RELAÇÕES PÚBLICAS CAINDO NA
REDE: DIVULGANDO A PROFISSÃO NA INTERNET
Leonardo
Lessa de Farias Ferreira
INTRODUÇÃO
A profissão de Relações Públicas vem sofrendo de um mal que pode acabar
com uma profissão ou com o interesse de estudantes e empregadores pela
mesma: o desconhecimento. O cenário encontrado por jovens profissionais
que saem das faculdades para o mercado não é nada animador. De um lado, as
atividades ensinadas nas salas de aulas são vistas sendo desenvolvidas por
outros profissionais, alguns sem ao menos possuir qualquer ligação com as
demais áreas da comunicação social. De outro lado, profissionais se
auto-intitulam Relações Públicas apesar de, na verdade, serem
recepcionistas de boates ou organizadores de eventos, por exemplo.
Diante de tal condição, muitos jovens abandonam o curso ou escolhem
outra habilitação da comunicação social. No entanto, muitos nem mesmo
chegam a ter conhecimento da profissão e escolhem suas carreiras sem ao
menos saber que existe um profissional responsável por administrar a
imagem das organizações diante da opinião pública.
Para os profissionais formados a situação parece ser ainda pior.
Atualmente o mercado oferece poucas vagas, e muitas vezes as atividades de
um profissional de Relações Públicas são realizadas por jornalistas ou
publicitários, o que obriga os profissionais de Relações Públicas a se
aventurarem em outras atividades, assumindo outras funções ou investindo
num investimento próprio. Isso acontece porque os empregadores também não
conhecem a profissão, não sabem das suas funções e, principalmente, não
foram convencidos da necessidade de contar com um profissional de Relações
Públicas em seus quadros funcionais.
É de suma importância
que a sociedade tenha mais conhecimento das Relações Públicas. A
manutenção dos profissionais na área depende disso, assim como a entrada
de novos, que garantam a renovação da classe profissional, fica
comprometida por uma série de fatores que enfraquecem a imagem da
profissão no mercado brasileiro. De fato, a profissão está esquecida por
O atual trabalho tem
como objetivos demonstrar o potencial da Internet como meio para divulgar
a profissão de Relações Públicas e com isso deixá-la mais acessível à
sociedade em geral e traçar um panorama atual dos sites que tratam
especificamente de Relações Públicas, bem como a contribuição dada pelos
mesmos.
Também consta neste trabalho, uma análise
da capacidade dos sites utilizarem o e-mail como forma de estabelecer
diálogo com o usuário, baseado na afirmação de que o conhecimento só é
possível de ser transmitido se houver diálogo entre emissor e receptor.
Diante disso, o
primeiro capítulo retrata o cenário em que se encontra a profissão. A
falta de conhecimento acerca das Relações Públicas e algumas das possíveis
causas de tal panorama, bem como a necessidade de se buscar um objetivo
comum, de profissionais e órgãos representativos da classe: o de divulgar
a profissão para a sociedade.
O segundo capítulo
mostra o potencial da Internet como meio de comunicação. São apresentados
dados acerca de seu crescimento por todo o mundo e especificamente no
Brasil. Em seguida, é apresentada como meio ideal de divulgar Relações
Públicas, e são apresentadas algumas características necessárias para o
sucesso de sites, especialmente dos especializados em Relações Públicas.
Os capítulos seguintes
são destinados às análises e avaliações feitas dos principais sites de
Relações Públicas que existem na Internet atualmente. Primeiro, são
avaliados as páginas pessoais, caso do "Mundo RP" e "Portal RP". Em
seguida, as páginas de órgãos de classe são também avaliadas.
O último capítulo
destina-se a avaliar a capacidade dos sites avaliados em utilizar o e-mail
de forma eficiente e eficaz, buscando transmitir conhecimentos através de
um diálogo com o usuário.
METODOLOGIA
Este trabalho está dividido em duas partes
para alcançar seus objetivos. A primeira parte visa demonstrar como a
profissão de Relações Públicas carece de uma maior divulgação entre a
sociedade em geral. A propagação das atividades e importância da profissão
deve chegar a públicos diferentes, como empresários, alunos, além da
sociedade em geral. Uma mobilização nacional seria o ideal. No entanto, o
uso de um meio que propicie o acesso à informação de maneira prática,
barata e eficiente, como a Internet, é considerado ideal num primeiro
momento.
Para descrever o cenário atual das Relações
Públicas e defender o uso da internet para alcançar os objetivos de
divulgação, realiza um levantamento bibliográfico de diversas fontes, como
artigos, livros e entrevistas exploratórias para descrever o quadro atual
da profissão. As leituras feitas na fase da pesquisa bibliográfica
permitem fazer os balanços dos conhecimentos relativos ao problema de
partida, e as entrevistas contribuem para descobrir os aspectos a serem
avaliados e alargam ou retificam o campo de investigação das leituras.
Ambas se complementam para dar ao trabalho uma base teórica mais fiel à
realidade (Quivy e Campenhoudt, 1992).
A segunda parte analisa como a Internet está sendo usada para divulgar
a profissão de Relações Públicas para o púbico que tem acesso a esse meio
de comunicação, que demonstra grande potencial de crescimento. Para tanto,
realiza uma pesquisa exploratória dos sites de Relações Públicas. Antônio
Carlos Gil defende que a pesquisa exploratória "tem como objetivo
proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo mais
explícito ou construir hipóteses" (Gil, 1991).
Os sites foram divididos em duas categorias: pessoais ou de entidades
de classe. As páginas pessoais que tinham conteúdo de Relações Públicas
encontradas na Internet foram analisadas. Poucas se destinavam
exclusivamente a Relações Públicas, o que limitou a amostra, pois somente
seriam analisados os sites considerados aptos para uma avaliação.
Dois sites foram escolhidos para serem avaliados e analisados nessa
categoria, o Mundo RP e o Portal RP, por serem os que se aproximam mais de
modelos ideais de sites para difundir a profissão de Relações
Públicas e suas atividades.
Os sites de entidade de classe não foram previamente escolhidos
para análise. Todos os encontrados foram avaliados, pois a existência
desses órgãos já está ligada à divulgação da profissão e atuação
profissional. Portanto, é como se a divulgação da profissão fosse um dever
desses órgãos, e não uma simples vontade, como no caso das páginas
pessoais.
Do sistema CONFERP, quatro sites foram analisados. Ligados a ABRP, três
sites de seções regionais foram avaliados. E ainda o site do SINPRORP,
ligada aos profissionais liberais de Relações Públicas do Estado de São
Paulo.
Partindo da hipótese de que a Internet é o meio ideal para começar a
divulgar a profissão de Relações Públicas, os sites foram avaliados
quanto ao conteúdo disponibilizado; quanto ao layout da página e
seu aspecto visual; quanto a linguagem utilizada; quanto as atualizações
feitas e sua periodicidade e quanto a capacidade de transmitir
conhecimentos acerca da profissão a um usuário leigo na área. Todos esses
elementos são considerados pré-requisitos para um site obter sucesso na
Internet.
Foi avaliada a capacidade de estabelecer um diálogo educativo com o
usuário através do e-mail. Todos os sites analisados receberam uma mesma
pergunta, e as respostas enviadas foram avaliadas também quanto à
linguagem utilizada na resposta; quanto ao tempo de envio da resposta,
desde seu envio; quanto à pessoa responsável pela resposta e quanto à
clareza do texto enviado.
O período de avaliação ocorreu entre os meses de agosto e outubro de
2002, tanto para a análise dos sites, quanto para as respostas por e-mail.
1 RELAÇÕES PÚBLICAS,
ESSA DESCONHECIDA
Peça a alguém, qualquer
pessoa, que defina com precisão o que é o amor. Ou ainda, o que é a
felicidade. Todos falarão sobre a mesma coisa, mas as respostas podem
variar de tal maneira que o leve a achar que estão falando de coisas
diferentes. Assim é a profissão de Relações
Públicas. Todos já ouviram falar dela, mas não sabem explicar bem o que é.
Aí surgem certos escorregões como “as Relações Públicas cuidam das
relações com o público”, ou “são organizadores de festas”. Alguns
profissionais da área se indignam quando ouvem tais comentários. Na minha
opinião, são totalmente aceitáveis e justificáveis, visto que as Relações
Públicas ainda não fazem parte da realidade do povo brasileiro.
De fato,
a profissão Relações Públicas não está na mente, e nem na boca do povo.
Não foi incorporada ao vocabulário usual do povo brasileiro. Só não
percebe isso quem não quer, e estamos longe de conseguir o tão sonhado
reconhecimento. Tão desejado, porém, tão menosprezado. Ao mesmo tempo em
que os estudantes e profissionais estão convencidos de que a profissão de
Relações Públicas é um pré-requisito necessário para a empresa que quiser
manter um bom relacionamento com seus diversos públicos e, em conseqüência
do trabalho, uma boa imagem pública, a maioria esmagadora da população não
sabe disso. Nos piores casos, nem mesmo sabem da existência da profissão.
Foi
aplicado um teste em três jovens vestibulandos. São pessoas se preparando
para definir seu futuro, passando pela difícil fase de escolher a
profissão que seguirão durante o resto de suas vidas, ou parte dela.
Fiz a
seguinte pergunta: “O que é Relações Públicas?”. O primeiro respondeu que
um especialista em Relações Públicas é “um profissional que mexe com
marketing, que se envolve com a divulgação de seu empregador”. O segundo
afirmou que é “a pessoa que faz as transações entre a empresa e uma outra
empresa ...que contata uma empresa publicitária pra pedir pra eles fazerem
propaganda pra outra empresa etc. ...como um mediador, um diplomata.” O
terceiro disse que Relações Públicas “são estudos sobre o relacionamento
entre pessoas, civis, ou empresariais ...ou algo que envolva
relacionamento humano.”
