A EVOLUÇÃO DE UMA FERRAMENTA ESTRATÉGICA
Gaudêncio
Torquato
Professor
da Universidade de São Paulo
Quero relatar, resumidamente, um pouco da história da
comunicação empresarial brasileira, já que acompanhei de perto essa atividade
nos últimos 30 anos. Caminhamos juntos: a Aberje já completou 30 anos e meu
ingresso na área de comunicação empresarial ocorreu em 1968, um ano após a
fundação da entidade.
No princípio havia o verbo, mas faltava a verba. Depois os
verbos se multiplicaram e as verbas se dividiram. Foi mais ou menos assim que se
desenrolou a história da comunicação empresarial no Brasil nos últimos 30
anos. No final da década de 60, na esteira da industrialização do Sudeste, o
conceito começava a correr solto e as empresas deram início a um processo de
interlocução com públicos mais amplos. Algumas poucas, já naquela época,
deram-se conta da existência de uma relação forte entre a empresa e a
sociedade. As organizações passaram a dizer para os empregados que deveriam se
orgulhar do lugar em que trabalhavam. E a demonstrar, cada vez mais claramente,
aos consumidores, que fabricavam produtos bons e prestavam serviços de
qualidade. Por isso, essas empresas consideravam-se honestas e merecedoras de
confiança.
Mas o dinheiro corria curto e não dava para fazer
comunicação interna e externa com a mesma força. O surto industrial e a
presença das multinacionais sofisticaram e ampliaram os modelos discursivos e
suas estratégias persuasivas, ensejando a repartição dos programas de
comunicação ao mesmo tempo em que se observava um misto de adensamento e
divisão das verbas. Hoje, o país apresenta alguns dos mais rematados sistemas
de comunicação organizacional do planeta, dando-se ao luxo de exibir alguns de
seus produtos aos olhos do mundo como exemplos de excelência técnica.
Um olhar para trás revela os passos iniciais desse processo.
Primeiro, o "jornalzinho" com cara de coluna social, às vezes
malfeito, mas sempre cheio de boas intenções. Em 1967, a Aberje fez sua
primeira convenção e o tema geral de todas as atividades foi a comunicação
interna. Era o momento em que se começava a desenhar mais claramente os
primeiros perfis dos profissionais de Relações Públicas, muito bem arrumados
e sempre próximos ao presidente da empresa.
O bem aparelhado sistema de Relações Públicas dos governos
militares, pólo emissor de um sistema de comunicação ufanista que, de alguma
forma, balizou as linguagens grandiloqüentes da comunicação empresarial na
década de 70, tinha, como seria óbvio esperar, hegemonia nos meios de
comunicação – alguns deles submetidos à censura prévia. Os Conselhos
Regionais de Relações Públicas abriam frentes de batalha contra os
jornalistas. Ambas as profissões, aliás, haviam sido regulamentadas por
decreto-lei do governo autoritário. O problema entre as categorias se deu
quando os jornalistas começaram a ocupar espaços que os profissionais de
Relações Públicas consideravam como seus. A disputa interna, nas empresas,
era em torno de uma das estruturas (imprensa ou relações públicas) que
comandaria a área da Comunicação.
E o mercado? Este, já na época, oferecia muitas
perspectivas. De um lado, sentia-se a necessidade de as empresas exporem sua
identidade, na tentativa de criar imagens compatíveis com o surto de
modernização do momento. De outro, impunha-se a meta da integração interna,
tradicionalmente buscada pelos programas tocados por Recursos Humanos, mas não
necessariamente com a eficiência que o mercado e a sobrevivência da empresa
requeriam. A partir dessa dupla escala de necessidades, desdobravam-se os
esforços e, em conseqüência, as visões diferenciadas em torno das estruturas
capazes de assumir as missões corporativas com maior competência.
Em razão de suas raízes históricas, as Relações
Públicas concentravam-se prioritariamente na área externa, planejando e
alavancando as estratégias de projeção de imagem. Recursos Humanos fincava o
pé e conseguia definir espaços internos para a execução dos programas de
comunicação das empresas. Por muito tempo, a comunicação interna das
companhias esteve na alçada das estruturas de Recursos Humanos, o que gerou
fortes disputas com o setor de Relações Públicas.
