CULTURA E MUDANÇA ORGANIZACIONAL: EM BUSCA DA COMPREENSÃO
SOBRE O DILEMA DAS ORGANIZAÇÕES
Carmen Diva
B. Monteiro, Elvira Cruvinel Ventura
e Patrícia Nassif da Cruz
INTRODUÇÃO
Muitas metáforas podem ser usadas na tentativa de explicar o
funcionamento das organizações. Morgan (1996) descrever algumas, a saber:
-
Organizações como máquinas: desenvolvimento da
organização burocrática; máquinas feitas de partes que se interligam, cada
uma desempenhando um papel claramente definido no funcionamento do todo;
-
Organizações como organismos: compreender e
administrar as "necessidades" organizacionais e as relações com o
ambiente, diferentes tipos de organizações como pertencendo a diferentes
espécies;
-
Organizações como cérebros: importância do
processamento de informações, aprendizagem e inteligência; cérebro como um
computador, cérebro como um holograma;
-
Organizações como culturas: realidades socialmente
construídas sustentadas por um conjunto de idéias, valores, normas, rituais e
crenças;
-
Organizações como sistemas políticos: sistemas de
governo baseados em vários princípios políticos que legitimam diferentes
tipos de regras assim como os fatores específicos que delineiam a política da
vida organizacional;
-
Organizações como prisões psíquicas: as pessoas
caem nas armadilhas dos seus próprios pensamentos, idéias e crenças ou
preocupações que se originam na dimensão inconsciente da mente;
-
Organizações como fluxo e transformação:
compreensão da lógica de mudança que dá forma à vida social (sistemas
autoprodutores, causalidade mútua, lógica dialética);
-
Organizações como instrumentos de dominação:
aspectos potencialmente exploradores das organizações; sua essência repousa
sobre um processo de dominação em que certas pessoas impõem seus desejos
sobre as outras.
O presente trabalho propõe-se a abordar as organizações
vistas como culturas e as organizações vistas como fluxo e transformação, ou
seja, pretende enfocar as relações entre cultura e mudança organizacional.
Para tanto, apresentaremos o texto "Antiga Lenda Egípcia do Peixinho
Vermelho", de autoria anônima. Por meio deste conto abordaremos o
conceito de cultura e as formas culturais existentes nas organizações.
Através da lenda enfatizaremos também o papel do agente de mudanças,
delineando algumas visões sobre a mudança organizacional e os fatores-chave
que nela intervêm.
A HISTÓRIA
A seguir, apresentamos o texto, pedindo a atenção do leitor
para as partes por nós grifadas para posterior análise.
Antiga Lenda Egípcia do Peixinho Vermelho
No centro de formoso jardim, havia um grande lago (1),
adornado de ladrilhos azul-turquesa.
Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas,
do outro lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes
(2) a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e
sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de Rei, e
ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça. Junto deles,
porém, havia um peixinho vermelho (4) menosprezado de todos.
Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos
nichos barrentos.
Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas
as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao
descanso.
O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo
era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de
fome.
Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o
pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com
bastante interesse.
Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as
bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com
precisão, onde se reuniriam maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.
Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições,
encontrou a grade do escoadouro (6).
À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica,
refletiu consigo:
– "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer
outros rumos?"
Optou pela mudança.
Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer
conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a
passagem estreitíssima.
Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista pelo rego
d'água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o
defrontavam, e seguiu embriagado de esperança...
Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.
Encontrou peixes de muitas famílias diferentes que com ele
simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhes
mais fácil roteiro.
Embevecido, contemplou nas margens homens e animais,
embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.
Habituado com pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais
perdendo a leveza e agilidade naturais.
Conseguiu, desse modo, atingir o oceano (5), ébrio de
novidade e sedento de estudo.
De início, porém, fascinado pela paixão de observar,
aproximou-se de uma baleia (7) para quem toda água do lago em que vivera não
seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se
dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a
primeira refeição diária.
Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos peixes, rogando
proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia
salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar
e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.
O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias
simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações.
Plenamente transformado sem suas concepções do mundo,
passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas,
animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas.
Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados
tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.
Vivia, agora, sorridente e calmo, no palácio de coral (9)
que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, aos se
referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas
aquáticas dispunham de mais sólida garantia de vez que, quando o estio se
fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o
oceano.
O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão
daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do
progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? Não
seria nobre ampará-los, prestando-lhes o tempo valiosas informações?
Não hesitou.
Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com
ele viviam no palácio de coral, compreendeu comprida viagem de volta.
Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se
encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.
Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e
serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos
companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supões que o seu
regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira
lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia.
Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos
mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saíam apenas
para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse
atenção, porquanto ninguém, ali havia dado pela ausência dele.
Ridicularizado, procurou, então, o Rei de guelras enormes (3) e comunicou-lhe a
reveladora aventura.
O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o
povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.
O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com
ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era
uma insignificância que podia desaparecer de momento para outro. Além do
escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora,
corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes
e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente.
Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu notícias
do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto
de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos,
cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e
ofereceu-se para conduzi-los ao palácio do coral, onde viveriam todos,
prósperos e tranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade,
porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente,
abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo
a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à aventurosa jornada.
Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a
preleção. Ninguém acreditou nele. Alguns oradores tomaram a palavra e
afirmaram solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do
poço era francamente impossível, que aquela história de riachos, rios e
oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que
falavam em nome do Deus dos peixes, que trazia os olhos voltados para eles
unicamente.
O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho,
dirigiu-se em companhia dele até à grade de escoamento e, tentando de longe, a
travessia, exclamou, borbulhante:
– "Não vês que não cabe aqui nem uma só das minhas
barbatanas? Grande tolo! Vai-te daqui! Não nos perturbe o bem-estar...Nosso
lago é o centro do universo...Ninguém possui vida igual à nossa!..."
Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de
retorno e instalou-se, em definitivo, no palácio de coral, aguardando o tempo.
Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca
(8).
As águas desceram de nível. E o poço onde vivam os peixes
pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a aparecer,
atolada na lama...
Apresentada a história, faremos associações entre alguns
elementos do texto e aqueles elementos que encontramos na cultura de uma
organização, notadamente a dificuldade em gerir a mudança e o papel
fundamental do agente de mudança (embora, nesta história, ele não tenha
conseguido "salvar" a sua comunidade "organizacional").
PARALELO: HISTÓRIA COM CULTURA E MUDANÇA ORGANIZACIONAL
Destacamos alguns personagens e símbolos que julgamos
importantes para o alcance do objetivo de nosso artigo, qual seja, fazer um
paralelo entre a história com a cultura e transformações de uma empresa.
(1) Um grande lago e
(2) uma Comunidade de Peixes: A Organização e sua
Cultura
O grande lago e a comunidade de peixes representam na nossa
realidade a organização e a sua cultura. Não nos esqueçamos de que o lago é
apenas o locus organizacional, posto que a comunidade (indivíduos e sua
cultura) é que verdadeiramente "cria" a organização. A cultura
organizacional, por sua vez, é formada por políticas internas e externas,
sistemas, crenças, valores e clima organizacional.
O interesse sobre cultura organizacional recrudesceu nos anos
70, devido ao fenômeno japonês. O Japão surgiu como líder do poder
industrial, apesar de não ter recursos naturais, não ter energia e ser um
país superpovoado (mais de 110 milhões de habitantes). Entretanto, nenhum
desses fatores impediu que houvesse um alto nível de crescimento, um baixo
nível de desemprego e a mis bem-remunerada e saudável população trabalhadora
do mundo. Assim, entender a cultura desse povo tornou-se importante para
compreender a sua ascensão na economia mundial.
Segundo Fleury (1991), há vários caminhos para se desvendar
a cultura de uma organização. Dentre eles destacam-se:
-
O Histórico das Organizações: o momento de criação de
uma organização e sua inserção no contexto político e econômico da época
propiciam o pano de fundo necessário para compreensão da natureza da
organização, suas metas, seus objetivos. O fundador neste contexto tem um
papel fundamental, pois ele detém a concepção global sobre o projeto da
organização e tem o poder para estruturá-la, desenvolvê-la e tecer elementos
simbólicos consistentes com esta visão.
-
Os incidentes críticos por que passou a organização, tais
como crises, expansões, pontos de inflexão, de fracassos ou sucessos também
são formadores de sua história. Nestes momentos, o tecido simbólico se revela
mais facilmente ao pesquisador, pois certos valores importantes de serem
preservados ou, pelo contrário, questionados, emergem com maior nitidez;
-
O Processo de Socialização de Novos Membros: o momento de
socialização é crucial para a reprodução do universo simbólico. É
através das estratégias de integração do indivíduo à organização que os
valores e comportamento vão sendo transmitidos e incorporados pelos novos
membros. As estratégias mais usuais são os programas de treinamento e
integração de novos funcionários. Os rituais de socialização desempenham ao
mesmo tempo o papel de inclusão do indivíduo ao grupo e delimitação do
processo de exclusão dos demais;
-
As Políticas de Recursos Humanos: as políticas de recursos
humanos têm papel relevante no processo de construção de identidade da
organização por serem as mediadoras da relação entre capital e trabalho.
