisando-se, a diretora da BCX afirmou que procura delegar autoridade para chefes de divisão e alguns funcionários. Acredita igualmente que é democrática, usa o bom senso e consulta as pessoas.

Este é também o entendimento de todos os demais entrevistados acerca do tipo de direção presente na instituição. São unânimes em afirmar que a direção é sempre lembrada quando os funcionários sem cargos de chefia têm que tomar algumas decisões relativas à modificação ou implementação de novos serviços.

As ordens e orientações conservam a hierarquia estabelecida, apesar de os funcionários terem possibilidade de acesso à direção geral da biblioteca. Contudo, é recomendado que antes procurem o chefe de divisão.

Para dar uma maior participação aos empregados na administração da biblioteca, adota-se: comunicação constante com os funcionários, explicam normas e regulamentos, envolve-os em projetos, ouve as opiniões, respeita as decisões das divisões. Acredita, no entanto, o entrevistado (2) que falta à BCX planejamento nos níveis macro e micro e também maior participação política.

Embora apresente diversas contrariedades e dificuldades, os ocupantes de cargos na unidade de informação conseguem perceber algumas possibilidades interessantes. Indagados sobre as vantagens que a ocupação de cargos dirigentes da BCX proporcionam aos seus detentores, os entrevistados apontaram, em ordem de importância, dentro de um elenco fornecido, os seguintes aspectos: satisfação de prestar um serviço à comunidade (3,3 pontos); conceito de visibilidade junto a comunidade (3,0 pontos); satisfação pessoal pela expansão da biblioteca (2,6 pontos); satisfação pessoal pela contribuição dada pela instituição (2,3 pontos); prestígio junto a outras instituições (2,3 pontos).

CULTURA ORGANIZACIONAL

A cultura organizacional é constituída por valores específicos verificáveis mediante a análise do conjunto de princípios e de crenças básicas que os membros de uma determinada organização compartilham e que a diferenciam de outras, ainda que pertençam ao mesmo setor ou à mesma zona geográfica. Este tipo de cultura é definido com o tempo e deve ser pesquisada e estimulada para que o básico das organizações, a determinação de se manterem vivas e atuantes, seja preservado.

Com vistas a caracterizar o ambiente social e cultural da BCX, buscou-se levantar primeiramente o nível cultural dos funcionários, o qual, segundo os dirigentes, é muito bom, pois a maioria tem curso superior.

Contudo, ao serem indagados acerca da cultura predominante na organização, as respostas diferem-se substancialmente, deixando entrever antagonismos, conflitos e turbulências no ambiente social.

Para (1), a cultura organizacional predominante é definida como um grupo político-partidário que tenta impor suas opiniões. O entrevistado (2) considera que a cultura organizacional predominante é de conflito constante, pois as pessoas que lá trabalham são muito diferentes, com respeito à cultura, hábitos, comportamentos e atitudes, há um choque constante, o que gera conflitos. Para (5), a cultura organizacional predominante pode ser definida pela existência de mitos sobre certas pessoas.

O entrevistado (3) define a cultura organizacional predominante como participativa, tanto por parte da direção como das chefias, com consultas constantes aos funcionários sobre a implantação e melhoria de serviços; é democrática. Não obstante, em termos de posicionamento institucional interno, o entrevistado (1) afirmou que a BCX é o órgão mais respeitado da universidade.

Quanto à convivência interna e externa, os dirigentes "vêem" a questão também de forma diferenciada. Para o entrevistado (1), são considerados pontos fortes: a ausência de competição entre os funcionários; a rigidez existente; a equipe cooperativa, esforçada e "veste a camisa"; a opinião positiva dos professores referente à BCX.

Para o entrevistado (4), os pontos fortes são: participação dos funcionários nas decisões e cursos oferecidos aos mesmos; empréstimos e aprovação dos projetos de pesquisa realizados pela biblioteca. Segundo o entrevistado (5), são: existência de um bom relacionamento com o público externo; a cumplicidade entre alguns funcionários. Já o entrevistado (2) considera a BCX uma biblioteca comum, sem nenhum ponto positivo relevante com respeito à convivência interna.

Como pontos fracos foram apontados os seguintes: pouca integração entre os setores (devido aos turnos), falta de condições, principalmente financeiras para a realização dos trabalhos (4); pelo ambiente predominantemente feminino às vezes têm problemas de intrigas (1); pouca integração entre a biblioteca e a comunidade universitária (4); vínculo de amizade existente somente entre pessoas dos grupos, causando problemas para uma cooperação total, acreditando que isto não interfere no relacionamento com os públicos externos (2).

Além destes, foram ainda apontados: rixa de funcionários entre setores e o baixo poder político de barganha (5); no relacionamento com os grupos de interesse da organização há falta de conhecimento do funcionamento da biblioteca (2); o ambiente interno de relacionamento humano pode ser considerado como regular (4).

Também no que se refere aos valores básicos que regem o comportamento da BCX, os dirigentes manifestam opiniões divergentes, quando não distanciados do objeto de análise.