Apesar
desse teste não possuir valor científico, serve para demonstrar o que foi
exposto anteriormente. Pelas respostas, pode-se perceber a confusão que a
palavra Relações Públicas causa na mente das pessoas. Elas não sabem se
estão falando de um profissional, de um processo, ou de estudos sobre o
relacionamento. Os respondentes são jovens que estão decidindo por uma
profissão e nada os persuadiu a optar por Relações Públicas. Ou
simplesmente ninguém as apresentou a esses estudantes.
Na hora de explicar a
profissão para um leigo, a tarefa torna-se ainda mais difícil. Que a
sociedade ignore a existência, que não saiba o que faz um profissional de
Relações Públicas, isso é aceitável. No entanto, até mesmo entre os
profissionais da área ainda é um conceito indefinido, cheio de percepções
diferentes. Todos sabem o que é, o que faz, e qual a importância de um
profissional de
Relações Públicas para uma
organização. Se não souberem, que mudem de profissão e vão ser
jornalistas. Porém, quando perguntados sobre o que é Relações Públicas, a
resposta varia de acordo com o profissional questionado.
Provavelmente todos
estarão corretos, mas o discurso com certeza não será uniforme, pois nem
mesmo entre a classe profissional existe uma unanimidade em relação à
definição da profissão. Pelo contrário: cada um quer dar sua
“contribuição” com uma nova e mais correta definição, o que faz com que as
idéias principais se entrelacem ainda mais, e uma definição única fique
ainda mais difícil de ser usada por todos.
Já que a
profissão de Relações Públicas foi regularizada no Brasil na década de 60,
o que leva a essa falta de esclarecimento acerca da profissão? São mais de
30 anos de existência reconhecida e regulamentada, tempo bastante para se
divulgar a profissão de modo que já tivesse obtido reconhecimento público.
Web Designer e Personal Trainer são só alguns exemplos de
profissões mais novas e que estão em maior evidência. A profissão de
jornalista também foi regularizada na década de 60 e são perceptíveis a
fácil aceitação e reconhecimento que tem na sociedade. Qual seria a razão
para esse descaso com a atividade de Relações Públicas? Existem culpados
nessa história? Será que estamos mesmos condenados ao esquecimento?
É consenso entre os profissionais da área que o trabalho de um
profissional de Relações Públicas é uma ação dos bastidores. Não aparecem
como os jornalistas, que escrevem uma coluna e a vêm estampada nas páginas
dos jornais. Ou como um publicitário, que desenvolve uma campanha e vê
suas peças pelas ruas, revistas, canais de televisão. Mas não é correto
afirmar que esse seja o problema mais grave enfrentado pelas Relações
Públicas.
Um das causas da profissão causar tanto desentendimento entre os leigos
pode ser pelo fato da profissão ser uma das únicas a ser polissêmica a
ponto de exigir um complemento gramatical a cada vez que é citada, para
deixar claro a que Relações Públicas está se referindo. O que quero dizer
é que o termo Relações Públicas pode se referir à função de Relações
Públicas, ao profissional, à atividade, ao cargo, à profissão, e ainda, à
ciência, à arte, à tecnologia, e ainda como o processo que existe entre
uma organização e seus públicos. Tudo isso pode ser entendido com mais
clareza no livro “Relações Públicas: Função Política” (Simões, 1995). O
fato é que essas duas palavras, com todos esses significados, confundem
qualquer pobre cidadão, que precisa ler e reler um trecho de um texto para
entendê-lo bem ou prestar atenção especial numa conversa onde o assunto
seja Relações Públicas.
Até mesmo entre outros profissionais da área de comunicação o termo é
vago e impreciso. Uma recente pesquisa feita por Jorge Menna Duarte e
Márcia Yukiko Duarte[1],
ambos profissionais de Relações Públicas, tinha o objetivo de avaliar o
papel e atuação de jornalistas e Relações Públicas em uma organização,
segundos os próprios jornalistas.
Os participantes da pesquisa, todos graduados em jornalismo e com um
ano de atuação na área, eram concorrentes a vagas na área de assessoria
de imprensa em uma empresa pública não jornalística. Numa das provas,
deviam responder a seguinte questão subjetiva, que foi usada para a
pesquisa: “Discorra, em aproximadamente 20 linhas, sobre a atuação e o
papel do jornalista e do relações-públicas em uma empresa pública”.
Foram
avaliadas as provas dos 262 candidatos à vaga. A pesquisa mostrou que os
jornalistas se saem bem quando têm que falar sobre sua profissão.
Praticamente todos as provas (96%) permitiam identificar um papel
atribuído ao jornalista. Por outro lado, na hora de definir o papel de um
de Relações Públicas numa empresa pública, os jornalistas mostraram que
não estão bem informados como esperado. A maioria (60%) não soube nem
tentou definir um papel e/ou atuação para Relações Públicas em uma
empresa.
Se nem mesmo os
jornalistas, que pregam a necessidade da constante informação, e fazem
parte também das habilitações da Comunicação Social, sabem ao certo
definir os papéis de um
profissional de
Relações Públicas, ou sua importância para uma organização, de quem
podemos esperar o reconhecimento?
Tal falta de
reconhecimento e legitimidade da profissão faz com que os estudantes nem
cogitem a idéia de ser tornarem estrategistas da comunicação, como alguns
profissionais de Relações Públicas gostam de se definir. Muitos desses
futuros universitários não têm sequer o conhecimento da existência da
profissão, de suas principais atividades e funções.
Os poucos que pensam em
seguir a carreira de Relações Públicas são levados a pensar duas vezes
antes de marcar sua opção no vestibular. Outros tantos que conseguem
passar pela escolha do curso ainda com a idéia de cursar a habilitação de
Relações Públicas, acabam por mudar suas opções quando vêem que o mercado
não é tão receptivo para os profissionais de Relações Públicas como parece
ser para jornalistas e publicitários.
A renovação da classe
profissional está comprometida e, assim, a profissão corre o risco de
algum dia voltar a ser como era em seu início, antes mesmo da
regulamentação: pouquíssimos profissional de Relações Públicas lutando
pelo reconhecimento de sua profissão.
1.1 A Necessidade de
Divulgar a Profissão
A luta desses poucos profissionais que lutaram pela regulamentação da
profissão é descrita pela saudosa Vera Giangrande de Melo no artigo "Os
vinte anos de regulamentação", de autor não-identificado. Profissional das
Relações Públicas, Giangrande foi presidente do CONFERP – Conselho
Regional de Relações Públicas – e ficou conhecida do grande público por
seu ótimo trabalho de ombudsman do Grupo Pão de Açúcar. A profissional diz
que "os primeiros anos de regulamentação foram de intensa atividade para
aqueles poucos que batalhavam na profissão. Se o nosso grupo profissional
ainda é pequeno hoje, imagine como era reduzido em 1967, quando a
profissão foi regulamentada".
No artigo é apresentada uma verdadeira viagem pela escalada desses
profissionais e, conseqüentemente, das Relações Públicas, rumo à
regulamentação e ao reconhecimento da profissão. Desde a criação dos
Conselhos Regionais, a busca de professores para ensinar a arte da
profissão, a escolha das escolas que poderiam ensinar Relações Públicas e
posterior explosão universitária que se deu no período pós-regulamentação,
chega-se no cenário atual.
O ponto que chama a atenção no artigo é quando Giangrande faz uma
avaliação da necessidade de se divulgar a profissão, exatamente o que
procuro defender neste trabalho. Em sua opinião, os próprios profissionais
de Relações Públicas são, em grande parte, responsáveis pelo descaso
enfrentado até hoje. "Nós divulgamos pouco o que seja a nossa atividade."
São raros os artigos de profissionais de Relações Públicas que abordem
a necessidade de divulgar a profissão. Muitos estão preocupados em
diferenciar Relações Públicas e marketing, em avaliar o crescimento do
marketing social, sem lembrar que, se a profissão não for conhecida, nada
disso adianta, pois os empregadores não querem saber se marketing é
diferente de Relações Públicas ou qualquer outra coisa, eles apenas querem
alguém que faça bem o trabalho. E as chances de um jornalista ou
publicitário conseguirem a vaga antes de um profissional de Relações
Públicas são grandes.
No entanto, apesar da falta de movimentação em favor de uma maior
divulgação da profissão, algumas iniciativas podem ser citadas como
exemplo de ações criativas e que podem contribuir para o reconhecimento
das Relações Públicas. São elas o "Prêmio Opinião Pública" e o "Parlamento
Nacional de Relações Públicas".
1.2 Ações que Deram
Certo
Algumas ações, como a criação do Prêmio Opinião
Pública, são apontados por Vera Giangrande como grandes iniciativas
visando o conhecimento da profissão. “De tudo o que temos feito nesses 20
anos, o ‘Opinião Pública’ é o que traz maior retorno junto a classe
empresarial, seja pela cobertura de imprensa que recebemos, seja pela
presença de alguns empresários na entrega do prêmio, seja pela divulgação
do fato no meio empresarial". Durante 22 anos, 122 profissionais foram
premiados, entre eles profissionais renomados, como Roberto Porto Simões e
a própria Vera Giangrande.
O Prêmio foi criado em 1980 pelo então presidente do
Conselho Regional de Relações Públicas da 2ª Região, Nemércio Nogueira. É
uma iniciativa cultural e sem fins lucrativos, que premia os melhores
trabalhos de Relações Públicas desenvolvidos por profissionais da área, em
benefício das empresas brasileiras. No entanto, só a criação de prêmios
como esse não basta. Até porque não atraem a atenção da mídia nacional,
pois não alcançaram ainda prestígio para isso.