Analisando as políticas explícitas e principalmente as políticas implícitas
de recursos humanos de uma organização é possível decifrar e interpretar os
padrões culturais desta organização;
-
O Processo de Comunicação: a comunicação é um dos
elementos essenciais no processo de criação, transmissão e cristalização do
universo simbólico de uma organização. É preciso identificar os meios
formais orais (contactos diretos, reuniões, telefonemas) e escritos (jornais,
circulares, "memos") e os meios informais, como por exemplo a
"rádio-peão". O mapeamento dos meios permite o desvendar das
relações entre categorias, grupos e áreas da organização;
-
A Organização do Processo de Trabalho: a análise da
organização do processo de trabalho em sua componente tecnológica e em sua
componente social, como forma de gestão da força de trabalho, possibilita a
identificação das categorias presentes na relação de trabalho. Assim, ela é
importante para desvendar aspectos formadores da identidade organizacional,
além de fornecer o referencial para se decifrar a dimensão
político-construtiva do elemento simbólico. Ou seja, para se questionar como
elementos simbólicos ocultam ou instrumentalizam relações de poder é preciso
rebater a análise para o plano concreto das relações entre os agentes no
processo de trabalho;
-
As Técnicas de Investigação: derivam das propostas
teórico-metodológicas desenvolvidas pelos autores. Na ênfase quantitativa
utiliza-se levantamento de opinião, através de questionários, escalas,
entrevistas, etc. Na ênfase qualitativa utilizam-se dados secundários da
própria organização (documentos, relatórios manuais de pessoal,
organogramas, jornais, etc.). As técnicas mais utilizadas para coleta de dados
primários são entrevistas, observação participante e não participante e
dinâmicas de grupo, com uso de jogos e simulações.
Cultura usualmente é tida como o padrão de desenvolvimento
refletido nos sistemas sociais de conhecimento, ideologia, valores, leis e
rituais cotidianos. Também é vista como o grau de refinamento e evidente em
tais sistemas de crenças e práticas.
A antropologia serve de base para o estudo da cultura
organizacional. Requer uma ruptura radical com a crença de que existe um centro
do mundo e de que algumas culturas são mais avançadas ou evoluídas que
outras. O antropólogo social ou organizacional deve ter elevado grau de
relativismo cultural, de modo a neutralizar eventuais distorções provocadas
por seu contexto cultural de origem. A experiência da alteridade leva a se
perceber a própria cultura, através do reconhecimento de que ela nada tem de
natural e sim é essencialmente formada de construções sociais, e a cultura do
outro.
A cultura pode ser entendida como um sistema simbólico, tal
como a arte, o mito, a linguagem, em sua qualidade de instrumento de
comunicação entre as pessoas e os grupos sociais, que permite a elaboração
de um conhecimento consensual sobre o significado do mundo; e também como um
instrumento de poder e legitimação da ordem vigente.
Na perspectiva da Antropologia, a dimensão simbólica é
concebida como capaz de integrar todos os aspectos da prática social. Segundo
Durhan (Fleury, 1987), os antropólogos tenderam sempre a conceber os padrões
culturais não como um molde que produziria condutas estritamente idênticas,
mas antes como as regras de um jogo, isto é, uma estrutura que permite atribuir
significado a certas ações e em função da qual se jogam infinitas partidas.
Não existe também a preocupação em estabelecer relações entre as
representações e o poder.
Entre os sociólogos uma corrente importante para a análise
da cultura é o interacionismo simbólico (Fleury, 1987), no qual toda atividade
está sujeita ao hábito. Qualquer ação freqüentemente repetida torna-se um
padrão que pode ser reproduzido, com economia de esforço e tempo. Os
fenômenos estão pré-arranjados em padrões que parecem ser independentes da
apreensão que cada pessoa faz deles individualmente. A realidade se impõe como
objetivada, isto é, constituída por uma série de objetivos que foram
designados como objetos antes da "minha" aparição (como indivíduo)
em cena. Existe o compartilhar de um senso comum sobre a realidade, produzindo
signos (sinais que têm significação). Nas organizações, observa-se como
certos símbolos são criados e os procedimentos implícitos e explícitos para
legitimá-los.
Discutem-se também os processos de socialização vivenciados
pelo indivíduo, quais sejam:
-
Socialização Primária: onde o indivíduo se toma membro de
uma sociedade. O cunho da realidade do conhecimento é internalizado quase que
automaticamente pelo indivíduo, através, principalmente, da linguagem;
-
Socialização Secundária: introduz um indivíduo já
socializado a novos setores do mundo objetivo. A identificação acontece
somente na medida necessária para a comunicação entre seres humanos. Sua
extensão e seu caráter são determinados pela complexidade da divisão do
trabalho e pela distribuição social do conhecimento de uma dada sociedade.