Assim, para o entrevistado (1) os valores que regem o comportamento da biblioteca são a qualidade na prestação de serviços e o trabalho em equipe. Já para o entrevistado (4), estes valores são o espírito de colaboração e interesse para melhorar profissionalmente. O entrevistado (2), por sua vez, acredita que a amizade é um dos valores que a biblioteca prega, assim como o respeito e amor pela profissão. Considera, ainda, que na universidade se produz conhecimento, por isto gosta de oferecer informação aos intelectuais e também de estar em contato com os usuários, principalmente alunos.

Para o entrevistado (5), os valores que regem o comportamento da biblioteca depende de cada pessoa, por isso procura, enquanto responsável de setor, não se preocupar com problemas (fofocas) de outros setores. Com o pensamento de que satisfazer as necessidades dos usuários é a função primeira de bibliotecas, o entrevistado (3) acredita que o valor básico da BCX é trabalhar com e para o interesse deles. Para tanto, considera fundamental manter um bom relacionamento com os funcionários, e, em caso de atritos, manter diálogo.

Quanto às normas internas, os dirigentes citaram o Regimento Geral e Regulamento de Pessoal da universidade e o Regulamento da BCX que, no entender do entrevistado (1), devem ser revistos, pois estão desatualizados, ou aperfeiçoados, no dizer de (2).

Assim, com base no contexto cultural delineado pelos dirigentes da BCX, procurou-se saber que aspectos da cultura que permeiam hoje o ambiente da instituição, deveriam ser substituídos.

As respostas foram: reuniões mais freqüentes (1); aumentar o espírito de colaboração entre os setores e melhorar o relacionamento entre as pessoas (4); não há necessidade de alterações (3); maior participação da BCX junto ao setor de recursos humanos (1); o organograma da biblioteca deve ser modificado, pois está errado em função de intrigas (2); maior autonomia para a diretoria e para as chefias (4); os regulamentos devem ser revistos (2).

Por todos os dados levantados, recomenda-se a existência de um equilíbrio entre a preocupação com a produção e com as pessoas para determinar um ambiente propício ao exercício dos relacionamentos necessários, isto é, a equivalência do interesse privado com o interesse dos públicos específicos.

Embora a preocupação maior dos dirigentes da BCX seja com a produção e com a prestação de serviços, deve-se estimular os valores da cultura organizacional, privilegiar o elemento humano como capital mais importante para a definição de um ótimo padrão administrativo, resultando no sucesso da unidade de informação.

ATIVIDADES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS

Em geral, as organizações surgem com uma finalidade específica e assim desenvolvem uma série de atividades diretamente relacionadas com o "motivo principal" de sua existência.

Os produtos e serviços oferecidos por uma unidade de informação podem ter dois sentidos: um deles consiste no esforço de conquistar e, sobretudo, manter a sua clientela, pelo fornecimento de alguns serviços extras, como o acompanhamento do comportamento aquisitivo dos usuários por longo tempo. O outro se refere ao ato da aquisição de um produto para a satisfação de uma necessidade do consumidor para que, de maneira mais racional, resolva os seus problemas.

Desta maneira, foram analisadas neste item todas as variáveis necessárias para colocar os produtos e serviços da BCX à disposição de seus usuários e da comunidade.

O entrevistado (2) considera o fornecimento de informação atualizada e rápida como a principal atividade da biblioteca, entendimento este compartilhado e reafirmado em várias oportunidades por outros profissionais da área, especialmente durante a participação em eventos. Entretanto, esta visão encontra-se mais diluída entre os outros entrevistados, que citaram aspectos operacionais, como empréstimo, renovação, reserva e levantamento bibliográfico, para definirem as principais atividades de uma unidade de informação, como é o caso do entrevistado (3).

Destaca-se, porém, que a visão apresentada por (3) pode estar permeando toda a biblioteca, pois há evidência de um claro lapso de informação a respeito das verdadeiras atribuições desta unidade de informação, conforme se depreende de respostas anteriores.

A biblioteca realiza o trabalho de desenvolvimento do acervo, baseado em pedidos de professores ou em levantamento diário das obras solicitadas e não disponíveis, ficando sob sua responsabilidade, quando há a disponibilidade de verbas, a aquisição do item solicitado, porquanto não existe na BCX uma política formalizada de desenvolvimento de coleções, conforme afirma (1).

Os usuários são citados, por (1), como os impulsionadores para modificações em produtos e serviços da biblioteca, mas no sentido de uma reação às reclamações ou insatisfações dos clientes, conforme afirma (2), não havendo nenhuma atividade pró-ativa por parte da unidade; falta pessoal qualificado e uma política de treinamento, no entender de (2), agravada também pela ausência de suporte financeiro para modificar o que é rotineiramente oferecido, conforme expressa (3).

