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HOMENAGEM A UM
PIONEIRO
José Marques de
Melo
Diretor da Escola de Comunicações e Artes
Universidade de São Paulo
A Escola de Comunicações e Artes homenageia o fundador do seu Curso de
Relações Públicas. Cândido Teobaldo de Souza Andrade integrou a equipe pioneira dos
docentes que construíram,dentro da Universidade de São Paulo, um novo campo de
conhecimento, originalmente denominado Comunicações Culturais.
Sua presença na nova instituição destinada a formar profissionais e
pesquisadores para as artes e os meios de difusão significou um reconhecimento dos
méritos alicerçados numa vida de trabalho e dedicação à coisa pública. Seu
pioneirismo na preparação de especialistas em Relações Públicas no Estado de São
Paulo foi legitimado pelo colegiado superior da USP que selecionou, por concurso público
de títulos, os primeiros docentes da Escola de Comunicações Culturais.
Mas o seu vanguardismo continuaria a ser demonstrado na carreira acadêmica.
Foi o primeiro a conquistar na USP os graus universitários de Doutor e Livre Docente em
Relações Públicas e os títulos de Professor Adjunto e de Professor Titular nessa área
do saber. Formou várias gerações de profissionais e de pesquisadores, alguns dos quais
hoje ocupam expressivas posições de dirigentes empresariais, governamentais e
acadêmicos. Sua projeção ultrapassou as fronteiras nacionais, alcançando o continente
latino-americano.
Como cidadão, demonstrou sempre uma postura irrepreensível. Jamais
capitulou ante as facilidades que a burocracia oferece aos ocupantes de cargos no serviço
público. Atinge o apogeu da jornada universitária com o perfil de um homem íntegro,
correto, querido por alunos, docentes e servidores administrativos. É admirado pela
vitalidade didática, liderança associativa, rigor científico. Cumpriu o seu papel
acadêmico com serenidade, honestidade e brilho intelectual.
Sinto-me honrado, como seu colega dos primeiros momentos de estruturação da
ECA/USP, em presidir as comemorações da sua despedida solene da atividade rotineira da
nossa instituição. Mas tenha a certeza de continuar contando com sua participação nos
trabalhos de pesquisa e pós-graduação em Relações Públicas. Afinal de contas, o
acervo de conhecimentos acumulados nestes setenta anos de estudos e reflexões constitui
um patrimônio a ser ainda socializado com seus discípulos.
Por isso, esta homenagem prestada ao Pioneiro das Relações Públicas na
ECA/USP simboliza carinho, gratidão e amizade. Trata-se de um "até logo", pois
o Mestre Teobaldo vai permanecer entre nós, atuando como pesquisador e orientador de
equipes, enquanto o permitir sua fortaleza física, felizmente bem cultivada.
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UM GUIA DAS
RELAÇÕES PÚBLICAS
Román Pérez Senac
Presidente da CONFIARP
La Confederación Interamericana de Relaciones Públicas CONFIARP
adhiere plenamente al justo homenaje al Dr. Teobaldo de Andrade, que fue dignísimo
presidente de esta institución, coordinador general del CIPERP y actualmente es su
consejero permanente.
Teobaldo representa una figura sendera de las Relaciones Públicas de
América y como tal ha sido reconocido en todos los países que integran la
confederación.
Es para nosotros un verdadero orgullo contar en la CONFIARP con la permanente
cooperación del profesor Teobaldo, que ha abierto fecundos caminos para la enseñanza y
la profesión de las Relaciones Públicas continentales.
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O SONHO E O
ARCO-ÍRIS
Tupã Gomes Corrêa
Professor do Departamento de Jornalismo e Editoração CJE
Universidade de São Paulo
Professor Doutor Cândido Teobaldo de Souza Andrade. Desnecessário será
adir qualquer outra expressão, além daquela que não apenas traduz por inteiro o nosso
homenageado, quanto chega a ser a própria personalidade de quem tem vivido, trabalhando e
testemunhando em função de um ideal: o ideal da liberdade, da paz, da justiça e do
progresso social.
Ao longo de sua existência, não raras vezes, tem dado provas dessa
dedicação com infatigável persistência. Primeiro, foi quando, ainda muito jovem,
seguiu como voluntário para a guerra, atestando com sua presença no teatro de
operações que em sua vida toda, dali por diante, tudo o mais iria sempre além das
simples aparência. Depois, seria pela prática profissional, longamente a comprovar no
trabalho de cada dia essa disposição de trabalhar em prol de tudo quanto acredita. E,
finalmente, terá sido na universidade, para onde se dirigiu a partir de 1967, que sua
obra assume os contornos e a envergadura que a haverá de imortalizar.
Pois, quando se trabalha como ele, sem outro interesse que não aquele que
determina a sua origem, e o produto desse trabalho se identifica naturalmente à natureza
humana, incorporando-se à cultura e servindo à sociedade, é quase certo que se passe à
história... Este tem sido o estigma do Professor Teobaldo.
Nesta oportunidade, seria lugar-comum de minha parte arrolar aqui todas as
iniciativas, todas as atividades, cargos, mandatos e funções que exerceu sob a égide de
um ideal de vida e que, gradativamente, serviram à causa da mais moderna de todas as
profissões: as Relações Públicas. Ainda assim, é conveniente lembrar que foi na
qualidade de encarregado do setor de Relações Públicas do Departamento Estadual de
Administração, em São Paulo, entre os anos de 1956 e 1959, que ele desenvolveria um dos
primeiros trabalhos acadêmicos sobre o assunto: a monografia "Relações Públicas
no Governo Estadual", publicada em 1962, quando já exercia o cargo de consultor
jurídico da Secretaria de Governo de São Paulo.
A partir de então não mais se deteria nessa empreitada. Um dos principais
artífices da lei que regulamentou nossa profissão, em 1967, o Professor Teobaldo já
nessa época participava assiduamente e com grande entusiasmo da Associação Brasileira
de Relações Públicas, da qual também foi um dos fundadores e talvez o mais expressivo
dirigente que a agremiação logrou ter em toda a sua história.