O próprio criador do prêmio reconhece que seria
necessário um esforço integrado entre os Conselhos Regionais de todos o
país para que a iniciativa fosse mais eficaz do que é atualmente: “Hoje,
quase 20 anos depois e já tendo distinguido vários trabalhos, seus
autores, as empresas especializadas responsáveis e seus clientes, constato
que o Prêmio Opinião Pública poderia alcançar repercussão ainda maior, se
os atuais dirigentes das entidades profissionais de Relações Públicas de
todo o Brasil se empenhassem em aperfeiçoá-lo, descentralizando a
premiação e criando concursos regionais, que culminariam na premiação
nacional.” Com isso, o número de participantes aumentaria, e envolveria o
esforço de profissionais de todo o país, o que faria com que toda a classe
se unisse em prol do sucesso do Prêmio Opinião Pública. Com certeza o
resultado desse trabalho integrado seria mais atrativo aos olhos da mídia.
Outra iniciativa muito bem pensada foi o chamado
"Parlamento Nacional de Relações Públicas", iniciado em 1992. Foi uma ação
nacional, coordenada pelo CONFERP, com o objetivo de modernizar a
atividade de acordo com as novas exigências da sociedade atual. Durante
quatro anos, profissionais de Relações Públicas de todo o país puderam
expressar suas opiniões acerca da atividade, numa reflexão mais do que
necessária para a classe.
Concluído em 1997, o resultado final do Parlamento
foi o documento "Conclusões do Parlamento Nacional de Relações Públicas”.
O CONFERP levou a público o documento no XV Congresso Brasileiro de
Relações Públicas, realizado em Salvador-BA, em 1998.
Dentre outros pontos interessantes descritos no
documento, destacam-se a avaliação das atividades de Relações Públicas,
assim como as funções desempenhadas por esse profissional. Da discussão
desses dois temas, sugeriu-se o Projeto de Lei que alteraria o texto da
Lei N.° 5.377, que “define as atividades específicas da profissão de
Relações Públicas e dá outras providências.” A opção de manter a definição
da legislação atual inalterada mostra a intenção dos participantes em
criar uma uniformidade de discurso como pré-requisito para uma nova e
compartilhada ideologia.
Sendo assim, todos estariam de acordo em afirmar que
Relações Públicas é “a atividade e o esforço deliberado, planificado e
contínuo para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma
instituição pública ou privada e os grupos e pessoas a que esteja direta
ou indiretamente ligada, constituem o objeto geral da profissão liberal ou
assalariada de Relações Públicas.” Na prática esse acordo não tem sido
seguido à risca.
Quanto à imagem da profissão, os
participantes reconheceram que ainda não estão em sintonia quanto ao
esforço da classe em favor da boa imagem das Relações Públicas: “É
responsabilidade de categoria, cada vez mais, a identificação e divulgação
da atividade para a opinião pública, a qual tem se mostrado deficiente.
Para a divulgação torna-se necessária a projeção da identidade e uma
ideologia da função para assim podermos oferecer conceituação padronizada
de fácil entendimento e absorção.”
O reconhecimento da necessidade
de mudança já é um grande passo para chegar-se ao acerto. Porém, não se
pode fazer um esforço coletivo como foi o Parlamento Nacional, e deixar de
colocar as decisões tomadas na ocasião em prática. Seria necessário
executá-las assim como um bom profissional de Relações Públicas executa
uma ação de comunicação.
Um documento importante como
esse, que define um novo rumo para a atividade, inclusive com novas
definições de atividades e de funções específicas da profissão, que
ressalta a importância das Relações Públicas para o bem da sociedade, não
pode ficar nas mãos apenas daqueles que o fizeram ou participaram de
alguma forma do processo. É questionável se todos os profissionais
realmente tiveram acesso, se não à discussão, pelo menos ao documento
final do Parlamento. Ou se os estudantes, que tanto podem fazer para o
desenvolvimento das Relações Públicas, têm a oportunidade de avaliar nas
salas de aula as conclusões dessa discussão nacional. Como é possível
pregar uma ideologia única e de fácil assimilação se nem mesmo todos
profissionais de hoje, ou do futuro, têm conhecimento do documento
referido?
Na verdade, os profissionais de Relações Públicas
vêm há tempos falando muito para si mesmos. Nesse processo de autodiálogo,
são esquecidos milhares de estudantes que poderiam assumir o posto dos que
tanto já lutaram pela atividade e principalmente, o público mais
importante para a garantia de sobrevivência da profissão: o empresariado.
Depois de cuidar da própria classe profissional,
garantir que uma nova geração de Relações Públicas capaz de manter viva a
ideologia proposta, e a vontade de se fazer reconhecido e exigido pelo
mercado, deve-se falar diretamente com os empregadores das Relações
Públicas.
É preciso concordar com as palavras de Giangrande,
que dentre outras idéias, disse que "deveríamos estar permanentemente numa
ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) falando
aos vendedores sobre o tipo de trabalho que o profissional de Relações
Públicas pode fazer para apoiar as vendas. Ou na Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo) e Ciesp (Centro das Indústrias do
Estado de São Paulo) falando com os empresários. E nas Câmaras de
Comércio." Ou seja, os profissionais de Relações Públicas devem falar
diretamente com nosso público.
Parece óbvio dizer isso quando se refere a uma
profissão que tem nos públicos a essência de sua existência. Mas poucos
trabalhos expressivos são desenvolvidos para convencer os empresários da
importância e necessidade de um verdadeiro estrategista da comunicação nas
organizações atuais. Chega a ser paradoxal a idéia de que os profissionais
do lobby, da persuasão, não consigam fazer isso em prol de sua própria
classe.
O autor do artigo encerra com uma opinião de Vera
Giangrande que talvez defina a razão da falta de visibilidade da
profissão: "[...] a classe continua fraca porque ainda não entendeu que só
cerrando fileiras é que podemos ser fortes". Falta acabar com o
individualismo de cada profissional em torno de metas pessoais, e iniciar
um engajamento de todos em torno de um só objetivo: convencer a opinião
pública do que apenas os profissionais da área pensam, ou seja, que a
atividade é um bem necessário e imprescindível para a sociedade.
2 A INTERNET E SEU
POTENCIAL
A Internet já faz parte da vida humana. Ainda que se
argumente que muitas pessoas do mundo ainda não têm acesso à rede mundial,
sabemos que direta ou indiretamente, a vida global é afetada a cada
segundo por essa nova forma de comunicação.
No início, a Internet era um meio de se obter livre
acesso à informação. Era essencialmente um instrumento de pesquisa
utilizado por governo e por instituições comerciais. Durante seu curto
desenvolvimento, passou a ser também comercial, e chamou a atenção de
várias empresas e pessoas que viram na Internet um meio de divulgar suas
marcas e produtos. Eram visionários, que apostaram num novo meio de
comunicação, transformando um território não explorado em oportunidade. E
cresceram. Atualmente temos notícias de empresas virtuais, que funcionam e
geram lucro sem a necessidade de espaço físico específico ou uma grande
equipe de profissionais.
Aqueles que decidiram por investir na Internet
fizeram uma boa escolha. Foi a mídia que mais rapidamente chegou ao número
de 50 milhões de usuários: apenas cinco anos. Para se ter uma idéia, o
rádio levou 38 anos para chegar ao mesmo número. A televisão, por sua vez,
levou 13 anos. Nem mesmo a tv a cabo chega perto da velocidade com que a
Internet difundiu-se, levando 10 anos para chegar aos 50 milhões de
pessoas que fazem uso do serviço[2].
Em 1998, foi feito um estudo que ilustra o potencial
de crescimento da rede mundial. Nos Estados Unidos, 1,58 milhão de
usuários chegam à Internet a cada mês. Isso significa que são 385.000
pessoas por semana, 52.000 a cada dia, 2.156 a cada hora, 36 a cada minuto
e 1 usuário novo a cada 1,67 segundos a aderir ao mundo virtual. São
números surpreendentes que animam qualquer investidor a se aventurar na
rede mundial de computadores[3].
2.1 A
Internet
no Brasil
No Brasil, a Internet já chegou como plataforma
comercial, em maio de 1995 e experimentou um crescimento extraordinário de
1995 a 1998, tornando-se um dos maiores fenômenos mercadológicos do país
de todos os tempos. Em apenas três anos, o número de pessoas que
acessavam a Internet em suas casa ou no trabalho subiu 4.000%, provando
que a Internet consolidou-se no país mais rapidamente que em outras nações
do mundo, mesmo mais desenvolvidas.
Em fevereiro de 2002, segundo o IBOPE, o Brasil
ultrapassou a marca de 13 milhões de pessoas com acesso à Internet em
residências, uma das maiores do mundo. A marca histórica representa
crescimento de 48,6% sobre o mesmo período do ano passado e de 2,75% em
relação a janeiro, fazendo com que o país seja um dos oito maiores
mercados mundiais de Internet, ficando atrás apenas de Canadá, EUA, Japão,
Coréia do Sul, Alemanha, Itália e Reino Unido[4].
Ainda segundo o IBOPE, houve um crescimento de 50%
no número de usuários entre setembro de 2000 e setembro de 2002. “Mesmo
com todos os problemas que ocorreram ao longo deste período – queda das
ações das empresas de tecnologia, racionamento de energia, atentados de 11
de setembro de 2001 e as turbulências econômicas que resultaram na alta do
dólar – o acesso do local de residência cresceu de forma constante,
passando e 5,1 milhões de internautas ativos há dois anos para 7,68
milhões no mês passado", afirma Marcelo Coutinho, diretor de Serviços de
Análise do Instituto e responsável pelo estudo.
O tempo de navegação na web também aumentou. Há dois
anos atrás, os usuários ativos navegavam, em média, 8 horas e 7 minutos.
Em setembro de 2002, o número aumentou para 10 horas e 16 minutos. Para as
empresas, isso significa um aumento no número de pessoas que visualizam
seus produtos ou conhecem seus serviços.