Daí em diante, chegamos ao momento em que o mercado de
trabalho jornalístico começava a dar sinais de saturação. O grosso dos
profissionais da imprensa ainda vivia em clima de "jornalismo
revolucionário", que atraía jovens interessados em abrir frentes de
batalha contra os "imperialistas", o poder econômico e as grandes
estruturas. Na prática, vivia-se a dicotomia do mundo dividido entre bons e
maus, oprimidos e opressores, esquerda e direita. Nas camadas intelectuais e nas
rodas de pensamento, os rótulos freqüentemente resvalavam pela classificação
comparativa de "apocalípticos" e "integrados".
Os meios jornalísticos eram os mais energizados pelas novas
linguagens. Por isso mesmo, para quem trabalhava na área da comunicação
empresarial, o setor corporativo se assemelhava a territórios da indecência,
aéticos por excelência e dados à corrupção e ao poder de cooptação. Um
inferno, por assim dizer. Ser assessor da imprensa, na época, era algo como ter
estampado na testa o selo "vendido ao capitalismo internacional".
Foi nesse contexto que tivemos a ousadia de enfrentar o que
hoje chamo de "paredão da moralidade", que, na verdade, nada mais era
do que um conjunto de preconceitos contra o capital. Deve-se lembrar que, na
década de 70, a clivagem ideológica regia-se por padrões já antigos: ainda
se pregava a luta entre classes enquanto as relações capital-trabalho se
apresentavam como um jogo de soma zero, em que a vitória de um deveria
significar a morte do outro. Parceria, integração e trabalho comum eram
verbetes sem direito a entrar nas páginas da negociação coletiva. Os manuais
dos trabalhadores e os dos empresários tinham alfabetos diferentes.
Era, portanto, um desafio inimaginável, quase um suicídio,
alguém da área acadêmica optar por um exercício reflexivo na área
empresarial. Mais ainda quando a reflexão abarcava o terreno da comunicação,
e, pior, quando essa se dava no âmbito do maior centro de produção
científica do país, um pólo da excelência do pensamento, a Universidade de
São Paulo.
Pois foi exatamente na ECA, Escola de Comunicações e Artes
da USP, que ousamos realizar nossos trabalhos acadêmicos de doutorado e
livre-docência, orientados inicialmente para a sistematização do jornalismo e
da comunicação empresarial e, posteriormente, para a construção de modelos
integrados de comunicação como definidores da eficiência e eficácia
organizacionais. A partir daí, iniciamos um longo percurso na área da
formação de alunos (graduação) e de professores (pós-graduação), dando
formato a disciplinas específicas em várias Universidades.
Esse movimento gerou dissertações e teses acadêmicas
diversas. O mercado de trabalho passou a receber corpos funcionais preparados,
cujos integrantes chegaram a galgar postos muito elevados nas estruturas
profissionais corporativas, em função de seu trabalho na comunicação
empresarial. Este é um ponto que a área da Comunicação tem a destacar.
Um a um, os velhos preconceitos foram caindo e as disputas
entre RP e jornalistas refluíram, principalmente porque o corporativismo dos
respectivos setores cedeu lugar à competência. As empresas passaram a
contratar profissionais pelo critério da qualidade profissional, não mais
exigindo categorizações exclusivas das áreas da comunicação. Nas empresas,
os modelos comunicacionais tornaram-se mais complexos com a emergência de
subáreas no sistema de comunicação.
Os setores de marketing, historicamente muito arredios,
também se aproximaram da comunicação empresarial em função da necessidade
de conceber e executar programas e projetos comuns. Por fim, até os mais
renitentes e resistentes "pensadores" contrários à atividade da
comunicação empresarial foram obrigados a rever suas posições. Alguns deles,
inclusive, ingressaram em empresas e órgãos públicos para executar exatamente
programas de comunicação empresarial.
Hoje, a comunicação empresarial está consolidada no Brasil
– seja nas estruturas, seja na linguagem, seja na forma dos veículos e
programas, seja na profissionalização dos quadros. Com o passar desses 30
anos, a atividade se sofisticou e ampliou seu leque de atuação. Mais
recentemente, a comunicação empresarial tem avançado também rumo ao
marketing político. Este avanço se deu enquanto mais se fortalecia um novo
espírito de cidadania, nascido de uma sociedade civil mais organizada e cada
vez mais cônscia de seus direitos e deveres.