Por conta dessa atividade, naturalmente, além de ainda participar da
fundação de incontáveis seções estaduais da mesma associação, também exerce
destacado papel junto aos organismos internacionais de Relações Públicas. Foi, por
exemplo, presidente de algumas delas, como a Federação Interamericana de Associações
de Relações Públicas. Sem contar, é claro, a efetiva participação junto ao principal
órgão de classe, o Conselho Federal de Relações Públicas.
Sua obra neste campo, além de detentora do mérito do pioneirismo, porquanto
tenha praticamente inaugurado o lançamento nacional dos primeiros títulos de Relações
Públicas, ainda hoje serve de balizamento a todos quantos se dispõem à pesquisa de base
nelas. O primeiro desses títulos terá sido, sem dúvida, o histórico "Para
Entender Relações Públicas". Depois, seria o não menos importante "Curso de
Relações Públicas". Sem esquecer, é claro, aquele que vem a ser o menor deles,
mas talvez o de maior fôlego, Psicossociologia das Relações Públicas. Haveria ainda o
"Dicionário de Relações Públicas e Comunicação", o "Administração
de Relações Públicas no Governo" e, o mais recente deles, o "Como Administrar
Reuniões". A maior parte desses livros, como se sabe, já mereceu mais de uma
edição, a exemplo do famoso "Para Entender", que se encontra na terceira.
Em 1973, tornar-se-ia o primeiro doutor na área, defendendo na Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo a tese "Relações Públicas e o
Interesse Público". Em 1978, o primeiro livre docente, com a tese "Relações
Públicas na Administração Direta e Indireta". A seguir, passaria a adjunto e
titular do mesmo departamento do qual foi um dos primeiros fundadores e do qual hoje se
afasta, mercê de uma aposentadoria obrigatória tão característica de nosso país.
Seria como que dizer: no auge de seu vigor mental, no apogeu de sua produção, vê-se a
universidade obrigada a perder um pouco do seu trabalho sistemático! Não o perderá por
inteiro, tenho certeza , que muitos serão ainda os alunos que ajudará a formar em nossos
programas de mestrado e doutoramento.
Aliás, na qualidade de um de seus antigos alunos, lembro-me bem de uma aula
de Técnicas de Relações Públicas, isto lá pelo ano de 1973, quando analisávamos em
classe a questão do papel das Relações públicas na integração dos funcionários que
se aposentam. Curiosa coincidência, naquela manhã lá na ECA a sala de aula do Professor
Teobaldo estava em polvorosa. Um punhado de moças e rapazes, instigados pela provocação
do mestre, cometia as mais anedóticas observações. O problema, como sempre, surgia de
um caso tipicamente real: "o velho funcionário, após trinta e cinco anos de bons
serviços, ao deixar a firma onde trabalhou com a mais abnegada dedicação, recebe como
paga um almoço de despedida, uma placa , como lembrança de seus camaradas , e um
relógio com seu nome gravado ao fundo, como reconhecimento da empresa pelos bons
serviços..."
Como sempre, o professor resumia a questão numa frase lacônica: "mais
importante que tudo é saber o que esse funcionário irá fazer a partir da
aposentadoria." Desnecessário será dizer que todo o trabalho, não apenas
conceitual, mas de sistematização das Relações Públicas desenvolvido por Teobaldo
Andrade, pode ser traduzido por esse gênero de preocupação. Uma preocupação voltada,
antes de tudo, para o seu humano, suas potencialidade, sua integridade, sua dignidade.
É evidente, para alguém que, como ele, soube compreender o objetivo das
Relações Públicas nesse contexto, será fácil compreender hoje a nossa preocupação.
Não nos reunimos aqui para dedicar-lhe quimérica homenagem. Tão pouco, para a
formalização de uma despedida. Estamos aqui, sim, para reiterar-lhe o muito que
aprendemos com ele próprio. O esboço dessa trajetória profissional, que intentamos
esboçar, serve para dizer-lhe, em outras palavras, que o mundo das Relações Públicas,
profissional e acadêmico, não seria o mesmo sem ele. Sem placas e sem relógios, é
claro, mas com o mais precioso dos brindes, nossa amizade e nosso reconhecimento, vamos
apenas assinalar a chegada de um novo tempo: o tempo em que o Teobaldo vai iniciar nova
jornada em busca de quem sabe quantas outras realizações.
Quem sabe lhe sobre mais tempo para dedicar-se a outra de suas paixões, o
Corinthians, do qual já foi até conselheiro. Ou, quem sabe, para ampliar os dias de sua
permanência até mais tarde naquele escritório da Avenida Liberdade, alcunhado por seus
amigos de "A Tenda dos Milagres", onde se gasta o tempo sem pensar no relógio,
conversando, debatendo idéias e degustando o que há de melhor no universo dos
espirituais. Quem sabe até se não vai sobrar mais tempo para animados bate-papos na
cantina do "Corintinha do Bom Retiro", onde às massas (propriamente ditas)
junta-se a paixão de todos os notívagos despreocupados.
Não importa como reorganize o seu tempo. Pode até ser que ele retome um
projeto interrompido em 1966, quando publicou o seu até agora único livro de contos,
"Soldados Sem Botas", que relatou sua passagem pela guerra, como pracinha da
Força Expedicionária Brasileira, no qual deixou antever um tanto do gênio literário
que o acompanha: "... e então, a fúria de viver o presente dominou-o por completo.
Esqueceu-se das ordens, das preocupações militares e saiu a procura daquela casa, onde
durante o dia vira uma garota loira, de olhos sonhadores..." Este pequeno trecho de
"A Carta", magnífico conto daquele livro, dá bem a dimensão daquilo que
Teobaldo ainda vai escrever.
A grande lição que se tira desse seu estilo de trabalho é que, embora
importante tudo o que faça, nada importa o bastante a ponto de justificar a
substituição do sonho pelos apegos materiais aos cargos, às honrarias, aos bens e a
tudo que, mais dia menos dia, fenece. E certamente essa capacidade de ajustar o trabalho,
qualquer que seja ele, a um ideal de vida e persegui-lo, é a sua verdadeira marca
registrada.