O crescimento de 50,5% usuários ativos não se
compara ao crescimento visto no início da Internet no país, mas não deixa
de ser grande. Algumas categorias subiram quase 200%. A categoria comércio
eletrônico passou de 1,09 milhões de visitantes em setembro de 2000 para
2,61 milhões no mês passado. Outra categoria, a de serviços financeiros,
cresceu 192% em número de usuários nos últimos dois anos.
Outra pesquisa mostra que o Brasil domina a Internet
na América Latina, sendo responsável por 40% dos acessos à rede em toda a
região[5].
Como se pode perceber pelas pesquisas, a Internet faz parte da vida dos
brasileiros a cada dia mais. Navegando de casa, no trabalho, ou de outros
lugares, como supermercados e cafés, que também dispõe desse serviço, o
potencial desse relativamente novo meio de comunicação atrai todo o tipo
de negócios. As crianças já estão familiarizando-se com a tela e o mouse,
garantindo às empresas um público fiel por um longo tempo. No entanto,
mais do que um canal de venda, a Internet tornou-se um meio de divulgar
idéias e conceitos.
2.2 A
Internet
como Canal Difusor de Idéias
A Internet tem também seu lado pessoal. Com ela,
surgiram o amor virtual, o sexo virtual, o diário virtual e outros tantos
“virtuais” que fazem parte das vidas dos usuários de Internet. Essas
pessoas aprendem a cada dia mais como transformar o computador num canal
de divulgação de idéias pessoais, e devido a facilidade de circulação de
uma informação que a Internet propicia, essas idéias deixam de ser
pessoais à medida que um outro usuário concorda e compartilha da mesma
opinião. Em seguida, a transmite para um outro usuário que continua o
ciclo da passagem de informação, até que fique difundida e se manifeste em
muitos outros monitores por todos os cantos do mundo.
A Internet apresenta um potencial de crescimento
muito grande, já tem milhões de adeptos no mundo todo, inclusive no
Brasil, e a facilidade de transmitir informações propicia a divulgação de
idéias e conceitos. Então por quê não utilizar esse meio de comunicação
para divulgar a importância das Relações Públicas e a utilidade de um
profissional desse nas organizações?
Os grandes empregadores têm acesso à Internet, assim
como os estudantes do ensino médio, os profissionais da área e os demais
usuários que procuram informações acerca da profissão. Se uma estratégia
para Internet bem elaborada fosse colocada em prática, com o objetivo de
divulgar a profissão e alcançasse os públicos citados, estaria garantido o
emprego de alguns profissionais por parte dos empregadores que teriam
melhor conhecimento da atividade e, conseqüentemente, de suas funções;
futuros profissionais, pois se os estudantes tivessem mais informações
sobre a atividade, poderiam tê-la como uma opção de carreira a seguir;
melhores profissionais, pois os que já atuam na área poderiam encontrar um
espaço aberto e democrático onde poderiam pesquisar e trocar informações
com outros profissionais de qualquer lugar do Brasil; e finalmente,
resultaria na confiança e legitimidade da profissão, alcançadas com o
maior conhecimento da mesma por parte dos usuários em geral.
2.3 Conquistando Espaço
na Web
A Internet é um espaço democrático, aberto a todos,
inclusive aos profissionais de Relações Públicas e os conselhos de classe
que regem a profissão. No entanto, somente colocar algumas palavras na
rede mundial não é o bastante para alcançar o sucesso na busca dos
objetivos estabelecidos. Para tanto, são necessárias além de planejamento,
algumas características essenciais para o êxito de um site na Internet
(Pinho, 2000).
Dentre vários pontos apresentados, alguns seriam de
suma importância na construção de um site eficiente em transmitir
informações sobre as Relações Públicas:
1. O site deve ser altamente visível
Se a página estiver registrada nos principais sites
de busca da Internet brasileira, as chances de que um usuário encontre seu
endereço são maiores. Além disso, o endereço da página deve ser exposto no
maior número possível de peças promocionais vinculadas a ela.
2. O conteúdo deve estar em constante atualização
A inclusão de conteúdo inédito na página garante a
visita constante dos usuários ao site. Caso contrário, ao perceberem que o
conteúdo é sempre o mesmo, e nada de novo é acrescentado, a tendência é
que esses visitantes freqüentes não voltem mais a acessar o site.
3. As páginas são ricas em informação
A informação é o carro-chefe de qualquer site de
sucesso. Deve ser de qualidade e em grande quantidade, de modo que o
usuário não absorva todas as informações numa única visita, para garantir
o retorno do mesmo. Os profissionais de Relações Públicas, carentes de
bibliografia especializada na área, seriam beneficiados com tal atitude.
4. O site tem um bom design
A aparência visual da página deve ser atraente ao
usuário, sem exageros. O aspecto visual ajuda a transmitir a idéia que
deve ser passada, provocando a identificação do usuário com a página ou
não.
5. O endereço na Internet é facilmente lembrado
O endereço da página deve ser de fácil memorização,
remeter claramente ao assunto tratado, além de resumir bem o conteúdo do
site.
Pinho diz ainda que “um site de sucesso pode ser
encontrado exatamente na intersecção de quatro valores estratégicos e de
quatro táticos”. Um site vencedor será aquele que possuir um equilíbrio
entre os oito valores. Os estratégicos são a identidade, o impacto, a
audiência e a competitividade.
A identidade a que o autor se refere diz respeito a
capacidade do usuário não só reconhecer a empresa, mas saber que está em
seu site, não importando o lugar da página que o visitante se encontra no
momento. O impacto está relacionado com a capacidade do site de gerar uma
espécie de uma reação no usuário, que o faça falar e comentar do site,
atraindo sua volta e a entrada de outros visitantes que ouvem falar da
página por meio dos que já o visitaram. A audiência está relacionada com a
capacidade do site de atrair os usuários a uma nova visita ou à primeira
delas. Já a competitividade corresponde a características que permitem ao
site manter o número de visitas superior aos dos sites concorrentes.
Os valores táticos são facilmente vistos na página,
como o design, o conteúdo, a produção e a utilidade. O design é
imprescindível para o sucesso da página, e deve mostrar os objetivos
pretendidos, só que visualmente. O conteúdo é a matéria-prima do site,
responsável pela maioria das visitas de um site informativo. A produção
está relacionada ao trabalho de transformar os conhecimentos técnicos de
construção de um site numa página de sucesso. A utilidade está relacionada
a capacidade dada ao usuário de realizar coisas no site de forma rápida e
prática,como comprar, vender, ou mesmo pesquisar ou manter-se informado,
casos que se aplicam mais a um site de Relações Públicas.
3 RELAÇÕES PÚBLICAS NA
INTERNET HOJE
Ainda que timidamente, alguns sites especializados
em Relações Públicas começam a surgir e deixar a profissão mais acessível
ao internauta brasileiro. São poucos, mas não deixam de ser uma opção
para os que procuram saber mais sobre Relações Públicas. Para ilustrar
essa quantidade de páginas relacionadas à área, o verbete “Relações
Públicas” foi pesquisado no Yahoo, site de busca mais usado na Internet,
segundo o IBOPE.
Foram encontradas 21 categorias, 155 sites e 8
notícias, além de 43.400 páginas da Web que contêm o verbete em seu
conteúdo. O verbete “jornalismo”, por sua vez, retornou 3 categorias, 417
sites e 7 notícias, e 97.200 páginas. O termo “publicidade” remete a 85
categorias, 2.048 sites, 65 notícias e 655.000 páginas da web, sendo o
mais encontrado. Com base nesses números é possível notar a distância
existente entre as Relações Públicas e as outras habilitações da
comunicação social quando em relação à presença na Internet.
Os poucos sites de Relações Públicas existentes
podem ser divididos em duas grandes categorias: as páginas pessoais, de
responsabilidade de uma ou mais pessoas, porém sem vínculo com nenhuma
empresa ou instituição; e os sites das entidades de classe, caso dos
CONRERPS e seções estaduais da ABRP.
Existem também os sites de empresas que oferecem
serviços de Relações Públicas e outros que fazem referência à profissão.
No entanto, o que se pretende analisar é como a Internet vem sendo usada
para divulgar a atividade de Relações Públicas aos usuários leigos no
assunto, e esses sites não têm caráter educativo, e sim comercial.
As páginas pessoais encontradas na Internet, não
obrigatoriamente de Relações Públicas, por muitas vezes se encontram num
nível mais baixo se comparado com os sites de empresas e outras
instituições, pois não dispõem de um profissional responsável pelo
conteúdo na Internet, como ocorre nos sites das empresas. Além disso, o
administrador de páginas pessoais geralmente divide a tarefa de
administrar um site com outras atividades, ficando sem tempo de atualizar
ou fazer modificações em suas páginas.
Analisando
especificamente os sites de Relações Públicas, algumas páginas pessoais
apresentam um bom conteúdo, a exemplo do Mundo RP e o Portal RP. Por outro
lado, os sites das entidades de classe, caso dos Conselhos Regionais de
Relações Públicas – CONRERPs, e regionais da Associação Brasileira de
Relações Públicas – ABRP, têm pouco conteúdo e layout pouco
trabalhado, sendo poucas as exceções. Os Conselhos Regionais de algumas
regiões e algumas seções regionais da ABRP nem mesmo possuem um espaço na
Internet, muito menos um domínio próprio. Uma exceção nesse caso é o site
do Sindicato dos Profissionais de Relações Públicas – SINPRORP, outra
entidade de classe ligada às Relações Públicas.
Para melhor ilustrar a
situação das Relações Públicas na Web, cada um desses sites foi
avaliado segundo seu conteúdo, layout, linguagem, dentre outros
aspectos considerados importantes para que um site seja bem sucedido na
consecução de seus objetivos.