A sociedade organizada deve procurar fazer valer, por todos
os meios e maneiras, seus interesses e pontos de vista junto ao Parlamento – o
que é legítimo. A novidade é que as empresas finalmente se descobriram como
parte da sociedade, como entes sociais que também têm voz na democracia. Dessa
forma, descobriram o marketing político para fincar suas posições junto ao
Congresso Nacional. Para atividades no campo empresarial, o marketing político
se desenvolve no sentido da definição estratégica, da análise da conjuntura,
da leitura dos ambientes e climas sociais e, sobretudo, da defesa dos interesses
de setores econômicos ou categorias profissionais junto ao Congresso Nacional.
É evidente que estou me referindo a um conceito de marketing
político bastante diverso do marketing político concebido para as campanhas
eleitorais ou para a sustentação das identidades partidárias. Trabalho o
termo político com o sentido de uma abertura para a sociedade política, para o
universo da locução, da palavra e das idéias.
As empresas brasileiras de todos os tamanhos passaram a ter
um papel político maior na sociedade, e a se fazer mais presentes no ambiente
da cidadania. Os empresários saíram de suas tocas e começaram a abrir seu
pensamento à mídia, defendendo posições fortes em prol da desestatização e
discutindo a eficiência das políticas públicas implementadas pelos governos.
Os empresários, enfim, passaram a ter um papel realmente mais político.
Enquanto isso, a empresa faz marketing político quando
transporta seu pensamento para a sociedade com o intuito de fixar sua
identidade, de defender-se ou de tomar uma posição. Ocorre que no Brasil o
termo político foi muito contaminado, e é quase sempre identificado com a
velha política partidária. Será preciso, por isso, resgatar esse
"novo-velho" sentido do político, dando-lhe um significado puro.
A comunicação não é um fim em si mesma: é uma
ferramenta-meio. Portanto, qualquer posição relativa à meta da inserção do
Brasil no quadro internacional da globalização tem de, preliminarmente,
considerar o próprio sistema econômico e o sistema político. Sozinha, a
comunicação não produzirá o milagre de fazer com que o mundo creia que o
Brasil é avançado ou desenvolvido. Para que isso ocorra, será preciso que os
sistemas econômico e político alcancem certos patamares de razoabilidade, de
equilíbrio e de estabilidade. A partir daí, a comunicação evidentemente
amplificará essa meta e estará mais identificada com os contextos
internacionais. Contudo, devemos reconhecer que o Estado brasileiro é muito
frágil e medroso na definição e operação de sua comunicação
institucional.
A comunicação institucional do governo ainda é muito
paternalista. Deveria, sim, ser trabalhada em nível muito mais vigoroso, muito
mais sério, procurando, inclusive, um ajuste maior na comunicação dos
diversos órgãos do governo. Para começar, o governo não tem uma linguagem
homogênea. Uma rápida análise da comunicação governamental apresenta o
governo brasileiro como um mosaico, onde cada pedacinho tem uma cor diferente.
Os ministros não se harmonizam em termos de discurso e a sociedade não percebe
um projeto geral de ação governamental. Ninguém sabe da existência de algum
grande projeto estratégico básico, com linhas e planos de longo e médio
prazos. O governo trabalha no varejo e, de certa forma, sua comunicação repete
isso.
Para que a comunicação institucional sirva melhor a seus
objetivos, o governo precisará resolver, primeiro, para onde está indo.
Pergunto: afora o Plano Real, qual é o grande programa do governo? É o
computador na escola? São as estradas? Quais as linhas estratégicas do
programa governamental brasileiro no médio e longo prazos? O programa
"Brasil em Ação" se assemelha a uma colcha de retalhos.
Retomemos o universo das organizações privadas e públicas
– as últimas aqui entendidas como não-estatais. Hoje, seria muito
interessante investigar a necessidade de programas de reengenharia
organizacional e, neste ponto, a importância da comunicação para o
equilíbrio dos ambientes internos. É preciso investigar mais e melhor a
ligação entre a cultura, o clima e a comunicação. Fala-se muito do
jornalismo e da comunicação empresarial do ponto de vista das culturas: faz-se
isso, porém, sem aferir com cuidado o nível do receptor.
É preciso trabalhar mais as culturas internas, estudar o que
elas são, como se criam e se desenvolvem, e qual é a influência da
comunicação no clima organizacional. E estudar também o contrário, isto é,
como o clima e a cultura organizacionais influem no sistema de comunicação.
