A HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL NO BRASIL
Cláudio Amaral
Jornalista
DOS ESTADOS UNIDOS PARA O MUNDO
A Comunicação Empresarial surgiu nos Estados Unidos, no
início do século. Mais precisamente em 1906. Naquele ano, em Nova Iorque, Ivy
Lee decidiu deixar o jornalismo de lado para montar o primeiro escritório de
Relações Públicas do mundo.
Lee mudou de atividade com o objetivo de recuperar a
credibilidade perdida pelo poderoso empresário John D. Rockfeller.
Rockfeller era, na época, o mais odiado de todos os
empresários dos Estados Unidos. Motivo: assim como os mais destacados donos de
empresas daquele país, ele vinha sendo acusado de combater impiedosamente as
pequenas e médias organizações. Era "feroz, impiedoso e
sanguinário". E não media esforços em busca do seu principal objetivo: o
monopólio ou melhor: o lucro fácil que o monopólio acabava gerando.
Segundo Chaparro, em
O Processo de Relações Públicas,
livro de autoria da pesquisadora norte-americana Hebe Wey, é possível ler que
"denunciados, acusados e acuados" pela imprensa, os grandes
capitalistas dos Estados Unidos encontraram uma saída: contratar o jornalista
Ivy Lee. Para eles, Lee era o único caminho que imaginavam para evitar novas
denúncias, "a partir de uma nova atitude de respeito pela opinião
pública".
Até então a opinião pública não tinha a menor
importância para eles.
O escritório criado por Lee passou a fornecer à imprensa
"notícias empresariais para serem divulgadas jornalisticamente e não como
anúncios ou como matéria paga". Na opinião de Wey, "eram
informações corretas, de interesse e de importância para o público".
Eram informações tão honestas, segundo podemos concluir, que acabavam
evitando novas denúncias contra os empresários mal falados, de acordo com a
citada pesquisadora norte-americana.
Mas, como Lee conseguiu convencer a imprensa de que seu
trabalho era sério, honesto e profissional? O que ele fez para vencer a
barreira e a desconfiança que tantas dores de cabeça e decepções, tantos
prejuízos, enfim, geraram para todos os profissionais sérios e honestos que
há décadas vêm tentando fazer Comunicação Empresarial no Brasil?
O primeiro encarregado de Relações Públicas do mundo
conseguiu sucesso imediato e prolongado, ganhou dinheiro e fez escola, porque,
segundo Hebe Wey, escreveu e adotou uma carta de princípios que até hoje
representa "uma excelente orientação para os especialistas
modernos":
"Este não é um serviço de imprensa secreto. Todo o
nosso trabalho é feito às claras. Nós pretendemos fazer a divulgação de
notícias. Isto não é um agenciamento de anúncios. Se acharem que o nosso
assunto ficaria melhor na seção comercial, não o usem. Nosso assunto é
exato. Mais detalhes, sobre qualquer questão, serão dados prontamente e
qualquer diretor de jornal interessado será auxiliado, com o maior prazer, na
verificação direta de qualquer declaração de fato. Em resumo, nosso plano é
divulgar prontamente, para o bem das empresas e das instituições públicas,
com absoluta franqueza, à imprensa e ao público dos Estados Unidos,
informações relativas a assuntos de valor e de interesse para o
público".
O trabalho de Ivy Lee para seu cliente fez tanto sucesso
junto à imprensa e à opinião pública, que Rockfeller passou de "patrão
sanguinário" a "benfeitor da humanidade".
Lee morreu "por volta de 1935, quando dirigia o
Departamento de Relações Públicas da Chrysler". E deve ter morrido
feliz, porque a atividade que ele inventara havia sido adotada em inúmeras
empresas e órgãos públicos. Passara a ser estudada, inclusive, em
universidades do porte e do prestígio de Yale, Harvard e Colúmbia, que criaram
cadeiras específicas e começaram a formar especialistas em Relações
Públicas.
Dos Estados Unidos, as Relações Públicas foram
sucessivamente para o Canadá (1940), França (1946), Holanda, Inglaterra,
Noruega, Itália, Bélgica, Suécia e Finlândia (1950) e Alemanha (1958).