4 AVALIAÇÃO DOS SITES
PESSOAIS DE RELAÇÕES PÚBLICAS
As páginas pessoais com
conteúdo exclusivamente sobre Relações Públicas são poucas na Internet.
Menos ainda são os que podem ser considerados aptos para uma avaliação.
Muitos citam a profissão, trazem algumas informações, mas são amadores
demais para conseguir fazer com que um usuário seja bem informado e queira
voltar mais vezes à página.
A grande dificuldade
nesse caso, é que essas páginas geralmente são de responsabilidade de uma
pessoa só. Apesar das eventuais colaborações de outras pessoas, as páginas
não geram receita que permita a contratação de uma equipe que seja
responsável pelo site, sua atualização e melhorias constantes. Outro
problema é que são pessoas envolvidas em outros projetos, que têm outras
prioridades e compromissos que não deixam sobrar o tempo necessário e
desejado para administrar uma página na Internet.
No entanto, ainda que
sejam ruins, com pouco conteúdo e layout pouco trabalhado, essas
páginas são fruto do esforço pessoal de alguns poucos profissionais ou
estudantes que sabem da necessidade de divulgação da profissão de Relações
Públicas e suas atividades, e vêem na Internet o meio mais prático e capaz
de atingir esse objetivo.
Duas exceções são os
sites Portal RP e Mundo RP. Com conteúdo variado e informativo, são
exemplos de que é possível manter uma página na Internet, ainda que os
problemas citados acima façam desanimar.
4. 1 Site Portal RP
O site Portal RP foi
criado e é organizado pelo Prof. Dr. Waldyr Gutierrez Fortes, renomado
profissional das Relações Públicas e autor de livros como “Pesquisa
Institucional: Diagnóstico Organizacional para Relações Públicas” e
“Transmarketing: Estratégias Avançadas de Relações Públicas no Campo do
Marketing”. O portal tem os objetivos de "coletar e publicar
informações, textos de professores, relatos de casos e documentos da área
de Relações Públicas, de Comunicação, de Marketing e de Administração,
resgatar valores, e criar espaços para o registro, a divulgação e o debate
de idéias".
A página inicial do
site, além de dar as boas-vindas ao usuário, tem um espaço de agenda e
divulgação, e um espaço para indicação dos livros do organizador do
portal. O layout da página não é muito atrativo, mas o site
compensa no conteúdo disponibilizado.
A seção “Biblioteca
Virtual de Relações Públicas” é o grande diferencial do site. Conta com
textos de renomados autores de Relações Públicas e áreas afins, como
Cândido Teobaldo, Gaudêncio Torquato e Roberto Porto Simões. Segundo o
Portal, a biblioteca tem a finalidade de contribuir com a formação geral e
específica dos estudantes de Relações Públicas. Os trabalhos são divididos
em catálogos de Relações Públicas e outro de assuntos correlatos. Esse
segundo apresenta textos de administração, marketing, transmarketing,
pesquisas, ensino, jornalismo e textos interdisciplinares. Há ainda a
opção de procurar os textos pelo autor ou pelo título. São mais de 70
autores e 120 trabalhos disponíveis para consulta.
Outra seção do site é o
“Guia Brasileiro de Relações Públicas”, versão on-line do documento
editado e distribuído aos participantes da XIV Conferência Interamericana
de Relações Públicas. Tendo como pesquisador e coordenador o Prof. Dr.
Cândido Teobaldo de Souza Andrade, a edição era uma coletânea constando
documentos como o histórico da ABRP, o estatuto e o regimento de seus
órgãos assessores, leis e decretos relativos à profissão, relação de
cursos de Relações Públicas, código de ética e bibliografia de Relações
Públicas e opinião pública. A grande vantagem da versão on-line é a
constante atualização e ampliação do conteúdo disponível, sempre que
necessário.
O site tem ainda uma
seção que remete para a página do Prêmio Opinião Pública, que faz parte do
conteúdo do site da CONRERP 2ª Região, que será analisado posteriormente.
A seção de "Projetos
Acadêmicos" do site é um outro interessante atrativo dessa página. A seção
foi criada para que os trabalhos acadêmicos não fiquem à disposição de
alunos e professores apenas das instituições onde foram produzidos. Nesse
espaço, são divulgados os resumos de Projetos Experimentais, Trabalhos de
Conclusão de Curso e de outros trabalhos realizados por alunos e
professores de diferentes lugares do país.
Os arquivos são
divididos em categorias diferentes de acordo com o tema abordado:
Indústria e Comércio, Serviços em Geral, Esporte e Lazer, ONGs e Projetos,
Organismos Públicos, Conceituais, além das especificações para que um
trabalho seja colocado no site. Atualmente são 24 trabalhos divididos
nessas seis categorias, que permitem a consulta dos internautas
interessados em acompanhar os trabalhos desenvolvidos por outros
profissionais, ou aperfeiçoar idéias já desenvolvidas para incrementar
novos projetos.
A última seção do menu
principal do site refere-se aos links sugeridos pelo portal. Essa
parte do site também é dividida por assuntos: Relações Públicas, Entidades
da Área, Periódicos e Organismos Mundiais, além de uma categoria geral,
onde são encontrados links sobre administração, marketing, terceiro
setor, eventos, entre outros. Na parte de Relações Públicas, constam
endereços de pesquisa com sites de Relações Públicas e afins.
4.2
Site Mundo das Relações
Públicas
O site Mundo RP é de
responsabilidade de Rodrigo Cogo e "tem a função de difundir os preceitos
e as atribuições básicas do profissional da área, como forma de consolidar
sua importância no mercado da comunicação e marketing brasileiro". A
atualização é semestral, a partir das discussões estabelecidas entre os
assinantes do Informativo RP que circula por meio do correio eletrônico.
A página entrou no ar
no verão de 1997. A intenção de seu criador era apenas de reunir conceitos
para divulgar a abrangência de atuação do profissional de Relações
Públicas, para atrair leigos e comunidade em geral, ou seja possíveis
contratantes. Era uma espécie de currículo on-line, e as informações do
site serviam para convencer o usuário das vantagens de contratar os
serviços de um profissional de Relações Públicas. No entanto, existe no
site um serviço de cadastramento que permitiu identificar parte dos
visitantes. Esse cadastro mostrou que grande parcela dos usuários da
página era formada por profissionais ou estudantes de Relações Públicas.
Essa constatação fez com que o site fosse reformulado e acrescido de
informações, para se adequar ao perfil dos visitantes.
O maior diferencial do
Mundo RP está justamente no sistema de cadastramento já mencionado. Os
usuários cadastrados podem optar por receber o “Boletim RP em Ação”.
Enviado mensalmente por e-mail, o boletim traz notícias relacionadas a
Relações Públicas e comunicação, tornando-se um instrumento de divulgação
da profissão e de grande utilidade aos profissionais e alunos que recebem
o serviço, pois ficam cientes do que ocorre no país e fora dele em relação
à profissão.
Além do Boletim RP em
Ação, os usuários cadastrados podem assinar e fazer parte do grupo de
discussão Mundo RP, primeira lista de discussão sobre Relações Públicas da
Internet brasileira, com aproximadamente 160
membros até novembro de 2002. O grupo permite a discussão de
assuntos ligados a Relações Públicas e áreas afins. Além da troca de
idéias proporcionada pelo envio de e-mails, a lista de discussão é uma
importante forma de fazer contatos com outros profissionais, que muitas
vezes divulgam vagas e empregos ou estágios, ou recorrem aos outros
participantes do grupo para resolver questões do trabalho ou faculdade.
A página tem layout
simples e descontraído. Possui um menu principal e um secundário. A
primeira seção do menu principal aborda assuntos referentes a “Cerimonial
e Protocolo”. Depois de definir os dois conceitos, segue uma série de
outras informações relacionadas ao assunto, como ordem geral de
precedência, dicas para uma comunicação eficiente, listagem de pronomes de
tratamento, estilos de vestimenta, tipos de copos, frases de efeito e até
mesmo um exemplo de texto para condução de cerimonial e protocolo
realizado pelo próprio Cogo. Como se tudo isso não bastasse, há ainda a
indicação de livros que tratam sobre o assunto.
A seção seguinte
refere-se a “Planejamento de Comunicação”. Nela é mostrado o papel do
profissional de Relações Públicas como o profissional que levanta
informações, define a situação de trabalho, objetivos e táticas de
implementação de programas e projetos e que orienta a execução dos mesmos.
Nessa seção destacam-se dois cases de Relações Públicas e informações
sobre o Prêmio Opinião Pública, que segundo o autor do site, é resultado
de um bom trabalho. Aqui também há a indicação de livros sobre
planejamento.
“Marketing Editorial” é
o título da próxima seção. Aqui são mostradas as possibilidades de
trabalho que o profissional de Relações Públicas dispõe, por meio de
instrumentos de comunicação dirigida, como políticas de comunicação,
releases, house organs, entre outros, para alcançar seus objetivos.
Além da constante indicação de livros do assunto, são apresentados
exemplos comentados de trabalhos de Rodrigo Cogo nessa área, incluindo o
projeto integral de uma das publicações mostradas.
A indicação de livros e
os cases continuam presentes na seção “Assessoria de Divulgação”.
Nessa parte do site, o usuário é informado de que o profissional de
Relações Públicas serve de intermediário entre a organização e seus
públicos, administrando o fluxo de comunicação entre os dois. São citados
como exemplos de instrumentos para esse tipo de trabalhos os
press-releases, as coletivas de imprensa, boletins, mailing-lists,
entre outros, além de políticas de comportamento com os públicos em
questão. Há ainda uma lista de endereços eletrônicos de diversos veículos
de comunicação do Brasil.