Aprendemos com ele, mestre, amigo e companheiro de trabalho, que vale a pena
perseguir o arco-íris quando o que nos move é o sonho do encontro das cores. Nada é
pouco, por menos que se faça para isso, na medida em que a própria vida depende dessa
crença em valores e objetivos às vezes impossíveis, mas que representam muito na busca
da perfeição. Para se compreender a obra de Teobaldo Andrade, certamente, deve-se
entender um pouco desse ideário. Pois, a trajetória intelectual e profissional de
Cândido Teobaldo de Souza Andrade tem muito a ver com ele, com a imaginação e a
alegoria, mediante as quais se constroem as grandes edificações da civilização.
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O MESTRE
LATINO-AMERICANO
Humberto López López
Conselheiro da CONFIARP
Professor da Universidade de Antioquia de Medelin
Sin lugar a dudas Cândido Teobaldo de Souza Andrade ha sido el
latinoamericano que más ha influido en el desarrollo de las Relaciones Públicas en
América Latina.
Ha sido el maestro en los últimos 25 años.
Sus libros constituyen tanto para quienes ejercemos la cátedra universitaria
como para los miles de profesionales que hacen relaciones públicas, un punto de
referencia obligado. En ellos hay investigación, estructura científica, desarrollos
acordes con la realidad socio-económica de nuestros países.
Sus conferencias, dictadas en los mas influyentes centros universitarios del
continente, han constituido una fuerza motora de singular valor profesional.
Yo he tenido el honor de ser su amigo desde 1967 cuando lo conocí en Rio. En
1968 propuse la creación del Centro Interamericano de Investigación y Documentación
sobre Relaciones Públicas, CINIDREP, y de la Comisión Interamericana para la Enseñanza
de las Relaciones Públicas, CIPERP, y encontré en Teobaldo el gran soporte, el maestro
amigo, el gran auditor para que se cumplieran los propósitos en la elaboración del
currículum de FIARP (hoy CONFIARP), él cumplió una brillante tarea. En las
organizaciones profesionales, como CONFIARP, se corre el riesgo de que la práctica de la
profesión desborde el cauce del contenido científico y aun de las fronteras éticas.
Quien está en el mercado ejerciendo su profesión tiene la tendencia a buscar lo fácil,
lo pronto. Lo que produzca dinero rápido, a veces saltando por encima de principios y de
normas fundamentales.
Figuras como Teobaldo de Souza resultan básicas, salvadoras, para que ello
no suceda. El estar dentro de la universidad, enfrentando cada día el rigor y el control
del estudiantado, su legítima exigencia a que se les enseñe lo que se debe enseñar, o
sea el deber ser de a profesión, permite mantener el espíritu joven y la disposición al
cambio. Pero no a un cambio porqué sí ni en cualquier forma. Si no al cambio razonado,
posito e, con proyección y con gran sentido patriótico. En el amplio espacio de
CONFIARP, cuyas asociaciones miembros e esparcen por el extenso territorio
latinoamericano, Teobaldo ha sido el faro permanente que sabe decir lo justo en el momento
justo.
La Confederación Interamericana de Relaciones Públicas, CONFIARP, segunda
organización de relacionistas del mundo, ha reconocido la autoridad profesional de
Teobaldo haciéndolo su presidente, luego otorgándole el chasqui de plata.
Para los colombianos Brasil es el norte de las Relaciones Públicas. No
porqué las de Estados Unidos hayan sufrido mengua, sino porqué las del Brasil se acercan
mas a nuestra realidad. Y en amplia gama un número uno por mucho aspectos.
Por eso con un gran respeto, con un gran afecto, con una sincera emoción,
adhiero al homenaje que le rinde la universidad.
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O PÊNDULO DO
TEMPO
Valentim Lorenzetti
Presidente do CONFERP
A atividade de Relações Públicas no Brasil tem na pessoa do Prof. Cândido
Teobaldo de Souza Andrade uma motivação especial.
Há os seguidores fiéis, discípulos incondicionais de seus ensinamentos, e
há os que procuram minimizar e, até, detratar a sua influência na prática e no ensino
das Relações Públicas no país.
Poucos são os profissionais que conseguem manter-se neutros diante do
trabalho desenvolvido por Cândido Teobaldo de Souza Andrade.
Para os discípulos, Teobaldo tem contribuído com seu saber e seu trabalho
de pesquisador que dissemina saber por meio da cátedra e de seus inúmeros livros.
Para os que o combatem, ele tem contribuído, para o estabelecimento de um
profícuo debate e tomadas de posição que, se não existisse a "motivação
teobaldiana", talvez nunca tivessem aflorado.
Nestes últimos 35 anos, a atividade de Relações Públicas no país tem se
movido como um pêndulo entre teobaldianos e não-teobaldianos.
Meu caro Professor Teobaldo. É com carinho que lembro este movimento
pendular. É preciso energia para movimentar um pêndulo; energia e disposição para o
debate nunca lhe faltaram.
Não esperem que eu diga quem saiu ganhando neste jogo pendular, porque não
consigo vislumbrar vencedores ou perdedores. Vejo apenas o espaço que se abriu para a
atividade de Relações Públicas; vejo apenas as Relações Públicas como vencedoras.
Fica aqui, portanto, a nossa homenagem, Professor. Obrigado por fazer-se
muito seguido e muito contraditado.
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O PIONEIRO DAS
RELAÇÕES PÚBLICAS
Maria Stella Thomazzi
Presidente da ABRP-SESP
Conselheira da CONFIARP
Que as minhas palavras neste simpósio sejam entendidas como um preito de
reconhecimento à pessoa de Prof. Dr. Cândido Teobaldo de Souza Andrade, pelo muito que
fez em prol do ensino, da pesquisa e, principalmente, da institucionalização das
Relações Públicas no Brasil e na América Latina.
Seja-nos permitida a leitura de uma citação transcrita no Boletim
Regimental número 131, de 10 de maio de 1945, do 3º Batalhão de Infantaria, sobre o 3º
Sargento número 3264, Cândido Teobaldo de Souza Andrade, durante a 2ª Grande Guerra:
"Organizou o sistema de ligação e transmissões de sua subunidade, mantendo-o em
constante funcionamento em todas as situações de combate. Percorrendo sempre as
posições da companhia, às vezes sob constante bombardeio inimigo, o sargento Teobaldo
não poupou esforços físicos, nem tão pouco sua própria vida na árdua missão de
verificar o funcionamento das transmissões. Louvo-o pela elevada compreensão e prática
do dever militar; pela coragem, abnegação, tenacidade e espírito de cooperação,
demonstrados em face do perigo. Espírito culto e idealista, sincero, honesto e leal, pode
considerar-se como um dos que empregaram todos os seus esforços para a derrota do inimigo
comum e a construção dum mundo melhor".