Segundo a estudiosa Monique Augras, nos Estados Unidos, em
1936, seis em cada grupo de 300 empresas tinham serviços de Relações
Públicas; em 1961, a relação era de 250 em 300; em 1970, beirava 100%.
NO BRASIL, A PARTIR DE JK
As Relações Públicas e, por conseqüência, as atividades
de Comunicação Empresarial, vieram para o Brasil nos anos 50, com as
indústrias e as agências de propaganda dos Estados Unidos.
Chegaram atraídas pelas vantagens oferecidas pelo governo do
presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
JK havia assumido a Presidência da Republica em meados dos
anos 50 com a disposição de fazer "50 anos em 5". Conseqüentemente,
ele criou condições para que viessem para o Brasil as primeiras montadoras de
veículos automotores. Fábricas de produtos de higiene, também. Como a Colgate
Palmolive, onde se iniciaram na Comunicação Empresarial profissionais como
Vera Giangrande e Antônio De Salvo.
Segundo De Salvo, o primeiro RP do Brasil foi Rolim Valença,
que em 1960 começou a aprender a profissão na J. W. Thompson. Três anos
depois ele criou a primeira agência de Relações Públicas do país, a AAB.
Foi também por volta de 1960 que Antônio De Salvo começou
a visitar as redações de jornais em São Paulo, capital e interior. Ele fazia
o trabalho ingrato de convencer os editores a dar notícias a respeito das
atividades e produtos da empresa onde trabalhava.
Naquela época – contou-me De Salvo na manhã do dia 4 de
fevereiro de 1999, em sua sala, na ADS – os jornais não publicavam notícias
de economia, quanto mais de empresas. As notícias eram de literatura, cultura,
esportes, política, religião etc.
"Fui obrigado a convencê-los de que as empresas e seus
produtos também mereciam ser notícias", disse-me De Salvo.
"As Relações Públicas tiveram no Brasil um
vertiginoso desenvolvimento a partir de 1964", lembra Manuel Carlos
Chaparro em sua dissertação de Mestrado na USP. "Com elas, generalizou-se
também, na iniciativa privada e no serviço público, a prática de Assessoria
de Imprensa. E, tal como aconteceu nos Estados Unidos, as duas atividades
atraíram muitos jornalistas."
A regulamentação da profissão de Relações Públicas foi
decretada em 1968. Foi tão ampla que acabou gerando conflito com a de
jornalista, assinada em 1969.
Durante mais de 20 anos os profissionais de Relações
Públicas e os jornalistas lutaram para provar que a elaboração de
press-releases, por exemplo, era uma prerrogativa de apenas uma profissão. Os
RPs nunca se conformaram também com a eventual ascensão de um jornalista ao
posto de assessoria mais qualificado dentro da empresa ou do órgão público
onde trabalhavam profissionais das duas categorias. Para eles, cabia ao RP ser o
comandante, o formulador da política de Comunicação Empresarial.
De Salvo é contra essa disputa e diz que a regulamentação
acabou prejudicando os RPs. Se assim não fosse – afirma o fundador da ADS, em
1971 – profissionais como os jornalistas Miguel Jorge e Walter Nori seriam
Vice-Presidentes de RP e não de Assuntos Corporativos da Volkswagen e de
Comunicação da Scania Latin América, respectivamente.
A verdade é que, como somos muito corporativistas – todos:
jornalistas e relações públicas, em especial – nunca paramos para pensar
que seria bem melhor unirmos forças e esforços para difusão das atividades de
Comunicação Empresarial. Nunca, jamais, as entidades do setor se uniram para
fazer uma campanha institucional em benefício de todos os profissionais que
trabalham em Comunicação Empresarial. Sejam eles relações públicas,
jornalistas, publicitários, marqueteiros, advogados, historiadores,
administradores de empresas, sociólogos, engenheiros das mais diversas
especialidades e até quem jamais passou pela porta de uma faculdade.
Com a palavra os sindicatos de jornalistas, radialistas e
publicitários, o Conrerp (Conselho de Relações Públicas), a Aberje, a Aneci
(Associação Nacional das Empresas de Comunicação Empresarial), o Sinco
(Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação Empresarial) etc.