Na seção de “Eventos
Empresariais”, o autor do site mostra a importância do evento como meio de
comunicação aproximativa. São descritas as etapas da elaboração de um
evento, e ressaltadas a importância do checklist e da nomenclatura
do evento como fatores críticos de sucesso do mesmo. Novamente um case de
evento, inclusive com seu anteprojeto, e livros indicados reforçam o
conteúdo já apresentado na seção.
A última seção do menu
principal é destinada a “Web Mercados”. A participação de um profissional
de Relações Públicas na formulação de estratégias para Internet é mostrada
nessa seção como essencial. Além disso o usuário tem acesso a sugestões de
planejamento, espaço dedicado à roteirização e ao planejamento de um
website, glossário de Internet, e pode ver os exemplos de páginas
feitas pelo autor do site e um anteprojeto editorial de website.
Nada mais apropriado para a página de um profissional que realiza
trabalhos na área, como o profissional de Relações Públicas Rodrigo Cogo,
do que defender esse meio de comunicação.
Existe ainda uma
espécie de menu secundário, dividido em quatro seções: A primeira, “Para
Entender RP” é voltada para leigos ou visitantes que não tenham
familiaridade com a profissão. Uma série de informações sobre a atividade
é apresentada ao visitante, sendo esse um dos melhores espaços quando se
trata de divulgar as Relações Públicas àqueles que ainda não as conhecem.
Aqui, tem-se acesso às entidades representativas da profissão, glossário
de Relações Públicas, material da campanha “Relações Públicas: o
profissional de resultados”, o código de ética da profissão, as funções da
mesma e até mesmo um calendário de datas promocionais. Tudo isso é um
pouco das informações a que o usuário tem acesso.
“Mundo da Comunicação”
é o nome dado à seção de links do Mundo RP, com farta indicação de
sites variados relacionados a comunicação. “Estrutura de Comunicação” é a
estrutura de navegabilidade da página em si, com todas as seções e
conteúdos relacionados. A última seção foi batizada de “Papo Cibernético”,
onde o visitante pode se cadastrar para receber o informativo do site, e
ainda conhecer os outros usuários já cadastrados, além de ter acesso à
política de privacidade da página.
O forte do site Mundo
RP está na boa vontade de seu organizador. Apesar de serem poucas as
atualizações, o conteúdo disponibilizado é muito educativo. A linguagem
leve e os exemplos mostrados, inclusive visualmente, tornam o conhecimento
da profissão uma tarefa fácil para qualquer usuário que visite o site. A
indicação de livros em todas as seções, o informativo mensal e o grupo de
e-mail, além do conteúdo da página, fazem do Mundo RP o site que mais se
enquadra no ideal de divulgar a profissão para os que ainda não a
conhecem, ou aprimorar o conhecimento dos que já têm contato com a área.
5 AVALIAÇÃO DOS SITES
CLASSISTAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS
As entidades de classe,
como CONFERP, ABRP e SINPRORP, também começam a mostrar-se aos poucos na
Internet brasileira.
O Conselho Federal de
Relações Públicas – CONFERP, foi criado em 1969, juntamente com os
Conselhos regionais de Relações Públicas, os CONRERPs de acordo com o
Decreto-Lei n. 860. Juntos, formam “uma autarquia dotada de personalidade
jurídica de direito público, com autonomia técnica, administrativa e
financeira, vinculada ao Ministério do Trabalho e Previdência Social.”
Dentre as finalidades
dos Conselhos, está a de disciplinar e fiscalizar o exercício profissional
das Relações Públicas, julgar as infrações e impor as penalidades
previstas, entre outras. O CONFERP tem ainda a finalidade de propugnar por
uma acertada compreensão dos problemas de Relações Públicas e adequada
solução. Se a falta de divulgação da profissão para a opinião pública foi
considerada um problema por parte dos participantes do Parlamento Nacional
de Relações Públicas, espera-se também do Conselho Federal a elaboração de
ações para reverter o quadro.
Outra finalidade
definida pelo mesmo decreto-lei é a de promover estudos e conferências
sobre Relações Públicas, o que mostra a intenção de dar ao Conselho parte
da responsabilidade de contribuir com o ensino e divulgação da profissão.
Logo, a eficaz
utilização do espaço virtual utilizado pelos sites para reforçar esses
objetivos seria de grande valia para os Conselhos, que otimizariam suas
ações, e para o público usuário da Internet, em grande parte, formadores
de opinião.
Apesar disso, o
Conselho federal não possui ainda um site próprio. No endereço
www.conferp.org.br,
que se esperava encontrar o site do Conselho, existe apenas o aviso de que
a página está em construção e uma mensagem de “volte em breve”, além do
e-mail do conselho.[6]
Os Conselhos Regionais lançaram-se na Internet antes
do Conselho Federal, mas ainda não são todos os regionais que têm uma
página própria. Mesmo os que têm, não utilizam o espaço da melhor maneira,
ou seja, visando o melhor conhecimento da profissão por parte dos
navegantes.
Dentre os que possuem páginas na Internet, estão os
conselhos da 2ª região (São Paulo e Paraná), da 3ª região (Minas Gerais,
Bahia e Espírito Santo), da 4ª região (Rio Grande do Sul) e 6ª região
(Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul). Os demais
conselhos, 5ª região (Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e
Piauí), 7ª região (Maranhão), 8ª região (Amazonas, Acre, Pará, Rondônia,
Roraima e Amapá) e 9ª região (Alagoas e Sergipe) não possuem sites, ou os
endereços indicados não foram encontrados.
5.1
Site CONRERP SP/PR 2ª
Região
O site da 2ª região é bem informativo a respeito do
conselho e suas atribuições. Já na página inicial o usuário é informado de
que esse regional “trabalha na difusão de informações, conceitos e
parâmetros éticos que norteiam a profissão, ao mesmo tempo em que luta
pelo exercício digno, valorizando Relações Públicas perante a sociedade”.
Em seguida, há uma seção destinada a notícias diversas. O menu principal é
dividido em “Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas”,
“Prêmio Opinião Pública”, “Código de Ética de Relações Públicas”, “Envie
suas dúvidas e sugestões” e “Atualize seu cadastro”.
A primeira seção, “Conselho Regional de Relações
Públicas” é destinada a informações acerca da profissão e do conselho em
si. Dentro dela, um novo menu dá ao usuário outras opções de
navegabilidade, como a conceituação de Relações Públicas, funções da
atividade, informações sobre o exercício e registro profissional, os
serviços oferecidos pelo regional, os conselheiros da gestão atual e as
empresas registradas, separadas pelas cidades onde se localizam, o que
facilita a consulta.
A seção seguinte é
“Prêmio Opinião Pública” e, logicamente, traz informações sobre o prêmio,
organizado pelo Conselho da 2ª região. Além de um histórico sobre a
premiação e seus objetivos, o usuário pode consultar os casos premiados,
optando por pesquisar pelas categorias do prêmio, pelos profissionais
vencedores, por ano de realização e pelas empresas premiadas. Além disso,
há também o Regulamento do Prêmio, para os interessados em participar do
concurso.
“Código de Ética de
Relações Públicas” é outra seção. Nela são apresentados os códigos de
ética nacional e internacional da profissão de Relações Públicas. Na
abertura dessa seção, há um texto de João Alberto Inhaez, ex-Presidente do
CONRERP/2ª Região, sobre a importância dos princípios éticos em uma
profissão.
As seções seguintes são
formulários. A primeira, destinada ao envio de manifestações sobre o site,
ou acerca da administração do conselho. Enfim, é um canal onde o usuário
pode expressar-se acerca de assuntos relacionados ao regional. A segunda é
um formulário para atualização dos dados de usuários já cadastrados.
O site do conselho da
2ª região é bem informativo, com algumas poucas coisas que podem ajudar um
leigo a conhecer a profissão, mas é claramente dedicado a pessoas que já
têm contato com as Relações Públicas. Não se percebe uma preocupação
privilegiada com a divulgação da profissão, o que seria o ideal, se aliado
ao conteúdo atual.
5.2
Site CONRERP 3ª Região
O espaço que o CONRERP
3ª Região (Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo) tem na rede mundial é bem
simples, voltado aos membros do conselho e associados. Na página inicial
encontram-se os dados do Conselho, como endereço, telefone e e-mail, além
dos estados que pertencem a esse regional.
No menu, a evidência de
que o site é voltado para os associados e membros: todas as seções
referem- se a algo de interesse da classe, sem nada direcionado para os
leigos. A primeira opção é “RP e o sistema CONFERP”, onde é explicado de
forma resumida como funciona a relação entre CONFERP e CONRERPs e os
profissionais de Relações Públicas, e a finalidade de sua criação.
A seção seguinte do menu principal, “Serviços”,
descreve as atribuições legais do conselho e os serviços oferecidos. São
itens como fiscalização, anuidade, transferências, eleições e outros.
Novamente, informações úteis para os profissionais de Relações Públicas,
mas nada para o usuário que não seja membro do conselho.
Na seção “Legislação” encontram-se as leis e
decretos-leis que regulamentam a profissão de Relações Públicas e os
órgãos de classe que fiscalizam e orientam a profissão. Além disso,
pode-se consultar o Código de Ética dos Profissionais de Relações Públicas
e as Conclusões do Parlamento Nacional de Relações Públicas.
Na seção “Plenário” é apresentada a atual composição
do colegiado desse regional. Em “Notícias”, tem-se acesso ao informativo
do CONRERP 3ª Região, também enviado por e-mail para os cadastrados. Na
seção de “Links”, existem links para outras entidades de Relações
Públicas. A seção de “Contato” existe um formulário para enviar mensagens
para o regional.
Apesar de ser um bom site, não existe a intenção de
divulgar a profissão. Nem mesmo de incentivar os alunos de Relações
Públicas a ingressarem no conselho, o que seria de interesse da própria
instituição. A página seria mais bem utilizada se contasse com pelo menos
uma seção voltada para leigos e/ou estudantes. Nem mesmo links para
outras páginas de Relações Públicas, que tenham mais conteúdo informativo,
são disponibilizados.