Esse intercâmbio de posições ainda não está muito bem estudado no Brasil.
Muito menos todo um conjunto de situações ligadas ao receptor que precisa ser
observado com mais cuidado.
É preciso traduzir mais a especificidade da comunicação.
As pessoas têm o costume de transportar os modelos de um lado para o outro,
quando deveriam estudar coisas mais específicas. Eu me preocuparia mais, hoje,
em estudar os grupos formais e informais que constituem a empresa, em descobrir
como criar uma linguagem mais adequada e rápida para ser aplicada com a
tecnologia que chega às organizações. Deve-se pensar em como trabalhar melhor
as redes corporativas de computadores utilizando informações jornalísticas.
Trata-se de ampliar as possibilidades da comunicação eletrônica nas
organizações informatizadas, sem ficar apenas no modelo tradicional de jornal,
boletim e campanhas publicitárias.
Em função de toda essa trajetória histórica, rapidamente
resumida, o momento atual é do generalista; do profissional que, possuindo
conhecimentos específicos, ao mesmo tempo faz uma abordagem abrangente da
sociedade e da empresa. Não podemos mais ficar analisando as coisas de maneira
simplista. É preciso saber ler cenários e ambientes. A comunicação só terá
sentido se trabalhar, antes, o meio social, político e econômico onde irá
atuar. É preciso prospectar essa realidade, embora concorde que os
profissionais generalistas ainda estão em falta no mercado. Aqueles que possuem
visão mais abrangente, crescem e galgam posições mais altas; os demais,
continuam fazendo o antigo modelo da comunicação empresarial, com base na
mídia impressa e em Relações Públicas.
No Brasil, o histórico das empresas e organizações
empresariais sempre foi muito ligado ao lucro, e apenas a ele. A percepção da
comunicação como fator estratégico é muito recente entre nós. Em função
da abertura da sociedade, os empresários começaram a querer aparecer na mídia
e a marcar presença nos jornais por meio de artigos em que defendem suas
idéias. Em resumo, as políticas de low profile estão totalmente
ultrapassadas. O momento é de clareza e abertura. Quem quiser dissimular suas
feridas ou fugir da exposição, muitas vezes necessária, será condenado pela
mídia e pela sociedade – sem contar a perda irreparável de um lugar no bonde
da História.
Como fazer avançar a profissionalização no universo
organizacional, procurando vencer os preconceitos e mudar cabeças? Minha
impressão é: quando os profissionais da comunicação começam a galgar
patamares superiores, a organização tende a ficar um pouco mais amaciada, mais
humanizada.
A inserção da comunicação na cultura da organização
torna o empresário e empregados mais conscientes de sua responsabilidade
social. Muitos profissionais passaram a trabalhar para empresas produzindo
elementos da assessoria e de consultoria, oferecendo aconselhamento político.
Esses profissionais geralmente trabalham para a alta administração das
empresas. Isso tem grande importância.
Acho que a tendência dos próximos anos é a de
profissionalizar ainda mais a comunicação e a de melhorar o nível de seus
profissionais, adensando e fortalecendo as áreas das assessorias, consultorias
e de aconselhamento. O empresário atilado precisa ter no comunicador mais do
que um operador, mas um assessor próximo, que tem contribuição decisiva na
articulação de seu discurso e na manutenção da coerência da identidade
organizacional.
Alguns fenômenos, entretanto, preocupam-me bastante – e a
comunicação tem muito a fazer para que possam ser atenuados. No Brasil, como
em todo o mundo, estamos percebendo um certo arrefecimento das oposições, o
declínio geral dos parlamentos, o fortalecimento das tecnocracias e dos
Executivos nos governos. De certa forma, esses fenômenos dão à comunicação
uma espécie de funil: um grande sistema emissor, formado pelos governos (os
executivos e as tecnocracias), que faz dos meios de comunicação meros
transmissores de um pensamento maior – o das elites, dos Executivos e daquelas
tecnocracias. Isso implica uma forte concentração de meios, embora, de certa
forma, a grande mídia responda de maneira positiva a esses fenômenos.