Embora apontando como recurso de atualização a introdução da informática no processo operacional das tarefas, não se percebe uma clara intenção de mudar o que já está implantado. Algumas sugestões — modificar o guarda-volumes, implantar um sistema de segurança, limpar melhor o material, eliminar a seção de achados e perdidos, ampliar instalações — não indicam um pensamento estratégico voltado ao total atendimento das necessidades e desejos do consumidor, havendo também, em alguns pontos indicados, discrepâncias nas informações solicitadas na pesquisa, como no caso da necessidade ou não da ampliação de espaços.

Novamente se transfere para a situação financeira da instituição os problemas de gerenciamento da unidade. São indicadas as necessidades de recursos financeiros e de mais bibliotecários para, então, iniciar-se a elaboração de projetos ou a criação de novos serviços, como, por exemplo, a disseminação seletiva da informação e sumários correntes. Novos usuários poderiam ser alcançados somente se a base de dados demonstrasse avanços, afirma (2).

Os benefícios trazidos pelas novas estratégias seriam a maior agilidade na execução de tarefas, planejamento, proposição de novos objetivos e melhoria no conceito da biblioteca. Porém, não são indicados esforços para maximizar os recursos disponíveis, e nunca foram realizadas modificações nas atividades principais ou acessórias da biblioteca, por falta de recursos humanos e recursos de informática, comenta (1).

A falta de visão estratégica fica evidente quando se constata que a BCX não procura o usuário para lançar produtos e serviços novos, mesmo reconhecendo que poderiam melhorar o atendimento, com informação mais rápida e precisa, mas não oferecem a oportunidade para que os consumidores apresentem os seus pontos de vista. Adotam como parâmetro para as aspirações de modificações as bibliotecas já informatizadas.

A linha de produtos e serviços da BCX abrange empréstimos de livros nacionais e estrangeiros, periódicos nacionais e importados (consulta para graduandos e empréstimos para professores e pós-graduandos), teses nacionais e importadas , folhetos nacionais e partituras, teses em microfichas e fitas de vídeo, obras de referência e busca em banco de dados em CD-ROM.

As condições gerais e os produtos/serviços da BCX têm as seguintes vantagens, na visão dos entrevistados (1) e (2): são gratuitos (exceto a base de dados), a localização da biblioteca no centro da cidade, a maior biblioteca universitária da região, horário de funcionamento, espaço físico e localização no campus.

E as desvantagens: defasagem e obsolescência do acervo, não automação do empréstimo e consulta, falta de segurança, espaços mal utilizados, sistema de aeração falho, muito barulho, conforme (2). Novamente é destacado pelo entrevistado (3) o que mais prejudica: a falta de recursos financeiros e de pessoal, por isso acredita que as perspectivas atuais da biblioteca são ruins. Numa visão pragmática, (2) considera que a BCX está em declínio, pois deveria oferecer muito mais.

Evidentemente, existem fatores que prejudicam o cumprimento das obrigações básicas da unidade de informação, como o acervo defasado, mas tais fatores não podem ser considerados como um entrave para a implantação de novas posturas estratégicas visando ao melhor atendimento aos usuários que, nunca foram alcançados por estudos específicos sobre as suas características.

Isto acarreta uma dicotomia: não se sabe qual é o conceito da organização perante o seu público usuário, nem se é positivo ou negativo. Acredita o entrevistado (3) que o conceito da BCX é o esperado, pela qualidade dos produtos e serviços prestados.

O termo "esperado", empregado nesta análise, deixa uma grande dúvida, por comportar dois significados opostos — positivo ou negativo, mas pressupõe-se que seja ruim, pelos constantes relatos de falta de recursos humanos e financeiros, o que, evidentemente, alcança os usuários da unidade, transferindo-se a fatores externos as responsabilidades de ser apresentada, pelo menos, uma visão mais estratégica do real papel da BCX.

As necessidades que os produtos e serviços suprem, segundo (1), são de informação para pesquisas, tanto de graduação como pós-graduação. Aqui um registro interessante: os serviços gozam de reputação de rapidez, qualidade, confiabilidade e acessibilidade, embora os produtos pequem por falta de recursos.

A necessidade do usuário, ainda na sua visão de (1), é de uma biblioteca com acervo atualizado e agilidade nos serviços, mas o entrevistado (3) reconhece que nestes pontos a BCX falha pela falta de verba. Tem tentado suprir esta lacuna com os acessos a bases de dados, que, contudo, somente resolvem problemas de usuários específicos, pois uma minoria procura por este serviço.

O "encantamento" dos usuários com as novas tecnologias efetivamente não supera os lapsos existentes na atual estrutura, invalidando, até certo grau, a corrida na aquisição de novos equipamentos, substituindo-a por uma atualização mais efetiva do acervo tradicional, incrementado com a prestação de novos serviços e possibilidades inéditas.

O atendimento completo ao usuário deve privilegiar a sua presença no espaço físico da unidade de informação, quando passa a conhecer efetivamente todos os recursos colocados à sua disposição, porque ainda não é questão resolvida a substituição das obras impressas por meios virtuais.

Os esforços devem ser mútuos no caso das unidades de informação: manter os atuais usuários e ampliar o número de consumidores de seus produtos e serviços, pois a função básica desses órgãos, especialmente os universitários, é proporcionar facilidades cada vez maiores à formação de alunos de graduação e de pós-graduação.