Ao ler este elogio sobre o 3º Sargento Teobaldo, louvamos a Deus pelo
retorno ao Brasil deste pracinha classificado em campos da Itália como excelente auxiliar
por sua competência, coragem e sangue-frio e que, ainda muito jovem, já era cônscio de
suas obrigações, executadas com interesse e perfeição. Todos esses fatos justificam
plenamente o conceito que aquele comando fez do Sargento Teobaldo. Anote-se, a propósito,
que o setor de transmissão da Força Expedicionária Brasileira era denominado de
Serviço de Comunicação, a exemplo do Exército Americano. Desde cedo, Teobaldo denotava
sua vocação para a área a que se consagraria até hoje.
Ao regressar da Itália, já formado em Educação Física e tendo deixado no
primeiro ano a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, retornou à Faculdade, e,
por decreto federal, cursou dois anos em seis meses, e, posteriormente, bacharelou-se em
Direito. Paralelamente, desenvolveu suas atividades de professor de Educação Física, de
advogado militante na cidade de São Paulo e de jornalista profissional de vários
periódicos da imprensa paulista e carioca. Como redator do Serviço Público Estadual,
vivenciou experiências interessantíssimas ao lado de governantes, parlamentares e
juristas. Nos três campos de suas atividades profissionais alcançou lideranças na vida
associativa e representativa da classe profissional.
A partir de 1956 iniciou sua trajetória a serviço das Relações Públicas.
Pesquisou e estudou os primeiros livros americanos de Relações Públicas. A seguir,
estruturou os primeiros cursos de Relações Públicas em nível médio. Associou-se à
Associação Brasileira de Relações Públicas, Seção Estadual de São Paulo, iniciando
uma carreira associativa, sem descuidar do ensino e da pesquisa de Relações Púbicas.
Prof. Dr. Teobaldo de Andrade participou de inúmeras reuniões dialogais no
Brasil e no exterior, como organizador, assessor técnico, consultor e expositor.
Ministrou cursos de norte a sul do continente americano. Integrou inúmeras comissões de
estudos ligadas à ABRP e à ex-FIARP, hoje CONFIARP. Iniciou sua carreira associativa
pela ABRP-SESP como secretário (1964/1966). Foi vice-presidente (1966/1968) e presidente
por duas vezes (1968/1970 e 1974/1976). Na ABRP-Nacional, foi vice-presidente da entidade
(1970/1972 e 1976/1978) e presidente (1972/1974 e 1978/1980). Após a entrada em vigência
do atual estatuto, foi presidente da Câmara Superior Permanente (1980/82).
Sua marcante atuação nacional foi decisiva para o preenchimento dos
requisitos mínimos da institucionalização da profissão de Relações Públicas. É
detentor da honraria maior da ABRP, isto é, da Medalha "Eduardo Pinheiro Lobo",
além da de Sócio Benemérito de quase todas as seções estaduais de ABRP e de entidades
da América Latina. Junto à CONFIARP, Teobaldo de Andrade foi conselheiro efetivo da ABRP
no Conselho Diretivo da FIARP, na qual, hoje, é conselheiro permanente, por ter sido
presidente. Presidiu a FIARP por duas vezes, trazendo a presidência da FIARP ao Brasil.
Em 1973 foi eleito em reunião realizada em Bogotá e, em 1975, reeleito em Los Angeles.
Recebeu igualmente a maior honraria da entidade, o troféu "El Chasqui
de Plata", em 1973, pelos inúmeros serviços prestados no Brasil e na América
Latina. Assim, troféus, medalhas, títulos, diplomas, além de seu nome em diretórios
acadêmicos e salas de entidade da classe, turmas de formandos e outros méritos fazem
parte de sua história de vida.
A nós, profissionais de Relações Públicas, cabe creditar à ECA/USP a
concretização deste valor na terra dos bandeirantes. "Teobaldo de Andrade é o
pioneiro indígena de Relações Públicas. Ele nacionalizou o assunto com base em sua
experiência brasileira que é das mais sérias", assim publicou o Diário da Noite,
por ocasião do lançamento da edição de seu primeiro livro em 1962, obra pioneira de
Relações Públicas na América Latina.
O homenageado de hoje e de sempre nos estimulou para que houvesse uma
integração constante entre os profissionais de Relações Públicas, empresários e
governantes, numa abertura para o fortalecimento mais acelerado de nosso setor, num
autêntico processo de catálise. Ao empirismo dos primeiros anos das Relações
Públicas, seguiu-se uma formação profissional universitária, que conferiu à atividade
uma reconhecida capacidade e um consolidado prestígio, ambos adquiridos na efetiva
atuação de profissionais a serviço das instituições públicas ou privadas.
Tivemos à frente dos bancos universitários o estudioso e respeitado Prof.
Teobaldo de Andrade. Seus livros, opúsculos, artigos e publicações em geral tiveram a
preocupação didática e atrativa, quase sempre em estilo jornalístico. Suas sucessivas
reedições, revistadas, ampliadas e atualizadas, pautaram a única pretensão de sua vida
de escritor especializado, ou seja, a de colaborar com a causa maior das Relações
Públicas. Hoje, estas já têm reconhecimento legal, literatura específica,
desenvolvimento no campo do ensino e da pesquisa, código de ética e associações de
classe. Portanto, atingimos os requisitos mínimos para alcançarmos a
institucionalização das Relações Públicas no Brasil. À frente destas conquistas,
vemos a figura incansável e participante de Teobaldo de Andrade.
Por legislação federal, nosso mestre será jubilado em 1º de julho de 1989
de suas funções regulares junto à ECA/USP, mas seus discípulos continuarão a
caminhada na certeza de mantê-lo ao nosso lado, com seu prestígio e sua liderança no
Brasil e na América Latina.