5.3
Site CONRERP RS/SC 4ª
Região
O CONRERP da 4ª Região
tem um site bem organizado, de layout sóbrio e leve. O menu
principal é dividido em duas partes: na primeira, informações relacionadas
ao Conselho e aqueles que fazem parte do mesmo; na segunda, os serviços
oferecidos pelo site, o que favorece a visita também daqueles que não têm
relação com o conselho.
A primeira parte do
site começa na seção “Administração”. O Conselho é apresentado ao
visitante, com uma breve introdução da nova diretoria, bem como os
compromissos de trabalho a serem realizados na nova gestão.
Depois são apresentados
ao visitante a missão e a visão do Conselho. Essa é uma atitude que nenhum
outro site do Conrerp faz em seus sites. Assim o usuário pode saber
quais as diretrizes que guiarão o trabalho dessa administração e a missão
a ser alcançada durante a gestão atual. Ainda dentro da seção
“Administração”, são apresentadas comissões de trabalho e seus
responsáveis, trabalhando em diferentes áreas. O usuário sabe das
delegacias regionais que trabalham em diferentes cidades, com seus
respectivos delegados. São soluções administrativas que nenhum outro site
de conselho regional informou na Internet e demonstram a seriedade
e vontade da diretoria de realizar um bom trabalho.
As comissões de
trabalho são bem interessantes, e garantem o bom relacionamento do
Conselho com diversos públicos. Existem comissões de trabalho para
relacionamento com as universidades, relações internacionais, apoio às
delegacias, promoção e relações com a imprensa, relações com o mercado,
fiscalização e inadimplência e programa de educação continuada.
Nas seções “Presidente”
e “Legislação” do menu principal, são apresentados os presidentes do
conselho desde 1972 e documentos diversos, sobre taxas, valor de anuidade,
leis e decretos-leis que dizem respeito à profissão, entre outros.
Na seção “Profissionais”, são listados profissionais
aposentados, com registro provisório, em baixa temporária do registro
profissional, e os habilitados ao exercício da profissão. Há ainda uma
seção de eventos, onde são divulgados os mais recentes, e uma seção para
contato com o regional.
Na segunda parte do menu, uma seção chamada
“Colunistas” oferece textos para consulta. São poucos, apenas três, mas a
intenção é boa, já que bibliografia em Relações Públicas nunca é bastante.
Em seguida, uma seção em construção, intitulada “Concursos”, que apesar de
não estar funcionando, transmite uma boa iniciativa.
O próximo item do menu é intitulado “Currículos”,
onde há um banco de currículos criado para “facilitar a procura dos
interessados em nossa área, quer seja por motivos profissionais, quer seja
por motivos acadêmicos e culturais.” Outro serviço diferente e importante
oferecido por esse regional.
Há ainda uma seção de
livros, com a indicação de obras relacionadas à comunicação, e uma seção
de links, dividida em entidades de classe, universidades com o
bacharelado em Relações Públicas, e outros links relacionados com
Relações Públicas e comunicação social.
Ao contrário do
Conselho da 3ª região, o CONRERP do Rio Grande do Sul e Santa Catarina
equilibra bem a quantidade de informação voltada aos membros do conselho e
aos usuários sem vínculos com o mesmo, que apenas buscam informações ou
até mesmo emprego, graças ao banco de currículos criado.
5.4 Site CONRERP 6ª
Região
O CONRERP 6ª Região tem
sede em Brasília e é responsável, além do Distrito Federal, pelos Estados
de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A página é bem
simples, com o layout pouco trabalhado. As informações são poucas,
restringido-se a um breve histórico e os nomes dos conselheiros efetivos e
suplentes da Gestão 2001-2003. Além de não possuir um domínio próprio, o
endereço é muito complicado, dificultando a eventual busca de novos
usuários pelo site.
O site desse regional
pode ser usado como exemplo para demonstrar como a Internet não está sendo
bem utilizada para divulgar a profissão, e nem mesmo oferecer informações
aos profissionais que estão registrados nesse regional.
5.5 Sites da ABRP
A Associação Brasileira
de Relações Públicas – ABRP – é a entidade que congrega estudantes,
profissionais e empresas de Relações Públicas do Brasil. Assim como ocorre
com o CONFERP, a ABRP também funciona com o apoio de regionais, nesse
caso, as chamadas seções estaduais.
A Internet pode ser de
grande valia para a ABRP na busca da realização de seus objetivos. Essa
afirmação fica ainda mais clara quando se lê o estatuto que dispõe sobre a
organização, constituição e administração da entidade. Com texto aprovado
em 1995, o estatuto da ABRP define, dentre outras finalidades, as
seguintes:
Apesar de poder usar todo o
potencial da Internet para a consecução de seus objetivos, a presença da
ABRP é quase nula na rede mundial. Não existe uma página do Diretório
Nacional, e as poucas seções estaduais que possuem sites, apenas
São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, parecem não dar tanta
importância para esse espaço como meio de cumprir as finalidades acima
citadas.
A seção estadual de São Paulo da ABRP usa o site
para divulgar informações como datas comemorativas das Relações Públicas,
lançamentos de livros e eventos diversos, como congressos e encontros. Há
um texto sobre a ABRP, onde são mostrados os objetivos da entidade, as
ações promovidas e os principais programas realizados freqüentemente, além
de informações de como associar-se. Há também apresentação da Diretoria,
história da ABRP (em construção) e datas de fundação.
Há também o resultado do Concurso Universitário de
Monografias e Projetos Experimentais de Relações Públicas desde o ano de
2000, que é realizado pela seção de São Paulo. A iniciativa é louvável,
mas poderia ser adaptada para Internet. Poderia ser exigido dos
participantes do concurso que fosse entregue uma cópia do trabalho em
disquete, o que facilitaria a publicação dos trabalhos premiados na
página. Atualmente, poucos trabalhos podem ser consultados pelos usuários.
A página da seção estadual de Minas Gerais na
Internet recebe o internauta com a seguinte mensagem de boas-vindas:
“Olá pessoal! O objetivo deste site é
mostrar como funciona a Associação Brasileira de Relações Públicas de
Minas Gerais. Através desta home page você ficará sabendo as atividades da
ABRP/MG, as vantagens de ser associado, informações sobre cursos, eventos
e congressos. Esperamos que você aproveite a ABRP/MG on line para se
informar e atualizar-se sobre o que acontece no mercado da comunicação. É
um prazer receber você !”
Uma mensagem como essa
requer certos cuidados de quem o coloca no ar. Quando é dito que o usuário
ficará informado sobre cursos, eventos e congressos, o site deve-se ter o
compromisso de dispor dessas informações para consulta do visitante. No
caso dos cursos, a seção reservada para a divulgação dos mesmos não contém
nada além de uma mensagem informando que em breve será colocado o
cronograma semestral de cursos de 2002. Uma informação como essa, dada às
vésperas do ano acabar, pode desacreditar o usuário a respeito da mensagem
de boas-vindas.
De fato o visitante
pode ficar sabendo como associar-se, das atividades da ABRP/MG, ainda que
resumidamente, mas não pode contar com essa página quando procura
manter-se informado e atualizado do que ocorre no mercado da comunicação.
Além das informações referentes à esse regional, a página contém uma seção
de fotos e links para outras páginas, também de outras entidades, a
exceção do Laboratório de Relações Públicas Plínio Carneiro, da
Universidade Federal de Minas Gerais. Nada que mantenha o usuário
informado e atualizado sobre Relações Públicas, e menos ainda sobre o
mercado, como é dito na mensagem da página inicial.
Se as páginas dos
estaduais de São Paulo e Minas Gerais precisam de mais conteúdo
informativo e revisões no layout, o site da ABRP no Distrito
Federal é o exemplo do descaso com uma página na Internet. A página há
meses não é atualizada.
A página é divida em
quatro seções: Notícias, onde há um link para o curso em andamento
desde que o site entrou no ar; Congressos e Eventos, onde são listados
cursos a serem oferecidos em 2002, sem data prevista ou qualquer
informação adicional; Formulário, onde a intenção era a de permitir ao
usuário entrar em contato com a seção, mas o link não remete a
nenhuma outra página ou formulário; Contatos, onde há o endereço, e-mail e
telefone da ABRP/DF. Para piorar a situação, quando o usuário usa o
telefone para receber alguma informação, uma gravação diz que o número
desejado está temporariamente programado para não receber chamadas.
A página usa um domínio
próprio, que poderia ser cedido para São Paulo ou Minas Gerais colocarem
seus conteúdos, pois seria melhor contar com uma página que precisa de
reparos do que uma totalmente abandonada.
As páginas das seções
regionais da ABRP deveriam ser reformuladas para obter sucesso. De nada
adianta colocar na Internet um site que não tenha a intenção de
atrair mais usuários, o que acontece com os três sites ligados à
Associação Brasileira. Exatamente por ser um órgão tão importante para a
profissão, o cuidado com a divulgação da mesma é essencial.
Uma página na Internet
passa a identidade da instituição através do monitor. Uma entidade grande
e importante como é o caso, quando apresenta ao usuário um site mal
formulado, sem compromisso com a qualidade, tem sua imagem comprometida. E
não é disso que a profissão de Relações Públicas precisa. O mesmo vale
para os sites do sistema CONFERP, que apesar de serem melhores em
relação aos da ABRP, ainda podem melhorar e exibir um trabalho mais
profissional.
5.6 Site SINPRORP
O Sindicato dos
Profissionais Liberais de Relações Públicas de São Paulo existe desde 1988
e tem como finalidade “representar legalmente os profissionais de Relações
Públicas perante autoridades administrativas e judiciárias.” Segundo texto
do próprio site, “mais do que fiscalizar a profissão, o SINPRORP tem
trabalhado no sentido de mostrar a importância das Relações Públicas para
as organizações tanto como para a sociedade.” É a única entidade de classe
a assumir a divulgação da profissão como objetivo de trabalho.