Um dos caminhos recomendados para o melhor atendimento ao consumidor é a individualização de produtos e serviços, e existe uma clara consciência desta possibilidade na BCX.

Para individualizar serviços bibliotecários, o entrevistado (2) indica estas necessidades: facilitar a consulta dos periódicos (não possuem indexação dos artigos), deixar uma cópia dos sumários correntes na biblioteca, colocar os assuntos mais procurados por meio de um catálogo. Poderiam, também, segundo (3): melhorar seus produtos por meio da seleção, na quantidade de unidades, combinando-os com outros automatizados e melhorando sua imagem, pela divulgação. Afirma, ainda, que deveria ser dado treinamento específico para os bibliotecários, ficando cada um responsável por determinados serviços.

Esta individualização, porém, não prevê um equilíbrio na relação dos produtos/serviços da BCX, pois a universidade, na época da pesquisa, estava investindo mais na pós-graduação e a biblioteca, mesmo sem deliberar, acaba adotando esse caminho.

Para equilibrar a relação dos produtos/serviços, a BCX vem tentando, segundo (3), atualizar o acervo por meio de convênios com órgãos externos, pela aquisição de novas bases de dados e também aperfeiçoando e ampliando os serviços, para propiciar mais conforto ao usuário.

Os produtos e serviços são acessíveis a todos; no entanto, a visualização dos livros é difícil, pois falta sinalização, além da biblioteca "ser muito complicada", no entender de (2). Esta é uma questão bastante interessante. A BCX apresenta falhas básicas, segundo seu próprio corpo diretivo, visto que a localização de obras no acervo não demanda grandes recursos para ser melhorada e o bom senso pode resolver esta questão.

Embora não tenha sido feito nenhum estudo sobre a opinião dos usuários, os entrevistados acreditam que a imagem dos produtos/serviços para os usuários não é nem boa nem má, pois a maioria das reclamações diz respeito à demora do empréstimo, a falta de atualização e disponibilidade do acervo e, às vezes, do mau atendimento. Não obstante, a diretora acredita que os clientes estão satisfeitos com os serviços prestados, pois a BCX tem movimento o dia todo, apesar de ter diminuído a freqüência. Colocou ainda que os funcionários sempre tentam buscar a informação para o usuário ou encaminhá-lo.

Com relação a imagem junto a comunidade externa, o entrevistado (2) acredita que a mesma não tem opinião formada sobre a BCX, dada a distância física da unidade. Já segundo a diretora, a imagem junto à comunidade é boa, pois não tem outra opção.

Ressalta-se, aqui, a necessidade urgente de uma avaliação consistente da opinião dos usuários e dos não-usuários da BCX. Os esforços para adequar a unidade aos consumidores ficam evidentes, embora dispersos, pela falta de uma orientação básica e devidamente planejada, fazendo do treinamento e da atualização dos funcionários o caminho para minimizar os lapsos estruturais existentes.

A falha no treinamento dos funcionários é reconhecida: o entrevistado (3) considera o atendimento da biblioteca bom, mas procura orientar os funcionários para que melhorem sempre, no sentido de diminuir as reclamações. A BCX ressente-se também da alta rotatividade, ocasionando a entrada de pessoas inexperientes que precisam de treinamento. Existem, entretanto, discordâncias quanto ao nível da necessidade de treinamento, pois, conforme (2), os funcionários que atendem ao público já estão bem treinados para esta função.

Ainda com respeito aos funcionários, (2) considera que somente metade deles tem conhecimento suficiente para assessorar o usuário com competência. Além disso, ressaltou que os funcionários mais experientes preferem trabalhar durante o dia e os novatos são, então, colocados à noite, justamente o período de maior movimento. Colocou também que, em suas observações, notou que os funcionários mais tímidos não gostam de "chamar a atenção" dos usuários. Reforça, no entanto, que o pessoal de atendimento deve ter iniciativa, capacidade para tomar decisões imediatas e isto não acontece atualmente na BCX.

Embora o treinamento específico apresente falhas, o entrevistado (1) destaca que nos últimos anos o nível de escolaridade aumentou, com apoio da própria biblioteca, e hoje a maioria dos funcionários tem curso superior completo. Entretanto, os funcionários que lidam diretamente com os usuários estão num nível intermediário, segundo o entrevistado (2). Por isso, procura sempre incentivar a qualidade do atendimento por meio de reuniões, dicas e conversas.

Os deveres dos funcionários são, na opinião de (2), além das obrigações normais, pesquisar, ler e atualizar-se sempre, participar de cursos e treinamentos; os funcionários devem ter, ainda, educação e presteza para resolver os problemas do usuário. No entanto, entende (2) que o atendimento na BCX deveria ser feito por bibliotecários.