Como poderemos trabalhar para desconcentrar os meios de
comunicação? Acredito que essa desconcentração não deva ser feita apenas do
ponto de vista legal, por meio da supressão ou reforma do Artigo 222 da
Constituição Federal. É muito mais importante trabalharmos para criar uma
desconcentração cultural. Essa ação pode se dar com o aumento dos pólos de
comunicação na sociedade, por meio do fortalecimento de algumas ferramentas
já disponíveis. Uma delas é o estreitamento da relação entre a Universidade
e a empresa. Mais ainda: o caminho passa também pelo fortalecimento dos
mecanismos de comunicação do chamado universo institucional.
Ora, se por um lado sabemos que declina o poder dos
parlamentos, e o caso do Brasil está aí para mostrar a força do Executivo
sobre o Legislativo, por outro vemos a sociedade brasileira passar por um
período de intensa organização. Sua estrutura orgânica está, agora, mais
firme. As entidades intermediárias estão muito mais fortes. Vejam os
sindicatos, as associações, os clubes, as organizações não-governamentais e
os movimentos sociais. Pode-se ter críticas ao Movimento dos Sem-Terra, por
exemplo, mas não se pode deixar de reconhecer sua eficiente organicidade.
Exemplos assim demonstram que os índices da racionalidade
estão crescendo no Brasil, o que também concorre para fortalecer o universo
institucional. Logicamente, deveríamos trabalhar para que os pólos de
comunicação desse universo institucional também se fortalecessem. Quero dizer
que a desconcentração dos meios de comunicação deveria dar-se por
intermédio do fortalecimento dos pólos de comunicação e a serviço das
entidades organizadas da sociedade – os sindicatos, associações,
federações, movimentos, clubes de mães, comunidades de base e assim por
diante. Por que não trabalhar essa comunicação institucional de maneira mais
profissional?
Costuma-se entender por "comunicação" apenas
aquela feita pelas grandes empresas ou pela grande mídia, mas há uma
comunicação institucional que está dentro do universo das instituições
intermediárias. Acredito que o fortalecimento dos mecanismos de comunicação
desse universo, que está organizado, certamente funcionará como anteparo aos
impulsos da grande mídia. Em outras palavras: o funil que hoje existe se
transformará num grande tubo, cuja entrada e saída tenham o mesmo tamanho. Um
tubo cuja comunicação que entra seja igual à que sai, e vice-versa.
Estou tentando dizer que deveríamos trabalhar para que o
modelo da comunicação institucional permita incorporar setores hoje
considerados pequenos. Há, portanto, uma vasta malha de comunicação
institucional que precisa ser mapeada e dimensionada. Imaginem a aliança entre
as universidades e entidades organizadas como a Aberje, os sindicatos de
jornalistas e os Conrep’s? Suponham um cenário no qual as estruturas de
comunicação estejam também a serviço dessas entidades intermediárias e,
indo além, tentem imaginar o tamanho desse grupo de comunicação? Será uma
coisa formidável.
Creio que, a partir do profissionalismo e de um trabalho de
integração, certamente poderíamos, pelo menos, chegar perto da meta de
desconcentrar os meios de comunicação no Brasil. Penso, aliás, que
deveríamos trabalhar melhor a própria terminologia: o assessor da imprensa
deveria ceder seu lugar ao assessor da comunicação institucional, até porque
sua missão na organização não é apenas a de atender, nem a de estreitar
relações entre a imprensa e a organização. Ela é muito mais que isso. É
preciso começar a trabalhar para mudar os termos usados no mercado, melhorar a
posição do assessor de comunicação institucional e dar-lhe a competência
estratégica que lhe permita alcançar uma posição generalista e uma função
mais elevada no organograma da organização.
A comunicação institucional precisa ser mais entendida e
mais compreendida pelo próprio corpo da organização. Acho que a inserção do
empresário no setor da comunicação continua importante, mas é preciso
integrar melhor os escalões empresariais em busca de um aumento da compreensão
em torno dos objetivos da comunicação. Não adianta querer operar apenas com
os profissionais da comunicação, que até poderão fazer muito bem seu
trabalho. É preciso mais, é preciso um pensamento sistêmico, holístico. Se a
cultura empresarial não puder dar a devida importância à comunicação,
haverá sempre um grande vácuo entre o profissional da área e o dirigente da
empresa. E este pode ser o caminho do desastre.

Originalmente publicado em:
http://www.aberje.com.br.