Smirchich (Fleury, 1987) propõe duas linhas de pesquisa:
-
A cultura como uma variável, como alguma coisa que a
organização tem: ligada ao modelo sistêmico de organização, tem um
objetivo normativo – realizar diagnósticos com análises comparativas que
subsidiem a elaboração de estratégias de ação das empresas. Por sua vez
esta linha de pesquisa considera dois tipos de variáveis:
-
como variável independente, externa à organização (a
cultura da sociedade em que se insere a organização e que é trazida para
dentro por seus membros);
-
como variável interna à organização (as organizações
produzem bens, serviços e produtos culturais como lendas, ritos, símbolos); é
resultado do desempenho e de representações dos indivíduos nas
organizações;
-
A cultura como raiz da própria organização, algo que a
organização é
: esta segunda abordagem procura ir além da visão
instrumental da organização para pensá-la como um fenômeno social derivado
do conceito antropológico de cultura.
Dentro dessa abordagem, a autora coloca três correntes
antropológicas que embasariam as pesquisas sobre cultura organizacional:
-
Cognitivista: cultura é definida como um sistema de
conhecimento e crenças compartilhados. É importante determinar quais as regras
existentes em uma determinada cultura e como seus membros vêem o mundo;
-
Estruturalista: a cultura se constitui de signos e símbolos.
É convencional, arbitrária e estruturada. É constitutiva da ação social
sendo, portanto, indissociável desta;
-
Simbólica: define cultura como um sistema de símbolos e
significados compartilhados que necessita ser decifrado e interpretado. As
pessoas procuram decifrar a organização em termos de pautar e adequar o seu
próprio comportamento.
Nesta última corrente, Van Maanem (Fleury, 1991) identifica
vários tipos de estratégias de socialização, que podem ser combinados em
função de se adequar o mais eficientemente possível o indivíduo aos
objetivos e natureza daquela organização (tem a ver com a socialização
secundária de Berger).
Para Schein, também desta última corrente, cultura
organizacional é o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou,
descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação
externa ou integração interna e que funcionaram bem o suficiente para serem
considerados válidos e ensinados a novos membros como a forma correta de
perceber, pensar e sentir, em relação a esses problemas. Ainda, a cultura de
uma organização pode ser apreendida em vários níveis (Fleury, 1991):
-
Nível dos artefatos visíveis: fáceis de obter, mas
difíceis de interpretar. É o ambiente construído da organização,
arquitetura, layout, a maneira de as pessoas se vestirem, padrões de
comportamento visíveis, documentos públicos;
-
Nível dos valores que governam o comportamento das pessoas:
valores manifestos na cultura, ou seja, expressam o que as pessoas reportam ser
a razão do seu comportamento, o que na maioria das vezes são idealizações ou
racionalizações;
-
Nível dos pressupostos inconscientes: são aqueles
pressupostos que determinam como os membros de um grupo percebem, pensam e
sentem. À medida que um pressuposto vai se tornando cada vez mais taken for
granted, vai passando para o nível do inconsciente.
O mesmo autor diz que se a organização como um todo
vivenciou experiências comuns pode existir uma forte cultura organizacional que
prevaleça sobre várias subculturas das unidades (cultura dos gerentes, do
sindicato, etc.). Schein coloca como de maior importância o papel dos
fundadores da organização no processo e moldar seus padrões culturais,
que imprimem sua visão de mundo aos demais e também sua visão do papel que a
organização deve desempenhar no mundo.
Shein propõe ainda categorias para se investigar o universo
cultural de uma organização:
-
Analisar o teor e o processo de socialização dos novos
membros;
-
Analisar as respostas a incidentes críticos da história da
organização;
-
Analisar as crenças, valores e convicções dos criadores ou
portadores da cultura;
-
Explorar e analisar junto a pessoas de dentro da
organização as observações surpreendentes descobertas durante as
entrevistas.
Esta linha de estudos assume os sistemas culturais apenas em
sua capacidade de comunicação e de expressão de uma visão consensual sobre a
própria organização. Entretanto, a dimensão do poder está ausente destes
estudos. Para ir além da proposta clássica, que define cultura como
representações simbólicas que expressam formas comuns de apreender o mundo,
é necessário "politizar" o conceito de cultura, investigando como o
universo simbólico expressa relações de poder, oculta-as e instrumentaliza o
pólo dominante da relação.
(3) O Rei de Guelras Enormes:
O Poder nas Organizações
O Rei representa na lenda o poder. Percebe-se na figura do
rei um líder de comportamento autoritário, sem a devida responsabilidade para
com seus seguidores (comunidade de peixes). Nas organizações, essa faculdade
de um homem determinar o comportamento de outro homem pode se dar através da
manipulação, da persuasão, da ameaça de punição e até pela promessa de
benefícios e vantagens.