Seus ensinamentos e seus exemplos foram entregues em mãos de seus eternos
alunos, o que nos tranqüiliza e assegura o sucesso desta profissão. Juntos caminharemos
para manter o prestígio das Relações Públicas em terra paulista. Reiteramos nossa
confiança na profissão de Relações Públicas neste querido Brasil, onde continuaremos
conduzindo nosso trabalho com fé e entusiasmo, alicerçados em nossos ideais e na
consciência profissional na certeza de que sempre contaremos com homens da estirpe de
Cândido Teobaldo de Souza Andrade.
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O HOMEM
SUPERANDO O INTELECTUAL
Sidinéia Gomes Freitas
Professora do Departamento de Relações Públicas, Propaganda, Publicidade e
Turismo CRP
Universidade de São Paulo
Em 1972, após concluir o curso de Graduação na ECA/USP, resolvi continuar
a conviver com a universidade, independente de ter ou não interesse no magistério. De
fato, pretendia continuar estudando e, principalmente, pensava em preparar-me para o
futuro. Recebi então a incumbência de auxiliar o Professor Teobaldo. Datilografava
textos, auxiliava em traduções na língua espanhola, colaborava em eventos promovidos
entre a Escola de Comunicações e Artes e a Associação Brasileira de Relações
Públicas, participava de reuniões, enfim procurava desenvolver minhas tarefas da melhor
maneira possível.
Certa vez, estávamos, Professor Teobaldo e eu, saindo da Universidade e
disse-lhe que acreditava ser correto estar trabalhando para o futuro, já que não recebia
nenhuma remuneração pelos serviços prestados. Estava, de fato, consultando-o sobre meu
procedimento. E sua resposta manifestou-se por meio de um sorriso aberto e de apenas duas
palavras: "Está certo", disse o Professor.
Nossa convivência foi, aos poucos, adquirindo maiores vínculos e o
Professor foi tomando ciência de minhas dificuldades e responsabilidades, em especial,
das responsabilidades financeiras perante minha família.
O dinheiro, naquela época, era uma preocupação constante e não sei dizer
por quantas vezes fui convidada especial do querido Mestre para almoçarmos no restaurante
da ECA. Com que delicadeza e elegância fazia tais convites e quanto, com o passar dos
anos, fui admirando o coração deste corintiano roxo como eu, que sabe ter nobreza
dalma, calar-se perante a ingratidão humana, suscitar polêmicas e beber guaraná
"Antarctica"!
Certos valores, sem dúvida, ficaram gravados naqueles seus ex-alunos que
souberam entender suas mensagens.
Na minha formação, tenho no Professor Teobaldo um exemplo de ser humano que
supera o intelectual. São valores que transcendem a competição. São valores humanos
que permaneceram. Os valores do espírito, que estão acima dos valores dos homens.
Mestre, o que dizer, senão muito obrigada?
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UM PARADIGMA DA
PROFISSÃO
Lorenzo Alfredo Blanco
Coordenador Geral do Conselho Permanente da CONFIARP
El nome del doctor Cândido Teobaldo de Souza Andrade es sinónimo de
Relaciones Públicas. Su pródiga trayectoria lo ha destacado internacionalmente como a
uno de los paradigmas de esta profesión.
Teobaldo ha sido siempre el amigo invariable y generoso, el relacionista
íntegro y enjundioso, el maestro insigne que supo ganar nuestro cariño y admiración y
al que siempre hemos tratado de emular.
Pero, "no hay reposo para el guerrero", sólo deja la trinchera de
la Universidad Paulista para ubicarse a nuestra retaguardia y seguir protegiendo nuestra
acción orientada hacia ese luminoso horizonte profesional que él mismo nos enseñó a
visualizar a través de su obra vigorosa.
En esta ocasión, deseo expresar, junto con mi agradecimiento por todo lo
recibido de Teobaldo, mis votos por su ventura personal y para que el mayor de los éxitos
siga coronando sus realizaciones.
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FIGURA ÍMPAR
Waldyr Gutierrez Fortes
Orientando e Professor da Universidade Estadual de Londrina
Professor Cândido Teobaldo de Souza Andrade é o único autor que, pelas
suas obras, procura observar a atividade de Relações Públicas em seus fundamentos
psicossociológicos, apresentando os aspectos técnicos da profissão, mas sem a visão
tecnicista e mecânica encontrada na maioria dos autores nacionais e em obras traduzidas,
e sistematizando o estudo de Relações Públicas de maneira consistente e encadeada ao
longo de sua série de obras.
Uma das principais contribuições do professor foi fixar o
"processo" de Relações Públicas, aplicável a qualquer tipo de organização,
privilegiando o estudo dos grupos para transformá-los em públicos, base de toda a
atuação profissional de Relações Públicas. Destaca-se, ainda, a definição dos
veículos de comunicação dirigida como próprios de Relações Públicas, estabelecendo
os instrumentos reais de comunicação para a criação e informação aos públicos.
O estudo da aplicação de Relações Públicas em áreas específicas, como
na área governamental, é mais uma importante contribuição do mestre de todos os
mestres, traduzindo em conteúdos específicos todos os desejos de aprimoramento daqueles
que procuram as suas aulas, tanto na graduação como na pós-graduação, momentos em que
o seu brilho e empenho podem ser sentidos por aqueles que estão estudando seriamente as
Relações Públicas.
Figura ímpar, o Professor Teobaldo é merecedor do lugar que ocupa entre
aqueles que levam a profissão de Relações Públicas até as suas últimas
conseqüências.
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MESTRE, CHEFE E
AMIGO
Célia Portugal Matta
Secretária do Departamento de Relações Públicas, Propaganda, Publicidade
e Turismo CRP
Conheci o Prof. Teobaldo em meados de 1965. Eu era funcionária da Reitoria
da USP quando comecei a freqüentar o curso de Relações Públicas promovido pelo DEA/USP
(Departamento Estadual de Administração), ministrado no período noturno no Colégio
Caetano de Campos. O professor do II Ciclo era o Teobaldo. Aprendi com ele as técnicas de
Relações Públicas e procurava entender o que não são Relações Públicas, pois a
controvérsia dessa dobradinha inversa ele transmitia não só em suas aulas mas também
nas conferências dramatizadas (com representação).
Realizamos o I Curso de Introdução à Relações Públicas na F. D.
(Difusão Cultural). Um sucesso foi a organização de um curso de Relações Públicas
Governamentais e Extensão Universitária, que reuniu cerca de duzentos participantes de
elite de órgãos públicos e de secretarias do Estado de São Paulo.