Existe um reconhecimento amplo por parte da equipe diretiva da unidade de informação sobre as condições para a apresentação de novos produtos e serviços, se bem que não tenham sido feitas pesquisas neste sentido. A biblioteca analisa os seguintes fatores para lançar um novo produto/serviço: os objetivos do novo produto/serviço, a adaptação desses objetivos aos objetivos da instituição, a integração deste item com os já existentes e com os de outras bibliotecas, possibilidade de expansão nos intercâmbios, orientação para conquistar novos clientes, potencialidade de utilização, expectativa quanto à predominância do novo produto/serviço sobre a linha atual.

A despeito de que não tenha ficado evidente em quais situações os fatores descritos foram considerados, a direção da BCX tem por hábito consultar os funcionários nos esforços de aprimoramento dos produtos e serviços existentes. Mesmo considerando a opinião deles importante, pois os funcionários têm contato mais direto com os usuários, obtendo informações que podem facilitar também para a criação de novos serviços, os contatos são informais e eventuais, gerando falta de diálogo.

Quanto à questão da sistemática de empréstimos e dos custos e dos preços dos produtos e serviços oferecidos pela BCX não existem diferenças de outras unidades de informação. Com relação a cobrança dos serviços, o entrevistado (3) comenta que estas taxas não são incompatíveis com os objetivos e finalidades da biblioteca, até porque as taxas de serviços que a BCX cobra, assim como as multas, são utilizadas para comprar novos equipamentos a aumentar a base de dados.

A BCX presta seus serviços de modo direto na biblioteca central, atendendo parcialmente projetos em andamento das setoriais, conforme respostas de (2) e (3). A diretora acredita que com a rede interna de microcomputadores, o atendimento aos usuários poderá ser feito nos próprios departamentos. No entanto, (2) entende que o atendimento poderia ser expandido ainda para outros locais, ou seja, atender à comunidade universitária e da cidade, em conjunto com escolas ou com a Biblioteca Pública — esta opinião não é unânime entre os respondentes.

Quanto ao fluxo de atendimento, os períodos de maior retirada são de abril a junho e setembro a dezembro, épocas de provas e trabalhos, o mesmo acontecendo com respeito ao fluxo de usuários. Já os serviços de referência são mais procurados entre outubro, novembro e nos meses de férias, pois os pesquisadores precisam encaminhar seus projetos, conforme relata (1).

Dentro deste recorte, uma opinião bastante interessante é a de (3), que não considera apropriado aumentar o fluxo de usuários no período de recesso escolar, pois "também têm de tirar as suas férias", opinião esta compartilhada pela diretora. Já para o entrevistado (2), com a atual estrutura, a biblioteca não comporta um aumento no fluxo de usuários durante as férias, pois já atendem a muitos professores.

Aqui é possível a abertura de uma discussão conceitual quanto ao verdadeiro papel de uma biblioteca universitária. Estaria este tipo de unidade de informação restrita às características do seu acervo, à localização dos usuários/clientes, à disponibilidade financeira e à garantia de oferecer um serviço mais especializado, ou deveria voltar-se para um atendimento mais amplo, destinado a abranger novos públicos?

No tocante aos controles de saída do acervo e dos serviços da biblioteca, estes são feitos, segundo (1), por meio de fichas e formulários, tentando facilitar o empréstimo e, ao mesmo tempo, controlar o patrimônio. Quanto às estatísticas de saída do acervo e dos serviços, estas são feitas por meio da reserva. O objetivo deste sistema, conforme (3), é de propiciar o conhecimento das áreas em que existem mais empréstimos, quais têm mais consultas e aqueles que estão sendo roubados. Acrescenta, ainda, que o empréstimo é definido de acordo com o regulamento, mas eventualmente abrem exceções para facilitar a vida do usuário.

Quanto à existência de algum tipo de controle da eficiência da distribuição, os respondentes mostraram-se discrepantes. Os entrevistados (1) e (3) disseram que a biblioteca faz esse controle por intermédio do número de reclamações, pelo aumento de empréstimos e pela quantidade de acervo e serviços. Já (2) colocou que a biblioteca não exerce nenhum tipo de controle sobre a eficiência dos órgãos responsáveis pela distribuição. Efetivamente, trata-se de falta de diálogo e de conhecimento da sinergia da unidade de informação, porquanto o seu próprio corpo diretivo apresenta falta de coerência nas respostas oferecidas a uma pesquisa.

A BCX, de acordo com (1), nunca utilizou processos de merchandising e que a sua localização foi escolhida por ser à entrada da universidade, já estando determinada no projeto-piloto, escolhido pela prefeitura do campus, como relatou (2). A biblioteca, segundo a diretora, é bem conservada, possuindo uma apresentação que favorece e atrai a atenção do usuário, e é considerada como um ponto turístico para escolas de primeiro e segundo graus. O entrevistado (2) considera a apresentação visual da biblioteca importante, pois é uma construção bela interna e externamente.