Nesta perspectiva, Max Pagès, estudando o fenômeno do poder
e suas articulações na vida de uma organização, trabalha de forma analítica
(e não-antropológica) o fenômeno do poder sob diferentes matizes, aliando o
referencial marxista à psicanálise freudiana (postura
"sistêmico-dialética"):
-
Como fenômeno de alienação econômica (perspectiva
marxista);
-
Como fenômeno político de imposição e controle sobre as
decisões e organização do trabalho;
-
No nível ideológico, como um fenômeno de apropriação de
significados e valores;
-
No nível psicológico, como um fenômeno de alienação
psicológica.
Fleury (1987) coloca a introdução do conceito de mediação
como um processo que transforma a contradição básica entre capital e trabalho
em uma contradição interna às políticas da organização. A organização
hipermoderna tem esta característica, identificada em quatro categorias:
-
Mediações de ordem econômica (salários, carreira, etc.);
-
Mediações de ordem política (sistema decisório);
-
Mediações de ordem ideológica (quer tornar-se um lugar de
produção de significado e valor);
-
Mediações de ordem psicológica (de vantagens /
restrições para prazer / agonia, mecanismo de reforço circular, que assegura
a manutenção do sistema psicológico em consonância com a estrutura da
organização e os reproduz).
O conceito de ideologia desenvolvido pelos autores
aproxima-se do conceito de cultura organizacional. Para o autor a ideologia não
reside apenas no discurso dos dirigentes, mas é elaborada pelo conjunto dos
empregados. A função essencial da ideologia não é apenas mascarar as
relações sociais de produção, mas reforçar a dominação e conseguir a
exploração dos trabalhadores. Utiliza a metáfora da "religião",
que na empresa é colocada em prática nos dispositivos da política de pessoal.
Em sua pesquisa, analisa os dogmas, mandamentos da empresa, ritos (confissão:
entrevista de avaliação; missa: reuniões; batismo: programa de treinamento,
etc.).
Fleury (1989) define cultura a partir da concepção de
Shein, mas incorpora a dimensão política inerente a este fenômeno. Assim,
cultura organizacional é concebida como:
"...um conjunto de valores e pressupostos básicos
expressos em elementos simbólicos, que em sua capacidade de ordenar, atribuir
significações, construir a identidade organizacional, tanto agem como elemento
de comunicação e consenso, como ocultam e instrumentalizam as relações de
dominação" (Fleury, 1989:22).
Há, ainda, o mito da "grande família" , que
revela as duas faces presentes nas relações de trabalho: a face visível da
solidariedade, de cooperação, e a face oculta da dominação e submissão.
(4) O Peixinho Vermelho:
O Agente de Mudanças
Na lenda, o peixinho vermelho representa o agente promotor de
mudança. É considerado um líder democrático, cooperativo, aberto à mudança
e sobretudo humano. Buscava conhecimento através do estudo e também conhecia
bem a realidade em que vivia, ou seja, os problemas, a estrutura, as bases do
grande lago.
Nas organizações, esse agente de mudanças é conhecido
como empreendedor. Estes, por sua vez, são elementos dispostos a inovar e criar
produtos, estratégias e situações que promovem o desenvolvimento
organizacional.
Até meados da década de 70, falar em mudança
organizacional era predominantemente falar em projeto ou desenho organizacional.
A idéia de mudança estava centrada no conceito de alteração de organogramas,
na criação, modificação ou extinção de cargos e funções. É somente nos
anos 80 que esta abordagem vai ganhar forma. Grande parte do interesse pelo tema
deve-se ao fato de que, após operar todo tipo de mudança em suas empresas,
muitos administradores perceberam que ainda era necessários mudar os valores
comuns e as crenças dos grupos para que os resultados surgissem.
Para Herzog (citado por Wood, 1992), mudança no contexto
organizacional engloba alterações fundamentais no comportamento humano nos
padrões de trabalho e nos valores em resposta a modificações ou antecipando
alterações estratégicas, de recursos ou de tecnologia. Ele considera também
que a chave para enfrentar com sucesso o processo de mudança é o gerenciamento
das pessoas, mantendo o alto nível de motivação e evitando desapontamentos.
Para ele, grande desafio não é a mudança tecnológica, mas mudar as pessoas e
a cultura organizacional, renovando os valores para ganhar vantagem competitiva.