Naquela ocasião, já se cogitava a criação da ECA/USP. O Dr. Rone Amorim,
do gabinete do Reitor da USP, sabedor de que eu freqüentava o curso de Relações
Públicas do DEA, pediu-me para comunicar ao Prof. Teobaldo o dia e a hora da primeira
reunião para montagem do currículo dos cursos da Escola de Comunicações Culturais. Uma
vez que esta foi criada, em 1965, O Prof. Ferri convidou-me para trabalhar no CRP.
Entretanto, devido às tramitações burocráticas, isto só foi concretizado em agosto de
1968, quando tive como primeiro chefe o Prof. Teobaldo.
Como poderia eu sintetizar em poucas linhas o chefe de vinte e três anos? Se
não sempre oficialmente, ele sempre o foi de fato. Prestando sua colaboração constante
como orientador e consultor, riscando e rabiscando, revendo minutas, atas, pautas,
ofícios e memorandos, cortando vírgulas, colocando as famosas "crases" nos
meus "as". Sugerindo as diretrizes das reuniões gerais ou para realização de
eventos. Cobrando resultados, esclarecendo dúvidas e orientando normas e atividades.
Transmitindo conhecimentos com presteza, capacidade e segurança.
Como amigo, sua simplicidade, sinceridade e companheirismo, nunca deixou de
estar presente, tanto nas horas alegres como nas difíceis. Nesses momentos não era
preciso procurá-lo. Ele sempre lá estava e aqui está e sempre estará ao nosso lado,
pronto para atender, ajudar de maneira prática, simples, mas concreta, ajudando-nos a
solucionar os pequenos e grandes problemas, sejam estes profissionais, acadêmicos,
administrativos, jurídicos ou particulares. É homem que não admite a
"problemática" e sim a "solucionática".
Não poderia deixar de registrar, ainda, a alegria em poder organizar os
tradicionais lanches dos intervalos de suas aulas, tanto as de pós-graduação como
aquelas dos cursos extracurriculares que, juntos, promovemos, procurando a maior
integração entre os alunos, ex-alunos e convidados especiais. Momentos gostosos regados
a guaraná Antárctica e guloseimas, com coco ou chocolate, além dos inúmeros patês
personalizados.
Estes encontros tiveram sua origem na década de 60, nos ensaios e
treinamentos das "conferamas", aos sábados, pela manhã, no café do Clube dos
Funcionários da Secretaria da Fazenda do Estado de S. Paulo, na rua 13 de maio. Como
posso deixar de mencionar as reuniões almoço da Associação Brasileira de Relações
Públicas, os chopps no Fasano, ouvindo os tangos, quando terminávamos os seminários? As
cantinas com suas pizzas diversas, acompanhadas pelo famoso "caju amigo", o
companheirismo nos congressos e viagens, sempre divulgando e discutindo as técnicas de
Relações Públicas...
Em suas inúmeras saídas por este Brasil afora ou pelo mundo, o Departamento
sempre era o primeiro a saber o dia de sua partida e de seu retorno. Pelo que me consta,
como secretária, nunca solicitou verbas para viajar às custas da universidade, fazendo-o
a convite das entidades nacionais ou estrangeiras ou por sua própria conta. Ao voltar,
sempre traz um presente ou uma lembrança, não se esquece de ninguém. Todos os
funcionários do CRP são lembrados. Recordo-me de ter comentado certa vez que já estava
atrasado para o vôo de regresso e faltava comprar vários presentinhos. Mesmo assim,
ainda conseguiu trazer cerca de noventa lembrancinhas para os seus habituês amigos.
Muito obrigada, Prof. Teobaldo.
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UMA LIÇÃO
PARA OS PÓSTEROS
Nelly Amélia Becerra Pajuela
Ex-Orientanda
Desejo, como ex-aluna do Curso de Pós-Graduação da Escola de
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, dar meu testemunho sobre a
contribuição do Prof. Dr. Cândido Teobaldo de Souza Andrade para o estudo e ensino das
Relações Públicas na América Latina.
Sem dúvida alguma, nós que viemos ao Brasil para continuar os estudos de
Relações Públicas e que tivemos a oportunidade de participar de vários congressos,
seminários, cursos e palestras, quer no Brasil quer nos países da América Latina,
podemos hoje afirmar, numa análise geral e objetiva, a grande valia da contribuição do
Professor Cândido Teobaldo para a pesquisa, estudo, ensino, difusão e promoção das
Relações Públicas.
Como fruto de quem dedicou o melhor de sua vida em prol da pesquisa e do
estudo das Relações Públicas, os livros produzidos pelo emérito Professor vieram
preencher a grande lacuna anteriormente existente na bibliografia para estudiosos,
professores e alunos e profissional em atividade no continente. Nas faculdades fora do
país são usados para consulta e orientação.
Mostrando sempre seu amor pela causa que abraçou, o Mestre tem-se dedicado
por inteiro à formação de profissionais e, sempre solícito, continua transmitindo a
experiência de seu vasto conhecimento no campo das Relações Públicas, no Brasil e nos
países do continente, onde é muito querido e respeitado. É com costumeira atenção e
boa vontade que o professor atende os seus alunos, ex-alunos e aqueles que solicitam
informações ou queiram dirimir dúvidas sobre qualquer assunto de Relações Públicas.
Na difusão e promoção das Relações Públicas, o Prof. Teobaldo ocupou
todos os cargos diretivos das entidades específicas no Brasil, levando também sua
colaboração além fronteiras no âmbito da CONFIARP Confederação Interamericana
de Associações de Relações Públicas e participando da sua direção. Hoje ocupa o
cargo do conselheiro efetivo permanente dessa entidade.
Participou da criação da CIPERP Comissão Interamericana para o
Ensino de Relações Públicas, do CINDREP Centro Interamericano de Pesquisa e
Documentação Sobre Relações Públicas e do CIESURP Centro Interamericano de
Estudos Superiores de Relações Públicas, órgãos de Relações Públicas vinculados a
essa Confederação Interamericana, que se dedicam ao ensino das Relações Públicas e à
pesquisa sobre a atividade, merecendo o maior respeito por sua atuação, pela qual
mereceu como reconhecimento e distinção o prêmio "El Chasqui".