O site do SINPRORP já
foi premiado pela ABRP pela contribuição do sindicato à difusão das
Relações Públicas por meio da Internet. É um dos mais completos, sendo um
exemplo para as outras entidades de classe que pretendam mostrar-se na
Web, e até mesmo para os sites pessoais como o Mundo RP e Portal RP. O
forte do site está em seu conteúdo, bom em quantidade e qualidade, e em
constante atualização.
No menu da tela principal, existem várias
opções para o usuário navegar. São tantas que somente serão descritas as
mais importantes ou que ofereçam alguma novidade em relação aos outros
sites analisados.
Uma das opções é “Relações Públicas”, muito
boa para leigos, onde o usuário encontra informações sobre a profissão de
forma bem objetiva, como a definição e as principais funções. A definição
fornecida é de James Grunig, e as funções apresentadas são as definidas
pelo Decreto n. 283, de 1969, que regulamentou a profissão. Isso não deixa
dúvidas de que as informações dadas nessa seção são confiáveis.
Há também uma seção de “Atualizações”, onde
o usuário pode saber o que e foi atualizado no site. Esse é um bom recurso
para o navegante que visita a página freqüentemente, que pode guiar-se
pelas atualizações para ter acesso a novos conteúdos sem ter que passar
por todas as seções.
Na seção “Assessorias de RP”, estão
disponíveis os endereços e informações para contato das empresas de
assessoria em comunicação cadastradas nos CONRERPs. Assim, pode-se
procurar pelas empresas separadas por estados. É uma seção boa tanto para
os profissionais à procura de local para trabalho, quanto para
contratantes interessados nos serviços oferecidos por essas assessorias.
Ambos podem ter acesso a essas empresas com os dados fornecidos pelo site.
A seção intitulada
“Clipping” é uma reunião de diversos artigos que se referem a Relações
Públicas, comunicação e assuntos ligados à categoria. O usuário pode
pesquisar os artigos separados por ano. Em 1999 são 31 artigos
disponíveis. No ano de 2000, o número de artigos chegou a 102. Em 2001, a
quantidade continuou aumentando. Foram 187 textos de autores diversos. Em
2002, o número era de 277 textos, até o mês de outubro. Em todos os anos,
os textos tratam dos mais variados assuntos, constituindo-se assim, numa
boa fonte de informações a respeito da comunicação e Relações Públicas.
“Memória das Relações
Públicas” é o título de outra seção do site. Nela, pode-se pesquisar
textos de épocas passadas, como 1983/1985, com 25 artigos; 1986/1988, com
19 artigos; 1989/1991, com 7 artigos; e 1997, com um artigo do jornalista
Paulo Nassar, publicado pelo jornal O Dia, onde era relatado o bom
momento vivido pelas Relações Públicas na época. Apesar de serem poucos os
textos disponibilizados, a seção merece destaque pela iniciativa de manter
na memória artigos de outras épocas, que muitos profissionais e estudantes
não tiveram acesso. Analisando os artigos, pode-se ter uma visão de como
eram tratadas as Relações Públicas pela sociedade da época.
A seção “Notícias das Assessorias” reúne
artigos informando o que acontece com as assessorias de Relações Públicas
brasileiras. É um canal de informação para que os profissionais da área
possam manter-se informados de como o mercado vem desenvolvendo-se, por
meio do trabalho dessas empresas.
A seção “Estudantes” traz artigos que dizem respeito
à vida do estudante de Relações Públicas. São abordados temas como
estágio, programas de trainee, cursos e outros. Um espaço muito
útil e não explorado nos outros sites, garantindo a visita constante dos
futuros profissionais.
As demais seções, como “Livros”, “Links”, “Centro de
Estudos” e “Jornais”, ajudam o SINPRORP a ter um dos melhores sites de
Relações Públicas disponíveis hoje na Internet brasileira, sendo um
exemplo para as outras entidades de classe e até mesmo para as páginas
pessoais.
6 O E-MAIL COMO MEIO DE
DIVULGAÇÃO
Com o surgimento da
Internet, surgiu também uma outra forma de comunicação, através do e-mail,
ou correio eletrônico. Durante o ano de 2002, 31 bilhões de mensagens
foram mandados através de e-mails. Para 2006, a expectativa é que esse
número aumente para 60 bilhões. (Fonte: Nua.com). Cerca de 90% das pessoas
que acessam a Internet o fazem com a intenção primária de ler e mandar
e-mails. Atualmente, o correio eletrônico tornou-se parte da vida
diária de vários brasileiros. Nos Estados Unidos, já é o segundo meio de
comunicação preferido, perdendo apenas para o telefone. Rápido, barato e
extremamente popular, o e-mail é considerado a ferramenta ideal para
marketing digital.
Além de avaliar as
páginas em si, foi levada em consideração também a eficiência do e-mail
como ferramenta de diálogo. Mais do que lançar conteúdo na Internet, os
sites devem dar a possibilidade do usuário interagir com o
responsável pelo conteúdo da página ou um representante do mesmo. Assim,
os sites deixam de ser meros “depósitos de conteúdo” para se
tornarem ambientes criadores de discussão.
No caso das páginas de
Relações Públicas, devem realizar esforços para tornar a profissão
conhecida dos usuários que não têm conhecimento da área. Essa educação do
usuário, benéfica para a profissão, só ocorre através do diálogo, como diz
Freire no livro "Extensão ou Comunicação". Diz o autor que “a educação é
comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência de saber, mas
um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significância dos
significados”. Sendo assim, o meio mais propício para possibilitar o
diálogo virtual é o e-mail.
Para avaliar de que
maneira os sites de Relações Públicas estão utilizando o e-mail
como ferramenta de divulgação a favor da profissão, a seguinte mensagem
foi enviada aos sites escolhidos para serem avaliados: "Tenho uma
dúvida e gostaria de saber de forma clara: afinal, o que é Relações
Públicas?". Todos os sites avaliados receberam a mensagem.
A pergunta enviada
parece ser simples, mas ao mesmo tempo, complicada. Simples pelo fato de
se esperar que um órgão de classe ou uma pessoa responsável por uma página
na Internet sobre Relações Públicas saibam responder exatamente seu objeto
de estudo ou profissão. Porém, torna-se complicada à medida que cada órgão
ou profissional tenta definir a profissão a sua maneira. Assim, a tarefa
de esclarecer uma dúvida pode tornar-se difícil se várias definições
diferentes forem apresentadas e ao invés de complementarem-se, divergirem.
O usuário que manda uma pergunta como essa
provavelmente já ouviu falar sobre a profissão, mas ainda não sabe ao
certo a limitação de suas atividades e o âmbito de atuação desse
profissional. A palavra “afinal”, colocada antes da pergunta em si, passa
a impressão de que a resposta já foi procurada, ou que os conceitos já
recebidos não foram satisfatórios para sanar a dúvida existente. Além
disso, não é possível saber, somente pelo conteúdo da mensagem, se o
usuário está se referindo ao profissional de Relações Públicas -
profissional, ou especificamente à profissão. Tudo isso exigia cuidado por
parte do responsável por responder ao e-mail.
Para obter uma
avaliação mais completa, foram levados em consideração, além da resposta
em si, o fato da pessoa responsável pela resposta ser, ou não, um
profissional de Relações Públicas; o tempo levado para enviar a resposta;
a linguagem utilizada para responder a pergunta. Esses critérios são
considerados essenciais para a satisfação do usuário que envia um e-mail
esperando uma solução. Alguma dessas opções, se deixada de fora da
resposta, pode pôr a perder todo a intenção em atender eficazmente ao
remetente.
6.1 Resposta dos Sites
O site Mundo RP enviou
a resposta no mesmo dia em que a recebeu. O próprio Rodrigo Cogo respondeu
a pergunta, dizendo que ninguém consegue responder a questão com precisão.
No entanto enviou uma definição de Relações Públicas de sua autoria,
transcrita a seguir:
“Relacoes Publicas e´ uma especialidade da Comunicacao Social
direcionada ao planejamento e gerenciamento de estrategias e taticas de
informacao, articulando instrumentos impressos, eletronicos e relacionais
com base na melhor adequacao entre objetivo da mensagem, linguagem,
audiencia-alvo e meio de disseminacao. Com isto, busca expandir esta
consciencia e responsabilidade entre todos os agentes da
organizacao-cliente como condicao para construcao de boas marcas e
idoneidades a partir da transparencia e da pertinencia de procedimentos”.
Apesar do ótimo tempo de resposta, a mensagem tem
várias falhas de digitação, que podem por a perder o objetivo da mensagem
se prejudicar seu entendimento. Além disso, a definição enviada é teórica
demais. A linguagem leve do site poderia ser usada também num caso como
esse, para facilitar o entendimento e assimilação por parte de quem enviou
o e-mail e recebeu a resposta.
O CONRERP 1ª Região não tem página na Internet.
Mesmo assim a pergunta foi enviada e respondida no dia seguinte de seu
envio. Quem respondeu foi Mário Carlos, presidente desse regional.
“INFORMALMENTE,
RELACOES PUBLICAS E TUDO NA COMUNICACAO SOCIAL!!!!,
e o profissional mais completo , sem chatear os jornalistas,
mas se voce quer uma definicao didatica,
caia de cabeca nos livros e tire a sua opiniao...
afinal hoje em dia como tudo na vida
HA CONTROVERSIA.”
A resposta enviada chama a atenção por ter sido
respondida pelo próprio presidente do CONRERP, mas o conteúdo foi informal
por demais. No entanto, esse fato não pode ser levado em consideração,
pois já havia conversado com Mário Carlos, o que o fez responder sabendo
e