Deal e Kennedy (citados por Wood 1992), acreditam que a
mudança é necessária quando ocorrem perturbações ambientais e mudar
torna-se uma questão de sobrevivência. Delisi, Linder e Koch e Steinhauser
(Wood, 1992) exploram a relação entre tecnologia de informação e mudança
cultural e o potencial de impacto que a variável tecnológica tem sobre as
organizações.
Para Morgan (1996), o processo de mudança tradicionalmente
tem sido dado como um problema de mudança das tecnologias, estruturas,
habilidades e motivações dos empregados. Embora seja correto, a mudança
efetiva depende das mudanças de imagens que deve guiar as ações.
O'Toole (Wood, 1992) considera que os fatores-chave em uma
mudança cultural são:
-
que a mudança seja construída sobre as forças e os valores
da organização;
-
que haja participação em todos os níveis;
-
que a mudança se dê de forma holística, relacionando-se
com a estrutura, estratégica, sistemas de recompensa, sistemas de controle;
-
que a alta gerência lhe dê todo apoio e que se torne um
processo contínuo;
-
que seja planejada no longo prazo e executada em etapas.
Segundo Pettigrew (Fleury, 1991) a cultura é pensada como um
conjunto complexo de valores, crenças e pressupostos que definem os modos pelos
quais uma empresa conduz seus negócios. Esse núcleo de crenças e pressupostos
são manifestos nas estruturas, sistemas, símbolos, mitos e padrões de
recompensas dentro da organização. Seria muito mais fácil ajustar as
manifestações de cultura do que modificar o núcleo de crenças e pressupostos
básicos de uma organização. No entanto, qualquer estratégia para modificar a
cultura organizacional terá de envolver pensamentos e ação tanto no nível
das crenças básicas como no de suas manifestações.
O ponto de partida para esta análise da mudança
estratégica é a noção de que a formulação do conteúdo de qualquer nova
estratégia supõe controlar ambiente social, econômico, político e
competitivo. O contexto interno é a própria cultura organizacional, através
da qual as idéias de mudança devem fluir. O processo de mudança refere-se às
ações, reações e interações das várias partes interessadas.
Segundo Morgam (1996), aprende-se a encarar sistemas vivos
como entidades distintas caracterizadas por inúmeros padrões de
interdependência, tanto internos, como em relação aos seus ambientes. Caso
nos coloquemos "dentro" desses sistemas percebemos que estamos dentro
de um sistema fechado de interação e que o ambiente é parte da organização
do sistema.
O padrão do sistema deve ser entendido como um todo. Por
isso não faz sentido dizer que um sistema interage com seu ambiente, são
transações dentro de si mesma. Se as relações com o ambiente são
internamente determinadas, então os sistemas só podem evoluir e mudar através
de mudanças autogeradas na identidade. Quando uma organização deseja entender
o seu ambiente, deve então entender-se a si mesma, uma vez que a compreensão
do ambiente é sempre uma projeção de si própria. Muitas organizações
encontram sérios problemas em lidar com o mundo exterior por não reconhecerem
que são uma parte dos seus respectivos ambientes.
(5) O Oceano:
o Universo de Inserção das Organizações
O oceano significa o universo de inserção das
organizações que sobreviverão e se adaptarão aos impactos das
transformações exigidas pela dinâmica do mundo globalizado da Era da
Informação. De acordo com Toledo (1997), a mutabilidade é o cenário em que
as pessoas e organizações vão encontrar neste fim de milênio e no começo do
próximo. Diante disso, coloca-se a necessidade das empresas se adequarem aos
novos paradigmas para que permaneçam no mercado. Muitas organizações se vêem
como centros, olhando apenas para o seu próprio umbigo, fechadas ao ambiente,
em si mesmas, às mudanças. Não querem se comprometer, pois tal ação exige
risco.
Um novo modelo de gestão deve, então, ser criado neste
cenário de competitividade crescente, tanto no nível das relações externas
quanto internas. À medida que os cenários mudam os seres humanos são instados
a mudar, a oferecer soluções criativas e a mobilizar novos recursos. E a
transformação desse fluxo de mudanças se encontra na sinergia, parceria e na
globalização que são formas de união.
(6) A Grade de Escoadouro:
Os Obstáculos para a Mudança
Na lenda o escoadouro representa o caminho para a mudança, a
ponte. Toda mudança implica algum sacrifício e é sempre cercada por
incertezas. É esta passagem estreitíssima que levaria a outro mundo (oceano,
rios, riachos, plantas). Mas, para se chegar do outro lado, através desse
escoadouro, era preciso que os peixes emagrecessem, renunciassem a muitos
hábitos, atitudes, crenças, valores. Desse modo, não atravessar esse
escoadouro significa negar a necessidade de mudanças e dizer não às novas
oportunidades, enfim, significa uma resistência à mudança.