Para divulgação do nome e de seus produtos e serviços, a BCX participa esporadicamente de feiras e exposições quando convidada, dado que esta atividade não faz parte do planejamento da mesma, como informa os dirigentes. Constata-se, portando, que a unidade não procura oportunidades para uma maior presença comunitária, não especificamente no sentido de atrair novos usuários, o que, talvez, não fosse o caso, mas para colocar-se diante da comunidade, fazendo-a parceira em determinadas iniciativas, por exemplo, na questão dos recursos financeiros.

Segundo (1), a BCX não possui um programa de divulgação estabelecido, não gasta com propaganda ou marketing e, nem mesmo, recebem apoio da assessoria de marketing da universidade — o que constitui um importante ponto para reflexão. Entende (3) que é necessário efetivar-se na BCX um programa de divulgação para que o usuário e a comunidade tenham conhecimento das atividades que são desenvolvidas pela organização. Assim, por falta de apoio institucional e instrumental, os programas são planejados e executados pela própria biblioteca.

Na opinião de (2), o planejamento de aspectos mais amplos são relegados, enquanto as funções rotineiras continuam sendo privilegiadas, entendendo a mesma que essa responsabilidade transcende os limites da BCX.

Em virtude disso, os apelos de divulgação da BCX são dirigidos a quem "utiliza" o acervo e os serviços e a quem "influencia a procura" deles, pedindo a participação e a colaboração das pessoas, visando, ainda, promover a educação do usuário, principalmente com respeito à preservação e restauração de materiais.

A técnica de divulgação é escolhida em razão do veículo utilizado, do cliente e do produto e/ou serviço em questão, conforme (2) e (3). Os veículos são normalmente escolhidos pela própria biblioteca, que emprega: jornal, televisão, boletim interno, faixas, cartazes, rádio, murais, correspondência interna, saldo bancário via microcomputador.

Essa relação de veículos não é pacífica para todos os respondentes, e mesmos as opiniões sobre os resultados alcançados diferem. Os melhores resultados são obtidos, na opinião de (1), pelo informativo semanal interno e pelo saldo bancário via microcomputador. Segundo (2), são a imprensa e o rádio, e acredita, ainda, que deveria ser implantado um boletim informativo da biblioteca.

As campanhas objetivam ampliar a faixa de clientes, o volume de saída do acervo e dos serviços, facilitar o acesso do usuário à obra ou serviço desejado, assim como a preservação de materiais. Nessas campanhas, sempre procuram apelar para a razão da pessoa. O entrevistado (2), por exemplo, disse preferir as campanhas que usam o humor, pois não gosta de nada moralista ou que pretenda dar "sermão" no usuário.

As pessoas que a biblioteca conta para auxiliar nestas campanhas são: bibliotecários, usuários, auxiliares, professores, centros acadêmicos, administração superior. Isto demonstra um bom envolvimento da comunidade interna com as questões da biblioteca, embora seja questionável a citação da administração superior, pela falta de colaboração da assessoria de marketing e pela inexistência de aplicação de recursos para otimizar as campanhas realizadas.

Embora (3) afirme que ainda estava esperando os resultados das campanhas para avaliar sua eficácia, para (1) e (2) os critérios de avaliação da eficiência das campanhas são: aumento do número de clientes, de doações, de material restaurado e recuperado e diminuição do vandalismo.

ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO

Neste item da Pesquisa Institucional cabe a análise dos procedimentos de produção, a fim de saber se estão de acordo com aquilo que se espera para atingir os objetivos previamente estabelecidos, atendendo às exigências da organização e de seus clientes. A administração da produção deve ainda prever a adequabilidade do homem à máquina, em função de que o esforço produtivo não venha a reduzir o ser humano em mais um equipamento à disposição das rotinas previamente estabelecidas.

Além disso, no caso de uma unidade de informação, mais do que em outros tipos de organização, a prestação de serviços fundamenta-se no pessoal de atendimento, seja profissional da área ou não. Todos devem estar imbuídos de suas responsabilidades; caso contrário a biblioteca apenas irá perpetuar valores antigos de preservação de um acervo que poderá tender a não mais servir para ninguém.

A análise deste item tem início com definição daquilo que deverá ser produzido. A quantidade de pedidos do acervo é determinada conforme a área. Os cursos que têm mais alunos tendem, evidentemente, a possuir mais livros à sua disposição. O ponto crítico da produção da BCX, segundo (3), é a falta de recursos financeiros, que acarreta a falta de atualização do acervo e dos equipamentos, bem como a escassez de recursos humanos qualificados. Com o acervo não utilizado é feito intercâmbio com outras bibliotecas.

Os produtos/serviços padronizados da BCX abrangem o atendimento, portaria e circulação. Já os diferenciados são os levantamentos bibliográficos e a comutação. A padronização traz de benefícios para a organização e, na visão de (3), uma maior eficiência nos serviços, por isso defende que os setores possuam, individualmente, serviços padronizados para facilitar o trabalho. A diretora informou que toda a parte administrativa da BCX é padronizada. Esta padronização favorece a consulta dos usuários e também traz facilidades para os funcionários. Padronizados ou não, os produtos e serviços são, segundo (3), constantemente avaliados na tentativa de detectar falhas e corrigi-las, porém não explicou como isto é feito.

Efetivamente, este fator constitui uma questão importante: primeiramente, há o desconhecimento da história ou mesmo das experiências passadas da unidade; em segundo lugar, demonstra uma falta de percepção do contexto atual, quando são aplicadas somente rotinas, sem uma tentativa de colocar em prática novos pressupostos, novos métodos ou técnicas, mesmo considerando-se a escassez de recursos.

Numa organização que trabalha essencialmente com informação e relacionamento público, novas possibilidades de colocar à disposição dos usuários o acervo existente no local e mesmo em outras instalações torna-se estratégico para a própria existência da unidade.

Com relação ao planejamento da produção, a direção entende que o trabalho da biblioteca é parcialmente planejado, levando em consideração a qualidade da mão-de-obra e o número de funcionários disponíveis. Entende, também, que o planejamento deve ser flexível, pois o ambiente externo obriga, geralmente, a mudá-lo.

Informou, ainda, que já fez estudos de racionalização e mecanização das movimentações de materiais e estudos que determinaram tempos-padrão para cada operação, que consistiram em questionário e entrevistas com todos os funcionários, porém não foram informados os resultados. Na época da pesquisa, o único instrumento utilizado para a racionalização do trabalho foi, de acordo com (2), o fluxograma.

No entanto, na opinião de (2), outros estudos poderiam ser executados para promover a melhoria geral das condições de trabalho na BCX, tendo como objetivos: simplificar tarefas; diminuir e eliminar as movimentações de funcionários e materiais; melhorar as condições higiene e segurança de trabalho (luz, ventilação, eliminação de ruídos, de gases e de poeira, limpeza, etc.); estudar novos leiautes e melhoria dos existentes.

O mesmo entrevistado também citou: padronizar máquinas, materiais e métodos de trabalho; elaborar projetos técnico-econômicos de modernização dos equipamentos e de adaptações que venham a aumentar a eficiência dos serviços prestados; executar a aplicação ótima de materiais utilizados pela biblioteca, minimizando os decorrentes do processo de trabalho; desenvolver novos produtos e serviços e aperfeiçoar os existentes; delinear métodos específicos para cada produto/serviço.

CONTROLE DE QUALIDADE

Destaca-se, na administração da produção, o controle de qualidade dos produtos e serviços oferecidos pela unidade de informação. A produção de qualquer objeto ou a prestação de serviços envolve cuidadosas medidas de controle de qualidade, que é exercido pelo produtor e controlado pelo usuário.

O acompanhamento da qualidade reveste-se de relevância porque o conceito público da organização será afetado se esta for conhecida como produtora ou prestadora de serviços de qualidade duvidosa. A organização estará descumprindo a sua finalidade básica, que é retribuir no mesmo nível o "pagamento" realizado pelo sistema de troca estabelecido.

Embora haja a consciência dos dirigentes de que a BCX não tem qualidade total, alguns conceitos de qualidade estão presentes em suas respostas. Para (3), deve ser uma preocupação constante visando melhorar a eficiência dos serviços; segundo (1), é determinar o uso da biblioteca e a manutenção ou aumento do número de usuários. Mesmo não exibindo uma medida concreta, para (3) a perfeição e o cumprimento dos trabalhos são padrões de qualidade observados pela biblioteca, bem como a qualidade de atendimento, a atualidade do acervo e a informação rápida e segura, conforme (1).

A qualidade na BCX é vista como um conceito lato, com um enfoque que não privilegia a técnica mais apurada. Não são apresentados índices ou padrões determinantes de qualidade e nem foram anotados comentários que permitissem uma apreciação exata da real situação.

Como exemplo disto, uma nova e grave dicotomia é relatada: enquanto (3) afirmava que o desenvolvimento de um produto ou serviço novo já prevê as formas de controle de qualidade e que a BCX tem condições de suprir todas as necessidades para controlar a qualidade dos seus produtos ou serviços, o entrevistado (1) confirmou que o desenvolvimento de um produto ou serviço novo não prevê as formas de controle de qualidade. Acredita (1) que a biblioteca deveria ter assessoramento institucional para implantar um programa de qualidade para os seus produtos/serviços.

Rudimentos de processos institucionais de qualidade são apresentados quando o entrevistado (3) informa que, nas reuniões, é estimulada a participação das divisões na preocupação com a qualidade, que estas participam da fixação da qualidade por meio de observação pessoal, reuniões e relatórios. A biblioteca estimula o trabalho em grupo, pois a própria característica da organização é uma divisão completar a outra, com o trabalho em grupo sendo mesclado com o individual, dependendo do setor.

Quando se fala em qualidade, a questão das reclamações dos usuários assume um destaque amplo: as reclamações são estudadas e, se tiverem fundamento, podem ser colocadas em prática, alterando um produto ou serviço da BCX, pois, segundo (1), são eles a razão de ser da biblioteca. Já as reclamações dos funcionários são discutidas com os chefes de divisões ou por meio de reuniões, se o caso for mais sério.