O QUE É COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Qual foi a principal atividade desenvolvida pelo jornalista
Ivy Lee, assim que ele estabeleceu o primeiro escritório de Relações
Públicas em Nova Iorque, em 1906?
Para recuperar a imagem do empresário John D. Rockfeller,
conhecido como "patrão sanguinário", Lee escrevia notícias a
respeito das atividades de suas empresas. Em seguida, dirigia-se às redações
para convencer os editores de jornais a publicá-las como notícias e não como
anúncios ou matérias pagas.
No Brasil – e certamente em todos os outros países –
aconteceu exatamente o mesmo, de acordo com o depoimento que me foi dado na
semana passada por Antônio De Salvo.
Conclusão: há mais de 90 anos os RPs faziam exatamente
aquilo que é mais comum entre os assessores de imprensa: elaboração e
distribuição de notícias.
Mas como Lee precisava de fatos para ter notícias, ele
começou a interferir no dia-a-dia do seu cliente. E a primeira providência que
tomou foi derrubar barreiras entre Rockfeller e o público. Imediatamente, o
empresário dispensou sua segurança e passou a circular sem os guarda-costas
que o acompanhavam 24 horas por dia. Depois, Lee fez com que Rockfeller
cooperasse com o Congresso nas investigações a respeito das denúncias de que
ele havia mandado atirar nos seus funcionários em greve. Pelo seu ineditismo,
essa atitude foi destacada positivamente pela imprensa. Por fim, Lee fez com que
Rockfeller criasse numerosas fundações de interesse público. Entre elas a
Fundação Rockfeller para Pesquisa Médica. Foi a partir daí que o maior
empresário da época acabou reconhecido como "benfeitor da
humanidade".
E, no Brasil, quando foi que os profissionais de
Comunicação Empresarial passaram a criar fatos que viriam a ser notícias?
Certamente não foi muito depois de 1960, ano em que as Relações Públicas
começaram a ser praticadas profissionalmente por aqui. Até porque tudo o que
as multinacionais produziam era novidade para os brasileiros. Em especial os
automóveis. E todos nós sabemos que até hoje a indústria automobilística é
quem mais gera notícias de negócios e a respeito de novos produtos no Brasil.
Foi assim que surgiram os eventos em que a Volkswagen, a
Ford, a General Motors, a Fiat e outras montadoras de veículos automotores –
instaladas ou não no Brasil – apresentam suas novidades para jornalistas dos
mais diferentes jornais e revistas do País. No Brasil e até mesmo no exterior.
Tudo sob o comando de relações públicas e jornalistas. De profissionais de
Comunicação Empresarial, enfim.
Foi assim também que surgiram as entrevistas coletivas e os
tradicionais almoços de fim de ano, quando as empresas reúnem repórter,
pauteiros, editores e diretores de redação para anunciar os resultados do ano
que termina, os planos para o ano novo e, de quebra, dar um bom brinde para cada
um. Como este relógio que eu estou usando e que me foi dado pela Nestlé num
final de ano que já vai longe. A mesma Nestlé que me deu um minigravador muito
útil nas minhas entrevistas, um rádio-relógio-telefone que há mais de dez
anos reina absoluto no criado-mudo de minha mulher e muitos chocolates.
Isso, entretanto, não é tudo. Tem mais. Muito mais.
Especialmente no livro O que é Comunicação Empresarial, escrito por Paulo
Nassar e Rubens Figueiredo para a Coleção Primeiros Passos da Editora
Brasiliense. Lá estão relatados e detalhados inúmeros eventos promovidos por
empresas que praticam políticas de bom relacionamento com suas comunidades e os
usuários de seus produtos e serviços.