As organizações por estarem inseridas num contexto de
mudanças constantes precisam se adaptar às novas realidades com as quais se
defrontam. Por exemplo, tais realidades poderiam ser a necessidade de uma nova
política de recursos humanos, ou uma nova forma de gestão e planejamento; ou
ainda, mudanças nas estruturas, sistemas e processos ou urgência de
informatização; ou até mudanças políticas e novas tecnologias. A despeito
de tais pressões, muitas organizações não procedem as atitudes necessárias
para instaurarem o processo que as levaria a modificar o seu status quo.
Talvez o maior foco de resistência seja o fato de que a questão não é
somente mudar, e sim gerenciar a mudança, o que implica na tarefa extremamente
difícil de gerenciar a própria cultura da organização.
Segundo Pettigrew (Fleury, 1991) as dificuldades de se
gerenciar a cultura de uma organização são devidas aos seguintes problemas:
-
Problema dos níveis: a cultura existe em uma variedade de
níveis diferentes na empresa. Refere-se às crenças e pressupostos das pessoas
dentro da organização. É muito mais difícil modificar manifestações de
cultura;
-
Problema da infiltração: a cultura refere-se também aos
produtos da empresa, às estruturas, aos sistemas, à missão da empresa,
recompensas, socialização;
-
Problema do implícito: é difícil modificar coisas que são
implícitas no pensamento e no comportamento das pessoas;
-
Problema do impresso: a história tem grande peso na
administração presente e futura na maioria das organizações;
-
Problema do político: refere-se às conexões entre a
cultura organizacional e a distribuição do poder na empresa. Esses grupos de
poder não estão dispostos a abandonar tais crenças;
-
Problema da pluralidade: a maioria das empresas não possui
uma única cultura organizacional, podendo apresentar uma série de subculturas;
-
Problema da interdependência: a cultura está interconectada
não apenas com a política da empresa, mas com a estrutura, os sistemas, as
pessoas e as prioridades da empresa.
Para criar e manter a cultura, a rede de concepções, normas
e valores devem ser afirmados e comunicados aos membros da organização de uma
forma tangível (Fleury, 1991), que são as formas culturais, ou seja, os ritos,
rituais, mitos, histórias, gestos e artefatos.
O rito se configura como uma categoria analítica
privilegiada para desvendar a cultura das organizações. Ao desempenhar um
rito, as pessoas se expressam através de diversos símbolos: certos gestos,
linguagem, comportamentos ritualizados, artefatos para salientar uma visão
consensual apropriada à ocasião. Comparando os relatos antropológicos dos
ritos das sociedades tribais com os da vida das organizações modernas, Beyer e
Trice (Fleury, 1991) identificaram seis tipos de ritos:
-
Ritos de passagem: o processo e introdução e treinamento
básico no Exército americano;
-
Ritos de degradação: o processo de despedir e substituir um
alto executivo;
-
Ritos de confirmação: seminários para reforçar a
identidade social e seu poder de coesão;
-
Ritos de reprodução: atividades de desenvolvimento
organizacional;
-
Ritos para redução de conflito: processos de negociação
coletiva;
-
Ritos de integração: festas de natal nas organizações.
Para os autores, os ritos organizacionais são facilmente
identificáveis, porém dificilmente interpretáveis. Pode-se, então,
identificar duas posturas teóricas básicas ao se trabalhar o conceito de
cultura, que não são excludentes:
-
aqueles que consideram a cultura como a
interação/comunicação entre as pessoas e grupos e elaboração de um
conhecimento consensual sobre significado do mundo (arte, mito, linguagem =>
sistema simbólico);
-
aqueles que consideram a cultura como um instrumento de poder
e legitimação da ordem vigente (ideologia).
(7) A Baleia :
O Perigo da Precipitação
Na nossa história o encontro com a baleia representa
exatamente o extremo da organização que resiste às mudanças: é aquela que
se deixa levar inconseqüentemente por qualquer "onda" que lhe acene
com a promessa de solução de seus problemas, aceitando o modismo da mudança
sem uma avaliação adequada de suas reais necessidades e um planejamento sério
para levar a termo tais tentativas de transformação.
Podemos incluir aqui as chamadas "maquiagens",
muda-se a forma mas o conteúdo permanece o mesmo. Ou então são os
"desvios" da mudança, em que a empresa, por ignorância, falta de
orientação ou por má interpretação dos fatos não procedeu de forma a
viabilizar aquilo que pretendia e acaba faceando situações danosas para as
quais não tem defesa, e que podem inclusive vir a causar-lhe a extinção. A
baleia também pode representar o reconhecimento do erro, quando os desvios
mencionados são detectados em sua fase inicial e ainda são passíveis de serem
corrigidos.