Uma das sugestões normalmente empregadas para apoiar os esforços de qualidade das organizações em geral é a implantação de Círculos de Controle de Qualidade ou processos equivalentes. A BCX não possui CCQs e, segundo a diretora, a organização poderia até implantar, mas afirmou não conhecer os detalhes de funcionamento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A necessidade de uma filosofia de qualidade constitui uma das mais destacadas exigências deste final de século. Se fossem implantados os princípios da qualidade na organização, os principais fatores de aglutinação seriam estimular a confiança e a lealdade dos funcionários de qualquer nível, investir nos funcionários tanto ou mais do que o canalizado para máquinas e equipamentos.

Isto, evidentemente, traria benefícios institucionais valiosos no relacionamento dos diversos públicos da unidade de informação, observar constantemente a contribuição dos funcionários, e delegar tarefas, competências e responsabilidades como o procedimento usual da organização.

Em resumo, podem ser concretizadas, pelos dados levantados pela Pesquisa Institucional, as principais conclusões da análise da BCX:

conflito no relacionamento entre os funcionários;

falta de cooperação entre os setores;

baixo número de bibliotecários e elevado número de técnicos;

ausência de um planejamento estruturado;

dificuldades para criação de novos serviços;

dificuldades para a compra de equipamentos e atualização do acervo, devido à falta de recursos;

ausência de estudos ou pesquisas junto aos usuários;

desconhecimento da história da organização;

dificuldade de execução do planejamento (recursos financeiros, humanos e materiais).

De positivo, foi verificado: espaço físico adequado com boa apresentação visual, flexibilidade de horário para os funcionários, disciplina na hierarquia, respeito à opinião dos funcionários, desde que não envolva conhecimento técnico próprio dos bibliotecários, concordância do diretor e chefes em vários pontos, órgão respeitado dentro da universidade, segundo sua diretora, bom conceito junto a órgãos de fomento (CNPq, CAPES), preocupação com as necessidades dos usuários.

Em face deste cenário, torna-se necessário que a cúpula administrativa da BCX leve em consideração algumas variáveis, dentre as quais a questão da informação, em seu sentido lato e restrito, porquanto a resposta à qualidade é responsabilidade de todos — da administração aos serviços de base. Mas, para que isto ocorra, torna-se imperativo que o ciclo de comunicação interna funcione de tal modo que o público interno da BCX perceba claramente o valor de sua contribuição, que no desenvolvimento de produtos e serviços, que para a organização e para o "cliente".

Portanto, investir em qualidade total significa definir claramente os objetivos a atingir, as normas a serem utilizadas, as características do produto/serviço final desejado. Isto depende, acima de tudo, no nível de conhecimento e envolvimento da equipe da BCX.

NOTAS

[ 1 ] MULLER, Mary Stela, FORTES, Waldyr Gutierrez, FORTES, Liceia Cianca.  A questão cultural na organização bibliotecária: a administração de bibliotecas no contexto das universidade estaduais paranaenses.  Lodrina: UEL, 1995.  Pesquisa aprovada pelo CNPq.

[ 2 ] FORTES, Waldyr Gutierrez.  Pesquisa institucional: diagnóstico organizacional para relações públicas.  São Paulo: Loyola, 1990.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARANTES, N.  Sistemas de gestão empresarial: conceitos na administração de empresas válidas.  São Paulo: Atlas, 1994.

CABRERA, L. C.  Transição 2000: tendências e estratégias.  São Paulo: Makron Books, 1993.

DRUMOND, Regina Coeli Chassim.  Qualidade e produtividade.  Belo Horizonte: Mazza, 1993.

FLEURY, Maria Tereza Leme.  Aprendendo a mudar, aprendendo a aprender.  Revista de Administração de Empresa, São Paulo, v. 30, n. 3, p. 5-11, jul./set. 1995.

FLEURY, Maria Tereza Leme.  Cultura da qualidade e mudança organizacional.  Revista de Administração de Empresa, São Paulo, v. 33, n. 2, p. 26-34, mar./abr. 1993.

JOIA, L. A.  Reegenharia e tecnologia da informação: o paradigma do camaleão.  São Paulo: Pioneira, 1994.

MÜLLER, Mary Stella.  A comunicação na administração de bibliotecas universitárias: estudo das práticas, procedimentos e/ou comportamentos comunicacionais interno em interface com a cultura organizacional da instituição biblioteca universitária.  São Paulo, 1993.  335 p.  Tese, Doutorado, Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo.

PINTO, Eduardo. Comunicação para a produtividade: o que você tem a ganhar com a comunicação empresarial. São Paulo: Atlas, 1994.

Publicação original: MULLER, Mary Stela, FORTES, Waldyr Gutierrez, FORTES, Liceia Cianca.  Qualidade na biblioteca: uma metodologia de análise.  In: SEMINÁRIO SOBRE AUTOMAÇÃO EM BIBLIOTECAS E CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO, 6.; Águas de Lindóia - SP, 1997.  Anais..., [Águas de Lindóia]: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1997.  p. 234-246.