Entre eles encontram-se o
ABC da
Mecânica Chevrolet, o revolucionário e histórico Plano de Comunicação
Social da Rhodia, a cartilha sobre a ética no ambiente de trabalho que a 3M fez
para seus trabalhadores, o Prêmio ECO da Câmara Americana de Comércio, a
Ciranda da Ciência da Hoechst e da Fundação Roberto Marinho, o Prêmio Moinho
Santista, o Prêmio Caymmi da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene), a
restauração do Mosteiro de São Bento (um dos mais importantes monumentos
históricos de Salvador) pela Construtora Norberto Odebrecht e o anúncio
veiculado pela GM em defesa da Mata Atlântica, em que a empresa declarava:
"A General Motors está investindo nesta região para construir
absolutamente nada".
Diante de tudo isso vemos que no Brasil os profissionais de
Comunicação Empresarial atuam nas diferentes frentes da Comunicação Social
ou de Massa:
FATOS RELEVANTES NO BRASIL
Os profissionais de Comunicação Empresarial que se
aventuraram a fazer o meio de campo entre seus clientes ou patrões
(representados por empresas, empresários, órgãos públicos e seus
dirigentes/políticos) e a imprensa (jornais, revistas, rádios, tevês etc.)
enfrentaram os mais variados tipos de preconceito e discriminação ao longo de
muitos anos.
No início, a culpa era dos profissionais de redação. Eles
não conheciam as peculiaridades e não entendiam as sutilezas do trabalho dos
jornalistas e dos profissionais de Relações Públicas que iam aos veículos
levar notícias. Foi preciso muita paciência e dedicação para abrir espaço
nas páginas de nossas principais publicações dos anos 60.
Depois, com o advento da ditadura militar e o conseqüente
crescimento da corrupção, a partir de 31 de março de 1964, muitos
empresários, políticos e até mesmo assessores de imprensa, todos
inescrupulosos, não resistiram à tentação de dar bons presentes aos
jornalistas. Presentes e às vezes até empregos fantasmas. E com os chamados
jabaculês eles compraram alguns repórteres, redatores e editores que abriram a
eles espaços indevidos.
Essa prática acabou gerando má vontade cada vez maior por
parte dos jornalistas honestos em relação a toda a categoria dos assessores de
imprensa.
Em meados dos anos 70, quando deixei a redação do
"Estadão"
em direção à Secretaria da Agricultura, meu amigo Meninão me deu o seguinte
conselho: "Agora que você vai ser assessor de imprensa, evite dar
presentes a jornalistas; se você der pra um, vai ter que dar para muitos; esse
é um caminho sem volta".
Como era cada vez mais difícil pôr notícias em veículos
sérios, alguns donos de empresas de Relações Públicas e assessoria de
imprensa passaram a usar um novo artifício: mandavam às redações as moças
mais bonitas e bem torneadas que encontravam nas faculdades de comunicação
social. E algumas, como ganhavam um salário fixo pequeno e uma gratificação
interessante por notícia publicada, faziam até o que não deviam com os
garanhões das redações.
Por essas e outras, os profissionais sérios e escrupulosos
encontravam cada vez mais dificuldades para o cumprimento do dever nosso do
dia-a-dia.
As assessorias de imprensa só vieram a ganhar credibilidade
a partir de 1978, após a última greve dos jornalistas de São Paulo. Por quê?
Porque com a greve ocorreram muitas demissões nas redações e os demitidos
tiveram que migrar para o nosso setor. Muitos como empregados e outros como seus
próprios patrões.
"Alguns nomes conhecidos foram trabalhar em assessorias,
o que levou a uma mudança na imagem dessas empresas", lembra Walter Nori
na página 119 do livro Portas Abertas.
Seja por causa da greve de 1978 ou pelas vantagens que ela
acabou gerando para as atividades de Comunicação Empresarial, hoje é
possível encontrar na nossa área um número incalculável de jornalistas do
primeiro time da profissão. Gente experiente e premiadíssima. Prêmios Esso
aos montes.
Nem por isso, entretanto, ficou mais fácil fazer
Comunicação Empresarial no Brasil. E a lógica é simples: com o crescimento
das assessorias de imprensa, o espaço na mídia passou a ser disputado por um
número cada vez maior de assessores e clientes. Ao mesmo tempo, as sucessivas
crises econômicas fizeram com que diminuísse a verba publicitária e, por
conseqüência, o volume de páginas editoriais.