(8) A Seca:
O Destino das Organizações Estanques
A Seca representa o futuro para aquelas organizações que
não aceitarem os novos paradigmas. Aquelas que não acompanharem o influxo dos
requisitos para a sobrevivência no mercado globalizado estão destinadas a
desaparecer. As mudanças globais na economia delineiam um novo cenário que
traz, para as empresas, drásticas mudanças nas relações de troca: exigência
dos consumidores e necessidades de qualidade de vida do trabalho. Por isso, é
necessário que as mudanças se façam nos processos sociais internos, para que
se modifiquem também as pessoas a fim de que este modelo de gestão funcione.
Diante disso, torna-se necessário superar as barreiras dos
antigos comportamentos. Em primeiro lugar, através da quebra dos paradigmas
construídos sobre a realidade passada, para que um novo paradigma possa fazer
emergir uma nova realidade sobre ele construída. As organizações devem se
preparar para os possíveis desafios, através de um processo contínuo de
aprendizagem, mobilização de recursos adicionais para atenderem às novas
demandas e adaptação ao novo ambiente; caso contrário, as organizações
estão fadadas à morte (falência).
(9) O Palácio de Coral:
O Futuro das Organizações
Em nossa história o palácio de coral representa o novo
estado possível da organização, ou, dito de outra forma, como serão as
arquiteturas organizacionais para o século 21. Desde meados dos anos 80 têm
aumentado as pressões sobre as empresas que desejam continuar no mercado com
êxito. As transformações por que passa a nossa época são bastante
diferenciadas daquelas trazidas no bojo da Revolução Industrial que motivou a
reorganização das relações mundiais de produção e trabalho. Várias foram
as forças que delinearam este novo cenário organizacional, dentre as quais
pode-se citar a tecnologia, a competição, o excesso de oferta, a
globalização, as expectativas do cliente, a participação governamental, as
relações de propriedade e a dinâmica das forças de trabalho.
Neste contexto, é fácil perceber que as organizações para
sobreviverem devem enfrentar todos estes desafios, o que pressupõe uma
capacidade de prever mudanças e administrá-las, privilegiando a
adaptabilidade, a flexibilidade, a sensibilidade, a decisão e a rapidez; daí a
crucial importância do desenvolvimento antecipado de estratégias, ou, dito de
outra forma, o que faz a diferença fundamental entre as empresas no mundo
moderno é a qualidade do seu planejamento estratégico.
Assim, podemos inferir que no futuro as organizações
provavelmente terão, entre outras, as seguintes características:
organizações em redes de fornecedores, concorrentes e clientes cooperando para
sobreviver, limites organizacionais imprecisos (várias lealdades); sistemas de
trabalho de alto desempenho (processos e qualidade total); equipes serão a
norma; subunidades serão autônomas; normas e valores dão coesão para
direção e coordenação ativas; formas organizacionais fluidas e
transitórias; ênfase do aprendizado em nível de sistema; desenvolvimento da
visão estratégica e visão específica; e menor ênfase no desempenho
financeiro de curto prazo.
CONCLUSÃO
De acordo com Tavares (1991), as características próprias
de cada organização nascem das estratégias adotadas por seus dirigentes a fim
de manter a empresa. As pessoas têm que estar de acordo com estas
características, e estes pressupostos vão se internalizando, formando uma
posição a respeito de "como as coisas são".
A partir de exigências para mudanças no ajustamento externo
estas podem impulsionar desdobramentos internos de alteração nos sistemas de
integração e coordenação. As culturas mudam pelos mesmos processos pelos
quais se formam, transformam sua interpretação em ação visível, através do
exemplo vivido e inteligível para o grupo como um todo, permitindo uma
orientação no agir e interagir do cotidiano da empresa.
O grande dilema que parece estar no bojo de toda esta
transformação é a questão do gerenciamento das contradições entre cultura
e mudança organizacional. Enquanto a primeira enseja uma sedimentação lenta,
mais definida pela passagem do tempo, a segunda pede a adaptabilidade
instantânea para responder aos desafios que este mesmo tempo lhe impõe. Faz-se
mister, portanto, aprender a mudar, o que significa aprender e apreender o que
ode e deve ser feito com os instrumentos e técnicas disponíveis do
planejamento e do controle do processo, pois, embora não possamos realmente
prever o futuro, parece claro que este mesmo futuro não será alcançado a
menos que tentemos ir até ele.
Alguns quesitos terão maior relevância sobre outros ao
longo deste caminho que estamos percorrendo no sentido de aprenderemos a mudar.
Apenas para exemplificar o gênero de desafios que nos espera podemos citar: