TEOBALDO
É O ÚNICO DOUTOR DA AMÉRICA LATINA
Cândido Teobaldo de Souza Andrade é o que poderíamos chamar um dos
cardeais de Relações Públicas no Brasil: é o único doutor em Relações Públicas do
continente americano doutorou-se pela Universidade de São Paulo. É Conselheiro
Consultivo da Federação Interamericana de Associações de Relações Públicas
FIARP, presidente da seção regional da ABRP em São Paulo, Conselheiro Efetivo do
Conselho Federal dos Profissionais de Relações Públicas, professor da USP e das
Faculdades Metropolitanas Unidas. Autor de vários livros sobre a matéria.
Seu interesse por Relações Públicas começou de maneira bem estranha. Em
1956, era Consultor Jurídico da Secretaria do Governo do Estado de São Paulo, durante a
administração Jânio Quadros. Deram-lhe a incumbência de presidir a um processo
administrativo contra um colega, redator do serviço público que, à noite, era redator
do jornal O Dia, de forte cunho ademarista. Esse redator, diariamente, na sua coluna,
desancava o governo Jânio Quadros. O governador não fez por menos: mandou abrir processo
contra o funcionário, alegando incompatibilidade para o exercício do cargo. Teobaldo, no
seu parecer, mostrou que havia compatibilidade. Claro que o seu parecer desagradou o
governador. Em pouco tempo foi transferido da Secretaria do Governo para o Departamento
Estadual de Administração. Lá, pegando um livro de Nieland e Miller sobre Relações
Públicas, começou a interessar-se pela atividade.
Acabou por fundar o Departamento de Relações Públicas do DEA, tendo em
seguida colaborado na elaboração da minuta da portaria que criava os departamentos de
Relações Públicas em todos os setores mais importantes da administração estadual.
Daí por diante, atirou-se de corpo e alma à atividade de Relações Públicas, até se
transformar na grande autoridade que é hoje.
Teobaldo tem posição contrária a de muitos dos seus colegas, com relação
a alguns tópicos: exemplo, a questão da designação do profissional. Acha um absurdo a
expressão "fulano de tal é Relações Públicas." Acha que deve ser usada a
expressão "redator público" ou "relacionista", de uso corrente nos
países latino-americanos. Outro ponto de que discorda, é o enquadramento da atividade de
Relações Públicas na Comunicação. Concorda que Relações Públicas tem muito de
Comunicação. Mas observa que elas envolvem tanto a filosofia básica de uma empresa, que
engradamento correto de ser na Administração e não na Comunicação. Preconiza
inclusive, que seja feita quanto antes essa mudança, nos cursos brasileiros.
No que se refere ao ensino, o prof. Teobaldo bate-se também por algumas
modificações substanciais. Mostra que, no país, temos 33 escolas com curso superior de
Relações Públicas, em 48 ela é incluída como disciplina. Dessas, 13 concentram-se em
São Paulo e 7 no Rio Grande do Sul. Esse crescimento ocorreu em poucos anos, de 1967 para
cá, quando foi fundada a primeira, na Universidade de São Paulo.
Teobaldo chama a atenção: a Comisión Interamericana para Ensenanza de
Relaciones Publicas CIPERP, por meio da FIARP, recomenda um outro currículo de
nível superior. Este currículo é fruto de uma pesquisa realizada em 27 países, entre
202 profissionais de Relações Públicas. O currículo foi entregue aos delegados do
Canadá, Colômbia e Brasil, para que o pudessem em execução. A Colômbia adotou esse
currículo para Relações Públicas na Universidade de Antióquia, em Medellin, o Canadá
ainda não o adotou e, no Brasil, duas faculdades paulistas o adotaram, a Anhembi e a
Alcântara Machado.
Teobaldo acha o Brasil muito adiantado no setor de Relações
Públicas. "Somos o vice-campeão. Só perdemos para os Estados Unidos". Acha
que há, contudo, alguns senões. Dentre eles, falta de teoria específica para a
situação brasileira. Falta a conscientização, por muitos profissionais, de que são
mais assessores da empresa que meros executantes da comunicação. Falta mais pesquisa e
mais avaliação de resultados.