Um exemplo: nos anos 80, os anos de ouro para a COMUNIC, os
eventos patrocinados por nossos clientes (Volkswagen no automobilismo, Marlboro
na Fórmula 1 e no motocross, Melitta, Vat 69 e Campari, entre outros, no
tênis) tinham suas marcas exibidas diariamente nas páginas dos 50 maiores
jornais do País e em quase todas os programas de esportes da televisão. Hoje
– e ao longo de todos os anos 90 – isso só seria possível se, além de
patrocinar eventos, essas marcas comprassem espaços na mídia.
A INTERNET NA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
A Internet mudou a vida de todos nós que estamos
informatizados e não poderia deixar de dar sua contribuição também para quem
faz Comunicação Empresarial.
A partir da popularização da Internet no Brasil, em 1996,
quando foi criado o Universo Online, ficou muito mais fácil enviar notícias
aos jornais, revistas, rádios, tevês e agências noticiosas.
Ficou mais fácil também acompanhar a veiculação de
notícias ou seja fazer o clipping do material enviado aos jornais e revistas.
Mas a maior contribuição que a Internet nos trouxe foi a
possibilidade de disponibilizar textos e imagens em tempo integral.
No site da COMUNIC (http://www.comunic.com.br), por exemplo,
é possível encontrar tanto os 20 anos de história da empresa quanto detalhes
dos serviços que ela presta. Mas o mais importante é que lá estão as imagens
(fotos) que nós temos dos nossos clientes e seus produtos, suas marcas
(logotipos e ou logomarca) e os textos que elaboramos a respeito deles, de seus
produtos e de suas atividades.
Assim é possível dar aos colegas das redações um banco de
dados virtual, no qual eles podem buscar informações e ilustrações para suas
matérias a qualquer hora do dia, a partir de onde eles estiverem.
Acabou, portanto, a necessidade de os colegas de ligar para
minha casa às 11 horas da noite, aos sábados, domingos e feriados para pedir
uma informação ou foto que a COMUNIC havia distribuído na semana anterior e
que se havia perdido na redação.
Diante disso, fico pensando o quanto a Internet poderia ter
contribuído com a política de Portas Abertas da Rhodia.
É IMPORTANTE LEMBRAR QUE...
A Comunicação Empresarial não pode ser considerada apenas
uma definição de dicionário. Ou seja, simplesmente como "um conjunto de
métodos e técnicas de comunicação, dentro da empresa, dirigida ao público
interno (funcionários) e ao público externo (clientes, fornecedores,
consumidores etc.)". Até porque definições como essas precisam ser
sempre revistas em função das mudanças da sociedade e do ambiente empresarial
(O que é Comunicação Empresarial, página 18).
A imagem institucional de uma empresa é um ser vivo,
dinâmico. Hoje, pode estar saudável, bem vista, aceita, festejada. Amanhã?
Vai depender da história de hoje (O que é Comunicação Empresarial, página
21).
O serviço de comunicação das empresas não é coisa para
amadores (O que é Comunicação Empresarial, página 24).
Uma boa Comunicação Empresarial é condição primária
para uma boa imagem institucional da empresa (O que é Comunicação
Empresarial, página 24).
Se o trabalhador não conhece a empresa na qual trabalha e
não sabe qual é a filosofia que a anima, torna-se difícil estabelecer metas e
passar para os consumidores e a sociedade a imagem que se deseja (O que é
Comunicação Empresarial, página 42).
As empresas estão aprendendo que, tão importante quanto
aparecer bem, é saber escutar e interpretar o que os consumidores estão
tentando lhes falar. Ainda que eles estejam à beira de um ataque de nervos (O
que é Comunicação Empresarial, página 49).
No mundo moderno, quem descuida da imagem é um grande
candidato a colher fracassos, ao invés de lucros (O que é Comunicação
Empresarial, página 77).
A imagem de uma empresa é formulada a partir das
informações que a comunidade recebe a esse respeito. Sem uma comunicação
eficiente, a imagem será difusa ou ruim, pois será formada com base em
informações incompletas ou incorretas, em presunções e boatos (Portas
Abertas, página 65).