Eu, que fiz pesquisa sob a orientação do estimado Professor e preparei, com
o seu estímulo, a dissertação de mestrado "Perfil das Relações Públicas na
América Latina", posso afirmar que, de fato, Teobaldo de Souza Andrade marcou
indelevelmente a sua presença. A sua contribuição ficará para os pósteros, que sempre
saberão julgar com isenção o relevante valor de quem devotou os melhores anos de sua
vida no campo do estudo e do ensino das Relações Públicas.
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UM DESAFIO À
AÇÃO CONJUGADA
Margarida M. Krohling Kunsch
Ex-Orientanda e Professora do CRP
Passei a conviver mais de perto com o Prof. Teobaldo em agosto de 1978, ao
ingressar no curso de Mestrado em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e
Artes da USP.
Logo pude aprender com ele que, também no campo da pesquisa, se deve
enfrentar os desafios e vencê-los. A propósito, o primeiro que ele me colocou foi o de
preparar um seminário sobre "ação conjugada", na disciplina de Fundamentos
Psicossociológicos das Relações Públicas, e outro sobre "comunicação
persuasiva, intencional e transintencional", na de Administração da Comunicação.
"E as fontes bibliográficas?", perguntei-lhe. "Tente procurar. Isto faz
parte do seu trabalho", me respondeu. Reforçava-se, para mim, a convicção de que
é importante aguçar a mente e desenvolver o gosto por novas descobertas, deixando de
lado a opção por caminhos muito fáceis.
Desde então, sempre tentei me dirigir ao professor Teobaldo com idéias,
soluções e resultados. Recordo-me da alegria estampada em seu rosto quando lhe
apresentei um de meus primeiros artigos, "Relações Públicas comunitárias: um
desafio". Muitas outras atividades foram realizadas em conjunto por nós, como a
história poderá contar. Mas, além de estimular-me ao progresso na carreira acadêmica e
profissional, ele me marcava por sua presença tranqüila, íntegra, respeitosa e repleta
de humildade.
Com que simplicidade ele falava, há décadas, em "comunicação
dirigida", um tema que hoje é manchete de seminários e artigos em veículos da
área publicitária, como em matéria recente do jornal Meio e Mensagem: "Finalmente
reconheceram a força de comunicação dirigida..."
Em 1975, no livro "Psicossociologia das Relações Públicas", o
Prof. Teobaldo abordou uma temática que é muito focalizada pelas organizações modernas
no mundo atual: "Alguns empresários ainda não perceberam que houve uma alteração
sensível na sociedade contemporânea..." Já então ele insistia na necessidade de
que as empresas e as entidades despertassem para sua responsabilidade social.
Suas idéias sobre a administração de controvérsias ou de conflitos são
hoje exploradas por cursos, debates e reflexões em todos os âmbitos, levando a vultuosos
investimentos na reciclagem de executivos e assessores, para capacitá-los a negociações
com os mais diversos públicos.
Tudo isso comprova a vocação do professor e pesquisador que antevê os
fatos e busca disseminar sua produção científica no meio social.
Aliás, a democratização do conhecimento acumulado sempre foi uma
preocupação do Prof. Teobaldo. Ele nunca procurou reservar só para si as suas
descobertas, revelando-as por meio de seus trabalhos e por uma cuidadosa elaboração da
bibliografia corrente de Relações Públicas no Brasil e na América Latina, que
ininterruptamente vem editando nos últimos anos.
Sua postura é um exemplo a ser seguido por todos os professores, estudantes
e profissionais de Relações Públicas. Se for preciso somar valores, só a ação
conjugada e integrada de todos os segmentos sociais é que fará com que nossa área tenha
o reconhecimento que merece e pelo qual o mestre sempre batalhou.
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OS TEMPOS
PASSARAM DEPRESSA DEMAIS
Modesto Farina
Professor e ex-chefe do Departamento de Relações Públicas, Propaganda,
Publicidade e Turismo CRP
Universidade de São Paulo
Vinte anos passaram muito depressa. Quando entrei nessa Escola em 1969,
conheci o meu chefe, o Prof. Teobaldo de Souza Andrade. Tinha o mesmo aspecto de hoje:
bem, um pouco mais jovem.
Mas se ele envelheceu um pouco, após vinte anos, eu também envelheci: o que
não envelheceu mesmo foi nossa amizade que ficou sempre jovem. Justamente o contrário do
que comumente dizemos de "velha, antiga amizade" no sentido temporal. Ontem e
hoje, somos os mesmos amigos, amizade com respeito mútuo, entendimento franco e, apesar
de personalidades diferentes, existiu sempre um respeito recíproco, cada um acreditando
no saber do outro, sem nunca duvidar ou mal-entender o que nós achávamos conveniente ou
não para definir as linhas educativas aos nossos jovens universitários.
Quando nos conhecemos, sabendo da minha origem italiana, o Prof. Teobaldo
começou a falar-me em italiano e contando umas histórias de quando fez parte da Força
Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial, e me ofereceu seu romance "Soldado
Sem Botas". Em verdade me distraí muito com esse livro e fiquei também triste ao
lembrar o atormentado período da guerra.
Mas o destino mudou nossos papéis. No ano seguinte, fui obrigado a assumir a
chefia do departamento por eu estar em tempo integral. Teobaldo ficou meu suplente. E
várias vezes ficou nesta suplência, neste vinte anos que "passaram muito
depressa". Quando, em 1973, Teobaldo se doutorou, eu fiquei muito feliz, pois fiz
parte da comissão julgadora de um concurso na USP que julgou o primeiro doutor em
Relações Públicas do mundo.
Teobaldo e eu não fomos apenas amigos comuns, mas Amigos com A maiúsculo,
pois fundamentamos nossa amizade na sinceridade, na honestidade, na lealdade, no respeito.
É estranho, nunca houve "gracinhas" entre nós, não sei por quê. Reinou uma
confiança recíproca desde o primeiro dia e talvez surgiu um respeito recíproco que não
admitia alterações sem sentido.