A comunicação deve ser permanente, independentemente do
comportamento do mercado ou do fato de a empresa ter ou não ações negociadas
em bolsa (Portas Abertas, página 66).
A comunicação requer agilidade e rapidez para se evitar, na
imprensa, a tão prejudicial expressão: "A empresa se recusou a falar
sobre o assunto" (Portas Abertas, página 76).
Comunicação não se limita ao release, peça jornalística
que ganhou força com o autoritarismo e começou a morrer com ele. O release
está cada vez mais desacreditado e deve, sempre que possível, ser substituído
por entrevistas (Portas Abertas, página 78).
O primeiro e principal público de uma empresa é o seu
efetivo, sem o qual todo esforço de comunicação redundará nulo (Portas
Abertas, página 86).
A comunicação não é útil, é indispensável; não é
despesa, é investimento; é um processo permanente (Edson Vaz Musa em Portas
Abertas, página 161).
Uma questão de formação, segundo Décio Miranda.
Essas observações me foram enviadas no dia 8 de fevereiro
1999, pelo jornalista e RP Decio Miranda, paulista do interior, como eu,
radicado em Brasília...
A comunicação empresarial, tanto interna como externamente,
mesmo onde existe assessoria específica, só não é melhor, na quase
totalidade dos casos, por culpa da direção das empresas. Quase sempre, do
presidente. Diante da necessidade de construir um simples galpão, por exemplo,
o presidente da empresa pede ao engenheiro que prepare um projeto. Ele não
determina que esse profissional use o material tal, ferro de tantas polegadas,
tipo de argamassa, ou que a edificação tenha tal medida de pé direito. E não
faz essa besteira porque quem entende do negócio, do material a ser utilizado e
em que volume, é o engenheiro, um especialista.
Mutatis mutandis, o empresário não chama sua assessoria
jurídica e diz: prepare uma ação contra a Receita Federal, por exemplo, e
siga a seguinte linha, com os seguintes enfoques...
Nenhum empresário se mete a dizer ao médico da
organização como conduzir seu comportamento clínico. Todos eles, no entanto
– empresários, líderes setoriais, diretores de entidades representativas e
vai por aí afora – se acham no direito de orientar, conduzir, quando não de
ditar desde um release à elaboração de projetos de comunicação. Não pedem
sugestão, não têm a humildade de dialogar, de trocar idéias, de pedir um
projeto, como fazem com o engenheiro, com o advogado etc.
Com tal comportamento, desrespeitam o profissional de
comunicação – tão profissional como o médico, o advogado, o engenheiro –,
quando não o humilham perante a comunidade interna, em prejuízo da própria
organização. Por que acontece assim? Por que o empresário não trata o
profissional de Imprensa como trata os das demais áreas? Por que, não raro, as
organizações empresariais põem na chefia de Comunicação pessoas de
confiança, mas que nada têm a ver com o ramo? (advogados, economistas...)
Nunca me dediquei a buscar essas respostas. Penso, no
entanto, que elas deverão ser procuradas em duas vertentes: primeira, o
despreparo de alguns "profissionais", aliado à arrogância, à falta
de disciplina organizacional. A cultura empresarial tem diferenças fundamentais
com a atuação nos limites de uma redação. Quando esses fatos ocorrem, os
titulares de comunicação empresarial, ou simples assessores de Imprensa,
transmitem sinais que dificultam a aceitação deles no meio.
A hipótese da segunda vertente é a seguinte: como todo
empresário, em princípio, sabe ler e escrever – mas não conhece princípios
jurídicos ou de engenharia – acha-se no direito de ditar regras no campo da
comunicação. A par disso, tem os que assim agem por prepotência, pelo desejo
de mostrar amplo domínio intelectual de tudo e por aí afora. Em resumo: as
organizações empresariais, representativas de classe, instituições
públicas, não estão preparadas, ainda, para conviver de forma profissional
com a área de comunicação. O problema é que só muito tarde – e só alguns
– percebem quanto perdem com tal comportamento.
As faculdades deveriam cuidar dessas questões, pelo ângulo
formativo.

Originalmente publicado por Comunic.