O que mais me impressionou, desde o primeiro dia, foi a personalidade
íntegra do Teobaldo, do profissional respeitado e amado por colegas e alunos. O homem de
uma palavra só, o profissional e o professor com uma linha de pensamento bem definida e
sempre atualizada, uma personalidade com dignidade, uma figura profissional nunca abalada
por contingência e imprevistos, bons ou ruins, de nossa vida acadêmica, de nossa vida
social e econômica.
Teobaldo foi para mim, dentro do nosso círculo acadêmico, de grande
auxílio na direção departamental, primeiro, por ser ele um bom jurista, segundo, por
ser bom conselheiro, terceiro, por ser um profissional experiente e íntegro.
E estando com ele ou, melhor, notando o que fazia, o que ensinava, aprendi
Relações Públicas e sua psicossociologia aplicada, o que enriqueceu minhas áreas de
conhecimento.
Quantos congressos, seminários nacionais e semanas culturais organizamos
juntos!
Sempre com os maiores êxitos. E sabem por quê? Por essa confiança que
sempre reinou entre nós e que nós transmitirmos a todo o nosso departamento, durante
duas décadas em que nós conseguimos formar um corpo docente entre os mais titulados da
Universidade de São Paulo.
Agora que o nosso amigo e professor chega à aposentadoria, quero trazer-lhe
meu mais sincero abraço, na certeza de que o faço também e nome de todos os colegas do
Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo. Sua aposentadoria, porém,
não significa o afastamento de nossa comunidade. Nós continuamos precisando do
conhecimento e da experiência do Prof. Teobaldo, como assessoria, por exemplo. A vida
continua.
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CONFESSO
QUE....
Prof. Dr. Cândido Teobaldo de Souza Andrade
"No dia da sua aposentadoria, que posso lhe dizer?", perguntava um
amigo. "Cumprimentá-lo, dar-lhe os parabéns ou apresentar pêsames?"
"Nada disso em particular", respondo-lhe, "pois é uma efeméride como
tantas outras, por exemplo seu aniversário natalício, sua formatura, seu casamento, seu
primeiro filho ou neto e... sua aposentadoria!".
Porém, o amigo insistia: "Mas, afinal de contas, não é uma
aposentadoria voluntária. Você não pediu, acredito que suas condições de saúde sejam
invejáveis com seus cinco mil movimentos ginásticos, diariamente, não é verdade?"
"Sim, meu amigo, embora você tenha exagerado. Ninguém inveja ninguém quando se
chega aos setenta anos de idade, ainda que sua capacidade mental e física esteja em
ordem. Não se esqueça também que há poucos meses sofri uma intervenção
cirúrgica". E o diálogo ficou por aí.
A realidade é que esta aposentadoria compulsória, nos precisos termos da
Lei Maior, tornou-se para mim uma data, que deveria ser comemorada, mas para isso
dependeria de meus familiares, colegas e amigos. E, graças a Deus, eles não me faltaram.
Estamos todos aqui reunidos numa verdadeira festa de confraternização,
quando tantos abriram seu generoso coração, para contar coisas, fantasias outras,
enumerar feitos. Somente a bondade e a amizade seriam capazes de explicar a nobreza e o
carinho de autênticos amigos.
Devo-lhes confessar entre parênteses que vocês chegaram a
mexer com o meu "ego", balançando a minha modéstia, que sempre tentei
conservar, para aproximar-me do sentimento de orgulho.
Mas, estou, realmente orgulhoso. Estou, na verdade, vaidoso. Quem não se
orgulharia de ter este grupo de pessoas esclarecidas no rol de suas amizades? Quem não se
emocionaria com essa liberalidade de elogios? Quem não se enterneceria com essa
manifestação da ECA e de entidade aqui presentes, num dia como este?
Mais uma vez entre parênteses confesso-lhes que nunca imaginei
e muito menos esperei uma comemoração de tal vulto, já que antes, merencoriamente, eu
via tantos colegas aposentarem-se silenciosamente, como se esse fato fosse o caminho
correto. Porém, agora graças à iniciativa do meu dileto amigo, Prof Dr. José Marques
de Melo, diretor da ECA, esse envergonhado silêncio não se repetirá mais. Outros já se
aposentaram antes de mim, neste ano, e festas como estas foram realizadas, dentro desse
espírito de reconhecimento.
Repito de novo. Somente a generosidade e a grandeza dos que, neste salão
majestoso, reuniram-se comigo para demonstrar que eu estava certo, a aposentadoria,
"expulsória" ou "voluntária", constitui-se numa inesquecível
festividade, como aquelas de que participei em toda a minha vida. Porém, o que é mais
fabuloso é saber que sou homenageado quando me afasto de minha principal atividade: a do
magistério, a que dediquei quase toda existência.
É gratificante receber este preito, quando não mais ocuparei funções, que
me permitissem ajudar colegas e amigos, numa prova de desinteresse e de compreensão na
solidariedade humana, tão decantada e tão esquecida.
Por outro lado, sinto-me também feliz em ver aqui representantes das
entidades de Relações Públicas, a ABRP , o CONFERP, a IPRA e a CONFIARP, que me dão
certa liberdade de acreditar na minha passagem como profissional de Relações Públicas.
Igualmente, a presença de chefes e membros dos departamentos de Jornalismo e Relações
Públicas me permite admitir que consegui mesclar as minhas atividades jornalísticas e
relacionísticas, sem nenhuma incompatibilidade.
Igualmente, a presença de alunos, ex-alunos e funcionários nesta solenidade
concede-me a licença de pensar que eles souberam perdoar as rudezas do
"sargentão" e compreenderam o meu zelo para que todos eles se preparassem,
agora ou no futuro, para a vida prática.
Aos meus queridos familiares, que me acompanharam mais de perto, que
aceitaram as minhas incompreensões e compartilharam dos meus possíveis triunfos ou
fracassos, a presença deles, nesta efeméride por todos os títulos maravilhosa, é
confortante e tranqüilizadora.
Ao Todo-Poderoso e, em particular à minha madrinha Santa Terezinha, que
acredito me têm acompanhado por toda a minha vida, inclusive nos campos de batalha da
Itália, rogo que, continuem iluminado meu caminho.
E agora os meus fervorosos agradecimentos a todos que, direta ou
indiretamente, colaboraram para que este dia fosse ímpar em minha existência. Dizer
muito obrigado, tenho certeza, é pouco, para tanta grandeza e liberalidade de todos
vocês.